domingo, 19 de junho de 2016

Coisa de Casa

Oi, tudo bom? Voltei! Tem tempo que a gente não se fala e os últimos 6 meses foram de fortes emoções. Do ponto de vista político, acho que eu não preciso nem dizer, mas, acho que vale a pena o registro, o Brasil passou (e ainda passa) por uma turbulência enorme que desembocou na saída da presidente (presidenta?). E em, menor escala, a vida particular também passou por uma instabilidade tão emocionante quanto acompanhar a novela que virou a política brasileira (tem gente que diz que é muito melhor do que House of Cards).

Da última vez que conversamos eu tinha acabado de me mudar e prometi contar um pouco sobre essa rotina maluca que é morar sozinha. Acabou que eu não contei nada, no início porque não tinha computador pra escrever, depois por um pouco de preguiça e falta de privacidade, e por último por pura falta de cabeça mesmo face a todo o reboliço que estava acontecendo.

Há 6 meses comentei como tinha ganhado 2 horas do meu dia que ainda não sabia como gastar. Pois bem, já aprendi a desperdiçar essas horas. No horário de verão, ainda saía para dar uma volta no Aterro, dar uma caminhada, mas agora no inverno, frio desse jeito, e chegando em casa com o céu já escuro, você chega em casa e não quer fazer mais nada de útil e acaba ficando o tempo todo na internet. Isso quando você não tem que fazer a sua própria comida, que já consome aquela hora extra que você achou que ia ter quando morasse mais perto das coisas.

Falando em comida, queria dizer que ainda não sou nenhum mestre cuca, nem nada, mas tive 100% de acerto em todas as panelas de arroz que fiz. Claramente um talento nato para a cozinha. Na hora do aperto também já fiz macarrão, e um ensopadinho que, modéstia à parte ficaram muito bons (ou será que era só a fome que estava demais?). Ah, sim, é muito ruim você chegar em casa com fome e não ter nada pra comer. Nessa hora você sente muita saudade da sua mãe. Por isso descobri o macete de investir nos congelados porque nesses momentos (quem tem fome tem pressa!), eles quebram um galhão. Pedir comida também adianta, muito embora demore tanto pra chegar que às vezes é melhor fazer. Além dos congelados, o segredo é fazer comida pra mais de um dia pra não precisar ir para o fogão todo dia. E não precisar lavar as panelas todo dia também. (É impressionante como louça é um negócio que se multiplica, gente! E nunca acaba, porque você acaba de cozinhar, lava a louça, aí vai comer, tem mais louça de novo!!!!)

Outra coisa que parece que não acaba nunca são as contas. Você passa o mês inteiro pagando conta. E quando você pensa que acabou, chega a outra com vencimento para o mês seguinte. Deus abençoe o aplicativo do celular!
Levar 20 minutos até o trabalho também tem suas desvantagens. Por exemplo, a sua leitura fica totalmente prejudicada. Li pouquíssimo esse ano e não me orgulho disso. Preciso estabelecer uma disciplina nesse quesito.

Por outro lado, você consegue fazer coisas do tipo ir a shows a noite sem se preocupar em como voltar (março fui a 2 na mesma semana: Tiago Iorc, tanto orgulho desse menino, e Maroon 5,  que foi legal, mas sem aquele tesão e alguns anos atrás. Fiquei devendo relato disso daí, mas já já, você vai ver que com tanto problema acontecendo, não dava pra ter cabeça pra escrever mesmo), ir ao cinema quando der na telha em pleno meio de semana, sair pra comemorar o aniversário (ah, é, nesse meio tempo eu fiz aniversário também, e ganhei 5 bolos! Fiquei muito emocionada de receber tanto carinho), decidir assistir a um musical no dia seguinte só porque anunciou no RJTV... E essa semana cantei até num karaokê (Big Ben, recomendo a todos, foi muito legal!!!).

Além da comida, você também sente falta da sua casa quando fica doente. Peguei um resfriado que não queria me largar de jeito nenhum uma semana, com uma tosse de cachorro que já estava doendo até as costas e, além dos remédios, tive que apelar para os truques de mamãe como lenço umedecido com álcool no pescoço para conseguir dormir. Só que aí eu lembrei que não tinha álcool em casa e tive que comprar e improvisei o lenço com uma camisa velha, porque aqui não tinha aquele pano de neném que acompanha há anos. Nessa mesma semana, como se não bastasse, ainda fiquei com dor de dente, e pensei que fosse morrer (dramática? Eu?). Mas, graças a Deus sobrevivi.

O resto dos dias se passaram com um problema atrás do outro e cada dia mais a certeza de que existe algo muito errado no mundo em que as pessoas acham que estão fazendo favor, quando na verdade elas só estão fazendo o seu trabalho ou a sua parte na negociação.

Eu nunca tive gás encanado porque em Nilo City a gente compra o botijão pra fazer comida, de forma que, não tinha muito parâmetro da conta no final do mês. Só que todo mês essa conta estava vindo num valor muito acima do esperado para quem nem cozinha todo dia! Daí que, quando chamei a CEG, descobri que o apartamento estava com vazamento! Olha só que delícia! E aí, quando o técnico da CEG descobriu isso, ele simplesmente CORTOU O MEU GÁS!!!!!!

Como resolver isso não é minha responsabilidade, acionei a administradora do imóvel, que por sua vez, falou pra dona resolver. Só que passou uma semana, e nada. Passou duas semanas e chamavam alguém pra ir lá olhar, mas também ficava só na parte de “olhar”. E aí, eu estava vendo que o problema maior era falta de vontade e tive que começar a procurar outro lugar qualquer pra meter o pé, porque não dava pra viver mais muito tempo à base de lasanha congelada, comida na rua e tomando banho frio (a sorte maior é que abril fez um calor danado!!!!). E olhar casa é muito estressante, gente! Você vê vários lugares que não têm a menor condição de serem habitados e por um preço longe do justo. Acabou que teve um dia que eu perdi a paciência com a administradora, já estava há mais de 1 mês sem gás, e ela + os proprietários não tomavam uma atitude (e o pior ainda achavam que estavam fazendo favor de irem acompanhar o conserto/orçamento, etc...), e desci o esporro (e eu não gosto de fazer essas coisas porque depois fico com remorso). E aí eu já estava praticamente certa de sair, mesmo antes de acabar meu contrato, mas acabei ficando porque o esporro fez efeito e resolveram o problema rapidinho. Moral da história: Se a gente não levantar a voz, tem gente que não respeita.

O que não quer dizer que a saga de procurar outro lugar para morar tivesse acabado, porque depois disso tudo, eu não pretendia continuar lá quando acabasse o contrato MESMO! Porque além de todo o incidente, já estava ficando de saco cheio de ter que levar as roupas pra lavar no fim de semana pra casa de papai e de ter atravessar a sala pra lavar a louça (a pia ficava na sala) e de morar num lugar que é facilmente percorrível em 10 passos e não tem espaço pra guardar as coisas.

Nesse meio tempo, também tive que fechar os detalhes da viagem de férias em agosto (Start spreading the news...). E daí dá-lhe pesquisar preço de passagem e hotel. Pessoas, os hotéis em NY são absurdamente caros! Lugares que não tem nem banheiro privativo cobrando o olho da cara. Decidi que não ia pagar aquela fortuna pra não ter banheiro e passei a acompanhar diariamente as ofertas do Airbnb. E Airbnb é muito amor! Numa tarde vi um anúncio que tinha acabado de ser postado, por um preço ótimo! E com banheiro!!! Fechei na hora! (Observe a ironia do momento: eu já tinha lugar pra morar em NY, mas minha habitação no Rio ainda era incerta!).

Pois bem, depois de olhar, olhar, olhar, até que achamos um apto legal aqui perto, por um preço acessível, e decidimos fechar com a senhora. Daí que ela me pediu toda a documentação (documentos que não tinham a menor necessidade, inclusive), me fez gastar 100 reais numa ficha de idoneidade, e depois DEU PRA TRÁS!!!!!! A gente ficou tratando mais de uma semana pra depois ela simplesmente MUDAR DE IDEIA!!!!! Ah, sim, isso ela me avisou faltavam 5 dias pra acabar o meu contrato no lugar onde eu tava. A sorte dela é que quem foi pegar o meu “papel de 100 reais” foi minha irmã, senão ela ia escutar umas poucas e boas. Velha abusada!

Mas, acho que no final das contas foi pra melhor, porque no dia seguinte, fui olhar os anúncios na internet e encontrei um outro pelo mesmo preço, também aqui perto, muito maior, melhor e mobiliado. (Sério, foi coisa de Deus!)

No mesmo dia, preenchi uma ficha de interesse, e em menos de uma semana já tinha assinado o contrato e anteontem, no dia que vencia o outro apê, fiz a mudança. Agora tô aqui na casa nova e estou achando um luxo porque tenho tanque, área de serviço, máquina de lava, sala separada do quarto e banheiro com box. É claro que também não tenho vassoura, panela, sinal de internet, sinal de tv, tábua de passar e ferro. Mas isso a gente resolve. Estou aceitando presentes, inclusive.

Deixo vocês com essa gracinha, diretamente de Nova Iguaçu, que apareceu no SuperStar e que não desgrudou da minha cabeça desde que ouvi. Adivinha por quê...

Sair de casa é só pra quem quer
pois a coragem anda a pé e vai te levar pra longe…

domingo, 27 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015

E eis que em 2015 eu não cumpri minha resolução de ano novo de postar no blog. Na verdade, mesmo tendo mais tempo agora, com um trabalho que realmente é um...trabalho, e não uma bomba de sucção da sua vida, foi o ano em que menos escrevi desde que o blog começou. (Já tem uns 3 anos que eu venho falando isso, e tá ficando feio já, e você deve ficar se perguntando porque eu não acabo com ele de vez ao invés de ficar inventando desculpinhas) E o motivo para isso eu sinceramente não sei dizer. Tive vontade de resenhar Garota Exemplar (o livro, e por consequência também o filme), Divertidamente (lindo, lindo, lindo, lindo!), Cinderela (quem disse que contos de fadas live-action não podem ser...fantásticos?), A Escolha Perfeita 2, Kimmy Schimit, Silicon Valley e o novo disco do Tiago Iorc, mas ficou só na vontade mesmo. Esse ano a preguiça me venceu. O que não quer dizer que vocês não devam ler/assistir/ouvir nada disso.

Mas se serve de consolo, 2015 foi um ano incrível! (Anos ímpares, né! Sempre os melhores!) Não posso dizer que 2013 e 2014 foram anos ruins, porque, anos em que você descobre tanto sobre si mesmo (apesar de toda a bad), e que tem tanta gente que gosta tanto de você, e viaja pra Europa (2x) e consegue sair de um emprego que estava te fazendo mal não podem nem de longe serem considerados maus anos.

Mas uma coisa interessante de 2015 é que eu fui FELIZ. Vivi intensamente. Fui ver o sol, subi em árvore, assei pato, fui a shows, enfrentei filas, e coloquei outros projetos pra andar. Me diverti, encontrei os amigos, fiz planos e não tive medo de ser quem eu sou (na maior parte do tempo). Talvez eu estivesse tão ocupada VIVENDO que infelizmente o blog ficou em segundo plano. Por isso, não estou tão arrependida assim. Mas, vamos ver se eu consigo colocar vocês a par do que foi VIVER 2015 intensamente, pra vocês terem uma noção de quanto esse ano foi legal.

Em janeiro fui ver o show do Tiago Iorc na praia, de grátis, e descobri que ele é muito mais legal do que eu imaginava. Eu já gostava dele, mas depois desse dia, nossa, fiquei fã. A paixão com que ele se perde nas músicas é de contagiar. Eu sempre falei que era um desperdício esse menino cantando em inglês, e esse ano, parece que ele atendeu minhas preces e lançou um disco em português que é simplesmente muito, muito amor. Um álbum em que as músicas falam principalmente dessa loucura que é a vida na internet e que me ganhou na primeira ouvida. Não consigo parar de escutar até hoje. Façam um favor pra vocês mesmos e vão escutar o Troco Likes. O garoto está especialmente inspirado. Tanto nas letras quanto nas melodias. Vale muito a pena. (Já comprei eu ingresso pro show dele no Rio ano que vem!)

Ainda no início do ano, entrei no projeto do Felipe de 1000 coisas pra fazer antes de morrer (ou algo assim), e a gente foi com a Ju e a Fernanda na Biblioteca Nacional e na Confeitaria Colombo (comemos a coxinha mais cara e superestimada da vida e saímos de lá com fome). Mas o melhor mesmo foi aquela paradinha que demos nos arredores do MAC, curtindo um ventinho abençoado, e ficamos jogando conversa fora como devia ser sempre (precisamos marcar mais desses!).

Esse projeto também me proporcionou fazer trilha e entrar em gruta, num dia inesquecível em que curtimos do início ao fim (na segunda feira eu ainda não sentia minhas pernas, mas valeu a pena), andar de patins no gelo (não que eu tenha conseguido fazer grandes manobras, mas foi um programa cheio de metáforas e lições de vida do tipo: "Não desista!" e "Se a vida te derruba, levanta-se e tente de novo"), e fazer arvorismo e tirolesa ("AAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!!!") agora no final do ano. Olhando pra trás, me pego pensando como tive coragem pra fazer isso tudo. Ainda bem que tem fotos pra provar, porque às vezes eu também duvido que tenha acontecido.

No meio do ano recebi uma notícia superlegal de que minha ex-chefe (aquela que me deu um sacode e eu chorei a beça porque já estava de saco cheio de tudo) agora vinha trabalhar comigo! (Tem coisas que estão escritas mesmo!) Ela foi pra outra área e não é mais minha chefe, mas a gente almoça todo dia junto e o melhor de tudo é que eu ganhei minha amiga e conselheira de volta. A gente sempre falou que quem saísse primeiro ia levar a outra, e que um dia a gente ainda ia trabalhar junto de novo. E aconteceu mesmo!!!! Fiquei muito, muito, muito feliz! E estou muito, muito, muito feliz!

Ainda sobre o trabalho, fui a SP pra um treinamento (coisa de um dia) em que fiquei hospedada em frente àquela ponte que aparece nas novelas do Silvio de Abreu (SP é uma coisa besta, né? A gente fica tirando foto de ponte... Desculpa aí os paulistas, rs!) e tive meus fins de semana consumidos por um curso online bacanérrimo que no final rendeu uma certificação supervalorizada (coisa fina). Mas descobri que não sirvo pra educação à distância por motivos de falta de debate. Eu sou aquela pessoa que levanta as perguntas mais cretinas nos cursos. E online não dá pra você aprender com as experiências de vidas dos colegas, discutir as ideias, levantar polêmicas...

Ah, sim! Em maio, comecei meu MBA, que eu já vinha adiando há um tempo, mas que agora, finalmente, eu consegui fazer a matrícula sem peso de consciência de não conseguir assistir às aulas. Dá pra contar nos dedos as vezes que eu faltei. Estou gostanto muito. A mentalidade das pessoas é totalmente diferente da do colégio, o foco dos professores também é outro, mais adulto... Talvez do jeito que a faculdade também devia ter sido, mas divago...

Vamos lá... O que mais aconteceu em 2015? Fui na exposição do Picasso do CCBB (a gente percebe que está ficando esnobe quando vai ver a expo do Picasso e não acha nada demais porque nem tinha Guernica e as outras já tinha visto no Reina Sofia...) e voltei a ser criança na exposição do Castelo Rá-Tim-Bum (quem ainda não foi, por favor, vá!!!! Está acabando já!).  Marquei presença novamente no show da Sandy (adorei a vibe que ela estava, mais descontraída, solta no palco, já deixando os fãs fazerem o que quiserem... A maternidade fez bem a ela) e acabei indo até num show da diva Anitta (era festa de fim de ano da empresa e adoro como ela tem proporcionado esse tipo de experiência que eu nunca teria fora de lá, mas o pior é que eu simpatizo com a Anitta mesmo. E ai de quem falar mal dela perto de mim!).

Ah, sim! Em 2015 teve Bienal do Livro, e só lamento por você que não foi por medo da muvuca. Gente, foi muito legal! Fui no bate-papo e peguei autógrafo do David Nicholls e da Sophie Kinsella. As filas estavam super bem-organizadas, nada de tumulto! E achei a feira até bem vazia, comparada com outros anos. Ah, sim! E consegui fazer uma pergunta nos dois bate-papos!!!!!! David Nicholls é muito simpático, gente! Fiquei ainda mais fã. E o que dizer de Sophie Kinsella? Achei que ela fosse ser super tímida, mas ela é muito engraçada!!! Faz todo o sentido ela ser a escritora da Becky, sinceramente. (Descobrimos que ela não sabe falar finlandês, infelizmente!). E sem contar que a vibe da Bienal é uma delícia por si, só, né? Mas, essa sou eu, superfã de Bienal falando.

E pra completar com chave de ouro, no mês seguinte, em outubro, eu encontrei DE NOVO com a rainha, ídola, paixão da vida, MEG CABOT!!!!! Numa agenda em que deu tudo certo e eu estava de férias exatamente no período em que ela estaria no Brasil! Olha, eu já tinha encontrado com dois escritores simpáticos esse ano, mas a Meg é a Meg! Ela não existe, cara! Tá pra nascer alguém mais legal, engraçada, atenciosa, divertida... Emocionei de novo quando a vi e fui adolescente outra vez por causa dela. O que significa que eu fui idiota, e retardada, e feliz como nunca!!!!!

E aí quando parecia que o ano já tinha terminado, eu resolvi fazer uma experiência de ir morar sozinha (essa é a hora em que vocês dizem: "COMO ASSIM??????"). Só tem uma semana e está sendo bem bacana. É um contrato de 3 meses só de aluguel, e os móveis já estão lá, e eu ainda volto pra casa fim de semana (até porque preciso lavar a roupa e lá não tem nem máquina, nem tanque). Mas faz a maior diferença. Faço o percurso até o trabalho em papo de 20 minutos. Ganhei 2 horas no meu dia que ainda não sei como gastar (talvez devesse tomar vergonha na cara e gastar escrevendo pro blog, né?). Já comprei até o ingresso do metrô da virada, porque, agora não está tão longe e não tinha nada melhor pra fazer mesmo. 

Bom, parece que o ano novo chegou mais cedo por aqui.

Feliz 2016 pra vocês!
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?

Tem coisas que são tão incríveis que a gente acha que acontece só uma vez na vida. Encontrar com a Meg em pleno Rio de Janeiro é uma delas.

A última vez que ela veio, você acompanhou aqui no blog, o mundo era muito diferente do que é hoje. O Brasil ainda ia sediar a copa (a gente nem tinha perdido a copa de 2010 ainda, Neymar era apenas uma promessa e nem imaginávamos tomar 7x1 em casa), Bin Laden ainda era vivo, praticamente ninguém tinha smarphone e o Orkut era a rede social do momento. E eu também era muito diferente. Estava no 2o ano de faculdade, não estagiava e postava com muito mais frequência no blog também.

A única coisa que não mudou de lá pra cá foi a admiração por essa escritora que ainda me divertia com histórias novas e antigas, feitas para qualquer idade. Sim, de lá pra cá eu conheci outros autores, outros livros, outros personagens. Mais inteligentes, mais bem-encorpados e mais aclamados. Mas nenhum deles conseguiu destronar Meg Cabot do posto de minha escritora favorita.

Mas, como diria Joseph Climber (esse daí é bem anterior a 2009, aliás), a vida é uma caixinha de surpresas. E quando ela anunciou que ia lançar um novo Diário, eu bem comentei com a minha amiga Jami: "Ela bem que podia vir aqui no Brasil lançar esse livro, né?". E como geralmente acontece com os nossos desejos que a gente fala assim em voz alta, sem muita esperança, a fala acaba virando profecia e esse ano, num desses acessos oriundos do ócio em que entrei na agenda da autora só pra ver se tinha alguma coisa agendada para o Brasil, acabou que... olha só! Tinha mesmo! Estava lá "Outubro de 2015 - Flica, Cachoeira, BA. Other Cities to announce". No site ainda não estava escrito que ela vinha ao Rio, mas nem me estressei, porque, é claro que ela TINHA QUE VIR aqui (é por essas e outras que eu amo Rio).

E daí, é claro que eu PIREI!!!!!! Porque Deus faz as coisas muito certas e eu tinha marcado férias exatamente para Outubro de 2015, muitos meses antes, sem saber!!!!!!!!!!!!!!!! A vida estava muito mais corrida do que há 6 anos, mas ia dar pra ver a Meg sem preocupações porque eu ia estar DE FÉRIAAAAAAAS! Foram as férias mais bem marcadas da MINHA VIDA!!!!

TPM (Tensão Pré-Meg)
Nos primeiros dias de férias, como não tinha nada pra fazer, fiquei acompanhando os eventos da Meg nos outros estados e surtando daqui de casa. Daqui a alguns dias ia ser eu lá com a Meg, de novo!!!!!!!

Deu um orgulho super especial da Paula, que ganhou a promo comigo em 2009 (e na época acabava de lançar o primeiro volume de FMF - ainda com a capa antiga!), e agora estava lá na Bahia entrevistando a Meg e participando do evento agora não (só) como fã, mas também como escritora, de igual pra igual, sabe? Agora a Paula marca jantares com a Meg, são besties. rsrsrsrs #BeijinhoNoOmbro #KissOnShoulder (Pirei depois com as fotos do casamento na Disney e com a Meg dizendo que foi convidada pro casório da mineirinha. Sem mais comentários sobre isso.)

Você que acompanhou a minha saga de 2009 deve lembrar do presente que a gente deu pra Meg, que desculpa, foi o melhor presente que alguém pode ganhar. E daí que a Meg vinha de novo, e eu fiquei meio assim de fazer outra "homenagem" dessas porque, tipo, eu já tenho 25 anos na cara e já me achando velha pra essas coisas, mas, preferir pecar pelo excesso do que morrer de arrependimento, e então minha irmã deu uma ideia superlegal (ainda na linha de 2009), mas muito mais fácil de fazer, e, olha, não foi porque foi a gente que fez não, mas FICOU INCRÍVEL!!!!!! (Mais sobre ele depois!)

Acompanhando no Twitter, vi que ela ganhando vários presentes que já não cabia mais na mala e depois pedindo pra não levarem mais (Tarde demais, Meg. O seu já está pronto. Além do mais, isso aqui é Brasil. O nível de tietagem é muito maior!!!! Por isso que a gente enche o saco pra vocês virem pra cá.). Achei especialmente curioso uma fã entregar uma garrafa de cachaça (hahaha!), porque da outra vez a bebida nacional presenteada tinha sido guaraná. É, realmente o público cresceu.

Ainda de olho nas redes sociais nos dias que antecediam o desembarque da escritora no Rio, comecei a perceber que os eventos nas outras cidades nunca lotavam e sempre sobravam uma quantidade enorme de senhas (sim, eu estava monitorando tudo mesmo). Todos os eventos em dia de semana, as fãs também já não têm mais aquela disponibilidade de tempos de passar o dia na fila porque trabalham... Daí avisei as amigas desesperadas desesperadas / desesperançosas em conseguir uma senha na timeline que... cara, IA DAR, SIM! Mesmo chegando lá praticamente na hora do autógrafo (às 18:00), dava pra conseguir uma senha. 

O Grande Dia
Cheguei no Rio Sul às 10:20 (a distribuição de senha começava às 10:00, mas as primeiras a chegar aportaram por lá às 5:00, hahahah) e fui pro final da fila. Peguei o número 236 (o total eram de 500 senhas) e logo depois a fila acabou. Como eu já havia suspeitado, ia sobrar numeração à beça. Avisei a Iris e a Marcelle, que iam vir voadas pegar uma senha na hora do almoço, pelo Twitter e fui pro Starbucks sentar um pouco e filar o Wifi. (O Starbucks estava cheio de fãs da Meg, todo mundo lendo os livros novos. Achei lindo!)

Na hora do almoço a Marcelle (a gente se conheceu pessoalmente lá 2009, mas já se falava pelo Orkut. Ai, gente, que saudade do Orkut, nunca vou conseguir superar) se perdeu, não conseguia achar o carinha que estava distribuindo as senhas, e daí eu desci pra socorrê-la e ela conseguiu pegar uma senha (o número era o 240 e pouco, isso meio dia e alguma coisa) e comprou os livros novos.

Daí em diante enrolamos bastante até umas 16:00, conversando e lendo trechos da versão comemorativa de DP (linda, linda, linda demais!) e nessa hora uma ex-cliente minha tava passando pelo shopping, e eu quase levantei a mão pra dar um oi, mas resolvi que não estava em condições de encontrar ninguém do ambiente corporativo naquele dia. Fomos ao banheiro retocar a maquiagem e, pra variar, ele estava cheio de fãs da Meg fazendo o mesmo. Muitas com tiarinhas de princesa, inclusive. (Não coloquei a minha, não tive coragem. O que se revelou uma decisão muito acertada, porque, como acabei de falar, eu quase fui "descoberta"!).

A chegada da Meg estava marcada para as 17:00. As pessoas que tinham senha após a numeração de 200 iriam fazer fila lá embaixo, onde foram distribuídas as senhas, e depois iriam sendo chamadas para a loja, pra não fazer muito tumulto no shopping. Decidimos que iríamos ficar ali na loja só esperando a Meg chegar (acompanhar a emoção e tudo), depois desceríamos e esperaríamos a nossa vez, como pessoas civilizadas. Deviam ter umas 10 pessoas nessa mesma situação (nossa, que multidão!). Daí um segurança pediu pra gente descer porque senão não ia conseguir autografar ("Moço, a gente só está aqui enquanto ela não chega, depois a gente desce. Até parece que não vai dar tempo !"). Tinha uma repórter da Rede TV fazendo uma matéria com as primeiras da fila também, por que ele não expulsou ela também? (rs!)

Continuamos ali, obviamente. Não estávamos atrapalhando ninguém, tava tudo em plena paz e harmonia. (Fãs da Meg, com mais de 20 anos, né! Acho que a gente já passou dessa fase de empurrar!) O segurança continuou enchendo o saco. Continuamos a ignorá-lo. Daí que ele daqui a pouco começou a discutir com o povo, a ameaçar cortar a pulseira com a senha, e eu decidi que não valia a pena estragar um momento tão legal batendo boca com um segurança. A Iris ficou brigando com ele e chorando de raiva. Daí fomos para frente da loja, pra ainda assim ver a Meg chegando. E ficamos ali xingando o segurança, comentando como aquilo não tinha necessidade nenhuma, como estava tudo na paz e quando nos demos conta, a Meg tinha passado nas nossas costas! Saímos correndo atrás dela pra dentro da loja! (Os fãs que estavam na fila nem gritaram - acho que nem viram. Vocês já foram melhores, hein!)

Quando ela chegou, juro pra vc que fiquei meio emocionada. Não chorei, mas sabe quando o coração dá aquele pulinho? Então. A mulher que tinha formado meu caráter literário estava ali na minha frente DE NOVO. Eu meio que não conseguia acreditar que aquilo era REAL! A MEG, cara! ALI NA MINHA FRENTE! Ficamos ali um pouquinho, tiramos umas fotos, e descemos pra fila de verdade. Tiramos várias fotos na fila, conversamos, zoamos, fizemos amizades novas... Aliás, preciso dizer que os fãs da Meg estão de parabéns. Ninguém fez nenhuma baixaria, todo mundo se respeitou, não teve briga... Também a maioria dali já tinha passado dos seus 20 anos, acompanha Meg há muito tempo, mas... tem algo de diferente nos fãs da Meg. Digo isso, porque encarei duas filas de autógrafo esse ano na Bienal e... não foi a mesma coisa. Os fãs de Meg tem uma aura boa, sabe? De se ajudar e serem mais sociáveis e trocar figurinhas (e arrobas) na fila. (Gosto de pensar que as pessoas assimilaram bem a mensagem contida nos livros da escritora, e por isso hoje são pessoas melhores também.)

Teve uma hora que, numa das levas que subiu com uma galera lá pra loja, acabou que eu fiquei sozinha lá embaixo. enquanto minha irmã e minha amiga Fernanda subiram. E aí comecei a conversar com uma menina que estava lá na fila com a mãe (a mãe tinha pegado a pulseira no início do dia e tinha que ficar com ela até o momento do autógrafo). Acho que alguém vai lavar a louça por alguns meses naquela casa... E a gente falando sobre os livros, dando dicas qual o livro a mãe dela ia gostar mais, que eu tinha adorado o livro da Allie, mesmo já sendo mais velha... Daí que eu falei que a minha série favorita era DP, porque eu tinha crescido com a Mia e tal, que acompanhei desde o início... E então, ela me faz o comentário que me faz me sentir MUITO velha. "Ah, não, DP eu comecei a ler agora, tô no 7 ainda, era muito nova quando saiu. Só tenho 14 anos". EU, pensando: "COMO ASSIM 14 ANOS???????" Tipo, quando DP saiu ela não sabia nem ler, é claro que ela não acompanhou do começo!!!!!!!!! 

Depois do choque de realidade de que a menina tinha mais ou menos a idade que EU tinha quando comecei e ler Meg, resolvi que ia encarar essa informação de maneira positiva. Quer dizer, olha só que legal! O público da série está se renovando! Acho ótimo as novas gerações (acho que 10 anos de diferença já pode chamar de outra geração, né?) redescobrindo DP! Ainda mais porque é uma série muito contemporânea, sabe? Não é o tipo de livro que atravessa bem os tempos. Claro que o "coração" da série e seus personagens são adoráveis de uma forma universal. Mas as referências... são totalmente do momento em que a série foi escrita. Algumas não fazem mais sentido algum e ganham um ar de nostalgia tremendo pra quem relê agora (coisa que eu de vez em quando adoro fazer!). Enfim, adorei saber que as adolescentes ainda curtem DP, apesar de descobrir que sou a tia velha das filas agora, rsrsrs!

O encontro
Se os fãs da Meg já são muito mais legais, o que dizer da escritora mais "fofinha" do mundo? (Essa é a nova palavra em português favorita da Meg) Cara, ela é sensacional. Não tem palavras. A pessoa já estava cansadérrima (dava pra ver) porque já tinha assinado mais de 200 livros (e já vinha nessa batida há quase uma semana!!!), e mesmo assim puxava papo com todo mundo e fazia cada um que passava por ali se sentir especial, sabe? (Mais uma vez, encontrei com outros dois autores esse ano que foram superfofos também, mas a Meg é diferente!!!!) E todo mundo que tinha seu livro autografado falava a mesma coisa!!!! Que o encontro é muito rápido, mas que ela é fora do normal. Muito simpática, muito fofa, muito incrível. Saímos todos um pouco mais fãs do que já éramos.

Quando chegou na minha vez, ela perguntou como eu estava, eu respondi que agora eu trabalhava, mas que estava de férias, e ela toda boba: "Mas, caramba, ainda bem porque só assim pra ficar na fila o dia todo". Entreguei o presente e ela disse que lembrava do outro, e abriu e tirou foto. E falou: "OMG, it's so creative, you're so crazy... how do you say... 'foninha'?", "Não, FOFINHA!", "FOFINHA, YOU'RE SO FOFINHA!!!!" AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH! 


Sentiu a intimidade, né?

Foi tudo muito rápido, queria ter falado um monte de coisas mais. Mas até que consegui falar mais do que da outra vez (dica, quando forem encontrar com uma pessoa que você admira muito, escrevam cartas. Na hora você vai travar, não tem jeito.)

É claro que não foi igual da outra vez, mas, sinceramente, nem precisava.

Me diverti horrores, em mais um dia pra ficar guardado na memória. E voltei pra casa ainda mais apaixonada por essa escritora SENSACIONAL, certa de que os amores da adolescência são pra sempre.

Somos tão besties que estamos compartilhando até o cabelo já

Agradecimentos:
Obrigada Deus, por trazer a Meg no dia das minhas férias; 
Obrigada Record, por organizar essa Meg-a Turnê;
Obrigada aos meus amigos, por me aturarem durante essa semana em que eu não podia falar de outra coisa, senão de Meg; 
Obrigada às pessoas da fila, por tornarem a espera muito mais divertida; 
Obrigada à tia da segurança lá de baixo que tirou várias fotos nossas, e claro; 
Obrigada Meg, por escrever DP11 e vir lançá-lo aqui. Mas, principalmente, por existir, acho.


PS. Depois a Meg bem postou o nosso joguinho nas redes sociais falando que o presente era brilhante e que ela ia guardar pra sempre.


Pronto, zerei a vida. De novo!
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terça-feira, 27 de outubro de 2015

17 outra vez (ou não)

Tem 6 anos desde que Meg lançou o último Diário da Princesa. Na época ela não prometeu nada, disse que a série tinha acabado, mas todo mundo sabia que, mais cedo ou mais tarde, a gente IA TER um livro contando sobre o casamento da princesa que cresceu com toda uma geração. E depois que do Príncipe William casou, então, um livro do casamento não era só mais um desejo dos fãs. Era uma necessidade. Porque o Diário tem essa característica de acompanhar as notícias e não deixar as situações passarem em branco. Tanto é que o que encorpou mesmo o livro, foi a descoberta da irmã perdida de Mia, que a princípio eu odiei - Pra que mexer na origem das coisas? Pra quê? Pra quê????? -, mas que, depois que descobri da onde a Meg tinha tirado essa ideia, tive que dar o braço a torcer. A vida já tinha imitado a arte uma vez e essa era uma história muito boa pra não ser aproveitada. Não sei se eu não faria também. (E depois que eu fui vendo que a abordagem da nova personagem ia ser totalmente diferente e que a série de Olivia Grace podia ser uma boa desculpa pra gente ter um pouquinho mais de Mia e seus amigos, resolvi dar um voto de confiança, porque é da Meg que a gente está falando, né?)

Lembro bem do dia em que anunciaram o novo Diário, com o casamento, e a nova série com a irmã da Mia. Eu estava em um cliente lá na Barra, em uma época da minha vida em que estava dando tudo errado, eu peguei o celular na hora do almoço e... PIREI!!!!!! Ganhei meu dia, meu mês, meu ano ali naquela mesa de restaurante. E desde então venho acompanhando todas as notícias do lançamento do livro como se tivesse 15 anos outra vez. Especulações sobre a capa, as sinopses, as primeiras páginas, as entrevistas que Meg dava, o book trailer (SENSACIONAL!!!!) e outros materiais extras que ela soltava na internet... Não me empolgava assim com um livro tinha muito, muito tempo. A animação era tanta que nem os "spoilers" de coisas que eu não achava tão legais me desanimavam. A oportunidade de re-encontrar mais uma vez com os personagens que viraram amigos ao longo da adolescência era mais forte do que o pessimismo do medo da mudança de um final que tinha sido absolutamente impecável há 6 anos. É claro que eu tive que comprar o livro em inglês. Não ia aguentar até o livro sair traduzido. A ansiedade era tanta que o livro ia sair em junho lá fora, mas eu comprei no pré-venda EM FEVEREIRO!!!!!

Aquele momento em que você chega em casa e tem um pacote da Saraiva te esperando

Achei que tamanha empolgação fosse suficiente para me fazer aceitar que aqueles personagens agora eram tão adultos quanto eu (ou um pouco mais). Não foi. Nem os nerdismos da série Coisas que só a Elisa nota, como o fato de que a Meg colocou de novo uma frase com "mentira" nas primeiras linhas do livro, como ela sempre faz nos volumes que são marcantes para a série, a exemplo do que ela já tinha feito em DP1 e DP10. Ou o fato de que a frase da Princesinha, ali nos prefácios, já tinha sido usada em DP6, há muito tempo atrás.

ADORO RIMAS NARRATIVAS!!!!

A verdade é que, por mais que eu já tivesse lido o primeiro capítulo, e as sinopses e tal, eu não estava preparada para vê-los "crescidos" e maduros, fazendo piadas sujas, nesse mundo cada vez mais maluco em que a gente vive. Talvez por isso tenha achado o início um pouco...esquisito.

Pela primeira vez na vida, eu que sempre a defendi, achei a Mia chata. Achei que ela estava reclamando demais pra alguém que já está nessa há mais de 10 anos. Quer dizer, paparazzi e repórteres e boatos nas páginas da internet (porque revista é coisa do passado) já são coisas que ela devia estar acostumada! Sem contar que o que eu mais gostava na Mia era que ela era uma menina NORMAL! A parte de ser princesa era só uma pequena parte disso. E ali no início, era tudo o que se falava. Estava difícil a identificação.

E depois também tive a impressão de que o mundo está um lugar muito mais cinza e chato de se viver, com esse negócio de câmeras pra todo lado, e o politicamente correto tomando conta, e o excesso de problematização das coisas, e haters, etc. Fora a chatice que é que na vida adulta você simplesmente não pode encontrar seus amigos sempre, e tem que se contentar com FaceTimes, e Whatsapps da vida.

Eu não precisava do Diário da Princesa, dentre todos os outros livros, pra me lembrar disso.

Mas, olhando de maneira mais fria, O Diário da Princesa sempre foi e sempre será, a série mais auto-biográfica da Meg. E talvez esse início tenha sido um desabafo da escritora, que tirou um tempo de folga, porque estava meio de saco cheio. Mas depois percebeu que não dava pra parar. E chegou a conclusão de que ela tinha muito mais coisas pra agradecer, do que pra reclamar. E então que no tempo de folga dela, ela foi lá e escreveu 3 livros (Te amo, Meg!).

E daí que aquilo que lá no dia que saiu a notícia de um novo livro da série me deixou mais receosa, foi o que colocou as coisas nos eixos e desencadeou as partes que eu mais gostei no livro todo. A descoberta da irmã há muito perdida trouxe de volta aquela Mia que mete os pés pelas mãos pra consertar tudo no final, que faz a coisa certa a qualquer custo, e que coloca os outros acima de si mesma não importam as consequências... Além de trazer Tina e Lilly para mais perto do que mensagens no Whatsapp, e uma nostalgia cintilante dos livros anteriores com força total. (Era ISSO que eu queria num eventual DP11!!!!)

Mas, principalmente, a entrada de Olivia Grace na história me fez ver o quanto a Mia cresceu. E deu o maior orgulho de ver a minha personagem favorita dando conselhos para a irmã mais nova. E aí aquela identificação que estava faltando ali no início chegou com tudo, porque eu percebi que, não adianta, EU TAMBÉM tinha crescido pra caramba nesses 6 anos. Foi difícil, foi doído e foi esquisito à beça, mas a verdade é que não dá pra negar que isso aconteceu.

Então, em determinado momento, a Mia soltou a seguinte frase: "Eu ainda não sei o que eu vou ser quando crescer". E nessa hora o tiro foi certeiro! Eu, que já estava balançada de ver a minha Mia do coração, sendo madura e centrada, e mostrando que agora não era mais a aconselhada, mas dava os conselhos (como tem acontecido também na minha vida um pouco), fui nocauteada de vez. Nesse momento o livro me ganhou de corpo e alma, e tudo o que veio antes passou a fazer sentido também. Não importa o quão adulto você seja, e o quão estranho e malvado seja o mundo, você sempre terá um coração adolescente batendo forte lá dentro, junto dos amigos que você conquistou durante essa fase super maluca que todo mundo tenta rotular. E isso é o que torna os dias insuportáveis, como aquele em que eu descobri que ia sair o novo volume da série, muito mais legais.

Além da Olivia, havia algumas outras especulações que eu achei que não fosse gostar.* Mas no final, acabei achando... certas, sabe? ** Quando eu olho para o meu EU de 6 anos atrás, eu também não fazia a mínima ideia do que o futuro me reservava. E acabou que saiu tudo diferente dos planos que eu fiz. E acho que está sendo até melhor do que aquilo que eu tinha planejado. Às vezes é bom quando a gente joga o mapa fora e começa a ditar os passos da própria vida.
* [SPOILER] Como Mia e Michael NÃO FUGIREM para casar, como o pai da Mia renunciar, como eles todos irem se mudar para Genovia, ou como a Mia não ter dado continuidade a sua carreira como escritora...
** Não ia ser realista os dois fugirem pra casar mesmo (além de repetitivo), e o pai da Mia tinha que largar o osso da política em algum momento, e NY já estava um saco de se viver, e não é como se a Mia não estivesse ajudando as pessoas, como ela sempre quis fazer... [/SPOILER] 

Ah, sim, ao fim do livro, eu fiquei muito orgulhosa de ver meus personagens favoritos crescidos e adultos, mas ainda exatamente do jeito que a gente se lembrava deles. Assim como nós leitores, eles estão por aí, fazendo a diferença no mundo, tentando fazer dele um lugar melhor.

Adorei reencontrar Tina (só amor), Lilly (hilária e quase uma Chloe de Smallville, nesse livro), Grandmére (ótima como sempre!), Lars e principalmente o Boris (sensacional ele ser um cantor pop-mela-cueca, com fãs enlouquecidas, estilo Beliebers. YES! YES! YES! Boaaaaa, Meg!) novamente. Ah, sim, claro! Adorei suspirar um pouco mais pelo Michael. Nosso mocinho favorito está bem safadeeeenho, mas nunca menos apaixonante. Adoro seu senso de humor, e como ele mergulha de cabeça em nas histórias amalucadas da família dela, e a apoia em tudo, sem se abalar com nada. Fora aquele romantismo superprático que é a cara dele. (Só achei o pedido um pouco óbvio. Por mais perfeito que tenha sido, você sabe fazer melhor do que isso, Michael! Cadê a criatividade, homem?)

Como já havia mencionado, DP tem a atualidade em seu DNA e deu muito orgulho ver Meg mandando ver na trama dos refugiados que ecoavam as notícias do jornal. Dei gargalhadas com as críticas à "modinha" das histórias envolvendo futuros distópicos (É pra ISSO que eu queria um outro livro!!!!) e adorei a brincadeirinha velada com o incidente do topless da Kate Middleton também (Way to Go, Diário!). Pois é, o senso de humor da série continua afiadíssimo. E a capacidade de Dona Meg escrever histórias amarradinhas que deixam a gente com aquela sensação de bem estar ao fim do livro também.
* Ok, que tia Meg ficou devendo uma piadinha com a música da Lorde, mas tudo bem, eu perdoo.

Não, DP11 não foi exatamente aquilo que eu sonhei ler durante todos esses anos. Eu só esperava um livro com Mia e Grandmere brigando sobre a cor da toalha de mesa, mas encontrei muito mais.

No final das contas, apesar do título, O casamento da princesa NÃO É um livro sobre o casamento. Aí está a grande pegadinha. Na verdade, ele só uma pequena parte disso. Assim como todo o resto da série NÃO É sobre a realeza, e sim sobre crescer, e valorizar seus amigos, e fazer coisa certa, e tentar fazer do mundo um lugar melhor, o último volume da série é um livro sobre família e gratidão. E sobre aceitar que ser adulto talvez não seja tão ruim assim. E que às vezes as surpresas que a vida nos reserva podem ser MUITO MELHORES do que o que a gente imaginava. Ainda bem.

PS. Maior ironia a Mia dizer que não ia casar até o casamento gay ser liberado (e um mês depois a Suprema Corte legalizar nos EUA). Ri sozinha no dia.
PS2. [SPOILER] Curti à beça Mia casando grávida. Reforça o caráter vanguardista da série (geralmente o bebê vem sempre depois), e de que quebra não deixa de ser uma baita ironia com a história da própria mãe dela. [/SPOILER]
PS3. Adorei que o Crazy Ivan's tem uma filial no Rio também. Hahahahahaha!
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segunda-feira, 30 de março de 2015

Cinderella só na sapatilha, ô-ô

Na história da Cinderella, ao sair correndo à meia-noite para não perder a carruagem antes de virar abóbora, a gata borralheira deixa pra trás o salvador sapatinho de cristal. Então, o príncipe (desnaturado, diga-se de passagem) vai de porta em porta a todas as casas do reino a fim de encontrar a dona do pé que se encaixaria perfeitamente no sapato.

Alguns contos de fada são de difícil adaptação para os dias de hoje. O da Cinderella não. Tanto é que tem a fatídica piada da Cinderella que teve a abóbora transformada em O.B. que não me deixa mentir.

A carruagem saída à meia-noite obviamente seria o último horário do metrô (porque a Cinderella é pobre e não tem dinheiro pra bancar as 100 pratas do táxi vindo da Zona Sul ou da Barra). E o sapatinho de cristal seria facilmente substituído por um par de sapatilhas.


Porque vou te contar, Cinderella é uma mulher forte pra aguentar a noite inteira num sapato de vidro. Imagina a dor no pé! Não me admira que tenha deixado um pé pra trás. Ela já não devia estar aguentando mais aquilo machucando o calcanhar, isso sim! Com certeza tinha levado um chinelo na bolsa pra trocar no fim da noite.

Mas, igualmente forte é a mulher trabalhadora que, pra aguentar a batalha do dia-a-dia (by Gordo do Trem), sacrifica os pés nas aparentemente confortáveis e inofensivas sapatilhas da morte.

Numa sapataria são inúmeros os modelos e nos mais variados preços para caber em todos os bolsos. Difícil mesmo é arrumar algum que preste.

Até bem pouco tempo atrás, meus únicos pares de sapatos eram tênis. Porque são confortáveis, dá pra andar o dia todo e não extrapolam o pé. Mas, por causa do trabalho, passei a usar sapatilha. Porque eu também sou pobre Cinderella que anda de trem, venho em pé, às vezes subo escada o dia todo e não posso estrupiar minha coluna e meus membros inferiores no salto.

Acabou que eu gostei das sapatilhas e tenho algumas até para os dias de lazer agora. São práticas de calçar, não precisa amarrar, é só colocar no pé e pronto. O que não quer dizer que seja fácil de comprar.

Se ela não fica apertada, fica muito larga e então são impossíveis de andar, porque ficam saindo do pé. Às vezes apertam na frente, às vezes friccionam todo o calcanhar até deixar em carne viva, às vezes machucam se ficar muito tempo parado. Às vezes tem alguma costura mal-feita, maldita e mal colocada que incomoda a vida. 

E esse tipo de coisa é praticamente impossível de identificar na sapataria. Por mais que a gente ande de um lado pro outro na loja, só depois que começa a usar mesmo é que as safadilhas se revelam. Aí o jeito e apelar para o dispositivo auto-colante de primeiros socorros que salva vidas: o esparadrapo.

E aí quando você encontra uma que serve direitinho e não machuca, começa a usá-la direto, e então, a desgraçada só dura uns três meses. Tinha uma assim que já estava no osso. Mas continuei usando a coitada, mesmo estando totalmente acabada, até encontrar uma substituta.

Assumindo que o sapato de cristal da Cinderella era mágico e, mesmo feito de vidro, não machucava, fico aqui imaginando a felicidade da gata borralheira em encontrar novamente o sapatinho quando o príncipe chega à sua porta. Talvez tenha ficado mais feliz em achar o sapato do que em ver o próprio príncipe. Quer dizer, um carinha rico, legal, que dança bem e esquece do nosso rosto a gente até encontra de novo. Agora, um sapato mágico que dá pra dançar a noite toda e não machuca o pé: isso aí sim é um item em falta no mercado.

PS. Aproveitando a oportunidade, deixo aqui o meu manifesto contra o desperdício de piadas prontas incentivado por Paula Pimenta em seu conto da Cinderella na coletânea lançada pela Record há um tempo. Quer dizer, eu podia apostar um saco de pão de queijo que a mineira iria dar aquela piscadela esperta para o leitor ao incluir alguma história com a dificuldade em lidar com horário de verão. Aqueles que leram FMF me entenderão. Aliás, outro desapontamento está em fazer um conto sobre uma princesa ligada à música e não citar na trilha sonora (sempre tão presente nos livros da autora) esse crássico do pagode nacional. 


Tá legal, essa do pagode é brincadeira, mas o negócio do horário de verão eu senti falta mesmo

PS2. E já que estamos falando do livro da Record, vale a observação de que, dos 4 contos adaptados, quase todos praticamente todos os príncipes viraram celebridades. Seriam elas a realeza do mundo atual? Pensem nisso.
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segunda-feira, 16 de março de 2015

O mistério do emoji desaparecido

Não era um dia como outro qualquer. Era aniversário de Zezinho e Walesca queria andar uma mensagem felicitando o amigo. Pegou o smartphone e digitou os parabéns no grupo XYWZ, um acrônimo do nome dos seus quatro integrantes (Xande, Yara, Walesca e Zezinho).

Hoje é o dia do Zezinho!!! Ele que sempre manda vídeos engraçados no meio do dia, passa correntes das mais variadas, não deixa de compartilhar todos os memes que viu no Facebook, mas não contamina o grupo com boatos duvidosos de políticos, nem com pornografia. Zezinho, você é mais do que um amigo. É um irmão. Que Deus possa iluminar todos os seus caminhos e que você tenha muita saúde e muito sucesso porque você merece! Muitas felicidades!!!!

Walesca apertou o botão de enviar e, como de costume, procurou emojis de aniversário para ilustrar a mensagem.

Postou várias cornetas com confetes, balões, bolos com velinhas, coraçõezinhos... Até se dar conta do desaparecimento de seu emoji preferido de aniversário: o emoji da língua de sogra.

Sem ele, as mensagens parabenizando Zezinho não tinham o mesmo impacto. Logo o Zezinho, um membro tão participativo do grupo! Ele não merecia tamanha desilusão. Como pode o emoji estar lá num dia e no outro sumir assim, sem nem dizer adeus?

Por que o Whatsapp se preocupava tanto em colocar os ticks azuis indicando a leitura das mensagens que só incentivavam as brigas nos relacionamentos? Pra quê ele fazia tanta questão de melhorar os recursos de mensagem de voz? Se ela quisesse falar com o Zezinho, ligava pra ele, oras!

O que Walesca queria mesmo era expressar toda a sua felicidade com o aniversário do amigo. E isso só aquele emoji alegre, cheio de vida, soprando sua inocente língua de sogra poderia fazer!

Walesca ainda procurou nas outras abas de emojis para se certificar de que ela não estava ficando maluca ou que o emoji tinha ido parar naquela parte das setas que ninguém usa (nessa hora ela ficou com ainda mais raiva de todos aqueles sinais sem graça que pareciam ter saído das AutoFormas do Word), mas foi em vão. O emoji da língua de sogra havia sumido de verdade. De vez. Pra sempre.

Teve então a idéia de fazer uma pesquisa para saber se o emoji festeiro havia sumido apenas de sua paleta de carinhas. Postou em outro grupo onde só ouviu risadas. Perguntou no Twitter, mas ninguém lhe deu atenção. No Facebook então, nenhuma curtida durante todo o dia, até que recebeu uma notificação de resposta. Walesca se ergueu num pulo, cheia de esperança. Infelizmente nada que ajudasse. Apenas um reaça dizendo que a culpa era do PT.

Walesca não teve outra escolha a não ser acionar a polícia. Foi à delegacia registrar o B.O. Ficou tão agradecida com a dignidade do tratamento recebido que pediu para tirar uma foto com o policial. Não sabe por que, ficou com a sensação de já conhecê-lo de algum lugar. Postou no XYWZ. 

Gente, vocês conhecem esse cara de algum lugar?

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terça-feira, 10 de março de 2015

25, 15 e 10

E eis que nos últimos dias se passaram duas datas de grande importância.

No dia 28/02 fez exatamente 10 anos da minha primeira aula do Cefet. Enquanto alguns dias depois, completei 25 anos de vida.

E aí é impossível não fazer a comparação sobre a visão de mundo que tinha aquela menina prestes a completar 15 anos que começava a tomar conta do próprio destino e descobrir quem ela era com a de 25 que, por mais que ainda carregue muito da menina de 15, já não tem os mesmos medos de 10 anos atrás e adquiriu outras preocupações.

Acho que não preciso falar muito sobre o quanto o Cefet significou na minha vida porque é assunto recorrente por aqui e vocês já estão carecas de saber. Foram os 4 anos mais incríveis que eu já vivenciei, com as pessoas mais legais que poderia conhecer. As pessoas de um modo geral têm uma relação de amor e ódio com a própria adolescência.

As que olham para essa época com uma boa dose de nostalgia, se lembram de um tempo em que as únicas preocupações eram se a Flavinha tinha ficado com o Beto ou passar na prova de matemática. As que não suportam só lembram das intrigas, das fofocas e de se sentir deslocado num mundo que parece não te entender.

Acho que é bem óbvio que faço parte do primeiro grupo. Mas tenho certeza que não seria a mesma coisa se o Cefet não entrado no meu caminho.

Porque eu vejo muita gente falando com nostalgia desses anos dourados. Mas...ainda assim, o carinho que os ex-cefetianos nutrem pela instituição e por esse tempo é diferente. É especial. E é unanimidade. Não tem uma viva alma que saia do Cefet sem se sentir totalmente transformado, ou com a sensação de que foram os melhores anos da sua vida.

Tem gente que diz que a adolescência começa aos 13, 12, alguns dizem começar até com 10 anos (acho exagero). E nessa época me lembro que detestava o rótulo etário.

Aos 15 eu começava a aceitar o fato de que ser adolescente não precisava ser uma fase ruim como muita gente fazia acreditar. E bom, acho que a mesma sensação sobre a vida adulta parece ter chegado agora aos 25. 

Durante os primeiros anos da casa dos 20, as dúvidas sobre o que você quer ser, ou se você vai conseguir ainda são latentes. E assim como os primeiros anos da fase em que a gente passa a ter 2 dígitos na idade, outro sentimento que toma conta é o da negação.

Daí, pelo menos no meu caso, veio uma fase de adolescência tardia em que fica rebelde, e não quer ouvir conselhos e tenta descobrir quem você é, até finalmente chegar à fase de querer aproveitar cada minuto porque sente que a vida está passando muito rápido e ficar parado não vai ajudar em nada.

Mas aos 25 a gente finalmente entende que crescer não é uma escolha. A gente simplesmente tem que aceitar isso. O que não quer dizer que seja necessariamente ruim. É claro que o tempo passa a ser um recurso cada vez mais escasso e marcar de ver as pessoas que você gosta fica ainda mais difícil. Mas tem um monte de outras coisas legais sobre ser adulto também, como poder dirigir (não que eu tenha tido algum sucesso nessa parte), juntar dinheiro para viajar, ou ir naquele show daquele artista que você adora, e sem ter que pedir permissão para ninguém.

Aos 25 você sente vontade de viajar o mundo todo e visitar todos os lugares. E de repente a sua própria casa e a cidade em que viveu desde criança ficaram pequenas demais pra você.

Aos 25 a vontade de ter o seu próprio canto ultrapassa a comodidade de ficar na casa dos pais. E você começa a pensar seriamente que está na hora de abandonar o ninho. E descobre que sair de casa não é tão fácil quanto parece porque os aluguéis estão caríssimos e vão consumir todo o seu salário do mês. Daí surge a necessidade de começar a pensar na vida a pelo menos a médio prazo, se inteirar dos melhores investimentos e traçar novas metas até os 30 anos.

Aos 25, você começa a ser convidado para um monte de casamentos. E alguns dos seus amigos já têm filhos. E você percebe que está muito longe de realizar qualquer uma dessas coisas. E de repente você também passa a ser a pessoa de referência para aquele seu estagiário de 19 anos (e pensa que TEM MUITO TEMPO que você não tem 19 anos!).

Aos 25 você ainda é mais parecido com o adolescente de 15 que conheceu os melhores amigos há 10 anos do que imaginava. O que na verdade é uma coisa boa, porque isso significa que (i) você não foi um adolescente tão babaca quanto podia ser (ou talvez você continue a ser tão babaca quanto era, vai saber) e (ii) você ainda está transbordando jovialidade apesar das porradas da vida. 

Aos 25 você ouve o Continuum do John Mayer e se identifica totalmente com as letras, e pensa como você pôde ser tão idiota de ter achado essa pérola do pop entediante aos 16. E se pega chorando em filmes com muito mais freqüência do que antigamente. E você se pega chorando de verdade em diversas outras situações com muito mais frequência do que antigamente. Porque tudo começa fazer mais sentido e o sentimento de empatia pelos problemas dos outros só aumenta.

Aos 25 a gente vai ficando um pouco mais amargo, um pouco menos paciente e ao mesmo tempo um pouco mais complacente. Prefere não brigar, mesmo que tenha razão, só pra evitar a fadiga, mas se pega bufando com a incompetência alheia muito mais vezes.

Mas acho que a principal mudança em se ter 25 anos é saber o significado da dor. A dor da saudade que bate quando lembra das pessoas queridas que nem sempre dá pra encontrar, a dor da responsabilidade que cai sobre os ombros, a dor que é entender o sentimento de perda, a dor de andar 3 horas no sol e não conseguir descer as escadas no dia seguinte (rs!).

Mas aos 25 a gente começa a superá-la mais rápido, e sabe que tudo vai ficar bem no final, afinal de contas, já passou por isso algumas vezes.

Aos 25 a gente aprende meio na marra que, não importa que os filmes que você assistiu digam o contrário, a verdade é que não se pode ter tudo. Fazer escolhas não é uma opção. É uma necessidade. Por mais paradoxal que isso seja. Mas, não necessariamente isso é uma coisa ruim. Afinal de contas são as nossas escolhas que determinam quem somos. E aos 25, depois de fazer algumas escolhas decisivas, encara-las já não é tão assustador quanto há algum tempo atrás. Na verdade, elas mostram que a gente é que está no poder. E isso é muito bom. 

Aos 25 você tem a sensação de que o mundo é muito grande, e a vida é muito curta e que o tempo está passando rápido demais. E acha um desperdício ficar em casa vendo Faustão no domingo. O que, vamos combinar, é uma bela de uma mudança de perspectiva.


Aos 25 você entende por que 10 entre 10 fãs do John Mayer têm essa música como preferida 
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