segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Você, Tonya

Desde que ouvi falar desse filme pela primeira vez, me perguntei por que seu título começava com a primeira pessoa do singular do pronome pessoal do caso reto. Não seria mais fácil ser só “Tonya”, afinal? Terminada a sessão, penso que o “Eu” no título se deva à alta capacidade de identificação gerada pela personagem.
Durante vários momentos do filme, me peguei pensando: “Eu sou Tonya Harding”. O relacionamento conturbado com a mãe, o cabelo desgrenhado, a rebeldia em tentar se encaixar, a raiva do não reconhecimento porque sabe que tecnicamente é a melhor, a vontade de mudar o sistema... Em certos momentos, a tela parecia se transformar em espelho, tamanha a identificação com a protagonista.
Tonya Harding era uma patinadora de gelo que representou os EUA nas Olimpíadas de Inverno duas vezes. Foi a primeira americana a executar o Triplo Axel numa competição (diz que é um salto muito, muito difícil). Mas teve sua carreira interrompida graças a um incidente controverso (não vou dizer qual é, caso você não saiba, embora basta um Google para você descobrir) em que nunca foi lhe dada a oportunidade de contar a sua versão.
É um filme com altas doses de feminismo, sem em nenhum momento pronunciar a palavra, ou fazer campanha. Com temas que vão desde relacionamentos abusivos, padrões sociais altamente questionáveis, passando pelo tribunal antecipado da mídia (alô, você aí da internet que fica fazendo textão, sem ler as coisas, essa é pra você mesmo!), é o filme certo na hora certa.
Existe uma cena em que Tonya está com o rosto sangrando, sendo levada a força pelo marido, quando o carro é parado pela polícia. O policial VÊ que o rosto dela está sangrando, abre o porta-malas e encontra bebidas e duas escopetas, e DEIXA TUDO SEGUIR. Aconteceu numa cidadezinha dos EUA nos anos 80, mas podia ter sido aqui durante essa semana mesmo.
E nem por isso é um filme chato. Muito pelo contrário. Eu, Tonya te prende do início ao fim, e puxa suspiros e surpresas em diversos momentos.
Absolutamente bem executado, Eu, Tonya tira sarro da tragédia, com um humor auto-depreciativo, e uma montagem que intercala o acontecimento dos fatos com entrevistas dela e daqueles que fizeram parte da vida de Tonya. Sua narrativa, com múltiplos pontos de vista, nunca condena ou vitimiza qualquer dos personagens, muito embora alguns deles pareçam ter saído diretamente de um desenho animado, como o gordinho atrapalhado e a mãe que dá entrevista com um periquito no ombro (você pode achar que essas coisas mais absurdas são exagero do filme. Não são).
A edição às vezes videoclíptica, com direito a cortes rápidos e planos sequências espertos ao som dos maiores sucessos dos anos 70, 80 e 90, o roteiro que quebra a 4ª parede diversas vezes, e a câmera que acompanha Tonya toda vez que entra no rinque de patinação completam o serviço de trazer o espectador para dentro da tela.

Embora o trabalho de cabelo e maquiagem seja tenebroso, fazendo Margot Robbie parecer bem mais velha (e mais estragada) do que a personagem título (a verdade é que Margot já parece ter mais anos do que realmente tem, e o filme não fez nada para ajudar nesse ponto), a atriz faz um trabalho incrível, de entrega total. E eu que nunca dei nada por ela, fiquei de queixo caído.
Não é uma personagem fácil. Tonya era uma mulher que apanhou a vida toda (apanhou da mãe, do marido, dos juízes, da mídia, das pessoas...), e exatamente por isso nunca se fez de vítima. Era uma lutadora, que não desistia nunca. Mas também era amarga, orgulhosa, revoltada, com morais questionáveis, fruto de seu meio disfuncional, tanto para o bem, quanto para o mal. São de encher de orgulho as cenas em que Margot explode de felicidade ao executar os movimentos no rinque, como se ali tudo finalmente fizesse sentido. É de cortar o coração a cena em que o tribunal decide por bani-la do esporte que, literalmente, era sua vida. (Muito embora eu concorde que não houve injustiça ali. Uma atitude desportiva dessas, tinha que banir mesmo). E chega a ser emblemático que a última cena seja justamente ela levantando de um ringue de boxe.
Com tantos atributos, é de se espantar que o filme não tenha conseguido nenhuma indicação a melhor roteiro, ou a melhor filme. Mas, talvez, como a própria Tonya, sua biografia descolada e desbocada não se encaixe no perfil esperado pela Academia. Até quando?

PS. Depois de assistir o filme, faça o dever de casa e assista aos vídeos de Tonya nas competições no YouTube. A alegria dela é contagiante!
PS2. Essa semana estão rolando as Olimpíadas de Inverno e Mirai Nagasu acabou se se tornar a 3ª mulher a executar o Triple Axel em olimpíadas. \o/
PS3. Li alguns comentários de que o filme levantou polêmica por não levar a sério o problema da violência doméstica, e MEU DEUS, VOCÊS ASSISTIRAM O MESMO FILME QUE EU??? PORQUE A MULHER LITERALMENTE PERDEU O QUE PODERIA TER SIDO UMA CARREIRA DE SUCESSO EXATAMENTE PORQUE SOFREU ABUSO A VIDA TODA!!!!! Só porque o filme não mostra uma mulher sofrida e chorando o tempo todo, não quer dizer que não tenha sido grave. A cada diz que passa, vejo que está faltando interpretação de texto no mundo
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Becky Bloom #8, uma fanfic oficial

Becky Bloom é uma personagem incrível. Cercada por amigos ainda mais legais. Conhecemos nossa querida viciada em compras quando ela ainda trabalhava como jornalista de economia (mesmo não sabendo nada de economia, nem aplicando qualquer coisa na sua própria vida), rimos horrores quando ela foi à NY, acompanhamos a loucura que foi seu casamento, descobrimos que ela tinha uma irmã há muito perdida (apesar de ser um dos clichês mais safados de séries, adoro o livro da irmã com todas as forças!!!), e nos acabamos quando ela ficou grávida.

Conforme o passar dos livros, ficava cada vez mais claro que Becky era muito mais do que uma compradora compulsiva. Sua habilidade em se meter em confusão, mesmo com a melhor das intenções, e criatividade para sair delas é o que move a série. Não é sobre comprar ou não comprar. Os livros da Becky valem só pelo prazer de vê-la entrando em confusão, metendo os pés pelas mãos e acertando tudo no final. E costumava dizer que só isso garantiria a longevidade eterna para a série. Costumava, porque acho que, infelizmente, chegamos a um ponto em que não dá mais. É chegada a famigerada hora de parar.

Desde Mini Becky Bloom, em que a personagem encara os percalços da crise financeira de 2008 (bela sacada de Kinsella!), Becky já não compra enlouquecidamente como outrora. E isso não fez a menor falta. Becky #6 é ótimo, e foi bacana ver a personagem amadurecendo um pouco. Seu comportamento compulsivo já estava sendo espelhado pela filha, que, apesar de fofa, estava ficando mimada que só. O livro termina com um gancho para um Becky #7 que parecia óbvio: Becky em Hollywood ia colocar Los Angeles de cabeça pra baixo! Como a gente ainda não tinha visto isso antes?

No quesito comédia Becky #7 é nota 10. Não tem do que reclamar. Muitas situações constrangedoras que fazem o leitor passar vergonha no transporte público, ou rindo enlouquecidamente, ou gritando e arregalando os olhos, sem acreditar que no que a nossa personagem favorita estava realmente aprontando. No quesito desenvolvimento do personagem, infelizmente, ficou devendo. Becky sempre teve um pé na futilidade, mas passou do limite. Foi egoísta ao extremo e por pouco não perdeu a família e os amigos por causa de uma teimosia infantil de se tornar uma celebridade. Esse tipo de comportamento da Becky há 10 anos seria OK. Com quase 40 anos na cara, e com uma filha pra criar, não muito. Ao final, felizmente ela recobra a consciência, mas uma das pontas ainda fica solta para um inesperado oitavo livro. Agora Becky e toda a sua turma entram numa missão rumo a Las Vegas. E a partir daí tudo vira uma fanfic oficial que não tinha necessidade nenhuma de um livro de 400 páginas.

Acho que Sophie Kinsella, praticamente uma engenheira de histórias pela habilidade de encaixar arcos e surpreender o leitor, teve um erro no planejamento. Os livros da Becky, sempre tão episódicos e redondinhos, nessa última trilogia de revisita terminaram com assuntos inacabados que foram se acumulando até esse último aí, que basicamente só serviu para dar fim nos dramas introduzidos nos volumes anteriores, pois a história que devia mover o episódio em si não funciona. Não por acaso esse é um dos livros mais curtos da série. Porque realmente não há muito o que se contar aqui. 

É tudo muito forçado, desde todo mundo (todo mundo mesmo!) num trailer no meio do deserto pra procurar o pai da Becky, até o motivo pelo que o cara sumiu, passando por uma crise no casamento de Suze e um abalo na amizade dessa última com Becky. É fácil perceber Kinsella tentando justificar a falta de sentido do desenrolar da trama o tempo todo. E é preciso uma dose de descrença da realidade muito maior do que o normal aqui, muito embora o que mais faz mais falta sejam justamente as cenas absolutamente irreais protagonizadas pela nossa mocinha favorita.

Era de se esperar que Becky em Las Vegas renderia algumas delas, mas, Sra. Bloom está irreconhecível. Triste e com remorso, ela sabe que passou do limite em Los Angeles, e.... choque, nem sente vontade de comprar nada!!!!! E se por um lado foi bom vê-la agindo como uma pessoa responsável de vez em quando, pelo outro, um livro de Becky Bloom em que ela não mete os pés pelas mãos não tem a menor razão de existir.

Temos então, pela primeira vez, uma mudança na dinâmica da série. Ao invés de ser um livro movido a constrangimento, este é um volume inspirado nos road movies. Apesar de ainda ser uma comédia, Becky #8 baseia-se na resolução de um mistério, com toques de emoção e muitas cenas contemplativas do deserto dos EUA. O problema é que o mistério não tem a menor graça, e, quando revelado, o leitor fica esperando o tempo todo uma reviravolta kinsellística que nunca acontece.

O final com a turma toda unida em prol da resolução de um plano infalível de Becky é bonitinho e quase justifica o livro. Mas, ao invés de um volume completo, podia ser um de 50 páginas só com essa parte que eu ia ficar feliz da vida. Afinal, é sempre bom ver Becky e seus amigos interagindo.

Mas, ao final desse livro, me pergunto se isso é o suficiente para manter o fôlego para possíveis continuações. Os personagens continuam extremamente carismáticos, mas, fica a sensação de que todas as histórias já foram contadas e continuar pode comprometer seu o desenvolvimento ou a verossimilhança da jornada. Talvez a partir daqui só as fanfics deem conta. Talvez realmente tenha chegado a hora de parar. E se a saudade for tão grande que Sophie Kinsella sinta a necessidade de voltar, talvez esse formato de fanfics oficiais curtinhas possa ser uma solução que faça todo mundo feliz. A gente pode até não ser shopaholic, mas é claro que a gente não vai deixar de comprar.
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terça-feira, 20 de junho de 2017

Pior do que pagar boletos

Não sei vocês, mas eu sou do tempo em que a internet era sinônimo de liberdade e gratuidade. Quando banda larga era um serviço que só a população mais abastada podia consumir, e streaming era sinônimo de ficar “armazenando buffer” eternamente, a gente demorava séculos baixando as músicas no Napster, AudioGalaxy e mais tarde nos agora ultrapassados KaZaa e eMule.

O tempo passou, e, ao contrário do que a gente imaginou lá atrás, assim como Pokemon, a internet evoluiu, e descobriu que se fosse cobrado um preço justo, as pessoas estariam dispostas a pagar sim para consumir conteúdo audiovisual online.

E aí, juntamente com a vida adulta, chegaram o Netfix, o Spotify, e, claro, um monte de boletos (o boleto nesses dois casos em específico ainda se faz presente ainda que ambas as instituições operem principalmente com pagamento via cartão de crédito, já que, no final do mês, se transforma no boleto para pagamento do cartão).

Pagar boletos é uma importante parte da vida adulta que só quem passa a incorporar essa atividade em sua rotina consegue descrever. Você abre a caixa dos correios, e, na época da correspondência online, eles são os únicos que ainda chegam por ali (além dos spams de serviços locais). Você paga o boleto. Abre a caixa de correio de novo. Mais boleto. Paga o boleto. Faz uma compra online no boleto porque tem desconto. Paga boleto. Abre a caixa de correio. Sem boleto. Os Correios estão em greve. Corre pra pagar a conta de algum jeito, porque não ter chegado não é desculpa para não pagar. Chega um momento em que enfim você se dá conta que pagou todos os boletos do mês, aí abre a caixa de correio de novo, só por desencargo, não era pra ter mais nada lá, e... já tem os boletos do próximo mês!!!!!

Você se sente derrotado e aceita que isso vai se repetir para todo o sempre.


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Pois então, quando você está conformado que a vida adulta se resumirá a pagar boletos, eis que você descobre algo muito pior do que os famigerados papéis com código de barras: as multas!

Você acompanhou aqui mesmo, no ano passado minha saga para alugar um apartamento, na qual tomei um toco na hora de assinar o contrato. Acabou que foi a melhor coisa que me aconteceu, pois consegui um outro muito melhor depois.

Só que, nem um ano depois, a desgraçada da proprietária resolveu VENDER o imóvel. Pois é, definitivamente estamos com muito azar nesse negócio de apartamento. Talvez seja um sinal divino me mandando voltar pra NiloCity, ou pra eu comprar uma casa própria logo, ainda não consegui decifrar.

Apareceu aqui na minha casa contando uma história super-triste de como o cara da imobiliária estava enrolando ela e ainda não havia me comunicado nada, e ela tinha pressa pra vender porque, coitada, torrou toda a grana que tinha num intercâmbio com a filha, e numa iniciativa de reflorestamento no sul, e agora estava enrolada num processo com o ex-marido, no qual teve que pegar um empréstimo com o cunhado para quitar a dívida do fulano. Deu vontade de responder: “Minha senhora, existem dois tipos de problemas: o meu e o seu! O que a senhora está me contando faz parte do segundo tipo”. Mas sou educada, e fui pega de surpresa.

Ela me deu a preferência de compra, e ficou com um pouco de raiva quando demorei a responder a sua proposta, que, por sinal, era um valor um pouco acima do mercado. (E ela ainda queria muito mais, alguém que colocou um pouco de juízo naquela cabeça e ela abaixou o preço). A lei me dá 30 dias, e eu usei os 30 dias, ué!

Nesse meio tempo comecei a caçar outro lugar para morar (de novo!) porque a legislação me obrigar a receber as visitas dos possíveis compradores que irão me expulsar do meu temporário lar, e eu não estava a fim de fazer sala para corretor, mexer na minha agenda, receber estranhos na minha casa, etc. Enfim, queria pular essa parte.

Acontece que encontrei um outro lugar. Entrei em contato então solicitando que pudesse desocupar o imóvel só com o depósito caução, porque, APESAR DE TUDO ISSO, quando o proprietário avisa que quer vender, e o inquilino quer sair, o inquilino ainda tem que pagar a multa contratual, que por acaso, é bem alta (o contrato tem 30 meses, estamos completando um ano agora, faça as contas). A desgraçada me mandou um email meio desaforado, recitando toda a lei do inquilinato, que já sei de cor a essa altura do campeonato, e já descobri que não me serve de nada, e que não ia abrir mão de multa nenhuma.

(Vale ressaltar também que, quando perguntei ao dono da imobiliária se eu pagaria algo caso quisesse sair, ele garantiu que não pagaria nada, pois estava com raiva da mulher, e pensou que eu fosse alugar o próximo com ele. Foi só eu dizer que ia sair e que ia alugar outro canto, a coisa toda mudou de figura. Teria me poupado um pouco de tempo se tivesse sido honesto, mas, enfim.)

Resumo da história: perdi o apartamento que tinha em vista, e enquanto ninguém comprar essa bagaça, sou obrigada a ficar nesse contrato oneroso, inclusive tendo que receber estranhos na minha casa. E quando ele finalmente for vendido, NÃO RECEBO NADA DA MULTA CONTRATUAL!!!! Joinha pra quem escreveu essa lei aí, hein! Tá de parabéns!

Como eu me sinto toda a vez que vou pagar o aluguel agora

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Mas já que estamos falando de boletos, seria injusto terminar esse post sem nem ao menos mencionar aquela que se tornou rainha desse símbolo da vida adulta: Taylor Swift.

A melhor fantasia do carnaval 2017

Há um tempo atrás Taylor Swift retirou todo o seu acervo do Spotify, por achar que os boletos que eles estavam pagando pra ela não eram suficientes e ela deveria receber muito mais do que aquela mixaria que eles chamam de direito autoral. 

Não vou entrar no mérito de Taylor ser mercenária ou não, pois, apesar de, como consumidora preferir consumir as coisas de graça, é claro que os músicos também têm os seus boletos para pagar, e, se o que eles ganharem não for justo, ou for muito inferior ao arrecadado pelos canais de distribuição, você tem uma relação muito desigual que não beneficia ninguém, na verdade.

Mas, aparentemente, Taylor está disposta a abrir mão desses boletos, pois, foi só sua rival Katy Perry anunciar o novo álbum totalmente no Spotify, cujo carro-chefe é nada-mais-nada-menos do que uma música sobre a maior rivalidade da música atual, que Tay-Tay liberou toda sua discografia na mesma plataforma digital. Difícil escolher qual das duas é a mais infantil nessa história toda. Dizem que tudo não passa de um plano maligno em que nenhuma delas se odeia e estão apenas fingindo essa patacoada para ganhar espaço na mídia.

E se isso for verdade mesmo, ainda bem que eu não dei meu suado dinheirinho para nenhuma das duas, e as músicas agora tão tudo no Spotify, porque não tô podendo pagar pra ser trouxa. Já me bastam as multas...

P.S. Depois você fica vendo esses comentários de analistas financeiros dizendo pra não comprar casa, porque, financeiramente não vale a pena... Na ponta do lápis não vale mesmo não. Mas ficar nessa insegurança de onde vai morar, de a qualquer momento o cara poder romper com o contrato, ou ser obrigado a fazer sala pra corretor... Cara, isso aí não tem preço não!
PS2. Pra você que for alugar um imóvel, então, fique atento à cláusula da multa contratual. Se possível, peça para restringi-la ao primeiro ano de aluguel, ou inclua alguma no contrato de que, se o proprietário queria vender, ele deverá pagá-la no caso de o inquilino resolver sair.
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um dia de tristeza

E já se vão 10 anos do dia em que a dupla pop de maior sucesso do país anunciava a separação. Muitos alegam que ali reside a causa de todos os outros problemas do Brasil que se desencadearam de lá pra cá. Mas o que é certo é que o pop nacional nunca mais foi o mesmo.

O pop é um movimento cíclico. De tempos em tempos, dá novas roupagens e outros nomes a velhas fórmulas já conhecidas. Assim cada geração tem uma boy band, girl band, ídolo teen, fenômeno absoluto para chamar de seu. New Kids On the Block nos anos 80 então deram lugar aos Backstreet Boys na década seguinte, que por sua vez abriram espaço para o One Direction no final dos anos 2000.

Mas, 10 anos depois, não apareceu nada nem parecido com o que Sandy e Junior foram no Brasil. As letras dotadas de uma inocência quase fora de lugar, as melodias que, embora adolescentes, combinadas com uma cantora afinadíssima, tinham uma doçura de dar inveja a muita “música de adulto”, a onipresença em todas as mídias, os recordes quebrados... Sandy e Junior eram GRANDES, com todas as letras maiúsculas. E eram de verdade. E daí fica difícil copiar.



(No cenário mundial, Jesse y Joy, no México, até chegam perto, mas ainda precisariam de muita histeria e produtos licenciados pra se igualar ao que Sandy e Junior foram há mais de uma década atrás)

Por isso eu sou geração Sandy e Junior, sim, com muito orgulho. E quem achava que aquele sentimento lá atrás era “coisa de adolescente” sinto informar, mas 10 anos já se foram, e “o tempo e a distância entre nós” não fizeram nenhum arranhãozinho “na vontade que a gente tem aqui no peito”... Estamos só na espera da volta.

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E por isso que eu lembro muito bem daquele 17/04/2007. 

Lembro que era dia de Ed. Física no colégio, e por isso eu só ia chegar em casa à noite. Na hora do almoço (acho que comemos na Morte nesse dia), a notícia de que a Nair Bello tinha morrido. Na parte da tarde, meu amigo Jonas me conta da outra tragédia, mas eu não acredito porque, né, a Nair Bello já tinha morrido, era demais pra um dia só. (Ajuda o fato deu o Jonas nunca falar nada sério também, mas isso não vem ao caso, rs!). Quando chego em casa à noite, é que minha irmã me fala. Era verdade, afinal de contas. Que diazinho péssimo! Não vou dizer que meu mundo caiu, até porque essa música é da Wanessa Camargo, e fã de Sandy e Junior que se preze não fica dando IBOPE pra essa daí (rs!), mas fiquei abalada.

Assisti a todos os programas de fofoca no dia, ainda meio sem acreditar que estava acontecendo mesmo. Não era possível! Mas eles não iam gravar um Acústico MTV? Geralmente esses discos são pra dar uma retomada na carreira!

O vídeo do anúncio (tinha esquecido disso!!!)

A verdade é que era uma tragédia anunciada. Mas a gente não queria acreditar. 

Os dois cada vez menos interessados na carreira em dupla, aquele último álbum sem foto com um clima quase fúnebre e uma última música INSTRUMENTAL que chamava...ÚLTIMO!!!!

(Na época não gostava desse CD e desde então tomei birra. Hoje acho que tem umas músicas muito boas, mas ainda assim o trauma é tão grande que não consigo botar pra escutar)

Mas, ao mesmo tempo, os dois juravam de pés juntos que não iam separar nunca, que esses boatos eram tudo intriga da oposição...

O fórum onde se encontravam os fãs entrou em polvorosa. Alguns revoltados com a cara de pau dos dois que passaram todo esse tempo mentido pra gente (fã é um bicho muito dramático!), outros tentando descobrir qual dos dois tinha tomado a iniciativa da separação, todos tristes porque, se antes a gente já achava ruim ter que esperar 3 anos por um CD novo, o que fazer agora que a gente sabia que NÃO IA MAIS ter CD NOVO?

Sempre lançando tendências

De certa forma, o fim da dupla, naquele 17/04/2007 era quase como uma concretização do fim da adolescência, tanto pra eles (já em pós adolescência) e para a maioria dos fãs, a maioria com idade próxima dos 18 anos.

Na época, apesar de reconhecer que os dois já não estavam mais no auge, ainda achava que davam mais um caldo juntos. E, sinceramente, acho que ainda dão. Porque não tem jeito, quando eles tão juntos, não tem carreira solo, não tem projeto independente que supere, é magia, é sentimento, é emoção...

Mas se fosse pra continuar sem vontade, era melhor parar mesmo. Hoje, analisando as coisas em perspectiva, consigo ver exatamente o porquê do fim da dupla. 

Você imagina só trabalhar feito um condenado durante os anos que você mais devia curtir? Imagina já ter conquistado tudo que você pudesse? Imagina ser tão rico que você não precisasse mais trabalhar? Pois é, você ia ficar aturando desaforo? Ia abdicar de outras prioridades que você descobriu que agora tinha? Então, eles também, no alto da sua humanidade também cansaram...

E acho até que foi melhor assim. Tiveram a dignidade de terminar por cima, diferente dos BSBs, que por mais que tenha toda uma nostalgia envolvida, gente, dá muita vergonha alheia de ver os caras lá todos caquéticos hoje, vamos combinar.

Mas, na época também fiquei com raiva e dizia: “Agora que vocês separaram, façam o favor de continuarem separados. Quero volta nenhuma, não! Vão brincar com sentimento de outro”. Mas agora já deu pra sentir saudade, e uma turnezinha comemorativa não faria mal a ninguém.

Se esse turu-turu-turu aqui dentro...

PS. Tem que ver esse negócio de astrologia pra ver o que tem de errado com 17/04, porque, olha, depois da separação de Sandy e Junior, só tragédia nesse dia mesmo. 17/04/2016: Dia do Golpe no Congresso. 17/04/2017: Fim do Ego. TÁ MUITO DIFÍCIL VIVER ASSIM!!!!
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domingo, 5 de março de 2017

27

Ontem me juntei ao clube dos 27.

27 anos. Kurt Cobain, Jim Morrissey e Janes Joplin não conseguiram ultrapassar essa marca, por motivos de drogas. E depressão. E um monte de outras coisas ruins. Eu bem pretendo ultrapassar essa idade maldita da melhor forma, mas vou ter que confessar que fazer 27 não tem o mesmo peso de fazer 26. Porque com 26 você ainda se sente meio com 25, que é basicamente o melhor de dois mundos: você tem a vitalidade da juventude, a vontade de desbravar o mundo e o dinheiro pra fazer essas coisas acontecerem. Mas, com 27 eu já meio que me pergunto qual o sentido disso tudo.

Já há algum tempo (desde os 25, na verdade), venho me perguntando se nossa geração não falhou em sua missão de mudar o mundo. Quer dizer, quando a gente tem 15 anos, sempre ouve aquele papo de que somos “o futuro da nação” e fica aquela promessa de que tudo vai ser melhor. Só que chegam os 20 e poucos anos e esquecem de avisar que aquele futuro que falavam lá atrás já é o presente. Essa galera que antes falava de nostalgia de um modo exagerado, agora realmente tem motivos. E já vemos gente “da nossa idade” alcançando um lugar de relevância na sociedade, não de um jeito prodígio, mas simplesmente pelos próprios méritos. Definitivamente não é mais uma geração de promessas e sim de entregas.

E eu me pergunto que tipo de mundo estamos entregando para a nova turma que vai chegar. Porque parece que a geração que um dia foi a esperança ficou egoísta, mesquinha e mais do mesmo. E me dá um pouco de vergonha de ver o legado que a geração Nutella vai deixar. Porque nascemos em uma época em que grandes mudanças eram esperadas e aconteciam, e estamos entregando um mundo mais cinza, mais desigual e mais dividido.

Outro dia mesmo estava assistindo um show do U2 e, pra variar, claro que o show era irado! O estádio cheio, a galera ensandecida, aquela guitarra cortante do The Edge, a bateria rebelde do Larry, Bono Vox passando mensagens de paz, amor, respeito, igualdade... 

E aí fiquei com um pouco de pena do U2, que outrora estava ganhando tudo nos Grammys, não receber o devido valor atualmente porque os caras são muito bons. Mas, ao mesmo tempo, também senti que aquilo tudo agora parecia meio fora de contexto, porque não existem mais bandas como o U2 por aí. Esse negócio de mensagem política e ativismo social, muito comum na década de 80, acabou! Tem gente que diz que o Coldplay é o U2 dessa geração (e eu gosto bastante do Coldplay, principalmente depois de Viva la Vida, e nem sou a maior fã do U2 também, sinceramente), mas... não é a mesma coisa.

Em certos momentos, o show ganha ares quase religiosos, e as letras de Sunday Bloody Sunday parecem mais atuais do que nunca.

I can't believe the news today
Oh, I can't close my eyes
And make it go away
How long
How long must we sing this song?
How long? How long

Só que essa música já tem mais de 30 anos! E mais do que uma canção para chamar de nossa, me envergonha o simples fato de que ela ainda faça tanto sentido! Chega a ser irônico Bono estar há 30 anos se perguntando quanto tempo mais ele vai cantar essa canção! 

Passando a timeline do Facebok, vejo amigos fazendo “protesto de sofá”, ou engrossando o coro dos bolsominions. Vejo gente postando foto na praia e bebendo no carnaval. Gente namorando, noivando, casando, e, o mais difícil de tudo, tendo filhos sem ser por acidente. Não estou preparada para a parte dos filhos. Não mesmo.

E eu me recuso a acreditar que a vida seja só isso. Mas acho que essa parte é melhor deixar para um outro post.

É engraçado você meio que não reconhecer mais seus amigos também. Se há alguns anos, escrevia aqui mesmo neste blog, o quanto era legal ver todo mundo crescendo e conversar sobre o futuro e ver como nada tinha mudado, mesmo que tudo estivesse diferente, não posso dizer que isso ainda seja verdade aos 27 anos. Não que seja culpa de alguém especificamente. Também não posso dizer que seja a mesma desde quando... comecei este blog, por exemplo. Mas é meio esquisito perceber que muito do que vocês viveram está ficando pra trás. É hora de seguir em frente. A vida fica meio agridoce.

Com 27 anos completos, não posso dizer que a vida esteja ruim. Moro sozinha, ganho suficientemente bem para pagar o aluguel de um apê bacana, a carreira também vai bem obrigada, e eu adoro o que eu faço. E pode parecer uma vida chata, mas a verdade é que eu curti à beça a trajetória até aqui. Fiz grandes amigos, encontrei com todos os meus escritores favoritos, fiquei em porta de hotel, ganhei festa surpresa, fui a NY, entrei em cavernas, assisti a um show do Jamie Cullum na fila do gargarejo...

A quantidade de “life achievements” dessa lista dão uma sensação de dever cumprido que é muito legal. Dá um orgulho danado ver um monte de sonhos realizados no currículo. Mas, ao mesmo tempo, me divido entre me cobrar sobre o que ainda falta, e me perguntar o que mais ainda falta. Porque PRECISA faltar. Senão, qual a graça?

Bom, vou parar por aqui porque escrevendo esse post já percebi que tem assunto para uns dois ou três, e além de não elaborar nada, também já não estou fazendo muito sentido no meu devaneio introspectivo de aniversário.

Na falta de palavras melhores, deixo vocês com essa música do John Mayer que a cada ano faz mais sentido.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

La La Land

La La Land e eu somos um caso de amor à primeira vista. Queria assistir desde que saiu a notícia do início de sua produção. Tá aqui o meu tweet de 2015 que não me deixa mentir.

Porque Ryan Gosling e Emma Stone juntos já é um negócio mágico. Cantando e dançando então, é imperdível! Sério, não tinha como esse filme ser ruim.


Ele é o maior galã da atualidade. Daqueles clássicos, que fica ótimo de terno (e ainda melhor sem...). Parece ter tanta consciência de seu papel que chega a rir de si mesmo nas cenas. Talentosíssimo, está em todos os filmes importantes dos últimos anos. Deu credibilidade a Nicholas Sparks e seremos eternamente gratas por aquela cena do beijo na chuva (eu falei: CLÁSSICO!!!). Rei dos memes, separa brigas, salva gatinhos, usa camisas engraçadas, é feminista, come cereal... Ryan Gosling parece ter nascido para interpretar mocinhos que fazem as meninas suspirarem.

Ela é um poço de carisma, daquelas que você quer ser melhor amiga. Divertida e inteligente, trouxe charme e humanidade a uma personagem que poderia facilmente ficar na superfície. E desde então só entrou em projetos bacanas, trilhando seu caminho rumo ao Oscar. Já tem um tempo que eu venho cantando a pedra que Emma Stone tem todos os requisitos para ser a nova namoradinha da América. Pra completar, canta, dança e sapateia. Como não amar?

Impossível não shippar

Só por isso La La Land já valia o ingresso.

(Reza a lenda que o personagem de Emma Stone, na verdade, era pra ser de Emma Watson, que largou La La Land pra fazer A Bela e a Fera. E Ryan Gosling largou A Bela e a Fera pra fazer La La Land. O nome disso é DESTINO, pessoas!!!!)

Mas aí começou todo o buzz da temporada de premiações, e La La Land ganhou todos os Globos de Ouro possíveis e imagináveis e as expectativas de todo mundo que no início só queriam ver Ryan Gosling e Emma Stone cantando e dançando foram lá no alto. E começaram as dúvidas se o filme é realmente tudo isso.

Depois de finalmente assistir, eu vou te dizer que... é tudo isso sim. O filme é LINDO!!!! Uma história de amor absolutamente envolvente, com músicas ótimas, sequências de dança de encher os olhos, cenas que parecem pinturas impressionistas, um colorido mágico no figurino, o roteiro tem uma delicadeza ímpar... Merece todos os prêmios que já ganhou e vai ganhar. É daqueles filmes te fazem sair do cinema... flutuando! “Dá o Oscar pra ele!”, fiquei pensando. “Não tem mais pra ninguém, dá todos os Oscars pra ele!”, vibrei, ao sair da sala de cinema, planejando assistir novamente em outra ocasião.


O que não quer dizer que o filme tenha me ganhado de cara.

Eu, que estou ficando bem viciada em musicais, mas que, particularmente não curto o gênero homenageado (aqueles filmes do Gene Kelly em que ele ficava dançando durante mil horas, e tal), a princípio não gostei da sequência inicial. Achei exagerado, fora do lugar. Onde estavam Ryan e Emma durante toda aquela cantoria? Era bonita, sim. Mas achei cedo pra toda aquela parafernalha.

Durante boa parte do início, as sequências musicais me pareceram meio sem contexto, apesar de maravilhosas. Fiquei com medo. Sim, eu sabia que o filme era uma grande homenagem a esses musicais que fizeram história, à era de ouro do cinema hollywoodiano, etc. Mas nada disso seria suficiente se La La Land fosse só uma homenagem com cheiro de mofo, como um outro filme que ganhou até o Oscar anos atrás, mas que, sinceramente, eu dormi quando fui tentar assistir. Ou esse outro que na teoria também era genial, mas que depois que terminou o filme eu fiquei tipo: “Sério que esse filme ganhou o Oscar? Vocês tão de brincadeira que premiaram isso aí, ao invés de Boyhood?”.


Mas é aí que está o grande trunfo de La La Land. Toda a parte técnica é impecável. Mas isso tudo é só uma moldura para uma história linda, sensível, que dá um quentinho no coração. E o modo como essa história combina com a música, e a dança e o figurino é o que torna tudo tão certo. E é por isso que La La Land desperta essa paixão arrebatadora nas pessoas. Afinal, é um filme sobre paixão. Feito com paixão. Realmente, com esses ingredientes, não tinha como dar errado.

Emma Stone, maravilhosa, pra variar, é Mia (ah, essas Mias me perseguindo!). Ela é barista de um café nos estúdios da Warner e vive, sem sucesso, fazendo audições para papéis em LA. Ryan Gosling, mais uma vez incrível, é Sebastian. Um pianista teimoso que sonha em abrir seu próprio clube de jazz para que as pessoas voltem a apreciar a boa música, mas não consegue se desvencilhar do passado.

Os personagens são apaixonantes. Cheios de sonhos, os dois se ajudam, e se aconselham e dão força um pro outro. (Tem uma hora que Ryan Gosling parece recitar o meme do Hey Girl!). E eles brigam, e se encontram, e se desencontram, como todo bom romance que se preze deve ser. Mia e Sebastian não são perfeitos, mas são perfeitos um pro outro. E é por isso que você vai se emocionar com a história dos dois.


E quando o filme resolve investir nos personagens, tudo começa a fazer sentido.

Ao mesmo tempo em que é homenagem, La La Land tem autoconsciência de que precisa trazer coisas novas para o gênero, ou pelo menos uma nova roupagem.

Em dado momento, Mia pergunta a Sebastian se não está soando “nostálgica demais”. E o próprio desenvolvimento dele, um entusiasta do jazz (foco no jazz!!!) que se recusa a aceitar coisas novas é todo metafórico.


Mas a peça fundamental na verdade é o personagem de John Legend que joga todas as verdades na cara do Ryan Gosling. “Como você quer ser revolucionário, se é tão tradicionalista?” (Pois é, é a minha fala favorita do filme também!). E é nessa hora que o filme dá uma virada e começa a ficar genial. 

Assim como o jazz, que eu aprendi a gostar graças a um cara mais ou menos tipo o personagem do John Legend, o filme parece dizer que os musicais também precisam de uma nova roupagem, para atrair a molecada. Pode parecer que não, mas as pessoas estão sedentas por entretenimento de qualidade. Tudo que a gente precisava era... bom, Ryan Gosling e Emma Stone, e uma história bem contada pra deixar a gente babando na cadeira do cinema.


E assim como esse blog, que tem os dois pés fincados na nostalgia e o nome inspirado no jazz, sua proprietária sabe bem que nostalgia é legal, mas olhar pra frente é o que torna tudo mais interessante.

E daí o filme, assim como Sebastian, para de se preocupar com o passado, e decide traçar seu próprio caminho.

E La La Land pode não revolucionar nada. Mas, de alguma forma, parece moderno. E todas as cenas musicais, inclusive aquelas que eu achei exageradas no início, ganham sentido no final. O que torna tudo ainda mais bonito. (Rimas narrativas, amigos! Rimas narrativas! Chega a ser poético quando o cara usa um recurso desses num filme musical.)

Não é um filme perfeito. Mas é perfeito em suas imperfeições. Ryan e Emma, por exemplo, não são os melhores cantores, ou os melhores dançarinos. E não eram pra ser mesmo. O relacionamento entre os dois personagens é cheio de altos e baixos. E como deixa claro a lindíssima sequência final de tirar o fôlego, isso não faz a menor diferença.

O importante aqui é que La La Land conseguiu me deixar maravilhada, enebriada, flutuando... como o casal principal. Só por isso, La La Land já ganhou todos os Oscars do meu coração. E se o filme é para os tolos que insistem em sonhar, me dá licença que eu vou escrever a minha fic de continuação, porque eu não vou conseguir superar esse filme tão cedo.

Eu, depois de assistir La La Land


Obs com SPOILER: Mas eu sou muito besta, e achei lindo toda aquela sequência em que todo o filme é reencenado sem os percalços do relacionamento dos dois, mesmo que tenha sido o maior golpe baixo mostrarem nosso ship favorito casado em com filhinhos, pra depois esfregar na nossa cara que nada disso ia acontecer. Caio igual a um patinho nesses falsos finais felizes e fico supersatisfeita, mesmo sem happy ending)
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

5 razões porque você PRECISA assistir Wicked

Wicked é um musical que conta a história de origem da Bruxa Má do Oeste, do Mágico de Oz (isso mesmo, aquela verde). A peça estreou pela primeira vez em 2003, na Broadway e nunca mais saiu de cartaz. De lá pra cá, já foram feitas mais de 15 montagens ao redor do mundo, incluindo uma no Brasil, que fica em cartaz até o final do ano (dia 18/12, pra ser mais específica). A razão para tanto sucesso é só uma. O MUSICAL É ÓTIMO!!!!!!


Assisti pela primeira vez em Londres, meio sem querer ver. “Wicked, Esther? Mas é sobre O Mágico de Oz! E eu nem vi O Mágico de Oz!” Queria mesmo assistir Mamma Mia, que era mais garantido. Mas, muito mais caro. Então, acabamos ficando com Wicked mesmo. E MEU DEUS, QUE MUSICAL MARAVILHOSO!!!!!!!!!!! (Todas as exclamações não são suficientes pra demonstrar toda a minha emoção quando falo de Wicked).

Pra começar, não precisa nenhum conhecimento prévio de O Mágico de Oz pra apreciar a história. E depois, nossa, sabe quando uma história te toca de um jeito que é até difícil de explicar? Então, foi isso que Wicked fez comigo. Se infiltrou dentro do meu coração e apertou ele todinho, me levando às lágrimas em alguns momentos. E me fez rir com vontade, em outros. E vibrar com as conquistas dos personagens. E suspirar com os romances. E ficar refletindo com o subtexto da história, e cantando as músicas durante dias e dias a fio. Definitivamente meu musical favorito de todos os tempos. Muito, muito, mas, muito melhor que Mamma Mia! Tem nem comparação!

Wicked é coração puro. Emocionante do início ao fim, com mensagens necessárias especialmente nesse mundo de cada vez mais intolerância. Lindo, lindo, lindo demais!

Meu nível de animação quando falo de Wicked

Ok, estou perdendo a linha aqui (é difícil não perder quando se fala de Wicked). A empolgação toma conta, a fala se eleva, o olhinho brilha, eu começo a cantar Defying Gravity... Tá legal, respira. Vamos tentar fazer uma lista por que você deve deixar marcado na sua agenda pra assistir essa história maravilhosa quando tiver a oportunidade de viajar, ou, se estiver em SP, correr pra garantir um lugar até 18/12! (Sério, se você está num lugar que está passando Wicked, vai por mim, essa deve ser uma prioridade na sua vida.)

1. A HISTÓRIA É ÓTIMA!!!!

Como já disse antes, Wicked é um prelúdio de O Mágico de Oz, que conta a história não contada de Elphaba, a famosa Bruxa Má do Oeste, e Glinda, a boa. Mas você não precisa ter nenhum conhecimento prévio para apreciar essa obra prima do teatro da Broadway. Até porque, durante a peça, a gente “descobre” que Bruxa Má, na verdade não é tão má assim. E a boa também não é tão bondosa quanto se imagina.

Com todos os ingredientes necessários para se tornar um clássico (a essa altura do campeonato, não há dúvidas, Wicked já é um deles), a história tem várias reviravoltas, e os personagens crescem e se transformam no decorrer da peça que equilibra drama, comédia, romance e até crítica política (mais atual do que nunca!). Dá até pra sair da peça questionando “O Bom Selvagem”.

Mas o melhor de Wicked é que essa é essencialmente uma história de amizade. E de auto-aceitação e tolerância às diferenças. E de que a gente deve ir em frente com as coisas que a gente acredita, mesmo que todo mundo fale o contrário.

Impossível ficar indiferente ao turbilhão de emoções encenados no palco. Você vai rir, chorar, e se apaixonar por Elphie, Glinda e todo o restante do espetáculo.

2. As músicas são VICIANTES!!!!

Com um repertório impecável, as músicas de Wicked já fazem parte da cultura pop, e vão grudar no seu ouvido, fazendo você cantá-las por muito tempo depois do espetáculo. Difícil escolher a melhor, na verdade, quando praticamente todas se tornaram hinos da Broadway, e boa parte delas se tornaram hinos pessoais. Mas você vai se emocionar com a esperança da Elphaba em The Wizard and I, rir muito em da Glinda em Popular, se deliciar com a boemia de Fyero em Dancing Through Life (acho de uma poesia maravilhosa só esse título!), suspirar em As Long As You’re Mine... Ai meu Deus, eu gosto de todas mesmo! What is this feeling, I’m Not That Girl, For Good...

Adoro essa!

E eu ainda nem falei de...

3. Defying Gravity

A principal canção do musical não é SÓ uma canção. É o momento “UAU” do espetáculo que te arrepia todinho. É um hino de libertação, com um verso mais arrebatador do que o outro, que é certeza que você vai levar PRA VIDA. Sempre canto com o olhinho fechado, cheia de emoção, porque essa música...ai, não sei nem dizer, só sentir.


Curiosidade #1: Quando estreou na Broadway, em 2003, quem interpretava a Elphaba era ninguém menos que Idina Menzel, que 10 anos depois viria novamente entoar outro hino libertador numa animação da Disney. Canta muito essa mulher! É claro que levou o Tony de melhor atriz nesse ano.
Curiosidade #2: Quem fazia a professora na Broadway há um tempo atrás era a senhoria da Kimmy Schmit (tá cheio de ator talentoso nessa série, gente!)

4. O espetáculo é de encher os olhos


Seria negligência da minha parte não comentar todo o trabalho de direção de arte, figurino, maquiagem, iluminação... Não à toa o musical ganhou o Tony de Melhor Cenografia e Melhor Figurino. Além da história e das músicas serem lindas, o visual da peça também é impecável. Sem contar todos os efeitos de pirotecnia e levitação que deixam o público boquiaberto. Uma superprodução que vale cada centavo do seu ingresso.


5. É um arrasa-quarteirão!!!!

Em NY, ele já está em cartaz há 13 anos. Em Londres, esse ano fez 10. Além disso, a peça já foi adaptada em outros 10 países. Na Broadway, o musical já quebrou recordes de bilheteria 20 vezes. Quando estreou aqui no Brasil, bateu o recorde do teatro, com metade do tempo da peça anterior. É o 11º musical de maior longevidade na Broadway. 

Mais de 10 anos sem parar!!!!!

E os números são impressionantes assim porque realmente é uma história muito boa, muito bem encenada, que te deixa com vontade de assistir várias vezes. Eu mesma já vi duas (uma em Londres, outra em SP, no fim de semana que eu fui no show do Jamie). E fico me segurando aqui na cadeira pra não comprar uma passagem agora mesmo e assistir mais uma vez. Meu vício está NESSE NÍVEL!

Sobre a versão brasileira: Está linda demais! (Eu já falei que vocês PRECISAM assistir?) Toda a parte técnica está impecável (achei até mais bonita visualmente do que a de Londres), as músicas em português ficaram ótimas (destaque para O Mágico e Eu, Ódio e Popular, só não gostei da versão de “I’m Not That Girl”...) e as atrizes estão A-R-R-A-S-A-N-D-O. Cantam demais, e muito carismáticas (já estou muito fã)! O texto em si também ficou superbacana, principalmente as partes da Glinda que conseguiu trazer umas gírias brasileiras, e até incorporou um “beijinho no ombro” com Wesley Safadão que são de matar! Hilário!

CORRÃO!

Estou aguardando ansiosamente o filme que eles tão cozinhando há mais de 10 anos, e finalmente marcaram estreia pra 2019 (AAAAH, tá muito longeeeee!), porque não está sendo fácil, simplesmente. Fico montando inclusive meu elenco dos sonhos aqui, enquanto não sai nenhuma notícia, e quero muito Lea Michelle de Elphaba, porque a menina NASCEU pra esse papel!

Mas, enquanto isso não acontece, deixa eu procurar uns vídeos no YouTube, porque é o que tem pra hoje.

Vou dar na tua cara se disse que não gostou depois!
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