quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014

Tenho visto muita gente reclamando de 2014, contando as horas pro ano acabar. Pessoalmente, acho que 2014 foi um grande ano. Muitas vezes a gente tem o sentimento de que a vida passou diante dos seus olhos e você nem viu o tempo passar. Mas quando olho para trás, a sensação que tenho é que vivi o último ano intensamente, como há muito não acontecia. 

É claro que nem tudo foi bom. E boa parte do ano, passei tentando (me) entender e em esforçando pra ser uma pessoa melhor. Cheguei a algumas conclusões que não são fáceis de se aceitar. Chorei como nunca. Mas a parte boa de chegar ao fundo do poço (nossa, que dramática!) é que não existe outro caminho senão se levantar e subir de novo. E daí que eu descobri algumas coisas que não esperava. Coisas como estar cercada de gente legal e que se preocupa com você de um jeito que você nem imaginava. E que não é porque as coisas são de um jeito que elas necessariamente têm de ser assim pra sempre. E que, por mais que exista uma boa dose de sorte, a palavra final do nosso destino ainda é nossa. E isso quer dizer que ele depende muito mais de coragem e força de vontade do que a gente imagina.

Comecei 2014 com as seguintes resoluções de ano novo: "Falar menos pra evitar magoar as pessoas que gosto", "Ser uma pessoa melhor" e "Me estressar menos". A primeira foi por água abaixo logo no primeiro mês, porque até estava cumprindo a primeira parte, mas falhando miseravelmente na segunda. A solução estava justamente em fazer justamente o contrário. E foi uma sensação ótima a de não guardar mais os sentimentos e poder conversar e abraçar e rir e ser vulnerável também, por que não?

A segunda, é, acho que deu pra cumprir e, acho que, pelo menos, sou uma pessoa melhor do que há um ano. E a terceira... não sei. Estamos trabalhando nisso ainda. Em 2014 a ansiedade bateu todos os recordes, mas também trouxe a certeza de que às vezes a gente tem que apertar o botão do F..., senão fica maluco.

E daí também que outra coisa que eu resolvi em meados do ano foi dizer mais "SIM" para a vida. Não esperar as coisas acontecerem. E não deixar o medo sobrepor as vontades. Porque a vida é muito curta. E o tempo livre também. Daí resolvi sair mais de casa, sem rumo e sem saber se ia conseguir voltar. Ver mais os amigos, estar onde as coisas acontecem... Ver a vida acontecer, ou melhor, fazer a vida acontecer!

E o resultado foi que em 2014 as coisas aconteceram! E eu vivi. Muito!

Em 2014 eu:

- Subi a Torre Eiffel. De escada. (Obs. VENTA MUITO LÁ!!!!!). Isso foi dia 1o de janeiro. Acho que foi o melhor 1o de janeiro de todos!
- Fui à quinta da Boa Vista e andei naquela bicicletinha maluca
- Fiquei de saco cheio de tudo.
- Chorei horrores.
- Encontrei os amigos de faculdade.
- Fui no Vikings com as BFFs (várias vezes!)
- Fiz churrasco com amigos do CEFET
- Fui reprovada no exame do DETRAN (ainda estou pensando se volto pra auto escola)
- Entrei pra academia!!!!
- Zerei as férias de julho, com uma viagem a Londres que teve direito a um trem pra Hogwarts, estúdios do Harry Potter, meridiano de Greenwitch, Big Ben, Musical estilo Broadway, etc, etc, etc. 
- Assisti a Copa em vários lugares diferentes. Vários mesmo. 

  1.    Brasil x Croácia, Brasil x Camarões e Brasil x Chile - Fifa Fan Fest Copacabana (Melhor Vibe!!!!!)
  2.    Brasil x México - Casa dos Amigos (Empate, méeeeh!)
  3.    Brasil x Colombia - Fifa Fan Fest Madrid (Imagina vc assistir a um jogo desses rodeado de colombianos! E o medo de perder? E o medo de apanhar?)
  4.    Brasil x Alemanha - Pub de Londres / Quarto do Hotel (Cheguei e já estava 1 x 0 Alemanha, mas depois do primeiro tempo não tinha sentido ficar ali. Voltamos pro hotel, mesmo sem saber se ia passar na TV do quarto)
  5.    Brasil x Holanda - Quarto do Hotel (Porque não dava mais pra ficar saindo de camisa do Brasil depois do 7x 1.)

- Fui a várias despedidas de gente querida do trabalho
- Pedi demissão e aí quem fez a despedida FUI EU!!!!
- Comecei no trabalho novo
- Fiz um cursinho ótimo de contabilidade
- Fui ao show da Sandoca, gravidinha
- Fui ao show do lindo do Bublé
- Terminei a 7ª temporada de 30 Rock e, ai, Tina Fey é muito amor!!!!!
- Fui ao casamento da minha amiga (que é praticamente irmã!)

É claro que com tudo isso acontecendo, li muito pouco em 2014, e escrevi no blog muito menos. Mas, acho que é um preço razoável a ser pago, considerando todo o crescimento e mudanças que trouxe. Essa parte a gente colocar na lista de resoluções pra 2015, mesmo que no final das contas a gente não siga nada dela. É claro que tenho mais algumas metas pra 2015 (de verdade!), mas, hoje, dia 31, o que eu quero mesmo é que 2015 seja tão inesquecível como foi 2014. E se precisarem de ajuda pra alcançar as metas de coisas diferentes da lista de vocês, me avisem, porque, quem sabe a gente não risca esses itens juntos?

Pra terminar, fiquemos com o meu tema oficial de Ano Novo.

(Chega a ser engraçado como a música realmente se concretizou nesse ano!)


Até o ano que vem.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

2014, o ano em que eu entendi o Eminem

Desde muito cedo eu tenho essa mania de cantar. Não quer dizer que eu saiba ou que cante bem. Mas isso não me impede de soltar a voz, às vezes alto demais, pra extravasar os sentimentos, sejam de alegria ou tristeza, compactados dentro do coração. (Coitadas das pessoas que andam comigo!) E se você for bom observador, consegue perceber que muitas das vezes as músicas que estão na ponta da minha língua, são justamente aquelas que conseguem traduzir com exatidão aquilo que está se passando pela minha cabeça. 

Geralmente são músicas que ninguém conhece, até porque, os artistas que frequentam o meu player não são aqueles compartilhados pela grande massa. Mas uma coisa engraçada aconteceu em 2014 porque, de repente, as músicas desses caras que tocam na rádio até enjoar começaram a fazer MUITO SENTIDO pra mim. Não significa que as músicas das paradas de 2014 tenham sido melhores. Acho que os hits de 2013 e 2012 eram bem mais legais, por exemplo. Mas talvez porque em 2014 (e já no final de 2013), os sentimentos ficaram tão à flor da pele que até os chicletes mais grudentos foram capazes de fazer a ponte entre cabeça, coração e melodia.

Pois é, agora entendo aquelas pessoas que estão na balada e gritam: “ESSA É A MINHA MÚSICAAAAA!”, de olho fechado, com a mão do lado esquerdo do peito. Até porque acho que sou uma delas.

Fun - Some Nights
Fun talvez tenha sido a maior surpresa musical nos últimos anos. Simpatizei com os meninos desde We Are Young. Mas acho que foi com Some Nights e seu tambor de guerra mesmo que eles me ganharam de vez. O álbum é todo bom e me fez companhia nos momentos em que milhões de coisas diferentes passavam pela cabeça e tudo o que eu precisava ouvir e repetir era que ia ficar tudo bem. Perdi a conta de quantas vezes coloquei pra ouvir Some Nights pra criar coragem e encarar os dias difíceis. Fica até difícil de escolher os melhores versos, porque praticamente toda a música descrevia tudinho aquilo que eu vinha sentindo, mas vou ficar com esses aqui bem revoltados:

This is it, boys, this is war
What are we waiting for?
Why don't we break the rules already?
I was never one to believe the hype 
Save that for the black and white
I try twice as hard and I'm half as liked
But here they come again to jack my style


Avicci - Wake me up
Nunca curti essa moda de DJs que não cantam e lançam músicas como se fossem deles. Sempre trocava de canal quando esses clipes estavam passando na TV. Sempre achei as músicas bobas demais por só falarem de festa etc. Mas aí eu parei pra prestar atenção na letra de Wake me up, e, Deus, tudo que eu queria era acordar quando tudo aquilo tivesse acabado. A música é legal do início ao fim, mas o refrão, ah, o refrão é simplesmente CATÁRTICO!

So wake me up when it's all over
When I'm wiser and I'm older
All this time I was finding myself
And I didn't know I was lost


Lorde – Royals
Em meio a hits sem sentido e uma juventude que só pensa em festas, dinheiro e ostentação, Lorde trouxe essa pérola do pop falando que a realidade adolescente está muito longe da mostrada nos clipes da TV, e que ela está feliz assim, obrigada. Ainda não sei cantar a parte cadenciada em que ela descreve a juventude transviada, mas num momento em que estava de saco cheio de gente me dizendo o que fazer, o “WE DON’T CARE” era a válvula de escape perfeita. Fora isso, o refrão em que a garota faz questão de dizer que “esse tipo de luxo não é pra ela e que prefere uma parada diferente” ganhava um significado todo especial. 

And we'll never be royals
It don't run in our blood
That kind of lux just ain't for us
We crave a different kind of buzz


PS.Curioso pensar que, talvez por uma razão subliminar Royals não me saiu da cabeça enquanto estava em Paris.
PS2. Gosto especialmente dessa paródia que é simplesmente GENIAL!

Imagine Dragons - It's time
Tem gente que diz que eles fazem um rock coxinha, com letras genéricas, e sem criatividade. Mas a real é que por mais genérica que seja, sem querer essa música me pegou de jeito. O mundo dizia que pra chegar longe eu tinha que mudar, e pra dizer que eu não gostava nada daquilo eu cantava alto:

I get a little bit bigger but then I'll admit
I'm just the same as I was
Now don't you understand
That I'm never changing who I am


Eminem ft Rihanna - Monster
Pois é, quando você percebe que até o Eminem está conseguindo tocar seu coração é porque a coisa está preta mesmo. Pra falar a verdade nunca parei pra prestar atenção na parte que o Eminem canta, mas em determinado momento do ano o refrão da Rihanna começou a fazer todo o sentido, com tantas vozes falando coisas diferentes dentro da cabeça e a talvez percepção de que o tão temido monstro talvez estivesse dentro de você. Mas a parte boa é que por pior que fosse, tinha um monte de gente tentando “me salvar de mim mesma”. Clichêzão, eu sei. Mas não quer dizer que não tenha sido verdadeiro.

I'm friends with a monster that's under my bed
Get a long with the voices inside of my head
You trying to save me
Stop holding your breath
And you think I'm crazy, yeah, you think I'm crazy


Bastille - Pompeii
Vou confessar que não curtia muito essa música por causa daquelas pessoas com olhos de íris preta no clipe. Mas aí eu prestei atenção na letra e estava me despedindo da antiga empresa e em muitos aspectos parecia que realmente não era uma sensação nova e que eu já tinha passado por algumas dessas escolhas antes. Fora que no momento em que eu fechei os olhos e percebi que algumas coisas não iam mudar se eu não desse fim naquilo, e aí não dava mesmo pra encarar o futuro com muito otimismo. Nunca mais escutei a música do mesmo jeito e virou trilha do ano.

But if you close your eyes,
Does it almost feel like
Nothing changed at all?
And if you close your eyes,
Does it almost feel like
You've been here before?
How am I gonna be an optimist about this?
How am I gonna be an optimist about this?


One Republic - Counting Stars
Porque ela fala de dinheiro, fala de escolhas, fala de certo e errado, fala de encontrar o seu lugar no mundo, sobre manter-se fiel aos seus princípios e sobre a vida que vai passando enquanto a gente perde o sono pensando em tudo isso e sonhando com a parte em que a gente fica rico e viaja pelo mundo. Não exatamente com essas palavras, mas exatamente o que passou na minha cabeça em 2014.

Old, but I'm not that old
Young, but I'm not that bold
I don't think the world is sold
I'm just doing what we're told


É, a grande maioria das músicas são do ano passado. Mas ainda tocaram (e me tocaram) muito em 2014 e é isso que vale. Depois eu volto com a parte da playlist que não ocupou o topo das paradas, mas ficou no meu ouvido durante o ano mesmo assim.
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sábado, 25 de outubro de 2014

Economia, escolhas e eleições

Muita gente acha que economia é sobre números, índices e projeções mirabolantes. E de certa forma, elas não estão totalmente erradas. Mas aquilo que ensinam pra gente na primeiríssima aula de qualquer cadeira de economia é que o principal estudo da economia na verdade são os recursos escassos. Tempo, comida, dinheiro...

E como os recursos são escassos, a consequência natural é que é preciso fazer escolhas, afinal, não se pode ter tudo.

E dessas escolhas que surgem todos os dilemas da sociedade e um milhão de teorias econômicas.

“Compro um carro ou uma bicicleta?”
“Assisto TV ou leio um livro?”
“Azeite ou Manteiga?”

Não faz muito tempo (na verdade faz sim, tem uns 4 ou 5 anos), escrevi um post aqui no blog, sobre a dificuldade em tomar decisões. Na época, trouxe para a discussão uma metáfora com análise combinatória e montagem de pratos no Spoletto, e cheguei a comentar como era mais fácil quando ainda éramos crianças e nossos pais faziam as escolhas por nós, e então tínhamos alguém para colocar a culpa.

Mas, bom, o tempo passou. E hoje vim aqui para dizer como a Elisa versão 2014 pensa totalmente diferente da Elisa de 2010.

Pra começar, não acho mais tão aterrorizante a idéia de ir ao Spoletto e pedir um prato com 8 ingredientes. Estou suficientemente treinada para responder aos gritos de incentivo dos cozinheiros da rede de massas rápidas: “Mais um! Mais um! Vai lá, jovem, só faltam 3!”. O mesmo vale para os artistas do sanduíche do Subway. Hoje em dia já prefiro o Subway ao Bob’s (estou até meio traumatizada com o Bob’s, inclusive).

E depois, talvez por estar no meio de situações em que muitas coisas não eram por minha vontade, agora acho fundamental que não escolham por mim, mesmo tendo que assumir todas as conseqüências depois.

È claro que diante de um monte de opções, ainda fico paralisada no momento da decisão. E isso é absolutamente normal.

Mas hoje em dia não abro mão de ter a palavra final nas coisas referentes a minha vida. Mesmo que eu não saiba direito para onde eu estou indo. Ou não tendo 100% de certeza se estou fazendo a coisa certa ou vou me arrepender depois.

Porque a questão é que, quando EU ESCOLHO, geralmente eu não me arrependo. Pode até ser que depois eu chegue à conclusão de que de outro jeito poderia ter sido melhor. Mas tenho a consciência de que no momento da escolha, nem todas as variáveis eram conhecidas e que tomei a melhor decisão possível. E não fico me culpando do jeito que ficaria se terceirizasse o direito de escolher. Porque eu fiz o que eu quis. E quando a gente quer, a gente não se arrepende de nada. E vive mais feliz do que se estivesse colocando a culpa nos outros.

Mas, e quando a decisão não se trata daquilo que você efetivamente QUER, mas daquilo que você NÃO quer?

Às vezes fazer escolhas não tem tanto a ver com decidir “o melhor” caminho, mas simplesmente optar pelo “menos pior”. 

Vou te dizer que não é uma situação nada agradável. Mesmo assim, ainda é melhor a possibilidade de escolher a opção “menos pior” do que simplesmente não ter direito de opinar em nada. E bom, essa é a lição número 1 da economia e que a gente leva pra vida: “Os recursos são escassos e não se pode ter tudo, e é por isso que a gente faz escolhas”.

Passei por uma situação dessas, de escolher o caminho menos pior esse ano. E vou te dizer que foi legal.

Num desses posts em que contava sobre minha demissão no último mês, cheguei a comentar como fiquei chateada por ter perdido meu principal cliente, que eu já fazia desde o início e de que gostava muito. Só que aí aconteceu uma coisa que eu também não esperava. E vi 3 gerentes brigando (sério, só faltou caírem no tapa) pra me colocar nos clientes deles! Dois deles eram na Barra, um em Botafogo. (Pra quem não mora no Rio, a Barra da Tijuca é um lugar de dificílimo acesso, até pra quem mora lá!) E eu pude ESCOLHER qual que eu queria fazer.

Todas as opções tinham seus prós e contras e a decisão chegava muito mais perto do “menos pior” do que do “melhor” caminho, propriamente dito.

Acabei por optar por um desses clientes na Barra, mas que seria um trabalho menos burocrático e mais a ver comigo. 

E foi essa possibilidade de escolha que me permitiu acordar mais bem disposta pra encarar o caminho até o “fim do mundo”. No mesmo ano, também tinha passado uma temporada, em outro cliente ali por perto, e levantava todos os dias de mau humor, com raiva da vida, porque era uma coisa que eu não queria, e estava sendo obrigada a fazer.

É claro que em última instância eu não queria nenhuma daquelas coisas. Minha vontade mesmo era ir embora (coisa que acabou acontecendo depois).

Mas, dentro das opções, o simples fato de poder optar já era um privilégio imenso. 

E às vezes a gente se esquece disso.

E aí eu volto ao início do texto, quando comecei falando de Economia. Quer dizer, amanhã é dia de eleição e eu sei que, com tanta sujeira nessa política, a gente fica desanimado de ir lá, apertar os botõezinhos da urna e participar da festa da democracia. E bom, vamos combinar que não só nessa, mas basicamente em toda a eleição a gente cada vez mais vota no “menos pior”, por não acreditar mais nem em partido, nem em candidato, nem na política em si.

Mas quando eu fui votar nesse primeiro turno eu lembrei dessa história que tinha acontecido comigo nesse ano. E vi o quanto nós somos privilegiados de PODER ESCOLHER os nossos representantes, por pior que eles sejam. 

Quer dizer, o próprio Brasil até “pouco tempo” não podia. Tem países na África e na Ásia que até hoje não podem.

E então eu também me peguei pensando no meu voto da eleição passada e como tinha me decepcionado com o meu candidato. E em como, mesmo assim, eu não me arrependi. Porque na época tomei uma decisão consciente e que achava que era a mais correta.

Às vezes a gente esquece que votar é ESCOLHER. E ter voz pra dizer o que você acha que é melhor, ou “menos pior”, é LEGAL PRA CARAMBA. 

Eu sei que é difícil chegar a essa conclusão, mas, pense em quantas vezes na sua vida você não ficou revoltado porque decidiram alguma coisa e não perguntaram a sua opinião. E amanhã você vai poder ESCOLHER o seu PRESIDENTE!

É claro que eu ainda acho que nosso modelo de democracia ainda tem que ser muito discutido, principalmente porque depois da eleição, parece que nosso poder de escolha vai todo pelo ralo. E acho também que esse é um dos motivos pelos quais a gente fica tão revoltado durante os 4 anos que sucedem a eleição, afinal, parece que depois temos é que engolir as decisões desses caras, que, tudo bem, fomos nós que escolhemos, mas que não foi pra isso que nós colocamos eles lá.

Ao contrário da Elisa de 2010, a Elisa de 2014 prefere escolher. E até escolher errado. Do que sofrer pela escolha dos outros.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Pacas, gráficos e fotos

Dia desses eu estava aqui falando com orgulho do quanto havia mudado nos últimos anos. De como estava mais confiante, mais madura, e mais realista. E de como tinha perdido um pouco o medo de mudar de quando comecei esse blog.

Só que a bem da verdade é que, bom, talvez eu não tenha mudado taaaaanto assim.

Nesses dias de transição, aproveitei para tirar uma folga dos problemas e resolvi que só ia me preocupar com o futuro no mês seguinte. 

Nesse período, também compartilhei mais bobagens no Facebook do que nunca. Talvez a mais idiota delas seja essa logo abaixo:


E eis que quando postei essa piada que ultrapassa os limites do infame no Facebook, tive a grata surpresa de receber um comentário de uma professora do ginásio que há muito não falava comigo:

Será que algum dia nossos gostos pelas mesmas bobeiras vão mudar?!? Ri alto com essa piadinha torpe agora! Obrigada.

E aí eu brinquei falando que ela ia fazer uma questão pra colocar na prova com essa piada (porque ela adora essas coisas!) e ela respondeu:

Elisa ainda me conhece tanto...! Ainda é a mesma, desde a época em que me mandava a música de abertura do Bob Esponja em trocentas línguas diferentes.

Nem me lembrava dessa história do Bob Esponja em trocentas línguas. Quer dizer, me lembro que procurei as aberturas em todos os idiomas. Mas não lembrava que tinha mandado PRA ELA (ela e seu filho eram fãs do Bob!).

Mas aí eu parei pra pensar e... realmente eu sou a mesma menina de 13, 14 anos que assistia a aula dela!!!! 

Ainda gosto das mesmas bobeiras, e ainda procuro as músicas da Disney em todos os idiomas quando aparece algum filme novo. Ainda tenho um apreço muito especial por piadas que beiram o infame e me pego rindo sozinha, matutando algumas. Ainda tenho uma vontade louca de aprender coisas novas. E ainda tenho dificuldade de encarar alguns fracassos.

Ainda sou a pessoa menos experiente com quem as pessoas mais experientes vêm conversar sobre coisas sérias. Coisas que talvez não deveriam nem conversar comigo. Mas confiam em mim a esse ponto. Ainda sou o “projeto pessoal”, o “orgulhinho” de alguns mentores que encontrei ao longo da vida. E por mais que os ambientes mudem, continuo tendo a sorte de encontrar esses mestres (geralmente com uma personalidade bem diferente da minha!) em quem me espelho e com quem converso algumas coisas que talvez também não conversasse com qualquer um.

Ainda gosto de presentear de forma especial as pessoas que são especiais para mim. E ainda tenho uma dificuldade imensa de lidar com a saudade dessa gente que "considero pacas" e dos lugares que foram marcantes pra gente.

Engraçado como a vida segue seu rumo e algumas coisas meio que se repetem, apenas com personagens diferentes, em lugares diferentes. Tem uma teoria que diz que ela não pode ser representada numa linha reta. Tampouco por um círculo, em que a o giro é 360 . Mas por um espiral, em que segue sempre em frente, com pontos de inflexão semelhantes.

Por exemplo, há 10 anos encontrei essa professora que foi minha referência para muita coisa. Me ensinou o que era sujeito, verbo de ligação e precativo do sujeito (o famoso pacotão 3 em 1) e Oração sem Sujeito de uma maneira que eu nunca mais esqueci. Ela era muito doida. E cheia de energia, com vontade de mudar o mundo. E eu a adorava por isso. (Acho que me realizo nessas mentoras que encontro ao longo da vida.) Mas talvez tenha sido aquele episódio no fim da prova (ou era teste?) do primeiro bimestre que nos uniu para sempre. Ali ela descobriu que o antigo professor simplesmente tinha nos enganado total nos outros dois anos anteriores, e basicamente teve que tirar o atraso e ensinar a matéria dela durante a sétima série. E desde então, a gente criou um elo impressionante. Não, a gente não se fala todos os dias. E ela já não me dá aula há muito, muito tempo (uns 10 anos). Mas o carinho mútuo permanece. E é muito gostoso perceber que você foi marcante para alguém a esse ponto. Uma vez, isso também já tem tempo, eu já tinha saído do colégio e voltei apenas para aulão de fim de semana às vésperas do vestibular. Ela era uma das professoras. E durante a aula a gente trocava vários olhares do tipo: "Acho que a gente já viveu isso antes! Que bom ver você de novo!". 

Mas, como ia dizendo, se a gente parar pra pensar, consegue perceber direitinho os pontos de inflexão e a as semelhanças entre uma fase e outra. Quer dizer, pelo menos eu percebo. Se minha vida fosse um gráfico, com o eixo X representando o tempo e o eixo Y os momentos de decisão (também ainda continuo fazendo metáforas mil, inclusive metáforas matemáticas), os pontos de inflexão vêm em períodos a cada 3 ou 4 anos.

Nesses pontos ficam os momentos de decisão, em que a gente toma coragem ou é obrigado a fazer mudanças radicais que colocam a vida em outros trilhos. E esses momentos geralmente são difíceis pra caramba. Porque substituir peças e rotinas e pessoas não é nada fácil.

Mas, ao mesmo tempo, é muito gratificante você olhar para o gráfico que você construiu e ver o quão bonito ele ficou (sim, acho gráficos lindos). E que por mais que agora ele esteja em outra direção, ainda existe uma outra linha, reta e constante, que corta esse gráfico e ainda faz parte de você, e ainda faz parte da sua vida. 

Essa é uma das razões pelos quais Um Dia é um dos meus livros favoritos de todos os tempos (estou relendo*, inclusive). Esse exercício narrativo INCRÍVEL em que a gente coloca a vida em perspectiva (mostrando apenas pontos únicos na tal linha do tempo) e vê com muita clareza como a gente muda, e ao mesmo tempo, como continua o mesmo.

* Engraçado como da primeira vez, as coisas que mais me chamaram atenção foram aspectos relacionados ao “tempo”. Agora, o que anda atraindo olhares é o “espaço”. Porque depois de ter ido a Londres, eu reconheço praticamente todos os lugares que aparecem no livro. Engraçado também que nessa releitura de Um Dia, também estou notando que os pontos de inflexão de Em e Dex também acontecem mais ou menos na mesma freqüência que os meus. :S E depois de ter vivido alguns bons 3 anos, os sentimentos da primeira parte do livro passaram a fazer mais sentido do que nunca para mim. Um Dia é um desses livros que tem a magia de acrescentar coisas diferentes a reencontro. E pretendo repetir o exercício da releitura de tempos em tempos. 

Certa vez li uma entrevista com David Nicholls em que o autor comparava seu romance à sensação de olhar um álbum de fotos. E quando a gente olha uma foto, as roupas e os cabelos, e os móveis estão diferentes, e muitas vezes as pessoas também estão em momentos totalmente diferentes. Mas se você parar pra pensar, a essência delas não mudou nada. Continua ali intacta.

E a impressão é de que, não importa o que aconteça, quanto mais a gente muda, mais continua o mesmo.
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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Toy Story 3 e o Fim do Orkut

A pessoa que diz que não chorou com Toy Story 3 ou é muito mentirosa ou é muito sem coração. Um dos primeiros filmes da seqüência de seqüências da Pixar (sério, Pixar, vocês têm que parar com isso!), Toy Story 3 mira direto na turma que ainda estava trocando os dentes na época do primeiro filme e acerta no lado esquerdo do peito do povo que nesse meio tempo esqueceu dos brinquedos. 

* Tenho uma teoria de que, tirando Carros 2 (por que, sinceramente, quem liga para Carros?), a Pixar vem num movimento de atingir seu antigo público com tramas que se aproximem de sua atual realidade. Primeiro Toy Story 3, com Andy indo para a faculdade. Depois Monstros Universidade, com Mike e Sully também durante a vida universitária.

Se a Disney queria um terceiro filme (e a Pixar relutou um bocado para fazer esse aqui), o estúdio da luminária saltitante não poderia ter feito escolha mais acertada ao acompanhar os 15 anos que separavam o filme de 1995 do fim da trilogia. 

E o filme cativa já desde o início justamente por transpor na tela tudo o que aconteceu com o público do lado de cá no decorrer de todos esses anos em que não nos encontramos com Woody, Buzz e cia.

Só que Toy Story 3 não é só o nosso reencontro com aqueles brinquedos que nos encantaram há 15 anos atrás. Toy Story 3 é o reencontro com uma parte de nós que pensávamos que já estava muito bem, obrigada. O reencontro com a criança escondida lá dentro de nós, espremida pela imposição da vida adulta, e que cresceu, sem saber muito bem como ou quando isso tudo foi acontecer. Ah, e claro, que Toy Story 3 também é o reencontro do próprio Andy com os leais companheiros teoricamente inanimados. Mais do que nunca, #somosTodosAndy, afinal de contas.

O filme já começa matador com a sequência do crescimento do dono de Woody e nos deixa com uma sensação imensa de culpa por termos abandonado nossos brinquedos no baú por tanto tempo, sem nem dar satisfação. 

E mesmo com um desenvolvimento eletrizante, o final, com a derradeira despedida – mas não sem uma última aventura - volta com tudo para aniquilar de vez nosso coração, que já tinha esquecido como era não ser criança durante a projeção, para nos lembrar que a vida lá fora continua e nos espera e mesmo que seja difícil, uma hora isso ia acontecer. 

Porque a gente tem essa ilusão de achar que consegue enganar o tempo e não percebe direito as mudanças que aconteceram até que uma das grandes nos encara de frente e não deixa escolha senão seguir em frente. E a hora do adeus dói. Crescer dói. E perceber que a infância acabou pelos olhos de um brinquedo pode ser ainda mais doloroso do que se dar conta disso sozinho.

E daí que esses dias o Google anunciou que vai descontinuar o serviço do Orkut até 30 de Setembro (mais conhecido como HOJE). A rede social, que já vinha cambaleando nos últimos anos, fechará suas portas de vez e não dará mais donuts para ninguém. E mesmo quem tripudiou em cima do bichinho depois de ter migrado para outros sites mais descolados, ficou com dó na consciência e cheio de nostalgia agora que o site vai acabar. O Twitter, que tem uma tag só para relembrar coisas antigas, nunca viu tanta poeira em sua linha do tempo. Isso porque, com a notícia, muita gente resolveu entrar no há muito abandonado perfil para salvar as coisas mais legais e dar aquele último adeus, tal qual o Andy, de Toy Story 3.


Eu, particularmente, sempre fui #TeamOrkut, mesmo depois de abrir conta nas outras redes da moda. E quando o pessoal ironizava “Volta pro Orkut!” (aliás, Deus tá vendo vocês falando que vão ficar com saudade agora, hein!), eu queria mais é que todo mundo voltasse mesmo, porque o Orkut era o melhor “site de relacionamentos” (rs!) disparado.

Criado em 2004, o Orkut foi a 1ª rede social de verdadeira expressividade no Brasil (talvez até no mundo). Mais do que isso, o Orkut foi a porta para a inclusão digital do brasileiro. Numa época em que nem todo mundo tinha computador, e quem tinha internet era daquela discada que fazia barulhinho para conectar, muita gente ia para a lan house (lan house!) para acessar e dar aquela atualizada no perfil. O nome do turco virou música de corno e tema de funk proibidão. E o site provou que a vida virtual não é uma realidade alternativa, mas apenas uma extensão do mundo real.

Posso dizer com orgulho que sou praticamente pioneira da rede. Entrei meio a contra-gosto, sim. Meu pai estava enchendo o saco pra ver qual era a desse negócio e descolou um convite (sim, convite, amigos), com um colega de trabalho. Mas não demorou para eu me apaixonar por aquele site azul que demorava para carregar e quase sempre dava erro.

Porque o Orkut era uma estrutura com milhares de fóruns - as tais comunidades (mais sobre elas depois - e eu sou forunzeira de carteirinha!!!!!!!!! O Orkut tinha os fóruns mais legais, uma boa organização para trocar idéias, promover debates, conhecer pessoas por afinidade... Pra discutir livros, filmes e séries, então? (Pra baixar também, diga-se de passagem!) Era a melhor coisa que tinha!!!!!!

Participei ativamente da comu do Diário, virei moderadora, conheci a Paula (gente, fiquei sabendo do resultado do concurso da Meg, via Orkut, pela Paula!!!!), conheci outras pessoas legais via Comunidade, criei comunidades também (Ana Banana), passei tardes e mais tardes rindo das comus mais absurdas (seria bobagem tentar listar todas aqui)... 

Tinham as nossas comus também, onde estão guardadas nossas lembranças de adolescência (Elisa’s Club foreveeeeerr, Info Geração Eterna e as outras que eu ri demais quando voltei esses dias – Mateus, você está impossível, A fatídica piada da Cinderella, Eu tenho medo da escada da Li – para todos os que tem medo da escada aqui de casa que balança, mas não cai)... Tinha aquela com a receita do brownie da Jami que a gente sempre acessava quando queria fazer o bolo porque ninguém tomava vergonha na cara pra anotar a receita (E agora como vamos fazer brownie???).

E os fakes? Minha amiga tinha um fake da Andy (Diabo Veste Prada) e, cara, ela VIVEU a vida fake como ninguém. Está desolada com o fim do Orkut. Ela fez muitos amigos de verdade no fake, por mais irônico que isso possa parecer. 

Antes da Andy a gente fez um fake do Raffaello (o ex-detento e ex-namorado da Anne, agora. Mas a gente fez antes dele ser preso.) Cara, só a gente!!!! O perfil dele era muito bom. Me lembro até hoje da gente no telefone criando as coisas. Tipo: “Livros: Como enriquecer rápido. Programa de TV: O Aprendiz.”. Mas o melhor era a senha. BUFUNFA!!!!! Me estrago de rir só de lembrar.

Encontrei um amigo de infância por causa do Orkut! Acompanhei a vinda da Anne no Brasil também via Orkut (já na época do seu declínio, mas nessa época é que as comunidades ficaram boas para debate, com bem menos Spams)!

E as histórias? Tinha uma menina que brigava que tinha visto o Michael na webcam (Senhor!), e uma menina que dizia que era amiga da Anne e, o pior, a gente acreditava!!!!! Ficávamos horas no telefone discutindo esse tipo de coisa, pra você ver.

Mas nada dá tanto aperto no coração quanto ler os depoimentos. Muito S2 pros depoimentos.

Com tanta coisa legal, é realmente de ser admirar como um site tão maneiro foi cair no esquecimento. Já há algum tempo, não passava de um parque de diversões abandonado. Uma cidade fantasma que só faltava aquela bola de feno passando de tão desabitada. Mas o negócio é que, por melhor que fosse, o código do Orkut era um código “velho”, pouco dinâmico, que não conseguiu sobreviver à era do mobile.

A bem da verdade é que o Orkut sempre foi um site bugado. Quem não se lembra do famoso “Bad, bad server. No donut for you?”. Ou dos inúmeros spams que dominavam páginas de scraps e comunidades? Parece difícil de acreditar, mas o Orkut foi beta por quase toda a sua existência.

O Orkut era uma coisa, um lugar, e, mais do que nunca, agora é uma lembrança. Um retrato virtual de toda uma geração, ali parado no tempo.


Mas não são só as fotos (até porque os álbuns, no comecinho mesmo só podiam ter 12 fotos – o que levou muita gente a criar um Flogão. Ai, Senhor, Flogão! Isso eles não apagam, rs! Engraçado que do Flogão ninguém tem saudade, né?), são as NOSSAS memórias. Quem o Google pensa que é para decidir jogá-las fora assim, sem perguntar o que a gente acha?  (Diz ele que vai manter um arquivo no futuro. Estudo psicológico com propósitos obscuros? Registro histórico? Só o tempo dirá!)

O Orkut estava presente em nosso cotidiano e seu auge coincide com os anos dourados de muita gente. Éramos felizes. E sabíamos. Daí a nostalgia ainda maior.

Acho que vale a pena revirar e se divertir em nosso baú virtual pela última vez. Nossos brinquedos estão para a infância, assim como o Orkut está para a adolescência. E dizer adeus é sempre uma tarefa inglória.

Talvez a culpa seja nossa, porque paramos de acessar. Talvez a culpa seja do próprio site, que não conseguiu acompanhar velocidade dos dedos nervosos de seus usuários agora também no celular. Talvez não seja culpa de ninguém e sim, do tempo, que muda tudo sem pedir permissão.

Em Toy Story 3, o Andy tem dificuldade de dar o passo adiante. De deixar pra trás. E, antes de dar adeus, faz questão de vivenciar a última aventura com aqueles bonecos. Então, convido a todos a vivenciar uma última aventura no brinquedo de tela azul que nos fez tão feliz na última década.

O fim do Orkut veio nos lembrar que crescemos. E que não é só o Google que não nos dá opção de escolha. Pra falar a verdade, a vida também não.

Peraí, mãe, tô fazendo backup do Orkut!
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Dever Cumprido

No outro post, descrevi um pouco o misto de sentimentos que ficaram guardados aqui dentro durante os últimos anos (o último ano principalmente). E pode ter parecido que foi tudo muito ruim. Mas não foi.

O que acontece é que em auditoria as coisas são todas muito superlativas (tão superlativas que até o superlativo é superlativo, rs!). As coisas boas são MUITO boas. E as coisas ruins são MUITO ruins. 

Cresce-se muito rápido (tanto profissional, quanto pessoalmente), e as promoções são constantes, e você aprende muita coisa, em muito pouco tempo. Você tem a oportunidade de ver como as coisas funcionam em diversos tipos de negócio e te dá uma visão muito mais ampla das operações. Enfim, é uma experiência que abre a cabeça total. Pra quem quer aprender, é a melhor coisa que tem.

Mas ao mesmo tempo em que te dá o mundo, também te tira em igual proporção. Coisas simples como saber onde você vai estar na próxima semana ou se você vai poder marcar uma viagem no feriado, e algumas noites de sono. Fora as outras coisas que eu já comentei no outro texto.

A decisão do que pesa mais varia de pessoa para pessoa e do momento de cada um. E é preciso respeitar a decisão tanto de quem sai, quanto de quem fica. Não existe caminho certo ou errado. E cada um sabe o que é melhor para si.

A bem da verdade eu acho até que fiquei tempo demais. Não imaginei que fosse agüentar tanto.

E fiquei porque, apesar de tudo, fui MUITO FELIZ.

De uma certa maneira, todo esse tempo que passei lá, muito se assemelha a minha trajetória no Cefet. Foram muitos perrengues, muita injustiça, muito esforço, mas também muito aprendizado, crescimento e amizades que vão ficar pra sempre no coração.

As pessoas que encontrei lá, aliás, foram uma grata surpresa. Graças a Deus só trabalhei com gente legal em todo esse tempo. Gente unida, engraçada, bacana e leal que fez os momentos difíceis suportáveis. Acho até que as adversidades forçam a gente a ser mais colaborativo, e não dão espaço para que surjam picuinhas sem sentido. Porque a gente tinha mais o que fazer do que se preocupar com essas bobagens. E ficava tão ferrado que a única saída era se ajudar e rir de si mesmos.

Tinha dias que eu não via meus pais e minha irmã, mas tinha passado o dia todo com eles. E aí acaba que essas pessoas se tornam um pouco a nossa família mesmo. (O que é engraçado porque, de brincadeira, a gente se trata tudo por “parentesco”. É “mãe” pra cá, “pai” pra lá, “tia” pra um lado, “irmã” pro outro...)

Acho que um dos segredos para as coisas darem certo nesse ramo está na própria contabilidade. Não na contagem, nos números em si. Mas em ter “com quem contar”. E graças a Deus, sempre tive gente em quem confiei, em quem me espelhei, gente para quem olhava e dizia: "Quando eu crescer, quero ser igual a você".

E quando pensei que estava sozinha, descobri que, na verdade, tinha muita gente cuidando de mim o tempo todo. Não tinha colegas de trabalho. Tinha "anjos da guarda". Não tinha "chefes". Tinha "pais" e "mães" com uma preocupação tão, mas tão grande que era uma relação quase maternal mesmo.

E já na fase do filho adolescente, era uma coisa de se amar e brigar, e dar conselhos, e demorar pra assimilar que o que estão te dizendo é só porque elas querem o melhor para você. E você achar que sabe tudo, e elas acharem que sabem tudo. E no final do dia, ninguém estava totalmente certo. (Diz se não é uma relação tipicamente familiar?)

Pra alguém que por muito tempo se fechou e afastou as pessoas, no meio do caminho chegar à conclusão do tamanho do carinho que tinham por você foi especialmente emocionante.

Na hora da saída, deu até dó de deixá-las pra trás. O coração apertou todinho. Mas o trabalho vai, e as pessoas ficam. E elas são especiais demais para sair da minha vida.

(E de fato não saíram! A gente está em contato direto!)

Contando para as pessoas

Quando tomei a decisão de aceitar a proposta do novo emprego, decidi que não ia contar pra ninguém antes do exame médico. E foi difícil à beça ter que me fazer de desentendida e não comentar nada, enquanto escutava os planejamentos para os próximos meses. 

Mas, antes disso, um dia minha melhor amiga por lá (ela tão amiga que acabou virando irmã – não falei que é tudo família?) acabou descobrindo por acaso. Ela estava praticamente virada por várias noites, e sensível, por conta da pressão do fechamento e das noites mal dormidas. Era de manhãzinha, e como a gente sempre fazia, mandava um “Bom dia!” no messenger da empresa, pra dar aquela animada. Segue a conversa, que foi mais ou menos assim:

Eu: Bom dia!!!
Maninha: Bom diaaaa!!!!
Maninha: Tenho uma boa notícia pra te dar. Vou sair da empresa semana que vem.
Eu: Que coincidência! Eu tb!!!
Maninha: O quê?????
Eu: É.
Maninha: Você tá de brincadeira, né?
Eu: Não.
Maninha: Porque eu falei de brincadeira. Diz que é brincadeira.
Eu: Não é.
Maninha: COMO ASSIM???
Eu: Caramba, pensei que você estivesse falando sério.
Eu: Peraí que eu preciso te ligar.

E foi bom eu ter contado, porque foi um alívio danado ter alguém pra desabafar até o Dia D (de Demissão!).

Pra falar a verdade, tinha uma outra pessoa que eu queria ter contado antes. Tinha dias que eu vinha tentando marcar pra gente se encontrar, mas estava difícil. Quando a gente finalmente conseguiu se ver, ela meio que já sabia. Como sempre soube o que estava acontecendo comigo antes mesmo de eu falar. Mas sabia também porque nos últimos tempos muitas coisas mudaram e a gente vinha se falando cada vez mais. Então, quando eu comecei com o papo de "A gente precisa conversar", assim do nada, e só pessoalmente, só podia ser sobre uma coisa.

E foi extremamente bonitinho como, na primeira tentativa de se falar, mesmo não podendo me ver, ela fez questão de ligar no dia seguinte pra saber se estava tudo bem (“Que que tu qué? – a delicadeza na nossa relação é algo tocante, haha) e como depois, no Dia D, quando eu precisei de alguém pra desabafar, ela fez questão de dizer: “Não se preocupa comigo. Eu vou estar feliz se você estiver” (Essa daí foi tocante de verdade). Nesse dia a gente ficou conversando sério no telefone até a meia-noite. Depois foram mais duas horas no telefone com a “Maninha” (sim, fiquei no tel até as 2h da manhã). Obviamente eu estava tão pilhada nesse dia que não consegui dormir.

O Dia D

Por muito tempo pensei em meter o pé na porta e pedir as contas de qualquer jeito, sem nada em perspectiva. Mas sabia que não ia ser a coisa certa. E que não iam me deixar ir embora assim tão fácil.

E mesmo com tudo encaminhado, olha, vou te dizer que só faltaram me amarrar, rs!
Por um lado foi um saco ter que ficar o dia todo na sala do sócio me explicando porque eu não queria mais ficar (e ele era bem insistente!). Pelo outro fiquei muito lisonjeada de causar toda essa comoção com a minha saída. E por mais difícil que tenha sido convencê-los que a minha decisão estava tomada e que o que eu queria para o futuro não poderia encontrar ali, também foi muito gratificante ter saído tão de bem com todo mundo, com as portas abertas, e recebendo um carinho tão grande de gente que eu não esperava, inclusive. 

Você sabe o que é uma das diretoras da empresa te ligar e, depois de você explicar seus motivos, escutar que ela se via muito em você e que, mesmo que você não queira voltar, você ainda pode ligar pra ela se precisar de qualquer coisa, que ela te arruma uma vaga em qualquer lugar? Pois é. Acho que eu fiz algumas coisas certas nesse tempo.

A despedida

E depois que contei para as pessoas, e pedi definitivamente a conta, me senti mais leve, afinal. E resolvi que iria viver aquela semana como se fosse a última. Até porque era a última mesmo.

E me permiti muitas coisas que estavam aqui dentro, mas nunca tinha tido a oportunidade de mostrar, de fazer, de dizer. Me permiti mandar emails bregas (meu email de despedida foi ÉPICO! Entrou pra história dos emails de despedida!), dizer mais "Eu te amo" para as pessoas que gosto e o quanto elas foram importantes pra mim, abraçar mais as pessoas, agradecer todo o carinho recebido e chorar (porque chorar faz bem!) enquanto fazia isso, ir de saia (só pra dizer que eu fui porque EU QUIS!), ir de jeans no último dia (só de revolta, porque o jeans sempre foi proibido), não levar as coisas tão a sério, estampar um sorriso no rosto que há muito não aparecia, cantar alto e dançar até o chão na despedida, escrever cartas multi-páginas com coisas diferentes para pessoas que me marcaram de forma diferente...

Durante a despedida, faltaram as palavras, mas sobrou cumplicidade no olhar. Os abraços, mais fortes do que nunca, diziam tanta coisa que não era preciso dizer mais nada. Mesmo assim, fiz força para colocar para fora aquele "Te amo" há muito guardado, entalado aqui na garganta. E melhor de tudo foi ouvir de volta um "Eu também" sincero e emocionado ao pé do ouvido, que também nunca tinha tido a oportunidade de ser dito.

Uma nova pessoa

Assim como no Cefet, tenho certeza de que entrei uma pessoa, e saio outra completamente diferente. Que todas as dificuldades no final me fizeram bem. E o saldo é muito positivo. Como muita gente gosta de falar, é realmente uma grande escola. Só que chega uma hora em que a gente precisa se formar.

Assim como no Cefet, eu também era muito boa naquilo. Só que sabia que no futuro, era algo que não ia me fazer feliz. E talvez alguns tenham ficado decepcionados com a minha escolha, achado um desperdício alguém com a minha capacidade, que tinha um futuro brilhante lá, escolher outro caminho menos "meteórico".

Mas acho que desperdício mesmo é ver a vida passar diante dos seus olhos. E se eu sou tão boa assim, as coisas vão acontecer de qualquer jeito. O futuro é imprevisível, como diria o Colin, do Teorema Katherine.

(E o engraçado é que durante esse mês de agosto, estava lendo outro livro do Green, Cidades de Papel, que não é tão legal quanto Katherines, se você quer saber a minha opinião. Mas parece também que foi o livro certo na hora certa, dada a filosofia de vida da Margo de não deixar para vida no futuro, e a passagem em que o Q descreve o sentimento de liberdade que é simplesmente "ir embora".)

Ao olhar para o prédio pela última vez, a sensação foi de dever cumprido. E dentre as múltiplas sensações que experimentei durante esse tempo, essa é uma das melhores que têm.
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domingo, 21 de setembro de 2014

Mudanças

O mês é setembro e é com muita vergonha que venho aqui escrever apenas o nono post do ano. É bem verdade que este blog nunca teve postagens diárias, mas nunca na história desse país elas foram tão escassas. Mas podem ter certeza que existem justificativas mais do que plausíveis para isso. Não estou pedindo desculpas. Encarem como um desabafo. Ou como um anúncio das novidades de um amigo com quem não se fala há muito tempo. 

Como expliquei em algum post desse ano, desde meados do ano passado, minha vida tem sido uma montanha russa de emoções. Um liquidificador de sentimentos. Um turbilhão de pensamentos.

Parte deles eu já expliquei nesse post, e nesse post, então os detalhes vocês conferem por lá. Farei apenas um pequeno resumo do que aconteceu nos episódios anteriores da minha vida.

Previously on My Life

1. Minha irmã viajou pelo Ciências Sem Fronteiras pra Espanha
2. Comecei a procurar outro trabalho
3. Viajei pra visitar minha irmã no fim do ano
4. Tive uma das conversas mais impactantes da vida, com minha chefe, regada a soluços e lágrimas sem fim

Só que ainda rolou um monte de outras coisas esse ano que tomaram muito meu tempo e me desestruturaram pra caramba, fora as minhas férias... Que férias! 

Ainda esse ano eu:

1. Perdi minha (outra) chefe. (Março)
Ela não morreu. Só foi pra outra empresa. Mas sabe o baque que é saber que você não vai mais estar com uma pessoa que você gosta e admira? Chorei muito, de verdade. De um jeito que eu não chorava desde a despedida do Cefet. Pra você ver só.

2. Perdi meu principal cliente (Abril / Maio)
O meu caminho lá na empresa estava mais ou menos traçado. Eu fazia esse cliente, de que eu gostava muito, desde o início. Só que, ninguém esperava, eles não renovaram esse ano e aí eu fiquei chateada pra caramba. Acabou que no fim das contas, acho que foi para o bem. E dessa experiência, eu percebi uma coisa muito gostosa que foi que tinha alguns “anjos da guarda” que gostavam e cuidavam muito de mim. (Tem mais detalhes corporativos nessa história, mas vou poupar vocês disso tudo).

3. Comecei a academia. E parei. (Junho)
Minha amiga do trabalho me chamou e eu falei: “Por que não?”, e eu malhei durante um mês. Foi legal. Só que aí eu entrei de férias e...

4. Viajei. (Julho)
Em plena Copa do Mundo, viajei pra Madrid novamente pra re-econtrar minha irmã. Lá assistimos Brasil x Colômbia na Fan Fest madrilena cheia de colombianos e de lá partimos para Londres, de onde pensamos em assistir ao fatídico Brasil x Alemanha de um bar, mas depois do 5º gol foi impossível continuar por lá. (Eu estava de casaco no dia, e conforme os gols iam sendo sofridos o zíper só subia de tanta vergonha). Fora isso, bom, zeramos as férias. Como vocês podem conferir no meu albo do Feice. Depois disso, minha irmã voltou comigo pro Brasil.

5. Pedi demissão (Agosto)
Vocês acompanharam aqui mesmo quando eu consegui o emprego. Meu primeiro emprego. E entre um post e outro, também viram tudo o que eu passei. Já tinha tempo que estava procurando outra coisa. E por mais que não estivesse dando muito certo, sabia que o que era meu estava guardado. Porque as oportunidades aparecem para quem se prepara. E quem me conhece sabe que esse não é problema pra mim.

E, se vocês não se importam, gostaria de discorrer um pouco mais sobre isso hoje (talvez sejam necessários mais do que um post para fazer isso até). Porque foram 3 anos intensos que mudaram a minha vida e o meu jeito de eu ver o mundo. 

E daí que eu queria fazer um balanço dessa minha trajetória (porque balanço é uma coisa de que eu entendo). E se preparem, porque tem mais de um mês que eu não escrevo, então, eu tô quente, fervendo.

O balanço

Acho que um dos conflitos mais constantes dentro da minha cabeça nesses anos foi uma discussão sem fim sobre identidade. Até que ponto você pode ser você mesmo, até que ponto você deve mudar para se adaptar e ser aceito, e por fim, que tipo de pessoa eu estava me tornando e que tipo de pessoa eu queria ser.

No início não foi nada fácil. Pra alguém que só usava jeans, tênis e camiseta, camisa social, e sapatilha eram coisas de outro mundo. Era muito esquisito se olhar no espelho e não enxergar a menina de camiseta e calça jeans.

Me senti muito deslocada no começo. A sensação que tinha era de que não pertencia aquele lugar. Era tudo muito novo. Pessoas com cabeças diferentes, hábitos diferentes, gostos diferentes. E daí que eu ficava o tempo todo me policiando, media 3 ou 4 vezes as palavras, pensando no que iam pensar.

Por muito tempo também me incomodava o fato de as pessoas estarem mais interessadas em mudar a minha personalidade do que de fato entender quem eu era. E aí eu me fechei. E muitas vezes fui grossa. Porque eu tenho essa cara de menina (até porque eu sou mesmo!), e por proteção, vendi uma imagem de quieitinha talvez até um pouco mais distante da realidade do que deveria. E tem gente que confunde isso com ser otário. E se tem uma coisa que eu não sou é otária. Daí a necessidade de engrossar a voz de vez em quando.

Só que não demorou muito para descobrirem que eu era muito boa. E aí eu descobri que talvez eu pertencesse aquele lugar mais do que muita gente ali. E aí eu pude me soltar um pouco mais e me sentir em casa, afinal. Só que quando isso estava acontecendo, a cobrança aumentou e o salário nem tanto (costumo dizer que a primeira cresce em PG, e o segundo em PA), e junto com isso a pressão para mudar um pouco do que você é*. E aí eu fiquei rebelde pra caramba. E soube que estava na hora de ir embora.

(*Demorou muito pra eu entender que não era nada de mais e que ia me fazer bem no final das contas, mas até lá o dilema de identidade que me assombrava desde o começo voltou com tudo e na minha cabeça tinha toda uma guerra mental que soa até infantil de "E o que mais vocês querem, então? Será que tudo isso que eu faço não é suficiente?" e "Não vou fazer porque eles falaram, mas porque EU quero")

É difícil explicar auditoria pra quem está de fora. Só quem vive entende. Não são só os prazos apertados. É a falta de pessoal. É o sentimento de estar sozinho, às vezes. É o peso que fica sobre os ombros (e não só do computador que tem que levar pra casa). Ao contrário do que se pode pensar, esse peso não é psicológico. É físico. E é uma sensação horrível de se lidar.

Utilizando os verbos modais do inglês, o "must" tinha se tornado uma constante. Mas eu sentia falta de conjugar o verbo "can" na sua forma mais simples do presente. Só que todas as vezes que as possibilidades eram expressas de uma forma positiva, era usando o "might", que está num futuro incerto, remoto e distante.

Tenho certeza de que se continuasse lá, as possibilidades seriam infinitas e eu poderia ser muito grande. Eu só NÃO QUERIA. Porque no fim do dia, elas estavam todas no futuro. E não dava mais pra viver uma vida de promessas.

Colocando as coisas na balança, e projetando outras, a percepção do que estava por vir não era muito animadora. Quer dizer, obviamente as coisas iam dar muito certo, tendo um pouco mais de paciência. Porque em auditoria o plano de carreira é alavancado mesmo, e essas é uma das poucas certezas que se têm. (E modéstia à parte, eu estava mandando muito bem também) Mas o preço a se pagar por isso era alto demais. Minha vida, meus planos, minha paz de espírito. E esse tipo de coisa não dá nem pra parcelar, só à vista.

E o pior é que a recompensa por esse preço, permanecendo por lá, parece que não chega nunca. Ela não vem em forma de dinheiro, nem em forma de diminuição de trabalho, nem de diminuição de estresse. Só em status e conhecimento. E eu decidi que eu posso viver muito bem sem status e podia adquirir conhecimento de outras formas menos doloridas. 

Não se pode ter tudo. Sei tudo que deixei de ganhar. E tudo que deixei de perder. Escolher é renunciar. E eu escolhi viver. Viver agora. 

Não existe empresa boa. Existe a empresa que é boa para você. Estava numa empresa ótima. Só que não estava mais sendo boa pra mim.

Já não estava gostando de quem eu era. Estava me tornando uma pessoa amarga (vocês podem comprovar pelos posts do último ano. Até parei de escrever um pouco por causa disso), adiando os meus planos indeterminadamente, vivendo em função do trabalho. A gente tem que trabalhar pra viver. E eu estava vivendo pra trabalhar.

Não sei se a velocidade dos posts vai voltar ao que era antes. Porque, querendo ou não, a verdade é que eu mudei. Mudei muito. 

Já não sou mais aquela menina de jeans e camiseta que começou o blog e o usava como forma de terapia. Porque a menina cresceu, os problemas também, e uma página de Word já não estava mais sendo suficiente. Agora eu alugo o ouvido das pessoas, que é mais rápido, rs!

E também passei a dar muito mais valor ao tempo efetivamente VIVIDO, fazendo coisas legais, e não apenas relatando, comentando, debatendo, como fazia antes. Não que isso também não seja legal, só que...o mundo é tão grande! E eu quero aproveitar muito mais. Viver muito mais. Estar mais perto das pessoas que eu gosto. Fazer mais coisas diferentes.

Mudei tanto que já não tenho mais aquele medo de mudança de quando esse blog começou. Porque uma das coisas que eu aprendi nesses anos foi a conviver com a mudança constante. E mudei tanto que a vontade de mudar partiu de mim. E a cada dia que passa eu fico mais feliz de ter mudado. 

No final das contas, foi uma experiência incrível (de verdade, no próximo post eu explico melhor). Mas eu estou curtindo essa nova fase, que eu também espero que seja tão legal quanto. Obrigada!
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domingo, 20 de julho de 2014

Superficial

Esses dias estava conversando com uma menina do Sul que tinha vindo morar no Rio há alguns meses sobre as suas impressões sobre a cidade maravilhosa. Ela disse que achava a cidade muito bonita, que o trânsito daqui era caótico, mas que o sistema de transporte público era bom (ela mora na zona sul e só conhece a linha 1 do metrô), que as pessoas eram muito mais tranquilas, mas também que estava achando os cariocas muito...superficiais.

Eu e minha amiga ficamos estupefatas. Estamos acostumadas a escutar algumas impressões dos cariocas como falta de pontualidade, ou excesso de malandragem – que não dá pra negar, são verdadeiras -, mas superficialidade era a primeira vez.

A menina explicou que estava aqui já havia 3 ou 4 meses e ninguém a convidava para sair no fim de semana. Que as pessoas sempre falavam: “Vamos marcar pra fazer tal coisa”, e aquilo ficava viajando pelas ondas sonoras eternamente e ninguém nunca marcava nada. (O que também é verdade. Isso é coisa de carioca mesmo!)

Mas não quer dizer que sejamos... superficiais.

Quer dizer, amizade e, consequentemente, programas no fim de semana vem com o tempo. Talvez seja um sinal que sejamos... ressabiados. Superficiais, não.

E o tal “Vamos marcar qualquer dia desses” está tão impregnado na nossa cultura que é difícil a gente fazer algo diferente até com nossos amigos de anos, que dirá com alguém com quem trocamos meia dúzia de palavras uma vez na vida.

Se você quer saber a minha opinião, a moça que não quer amizade coisa nenhuma. Só companhia para sair. Acho que está bem claro quem são os superficiais na história, né?

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Como ia dizendo, amizade é muito mais que “chamar pra sair no fim de semana”.

Amizade é chorar junto quando o companheiro chora. É não parar de falar quando se encontra. É não precisar falar nada e entender tudo só com o olhar. É tirar foto do celular e mandar para pessoa só porque lembrou de alguma coisa que vocês tenham conversado. É estender a mão quando o amigo precisa de ajuda. É dizer que acha que ele está fazendo tudo errado. É estar presente nos momentos mais importantes da vida dele. É sentir falta quando não está.

E isso tudo demanda confiança, compreensão, cooperação, lealdade, companhia, simpatia, empatia... e por que não dizer “amor”, já que está no radical da palavra? E tudo isso a gente conquista com o tempo. Não é assim, de uma hora pra outra.

Umas pessoas demoram um pouco mais. Outras um pouco menos.

Eu particularmente estou no time das que demoram quase uma eternidade.

Não me acho a pessoa mais sociável do mundo. Não me aproximo fácil das pessoas. E não faço Amigos (com A maiúsculo) com tanta facilidade. Geralmente não sou eu quem puxa os assuntos. Deixo darem o primeiro passo sempre. E me fecho muito no início. Por medo ou por desconfiança. Acho que até afasto as pessoas, meio de propósito. Por preguiça ou falta de vontade.

E depois até me arrependo por não ter sido mais receptiva antes. E às vezes acho que não mereço a quantidade de carinho que recebo de gente a quem me dedico tão pouco. Mas a experiência me mostrou que é mais fácil deixar que me conheçam aos poucos e ir surpreendendo aos poucos do que chocar de início com todos os meus paradoxos.

Minha estratégia é não deixar que as pessoas saibam quem eu realmente sou até que seja tarde demais. (É bem verdade que essa estratégia por vezes se demonstra bem furada, porque mesmo tentando esconder o verdadeiro eu lá dentro, as pessoas descobrem mesmo assim).

Só que aí o tempo vai passando, e a gente vai se aproximando, as guardas vão baixando, e de repente a gente se fala todo dia, e tem vontade de se falar ainda mais, e quer contar as novidades do dia e não sabe mais viver sem. E de repente a gente percebe que a pessoa já faz parte da sua vida. E de repente a gente percebe que a pessoa já faz parte de você.

Em regra geral, para considerar amizade verdadeira mesmo, tem que “me aguentar” alguns anos, resistir a uma série de provas, passar por muita coisa junto. E quem já está nessa comigo há tanto tempo, já teve tempo não só de se surpreender com um monte de coisas, como também já teve oportunidade de enxergar um “eu” superfrágil nos seus piores momentos. E geralmente é aí você se dá conta do quão importante aquela pessoa é para você. E vice-versa.

Porque eu posso demorar a me apegar. Mas quando engato, sou 200% leal. Porque a vida é muito curta pra não demonstrar o quanto elas significam pra gente. Ainda mais tendo desperdiçado tanto tempo, na fase pré-operacional da amizade.

Gosto de abraçar, de beijar, de estar perto, de gargalhar escandalosamente, de zoar infinitamente, de inventar presentes legais...

E sofro muito no momento da eventual separação. Porque dói saber que aquela pessoa não vai mais estar com você. Que não vai mais tê-la por perto para desabafar ou contar aquela piada que só vocês entendem. Por mais que exista internet, e whatsapp, a gente sabe que não é a mesma coisa. Sente falta da presença física. De estar junto, de chorar no ombro, de olhar no olho, de rir sem parar.

E eu choro. Choro mesmo. Não um choro contido. Antes fosse. Mas de um soluçar, que vem de dentro da alma. Pra enxugar a saudade que já começa se formar.

Porque dói demais ter que arrancar um pedaço de você mesmo. Ou pelo menos realocá-lo em uma outra parte de uso menos frequente.

Se a ferida fosse superficial, qualquer Merthiolate sarava. Mas estar longe de amizade de verdade (ou pelo menos se acostumar com isso) é procedimento quase cirúrgico. Acho até que devia ter anestesia local.

PS. Feliz Dia do Amigo pra vocês que me aturam há tanto tempo. E, parece que não, mas já passaram por algumas boas aqui comigo. Obrigada!
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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Querer e poder

Existe um ditado muito famoso que diz que “Querer é poder”. A frase reforça que a possibilidade de alcançar nossos objetivos só depende de nossa vontade e que a determinação abre todas as portas. E ela é muito bonita.

Só não dá pra dizer que sua recíproca é verdadeira. Porque nem sempre “Poder é querer”.

Durante toda a minha vida, e especialmente nos últimos tempos, tenho escutado uma palavrinha forte e cheia de significado: “potencial.”. Chega a ser engraçado o quanto de vezes que ela tem se repetido ultimamente.

E mesmo quando não aparece claramente (“Você tem potencial”), existem variantes que querem dizer praticamente a mesma coisa. “Você leva jeito”. “Você ainda vai longe”. “Você vai ser grande”.

E isso não seria problema nenhum se o fator “Poder” embutido na palavra “Potencial”, estivesse tão distante da vontade embutida na palavra “Querer”.

Sabe quando, por mais que o mundo te diga uma coisa, você sente e sabe lá no fundo que ele não tem ideia do que está falando? Sabe quando você não se imagina desse jeito que o tal “potencial” te projeta?

Só porque você é bom em algo, não significa necessariamente que você goste. Ou pelo menos que ame a ponto de não largar nunca mais. Ou que deva trilhar o caminho que todo mundo espera.

Talvez você só seja dedicado. Ou tenha facilidade de aprender. Não necessariamente que leve jeito ou que sirva para tal atividade.

Já desperdicei meu “potencial” algumas vezes. Porque no fim do dia por mais que me dissessem que eu “podia”, eu não “queria”. E se não tem motivação, vontade para continuar, não pode, não dá.

Sei que quando fiz essas escolhas, talvez tenha decepcionado algumas pessoas que esperavam muito mais, ou que esperavam outra coisa, muito maior.

Não sou uma pessoa de muitas ambições. Acho até que, com todo esse meu “potencial” eu deveria ser. Mas eu só quero ser feliz. E, na minha opinião, essa é a maior ambição que se pode ter.

Mas posso garantir que, todas as vezes que “desperdicei” meu potencial, faturei alto na felicidade. E não me arrependi nenhum segundo.

Porque descobri outras coisas que me fazem muito mais feliz. E por isso mesmo acho que não houve desperdício nenhum.
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

A fórmula do amor - Pt 2

Pt 2

O início do meio

No episódio anterior, entendemos um pouco como John Green é cria da internet, porque demorou tanto para aterrissar (ou seria alçar voo?) no Brasil, e como é difícil encontrar livros com personagens que gostem de matemática, que dirá um em que a matemática seja assunto principal.

E quando eu procurei Katherine pela primeira vez, essa era a minha expectativa quanto ao livro. Uma história que se desenvolvesse em função (ha!) da matemática. Acontece que eu estava muito enganada. O Teorema Katherine é sim, sobre um garoto que quer descobrir a fórmula do amor. Mas, acima de tudo, é uma história sobre contar histórias.

Porque, como comentei no post anterior, escritores escrevem sobre o que conhecem. E é impossível dissociar Colin da própria personalidade de John Green, que pode até ser escritor, mas é um apaixonado pelo conhecimento, acima de tudo. Daí as curiosidades ao longo de todo o livro, as frequentes notas de rodapé e a subtrama que quando chega no final é de arrepiar. 

Embora Colin seja um gênio querendo criar um teorema matemático, sua real paixão são as palavras. O menino faz anagramas com a mesma frequência que os movimentos de sua respiração (três vivas para a tia Renata, que traduziu esse livro dificílimo) e fala 10 idiomas fluentemente.

Mas é na personagem de Lindsey que John Green entrega sem nem disfarçar sobre o que realmente importa e dá uma verdadeira aula de narrativas. A menina do interior ensina a Colin o be-a-bá da contação de histórias e fala com todas as letras todos os elementos que uma boa deve ter. Além disso, a própria estrutura do livro, com flashbacks fora de ordem dos namoros com as outras Katherines* reforça a teoria de que a matemática é só uma pequena parte disso e que a alma do livro está é nas palavras.
* A busca de Colin pelo que deu errado em seus namoros anteriores faz de Teorema Katherine uma espécie de Alta Fidelidade para adolescentes, e com matemática, ao invés de música. 

E é uma satisfação enorme quando no final, as duas tramas (a dos números e a das letras) acabam por se completar, e Colin entende o sentido das duas e a solução de seus problemas (com trocadilho, por favor).

O fim do meio

Antes de Katherine, se eu tivesse que usar uma palavra para descrever John Green, essa palavra seria... cool. E atribuía seu sucesso muito mais à base internética que tinha conseguido montar. E isso explica sim o imenso fascínio que ele tem junto ao público adolescente.

Mas é a sua sensibilidade latente que faz com que seus livros também sejam tão bem aceitos junto ao pessoal que já passou dessa faixa etária há algum (ou há muito) tempo. Uma vez vi um vídeo do próprio dizendo que não escrevia “PARA adolescentes inteligentes”, mas “SOBRE adolescentes inteligentes”. Talvez aí esteja o seu segredo também.

John Green foge dos arquétipos tão comuns do universo high school e enxerga as pessoas por trás dos óculos ou dos pom-pons das líderes de torcida, tornando a identificação universal. Ele entende como poucos as angústias da idade, e as desenvolve sem melindres, ou nenhum tipo de condescendência, como bem fazia um certo John que fez muito sucesso na década de 80. Um tal de John Hughes.


E já que falamos de filmes, Teorema Katherine daria um ótimo longa-metragem (acho que já compraram os direitos do livro, até). A história tem uma estrutura que lembra os road movies, com os dois amigos saindo de casa em busca do desconhecido, e voltando com uma inesperada experiência de auto-conhecimento depois da estadia na pequena cidade do interior.

Seus personagens são adoráveis e cada um enfrenta seus próprios dilemas ao longo do livro. O senso de humor de Hassan é incrível e o gordinho é exatamente aquele melhor amigo que todo mundo precisa (que está lá nos momentos mais difíceis, mas não deixa de falar as verdades quando necessário). Lindsey, por sua vez, sofre com o dilema de não querer ser mais do que pode, além de querer ser aquilo que não é. E o Colin, por mais irritante que fosse por muitas vezes, era extremamente parecido...comigo. Não a parte de ser prodígio, mas praticamente todo o resto. A cobrança excessiva, a fome de conhecimento, o medo de errar, a dificuldade em se comunicar, a capacidade de fazer mil associações por minuto...

Mas, se tem uma angústia que aproxima os três protagonistas é a dificuldade em descobrir não a si mesmo, como também o seu lugar no mundo. Preocupação essa que talvez seja a maior na cabeça de 10 entre 10 adolescentes. E que volta e meia ainda rodeia nossa mente, mesmo depois de passados os anos terminados em "teen".

O fim

Ao longo do livro, em meio a fragmentos dos antigos namoros de Colin, Lindsey mostra ao menino prodígio a fórmula para contar uma boa história. Início, Meio, Fim, Romance, Aventura, Suspense e uma Lição no Final.

E vou te dizer: QUE FINAL!

John Green junta todas as subtramas que vinha construindo até ali e nosso gênio ordena presente, passado e futuro num final catártico que coloca as entrevistas com os moradores de Gutshot, os flashbacks do próprio livro e suas próprias memória e jornada em perspectiva. Arrebentou, apenas.

Como Lindsey bem ensinou, para aqueles que estão sentindo a pressão das altas expectativas, o livro deixa uma lição legal sobre ser você mesmo e não se preocupar tanto porque O FUTURO É IMPREVISÍVEL e a sua história é você quem faz.

Parafraseando outra personagem que gosta de matemática: 
O limite não existe.

Como eu disse, esse não é um livro sobre matemática. É sobre contar histórias. E Katherines é uma das boas. Dessas que nenhuma fórmula consegue descrever.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014

A fórmula do amor - Pt 1

Pt 1 – O início

Muito antes de ficar hiper-super-ultra-mega-blaster-famoso por A Culpa é das Estrelas, eu já era fã do John Green. Não, nunca tinha nem lido nada dele, pecado esse que só fui reparar recentemente com Katherine. Mas apaixonei-me por sua persona praticamente à primeira vista. Acho que o ano era 2008 (ou seria 2009?), as pessoas ainda usavam MSN, o Orkut ainda bombava, o Twitter não existia, e nossas vidas ainda não tinham sido dominadas pelo smartphone. Foi nessa época que eu descobri John Green, totalmente por acaso.

Num tempo em que podia me dar ao luxo de fuçar a internet até enjoar, um dia eu estava no teenreads olhando a lista dos livros recomendados e Katherines me chamou atenção pela capa cheia de símbolos matemáticos e sua sinopse que prometia:

Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

Quer dizer, um livro sobre um garoto que quer encontrar a tão famosa fórmula do amor do Leoni tinha que ser legal. E mesmo se não fosse, pelo menos seria uma experiência diferente nesse mar de histórias sobre escritores. Porque se escritores escrevem sobre o que conhecem, nada mais justo que eles criem personagens jornalistas, romancistas, roteiristas, etc. Só que geralmente escritores são escritores justamente porque odeiam os números. Daí é muito, muito, muito difícil você encontrar um personagem que goste de matemática.

Vamos + Fazer = Amor + a 2 
A verdadeira fórmula do amor também conhecida como Relação de Euler.
Quem lembra da aula dessa aula do Welerson?

Mas, enfim, voltando ao meu primeiro encontro com John Green. Daí, como eu estava com tempo livre, entrei no blog do John Green e descobri que ele era um cara muito, muito, muito legal! Tipo, ele tinha um movimento chamado Nerdfighters que mobilizava os adolescentes a serem pessoas mais legais, e um vlog junto com o irmão no qual postava vídeos bacanérrimos comentando sobre tudo (com opiniões muito inteligentes, ainda por cima), e indicava bandas de Wizard Rock, e pedia as namoradas dos fãs em casamento, e não penteava o cabelo e fazia músicas tipo I’m not Edward Cullen no auge da era crepusculete (na verdade quem fez a música foi o irmão dele, mas tudo bem. Aliás, as músicas do Hank são muuuuuuiito boas!)... Enfim, não tinha como não amar.

(Depois teve várias outras coisas legais que eles fizeram também tipo o canal pra ensinar História, e assinar todas as cópias vendidas no pré-venda de...acho que era Paper Towns, o livro, e incentivar ajudar as pessoas que mais precisam, etc)

Outra fórmula do amor

John Green ganha a vida com os livros, mas suas principais conquistas estão na vanguarda da internet. Seja fazendo vídeos, lançando tendências, interagindo com o público, discutindo ideias e... a parte mais legal: fazendo do mundo um lugar melhor.

Sabe aquele professor que é super amigo da turma e faz coisas diferentes toda aula e todo mundo quer assistir a aula dele? Acho que é mais ou menos esse o sentimento entre John Green e seu público.


Acontece que, mesmo o cara fazendo um sucesso estrondoso lá fora, demorou muito para as editoras brasileiras acordarem e trazerem suas obras para cá. (Meu palpite é que A Culpa é da Saga Crepúsculo, como tudo de ruim que aconteceu no mercado literário na época. Ah, sim. Isso e as famigeradas parcerias). Só no final de 2010 é que a Martins Fontes foi lançar Looking for Alaska sob o título de Quem é você, Alasca?, cheia de medo de não dar certo.

Embora tenha sido o livro mais premiado do escritor, talvez realmente não tenha sido a melhor opção para apresentá-lo ao público brasileiro (tanto é que a temática sombria – e digo “sombria”, como característica de alma, e não aludindo ao gênero do terror – não me atraiu também), e então só em 2013 uma editoria tupiniquim voltou a acreditar no autor e a Intrínseca lançou A Culpa é das Estrelas (ACEDE, pros íntimos), com toda a pompa e circunstância que John Green merece.

E aí a internet EXPLODIU! A nerdfighteria fez a sua parte e promoveu John Green até ele ficar umas 10 semanas em primeiro lugar nos mais vendidos, desbancando 50 tons de Cinza e recuperando a fé na humanidade.


Só que A Culpa é das Estrelas também não era o livro que eu queria ler do John Green. Meu coração pertencia à Katherine (que por sinal, é o nome da esposa do Hank, irmão do John). E agora que o autor estava dominando a lista dos bestsellers, foi questão de tempo até eu encontrá-la nas nossas prateleiras para fazer reparação histórica na minha linha do tempo literária. E se você já leu Katherine, sabe que o que eu acabei de falar tem tudo a ver com livro.
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