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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UPP: Maroon bombom

O Maroon 5 é um dos poucos artistas que freqüentam o meu player que, se alguém perguntar “O que você está ouvindo?”, eu não preciso ficar explicando quem é ou as pessoas não acham o meu gosto musical duvidoso. Ao contrário, eu ainda pareço muito descolada!


Com músicas para cantar de olho fechado, músicas para cantar mexendo os ombrinhos e principalmente músicas para cantar junto o dia todo, obviamente, os rapazes dispensam apresentações, mas ainda assim acho que vale um UPP com alguns fatos curiosos.

Em 1995, Adam, Jesse, Mick e Ryan, ainda cheios de espinhas, formaram a Kara’s Flower. (E sim, eram só 4 integrantes!). Os moleques gravaram um CD, apareceram um episódio de Dawson’s Creek e tudo (eu queria colocar o link, mas tiraram o vídeo do YouTube, enfim) mas... as vendas fracassaram e o Kara’s Flower se despedaçou e resolveu ir pra faculdade.


Pelas paredes dos corredores do alojamento, Adam e Jesse começaram a ouvir um som diferente, com um pouco mais de swingue (no sentido de gingado, não daquele negócio de troca de casais) e o Adam disse “Eu quero fazer isso! Eu quero ser Stevie Wonder (com exceção da parte da cegueira)!”. O Jesse começou a tocar teclado, os outros dois caras voltaram, a gravadora apresentou a eles James Valentine, o quinto elemento que ficaria responsável pelas guitarras, deixando o Adam livre para sensualizar bastante com o microfone (interprete como quiser, mas, por favor, deixe “microfone” no sentido literal), e pum, agora eles eram o Maroon 5.

Apesar de geralmente fazerem mistério para explicar o porquê do nome da banda, algumas vezes eles dão mole e deixam escapar que na verdade o nome é uma homenagem à diva brasileira Alcione, a Marrom. 

Simplesmente Marrom

Brincadeira, claro que não é isso. Mas eu tenho pra mim que deve ser alguma coisa relacionada com a cor mesmo.

O novo nome viria para ratificar também o surgimento de uma nova banda, já que agora eles não eram mais os adolescentes espinhentos e revoltados do Kara’s Flower, mas sim um grupo que fazia uma mistura do som branco do pop-rock com o negro do soul, funk e R&B. O resultado dessa aquarela é Maroon, essa cor-de-burro-quando-foge aí da capa do SAJ.

Marron bombom, Marron bombom! Nossa cor marron!

Songs About Jane
A Jane do título é a mina que deu “goodbye” pro Adam em praticamente todas as faixas do álbum. Em algumas delas, ainda é possível encontrar momentos de felicidade do ex-casal, mas, ao todo, 6 das 12 músicas contém “goodbye” na letra. 

Apesar de seu lançamento em 2002, o álbum só veio a estourar mesmo 2 anos depois, com Harder to Breathe e o sucesso absoluto de This Love, que lhes renderia o Grammy de Melhor Revelação em 2005.

Songs About Jane é a combinação perfeita de um monte de coisas que resulta num pop grudento sem deixar de ser autêntico, diferente e original. Quando ouvi This Love pela primeira vez, ainda sem saber que era o Maroon 5 ou Adam Levine* (pra falar a verdade eu nem acho o Adam essa Coca Cola toda), pensei: “Que delícia de música! Diferente! Boa demais!”.
* Mas acho o máximo como eles têm fãs femininas que gritam e choram quando perante o Adam, como também possuem fãs homens que gostam dos caras por causa do som e nem ligam para histeria.

Em um cenário musical dominado por um sem fim de hip hop, This Love era mais do que uma boa música. Era a esperança de que o pop-rock ainda vivia! (Daí também o grande desapontamento de muitos com a parceria “rapzada” em Payphone)

E o resto do álbum não fica atrás com canções que estão na boca do povo até hoje, porque tanto suas letras quanto melodias conseguem cativar, seduzir e traduzir os sentimentos de seus ouvintes de um jeito que vence as barreiras do tempo.

Harder to Breathe, uma das últimas a serem compostas, nasceu da raiva do grupo para com a gravadora, a qual pressionava para que fizessem mais músicas (daí se explicam os versos furiosos de “You'll understand what I mean when I say/There's no way we're gonna give up”), e é a primeira do CD, seguida pelo megahit This Love, com seu refrão chiclete e a guitarra deliciosa de James Valentine.

(O clipe de This Love, aliás, na época foi censurado. Coisa que iria se repetir ao longo de toda a trajetória da banda, com canções e clipes com teor sexual e Adam, claro, seminu, sempre pegando geral. Geralmente são censurados porque eles são “muito bad boys” e não conseguem fazer as coisas com classificação livre.)

Shiver e Tangled são mornas e Secret demora a começar, embora conquiste no pré-refrão. She Will Be Loved é clássica balada pra cantar agarradinho e não pode faltar no repertório de qualquer show. Já Must Get Out tem a historinha mais completa do CD, com refrão bem grudento e é uma das melhores do disco. Uma pena ter sido mal-aproveitada na divulgação.

Os primeiros versos de Sunday Morning sugerem uma manhã de domingo chuvosa, mas a canção em si é tão ensolarada que dá vontade de ser feliz e pegar a estrada no domingo só pra encontrar com ela. Casamento perfeito entre letra e melodia, é a minha preferida do disco.


The Sun é lado B de respeito com versos emblemáticos como “And sometimes it's a sad song” e “Hate to love and love to hate her/Like a broken record player/Back and forth and here and gone/And on and on and on and on”(minha parte preferida), sem contar o próprio refrão “And mama I've been cryin'/Cause things ain't how they used to be/She said the battle is almost won/And we're only several miles from the sun”, que servem como trilha sonora perfeita para embalar uma tarde deprê.

Through With you e Not Coming Home têm introduções parecidas, guitarras potentes e a mesma revolta de quem tomou um pé na bunda, mas agora quer mostrar que está por cima. A última inclusive tira onda em versos como “And does it make you mad/To find that I have grown/I'll bet it hurts so bad/To see the strength that I have shown”.

O álbum se despede como quem não quisesse se dizer adeus com Sweetest Goodbye, que prolonga o solo de guitarra e parece brincar com o romantismo exacerbado em “Outstretched arms open hearts/And if it never ends then when do we start?” (minha parte preferida).

Diferente, mas com algo que faz parecer que já se conhecia há muito tempo, Songs About Jane tem a sensualidade à flor da pele e chororô na medida certa com canções que se completam e se auto-referenciam o tempo todo* (o fim de This Love traz versos de She Will Be Loved em fade out, Sweetest GoodBye evoca o avião tomado pela ex em This Love). Ouvindo o disco atentamente é possível montar um story board com toda a história daquele relacionamento que não deu certo. 
* O clipe de Sunday Morning começa com This Love num karaokê, aliás.

A Jane pode até ter dado adeus ao Adam, mas felizmente, graças a ela, o Maroon 5 deu Olá para o mundo.

Quem ri por último ri melhor

Curiosidade Inútil
Aí outro dia eu estava lendo uma resenha sobre o Songs About Jane Edição de Aniversário de 10 anos e descobri que os backing vocals de Tangled, Secret e Not Coming Home contam com a participação de Rashida Jones muito antes de sonhar entrar pro elenco de Parks and Recreation (se você não assiste Parks – eu também não vejo, relaxa -, ela é a diretora da TV que dá uma chance aos Muppets no último filme dos fantoches). Anos depois, a cantriz ainda voltaria a dar o ar de sua graça nos bastidores do Maroon 5, em Kiwi do disco subseqüente dos garotos.

Faixas bônus
Rapando o tacho, e espalhadas pela internet, ainda tem uma meia dúzia de músicas sobre a tal Jane que não entraram no disco (Deus, o Adam realmente demorou muito pra superar isso!). Take What You Want tenta entender o que aconteceu com os dois (“Is it me? Is it you? Is it something I forgot to do?” - Eu tenho pra mim que o Adam esquecia a toalha molhada em cima da cama.) e Rag Doll, que dá o papo reto e expulsa a menina de casa sem dó quando ela tenta voltar (“I think you should just go away cause/There's no necessity for you to stay (...)A heart made for a lot of sorrow/No you can't come back tomorrow/Shut my windows, lock my doors'/Cause my heart won't be your rag doll anymore”). No mais tem Woman, que entrou pra trilha do Homem Aranha 2, Wasted Years na versão verdadeira e ao vivo, a fofolky Good at Being Gone e mais um sem fim de músicas não lançadas que você encontra na internet se começar a procurar mesmo.


Aí eles rodaram o mundo, ganharam Grammy, o Adam fez um monte de tatuagens, o Ryan não agüentou o ritmo e pediu pra sair porque estava ficando doente, o Matt o substituiu e 5 anos (!!!!) depois de SAJ, em 2007, lançaram seu segundo álbum It Won’t Be Soon Before Long (o nome provavelmente fazendo alusão ao tempo em que ficaram sem gravar).

It Won’t Be Soon Before Long
Em seu segundo álbum, a banda traz letras ainda mais explícitas e um som mais uniforme e coeso do que no disco de estreia. Algumas músicas trazem a sensualidade para pista de dança de um jeito vintage com a ajuda de sintetizadores e em alguns momentos a banda faz homenagem a The Police, e emula o melhor do pop de Prince e Michael Jackson.

If I Never See Your Face Again abre o disco com Adam, supersexy, assumindo de vez o lado cafajeste. Mais tarde a faixa ganharia a “colaboração” da testuda Rihanna, que também apareceu no videoclipe, para ver se ajudava os meninos nas paradas (o arranjo da versão da Rihanna é horroroso! Deus me livre!). 

Na mesma linha da cafajestagem, o disco continua com Makes me Wonder, que foi o primeiro single e possui mensagem para George Bush por trás dos versos “Give me something to believe in/Causa I don’t believe in you anymore”. A música garantiu o 3º Grammy dos garotos e levou-os à posição #1 da Billboard pela primeira vez. Na época, foi a canção com o maior salto da história da parada.

Completando a trinca inicial, Little of your Time é dançante e cool, com vibe Outkast e merecia mais destaque na divulgação do disco.

Wake Up Call é literalmente um caso de amor bandido. A canção traz o relato de um cara que pega o Ricardão em flagrante e não pensa duas vezes antes de acabar com a vida do sujeito. É a música com a letra mais legal da banda até hoje com versos que alternam entre a frustração (Don't you care about me anymore?/Don't care about me?/I don't think so!), a raiva (And it's not my fault/Cause you both deserve) e a ironia (I'm so sorry darling/Did I do the wrong thing?/Oh, what was I thinking?/Is his heart still beating?) sem demonstrar nenhum arrependimento (Six foot tall/Came without a warning/So I had to shoot him dead!/He won't come around here anymore/Come around here?/ I don't feel so bad).

Won’t Go Home Without You é a baladinha dor-de-cotovelo mais chiclete do disco e homenageia acordes de Every Breath You Take do The Police.

A boa Nothing Lasts Forever é resultado da reciclagem de um refrão tirado de uma parceria de Adam com Kanye West, e Goodnight Goodnight tem melodia gostosa com letra que também fica na cabeça sem fazer esforço.

Not Falling Apart e Better That We Break completam o time das músicas lentas do lado B, enquanto Can’t Stop ataca de rock revoltadinho com letra digna de “homi safado”. Já Kiwi tem som potente e coeso, com solos encorpados de guitarra, e de longe a letra mais sexual de todas.

Back at you Door fecha o disco com chave de ouro com a banda em sua melhor forma e é uma das melhores do disco. Alguns fãs conspiram que a música é uma continuação de She Will Be Loved justamente pelo verso “Every time I wind up back at your door” lembrar o “I drove for miles and miles/And wound up at your door” do hit de Songs About Jane. Difícil dizer se gosto mais da melodia deliciosa ou da letra que atravessa a alma em versos como “Why do you do this to me?/You penetrate right through me” e “You're my reason for living/And there's no way I'm giving up, oh”. Se Adam queria ser Stevie Wonder, na minha opinião, é nessa faixa em que ele chega mais próximo disso.

A gente não corta o cabelo, mas usa terno de veludo

Faixas Bônus
Não satisfeitos em fazer um CD bacanudo e descolado desses, os garotos ainda soltaram faixas-bônus de presente pelas diferentes versões que o álbum ganhou pelo mundo. Ao todo são 7 músicas pra completar o seu CD “made in home” de 80 minutos (atire a primeira pedra quem nunca completou o resto do CD com outras músicas nada a ver, só pra não desperdiçar os minutos ainda disponíveis para gravação).

Infatuation consegue ser ainda mais cativante que Back at your Door. Infatuation é dessas músicas que nascem perfeitas e que “se melhorar, estraga”. Difícil dizer o que é melhor na canção. Seu gingado inerente, o jeito como os instrumentos soam complementares, o falsete do Adam, o teclado do Jesse, ou a sofisticação da guitarra do James. Letra e música se unem de forma quase mágica numa combinação que é impossível não se apaixonar de tanto amor que é essa canção. E é claro que quem ama quer ficar junto o tempo todo e dá vontade de colocar no repeat do seu player ad-sem-causar-nauseaum. 

Figure It Out, Until You're Over Me e Miss You Love You também mostram o lado cafa de Adam e têm toda a pinta de faixas bônus. Já Losing My Mind, Story e The Way I Was trazem consigo a aflição de um coração partido, com letras bacanas, e poderiam facilmente integrar o time das canções titulares do disco. Essa última então tem versos mais do que inspirados como “But I have no concept of consequence/And I'm a master of self defence/Days get longer/Life gets shorter”, que atacam de aliteração e antítese na mesma estrofe, mostrando que eles não brincam em serviço e sabem fazer mais do que o feijão com o arroz quando querem.


Aí eles rodaram o mundo mais uma vez, vieram no Brasil, eu fui ver, apareceram em CSI (e você aí achando que o Justin Bieber estava na vanguarda!), o Adam fez mais tatuagens, o Mick cortou o cabelo, eles chamaram o produtor do AD/CD e lançaram Hands All Over.

Hands All Over
Hands All Over é o disco mais burocrático do grupo, com canções que em muito lembram antigos sucessos da banda. Mas nem por isso deixa de ser um bom álbum.

Misery é prima-pobre de This Love (tão pobre que em seu refrão entoa: “Eu estou na miséria”, rs!) e traz a historinha do ex-namorado chato que não larga do pé. Já Never Gonna Leave This Bed é parente Won’t Go Home Without You, com Adam pagando de romântico no meio da noite (seu clipe, aliás, é "inspirado na casa de vidro do BBB"). Hands All Over dá nome ao álbum e entoa a já esperada cafajestagem disfarçada de dor-de-corno de Adam Levine em versos como “Love is a game, you say/Play me and put me away” acompanhados das guitarras afiadas que lembram Songs About Jane.

How ocupa o lugar da balada melosa de dor de cotovelo que já foi de Goodnight, Goodnight e Runaway o da música lenta do lado B que tem bom refrão mas não força suficiente para encarar as rádios.

Talvez elas não tenham o mesmo frescor que suas antecessoras, mas inegavelmente é o Marron 5 fazendo seu pop de alto nível, até no piloto automático.

Give a Little More é boa, mas nunca devia ter sido escolhida como single. Embora exale a sensualidade típica do Maroon 5, a música também tem um tom “soturno” que não combina com o pop alegre e dominante das FMs e infelizmente lhe falta um refrão que dê vontade de ouvir de novo.

O resto do disco é mais despretensioso e traz boas surpresas mesmo sem inovar de fato.

Stutter tem alto teor adolescente com Adam gaguejando quando perto do amor platônico e nasceu para ser cantada ao vivo, com direito ao recurso da auto-completagem pelo público na hora do “Stutter”. A música é ótima, com bom refrão, permanece na cabeça desde o seu início (I really, I really, I really need to know) e essa, sim, podia ser mais aproveitada nas rádios.

Don’t Know Nothing e Get Back in My Life também são divertidas e coesas com a marca mezzo-dançante-mezzo-karaokê da banda e backing vocals que fazem “uuuh” na hora certa.

Já I Can’t Lie e Just a Feeling são Maroon 5 em sua melhor forma, abusando do pop-com-R&B. A primeira tem letra e melodia deliciosas que lá no fundo carregam influências de Sunday Morning a Jackson 5. Já a segunda é a melhor do disco disparada com letra bonita, boa produção e uma interpretação inspirada de Levine que deixa a música na cabeça o dia todo.

Na mesma linha de tentar aproveitar o sucesso dos outros como fizeram com a Ri-Ri, Out of Goodbyes traz o Lady Antebelum a tira-colo com seu capipop, e mantém a tradição de encerrar o disco com alguma música com “goodbye” no nome. A canção é meio meh, e tem mais Lady Antebellum do que Maroon 5, mas pelo menos não foi outra parceria com a Rihanna.

Faixa-bônus
Hands All Over só traz de presente mais 2 novas canções em sua versão Deluxe. No Curtain Call, que com um pouco mais de guitarra poderia soar como qualquer banda de garagem genérica, e Last Chance, que é bem bacaninha. Mas legal mesmo foi encontrar uma versão de If I Ain't Got You da Alicia Keys (lembranças da original tocando nos meus tempos de estagiária) e Crazy Little Thing Called Love (embora eu ainda prefira o cover do Bublé).

Aí eles lançaram o Tea Will Be Loved, o Adam entrou no The Voice, lançaram Moves Like Jagger, o Jesse pediu “um tempo” e o resultado você já sabe.

O pior é que é sério.


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sexta-feira, 13 de abril de 2012

UPP: BubléNerds, because it’s sexy

O personagem da UPP de hoje molha só dedinhos do pé no pop. O alicerce de sua carreira está mesmo é nos clássicos. Talvez o maior crooner da atualidade, Michael Bublé ficou famoso por regravar Sinatra, Cole Porter, Ray Charles, Paul Anka (sim, aquele de Gilmore Girls), etc. E continua nessa linha arrumadinha de covers antigos até hoje. O que é uma pena, porque as composições próprias do moço são muito boas e sempre as melhores dos discos.


Descendente de italianos e nascido no atual lar da Luiza, o Canadá, Michael foi o segundo artista mais vendido do ano passado, só perdendo para Adele (que, tipo, vendeu que nem água e aumentou SOZINHA a média de CDs vendidos no ano em 1%), com seu álbum de Natal. Sim, Bublé bateu com facilidade o disco natalino de seu conterrâneo Justin Bieber. Acredite se puder.

Apesar disso, Michael enfrenta muita dificuldade na hora de os americanos pronunciarem seu sobrenome Bublé. Tem sempre um desavisado que acaba se atrapalhando e chamando Michael Bubbly.

Ele cresceu escutando os discos do avô, e começou como cantor de casamentos até que o produtor David Foster (um cara que ganhou SÓ 16 Grammys em sua carreira e já trabalhou com praticamente toda a galera de sucesso dos anos 90) o descobriu, porque, na boa, ele canta MUITO. Em 2003, Michael Bublé lançou bem seu bem-sucedido disco de estréia, cujo nome era muito criativo: Michael Bublé.

Mas ele veio a alcançar o topo das paradas mesmo com Home, seu maior sucesso, e que foi tema de Solfredora em América, inclusive. Mas a Globo ama muito ele, e todo CD seu tem pelo menos duas músicas nas suas trilhas de novela. Ao todo são quase 10 músicas em tramas globais.

(Talvez isso explique porque mesmo tendo tão pouca gente que saiba quem é ele por essas bandas, o moço sempre esgote os ingressos meses antes da data do shows nos Brasil. Em 2008 eu deixei pra cima da hora e não consegui comprar, mesmo com os preços superinflacionados. E agora em 2011, mesmo comprando no primeiro dia, já tinham bastantes lugares ocupados. Aqui no Rio estava tudo vendido com mais de 2 meses de antecedência. Em São Paulo, tiveram que fazer show extra!!!)

Aí você pensa que só porque o cara canta essas músicas velhas, é um moço romântico, à moda antiga e tal. Ledo engano. Apesar da aura engomadinha, Bublé, no fundo, é um palhaço, quase um comediante stand-up. E é muito bom de entrevistas. Não perde a chance de fazer uma gracinha e tem esse sorriso bobo, como se estivesse sempre apreciando alguma piada particular.

Quando esteve no Brasil, zoou horrores no palco do Faustão, tirando muito sarro daquelas dançarinas que fazem qualquer apresentação impossível de ser levada a sério (detalhe que não há UM vídeo no Youtube em que os gringos não comentem como as dançarinas são bizonhas!). Fica a dica para conferir sua participação no SNL ao lado de Jon Hamm (ah, Jon Hamm!), fazendo uma paródia de sua própria música no restaurante Ham & Bubbly
No mesmo dia, teve a esquete do organizador de armários. Não tem o Bublé, mas é MUITO engraçada.


Uma vez perguntaram pra ele se ele gostava das meninas nerds, e ele respondeu: “Sure, because it’s sexy”. O que fez suas fãs se auto-entitularem: Bublenerds. Afinal de contas: “it’s sexy”. 
(Fica a dica também pra entrevista clássica dele falando do ursinho mais safado que ele já recebeu de uma fã.)

Apesar disso, o currículo amoroso de Bublé não faz nenhum pouco a linha nerd. Namorou a atriz de O Diabo Veste Prada Emily Blunt por 3 anos (até que ela cansou de ser enrolada e casou com o Jim de The Office), mas tomou vergonha na cara e casou com a Mia Collucci da versão argentina de Rebelde (e foi assaltado em uma das datas do casamento – deve ter sido praga da Emily Blunt). E dessa união com a atriz argentina, nasceu foi uma parceria com a musa latina Thalia no CD de Natal.

Feita essa introdução, agora uma passada pelas músicas do rapaz. Como os CDs não têm nada muito temático, nem lá muita diferença um pro outro, separei o cursinho BubleNerds for Dummies por módulos bem curtinhos. Eu prometo que é coisa rápida.

BubleNerds for Dummies

Módulo #01: Bublé By Bublé
Home – Fazer turnê no mundo todo, conhecer lugares diferentes toda semana e...ter a sensação de que você mora dentro de um aeroporto, morrendo de saudades das pessoas que a gente realmente gosta. Quem disse que vida de cantor famoso é fácil? Feita para a ex-noiva que teve antes da Emily Blunt, tema de América, e o maior sucesso do rapaz.
Everything – Feita para Emily Blunt, é uma das músicas mais legais do Bublé. O clipe também é bem bacaninha como se fosse uma audição com personagens bizarros. Meus versos preferidos são: “And I can't believe, uh that I'm your man, And I get to kiss you baby just because I can”.
Haven’t Met You Yet – A música tem uma pegada Sara Barielles, é bem animada e uma letra digna dos românticos mais inveterados que ainda não perderam as esperanças de encontrar a alma gêmea. Muito boa mesmo. O clipe dá vontade de ser feliz com toda aquela superprodução dentro do supermercado. A mulher do clipe é a tal Mia Collucci, pra quem foi feita a música. Aparentemente, eles já se conheceram, sim, né?
Hollywood – Tem gente que vende a alma pra fazer sucesso, mas será que vale a pena mesmo?  Muito boa, e com o clipe MAIS LEGAL DE TODOS!!!! Bublé fantasiado de Justin Bieber é o melhor!!!! “So don't go higher for desire, Put it in your head, Baby Hollywood is dead you can find it in yourself.
Lost e Hold on – O namoro acaba, mas fica a amizade. Baladinhas sofridas de fim de relacionamento para a ex-noiva de Home. Ele devia muito apostar mais em composições próprias!

Módulo #02: Buble à moda antiga
Wonderful Tonight – A música já era antiga, mas ganhou uma estrofe em português com participação de Ivan Lins (Ivan Lins tinha ganhado Grammy nessa época, né? O povo ficou logo de olho). Mas o ritmo de bossa justifica a presença do brasileiro.
You Don't Know Me e Dream a Little Dream of Me – A primeira traz como tema a timidez e o amor platônico. E a segunda a despedida na varanda. Só consigo imaginar pessoas com roupas dos anos 40 nessas músicas, mas se você deixar o preconceito de lado, percebe que são lindas, de verdade.
   
Módulo #03: Bublé safadeeeenho
I’m Your Man – A história dessa gravação é engraçada. A Emily Blunt gostava muito da música e pediu pra ele cantar. Ele achava muito brega, falou que não. Ela insistiu, pediu pra ele ouvir de novo, disse que achava a música sexy. Ele acabou dando uma chance, concordando com ela e colocou no CD. Mas, na boa, essa letra é nível Wando.
Me and Mrs Jones – Adequadamente escolhida para ser tema de um casal de amantes em Paraíso Tropical, o eu-lírico e a tal Mrs. Jones se encontram todo dia na mesma cafeteria, no mesmo horário, mesmo sabendo que é errado. A voz feminina em “Same place, Same time” quase no final é da Emily Blunt. (Acho que ele resolveu se vingar por I’m Your Man).
Call me irresponsible – A letra diz: “Me joga na parede, me chama de lagartixa.”. Brincadeira. Na verdade só fala pra chamar de irresponsável, inseguro, imprevisível, mas tudo isso porque, “a verdade inegável é que eu sou irresponsavelmente louco por você”.

Módulo #04: Bublé faz Dança de Salão
Sway e Save the Last Dance for Me – Se você colocar essas duas pra tocar, e ficar com a impressão de que já as escutou em algum lugar, é porque já ouviu mesmo. E não é no baile da 3ª idade da sua cidade. Save The Last Dance for Me tem a mesma introdução de Sway, e você conhece as duas porque esse instrumental é nada mais, nada menos do que a Dança do Siri.

Módulo #05: Bublé Covers inusitados
Can’t buy me love, Crazy Little Thing Called Love e Heartache Tonight – 3 covers de bandas de rock -  Beatles, Queen e Eagles - transformadas em big band.

Módulo #06: Bublé Clássicos
Cry me a River – Cláááááásssica total. A introdução toca direto nas reportagens do Globo Esporte quando tem uma partida assim, épica.
I’ve got the world on a string – A felicidade de um homem quando a mulher diz “sim” ao seu pedido de casamento. Adoro como a banda parece parabenizá-lo no começo: “Hey Michael come on & swing, Looks like you got the world on a string”.
Fever e Feeling Good – Big Band total. Sinta os metais. Sinta a potência da voz do cara. Só isso. No clipe da última, ele interpreta um espião tipo 007. Tem a ver.
That's Life – Adoro essa parte que brinca com lingual do P: “I've been a puppet, a pauper, a pirate, A poet, a pawn and a king
L.O.V.E. – Acróstico com LOVE. Outro dia descobri que cantam essa música nos Batutinhas, durante o concurso de talentos! Ganhou versão em Glee outro dia, no mesmo episódio em que interpretaram Home também. Fofa. “L is for the way you look at me, O is for the only one I See, V is Very, Very Extraordinary, and E is even more than anyone that you adore can”.

Semana que vem, o relato do BubléShow, 
Because it's awesome!
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domingo, 26 de fevereiro de 2012

UPP: Pop em dose dupla (2)

Conforme o prometido, a UPP: Pop em Dose Dupla volta com sua segunda parte, fazendo um apanhado da discografia dos irmãos apresentados no post anterior. A ideia é fazer uma espécie de guia, comentar um pouco o contexto dos discos, alguns versos preferidos e zoar um pouquinho também porque ninguém é de ferro. Ah, sim, como a fofura é uma marca registrada dos dois (não, não é o biscoito. Esse é do John Smith), a UPP aciona o ALERTA FOFURA!!! para comunidade já saber de antemão as canções que dão vontade de apertar a bochecha mais próxima.

Esta es mi vida
Em seu disco de estreia, JyJ abusam das baladas, deixam claro a influência no gospel e, acho eu, até reciclam parte do trabalho de quando tocavam na igreja.

Espacio Sideral: Quisiera ser un super héroe y protegerte contra el mal. Regalarte la Vía Lactea en un plato de cereal. Uma canção sobre ponto fraco do Superman, com algumas metáforas de comida. Fofa, e muito legal. Tem versão em inglês também (Outterspace), mantendo até as brincadeiras com o papá, mas em espanhol, é tãããão mais legal (sim, eu estou falando com você, Cíntia, rs!).

Llegaste tú: A primeira música composta pelos irmãos. Uma das canções que eu acredito ter sido composta originalmente num contexto cristão. Um dos maiores sucessos do disco. Também tem versão em inglês (And there was you).

Ya no quiero
: Essa é pra se empolgar e cantar alto. Joy arruma a clássica caixa de lembranças do ex e põe pra fora tudo o que estava engasgado até então. Ya no quiero ver tu foto en mi buró, Vete que ya te tengo olvidado en un cajón, Y todo este tiempo te he mentido, Pues tus besos no son lo mejor Ui, doeu.

Volveré
: Outra para gritar bem alto no refrão. Sobre sentir saudade de casa e voltar para o local de origem. Voooooolveré, consciente de donde estaré, tu eres mi lugar. Vooolveré, nada me dentendrá, contigo quiero estar. Tchu-chu-tchu-tchu.

Esta es mi vida: Para cantar quando estiver com raiva do mundo e quiser mandar o recado: “A vida é minha, você não nada a ver com isso”. Essa letra é toda boa. Síiiiiiii, esta és mi vida. Síiiiiiii, y así me moriré.

Também valem a pena:
Nada podrá, Dulce melodía, Mi sol, Cielo Azul: Romantismo puro, letras bacanas, metáforas com música e mais elementos do espaço sideral. Aposto que todas elas eram originalmente cristãs. A segunda e a terceira entraram na trilha da Bela, a feia


Para escutar, basta acessar.

Electricidad
Se no primeiro disco a dupla apresentava repertório praticamente acústico, desta vez, Jesse y Joy ligam os instrumentos na tomada para fazer um som mais elétrico. Quase todas as letras giram em torno dos temas: luz, estrelas, eletricidade, energia... Mas as baladinhas ainda têm seu lugar garantido no CD, e estão melhores ainda. Os irmãos parecem se divertir como nunca nesse álbum que podia ser a trilha sonora do final de Lost.

Electricidad: A canção que abre o disco e dá nome a ele, Electridad vai brincando com todas as palavras relacionadas ao tema: luz, brilho e universo. Gosto de chamá-la de Melô do Apagão. Em Luna, mi satélite de amor, luna, solo brilla para dos, a gente encara a parte da lua brilhar como argumento poético, mas só porque a Joy mostrou que foi pra escola e acertou que lua é satélite.

Adiós: Duele no tenerte cerca, duele no escuchar tu voz, duele respirar tu ausência pero, me duele más decirte adiós. Sofrida como um adeus, ela gruda na cabeça e tem ôoos dignos de música pop. Foi uma das músicas de trabalho do disco.

Chocolate
: ALERTA FOFURA!!! O ministério da saúde adverte, o conteúdo dessa música pode dar vontade de comer chocolate imediatamente. No entanto, o ministério também alerta que o seu nível de serotonina vai aumentar antes mesmo de ingerir o doce. Muito, muito, muito boa! Tão gostosa quanto chocolate, a canção compara o sentimento de estar apaixonado com o melhor do vocabulário culinário. Se você não colocou pra tocar nenhuma das músicas indicadas até agora, essa daqui vale uma mordidinha sem medo de ser feliz. Atenção: O clipe dá vontade de comer.


Si te vas: Essa é pra você que reclama, reclama, reclama, mas sabe que não vive sem aquela pessoa especial.  Ela conta o fim do filme, estala os dedos, roí unha, bagunça o seu cabelo, mas... “Cómo vivir sin defectos?". As guitarras elétricas e os “uuuuuhhhh”s do Jesse dão um toque final. Outra pra cantar o refrão gritando. SI TE VAS MI VIDA, QUE SERÁ, SI NO ESTÁS MI ALMA EXTRAÑARÁ, TU IMPERFECTA PERSONALIDAD, QUE ME DESESPERA, Y QUIERO MÁS Y MÁS

Nada es mejor: A música é simples. E não tem nada de muito inovador. Mas é inegavelmente divertida e com uma letra bem mais legal do que a maioria do pop das rádios. Aqui a poesia gira toda em torno das comparações de fogo e paixão (relaxa, não tem nada a ver com o clássico brega do Wando – #DescanseEmPaz!). Adoro animação do povo no final da música. Ó o refrão como é bacana: Prende fuego en mi interior, Consume lo que causa dolor, Porque nada nada nada es mejor, Que tu amor quemando en mi corazón 

Invisible: Si me pudieras conocer, Si vieras dentro de mi ser, Talvez podrías comprender, Que no soy invisible, Ojos que no ven, Un corazón que quiere ser, Pidiendo a gritos que no ves, Que no soy invisible. A letra diz tudo. Sofrida como amor platônico, essa é para todo mundo que ainda não encontrou um Michael em sua vida. Que música boaaaaa!!!!

Es Amor: Já brincou de Perfil? O que é o que é? Então tentar adivinhar a palavra secreta pelas dicas: Fluye como el agua, calienta como el sol, Mágica palabra, grande como Diós. Tá, a resposta está no título. Mas é bonitinha essa música sobre “como dizer que se está apaixonado”.

Por siempremente
: ALERTA FOFURA!!! Não tem como resistir a um refrão que começa a colocar o sufixo “mente” em todas as palavras, inclusive as que já são advérbios. Mas o melhor mesmo vem é na ponte: Cada que día contigo es un regalo sorprendente, Lunes a Domingo siempre estás presentemente, Eres justamente mi delirio, mi mejor mitad, Sabes, me conoces, me convences tiernamente, Tienes ese algo que te hace diferente, Cuando estás conmigo, Aun de mi me olvido y quiero más de ti

Quedate: Baladinha clássica do tipo “não, não me deixe mais”. Bem boa! Quedate, quiero prenderte a amar, desnudar, mi corazón, sin condición.

10 mil vidas: ALERTA FOFURA!!! Não, esta não é a musica que foi para trilha de Eclipse. Mas bem que podia ser. Sente só o refrão: Esta simples vida es corta, no me alcanzara, para amarte necesito 10 mil vidas más. Mas a música é fofa demais, o filme não merecia (apesar disso, a que entrou na trilha de verdade é bacana, mesmo assim). Minha parte preferida é: Aunque tenga 80 o 103, quiero una y otra vez, compartir momentos, dejar crecer, un eterno amanecer (putz, olha só esse último verso, já anunciando o próximo filme da franquia!)

Nuvem de letrinhas

Também valem a pena:
Nuevo Día, Una y outra vez, Sublime, Nunca Dije No: As duas primeiras trazem mais metáforas com sol, luz, energía, etc. A terceira é do tipo fofurinha e a última é Jesse y Joy com um pé no rock’n’roll.

Para escutar, basta acessar. As faixas bônus já estão linkadas para o Youtube. Mas tem tudo lá, na verdade.

¿Con quién se queda el perro?
Neste CD, a dupla entrega mais uma dezena de canções bacanas, melodiosas, com letras acima da média e nível de fofura elevado. Dessa vez, eles honram suas origens latinas e acrescentam uma pitada de música regional à mistura pop dos dois. E ficou ótimo!!!! É o meu preferido até agora.

O nome do disco surgiu de uma decepção amorosa vivida por Joy. Além de toda a dor da separação, ela ainda teve que encarar aquela pergunta que assola muitos ex-casais: “Com quem fica o cachorro?”. É por isso que agora ela só cria gatos.

Obs: Adoro o conceito da arte do disco toda feita nesses "desenhos". Na capa, o cachorro está ali atrás.

Aqui Voy: Uma música sobre ir levando a vida e seguir em frente, mesmo quando a gente não tem dinheiro, desafina ou esquece a letra da música. Extremamente divertida, é um dos carros-chefes do disco. Rolou um viralzinho com o povo (e alguns artistas da Televisa – eu falei que eles eram queridinhos de lá) cantando a primeira música de trabalho (Me Voy – mais sobre ela depois), aí eles gravaram uma versão especial (com mariachis - sim, aqueles caras bigodudos que fazem serenatas – e tudo), agradecendo a força. Bacanuda a canção.

Como no: Quem ouve sem prestar atenção, acha que é mais uma declaração de amor em forma de música. Mas na verdade é uma canção do tipo “Sai da minha frente, seu safado!”, só que bem racional. Muito boa essa. Como no, como no, como no, Para mis ojos no hay otra mujer, Como no, como no, como no, Amor yo nunca te lastimaré, Sin ti yo, sin ti yo, sin ti yo, Que facil que es decir, Jurabas que sin mi te moririas, Explicame por que sigues aqui

¿Con quién se queda el perro?: Minha música preferida e que dá nome ao disco, a canção conta a história comum a muitos casais na hora da separação. Se a partilha de bens não é nada fácil, imagina só decidir com quem fica o cachorro, uma lembrança latente (desculpe, eu não resisti) daquela relação que não deu certo? A letra é toda boa, mas meus versos preferidos são o refrão: Antes de que echemos las maletas a la calle, Y convertirnos en extraños muy cordiales, Y bajemos el telón, Si tú te vas y yo me voy, ya no hay más remedio, Si tú te vas y yo me voy, esto ya es en serio, Si tú te vas y yo me voy, ¿con quién se queda el perro?; e a ponte: Si quieres llévate el Picasso, que al cabo es una imitación, Y dime quien se queda con los restos de este amor.


¡Corre! – Se você ouvir essa música e ficar com a sensação de que ela TINHA que ser tema de alguma novela, fique tranquilo, ela já o é. A primeira baladinha sofrida do disco embala o casal de La que no podía amar. A música está bombando nos países de língua hispânica e já passou Ai se eu te pego nas paradas. O clipe é bem dramático e conta com a participação dos atores da tal novela. Minha parte preferida é quando canta Tú... El perro de siempre, Los mismos trucos, Ya... Ya me lo sé  e aí aparece uma briga de cachorros.

Gotitas de amor: ALERTA FOFURA!!! Mais do que “Rosas são vermelhas, violetas são azuis”, a dupla consegue fazer uma música inteira (e muito fofa) comparando o cultivo do sentimento amoroso ao crescimento de uma florzinha. Tengo que decirte que te amo, Quiero que florezca nuestro amor, Y crezca esa florecita de tu mano, En la tierrita de tu corazón, Y lluevan gotitas de amor Tem como não amar?

La de la mala suerte: Mais uma baladinha para coleção, é a nova música de trabalho da dupla, com clipe a caminho. Gente, esse ex-namorado dela devia ser o próprio cachorro! Juntando dois e dois, desconfio seriamente que o safado traiu a menina. Sério, acho que essa é a mais sofrida de todas.

Quiero que me quieras: Tipicamente lado B, a música tem ritmo forte, marcada por violão, metais e palminhas atrás. O mais legal da letra é como a segunda parte retoma e complementa elementos da primeira. O refrão é bem chichetudo.

Veneno: Sabe aquela história de “O teu gosto não saiu da minha boca”? Se for de uma terceira pessoa, cuspa fora, porque é veneno!!! Beso sus labios y me saben a ti, Estando con el quiero tu nombre decir, Como resistir si es tanto lo que duele, El veneno de tu amor

Me Voy: Embora seja uma das faixa de despedida do disco, também foi aquela que deu as boas vindas a ele, por ser a primeira música de trabalho do mesmo. A letra conta mais uma relação que não deu certo, compara o ex a lobo mau e manda um breve juridiquês no pré-refrão. Adoro essa música. Prova de que a música pop pode ser bem feita e grudenta ao mesmo tempo. Tem um clipe feito com fãs, e outro oficial do mesmo diretor de Chocolate (não tem nada a ver com a letra, mas é bem maneirinho).

Me quiero enamorar: Depois de descobrir traição, separar, perder o cachorro, xingar e chorar o fim da relação, finalmente Joy está pronta para outra e pensa até em se apaixonar de novo. Quiero que mi corazón intercambie su lugar con el de alguien especial, Quiero despertar, te quiero encontrar y me quiero enamorar. Mais uma pro time das canções fofurinha.

Perfecta: Se escrita há 10 anos, é certeza que tinha entrado na trilha de qualquer versão da Betty, a feia (principalmente a versão mexicana, tendo em vista afinidade dos dois com a Televisa). Adoooro essa música. Fofurinha demais. Ó o refrão como é legal: Cierra los ojos y ve tu belleza interior, No tengas miedo de ser el tesoro que esconde el sol,Y oh, oh, oh...oh, oh, oh, Perfecta te hizo Dios

Una en un milion: ALERTA FOFURA!!! Essa música é muito, muito, muito fofa!!!! Toda a letra é muito legal. Olha: Si te duermes viendo la televisión, Me acuesto a tu lado y nos cubro a los dos, Cuando te esté resfriado lo curo con, Jugo de naranja y doses de amor. No refrão tem a tradicional comparação com comida. No hay, no hay nada mejor, Eres la crema del café, és la cereza del pastel…. No, no hay, mejor sensación, eres el agua de la té, té, té, té, por ti soy una en un milion. Uma delícia de canção. E essa não mata.

Outra nuvem de letrinhas

Também valem a pena: Me llora el cielo, Tú mi poesia: A primeira é puro chororô. E a outra tem o Jesse cantando. Até que ele não faz feio, não. 

Para escutar, basta acessar. As faixas bônus já estão linkadas para o Youtube. Mas tem tudo lá, na verdade.

Extras
Esto es lo que soy: Composta especialmente para a abertura da novela Las tontas no se van al cielo, é óbvio que a música foi baita sucesso. No primeiro capítulo, toca praticamente todo o primeiro CD deles, aliás (sério, a Televisa ama muito eles!!!!). Mas a música é muito legal, e a letra é bem bacana. Adoro esse refrão que ensina os objetos da casa em espanhol.  Lo que quiero es un amor, Que sepa que no soy alfombra ni escalon, Con dignidad y conviccion

Sapo Azul: ALERTA FOFURA!!! Antes de tudo uma explicação: Em espanhol, o Príncipe Encantado, na verdade, é Azul. Se alguém souber por que, me avisa. Mas o que interessa é que essa música sobre a busca pelo Príncipe Azul é uma gracinha. Mi principe azul, no se si eres tu..., El feo, el guapo, el gordo, el flaco, nada de eso es necesrio, Tu... Mi sapo azul.

Por hoje é só. Espero que tenham gostado da intervenção musical da UPP. As músicas de hoje você levam de dever de casa para comentar depois. Até a próxima.

Nossa, nossa, assim você me mata.
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sábado, 25 de fevereiro de 2012

UPP: Pop em dose dupla

A UPP de hoje estreia com um pé nos EUA, o outro no México e os dois cravados no pop. Sim, no total são quatro pés mesmo. Isso porque a personalidade da coluna de hoje, na verdade são duas em uma só: a dupla de irmãos fofurinha Jesse y Joy.

Filhos de pai mexicano e mãe americana (ambos pastores), Jesse y Joy se apaixonaram pela música logo cedo, tocando na igreja (daí a influência da música gospel em sua música. Desconfio eu que o primeiro disco tenha um monte de canções originalmente cristãs).

Um dia gravaram uma demo para a Warner, e em pouco tempo estavam estourando em toda América Latina e subindo no palco do Grammy (local onde os conheci, e apaixonei à primeira vista) para ganhar o prêmio de revelação do ano. No Brasil, são mais conhecidos por emplacarem 2 músicas na trilha de Bela, a feia da Record. 

Com canções melódicas (mas nem por isso menos grudentas), uma influência do gospel, muito talento, e uma habilidade incomum de fazer música com comida, os dois tem tudo para cruzar a fronteira do seu preconceito e invadir o seu player com a língua hispânica.


Para, para, para tudo!!!!!! 
Dupla de irmãos de irmãos, um de cada gênero, 
Cantando música pop, melódica e grudenta...
Peraí, Elisa, isso aí é Sandy e Junior do México!!!!

Pois é, a comparação é inevitável. De fato, o tipo de música feito pelos mexicanos tem tudo para agradar os órfãos da dupla brasileira. E seria uma mentira deslavada dizer que as semelhanças acabam por aí. A trajetória das duas duplas tem muito em comum. Mas também tem muita coisa diferente. Em suma, eu diria que a dupla mexicana é um Sandy e Junior igualmente talentoso, mais discreto, menos bonito e com menos controvérsias na bagagem.

Pensando nisso, continuo a apresentar os personagens da UPP de hoje, ressaltando justamente o que eles têm de igual e o que têm de diferente. Sem preconceito, mas sem esquecer o bom humor. Simbora.

Assim como S&J, a parte feminina da dupla lidera os vocais, e a masculina fica responsável pela parte instrumental (o menino também toca tudo! Ele não arranha não, ele toca!!!). Diferente de S&J, em que a Sandy disse que ia aprender a tocar violão no show do Maracanã e a gente está esperando até hoje, a Joy manda bem na viola, de verdade.

Assim como S&J, é ela quem assina a maioria das letras e ele quem assina a co-produção dos discos também. E diferente de S&J, que, a partir de um momento, o Jr começou a querer cantar quase tudo, tiveram que implorar muito para o Jesse soltar a voz nesse último disco. Ele prefere ficar “à sombra” da irmã, e não vê problema nenhum nisso.

Assim como S&J, metade da dupla usa o “segundo” nome como “artístico” para esconder o primeiro vergonhoso (Em S&J, o Jr é Durval. Em JyJ, a Joy é Tirzah). E assim como S&J, eles têm sobrenome relacionado a atividades rurais (S&J são Lima, JyJ são Huerta). Diferente de S&J, o nome da parte masculina (Jesse) é que vem antes, e ele é o mais velho da dupla.

Assim como S&J, nos programas de TV, fica visível que o mais velho dos dois é a parte mais eloquente da dupla. Diferente de S&J, e é ele que se apodera dos microfones nas entrevistas, e praticamente se apropriou do twitter oficial da dupla (ele é que é chamado de @jesseyjoy), obrigando a irmã mais nova a criar um outro perfil @solamentejoy.

Assim como S&J, eles também tiveram contato com a música desde muito pequenos. Diferente de S&J, só vieram a fazer sucesso mesmo depois de burros velhos. O que faz a gente pular algumas músicas vergonha alheia (Jesse y Joy já começaram com discos autorais), os vídeos no Faustão que fazem a retrospectiva desde criança, a insistência nos boatos de separação (afinal de contas, os dois já entraram nessa sabendo o que queriam, e são muito bem resolvidos com isso), e o fascínio da mídia pela vida pessoal dos dois, que, vamos combinar, não deve ter nada de interessante (o Jesse então é casado, com filhos...). O resultado é um nível de preconceito infinitamente inferior por parte do público e até certo respeito da crítica (eu já falei que eles levaram o Grammy, né?).

Assim como S&J, eles também têm forte apelo com o público juvenil. Já fizeram ponta em filme de qualidade duvidosa (S&J no filme do Didi, eles na versão nacional de HSM – Desafio), e tiveram música na trilha local de filmes estrangeiro (Sandy & Junior em Mulan, etc, Jesse y Joy em Eclipse - sinta-se envergonhado do seu país, o artista nacional escolhido aqui no Brasil foi o Fiuk). Mas nem de longe lembram o estouro da dupla brasileira no final dos anos 90/início dos anos 2000. Diferente de S&J, eles não protagonizaram filme próprio, e nem têm milhares de produtos licenciados (não que eu saiba, pelo menos).

Assim como a S&J, eles também são os queridinhos da TV local de maior audiência no país. Todo ano emplacam música na trilha da novela (acho que eles já tem umas 5) e até gravaram a vinheta de final de ano da emissora (essa vinheta está dando de 10 nas da Globo, aliás). Diferente de S&J, eles não tiveram um seriado só deles, e nem estrelaram novela das seis com trama hippie.

E principalmente, assim como S&J, Jesse y Joy sabem entregar música pop boa, melódica, romântica (e grudenta) com letras acima da média, que contém uma boa dose de poesia e direito até a palavras inesperadas como cláusula!!!. Mas, diferente de S&J, que tinham fixação pela lua, o mar, etc, as metáforas preferidas de JyJ envolvem comida mesmo - e o resultado são CDs tão deliciosos (e fofos) que vai ser impossível você não se apaixonar por eles.

Como essa introdução ficou um pouco maior do que o esperado e como eu disse que o personagem da semana é dupla, a gente continua no próximo bloco, com uma passadinha pela discografia dos dois, no estilo Inútil.

Graças a nossa mãe, a gente pode ter dupla nacionalidade também...

Edit: Na verdade, eles nasceram nos EUA, mas foram criados no México. Globalização é isso aí.
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