Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

O Superman da Brene Brown

Acho que eu já contei aqui que eu fui uma adolescente quegostava de Smallville. Era sofrido gostar de Smallville naquela época, se você não tinha tv a cabo e dependia do SBT. Você tinha que se adequar aos horários imprevisíveis do Silvio Santos, comerciais infinitos, e não bastasse tudo isso, ainda tinha o Celso Portiolli atendendo ligações para distribuição de prêmios prolongando ainda mais os intervalos. Mas quando você tem 14 anos, e um ídolo teen pra chamar de seu, você aguenta qualquer coisa.

Se fosse hoje em dia, confesso que não teria a mínima paciência para uma série como Smallville, com o freak of the week, e 25 episódios mais ou menos com a mesma estrutura. Mas Smallville construiu o meu caráter e eu, sem querer, aprendi a gostar de séries, e criei um sentimento de muito carinho pelo Superman.

Mesmo que o elenco aparentasse ter pelo menos 10 anos a mais, o Tom Welling não fosse lá essas coisas como ator, e a série tivesse os efeitos especiais que cabiam no orçamento da CW, Smallville acertava em cheio na premissa de mostrar o herói descobrindo seus poderes ao mesmo tempo em que passava pela adolescência, essa época em que a gente também está descobrindo quem é e qual é o nosso lugar nesse planeta.

De lá pra cá, a DC passou uns belos 20 anos tentando fazer acontecer o seu universo cinematográfico, sem saber que, enquanto ela não acertasse no Superman, o DCU nunca ia funcionar. O Snyderverso era sombrio e realista, com um Superman carrancudo e que não usava a cueca por cima da calça, numa tentativa frustrada de aproximar o Superman no Batman, à época o herói mais popular da DC, pois, veja só (!): "o Batman é mais vulnerável, ele não tem poderes, e é muito mais interessante de assistir do que o Superman". Uma conversa fiadíssima de quem não conhece, nem entende verdadeiramente o Superman.

Se o Snyder assistisse Smallville, saberia que o Superman tem excelentes dilemas éticos e morais, justamente por ser tão poderoso e aparentemente invencível. E que uma das coisas mais legais do Superman era justamente ele tentando equilibrar sua dupla personalidade, e todos os conflitos de identidade que isso lhe causava. Se Snyder assistisse Smallville, saberia que o verdadeiro trunfo do Superman é a bondade do Clark Kent. E que ela muitas vezes é a verdadeira kryptonita.

Snyder podia até fazer um Superman forte e poderoso, mas falhava miseravelmente em mostrar que, no fundo, o Superman também era o Clark Kent. E é por isso que o seu Superman era horrível.

***********************************************************************************************************

Lá nos anos 2000, um Junior Lima com a voz hesitante cantava "Super Herói" como uma metáfora para o fardo de ser uma pessoa pública, e ter de lidar com as expectativas irreais da mídia, dos fãs e de quem mais fosse. Sempre achei um exagero a comparação e confesso que me faltava a empatia necessária para entender o porquê do dilema de algo tão intrinsicamente ligado à fama.

Mas, o tempo passou, e conforme a gente cresce, vai percebendo que "ser herói" não é nada fácil. Porque a gente quer ser perfeito, e se sente (eternamente) responsável "por aquilo que cativa", e sente o peso da capa e das expectativas das outras pessoas sobre a gente. E muitas vezes a gente se questiona se estamos fazendo tudo o que podemos, ou se estamos fazendo realmente o bem.

Os dilemas do super-herói passam a fazer muito mais sentido depois de uma certa idade. Especialmente se você está numa posição de liderança (seja ela qual for: no trabalho, na família, em algum projeto paralelo que seja). Porque você percebe que o famoso dito do Tio Ben é tão literal que chega a doer. Sim, “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. E os talentos que nos foram agraciados pela natureza (ou por alguma aranha radioativa) têm o seu preço. Estar sob os holofotes exige cuidado no agir e a consciência de que tudo o que você disser será usado contra você. Poder fazer a diferença na vida das pessoas é uma dádiva, mas que tira noites de sono, pensando se você eventualmente não cometeu uma injustiça. Ser líder é ser o exemplo, afinal de contas, e você precisa tentar se aproximar da perfeição, para corresponder àquilo que esperam de você.

Com o tempo, você também vai percebendo que a única certeza que existe é que você não vai acertar todas. Porque, mesmo com tudo isso, você ainda é só uma pessoa. Alguém tentando encontrar o seu lugar no mundo, e que acorda todos os dias e tenta fazer boas escolhas e dar o seu melhor. Alguém que também tem o direito de sangrar e de sonhar, como já cantava Junior Lima.

***********************************************************************************************************

E é aqui que o Superman do James Gunn voa alto, e com muito gosto. É um Superman que apanha tanto, mas tanto, que chega a sangrar. É um Super extremamente vulnerável, que chora e não tem vergonha dos sentimentos. Praticamente um ensaio da Brene Brown. Ele toma porrada de todos os lados: dos vilões, da mídia, do cachorro, do governo e da opinião pública. Em dado momento, sofre tanto com as expectativas que lhe foram impostas que chega a se questionar se realmente é o herói que ele acreditava que fosse.

E é por isso que o Superman do James Gunn me pegou de jeito. Mesmo sendo super, o Clark não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Mesmo sendo super, ele não consegue salvar todo mundo. Mesmo sendo super, ele também precisa de cuidado quando se machuca. Mesmo sendo super, ele também é uma pessoa, afinal de contas.

E daí quando ele faz aquele discurso pro Lex no final, eu chorei gostoso. Chorei não só porque o meu Superman da época de Smallville estava de volta, mas porque ele verbalizou tudo aquilo que o Junior cantava e que eu agora sentia na pele (e demorei tantos anos pra entender!). O discurso me emocionou ainda mais porque dias antes, eu tinha escrito uma carta para uma pessoa que estava pra começar num cargo de liderança praticamente com as mesmas palavras. Uma pessoa que, num determinado momento, também se esqueceu que eu era só uma pessoa (foi uma longa história!) e que também me fez questionar se eu era o herói que achei que fosse. E ver o Superman falando ali, sem vergonha nenhuma, que ser humano era o seu maior superpoder me pegou demais.

É claro que todos os dias você vai se questionar se está fazendo o suficiente. Mas, também como o Superman do James Gunn, com o tempo você vai percebendo que a vulnerabilidade é o verdadeiro superpoder. E daí a sua missão fica muito mais fácil de cumprir. Porque ser humano é uma meta perfeitamente alcançável. E a recompensa de fazer a diferença nesse mundo, usando os seus próprios superpoderes, é maior do que qualquer peso que a capa de herói pode ter.

PS. Precisamos falar aqui também como o novo Superman é um gostoso. E a cena da cozinha, olha, que inveja da Rachel Brosnel, viu!

Continue lendo...

sábado, 2 de março de 2019

Desperdiçou

Primeiro de tudo, se você acha que o título do post faz menção aguardadíssimo dia 13/03, sim, você está correto. Graças a Deus e a Theo, alguma coisa tocou o coração da nossa duplinha e aguardamos ansiosamente o dia em que finalmente as coisas vão começar a dar certo de novo para o Brasil com a volta de Sandy e Junior. E eu que estava esperando alguma coisa bem menos espalhafatosa, depois da foto de Sandy ensaiando balé, agora já acho que o negócio vai ser de arrasar mesmo. Porque o que eu tô vendo é comprometimento, minha gente. E quando esses dois tão a fim, ah, meus queridos, não tem pra ninguém não.

Mas, enquanto dia 13 não chega, assisti essa romcom da Rebel Wilson que estreou na Netflix, cujo título em português com certeza está com uma letra a mais, e fiquei extremamente desapontada com como uma ideia tão boa pode ser tão mal aproveitada.

Sinopse: Uma jovem desencantada com amor misteriosamente se encontra presa dentro de uma comédia romântica.

Antes de tudo uma contextualização: durante a década de 90 / 00, as romcoms tiveram sua era de ouro com títulos que basicamente se tornaram clássicos do gênero como Uma Linda Mulher, Notting Hill e Noiva em Fuga (Julia Roberts é a rainha do gênero mesmo). Era uma época linda em que a gente ia à locadora num sábado chuvoso e sempre tinha alguma comédia açucarada dando sopa pra alegrar nossas tardes embaixo do edredon. Muitas pessoas subestimam o gênero, alegando que "são cheios de clichês" ou "muito formulaicos", mas o que o tempo nos ensinou é que fazer uma boa romcom realmente é uma arte e o sucesso dessas histórias está no nível de envolvimento emocional  do público com aqueles personagens, e não necessariamente numa fórmula pré-estabelecida. 

Tanto é que após essa era de ouro, tivemos filmes não tão legais assim como Ligeiramente Grávidos, A Verdade Nua e Crua e Par Perfeito, e com isso, Katherine Heigl praticamente enterrou o gênero. Os estúdios pararam de produzir as romcoms por motivos de Katherine Heigl  $$$$ e passaram a investir somente em filmes de super-heróis que basicamente dão uma rentabilidade muito maior. E então tivemos uma era de escassez de comédias românticas, porque, com um orçamento de US$ 30-40 MM, ninguém queria colocar dinheiro nesses filmes já que os chineses (e os outros países) não curtem romcoms no cinema (não se enganem, Crazy Rich Asians não é sobre diversidade em Hollywood, é sobre um chinês muito rico que tem um plano ambicioso de faturar muito no mercado oriental!!!).


Só que aí veio a Netflix e eles perceberam que as pessoas ainda amavam as comédias românticas, porque eram sempre os mais assistidos do catálogo (porque, afinal de contas, ainda existem sábados chuvosos e tudo o que você precisa num dia desses é de um romance com bastante acúcar para ficar debaixo do edredom) e eis que estamos vivendo um momento de retomada das comédias românticas, puxado principalmente pela Netflix que parece ter o orçamento e o público alvo perfeitos para acomodar esse tipo de projeto.

Dentro desse contexto, no dia dos namorados dos EUA o filme estreou nos EUA e uma semana depois na Netflix no resto do mundo. E eu estava muito animada porque a premissa do filme realmente era muito boa, mas, não foi dessa vez.

Como eu disse antes: fazer uma boa romcom é uma arte, e um projeto desse estilo, com os dois pés na metalinguagem, exigia um comprometimento além da fórmula ou do óbvio. O filme tinha potencial para ser, basicamente, um "Encantada das romcoms" e entrar no hall dos clássicos do gênero, mas fica perdido entre a paródia e a homenagem e não entrega nenhum dos dois direito.

(Se quiserem uma boa paródia de comédia romântica procurem Encontros e Desencontros do Amor, com a Amy Poeheler, Paul Rudd e Nova York, afinal, "a cidade é praticamente um personagem" das melhores romcoms)

Atenção para a o elenco do filme ali embaixo nas letrinhas miúdas

O roteiro problemático é a causa raiz dos problemas. É claro que ele tem boas sacadas e explora alguns dos maiores clichês do gênero, mas até nisso peca ao subestimar a inteligência do expectador e explicar todas as referências tin-tin-por-tim. Mas o problema maior é estrutural mesmo, com uma mocinha que não abraça sua nova realidade em nenhum momento e por isso não transmite verdade na mensagem empoderadora quando deveria subverter as regras do jogo. Além disso, os plots dos coadjuvantes não complementam em nada a história da protagonista, sem contar aqueles que acabam subutilizados entre uma realidade e outra.

A direção, por sua vez, também tem momentos inspirados (repare como por exemplo, no início, ele filma com a câmera na mão e iluminação propositalmente incômoda para refletir como a "vida real" não é nada como nos filmes, mas após a virada, os cenários estão sempre floridos e excessivamente iluminados*), mas na mão alguém mais apaixonado pelo gênero, o filme poderia ter feito um estrago nas referências. É claro que estão lá o Central Park, a cena do sorvete, vários figurinos de Uma Linda Mulher e um número musical fora de contexto, mas fiquei extremamente decepcionada pela ausência da cena da montagem da transformação. Especialmente porque eles tiram muito sarro disso! E depois não mostram? Por favor! Achei até falta de respeito! Além disso, existem incoerências geo-temporais que não sei até que ponto se sustentam pelo argumento da paródia, piadas que com certeza se perderam em algum momento da edição e uma trilha sonora**, que apesar de pinçar músicas-tema de outras comédias românticas, é basicamente só isso mesmo.
* Mais ou menos como Encantada troca o tamanho da tela de 4:3 para 10:9 (widescreen), quando altera entre o desenho animado 2D e o live action.
** Um exemplo de trilha paródia esperta é Amizade Colorida, por exemplo, que tira um sarro das musiquinhas chiclete ao mesmo tempo em que se apropria da fórmula na cena do flashmob. Tá vendo, gente, não precisa muito. É só ter um roteiro arrumadinho.

O negócio todo é que muitos desses elementos às vezes parecem jogados na tela de qualquer jeito apenas pelo fan service e não se encaixam dentro de um roteiro desconjuntado que acha que só o fan service é suficiente. Juntando roteiro e direção, tem um episódio de Crazy Ex Girlfriend com a mesma premissa que dá um banho nesse aqui e também tem uma cena do karaokê 1000 vezes mais divertida (fun fact: quem escreveu o episódio foi a mesma roteirista de O Diabo Veste Prada. Tá vendo: paixão é a chave!). 

Sobre as atuações, Rebel Wilson obviamente não é Amy Adams e tem suas limitações, mas só incomoda mesmo por não convencer como mocinha vulnerável. Mas também não é Amy Poheler, que além de engraçada, contribui criativamente para os projetos e certamente acrescentaria pelo menos um par de piadas acima da média. Pensando alto, a Aidy Bryant do SNL ia cair como uma luva aqui. Mas já estamos no lucro, pois não tivemos Rebel Wilson fazendo nenhuma piada de pum. O resto do elenco entrega o que é necessário e Liam Hemsworth tem bom tempo de comédia, mas com esse roteiro meio sem pé nem cabeça, fica a impressão de que poderiam fazer muito mais.

Como sempre faço, em um rápido exercício de brain storming era possível ajustar as arestas e chegar no mesmo resultado, o que claramente denota uma falta de carinho com o material. O que não quer dizer que o filme não seja divertido. É. Muito. Ri alto em vários momentos. A decepção é muito mais pelo desperdício de uma ideia tão boa resultar num filme tão meia boca. E nesse momento de ascensão reticente, a gente não pode ficar desperdiçando romcoms assim! Essa premissa nas mãos de pessoas mais experientes ou mais apaixonadas certamente resultaria num novo clássico do gênero (coisa que nenhuma das romcoms pós-era de ouro conseguiu até então***). Fazer comédia romântica é uma arte. Fazer uma comédia romântica sobre comédias românticas então, nem se fala. Mas não foi dessa vez. Ficamos aqui no aguardo do dia 13 e de uma romcom que não só tenha o final feliz, mas que aqueça nossos corações por muitos sábados chuvosos debaixo do edredom. 
*** E ninguém na música pop conseguiu depois de Sandy e Junior, no Brasil, aliás.
Continue lendo...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Você, Tonya

Desde que ouvi falar desse filme pela primeira vez, me perguntei por que seu título começava com a primeira pessoa do singular do pronome pessoal do caso reto. Não seria mais fácil ser só “Tonya”, afinal? Terminada a sessão, penso que o “Eu” no título se deva à alta capacidade de identificação gerada pela personagem.
Durante vários momentos do filme, me peguei pensando: “Eu sou Tonya Harding”. O relacionamento conturbado com a mãe, o cabelo desgrenhado, a rebeldia em tentar se encaixar, a raiva do não reconhecimento porque sabe que tecnicamente é a melhor, a vontade de mudar o sistema... Em certos momentos, a tela parecia se transformar em espelho, tamanha a identificação com a protagonista.
Tonya Harding era uma patinadora de gelo que representou os EUA nas Olimpíadas de Inverno duas vezes. Foi a primeira americana a executar o Triplo Axel numa competição (diz que é um salto muito, muito difícil). Mas teve sua carreira interrompida graças a um incidente controverso (não vou dizer qual é, caso você não saiba, embora basta um Google para você descobrir) em que nunca foi lhe dada a oportunidade de contar a sua versão.
É um filme com altas doses de feminismo, sem em nenhum momento pronunciar a palavra, ou fazer campanha. Com temas que vão desde relacionamentos abusivos, padrões sociais altamente questionáveis, passando pelo tribunal antecipado da mídia (alô, você aí da internet que fica fazendo textão, sem ler as coisas, essa é pra você mesmo!), é o filme certo na hora certa.
Existe uma cena em que Tonya está com o rosto sangrando, sendo levada a força pelo marido, quando o carro é parado pela polícia. O policial VÊ que o rosto dela está sangrando, abre o porta-malas e encontra bebidas e duas escopetas, e DEIXA TUDO SEGUIR. Aconteceu numa cidadezinha dos EUA nos anos 80, mas podia ter sido aqui durante essa semana mesmo.
E nem por isso é um filme chato. Muito pelo contrário. Eu, Tonya te prende do início ao fim, e puxa suspiros e surpresas em diversos momentos.
Absolutamente bem executado, Eu, Tonya tira sarro da tragédia, com um humor auto-depreciativo, e uma montagem que intercala o acontecimento dos fatos com entrevistas dela e daqueles que fizeram parte da vida de Tonya. Sua narrativa, com múltiplos pontos de vista, nunca condena ou vitimiza qualquer dos personagens, muito embora alguns deles pareçam ter saído diretamente de um desenho animado, como o gordinho atrapalhado e a mãe que dá entrevista com um periquito no ombro (você pode achar que essas coisas mais absurdas são exagero do filme. Não são).
A edição às vezes videoclíptica, com direito a cortes rápidos e planos sequências espertos ao som dos maiores sucessos dos anos 70, 80 e 90, o roteiro que quebra a 4ª parede diversas vezes, e a câmera que acompanha Tonya toda vez que entra no rinque de patinação completam o serviço de trazer o espectador para dentro da tela.

Embora o trabalho de cabelo e maquiagem seja tenebroso, fazendo Margot Robbie parecer bem mais velha (e mais estragada) do que a personagem título (a verdade é que Margot já parece ter mais anos do que realmente tem, e o filme não fez nada para ajudar nesse ponto), a atriz faz um trabalho incrível, de entrega total. E eu que nunca dei nada por ela, fiquei de queixo caído.
Não é uma personagem fácil. Tonya era uma mulher que apanhou a vida toda (apanhou da mãe, do marido, dos juízes, da mídia, das pessoas...), e exatamente por isso nunca se fez de vítima. Era uma lutadora, que não desistia nunca. Mas também era amarga, orgulhosa, revoltada, com morais questionáveis, fruto de seu meio disfuncional, tanto para o bem, quanto para o mal. São de encher de orgulho as cenas em que Margot explode de felicidade ao executar os movimentos no rinque, como se ali tudo finalmente fizesse sentido. É de cortar o coração a cena em que o tribunal decide por bani-la do esporte que, literalmente, era sua vida. (Muito embora eu concorde que não houve injustiça ali. Uma atitude desportiva dessas, tinha que banir mesmo). E chega a ser emblemático que a última cena seja justamente ela levantando de um ringue de boxe.
Com tantos atributos, é de se espantar que o filme não tenha conseguido nenhuma indicação a melhor roteiro, ou a melhor filme. Mas, talvez, como a própria Tonya, sua biografia descolada e desbocada não se encaixe no perfil esperado pela Academia. Até quando?

PS. Depois de assistir o filme, faça o dever de casa e assista aos vídeos de Tonya nas competições no YouTube. A alegria dela é contagiante!
PS2. Essa semana estão rolando as Olimpíadas de Inverno e Mirai Nagasu acabou se se tornar a 3ª mulher a executar o Triple Axel em olimpíadas. \o/
PS3. Li alguns comentários de que o filme levantou polêmica por não levar a sério o problema da violência doméstica, e MEU DEUS, VOCÊS ASSISTIRAM O MESMO FILME QUE EU??? PORQUE A MULHER LITERALMENTE PERDEU O QUE PODERIA TER SIDO UMA CARREIRA DE SUCESSO EXATAMENTE PORQUE SOFREU ABUSO A VIDA TODA!!!!! Só porque o filme não mostra uma mulher sofrida e chorando o tempo todo, não quer dizer que não tenha sido grave. A cada diz que passa, vejo que está faltando interpretação de texto no mundo
.
Continue lendo...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

La La Land

La La Land e eu somos um caso de amor à primeira vista. Queria assistir desde que saiu a notícia do início de sua produção. Tá aqui o meu tweet de 2015 que não me deixa mentir.

Porque Ryan Gosling e Emma Stone juntos já é um negócio mágico. Cantando e dançando então, é imperdível! Sério, não tinha como esse filme ser ruim.


Ele é o maior galã da atualidade. Daqueles clássicos, que fica ótimo de terno (e ainda melhor sem...). Parece ter tanta consciência de seu papel que chega a rir de si mesmo nas cenas. Talentosíssimo, está em todos os filmes importantes dos últimos anos. Deu credibilidade a Nicholas Sparks e seremos eternamente gratas por aquela cena do beijo na chuva (eu falei: CLÁSSICO!!!). Rei dos memes, separa brigas, salva gatinhos, usa camisas engraçadas, é feminista, come cereal... Ryan Gosling parece ter nascido para interpretar mocinhos que fazem as meninas suspirarem.

Ela é um poço de carisma, daquelas que você quer ser melhor amiga. Divertida e inteligente, trouxe charme e humanidade a uma personagem que poderia facilmente ficar na superfície. E desde então só entrou em projetos bacanas, trilhando seu caminho rumo ao Oscar. Já tem um tempo que eu venho cantando a pedra que Emma Stone tem todos os requisitos para ser a nova namoradinha da América. Pra completar, canta, dança e sapateia. Como não amar?

Impossível não shippar

Só por isso La La Land já valia o ingresso.

(Reza a lenda que o personagem de Emma Stone, na verdade, era pra ser de Emma Watson, que largou La La Land pra fazer A Bela e a Fera. E Ryan Gosling largou A Bela e a Fera pra fazer La La Land. O nome disso é DESTINO, pessoas!!!!)

Mas aí começou todo o buzz da temporada de premiações, e La La Land ganhou todos os Globos de Ouro possíveis e imagináveis e as expectativas de todo mundo que no início só queriam ver Ryan Gosling e Emma Stone cantando e dançando foram lá no alto. E começaram as dúvidas se o filme é realmente tudo isso.

Depois de finalmente assistir, eu vou te dizer que... é tudo isso sim. O filme é LINDO!!!! Uma história de amor absolutamente envolvente, com músicas ótimas, sequências de dança de encher os olhos, cenas que parecem pinturas impressionistas, um colorido mágico no figurino, o roteiro tem uma delicadeza ímpar... Merece todos os prêmios que já ganhou e vai ganhar. É daqueles filmes te fazem sair do cinema... flutuando! “Dá o Oscar pra ele!”, fiquei pensando. “Não tem mais pra ninguém, dá todos os Oscars pra ele!”, vibrei, ao sair da sala de cinema, planejando assistir novamente em outra ocasião.


O que não quer dizer que o filme tenha me ganhado de cara.

Eu, que estou ficando bem viciada em musicais, mas que, particularmente não curto o gênero homenageado (aqueles filmes do Gene Kelly em que ele ficava dançando durante mil horas, e tal), a princípio não gostei da sequência inicial. Achei exagerado, fora do lugar. Onde estavam Ryan e Emma durante toda aquela cantoria? Era bonita, sim. Mas achei cedo pra toda aquela parafernalha.

Durante boa parte do início, as sequências musicais me pareceram meio sem contexto, apesar de maravilhosas. Fiquei com medo. Sim, eu sabia que o filme era uma grande homenagem a esses musicais que fizeram história, à era de ouro do cinema hollywoodiano, etc. Mas nada disso seria suficiente se La La Land fosse só uma homenagem com cheiro de mofo, como um outro filme que ganhou até o Oscar anos atrás, mas que, sinceramente, eu dormi quando fui tentar assistir. Ou esse outro que na teoria também era genial, mas que depois que terminou o filme eu fiquei tipo: “Sério que esse filme ganhou o Oscar? Vocês tão de brincadeira que premiaram isso aí, ao invés de Boyhood?”.


Mas é aí que está o grande trunfo de La La Land. Toda a parte técnica é impecável. Mas isso tudo é só uma moldura para uma história linda, sensível, que dá um quentinho no coração. E o modo como essa história combina com a música, e a dança e o figurino é o que torna tudo tão certo. E é por isso que La La Land desperta essa paixão arrebatadora nas pessoas. Afinal, é um filme sobre paixão. Feito com paixão. Realmente, com esses ingredientes, não tinha como dar errado.

Emma Stone, maravilhosa, pra variar, é Mia (ah, essas Mias me perseguindo!). Ela é barista de um café nos estúdios da Warner e vive, sem sucesso, fazendo audições para papéis em LA. Ryan Gosling, mais uma vez incrível, é Sebastian. Um pianista teimoso que sonha em abrir seu próprio clube de jazz para que as pessoas voltem a apreciar a boa música, mas não consegue se desvencilhar do passado.

Os personagens são apaixonantes. Cheios de sonhos, os dois se ajudam, e se aconselham e dão força um pro outro. (Tem uma hora que Ryan Gosling parece recitar o meme do Hey Girl!). E eles brigam, e se encontram, e se desencontram, como todo bom romance que se preze deve ser. Mia e Sebastian não são perfeitos, mas são perfeitos um pro outro. E é por isso que você vai se emocionar com a história dos dois.


E quando o filme resolve investir nos personagens, tudo começa a fazer sentido.

Ao mesmo tempo em que é homenagem, La La Land tem autoconsciência de que precisa trazer coisas novas para o gênero, ou pelo menos uma nova roupagem.

Em dado momento, Mia pergunta a Sebastian se não está soando “nostálgica demais”. E o próprio desenvolvimento dele, um entusiasta do jazz (foco no jazz!!!) que se recusa a aceitar coisas novas é todo metafórico.


Mas a peça fundamental na verdade é o personagem de John Legend que joga todas as verdades na cara do Ryan Gosling. “Como você quer ser revolucionário, se é tão tradicionalista?” (Pois é, é a minha fala favorita do filme também!). E é nessa hora que o filme dá uma virada e começa a ficar genial. 

Assim como o jazz, que eu aprendi a gostar graças a um cara mais ou menos tipo o personagem do John Legend, o filme parece dizer que os musicais também precisam de uma nova roupagem, para atrair a molecada. Pode parecer que não, mas as pessoas estão sedentas por entretenimento de qualidade. Tudo que a gente precisava era... bom, Ryan Gosling e Emma Stone, e uma história bem contada pra deixar a gente babando na cadeira do cinema.


E assim como esse blog, que tem os dois pés fincados na nostalgia e o nome inspirado no jazz, sua proprietária sabe bem que nostalgia é legal, mas olhar pra frente é o que torna tudo mais interessante.

E daí o filme, assim como Sebastian, para de se preocupar com o passado, e decide traçar seu próprio caminho.

E La La Land pode não revolucionar nada. Mas, de alguma forma, parece moderno. E todas as cenas musicais, inclusive aquelas que eu achei exageradas no início, ganham sentido no final. O que torna tudo ainda mais bonito. (Rimas narrativas, amigos! Rimas narrativas! Chega a ser poético quando o cara usa um recurso desses num filme musical.)

Não é um filme perfeito. Mas é perfeito em suas imperfeições. Ryan e Emma, por exemplo, não são os melhores cantores, ou os melhores dançarinos. E não eram pra ser mesmo. O relacionamento entre os dois personagens é cheio de altos e baixos. E como deixa claro a lindíssima sequência final de tirar o fôlego, isso não faz a menor diferença.

O importante aqui é que La La Land conseguiu me deixar maravilhada, enebriada, flutuando... como o casal principal. Só por isso, La La Land já ganhou todos os Oscars do meu coração. E se o filme é para os tolos que insistem em sonhar, me dá licença que eu vou escrever a minha fic de continuação, porque eu não vou conseguir superar esse filme tão cedo.

Eu, depois de assistir La La Land


Obs com SPOILER: Mas eu sou muito besta, e achei lindo toda aquela sequência em que todo o filme é reencenado sem os percalços do relacionamento dos dois, mesmo que tenha sido o maior golpe baixo mostrarem nosso ship favorito casado em com filhinhos, pra depois esfregar na nossa cara que nada disso ia acontecer. Caio igual a um patinho nesses falsos finais felizes e fico supersatisfeita, mesmo sem happy ending)
Continue lendo...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Não é perfeito, mas quem se importa?

Há muito, muito tempo atrás, eu quis escrever um post sobre grupos a capella e como sou fascinada por esse tipo de coisa. A harmonia de vozes, os barulhos com a boca, a mágica que eles fazem ao tornarem músicas ruim em boas, e as boas em absolutamente irresistíveis... Logo quando Glee começou, achei um vídeo de um desses grupos cantando umas músicas do Jamie (o que eu mais gosto nesse vídeo são os gritinhos animados para os meninos que fazem o “a capella” do jeito mais tradicional, usam as roupas mais tradicionais e nem são tão bonitos assim), e um vídeo leva a outro, e o Youtube é um buraco negro e eu acabei descobrindo que lá nos EUA, eles levam esse tipo de coisa super a sério com direito a competição e tudo (como em Glee mesmo, só que na faculdade). 

O post não saiu por N motivos, mas cá estou falando exatamente o que eu queria falar há anos atrás porque assisti A Escolha Perfeita (que trata exatamente desse campeonato de “a capellas”) na TV e fiquei com a boca, os dedos e todo o resto do corpo coçando pra comentar. Fora a vontade louca de cantar, obviamente.

Tem um pedaço de DP2 (o livro) em que a Mia fala que seu filme favorito de todos os tempos era Dirty Dancing porque nele tem dança e filmes com dança são geralmente melhores que os outros porque a dança faz tudo ficar bom. Eu sou assim com música. Acho inclusive que se nessa vida tivesse mais música, muitas coisas iam ser melhores. Essa semana entrou no metrô um grupo de músicos chamado Mambembe composto por um cavaquinho, um violino e um pandeiro tocando clássicos do samba e da MPB. Uma delícia! Imagina só como as viagens não seriam melhores com 5 minutos de música boa desse nível?

A Escolha Perfeita (uma péssima tradução, diga-se de passagem, já que “Pitch Perfect” tem todo um trocadilho com afinação e o mote do filme não tem nada a ver com “escolha”. O título de PORTUGAL é melhor: Um ritmo perfeito) é repleto de clichês adolescentes, apesar de passado na faculdade (não fosse Glee, talvez se passasse numa escola mesmo), e tem um monte de coisas que não funcionam. O negócio é que as músicas a capella são muito boas e aliadas a performances espetacularmente coreografadas (uma fórmula que não tem como dar errado!) compensam todos os defeitos.

Uma coisa engraçada que notei é que praticamente todo mundo associou A Escolha Perfeita a Glee, por motivos óbvios, e até o filme tira sarro disso em alguns momentos, mas se você parar para pensar, A Escolha Perfeita, na verdade, tem muito mais a ver com... Mudança de Hábito! Quer dizer, um coral tradicional que tem que se reinventar e quebra todos os paradigmas com a chegada de uma novata que inicialmente tem suas ideias rechaçadas pelo grupo... Tem até a personagem gordinha que rouba todas as cenas! Se você já assistiu a continuação do filme com a Whoopi vai ver como é a cena final é muito, muito, muito parecida com a película do ano passado. 

Queria deixar aqui registrado o quanto adoro a tradução do título de Mudança de Hábito. 
Simplesmente genial!

E se o repertório super-atual às vezes traz músicas bobas e nem tão boas assim, o a capella faz a mágica de tornar até Party in the USA presença indispensável no player!!!! Agora você imagina só se as músicas fossem boas de verdade!!!

Além disso, com O Clube dos Cinco e Don’t You Forget About Me, o filme faz um mea culpa com a geração anterior, como quem diz: “Olha, fizemos o dever de casa, não somos um filme só pra vender músicas no iTunes, também temos coração e queremos emocionar as pessoas de verdade”.
* Li uma entrevista da Anna Kendrick (s2), em que ela comentava que na verdade, O Clube dos Cinco nem estava no roteiro original, e sim Digam o Que Quiserem. Como eu só vi o primeiro, também acho O Clube dos Cinco a melhor escolha.

(A título de comparação, homenagem por homenagem, acho que John Hughes ficaria mais orgulhoso com A Mentira do que com A Escolha Perfeita. E na minha humilde opinião, o filme podia ter alcançado esse patamar de AWESOMENESS de Easy A, caso estivesse na mão de um diretor mais inventivo e descolado, tipo o Will Gluck)


Outra coisa digna de nota é Anne Kendrick, que definitivamente está em busca do título de Queridinha da América. MEU DEUS DO CÉU! Como ela é boa!!!! A simpatia, o carisma, o sorriso, talento, a voz (que voz deliciosa!), a carinha de menina daquelas que você podia ser a melhor amiga... O que é a musiquinha do copo, por favor???? Por que ela não canta mais???? Pleaaase!!!!

Há exatos dois anos, quando assisti A Mentira, me apaixonei pela carismática Emma Stone. Simpática, esperta, bonita, boa atriz... Fiquei pensando cá com meus botões que, pra ela ficar no nível da Anne, só faltava cantar. Anna Kendrick canta. Uma pena a garota ter perdido tempo na “Saga” Crepúsculo (dava até dó dela, lá de coadjuvante da se graça Kristen Stewart) com tanto talento.


E falando em Crepúsculo, acho que vale o comentário de que, Beca, pós-adolescente deslocada, rebelde, que não se enturma, não gosta de nada, nem de ninguém, lembra muito uma certa Bella Swan. Mas o final de Beca é exatamente o caminho que eu imaginei que Crepúsculo tomaria quando tive contato com a história pela primeira vez. E aí eu fico pensando o que Anna Kendrick não teria faria com a personagem... E depois dou graças a Deus por ela não ter sido a protagonista da saga dos vampiros brilhantes porque aí ela não queimou o filme dela com essa bomba que, sinceramente, não tinha salvação.

Ainda sobre isso, queria comentar sobre a cena do juramento em que associei as palavras Bellas (o nome do coral), “lobos”, a história de amor proibido e Anna Kendrick, que já esteve em Crepúsculo. Não tive outra saída senão soltar uma gargalhada, né? É isso aí, sou meio retardada mesmo.

Beca ataca de DJ

Ok, voltando às personagens, é bem difícil você realmente se “importar” com eles no início. Às vezes por culpa do roteiro, que não explica direito o porquê de suas atitudes ou o faz de um jeito meio bobo (quer dizer, por favor, tudo bem que a Beca é alternativa e talz, mas não gostar de filmes? Como assim? E o negócio de ela querer ser DJ? Affe! Se ao menos ela fizesse uns mash ups legais tipo esse... Mas aquele Bate-Tuntz dela, qualquer ex-BBB faz!), às vezes pela má escalação dos atores. 

Quer dizer, não dá pra levar a sério o romance dela com o carinha porque, além de o início ser meio mal explicado, o mocinho é muito sem graça, fora que ele é a cara do Christian do RBD!!!!!

- Menino, parece que eu te conheço de algum lugar!
- Eu cantava num grupo mexicano há alguns anos.

No entanto, além de todos os elogios do mundo para a linda da Anna Kendrick, outra surpresa foi ver Elizabeth Banks, que também é produtora do filme, arrebentando na comédia, num papel que, veja só, era pra ser da Kristen Wiig! Eu particularmente nem gosto da Elizabeth Banks. Acho-a uma atriz limitada e muito sem carisma, mas acontece que ela interpreta o tipo megera cômica muito bem (talvez por ela ser uma megera na vida real também). A narradora que tece comentários cheios de sacanagem (não necessariamente no melhor sentido da palavra) na verdade lembra muito a Avery de 30 Rock. (E se alguns dos diálogos non-sense te lembraram da série da Tina Fey é porque o filme foi escrito por Kay Cannon, umas das principais roteiristas do seriado.)

Rebel Wilson (talvez o Tracy Jordan do filme, com praticamente todas as falas improvisadas) e alguns outros personagens soam forçados no início, mas conforme a fita se desenrola, a gente aprende a gostar deles. 

E no final, tudo, tudo, tudo aquilo que estava meio esquisito, faz sentido. Os mash ups, a história da Beca ser DJ, a união das garotas, o punho cerrado do Judd Nelson... É redentor! É arrebatador!


Uma performance de arregalar os olhos e abrir bem os ouvidos! Além das mixagens espertas, atenção para as coreografias emulando vários clipes de sucesso como Smooth Criminal de Michael Jackson (na metade da fita, o Rei do Pop ainda contribui com Don’t Blame it on the Boogie, naquela apresentação do grupo eliminado, com direito a moonwalk, sim, obrigada!), Single Ladies (tem muitos movimentos de Single Ladies, aliás, me pergunto aqui, se a canção não estava incluída originalmente no medley final) entre outros...

A Escolha Perfeita não acerta todas as notas e desafina em alguns momentos, mas tem números musicais incríveis e material de sobra para povoar a internet com ótimas gifs nos próximos anos (fora os vídeos!). E no final, ah, os finais são sempre a melhor parte.. Ao contrário do que seu título possa sugerir, ele está longe da perfeição, mas, sinceramente... quem se importa?

Por favor, alguém me ajuda a descobrir de onde veio essa parte da dança? Tenho certeza que é de algum clipe, mas não consigo lembrar qual. Sério, não canso de assistir. Se você descobrir outros clipe escondido, vem aqui me contar, please! Preciso ver o filme com comentários, fato!
Continue lendo...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

5 filmes que marcaram a minha infância


Dia das Crianças aí na porta e como eu acho que já esgotei minha cota de Nostalgia Pura nos dois últimos anos e como durante esse período parece que várias dessas coisas voltaram para fazer as crianças da atual geração mais felizes, como por exemplo: remake de Carrossel, volta dos clássicos Disney nos cinemas, reprise de Gotinha de Amor da TV, Tamagochi, Mirabel, Skate de Dedo, Bate-begue, Ioiô, etc. Fora que eu fiquei sabendo que Silvio Santos já encomendou uma nova versão de Chiquititas, dizem as más línguas que o Rouge vai voltar ano que vem e está para estrear um filme em que o personagem principal é o Sonic. Então, pelas minhas contas, nessa onda revival, só está faltando o Tazo.

Chega a ser clichê a publicação de posts sobre filmes que marcaram a infância no dia 12 de outubro, masssss, pelo que eu tenho visto das listas por aí, acho que a seleção do Inútil, por conter muitos “lados B” do cinema infantil, ainda tem muito a agregar nesse dia especial. E quem sabe fazer você aí, que nunca ouviu falar ou simplesmente não teve a oportunidade de ver, correr atrás para assistir pela primeira vez, mesmo que tardiamente, algum dos títulos citados.

Seguindo essa linha de raciocínio, automaticamente ficam excluídos da lista os filmes mais famosos e mais óbvios como os clássicos Disney em geral (e todos os outros filmes de animação), Esqueceram de Mim 1 e 2 (que já foram citados aqui no Inútil no post de Natal de 2009), filmes do John Hughes (e isso já elimina uma pá de filmes!), Os Batutinhas, ET, Meu primeiro amor, entre outros.

Também deixo aqui definido que o critério da menor “famosidade” pode ser ignorado a qualquer momento em detrimento de uma boa história particular a ser compartilhada sobre a película. Afinal de contas, a lista, principalmente, é sobre filmes que marcaram a minha infância.

Muito antes de todo mundo querer ir para a baleia (até hoje não sei direito do que se trata esse meme, mas tudo bem), o cetáceo que chamava atenção no mundo do entretenimento em família era Willy. Free Will. A história da orca com a nadadeira dorsal envergada que foi capturada e confinada em um tanque e tem na amizade com o garoto Jesse sua chance de voltar ao oceano.

Sem dúvida um dos meus filmes favoritos de quando criança. Lembro como se fosse ontem de ir a minha locadora falecida alugar pela primeira vez o VHS e das mini-Willys infláveis penduradas no teto como forma de promover o filme em meio aos locadores de fita. Deu certo. Perdi a conta de quantas vezes vi. Além disso, Free Willy fez o mundo desacreditar que baleias orcas eram assassinas, levantou a bandeira do meio ambiente, libertou a Willy de verdade e revolucionou todas as minhas idas a piscinas. Meu sonho era ser igual ao Jesse. Os mergulhos eram feitos sempre depois do brado indígena emocionante (e clássico!!!) do final com o voo de Willy por cima da cabeça do menino. Na época, não pensamos duas vezes antes de comprar uma daquelas boias em formato de Willy ao avistarmos a mesma nas Lojas Americanas.

(A cena inspira a imagem que linka para o endereço da minha conta do Twitter. Fiquei doida quando vi a associação genial pela primeira vez numa camiseta e tive que dar um jeito de colocá-la por aqui também, dada a importância de Willy em minha vida. Outro dia estava assistindo um episódio de Phineas e Pherb, de longe o melhor desenho da nova geração, e os caras fizeram uma referência visual ao voo da Willy no final. As crianças de hoje certamente não entenderam, mas nem precisa dizer que eu pirei, né?)

Seguido de Free Willy 2 e 3 (talvez tão legais quanto o primeiro. Não, o primeiro é insuperável), a franquia ainda ganhou um desenho de sucesso durante as manhãs (não lembro se da Globo ou do SBT, acho que das duas, na verdade). Mas fiquei revoltada quando vi um outro Free Willy vagabundo por aí agora, feito nos anos 2000, depois da morte da Willy original.

Curiosidade:
O cantor pop Michael Jackson gravou a Trilha Sonora do filme com destaque para a canção Will You Be There. A canção ganhou o MTV Movie Awards de Melhor Canção de filme em 1994.

O Menino Maluquinho
Um clássico de Ziraldo adaptado lindamente para o cinema. E se a matéria-prima já era boa demais, o elenco talentoso e carismático fez o resto.

O Menino Maluquinho é o retrato da infância como ela é (ou como deveria ser): cheia de peraltice, subidas em árvores, mesas de doce (sério, sempre quis uma mesa de doces daquelas do filme), etc. O que não quer dizer que o filme não tenha toques de drama com o garoto tendo de lidar com o divórcio dos pais e a perda do avô. Olhando por esse prisma, O Menino Maluquinho é muito mais do que um filme sobre a infância. É um filme sobre a própria vida. E é por isso que esse clássico do Ziraldo é tão comovente, sessão indispensável para adultos e crianças.

Outro sucesso na minha sala de estar, Menino Maluquinho teve várias frases repetidas (principalmente aquelas escatológicas relacionadas a flatulências e cocô) durante muito tempo por aqui. E obviamente, quis colocar panelas na minha cabeça.

Há alguns anos, o personagem ganhou uma ÓTIMA série na TVE, com produção de Cão Hamburger (sempre ele!), que carrega consigo todos os ingredientes do livro do mestre Ziraldo.

O Menino Maluquinho 2, sequência do sucesso cinematográfico, conta com a volta de boa parte do elenco original, agora um pouco mais crescido, porém, pouco lembra a ode à infância que foi o original e podia muito bem não ter sido feita, mas vale a pena assistir se você quiser conferir o primeiro trabalho de direção do talentoso Fernando Meirelles – sim, aquele mesmo de Cidade de Deus.

Na época, achei o final do Menino Maluquinho meio chato e triste. “O Menino Maluquinho não pode crescer! Ele tinha que ser criança pra sempre!!!!!”, pensava eu, talvez projetando um pouco dos meus próprios sentimentos quanto à dificuldade de encarar que a realidade de que infância não dura para sempre.

(E é por causa desse final, inclusive, que o Ziraldo está mais do que certo em NÃO fazer mais histórias com o Menino Maluquinho grande. Viu, Seu Maurício de Souza!)

Só muito tempo depois é que tive a oportunidade de ler o livro. E só muito tempo depois é que fui perceber quão perfeito ele é. O Menino Maluquinho pode até crescer, como você e eu crescemos. Mas se você está se lendo esse texto, é porque ainda tem um Menino Maluquinho dentro de você.

Curiosidade:
Bom, nem é tão curiosidade assim. Há pouco lançaram a adaptação de Uma Professora Muito Maluquinha, mas o filme não faz jus ao livro. Além de não possuir uma boa linha narrativa, quiseram abraçar o mundo, e na tentativa de fazer o filme também relevante entre os adultos, tornaram-no histórico, passado na década de 40, e consequentemente contemporâneo à 2ª Guerra Mundial. O resultado é que ficou muito chato, desnecessariamente dramático e sem foco. Paola Oliveira está uma graça fazendo sotaque mineiro, mas o que eu queria ver mesmo era o Ricardo Pereira, que passou todo o filme sem dar um pio sequer, falando mineirês.

Hook – a volta do Capitão Gancho
E já que estamos falando em crescer... Imagine você que o personagem-símbolo dessa rejeição por tornar-se adulto cresceu. Sim, eu estou falando de ninguém menos que Peter Pan. Ele cresceu, ficou velho, barrigudo e esqueceu como voar. É nesse contexto que seu eterno inimigo, o Capitão Gancho, sequestra seus filhos e Peter agora tem que voltar à Terra do Nunca e enfrentá-lo para recuperar sua prole. Mas, claro que para isso, Pan terá de reencontrar a criança que há dentro de si mesmo. Hook – a volta do Capitão Gancho é pura poesia. E dá vontade de ser criança de novo. Robin Williams faz o Peter adulto, Dustin Hoffman dá show como o Gancho e Julia Roberts dá charme à Sininho.

Outro filme que rendeu muitas histórias. Repetimos à exaustão o grito da torcida na hora do jogo de baseball: “Boa tacada, Jack! Boa tacada, Jack!” (meu pai como sempre, fez pequenas adaptações para transformá-lo em escatologia), nos vestíamos com roupas de adulto e virávamos os meninos perdidos, e eu fazia aquele som esquisito do Robin Williams quando voava.

Outro dia assisti de novo e fiquei boba em como o negócio é bom e a trilha tinha cara de John Williams! Aí subiram os créditos e a-há, era dele mesmo! E direção de Spielberg!

Cheio de aventura e fantasia, o filme presta uma verdadeira homenagem à arte de contar histórias e traz de volta à tona aquela famosa mensagem sobre re-encontrar a criança que existe dentro de você de um jeito muito poético e elegante. Quando eu era criança achava o máximo a cena da guerra de comida por causa de toda aquela sujeira colorida. Anos depois, acho a cena ainda mais icônica por todo o simbolismo que carrega. Nela, Pan só consegue enxergar aquilo que está à mesa e se alimentar, depois que puder imaginar o que será servido. E a partir daí as possibilidades são infinitas. Lindo, né não?

Hook – a volta do Capitão Gancho é o tipo de história que é ótimo para os pequenos, mas fica ainda mais legal quando se vê quando adulto, exatamente por tocar lá dentro do coração e fazer você, assim como Peter, recuperar a criança interior que está lá guardada dentro de você.

(De verdade, esse daqui vocês precisam muito assistir!)

Curiosidade
- Concorreu a 5 Oscars: Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Maquiagem e Melhor Música Original.
- Dustin Hoffman foi indicado a Melhor Ator no Globo de Ouro, Robin Williams levou Melhor Ator no Kids Choice Awards e Julia Roberts foi indicada a Pior Atriz Coadjuvante no Framboesa de Ouro (Tadinha, a atuação nem estava ruim!), etc.
- Gwyneth Paltrow aparece rapidinho como Wendy adolescente e Maggie Smith faz a avó da Wendy.

Beethoven
Ok, esse não é exatamente o tipo de filme que fica melhor quando você vê 10 anos depois. Na verdade é justamente o contrário. Hoje em dia já não consigo mais assistir Beethoven sem reparar na precariedade e ingenuidade da produção. Se nos filmes até aqui elencados, a dica era de que se corresse atrás pra ver ou, se já visto, tentasse assisti-lo novamente com outros olhos, nesse daqui, a dica é: “Não veja de novo, sob pena de estragar suas lembranças”.

Mas o motivo pelo qual eu acho que Beethoven merece um lugar na lista é simples: QUEM NUNCA QUIS TER UM SÃO BERNARDO CHAMADO BEETHOVEN?

Falando sério, 10 entre 10 crianças que assistiram Beethoven terminaram o filme atentando suas mães para que elas comprassem um au-au, de preferência um São Bernardo, para colocar o nome do cachorro do filme. Dificilmente as crianças conseguiram um São Bernardo. Mas pelo menos um cachorro muitas delas ganharam e puderam homenagear o cão do filme e o compositor clássico de uma só tacada quando escolheram o nome do filhote.

Tinha uma casa do lado da minha escolinha que tinha um São Bernardo e toda vez que eu saía da aula, eu ficava olhando lá pra dentro pra observar um pouquinho o Beethoven original. Um colega da minha sala é que morava lá e eu morria de inveja do cachorro dele.

Eu não ganhei cachorro nenhum. Eu bem que pedi, disse que ia cuidar, falei que ia limpar a sujeira, mas minha mãe não deixou e eu passei a infância sem ter um au-au para chamar de meu. Hoje eu vejo que realmente não ia cuidar do bicho e não consigo imaginar minha casa com cachorro. Mas, aos 6 anos, quando a gente se mudou da casa que ficava nos fundos da do meu avô, ele resolveu comprar um cachorro e adivinha só! É claro que eu coloquei o nome do bicho de Beethoven, né?

O nosso Beethoven não era São Bernardo. Ao contrário, não tinha nenhum pedigree. Era vira-lata mesmo. Mas o cachorro era muito mais esperto do que o do filme. São muitas as histórias engraçadas envolvendo Beethoven e seu “amigo”, Shake, que veio logo depois. Comemoramos aniversário deles, compramos uniformes do Botafogo (e do Vasco, time do meu avô), organizamos campeonatos com bolas de papel destruídas em poucos segundos...

Infelizmente, a biologia dos cachorros é muito mais acelerada do que a dos humanos e há mais de um ano, com Beethoven já morando em outro estado, já que meu avô se mudou para Juiz de Fora, faleceu.

Mas se você se debulhar em lágrimas, que nem eu estou agora, a sugestão é que não assista Beethoven. E sim, Marley e Eu.

Ao longo dos anos, Beethoven já ganhou trocentas mil sequências, mas só os dois primeiros é que contam com o elenco original.

Curiosidade
- Eu sei que eu tinha falado que não valiam filmes do John Hughes, mas nesse daqui, ele assina o roteiro como Edmond Dantes (em homenagem a um personagem do Conde do Monte Cristo, numa época em que ele estava meio de saco cheio da mídia criticar o seu trabalho), então...

Jack
Outra pérola de Robin Williams. Num tempo em que o ator era conhecido por seus papéis em títulos infantis (ele ainda tem no currículo clássicos da Sessão da Tarde/Cinema em Casa como Uma Babá Quase Perfeita e Flubber. Por que você tem feito filmes tão ruins ultimamente, Robin?), cara dá um show na pele Jack, o menino que sofre de uma doença rara e por isso envelhece quatro vezes mais rápido. Com isso, Jack tem 10 anos, mas corpo de 40!

Quando completa 10 anos, Jack, que só tinha aulas particulares, pede como presente a permissão para ir à escola. No primeiro dia de aula, Jack descobre que não cabe na cadeira e nem entre seus colegas de classe que, a princípio, o considera mais uma aberração do que um amigo. Aos poucos ele vai se enturmando e os colegas percebem que ter um “coroa” no grupo em lá suas vantagens, como por exemplo, a facilidade para comprar revistas masculinas.

Também assisti um zilhão de vezes. Todas as cenas da casa da árvore são impagáveis (Quem nunca quis uma casa na árvore, né?), muito embora a segunda metade da fita carregue um tantinho demais no drama (pelo menos era o que eu achava quando pequena).

Mas, parando para pensar hoje em dia, talvez a história de Jack não esteja tão longe assim dos dilemas enfrentados até por quem não possui a Síndrome de Werner (pois é, a doença existe mesmo). Jack é uma criança no corpo de um adulto. E, vai dizer que de vez em quando, você também não se sente assim?

Robin Williams mandando superbem, uma história diferente, engraçada e comovente ao mesmo tempo, Jack é o tipo de filme que não se faz mais hoje em dia!

Curiosidade
- Tom Hanks foi considerado para o papel de Jack originalmente.
- Descobri agora: Do mesmo diretor de Poderoso Chefão!!!!! E, espera, meu Deus, dessa eu não lembrava: Jennifer Lopez era a professora! Preciso assistir esse filme de novo, JÁ!

Enquanto fazia essa lista, lembrei de mais 5 títulos (ou até mais!) que eu também adorava quando criança. É uma lista no mesmo nível de “alternatividade” dessa daqui, com alguns nomes famosos, outros nem tanto. Mas para não ficar sem assunto, e para o post não ficar muito grande, essa lista eu vou deixar para o ano que vem!

Feliz Dia das Crianças para vocês!

Um Abraço,
Lisa
Continue lendo...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Tina Fey, sua sósia e você no meio das duas

Ok, você não sabe quem é Tina Fey e não quer saber sobre a sósia dela, mas não vá embora do post ainda. O texto tem plot twist e já, já, você vai entender como você tem tudo a ver com a comediante, mesmo que não se interesse pelo trabalho da moça e não tenha a mínima intenção de ler seu livro. O post ficou grande porque comenta de uma vez um livro, um filme, como eles se relacionam entre si e como se relacionam com você aí do outro lado. Eu gostaria muito que você lesse até o final porque no início pode parecer bobo, mas acredite em mim, você vai ver como tem uns debates muito sérios através do post.



Tina Fey

Uma vez em cada geração uma mulher surge e muda tudo. Tina Fey não é essa mulher, mas ela conheceu essa mulher uma vez agiu esquisito perto dela.

Elogios para Tina Fey:

“Você ficaria muito bonita se perdesse peso” (Namorado da Faculdade, 1990)
“Tina é um troll feio, com formato de pêra e superestimado” (A Internet)
“Mãe, cadê os pretzels?” (Tracy Morgan)

Elogios para Bossypants:
“Eu espero que essa não seja a capa de verdade. Isso vai prejudicar as vendas” (Don Fey, Pai de Tina Fey)
“Absolutamente delicioso!” (Um cara que come livros)
“Vale muito a pena” (Árvores)
“Não imprimam essa linda recomendação do livro de Tina Fey antes que eu esteja morto há 100” (Mark Twain)
“Hilário e perspicaz. Muito engraçado – ah, não, uma lua cheia. Não! Arrgh! Saia de perto de mim! Save-se!” (Um cara virando lobisomem)

Com essas recomendações pra lá de confiáveis, eu não pude evitar comprar o livro da minha ídola da TV, Tina Fey. Mas, se você não faz a mínima ideia de quem seja ou não entende o meu fascínio por ela a ponto de comprar o seu livro, eu explico.

Porque eu gosto tanto da Tina Fey

1.Ela é inteligente genial
Responsável pelos roteiros de Meninas Malvadas e produtora de 30 Rock, Tina consegue entregar sempre textos afiados, desafiadores, que falam de coisas sérias sem se levar tão a sério assim. A gente sempre fica com a impressão de que estar vendo um episódio mais genial que o outro.

2. E nerd
Fã incondicional de Star Wars, não perde a chance de usar a saga jedi em seus projetos (Não que eu realmente me importe com Star Wars) e em Meninas Malvadas inseriu toda uma trama com matemática que por muito tempo foi tema de piadas internas entre meus amigos, principalmente quando todo mundo começou a estudar cálculo e descobriu o que era limite e que ele existia, sim senhor. Tina tem aquele ar de nerd rejeitado e modesto, que, apesar do seu potencial, ainda se sente meio esquisita tirando fotografia pra capas de revista e se pudesse ficaria no sofá o dia inteiro de moletom.

3. E engraçada
Ao contrário de muitos comediantes por aí, Tina Fey é engraçada de verdade. Ela não precisa fazer nada que eu já tenho vontade de rir. Adoro quando ela fala alguma coisa mas dá pra perceber que ela está maquinando milhares de outras coisas piores que não vem a público. E ao contrário de muita gente que faz piada denegrindo os outros, uma das maiores virtudes de Tina é tirar sarro de si mesma e sem apelar para baixaria.

4. E parece com a Meg
O senso de humor, o jeito de falar (e de parecer maquinar outras coisas piores enquanto fala), o apreço por Star Wars, o vício de inserir milhares de referências pop por segundo, a veia feminista... Tina Fey é a Meg Cabot da TV.

5. E parece com a minha profª de português do ginásio
Tá legal, você não conhece a professora. E talvez elas não se pareçam mesmo. Mas às vezes eu olho pra Tina e lembro um pouco da Tia Deborah. Eu falei dela (Tia Deborah) e dela (Tina Fey) aqui várias vezes. Os óculos, o olhar míope quando está sem eles e o formato do rosto parecem um pouco. Mas o pior é a personalidade que parecia mais ainda! As tiradas no meio da aula, o jeito insano como funciona a sua cabeça... Acho que eu preciso procurar um psicólogo, sabia? Quase todo mundo na TV me lembra a Deborah! Se bem que na verdade ela tem um semblante bem comum. Talvez eu não esteja tão maluca assim.

Como esperado, Bossypants é engraçado, com piadas que vão desde a orelha do até os agradecimentos, piadas de riso de canto e outras genais tipo “Não vou mencionar o nome dele aqui, mas se você quiser mesmo saber, as letras estão espalhadas por essa página”.

Mas ao seu final fiquei com a sensação de que podia ser melhor. Em parte por culpa minha que não tenho o inglês avançado o suficiente para acompanhar o humor calcado em gírias e expressões idiomáticas de Tina e não possuo o nível de cultura pop necessários para entender algumas piadas. E em parte por culpa do livro também que parece sofrer de falta de foco narrativo no começo e só começa ficar bom mesmo a partir da parte em que Tina passa a narrar os fatos relativos ao começo de sua carreira como comediante.

Como ia dizendo, o livro só fica bom mesmo quando Tina envereda de vez no caminho da comédia em sua vida. Ela entra para um grupo de teatro em que conhece sua best Amy Poheler (outra diva da comédia), o produtor do Saturday Night Live, Lorne Michaels* e o livro ganha ares de bastidores da TV, assim como a aclamada série comandada por Tina Fey, 30 Rock. (Para quem não sabe, 30 Rock é “sobre” os tempos em que Tina era roteirista do SNL. A primeira mulher, inclusive a fazer parte da patrulha. E qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, é puro descaramento mesmo).
* O SNL - que recentemente ganhou uma versão brasileira que vai ao ar aos domingos (!) liderada por Rafinha Bastos - lembra muito o antigo Casseta e Planeta com sátiras políticas e paródias musicais, mas nos EUA passa nas noites de sábado, que, por aqui é horário do Zorra Total. E nesse contexto acho muito digno dizer que Lorne Michaels seja uma espécie de Maurício Sherman da produção estadunidense, responsável por garimpar novos nomes para o programa e renovar o elenco de tempos em tempos.

De fato há alguns capítulos que falam dos bastidores do SNL e outros em que é possível reconhecer algumas tramas já usadas em alguns episódios de 30 Rock como aquele da jarra de xixi (putz, como esse episódio é nojento!) e o mesmo humor auto-depreciativo de Liz Lemon (e se você até agora não tinha sacado, Liz Lemon é uma versão da própria Tina). Todos os capítulos que tratam sobre o dia-a-dia da TV são ótimos, com destaque para o tempo em que Tina começou a encarnar a candidata a vice-presidente dos EUA, Sarah Palin (mais sobre ela depois) e se viu no meio de toda a corrida presidencial.

(Vale destacar inclusive que o livro tem uma linguagem bastante televisiva, apelando às vezes para gráficos e fotos, e muito parecida com a utilizada em 30 Rock, com flashbacks-relâmpagos a todo momento e piadinhas do tipo piscou-perdeu - e como eu já confessei, eu pisquei à beça. Talvez esse vício de TV também seja o responsável pela falta de foco narrativo que me incomodou tanto no início também.)

Além disso, vale mencionar o capítulo da lua-de-mel em que ela escolheu passar num cruzeiro porque o marido tem medo de avião e acabou que o cruzeiro que quase afundou e teve que voltar de avião pra casa (a história é ótima mesmo e o comentário final sacaneando Titanic é ainda melhor!), o capítulo que conta seu encontro com Mônica Lewinski (sim, aquela do Bill Clinton) e os capítulos que satirizam o ideal de beleza da mídia e discutem um pouco de feminismo. Há uma parte em que ela tira sarro da vida de estrela sexy que tira fotos para capas de revista (aqui Tina desenvolve uma argumentação muito legal sobre Photoshop), outras em que ela finge dar dicas de beleza, e algumas discussões sobre ser uma mulher/comediante e mãe que trabalha fora.

Tina termina o livro emparelhando passado e presente e refletindo acerca de “ter ou não ter” outro bebê. E isso que eu acabei de contar NÃO É spoiler. Spoiler de verdade é saber que em agosto de 2011 ela deu à luz uma menina chamada Penélope Athena (mais grego impossível!).

Sua sósia

Como comentei, um dos destaques do livro é a parte em que Tina conta detalhes sobre os bastidores da imitação de Sarah Palin, a reação do público, o jeito como ficou famosa só porque parece com a mulher (e faz a voz igualzinho!) e passou a aparecer não só nos programas de humor mas também nos canais de notícia tipo CNN, como ela não queria se meter nos rumos da eleição apesar de tudo isso e até um breve encontro com a própria, quando ela foi convidada do SNL.

Aí outro dia passou na telinha Virada de Jogo, um filme feito pela HBO sobre as eleições de 2008 e como a trajetória de Sarah Palin mudou os rumos da campanha republicana. A governadora do Alasca aqui é interpretada por Julianne Moore e não por Tina, e numa excelente atuação a atriz interpreta a personagem com muita dignidade e respeito, sem deixar de incorporar os trejeitos da candidata e sua vozinha irritante que por si só já são engraçados e não precisam estar dentro de uma esquete para fazer rir. A mulher é muito comédia!

Num cenário em que Obama liderava as pesquisas com folga, a assessoria de John McCain foi buscar no “grande estado do Alasca” um ingrediente que traria novas ideias e novos eleitores para a campanha: Sarah Palin. Mulher, conservadora, com visão independente (leia-se "com imagem afastada do governo Bush") e dona de um imenso carisma, Sarah realmente trouxe muitas doações, eleitores e a atenção da mídia que os assessores queriam. O problema é que ela também trouxe muita dor de cabeça porque a atenção que recebia às vezes era pelos motivos errados.

Foram inúmeras polêmicas envolvendo filhos que não seriam dela, a gravidez da filha adolescente e principalmente sua falta de conhecimento de política externa. O filme chega a insinuar que ela havia confundido os atentados de 11/09 com a guerra no Iraque e que não sabia que quem manda na Inglaterra não é a rainha. Em determinados momentos, Tina Fey até aparece no filme zoando a candidata se assistindo na TV, como no famoso diálogo de abertura que fez com Amy Poheler em que satiriza uma entrevista de Palin na qual a governadora dá a entender que EUA e Rússia são vizinhos. O tal diálogo (hilário, diga-se de passagem) está descrito na íntegra no livro, aliás. “Eu posso ver a Rússia da minha casa”, zoava Tina.

Apesar disso, o filme não tira sarro de Sarah Palin e a retrata como uma mulher forte e carismática que apenas foi vítima das conseqüências. Quer dizer, num dia ela estava lá na casa dela cuidando das crianças, resolvendo os problemas locais do seu estado, no outro estava em rede nacional para todo o país (e para todo o mundo até) tendo seu passado vasculhado e respondendo perguntas sobre as quais não fazia a menor ideia.

O mundo todo se perguntou: “COMO É QUE PODE UMA MULHER DESSAS SER CANDIDATA A VICE-PRESIDENTE? Imagina só se o McCain é eleito e morre! Ela não tem condição nenhuma de governar um país!”

E aí é que você, que achava que não tinha nada a ver com a história, entra no meio de tudo isso.

Você no meio das duas

Num primeiro momento, Virada no Jogo pode até contar a história da corrida presidencial estadunidense de 2008, mas numa análise um pouco menos superficial é fácil perceber como ele fala de como funciona a máquina da política como um todo e como ela é capaz de manipular as pessoas sem que elas sequer percebam. E isso você pode aplicar nas próximas eleições municipais que estão por vir.



A seguir “3 Lições que Aprendemos com a história da Sarah Palin”:

1) Em eleições, quanto mais polêmica melhor
Eleição é a maior baixaria. Os candidatos têm sua vida particular revirada, um monte de mentiras são inventadas, boatos espalhados e no fim das contas o que menos se discute é política. Tudo vira uma disputa de popularidade vazia que em alguns momentos chega a lembrar um paredão do BBB. Nos EUA, os candidatos fazem campanha disfarçada em talk shows e programas de humor. No Brasil, o humor fica no horário eleitoral gratuito mesmo.

2) Só confie no argumento “De Mulher pra Mulher” se for comercial da Marisa
Em alguma parte de Bossypants, Tina Fey comenta sobre a diferença entre homens e mulheres na comédia (que é nenhuma!) e como, depois de ter ouvido de alguns diretores que o número de mulheres em esquetes deveria ser restrito, seu sonho na verdade era com o dia em que homens e mulheres pudessem disputar em pé de igualdade, utilizando-se do argumento de quem era mais engraçado.

O mesmo pode ser aplicado na política. Na ânsia de “roubar” o eleitorado feminino que apoiava Hillary Clinton nas prévias contra Obama, Sarah Palin foi escolhida às pressas principalmente porque era mulher. E não porque era boa. E seu “fracasso” se deve não ao fato de ser mulher, mas sim porque não estava preparada o suficiente. Ou melhor, porque ela não PARECIA estar preparada o suficiente (mais sobre isso depois).

E, sim, agora temos uma presidente, quer dizer, presidenta também que, no caso, se elegeu por causa do carisma de seu antecessor. Mas há um pouco mais de 10 anos, quase tivemos uma candidata com intenções de se eleger às custas do rótulo: "Vote em mim porque sou mulher". A senhora em questão era Roseana Sarney, filha do senador que todo mundo hoje quer ver fora do congresso mas continua votando para que ele se reeleja, e não fosse a descoberta de um escândalo da SUDAM talvez tivesse até chegado ao Palácio do Planalto.

3) Em eleições, mais importante do que saber é parecer que sabe
Mas, é claro que, além do “Fator Feminino”, Sarah também foi escolhida pelos ideais que representava e por incomensurável seu carisma. Os republicanos precisavam de alguém que fosse uma estrela de cinema assim como Obama (ou como o nosso Lula). E conseguiram! A mulher roubou a cena e ganhou até filme!

O problema é que ela deixou transparecer que “tinha faltado a algumas aulas de geografia”. Ninguém é obrigado a saber tudo. Mas espera-se que alguém que vá ocupar um cargo de tanta responsabilidade saiba o que está fazendo e não dê vexame. Acho até que todo mundo é capaz de aprender. O Brasil mesmo teve um presidente que não terminou nem o fundamental e fez um bom trabalho. Na política (e até na nossa vida mesmo), muitas vezes não precisa SABER de verdade. Mais importante é PARECER que sabe.

É claro que no caso do Lula todo mundo sabia que o cara não tinha muita instrução. Mas quantos mais políticos vocês acham que se elegem sem a formação necessária? E eu nem estou falando dos casos mais extremos tipo Tiririca, porque, se você for ver mesmo, nenhum deles está preparado de verdade para o cargo. Estamos votando no escuro o tempo todo, baseados apenas no carisma dos candidatos!

Aí você pensa: “Ah, mas para os cargos do poder executivo, a gente pelo menos pode avaliar os candidatos nos debates!”. Debate pra quê? Até os livros de história já contam sobre a edição pela Globo em favor do Collor em 1989! E mesmo que não aconteça mais esse tipo de coisa, de nada adianta você achar que vai conhecer melhor um candidato, quando na verdade o que aparece na TV não passa de um cara que foi devidamente adestrado para repetir sobre os mesmos temas a toda hora!

Em certo momento do filme, quando ficou claro que não seria possível ensinar Sarah Palin a responder as perguntas, os assessores simplesmente a fizeram decorar as respostas e orientaram-na a voltar para um tema que tivesse domínio caso ela não tivesse a menor ideia do que responder! E ela arrebentou no tal debate!

E é claro que essa não foi a primeira nem será a última vez que isso acontece por lá, e vai acontecer (aliás, já está acontecendo!) por aqui diante dos nossos olhos mais uma vez!


Antes do tal debate, Sarah Palin, irritada com tanta gente lhe dizendo o que fazer, grita: “EU NÃO SOU UM FANTOCHE!!!!” É sim, Palin. E o pior é que todos nós somos.
Continue lendo...