segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

La La Land

La La Land e eu somos um caso de amor à primeira vista. Queria assistir desde que saiu a notícia do início de sua produção. Tá aqui o meu tweet de 2015 que não me deixa mentir.

Porque Ryan Gosling e Emma Stone juntos já é um negócio mágico. Cantando e dançando então, é imperdível! Sério, não tinha como esse filme ser ruim.


Ele é o maior galã da atualidade. Daqueles clássicos, que fica ótimo de terno (e ainda melhor sem...). Parece ter tanta consciência de seu papel que chega a rir de si mesmo nas cenas. Talentosíssimo, está em todos os filmes importantes dos últimos anos. Deu credibilidade a Nicholas Sparks e seremos eternamente gratas por aquela cena do beijo na chuva (eu falei: CLÁSSICO!!!). Rei dos memes, separa brigas, salva gatinhos, usa camisas engraçadas, é feminista, come cereal... Ryan Gosling parece ter nascido para interpretar mocinhos que fazem as meninas suspirarem.

Ela é um poço de carisma, daquelas que você quer ser melhor amiga. Divertida e inteligente, trouxe charme e humanidade a uma personagem que poderia facilmente ficar na superfície. E desde então só entrou em projetos bacanas, trilhando seu caminho rumo ao Oscar. Já tem um tempo que eu venho cantando a pedra que Emma Stone tem todos os requisitos para ser a nova namoradinha da América. Pra completar, canta, dança e sapateia. Como não amar?

Impossível não shippar

Só por isso La La Land já valia o ingresso.

(Reza a lenda que o personagem de Emma Stone, na verdade, era pra ser de Emma Watson, que largou La La Land pra fazer A Bela e a Fera. E Ryan Gosling largou A Bela e a Fera pra fazer La La Land. O nome disso é DESTINO, pessoas!!!!)

Mas aí começou todo o buzz da temporada de premiações, e La La Land ganhou todos os Globos de Ouro possíveis e imagináveis e as expectativas de todo mundo que no início só queriam ver Ryan Gosling e Emma Stone cantando e dançando foram lá no alto. E começaram as dúvidas se o filme é realmente tudo isso.

Depois de finalmente assistir, eu vou te dizer que... é tudo isso sim. O filme é LINDO!!!! Uma história de amor absolutamente envolvente, com músicas ótimas, sequências de dança de encher os olhos, cenas que parecem pinturas impressionistas, um colorido mágico no figurino, o roteiro tem uma delicadeza ímpar... Merece todos os prêmios que já ganhou e vai ganhar. É daqueles filmes te fazem sair do cinema... flutuando! “Dá o Oscar pra ele!”, fiquei pensando. “Não tem mais pra ninguém, dá todos os Oscars pra ele!”, vibrei, ao sair da sala de cinema, planejando assistir novamente em outra ocasião.


O que não quer dizer que o filme tenha me ganhado de cara.

Eu, que estou ficando bem viciada em musicais, mas que, particularmente não curto o gênero homenageado (aqueles filmes do Gene Kelly em que ele ficava dançando durante mil horas, e tal), a princípio não gostei da sequência inicial. Achei exagerado, fora do lugar. Onde estavam Ryan e Emma durante toda aquela cantoria? Era bonita, sim. Mas achei cedo pra toda aquela parafernalha.

Durante boa parte do início, as sequências musicais me pareceram meio sem contexto, apesar de maravilhosas. Fiquei com medo. Sim, eu sabia que o filme era uma grande homenagem a esses musicais que fizeram história, à era de ouro do cinema hollywoodiano, etc. Mas nada disso seria suficiente se La La Land fosse só uma homenagem com cheiro de mofo, como um outro filme que ganhou até o Oscar anos atrás, mas que, sinceramente, eu dormi quando fui tentar assistir. Ou esse outro que na teoria também era genial, mas que depois que terminou o filme eu fiquei tipo: “Sério que esse filme ganhou o Oscar? Vocês tão de brincadeira que premiaram isso aí, ao invés de Boyhood?”.


Mas é aí que está o grande trunfo de La La Land. Toda a parte técnica é impecável. Mas isso tudo é só uma moldura para uma história linda, sensível, que dá um quentinho no coração. E o modo como essa história combina com a música, e a dança e o figurino é o que torna tudo tão certo. E é por isso que La La Land desperta essa paixão arrebatadora nas pessoas. Afinal, é um filme sobre paixão. Feito com paixão. Realmente, com esses ingredientes, não tinha como dar errado.

Emma Stone, maravilhosa, pra variar, é Mia (ah, essas Mias me perseguindo!). Ela é barista de um café nos estúdios da Warner e vive, sem sucesso, fazendo audições para papéis em LA. Ryan Gosling, mais uma vez incrível, é Sebastian. Um pianista teimoso que sonha em abrir seu próprio clube de jazz para que as pessoas voltem a apreciar a boa música, mas não consegue se desvencilhar do passado.

Os personagens são apaixonantes. Cheios de sonhos, os dois se ajudam, e se aconselham e dão força um pro outro. (Tem uma hora que Ryan Gosling parece recitar o meme do Hey Girl!). E eles brigam, e se encontram, e se desencontram, como todo bom romance que se preze deve ser. Mia e Sebastian não são perfeitos, mas são perfeitos um pro outro. E é por isso que você vai se emocionar com a história dos dois.


E quando o filme resolve investir nos personagens, tudo começa a fazer sentido.

Ao mesmo tempo em que é homenagem, La La Land tem autoconsciência de que precisa trazer coisas novas para o gênero, ou pelo menos uma nova roupagem.

Em dado momento, Mia pergunta a Sebastian se não está soando “nostálgica demais”. E o próprio desenvolvimento dele, um entusiasta do jazz (foco no jazz!!!) que se recusa a aceitar coisas novas é todo metafórico.


Mas a peça fundamental na verdade é o personagem de John Legend que joga todas as verdades na cara do Ryan Gosling. “Como você quer ser revolucionário, se é tão tradicionalista?” (Pois é, é a minha fala favorita do filme também!). E é nessa hora que o filme dá uma virada e começa a ficar genial. 

Assim como o jazz, que eu aprendi a gostar graças a um cara mais ou menos tipo o personagem do John Legend, o filme parece dizer que os musicais também precisam de uma nova roupagem, para atrair a molecada. Pode parecer que não, mas as pessoas estão sedentas por entretenimento de qualidade. Tudo que a gente precisava era... bom, Ryan Gosling e Emma Stone, e uma história bem contada pra deixar a gente babando na cadeira do cinema.


E assim como esse blog, que tem os dois pés fincados na nostalgia e o nome inspirado no jazz, sua proprietária sabe bem que nostalgia é legal, mas olhar pra frente é o que torna tudo mais interessante.

E daí o filme, assim como Sebastian, para de se preocupar com o passado, e decide traçar seu próprio caminho.

E La La Land pode não revolucionar nada. Mas, de alguma forma, parece moderno. E todas as cenas musicais, inclusive aquelas que eu achei exageradas no início, ganham sentido no final. O que torna tudo ainda mais bonito. (Rimas narrativas, amigos! Rimas narrativas! Chega a ser poético quando o cara usa um recurso desses num filme musical.)

Não é um filme perfeito. Mas é perfeito em suas imperfeições. Ryan e Emma, por exemplo, não são os melhores cantores, ou os melhores dançarinos. E não eram pra ser mesmo. O relacionamento entre os dois personagens é cheio de altos e baixos. E como deixa claro a lindíssima sequência final de tirar o fôlego, isso não faz a menor diferença.

O importante aqui é que La La Land conseguiu me deixar maravilhada, enebriada, flutuando... como o casal principal. Só por isso, La La Land já ganhou todos os Oscars do meu coração. E se o filme é para os tolos que insistem em sonhar, me dá licença que eu vou escrever a minha fic de continuação, porque eu não vou conseguir superar esse filme tão cedo.

Eu, depois de assistir La La Land


Obs com SPOILER: Mas eu sou muito besta, e achei lindo toda aquela sequência em que todo o filme é reencenado sem os percalços do relacionamento dos dois, mesmo que tenha sido o maior golpe baixo mostrarem nosso ship favorito casado em com filhinhos, pra depois esfregar na nossa cara que nada disso ia acontecer. Caio igual a um patinho nesses falsos finais felizes e fico supersatisfeita, mesmo sem happy ending)

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