quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Por trás das câmeras: Ela foi até o fim

Uma roteirista de sucesso que já contribuiu para vários filmes de ação que renderam milhões de bilheteria - ela até ganhou um Oscar! O problema é que seu namorado, o grande astro do filme, resolveu trocá-la pela estrela principal! E agora Lou terá que provar que conseguirá passar por tudo para esquecê-lo. O que ela não esperava é que esse "tudo" significasse atentados contra a sua vida e sobreviver numa montanha congelada com o homem que mais odeia na face da terra como único companheiro... Será que ela vai sobreviver a esta aventura? E será que, no final, encontrará o verdadeiro amor?

Você sabia que:
Meg quando começou a escrever seus ‘adultos contemporâneos’ assinava Meggin (seu nome de batismo), para diferir dos livros com público-alvo mais jovem?
Tá legal que tem um cachorro desses no livro, mas daí a colocar o bicho na capa já é um pouquinho demais... Frase sugestiva essa perto da cestinha, hein?

Ela foi até o fim, pelo menos em questão de lançamento, é o 2º livro adulto contemporâneo de Meg Cabot. Lançado originalmente em 2002 nos EUA, ele chega ao Brasil somente agora em 2010, com 8 anos de atraso.

E embora essa possa parecer uma informação inútil, acredite em mim, não é. Alguns podem se surpreender com as cenas mais calientes e narrativa em 3ª pessoa, mas acontece que antes de ficar famosa com Diário da Princesa, Dona Meg, quer dizer, sua gêmea do mal, Patricia (rs), assinava um monte de tórridos romances históricos (tenho que confessar que ainda estou em dívida com eles), todos com um narrador que não participava da história.

Você sabia que:
Ela foi até o fim era pra se chamar Todo Garoto Tem?

Mas a principal razão de saber que Ela foi até o fim é do início dos anos 2000 é porque, antes de tudo, o livro é uma grande sátira de Hollywood. E assim como fez com o seu mais recente Insatiable, Meg cifrou todas as referências. Trocou nomes, inventou histórias, e colocou realidade e ficção tudo numa panela só, confundindo até a leitora atenta aqui que já não sabia mais até que ponto aquilo era inventado, até que ponto era baseado em fatos reais. É essa é uma das razões pelas quais eu acho que a Record deve tentar apressar ao máximo o lançamento de Insatiable no Brasil: contexto histórico.

Porque se em Insatiable, desse ano, ficou fácil enxergar todas as referências, o atraso do lançamento em Ela foi até o fim dificultou a 'pesca' de algumas brincadeiras envolvendo os filmes, as celebridades, os sucessos da época, etc. Não que você não vá conseguir encarar o livro como se ele fosse de 2010.* Você vai entender a história todinha, mas vai perder metade das piadas-bônus sem nem perceber. Na verdade, tem que ser é muito viciado em cinema e ler os créditos dos filmes e ficar visitando o IMDb pra entender a maioria delas. Mas estar vivenciando o contexto já ajudava alguma coisa.
* Eu tenho pra mim que se o livro fosse pós-2008, Meg ia arranjar algum jeito de colocar Sarah Palin (ex-governadora do Canadá e candidata à vice-presidente do John McCain nas eleições passadas que roubou a cena e rendeu uma ótima sátira da sempre genial Tina Fey) e o Governator da Califórnia, Arnold Sjajhsdqwhelkej (esse daí tinha que entrar, porque o seu passado, sinceramente, tem ter tudo a ver).

Você sabia que:
Esse foi o livro que fez Cabot desistir de escrever qualquer coisa ambientada em algum lugar em que ela nunca esteve de verdade? Ela diz ter recebido um monte de reclamações dos moradores daquele estado americano que fica geograficamente separado do resto do país, dizendo que as descrições não tinham nada a ver.
Bizonha essa sandália pra um livro que se passa no Alaska, né? Pois é, nem a Meg deixou de zoar.

Como eu sou uma leitora muito sagaz (e vidente às vezes também), ainda assim consegui catar várias dessas piadinhas internas. Não vou dizer que peguei todas porque estaria mentindo, mas desconfiei de um monte de coisa e depois apelei pro Google e confirmei muitas das outras suspeitas (é por isso que eu adoro o Google!).

Por exemplo:
Hidenburg, o filme que a protagonista escreveu, funciona como uma baita sátira de Titanic para quem está do lado de cá das páginas. Pois é! E se você ainda duvida, vamos aos fatos:

Primeiro, Hidenbuurg foi um zepelim que caiu! (Sim, eu fui procurar. O tal zepelim existiu mesmo) e Titanic, você está cansado de saber, um navio que afundou de verdade.

E depois, ambos ganharam todos os Oscar’s possíveis (ironicamente Titanic não foi nem indicado a melhor roteiro, Hidenburg levou o carequinha pra casa), arrecadaram um mundo de bilheteria, tinham uma musiquinha grudenta que fez um sucesso estrondoso (Lembra que My Heart Will Go On ficou tipo umas 60 semanas em 1º lugar das paradas? Nossa, cantei muito a versão em português na Kombi da Tia Sandra!  O encarte do cd ficou todo destroçado. Poooorr maaaaaais que eu teeeeente aceitar, não consiiiiigo a saudade ééé demaaaaisss) que também levou o Oscar, tiveram como diretor um megalomaníaco que antes dirigia filmes de ação (Muita gente não sabe, mas antes de Titanic e Avatar, James Cameron comandava mesmo era O Exterminador do Futuro)...

Ah, sim, o protagonista do livro se chama Jack*. (Haha! Muito boa, Meg! Não sei como ainda me surpreendo com esse tipo de coisa...)

Só que o Jack no livro não faz a linha Leonardo DiCaprio. Na verdade ele é uma mistura de George Clooney (hello, o cara interpretava um médico de sucesso na Tv, cabelo grisalho, solteiro convicto, não usa maquiagem...) e Mel Gibson (porque o personagem fez umas quatro seqüências de filmes de ação, e tem close do seu traseiro em várias de suas películas, e fez uma montagem de Hamlet pros cinemas também... Tudo tal qual Gibson).
*Para os desatentos, aquela parte no final em que a Lou grita "Jack! Jack!" foi dramática, mas enquanto eu lia, eu lembrava daquela cena já quase no final de Titanic, e, foi mal, mas eu ri à beça.

Deve ter até mais coisa, só que agora eu também não lembro de todas as fofocas das últimas 3 décadas. Até porque eu só tenho duas de vida.

Você sabia que:
A Lucy no Garota Americana 2 estava lendo esse livro?

A própria narrativa já dava um filme (coisa que eu torço para não acontecer. Quem leu o livro até o final sabe o motivo) e também funciona como uma brincadeira com os filmes de ação, no estilo Máquina Mortífera, Velocidade Máxima e True Lies (este último, uma mega-sátira do gênero - o avião que dá ré é o melhor! - dirigido pelo próprio Cameron).

Mas principalmente Máquina Mortífera por ter Mel Gibson de protagonista e 4 filmes na franquia. E olha só o que a gente não descobre com o Google: há rumores de que vai ter um Máquina Mortífera 5!

Você sabia que:
O apelido de infância da protagonista, Cenourinha, tem a maior cara de ser real? Em inglês, deve ser alguma coisa tipo Carrot!!!! (eu chequei agora, é Carrots). Ainda não sacou? Carrot /Cabot...

Ela foi até o fim não é sensacional, nem revolucionário, mas cumpre tudo o que promete. É aquela história de sempre do casal que vive às turras e que para se apaixonar é só questão de tempo. E isso não torna a leitura menos deliciosa. Muito pelo contrário. Mesmo sabendo disso, a gente não consegue largar o livro e torce loucamente para os dois ficarem logo juntos. E termina a última página com um sorriso de orelha a orelha. Como sempre.

Você sabia que:
Já é pelo menos a 2ª vez que aparece um casal Frank e Helen num dos romances de Cabot? O que isso quer dizer eu não faço a menor ideia, rs! E o que isso acrescenta na sua vida também não, hahaha! Tem mais dessas coisas inúteis, mas vou poupar você agora desses outros detalhes que só eu reparo porque realmente é muita bobagem para um post só.

O livro tem lá seus "deslizes": a ausência do romance paralelo não faria muita falta, algumas descrições às vezes são um pouquiiiinho repetitivas, as cenas quentes - apesar de bastante bem escritas - poderiam ser mais subentendidas* e o mistério não é lá essas coisas, porque o foco aqui é mesmo o romance. Mas, pra variar, nada que comprometa.

Meg Cabot escreve no piloto automático e mesmo quando o faz, faz bem. Esse livro tem a maior cara de ser fruto da combinação “não tinha mais nada pra fazer + não agüento mais essa onda do Titanic (sem trocadilhos) = vou escrever um livro pra desabafar”. Fazer o quê, né? Quem tem talento é outra coisa.

*Como o título sugere, a protagonista vai mesmo até o fim. Muitas vezes. Acho que a Meg estava possuída nesse livro. Deve ter sido a Patricia que escreveu. E aí, já viu, quando personalidade do mal de Cabot assume o controle, tirem as crianças da sala.
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Twilight - Versão Brasileira Herbert Richards

Certo dia, num desses encontros em que a gente assiste a um filme, come cachorro-quente e depois fica jogando conversa fora, o assunto em pauta era Traduções. Aí a Esther e a Adriana ficaram reclamando que a Lya Wyler, tradutora de Harry Potter, trocava uns nomes que não tinha nada a ver, e a gente falou das dublagens de Chaves que também trocavam tudo e a gente foi muito feliz mesmo assim e não sei como a discussão acabou em Crepúsculo (sério, era terrível. Por mais que eu já estivesse de saco cheio de discutir e de xingar e de falar sobre isso, sempre havia algo mais para acrescentar, e os assuntos, de alguma forma, sempre acabavam por desembocar na mesma esquina. Graças a Deus, isso passou).

Então, a gente começou a se perguntar como seriam os nomes dos personagens da saga do vampiro brilhante caso tivessem sido traduzidos de um jeito wyleriano e aí, como sempre acontece depois da mistura “cachorro-quente e Coca-cola” do lanche, a gente surtou. Pra não perder aqueles nomes supimpas, claro, a gente anotou tudo, porque, vou te contar, era um melhor que o outro.

Só que aí, muito tempo depois, eu fiquei rindo sozinha, lembrando disso pra escrever aqui pro blog, e, também em mais um desses acessos de criatividade loucura, pensei: “Mas e se além de traduzirem só os nomes, alguém fizesse uma versão totalmente tupiniquim dessa bagaça?”. O resultado desse surto, misturado ao outro de meeeeses atrás, você acompanha no post de hoje.

Twilight - Versão Brasileira Herbert Richards*
*Não que o Herbert Richards tenha alguma coisa a ver. O nome dele aí foi só pra chamar atenção mesmo.

Pra começar a versão brasileira de Twilight ia ser uma novela (sim, novela, porque brasileiro não tem dinheiro pra fazer filme, mas fazer novela é um negócio em que a gente semos bom).

Confira o elenco:

O trio principal

Eduardo Cunha (Edward Cullen): Fiuk

Ídolo Adolescente, já está acostumado à histeria das fãs e, ao contrário do intérprete americano, Fiuk adora paparicar as meninas. Se você notar bem, ele tem um ar meio vampiresco. Ia ser perfeito para o papel. Além de tudo, Fiuk é engraçado demais com aquele seus bracinhos de Tiranossauro Rex e ia dar muitos sustinhos na Bela, aparecendo do nada, igual seu pai fazia nos clipes. E se no original, Edward toca piano, Eduardo vai cantar "Demorei muito pra te encontrarr, agora eu quero só você" (tem tudo a ver, fala aí!).

Bella Cisne (Bella Swan): Sophia Abrahão
Sabe aquela mocinha que a gente não está nem aí e quer mais é que morra? A atriz que a interpreta tinha que ser uma menina bem sem graça pra dar veracidade à personagem. Eu acho até que ela é meio sebosa e parece fisicamente com a Kirsten Stewart também.

Jacó Preto (Jacob Black): Micael Borges
Se o Pasquim fosse 25 anos mais novo, não haveria dúvidas para a escolha do papel. Mas até que esse menino sem graça aí lembra o Taylor Lautner de longe e com cabelo comprido. Só tem que tomar uns anabolizantes que fica tudo certo.

Famílias Cunha/Cisne

Esmerada Cunha (Esme Cullen)- Bianca Castanho
Porque ela tem cara de Esmeralda e fez a Esmeralda do SBT.

Carlão Cunha (Carlisle Cullen)- Cláudio Lins
Tinha que ser um cara gente boa, mas assim meio apagadinho, que não tivesse uma beleza estonteante pra não tirar o brilho do protagonista (haha, juro que foi sem querer). O mais bizarro é que o Claudio Lins toca piano de verdade. E muito bem. (Alô, o pai dele é o Ivan Lins!) E a melhor parte é que ele fez par com a Bianca Castanho em Esmeralda!

Alice Cunha (Alice Cullen) - Monique Alfradique
Fofa, é só fazer o que ela sempre faz que a gente se diverte. Na versão brasileira, Alice sonha em ser apresentadora do TV FAMA e contar em primeira mão não onde os famosos estiveram, mas onde eles estarão!

Gaspar Cunha (Jasper Cullen) – Rafael Almeida
Ah, sei lá! Pode ser qualquer um!

Emerson Cunha (Emmet Cullen)- Kleber Bambam 
e Rosalinda Cunha (Rosalie Cullen) – Thalia
Emerson e Rosalinda serão o núcleo cômico da novela. Sonham em formar uma banda que tocará em trios elétricos, quase como uma versão do Calypso. Rosalinda terá sotaque espanhol e vai cantar "Rosalinda, ai amor!", enquanto Emerson ficará responsável pelas coreografias. Ele ensinará o Rebolation, a dança do "onda-onda, olha a onda" e a sua música preferida: a Dança do Vampiro.*
*Haha! Não falei que ainda ia encaixar isso em algum lugar um dia? Moleza! Gente, sério, vampiro no Brasil que não sacaneia Dança do Vampiro é um desperdício de piada pronta! E desperdício de piada é uma coisa totalmente anti-ecológica.

Renata Cisne (Renne Swan): Vera Fisher
Fará uma pequena participação somente no início da novela. Casada com jogador de futebol, se muda para o exterior e deixa a filha com o pai,

Carlinhos Cisne (Charlie Swan): Andre Dibiasi ou Kadu Moliterno
Será salva-vidas ao invés de policial, daqui a pouco eu explico o porquê.
*Percebeu que o pai do Edu é Carlão e o da Bella é Carlinhos, né?

E sem esquecer, lógico, do anjinho...

Renesmeralda Cunha Cisne (Rennesmee Cullen-Swan): Maísa
Tinha que ser uma criança bem irritante. E mais irritante que a Maísa não tem, vamos combinar. Entra só na fase final da novela. Por causa de sua ascendência vampiresca, apesar de parecer ter apenas 8 anos, sua perspicácia é de uma jovem de 28. Por isso, Renesmeralda perde a paciência com os amiguinhos da escola, que, para ela, não estão suficientemente avançados intelectualmente. Também com um nome desses, qualquer criança fica complexada...

Só complementando:
Na versão brasileira de Crepúsculo, os vampiros vão morar no Leblon e, ao invés de beisebol, vão jogar frescobol e futvôlei, na praia (já imaginou que irado vai ser a cena do frescobol em câmera lenta? Nossa, muito bom!). Mas só à noite pra não dar na vista. No Carnaval, desfilarão todos na Sapucaí e aí vão poder brilhar à vontade porque todo mundo vai achar que é purpurina.

E Carlão será neurologista de um hospital particular (porque novela do Manoel Carlos sempre tem um neurologista num hospital chique) e sua mulher trabalhará numa clínica de estética (porque em qualquer novela tem que ter uma clínica de estética também para servir de desculpa pra encaixar merchandising de produto de beleza). Numa cena de flashback, mostrará Carlão como cafeicultor influente, muito amigo do imperador D. Pedro II, inclusive.

O conflito Eduardo X Jacó também significará uma coisa meio Morro vs. Asfalto, já que Jacó e os Lobos serão do núcleo pobre da novela, e morarão no Morro Dona Marta, que agora tem UPP e está na paz.

Vilões:
Lauro (Laurent) – Lázaro Ramos
Um vampiro baiano, cheio de molejo e sotaque. Adora o som da banda dos Cunha em segredo.

Vitória (Victoria) – Karina Bacchi 
 e Tiago (James) – João Velho
Se fosse novela das 8, iam ser tipo Laura Cachorra e Marcus de Celebridade. Mas como vai passar de tarde, a dupla mau caráter só vai armar uma porção de planos mirabolantes para separar o casal principal, incluindo aquele clássico de dopar o mocinho e arrumar um jeito de a mocinha vê-lo na cama com outra, mesmo que o coitado esteja totalmente desacordado.

Elenco de apoio:
Escola
Maicon (Mike)
Jéssica (Jéssica)
Ângela (Ângela)
Thales (Tayler)

Lobos
Hélio Chamada (Embry Call)
Sérgio Águalimpa (Seth Clearwater)
Emília Jovem (Emily Young)
Clara Jovem (Claire Young)
Raquel (Rachel)
Jairo (Jared)
Lea (Leah)
Paulo (Paul)
Samuca (Sam)

E o meu preferido:

Peninha (Quil)*
*Parece nada a ver, mas tem lógica. Quil lembra Quill, que quer dizer Pena, que lembra aquele compositor famoso. Ha!

Ah, sim, quase ia me esquecendo. Além de vampiros e lobos, a novela contará com a presença de figuras mitológicas do folclore brasileiro como Saci Pererê e Curupira, sem falar na participação especial de Chico Anísio interpretando seu amado personagem Bento Carneiro, o vampiro brasileiro.

E pra finalizar: Lembra da cena do baile? Pois é, como no Brasil a gente não tem baile na escola, vamos adaptar para uma Festa Junina. Imagina só todos os vampiros vestidos de caipira, dançando quadrilha, pulando na hora do “Olha a coooobraaaa! É mentiiiraaaa”... Vai ser demais!!! Mas a melhor parte mesmo vai ser vê-los com os caninos pintados de lápis preto!!!!! Caraca, essa novela tá muito boa, pode falar, vai!

Fiuk versão Anarriê/Tititi

Não perca a estréia da versão brasileira de Crepúsculo, a sua nova novela das 17h! O elenco é todo ex-Malhação, mas é certeza que você vai se divertir muito mais que a novelinha da Globo e a saga original do vampiro brilhante juntos!

Uma realização TV Rádio Legal em parceria com a CNT
Colaborador: Jonas Rocha*
*Você viu que o horário é às 17h, hein, Jonas! Não pode ficar colocando aquelas cenas Xica da Silva, não!


Edit1(Nov/2011): Primeiro a Globo faz aquela dublagem que muda Edward pra Eduardo, agora o Thiago Santiago diz que quer fazer uma novela inspirada em Crepúsculo. Alô, galera! Direitos autorais, JÁ!
Edit2 (22/11/2012): GENTE! QUE BAFÃO! Minha pulguinha me contou que viu os intérpretes de Bella Cisne e Jacó Preto no maior amasso num hospital da Barra da Tijuca. E como a arte imita a vida e a vida imita a arte, mas nossa novela não se contenta em ser mera cópia da obra de Stephanie Meyer, na versão brasileira de Crepúsculo, BELLA CISNE NÃO FICA COM EDUARDO CUNHA, e SIM COM JACÓ PRETO!!!!! CHUPA ESSA MANGA!!!!! Agora a pergunta que não quer calar: Por que Bela Cisne teria ido se consultar em outro hospital que não o do Dr. Carlão? Estaria Bella grávida de Jacó? Seria Renesmeralda fruto de adultério??? Iriam todos eles fazer teste de DNA no Programa do Ratinho? Aguarde as cenas dos próximos capítulos. Obs. Alice Cunha mandou avisar que Bella Cisne e Jacó Preto jogarão futvôlei na praia esse fim de semana (de manhã, porque à noite, a quadra é dos Cunha).
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O nome da rosa

Conforme prometido, vamos continuar com a discussão do post anterior com um tema bombástico: Nomes/Títulos.

Você fica revoltado quando vê aqueles títulos que não tem nada a ver com o original, não fica? Tem vontade de voar no pescoço do tradutor que troca o nome de todos os personagens do seu livro favorito, não tem?

Bom, então, é bem capaz de você querer me matar pelo que eu vou falar daqui a pouco.

E como já vi que vou ser apedrejada e não sou boba, eu trouxe reforços. E não qualquer reforço, mas um Da Pesada (desculpa, gente, eu não resisti, rs). Porque, para William Shakeaspeare, o nome era um mero detalhe. Fala aí, Will (aquelas íntimas, haha!):

O que é que há, pois, num nome?  
Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, teria ainda o mesmo perfume

Pois é, como nosso amigo Shakeaspere já poetizou, trocar/traduzir um nome não é assim esse caso de polícia todo. Mas também não quer dizer que não deva ser investigado. O que eu dizendo é que, concordo com sir William, mas também temos que concordar que “há casos e casos”, e dentro desses casos ainda há outros casos até. É um negócio extremamente subjetivo. Tem mais a ver com hábito e cultura do que com regras propriamente ditas. (E a ver com dinheiro também - ele sempre está no meio, não tem como fugir- , como veremos mais a frente.)

Criança Feliz
Por exemplo, se for um desenho, uma coisa destinada ao público infantil, acho as traduções/adaptações muito válidas.

Já que é pra criança, a intenção deve ser aproximar os personagens da realidade da criança e até facilitar a pronúncia dos pequenos. E o universo de fantasia dá uma certa liberdade em relação a nomes. Não está ligado a questões culturais fortíssimas, por exemplo. Coisas para crianças geralmente tendem a ser universais – acho que os autores fazem isso até meio que de propósito. Elas se passam na Rua do Limoeiro ou na Vila do Chaves, mas podiam muito bem passar na frente da sua casa. Nesse casos, a rosa do Romeu (que aliás era Romeo) podia ganhar o nome que fosse, porque ela cresce em qualquer lugar.

Pois é, não acho nada de absurdo Ginny virar Gina, e Ron virar Rony, entre outros (por mais sem critério que possa parecer) e menos absurdo ainda James virar Tiago, nem Bill virar Gui (porque tem uma explicação quase etimológica para tal).

 Monica, Jimmy Five, Smudge and Maggy
Adorei o nome do Cebolinha, uma homenagem aos seus eternos 5 fios de cabelo.

Mal acostumado você me deixou
Porque, como disse, muitas vezes o problema está mais relacionado a se acostumar com os nomes adaptados/não-adaptados do que propriamente a uma tradução bem feita, seguindo uma lógica.

Pega qualquer desenho da Disney aí que tá tudo mudado. E não faz a menor diferença. Ficou até melhor. Os Incríveis mesmo. Nossa! Assisti outro dia (dublado claro) e vi que trocaram Helen por Helena... Bob por Beto...Jack por Zezé. E ficou legal! Muito legal! Não ia ter nem graça se não tivessem mudado.

Ainda sobre a Disney, eles “nacionalizaram” muitos (Patinhas, Pardal, Huguinho, Zezinho e Luizinho, Pateta), traduziram outros (Margarida, Pato Donald) e mantiveram alguns no original (Mickey, Minnie).

E você já imaginou chamar o Frajola de Sylvester? Seu Madruga de Don Ramon? São coisas que já fazem parte do nosso dia-a-dia.

Assim como não conseguimos imaginar que um dia o Peter Parker já foi chamado de Pedro Prado e que em algum lugar do passado Bedrock já foi Rolapedra e Daphne, Welma e Salsicha (que no original seria Shaggy - “Cabeleira/Cabeludo”) já foram Diana, Vilma e Barbicha!

E é por isso que eu fico com a maior raiva quando trocaram Sininho pra Tinkerbell! (Viu, eu também fico revoltada, só que sempre ao contrário, rs!) Tinkerbell é o caramba! Sininho é o que há! Tinkerbell é grande e não tem nada a ver na hora de falar. Principalmente quando se trata de crianças!

CAMPANHA VOLTA SININHOOOOOO!

Curiosidade: Para evitar a cacofonia, em Star Wars, Conde Dooku virou Conde Dookan. Jedi Sypho Dias virou Sypho Vias. Taí um exemplo de tradução de nomes que foi extremamente necessária!

Títulos: Não culpe o tradutor
Eu sei que você fica xingando os tradutores quando vê os títulos das séries do SBT, e terrivelmente irritado quando vê que Dying Young virou Tudo Por Amor. Mas a culpa dos nomes dos filmes/livros/um monte de outras coisas não é deles.

Quem escolhe essas coisas é o departamento de marketing (ou o Silvio Santos). Eles fazem pesquisas para verem quais títulos atrairiam mais espectadores (no caso do Silvio, acho que nem pesquisa tem), e com base nisso os escolhem. Vocês estão xingando as pessoas erradas.

É por isso que quase nunca os títulos originais são mantidos. Porque não é só traduzir. Tem que fazer alguma piada, não deixá-lo com uma fonética pouco atraente... É todo um trabalho de aperfeiçoamento da função conativa da coisa...

E tudo bem, desde que façam um título nacional igualmente bacana. De vez em quando aparece um até mais legal que o original. Esqueceram de Mim, por exemplo, livrou a sequência do mico que pagamos quando adaptamos Meu Primeiro Amor*, porque o menino não está Sozinho em Casa no 2º filme.
* Quem ia adivinhar também que iam fazer uma seqüência desse filme? Deus, o garoto MORRE!

E mesmo que não seja tãããão legal, que seja alguma coisa que tenha o mínimo de criatividade, que fale mais ou menos do que é o filme, enfim... Você assistiria um filme que se chamasse Serrote? Agora Jogos Mortais você viu, né! Percebeu como as mudanças muitas das vezes são altamente necessárias? É o tipo de caso em que “o nome da rosa” (isso é nome de filme e de livro* também) faz toda a diferença, pelo menos na hora de comprá-la.
*Agora deram pra começar a deixar os títulos dos livros sem tradução/adaptação também. Baita sacanagem. Ninguém é obrigado a saber inglês não, viu, editoras! Mas, enfim, isso já foi discutido no post passado. Continuemos.

O que não pode é não dar nenhuma pista do que o filme se trata – ou passar a mensagem errada, deixar no “gerador de títulos aleatórios” (comédia romântica tem que ter “amor” no nome sempre, e os famosos “da pesada”, “do barulho” pra qualquer coisa, etc), enganar o espectador - Teen Wolf virou O Garoto do Futuro (tem o Michael J. Fox e ele estava em De Volta Para o Futuro, logo...), Bandslam (Batalha das Bandas – virou High School Band. Mesmo raciocínio. Tem a Vanessa Hudgens, e ela canta...), etc.

Mais casos bizonhos aqui. E uma tabelinha muito interessante aqui.

Obs.: Momento relaxa porque redondo é rir da vida: Outro dia na locadora, eu e Esther vimos como ficou o título nacional de Grace is Gone, em que o John Cusack tenta superar a morte da mulher: Minha Vida Sem Grace. Bacaninha o título, mas aí a gente começou a se perguntar se tivessem traduzido o nome dela: Minha Vida Sem Graça (haha!). Ou podia ser um título ainda mais esculachado, tipo, já que a vida está sem Graça, podia virar logo Minha Vida Desgraçada, Que Desgraça de Vida, enfim. Só uma brincadeirinha pra descontrair.

Que bonita a sua roupa!*
Ainda vale lembrar que quando “I can't take my eyes of you” vira “Não sei paraaaaaar de te olhar” na voz de Ana Carolina e o Seu Jorge é porque música também é o tipo de coisa que não se traduz assim ao pé da letra. Faz-se uma versão.

Só que existem as versões direitas** (hello, olha a Disney dando aula aí de novo em todos os filmes que marcaram nossa infância) e as avacalhadas, tipo “Eu sou Stephany no meu Crossfox” – um crássico do pop piauiense.

E ok, na maioria das vezes, as versões SÃO avacalhadas, mas a culpa é toda nossa que fica na Internet o dia todo e agora conhece as originais. Num passado não muito distante, a gente cantava essas coisas avacalhadas (não nesse nível ‘Stephany Absoluta’ porque também já é demais) feliz da vida e nem ligava.
*A música do Festival da Boa Vizinhança em Chaves na verdade era alguma coisa tipo "Que bonita vecindad, Es la vecindad del Chavo", mas não sei por que razão virou "Que bonita a sua roupa, Que roupinha mucho louca". Mas eu já disse, né? Em Chaves, essas coisas não são defeitos, são virtudes! Hehe! Viu como a Internet tira a nossa inocência?
**Geralmente as versões que os próprios artistas fazem pra tocar em mercado estrangeiro ficam legais. Eles não são bobos de SE esculacharem assim. Ah, sim, louvores também são ótimos exemplos de versões bem feitas.

Money, money, money, money

Só pra fechar o caixão e concluir de uma vez esse assunto, antigamente a tendência era a de traduzir o máximo possível. Personagens Históricos, e a própria Bíblia, tiveram todos os seus nomes traduzidos. E no caso da Bíblia, não só do inglês para o português, como lá no Aramaico, em primeiro lugar. É questão de costume.

Hoje em dia, o pessoal do marketing pensa que o ideal é padronizar os nomes para diminuir os custos (lembra que eu falei dos nomes das séries da TV paga?) e valorizar a marca. Tem vezes que eles se metem até nos nomes dos personagens também. Aí a gente tem casos como o da Sininho que virou Tinkerbell, Super-Homem só pode ser Superman, Star Wars que não pode ser grafado Guerra nas Estrelas, etc.

É o dinheiro falando mais alto de novo, fazer o quê? É, minha gente, há muito mais coisas entre os nomes, os títulos e as traduções em geral do que supõe a nossa vã filosofia...

Mas, sério, vamos ajudar na campanha da Sininho. A bichinha deve estar com crise de identidade a uma hora dessas. Anos e anos sendo chamada de um jeito, aí agora trocam o nome da coitada? Eu não sei você, mas eu ia ficar muito confusa.

 
Ser ou não ser? Eis a questão...

Putz, acabei de descobrir que antes de Sininho, ela era chamada de "Tilim-Tim" – nome horrível de pronúncia igualmente difícil, por sinal - na primeira dublagem de Peter Pan. E agora é que eu fiquei com ainda mais pena da Sininho. Finalmente tinha conseguido um apelido simpático, e trocaram DE NOVO! Ela deve estar muito traumatizada, sério! Fica assim não, Sininho, apesar de terem trocado o seu nome, a gente ainda acredita em você!
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Lost in Translation

Antes de tudo, deixa eu só deixar claro uma coisinha. Eu não sou tradutora. Não fiz, não faço e não tenho a menor intenção de fazer faculdade de Letras, nem de me especializar no assunto. Sou apenas uma curiosa que conhece um pouco de uma língua estrangeira e gosta de aumentar o seu vocabulário.

Eu procuro saber o que está escrito no original antes e qual alternativa eu daria para uma possível inventividade. Só critico se for muito absurdo e alterar completamente o sentido das coisas. Porque às vezes tem questões dão no mesmo e outras que o tradutor tem que dar o seu jeito e aí faz o melhor que pode. E outras em que ele não ia ter que fazer mais nada além de prestar atenção no contexto e traduzir, sem mais mistérios. Essa última é imperdoável.

E se tem uma coisa que me irrita mais do que esse tipo de erro grotesco (e mesmo assim, dependendo do caso, nem me irrita tanto), é gente que é assim “apenas mais um curioso” igual a mim e fica inventando moda dizendo que tudo está errado e que devia deixar logo tudo no original de uma vez.

Traduzir é preciso, viver não é preciso
Admito. Tenho uma comunidade no orkut que critica as traduções da Ana Ban, e sempre fico com vontade de comparar os originais. Mas não só para ver se tem alguma coisa errada, mas também para adicionar umas expressões novas no meu vocabulário. E mais: só reporto lá aquilo que é absolutamente absurdo. E sou a primeira a defendê-la quando alguém levanta uma questão em que a Banana na verdade acertou.

E mais: gente, eu reli os livros tem pouco tempo e tenho que dar o braço a torcer: apesar de tudo, a tradução da Banana ainda é melhor do que as de antes. Tinha muita expressão grotesca nos livros anteriores. Questão de sintaxe, má escolha de palavras, problemas com medidas, personagem que troca de sexo, salame que vira gafanhoto e muito mais bobagens que eu ainda estou pra descobrir. Mas, o mais engraçado, é que eu confio mais nas outras capengas do que na da Banana. É psicológico, acho hehe.

Pois então, antigamente as traduções eram bem piores. Pega só um episódio dos Flintstones ou algum filme de 20 anos atrás só pra você ver. São umas coisas bizonhas. Have fun = ter diversão, Have sex= ter sexo... O pessoal de Chaves fazendo massa de bolo e na dublagem aparecer que eles estão fazendo pastel... Esse tipo de coisa bem tosca.

Eu nem sei se eles alteraram os sabores dos sucos também
Acho que era Gromerindo, né? A mistura de Groselha com Tamarindo!
Ai, ai, Chaves é o ápice!

Mas naquela época não tinha Google e ficava muito mais difícil procurar significado de uma gíria, por exemplo, então ninguém nem notava.

O problema é que hoje todo mundo fala, ou acha que sabe falar inglês. Aí não só temos traduções profissionais com currículo de amadores, como amadores que se acham profissionais.

É preciso entender que a gente mora no Brasil, nossa língua é o português e por isso a tradução é um instrumento muito necessário. Nem todo mundo tem obrigação de falar outra língua. O país é pobre. A gente não sabemos nem falar português! E mesmo que todos falássemos inglês fluentemente, não temos que saber todas as suas palavras. E nem a obrigação de decorar todo o dicionário da nossa língua materna. Porque além de tudo, a língua ainda varia de região em região! E tem os jargões de cada profissão também, o dialeto de cada “tribo” jovem, enfim!

E deixar aquele bando de séries da TV a cabo com título original já se tornou até comum e todo mundo acha legal porque os nomes que o SBT inventa tem vezes que ninguém merece, mas você sabe por que os canais da TV a cabo não trocam os nomes? A resposta é PREGUIÇA!!!

Sim, amigo, PREGUIÇA! Eles têm apenas uma central para toda a América Latina, e aí para não terem que ficar fazendo um negócio em Espanhol, outro em Português, deixam logo tudo na língua original mesmo. Eles já traduzem as coisas para passar nas intermináveis chamadas do canal em português muito a contra-gosto. E é por isso que de vez em quando a gente vê uns absurdos do tipo comerciais com legendas hispânicas, um locutor falando castelhano, etc.

É muito fácil defender esse tipo de coisa quando se tem um domínio mesmo que básico de inglês, que é uma coisa que meio que já faz parte do nosso dia-a-dia (muito embora, mais uma vez repito, se o trabalho da pessoa não exigir esse tipo de conhecimento, ela não tem a menor obrigação de aprender a língua). Eu quero ver só começar a deixar sem tradução os desenhos japoneses, os filmes iranianos, o discurso de um presidente africano. Vai lá! Lê aqueles símbolos todos estranhos, vai!

 É a mãe!

Sabe aquela história do “em latim é mais engraçado”? Pois é.
Uma coisa é você ler/escutar e encaixar um sentido na sua cabeça. Outra coisa é você ter que arrumar esse sentido em palavras que se encaixem o mais perfeitamente possível a esse sentido numa frase coesa.

Tradutor sofre. Dá-lhe neologismos, aliterações, assonâncias, rimas, trocadilhos, cadências, piadinhas. Às vezes eu acho que os coitados encontram umas situações em que a vontade é sentar e chorar. Tem que ter uma criatividade incrível para se livrar de algumas situações e adaptar, sem deixar o sentido original se perder.

Então, antes de criticar o coitado do tradutor, pesquise se aquilo está errado mesmo, pense se realmente fez diferença ou se você tem uma alternativa melhor... Se não tiver, acho que você não tem o direito de reclamar.

O Franklin sim! Esse pode reclamar sempre!

Mídia impressa x Legenda x Dublagem
Outra coisa interessante a ressaltar é que a tradução não só pode como deve variar de acordo com o meio de comunicação.

Na mídia impressa (livros, jornais, revistas, etc) é mais fácil deixar o texto na íntegra porque se tem espaço pra isso. O cara pode até colocar um asterisco (*) e lá no rodapé pôr uma nota do tradutor para algo que não ficar bem explicado, porque o leitor não tem obrigação de saber tudo. Esse trabalho de mediação ‘cultural’ também é obrigação do tradutor.

O trabalho do ‘legender’ já é um pouco mais complicado e é meio Se Vira Nos 30. Ele tem que transmitir a mensagem num espaço curto de caracteres. E aí, a preocupação não vai ser em explicar tudo tim-tim-por-tim-tim. A idéia é o mais importante e a simplicidade é a regra geral. A pessoa escuta o original e meio que faz as associações. Porque, ou você fica lendo a legenda, ou assiste o resto do filme.

E o trabalho de dublagem, além de tudo isso que faz o ‘legender’, ainda tem que encaixar a tradução na fala. E aí o trabalho tem de ser muito mais minucioso porque aí o espectador também não vai ter acesso ao original imediatamente. Geralmente, aqui é que entram aquelas adaptações com piadas que certamente só fazem sentido pra quem mora no Brasil. Bom, eu não sei se isso é muito certo, mas, na maioria das vezes, à primeira vista funciona e eu rio, então, leigamente falando, sei lá, é questão de opinião.

Eu só não acho certo trocar o nome dos lugares, tipo Acapulco que virou Guarujá, mas também, o que seria de Chaves sem essas coisas? É um negócio histórico e ninguém morreu por causa disso, apesar de ter causado uma bela de uma confusão na mente das crianças!*
*Sério, apesar desses deslizes, a dublagem de Chaves tem umas sacadas ótimas! É tanta coisa que dava pra fazer um post só disso. Até quando os caras erram, eles acertam de tão bons, haha!

Obs. Para quem ODEIA filme dublado: dublagem também é importante porque às vezes a gente quer assistir um negócio enquanto se arruma pra sair, passa uma roupa, esquenta a comida, sei lá, e não tem como ficar prestando atenção na Tv, então, nessas horas, filme dublado é uma mão na roda.

Outra coisa: Os responsáveis pela dublagem são as pessoas do estúdio de dublagem (aquele negócio de Versão Brasileira Hebert Richards é isso. A marca do Estúdio de Dublagem, viu!), não as emissoras de TV. A não ser que o estúdio de dublagem pertença ao canal. É ele quem encomenda e pode até dar alguma diretriz de como quer o trabalho, mas geralmente fica por conta dos dubladores mesmo. As coisas se profissionalizaram, gente! Não é mais igual à dublagem de Chaves em que os caras chamaram qualquer pessoa que estava passando no corredor, não! Então, quando você ver uma dublagem absurda, não culpe o Silvio Santos! Culpe o Herbert Richards! Hehe!

Obs. O título do post faz alusão ao premiado filme de Sofia Coppola sobre a dificuldade de adaptação de um ator a cultura do Oriente. Ironicamente o título original ficou perdido na tradução tanto aqui (Encontros e Desencontros), quanto em Portugal (O amor é um lugar estranho).

Mas como o assunto “Nomes /Títulos” é uma questão super-hiper-mega-polêmica, a gente conversa sobre isso na próxima semana. Até mais!

PS. Como disse, não sou profissional da área, então, se eu equivoquei em algum fato, pode avisar que eu faço questão de editar.
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sábado, 23 de outubro de 2010

Infância Imprópria

Ok, Dia das Crianças já passou, todo mundo já ficou com saudade desse tempo bom e aproveitou pra cantar aquelas músicas que adorava quando era pequerrucho, mas morre de vergonha agora que está crescido. Aí nessa hora, com certeza, você ficou nostálgico pra caramba, soltou um suspiro e falou: “Ai, no meu tempo é que era bom! As crianças de hoje não tem mais músicas assim, apropriadas para sua idade...”, não foi?

O que você não lembrou foi das músicas totalmente impróprias que a gente cantava e ainda diziam que era de criança. A começar por, obviamente....

Atirei o pau no gato

Atirei o páu no gato tô tô
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu
Miau !!!!!!


Um claro caso de violência contra os animais. Perceba que a intenção ao atirar o pau no gato era MATAR o bichano e o espanto de Dona Chica (provavelmente a mandante do crime) quando o gato dá um berro de dor e não morre.

Samba Lelê
Samba Lelê está doente
Está com a cabeça quebrada
Samba Lelê precisava
É de umas boas palmadas


Mas coitada da Samba Lelê! A criança DOENTE, com a cabeça QUEBRADA e o que fazem com ela? Dão amor, carinho e canja de galinha? Não! Descem o sarrafo na bichinha. Cadê o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Juizado de Menores que não vêem isso?

Nana neném
Nana neném
que a Cuca vem pegar
Papai foi pra roça
Mamãe foi trabalhar

Desce gatinho
De cima do telhado
Pra ver se a criança
Dorme um sono sossegado


Ih, criança, se ferrou! Papai foi pra roça, a mãe foi trabalhar... Ninguém vai te salvar da Cuca. Confesso que não conhecia a segunda parte da música, mas vale a pena salientar também como a música retrata com exatidão o problema dos pais que trabalham demais e não têm tempo para ficar com os filhos, tendo de pedir ajuda ao gato para que tome conta da criança, uma vez que é difícil achar uma babá de confiança. A única coisa que eu não entendo é como esse povo vai pedir ajuda logo ao gato, que tanto tentaram assassinar lá na primeira música... Se eu fosse esse gato, eu ia querer me vingar...

Mini-saia
(Dane-se a reforma ortográfica!)
Mini, mini, mini, tô de mini-saia
Mini, mini, mini, e de chapéu de praia
Mini, mini, mini, encontrei um garoto
Mini, mini, mini, ele nem me olhou
Mini, mini, mini, eu tirei o maiô :-O
Mini, mini, mini, ele desmaiou


Sério, sempre achei essa um absurdo. Tenho pra mim que essa é a música que a Copélia mais gostava quando pequena. Prefiro nem comentar.

Das adoletas da vida 

Cento e cinquenta
Com muito carinho
Vai ter que me dar
Um pedacinho
De Baygon, Baygon
Barata com sabão
É bom!
1,2,3,4,5,6,7,8,9,10
Puxa o rabo do tatu
Quem saiu foi tu!
Puxa o rabo da cadela
Quem saiu foi ela!
A, E, I, O, U!
A baleia do Sul!


Tirando o fato de ser completamente sem nexo, onde já se viu Baygon, Barata e Sabão ser bom? E mais uma vez a violência contra os animais se manifesta. Depois de atirar o pau no gato, dá-lhe puxar o rabo do tatu, da cadela...

Mamãe na cozinha
Papai no corredor
Vovô de cueca
Dançando Rock’n’roll


Uma família visivelmente desestruturada. A mãe num cômodo, o pai no outro, e o ancião da casa dançando seminu numa clara demonstração de que não está mais em pleno domínio das suas faculdades mentais.

Lá em cima do piano
Tem um copo de veneno
Quem bebeu, morreu
O azar foi seu


Olha isso! VENENO! Ao alcance de qualquer um! E a falta de solidariedade com quem toma o negócio é que é a pior parte.

Professora muito burra
Me ensinou a namorar
Namorei um garotinho
Da Escola Militar
O safado do garoto
Só queria me beijar
Na bo-ca!


Eu não sei nem o que é pior. A falta de respeito com a professora, a atitude da mulher em ensinar uma coisa dessas ou o assédio do menino.

A resposta da Mariquinha 
Abre a porta Mariquinha
Eu não abro não
Você vem da pagodeira
Vai curar sua canseira
Bem longe do meu colchão
(...)

Outra família desestruturada. O marido saiu de casa pro forró SEM a mulher (safado!) e ainda se acha no direito de entrar em casa a hora que quer (machista!). E aí a esposa também se vinga e ameaça agredir o homem com pau-de-macarrão. Alguém duvida de que esse casamento não vai durar?

E pra fechar:

Maria Chiquinha
Que cocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?
Que cocê foi fazer no mato?

Eu precisava cortar lenha, Genaro, meu bem
Eu precisava cortar lenha
(...)


O que é que a Maria Chiquinha realmente foi fazer no mato? E o que o Genaro ia fazer com o resto depois que CORTASSE A CABEÇA da esposa? Alguém chama a polícia, por favor! Tem um assassinato acontecendo! Sério, é bonitinha, mas essa música é muito imprópria!

Alguém me fala como é que nossos pais deixavam a gente cantar isso? É só mau exemplo! Vai ver é por isso que desistiram de fazer música pra criança, porque pra fazer assim, melhor não fazer!*

Obs. É tudo brincadeira, viu! Ninguém vira assassino de gatos ou de mulheres por causa disso. E tinha muita música legal (e apropriada) também. Acho um absurdo não ter mais música direcionada ao público infantil.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fessores nota 10

Quando se trata de educação, eu sou uma pessoa muito cética. Não acredito nesses milhões métodos inventados pelos educadores da nova geração. Não acredito que tecnologia faz grande diferença no ensino, e nem acredito em colégio que promete aprovar todo mundo no vestibular. Mas se tem uma coisa que eu acredito totalmente e coloco toda a minha fé, essa coisa é o professor.

Não é exagero dizer que, ao passar mais da metade do seu dia em ambiente acadêmico, o professor acaba sendo uma espécie de segundo pai para todos seus alunos. É ele quem muitas vezes ensinará conceitos não só da matéria, mas de cidadania e pensamento crítico, transformando seus estudantes em mais do que simples ‘experts’ em determinado assunto e formando verdadeiros cidadãos.

É bem verdade que existe muito professor salafrário e que, além não ensinar nada, faz questão de infernizar a vida dos alunos, tornando-se responsável muitas vezes pela repulsa (e tempos de faculdade, até desistência) dos estudantes por determinada disciplina. Esse daí não é o professor do tipo ‘pai’, e sim do tipo padrasto mesmo, rs. E é exatamente essa espécie que rende algumas das maiores piadas entre os alunos em seus momentos de ócio. Porque, não sejamos hipócritas, o principal passatempo de aluno é falar mal de professor. Me pergunto se a recíproca é verdadeira, mas divago.

Mas eu não queria falar desse tipo de “professor” hoje. Gostaria de render uma homenagem a alguns dos meus mestres queridos que contribuíram e muito para a pessoa que sou hoje. Alguns deles, quando chegaram à minha vida, transformaram não só a mim, como também fizeram uma verdadeira revolução na instituição em qual começaram a lecionar. E para esses daí, eu não só tiro o chapéu, como tenho um orgulho danado de dizer: “Eu tive aula com ele”. Não vai dar pra escrever sobre todos, mas vou tentar fazer um bom apanhado.

Jardim e Primário
- Tia Márcia do Pré.
Ela ensinava um monte de musiquinhas e coreografias pra gente. A música da caveira era a minha favorita. Tum-ba-la-tum-ba-la-tum-ba-la-uê! Pena que tiraram ela no meio do ano. A tia que entrou não ensinava essas musiquinhas.

- Tia Neide da 3ª série
Ela era velha. Mas gostava de ser chamada de Tiazinha – na época era ela que habitava o imaginário dos homens. A mulher chegava na sala já ditando um monte de exercícios, e é por causa dela que até hoje tenho calo nos dedos, mas cadê que os alunos deixavam de gostar dela? A gente cantava até uma musiquinha em sua homenagem: “Uh, Tiazinha, para de passar devê! Uh, Tiazinha, tô cansada de escrever”. Fiquei triste quando, anos depois, descobri que a Tia Neide tinha morrido. É, gente, o cigarro mata! De verdade! E matou a Tia Neide.

Ginásio...
- André Batalha (aquele que quase nunca falha!) – 4ª/ 5ª série
Deu 6 meses de filosofia na 4ª série e um bimestre de História na 5ª. Ele também ensinava um monte de musiquinhas! Nossa, que aula era aquela! Pena também que ele foi embora logo no início na 5ª série. Até hoje não se sabe porque ele nunca mais deu aula no colégio. Alguns dizem que ele ficou com dengue, outros que passou no concurso do município e eu já ouvi dizer até que ele tinha virado ator. (Ele ensinava praticamente atuando também, por isso a aula era tão boa).

- Ana Helena
Tudo que eu sei de História eu devo a essa moça. Adorava as aulas da Tia Ana Helena. Quando chegou a 8ª série, mudou de professor, mas aí estreou Cabocla na TV. Você deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra. Calma, eu explico. É que a Ana Helena era A CARA da Vanessa Giácomo. Nossa, aí também, ela “sofreu” com a gente. Eu fui pedir autógrafo pra ela no jornal que saiu (com o pôster da atriz), fizemos uma revista com a capa da Vanessa Giácomo e inventamos uma entrevista com a mesma dizendo do que ela achava da Ana Helena, chamavámos a professora de Zuca no corredor... Hahaha! Era divertido! Mas ela adorava essas bobagens também! Chegou a fazer MSN assim: anahelena_zuca@... Haha! Ai, ai, saudades desse tempo bom.

- Alexandre
Tinha semana que ele estava careca. E tinha semana que ele tinha mais cabelo e barba. Mas a pochete gigante e o barbantinho estavam lá todas as aulas. Eu ficava boba como ele desenhava todos aqueles retângulos e triângulos e, principalmente, círculos perfeitos só com a ajuda daquela cordinha que ele passava no giz. Parecia até mágica. Ótimo professor. Aprender ângulos alternos internos foi fácil com o truque do Z.

- Carine, Renata e Carol (as Smallvillemaníacas)
O que fazer quando você descobre que 3 das suas professoras (de Espanhol, Geografia e Ciências, respectivamente) compartilham do seu mesmo vício (Smallville e seu protagonista, Tom Welling)? Elas eram e, são até hoje, superamigas (com o perdão do trocadilho). Era engraçado. A gente comentava os episódios, babava pelo Tom... Era uma mais maluca que a outra. Não que eu possa falar alguma coisa (já leu o depoimento do que a gente fez com a professora acima?, e você ainda não viu nada!). Quando juntava todas elas então, se segura! Ah, sim! A Renata e a Carine também eram superfãs de novela mexicana/coisas da cultura latina e batiam altos papos com a Esther!

Teve um trabalho de Programa de Saúde da Carol que era pra falar sobre anabolizantes. Aí a gente colocou o Tom na capa e o título era mais ou menos assim: “Anabolizantes: o jeito fácil de se tornar um Super-Homem”. Nem precisa dizer que ganhamos nota máxima. Hahaha! Ai, Jesus, como a gente aprontava! Definitivamente, a 8ª série foi uma série muito criativa...

- Deborah
Está pra nascer uma professora mais legal que a Deborah. Praticamente tudo o que eu sei de Português, é culpa dessa doida. Desculpa, tia Deb, mas você sabe que é meio pancadinha, rs.

A Deborah chegou no colégio quando eu estava na 7ª série junto com uma nova leva de professores (dentre eles Carol e Renata) e não é exagero dizer que a mulher revolucionou aquela escola. Depois de uns dois anos de muita disciplina, seriedade e sermão em Português, eis que chega tia Déb fazendo brincadeiras de arrumar frases e cantando para todos os alunos ‘tomar banho’ igual a Maria da frase que a gente tinha que pontuar. E isso foi só o primeiro dia, porque teve um ainda mais marcante. Vou contar uma história pra vocês:

Prova do 1º bimestre. Só eu e minha amiga Fe na sala. Uma questão sobre Sujeito e Predicado. A Fe, desesperada que só (por isso a Deb chamava ela de Leãozinho. Sim, da música do Caetano Veloso), começa a chorar dizendo que não sabe resolver a questão porque nunca tinham ensinado aquilo pra gente. E o pior é que era verdade. O professor das séries anteriores nunca sequer tinha tocado no assunto. Eu confirmo à Deborah e ela fica abestada. A partir daí, rola o maior barraco na diretoria (não que eu tenha visto, mas com certeza teve), a Deborah teve ensinar tudo o que o cara não tinha ensinado (mais a matéria dela), e acaba que criamos um eterno laço de afinidade para bem depois do fim das aulas.

E vou te contar, que aula BOA! Aprender sintaxe nunca foi tão divertido. Nunca vou esquecer que: “O verbo haver na 3ª pessoa do singular, com sentido de existir, é impessoal, dando origem assim à Oração Sem Sujeito”, de tantas vezes que a gente repetiu isso na sala. Sério, eu nem olhei nada pra escrever isso agora.

Mas foi de um jeito legal, sabe? Ela estava meio que brincando quando mandava a turma repetir. Ela mesma não se esquece desse dia.

E o pacotão 3 em 1? “Verbo de ligação” (sem brincadeira, ela desenhou um telefone no quadro nesse dia. As pessoas não acreditam quando eu conto) + Predicado Nominal + Predicativo do Sujeito. Eles sempre vêm juntos!”.

Isso fora altos projetos que ela ainda fazia com a turma. Projetos de Leitura, de teatro, extra-classes, passava filmes pra gente, comentava Bob Esponja... Sabe aquela professora que faz de TUDO para os alunos se dêem muito bem na vida? Que quer fazer do colégio um lugar melhor? Pois é, é a Deborah.

E além de TUDO, a mulher ainda era super-heroína nas horas vagas!

Ah, sim, a sinceridade é outra característica marcante dela. Ela SE ESTRAGANDO de rir no Festival de Poesia de 2007 foi muito hilário. Nossa, lembrei agora do dia que os alienígenas fazendo contato! E do ‘olhar sexy’, que na verdade era ‘olhar míope’. E o famoso ‘olhar bovino-opaco, boca 15º’ dos alunos que não estão entendendo lhufas. E só a Deborah que pra ensinar eufemismo dá o exemplo de “virar self-service de verme” (ecaaa!)

Não é à toa que com 6 meses de aula só, ela ganhou festa de aniversário, e vários presentes. Muitas, muitas saudades das aulas da Deborah. Tia Déb, você sabe que mora no meu s2!

Galera do Cefet

Putz, agora vai ser difícil falar de todo mundo. É tanto professor bom que vai acabar ficando cansativo. De qualquer forma, vamos listando a maioria deles rapidamente. Desculpe se não der pra falar de todos, vou dar preferência aos que tem bordões, ok?

- Paulo
“Hi, my name is Paulo, eu sou professor de Química”. Assim começou a primeira aula do Paulo e primeira aula da nossa jornada do Cefet também. O Paulo era um professor singular. A prova do cara era (muito) difícil, mas com ele você aprendia Química. Suas músicas sem noção demais, seus gritos nas horas mais inoportunas (Iiiiiiih!), as piadas do tipo que a gente ficava tipo: “Hã???” (Qual é o nome do sal dodói? KI – porque caiu, doeu! ). Ah, sim, tinham os remédios também sempre recomendados na época pós-prova, mas esse é um blog de família, não posso ficar postando coisas de conteúdo chulo.

- Talita
Exemplo de caráter. Aula excepcional. Trabalhos inesquecíveis (tia Tatá, se tiver erro de português no post, você me desculpa, tá? Mas o que importa é a comunicação, né?!). A turma aprendia e crescia horrores nas aulas dela. Não se limita às quatro paredes da sala para ensinar, sempre marcando passeios visitas técnicas e se precisar dá aula até na escadinha do Bloco A, quando falta luz, rs.

- CH Lobo

Quem disse que prof. de ed. Física não serve pra nada? A gente aprendeu muito mais sobre ética e cidadania nas aulas do CH do que em qualquer outra. Amigo dos alunos e, junto com tia Tatá, sempre em constante luta para melhorar a instituição onde trabalha. Muita gente da minha turma, inclusive, deve a ele a aprovação em Programação no 2º ano. Qualquer problema, você pode ir reclamar “direto com ele” (rs). Eu já vi muita gente querendo matar a aula de Ed. Física, mas isso é porque não tiveram aula com o CH. Quem participou dos Grandes Jogos não quer mais outra vida! rs

- Bira
Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Já era o 4º ano do curso técnico e depois de tanta briga e sofrimento, a única coisa que a turma queria era catar logo aquele diploma e nunca mais ver informática na vida. Só que aí chegou o Bira e mudou tudo. Aqueles alunos já cansados de notas baixas e de ouvir que não queriam estudar e que deviam largar o curso de uma vez descobriram que não só era possível e fácil aprender programação como eram bons nisso! Sabe aquele cara que é apaixonado pelo que faz? Pois é, é o Bira. Ele deu uma injeção de ânimo em todo mundo e aquilo que parecia impossível se tornou palpável. Aqueles alunos que tantas vezes pensaram em desistir começaram a tirar 10 em cima de 10. E em provas difíceis. E que demoravam 2 dias para ficarem prontas. E a gente fazia amarradão!

Além de tudo, ainda era um super-amigo dos alunos e chegou até a trocar o dia das aulas de Java pra mim, por causa da minha faculdade. É graças a ele que muitos de nós conseguimos estágios e trabalhos também. Professor igual ao Bira não existe. E palavras para expressar a minha gratidão e honra de ter sido sua aluna também não.
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É por causa de pessoas assim que eu acredito que não só na educação como forma de ascensão social, como creio que não se precisa de muito para transformar um aluno e até uma escola inteira. Ah, se as instituições de ensino só tivessem professores assim... Aí sim, o Brasil ia pra frente!
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Eu não esqueci de vocês, calma! Faixas bônus!
- Scheila
(“Mateus, Rafael, Cláudio, Fulano, Beltrano – e nome de quem mais estivesse em pé -... Vamos sentando?”. Melhor professora de física que eu já tive. Superfofa, ia passando de mesa em mesa perguntando: “Tudo bem?”)
- Welerson (“Dá um jeito, dá um jeito!” – Saudades da aula desse mineiro que foi parar em Santa Rita...)
- Vivi Marquezine (“Mateeeeus, cê tá impossível hoje!” – fofa demais!)
- Luizão (O Luizão já passou de tudo nessa vida. Sério, o cara tem, sei lá, umas 10 faculdades! Mas o melhor mesmo era quando ele falava: “Brilhouuu, Vândila!”)
- Marcela ("O meu Trianglinho - ou Trianglão - não está torto... É a luz!", "Vocês querem que eu grite e xingue igual ao Paulo, é? Aaaaah, seus feios!" Hahaha! Sabia muito a mulher, vou te contar!)
- Aline Dib (“Pessoaaaaal!” – estalando os dedos. Sempre dizia que não ia deixar assistir aula quem não estivesse com a apostila, mas sempre esquecia disso também, rs)
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nostalgia pura

Eu tenho saudades da época em que tudo parecia mais simples. Uma época em que a gente não tinha muita responsabilidade e dormia de tarde. Ou melhor, da época em que não dormia de tarde, porque o mais cedo que a gente acordava era às 9h.

Tenho saudades do tempo em que a ida pra escola levava no máximo 20 minutos a pé e a gente contava os dias pra Ed. Física. Tenho saudades do tempo em que a gente fazia “piuí-tic-tac-abacaxi-com-chocolate”, “um-atrás-do-outro-igual-a-um-gafanhoto” na hora da fila e de quando sexta-feira era o dia em que podia levar brinquedo pra escola.

Tenho saudades do tempo em que a gente se vestia de índio no Dia do Índio e de soldado no Dia do Soldado e pintava os desenhos da prova depois que acabava. E saudades da época em que os trabalhos pra casa eram do tipo “Recorte e Cole” e só tinha 4 horas de aula por dia.

Tenho saudades do tempo em que a gente brincava de vaca amarela na Kombi da Tia Sandra e comprava bala fiado na Maria. Saudades de quando biscoito waffer era Mirabel, do doce do Zorro, da bala de caramelo e de quando os desenhos do Passatempo eram letras e as pessoas brigavam por elas nas Lojas Americanas pra poderem escrever seu próprio nome na porta do quarto. Tenho saudades de quando PushPop era sensação, de colecionar as surpresas do KinderOvo e de comer por partes do corpo o chocolate da Tortuguita e do biscoito Fofy.

Tenho saudades de quando sentava todo mundo numa mesa gigantesca e ficava compartilhando/roubando o lanche dos outros e eu levava Toddynho (ou quente ou puro gelo) pra beber. Tenho saudade até das abelhas que ficavam no refeitório atrapalhando, loucas por um restinho de guaraná natural. Tá bom, mentira, das abelhas eu não sinto falta, não. Tenho saudades mesmo era de prender as abelhas com a tampa do refrigerante Minalba (Minalba!) e depois ver alguém correndo cheio de medo quando a gente soltava a bichinha.

Tenho saudades das novelas infantis do SBT, da época em que a Dança da Fadinha era hit e de quando a gente jogava bafo com os tazos de Pokemon. Tenho saudades do tempo em que a gente cantava Chiquititas na Kombi só pra irritar os meninos. E saudades do tempo em que até os meninos gostavam de Chiquititas (ou será que eu estou delirando?) também.

Tenho saudades da época em que todo mundo gostava de Sandy e Junior, via o seriado e comentava na segunda-feira sem medo de ser feliz. E tenho saudades de quando o Prezunic ainda não era Champion, que ainda era Continente e sorteava ingressos pros shows também. Mas principalmente, tenho saudades da época em que a gente cantava Imortal até enjoar e fazia concurso de quem aguentava mais a última nota (putz, isso era muito bom! Quem segurasse mais, a gente achava que sabia cantar muito, haha!).

Tenho saudades de quando a gente achava a capa da fita VHS de Jumanji a coisa mais legal do mundo, porque ela era meio 3D e se mexia quando balançava. E tenho saudades de quando todo mundo comprava a Revista Recreio ou aquela outra que eu esqueci o nome, mas vinha no domingo junto com O Globo e tinha uns quadrinhos do Doug.

Tenho saudades do tempo em que a gente chegava do colégio louco pra ocupar a poltrona no papai e assistir o CRUJ tomando aquele lanche reforçado que deixava a gente sem apetite pra janta. Tenho saudades do tempo em que a gente brincava de “polícia e ladrão” no meio da rua. E do tempo em que brincava de pique-esconde na praça de Tinguá com quase 18 anos na cara.

Tenho saudades de quando tomava vacina de gotinha e da época em que a gente podia ficar doente porque aí ainda matava aula na escola. E tenho saudades do tempo em que as consultas eram mais doces porque o médico dava pirulito no final.

Tenho saudades do pirulito do Doraime (ou era Zoraime?) que aparecia na Angélica, ainda na Manchete, e de quando eu sempre dormia no meio do programa e aí meu pai colocava um do meu lado e eu ficava crente que era o bicho da Tv que tinha trazido.

Tenho saudades do tempo em que meu despertador não era um celular e sim uma galinha (o despertador era em forma de galinha, não que eu tivesse uma Marilu aqui em casa). Tenho saudades de quando o Tamagochi era o terror das professoras e o de todo mundo era um Dinossauro e o meu era uma Tartaruga e vivia mais que o de todo mundo.

Tenho saudades do skate, bicicleta, patins e patinete de dedo e dos concursos que tinham na Eliana, mesmo eu não tendo a mínima coordenação motora pra todas aquelas manobras. Saudades do programa da Eliana, do Chiquinho, do Pitoco, e do Melocoton também. E tenho saudades do Mundo de Beakman, do Lester e daquela apresentadora que chamava Lisa e eu sempre dizia que era eu. Ai, saudades do Agente G de quando a gente pintou um tonel em homenagem ao Refri.

Ba-da-bim, ba-da-bam, ba-da-bum!

Tenho saudades de quando o videogame mais avançado era o Nintendo 64 e os meninos alugavam a fita (fita!) na locadora. Tenho saudades de quando as locadoras alugavam CD também e de quando filmes com mais de 3 horas eram raros porque senão ficava igual a Titanic, que tinha que ser separado em duas fitas. Tenho saudades da minha locadora, aliás.

Tenho saudades da época em que as festas de aniversário tinham que ter tema e eram feitas no quintal da nossa casa. E mais saudades ainda das festas que a gente dava já na época em que não tinha mais tema nenhum, e a gente jogava bola o dia inteiro, e a irmã mais nova da minha amiga roubava no placar, e sempre tinha alguém que se machucava (Adriana, geralmente), mas mesmo assim continuava feliz e contente, e a gente zoava a “Dona Jura”, e uma porção de coisas.

Tenho saudade até de quando o Mc Donald’s tinha acabado de chegar na cidade e aí todas as crianças comemoravam aniversário por lá. E tenho saudades também de quando as mesmas crianças começaram a ficar de saco cheio e passaram a sabotar aquele teatrinho do Ronald. Tenho saudades do Ronald e sua turma, aliás. Mas principalmente tenho saudades do tempo em que a casquinha custava só 1 Real.

Tenho saudades do tempo em que era a maior emoção quando a gente revelava as fotos meses depois que eram tiradas, e a gente colava aqueles adesivos com balõezinhos no plástico do álbum. Tenho saudades de quando a gente se reunia em volta do álbum pra ver as fotos, aliás. E principalmente tenho saudades de quando as pessoas não ficavam tirando fotos de si mesmas de dentro do banheiro pra depois colocar no orkut, até porque ele nem existia.

Saudades do Almanacão da Mônica e daqueles aviões/carrinhos de shopping que não saíam do lugar e só faziam barulho. Dos desenhos 2D da Disney e de quando o NorteShopping fazia aquelas gincanas maneiríssimas na sua praça central. E saudades de quando os personagens da Disney foram no BarraShopping e a gente ia várias vezes e ficou correndo o shopping inteiro pra tirar fotos com todos também.

Tenho saudades de quando a gente se preocupava com o que ia ganhar de Dia das Crianças e de quando as lojas colocavam aquelas mesas enormes cheias de brinquedos fora da caixa pra gente brincar e, lógico, pedir pros pais comprarem pra gente.

Tenho saudades de um monte de coisas e desse tempo que não volta. E é por isso mesmo que ele se torna tão especial. Mas deixa eu parar por aqui, senão esse post não acaba nunca.

E você, do que tem saudades?
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