quinta-feira, 5 de abril de 2012

Uma garota com conteúdo

Ela via o mundo
Ele via o mundo
Viam sob a mesma luz
Isso é tudo e era tudo que havia entre os dois em comum


Pelo sobrenome na capa, você já deve ter reparado, a autora do livro é alguém da minha família. Mais precisamente a Esther. Minha irmã. A CEO desnaturada da CEO aqui no Inútil. (Aliás, cadê aquele texto que você me prometeu aqui pro blog, hein, Esther?)

E por isso, desde já tenho de pedir desculpas à minha irmãzinha pela demora na resenha, uma vez que escrever sobre o trabalho de alguém tão próximo não é tão fácil quanto parece. Além do mais, fui acometida pelo mal do peak dos adultos nos últimos meses (o que significa que trabalhei feito um cachorro) e estava sem tempo nenhum de parar para escrever alguma coisa pro blog mesmo.

Nicole daria qualquer coisa para NUNCA sair de sua casa. Não somente por temer ser vista por pessoas inocentes – sendo ela um monstro, calamidades devem ser evitadas –, mas por preferir fechar-se em um livro a abrir a porta de seu quarto. Quando o que ela busca é nada mais do que segurança, impedir que a arranquem de seu refúgio pode ser perigoso demais; deixando-a vulnerável e, pela primeira vez, sem palavras.

N.I. daria qualquer coisa para SAIR de seu colégio. Colegas de classe e professores chatos apunhalam-no e sugam o sangue de suas artérias nutridas pelo rock. E é justamente na música que encontra sua fuga para dias melhores, preenchidos então por goladas de refrigerante e uma multidão de garotas loucas por um pedaço seu.

Assim, Nicole é forçada a aceitar as conseqüências quando finalmente alguém a nota enquanto N.I. dedilha a vida em seu teclado de computador e, em sua guitarra, compassos que o fazem mergulhar em enigmas tão estranhos quanto nicknames, encontrando respostas para perguntas que nunca se atrevera fazer.


Uma Garota com Conteúdo aposta na fórmula ultimamente em alta, mas que, na época em que foi escrito - ah, sim, pra publicá-lo foi uma luta, então você pode fazer colocar alguns anos retroativos aí pra entender o contexto de algumas coisas -, quase não se via (ou pelo menos, EU não via): o narrador compartilhado.

Nos dias de hoje, esse recurso anda sendo desperdiçado por aí, inclusive. Acho até que serve como refúgio para alguns escritores que não sabem narrar em 3ª pessoa e apelam para a alternância de pontos de vista a fim de dar voz aos pensamentos de mais de um personagem (personagens demais, às vezes também). Ele deve ser usado com cautela, de forma que agregue e não simplesmente porque o autor achou legal escrever sob uma perspectiva diferente.

Não é o caso aqui. Narrado em forma de diário (ou “registro histórico”), a alternância de narradores funciona bem para evidenciar as diferenças entre os dois e equilibrar o drama da Nicole com as bobildices do N.I – mais conhecido como - Adônis.

Sua dedicatória foi bem mal-criada, hein, Dona Esther!

Com uma escrita mais sofisticada do que o usual (o que por vezes pode atrapalhar em se tratando de uma leitura leve), Uma Garota com Conteúdo foge do estereótipo “adolescentes falando gírias”. O que não quer dizer que seus personagens não sejam tipicamente juvenis.

Nicole, como boa discípula de Lorelai que é, solta mil referências pop por página e sonha com galãs das novelas mexicanas (quem gosta delas vai encontrar um prato cheio aqui). Mas não por isso deixa de ter opiniões ferrenhas sobre assuntos sérios ou tantos problemas de auto-estima que parece ser a personificação daquela música do Cazuza.

Adônis, por sua vez, é um menino diferente dos outros de sua turma. Está em busca da garota ideal, e não suporta meninas que não tenham nada a dizer. Mas nem por isso desgosta de ter seu ego massageado quando rodeado de garotas bonitas, ou tem apreço pelos ídolos teen que a mídia tenta nos empurrar goela abaixo. Ele curte mesmo é rock pesado! Mas sua formação é clássica. O menino toca violino*.
* Pra você que acha que os dois não combinam, está na hora de rever seus conceitos.

Ele era um aspirante a poeta
Ela era a inspiração
E pra ele qualquer coisa nela despertava uma canção
Ela que sempre buscava em tudo um porquê
Com ele bastava estar, sentir e viver

Esse amontoado de características aparentemente opostas faz de Uma Garota com Conteúdo uma oração subordinada adverbial concessiva (uma metáfora que a Nicole, e principalmente a Hannah, iam adorar). Mesmo sendo diferentes da maioria, lá no fundo, nossos protagonistas ainda são iguaizinhos aos meninos e meninas que conhecemos no colégio. E mesmo sendo tão diferentes um do outro (Ela escreve fics de Harry Potter. Ele só leu 3 livros em toda a vida!), quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

Pra continuar com as metáforas, uma que agrade ao Adônis agora, Uma Garota com Conteúdo é um copo de Coca-Cola. Momentos de desligar o cérebro e apreciar a loucura total, sem nenhum compromisso com a verossimilhança. O senso de humor da Esther é aguçado (também, tinha que ser minha irmã, né?) e tira proveito de algumas piadas internas nossas e outros fatos marcantes (ou não) da mídia.

Quer dizer, você se lembra de um cantor teen – Pedro - com sobrenome de astro celeste que tentou pegar carona no sucesso do Felipe Dylon, apareceu no filme do Luciano Huck, e depois nunca mais se ouviu falar nele? Se não se lembra, bom, SORTE a SUA! Hahaha! Mas também é azar, porque é uma das minhas piadas favoritas do livro junto com aquela do rato na garagem (mais Uma Banda lá Em Casa impossível) e a referência ao Marcelo Camelo (essa foi genial!).

Mas voltando ao Pedro, para qual não foi minha surpresa quando descobri esses dias que Pedro “Lua” ainda vive!!!!!! Parecia até gente na foto, fazendo musicais dos Beatles! Ele é irmão da Roberta da versão brasileira de Rebelde da Record, e adivinha o nome da garota na vida real? LUA!!!! HAHAHAHAHAHAHA! Agora saca só o nome do resto dos irmãos: Ana Terra, Estrela, Daniel Céu e Marisol!!!!!  Na boa, melhor que a encomenda essa, Esther!

(E já que estamos falando de nomes, tenho que comentar que adoro o nome do Gusta. Gusta Cuerda. Adoro como ele soa divertido em qualquer sotaque, seja ele um carioquês, caipira ou mesmo portunhol barato. Eu misturo os dois. Meu carioquês com pseudocasteliano: Guxxxta Cuerrrrda).

Já no time das piadas internas o destaque vai para O Papa também veste Prada (e é sério! Ele veste MESMO!!) até a obsessão da irmã mais velha da Nicole, Sofia, por Anne Hathaway.

Aliás, acho que devia muito ter um spin-off da Sofia. A melhor personagem, sem dúvidas! Podia ter um volume Sofia encontra Anne Hathaway. Ou uma série de mistérios da Sofia. Ou um guia de viagens da Sofia. Ou até mesmo um livro de auto-ajuda da Sofia. Sacanagem, auto-ajuda também já é demais.

Embora a Nicole não concorde, acho que a lição que fica no final é de que a vida real, fora do seu próprio quarto e das páginas dos livros, pode ser muito mais interessante do que a ficção. Se você deixar que ela aconteça. A Sofia por exemplo, se deu benzão! rs

É claro que o livro não é perfeito e tem defeitos. Mas eu não sou nem besta de ficar comentando aqui porque: 1) isso é jogar contra o patrimônio e 2) Minha irmã ia me bater muito se eu fizesse isso e eu tenho amor à minha integridade física. Espero que ela não fique chateada com isso também... Ai! Tarde demais, ela leu!

Você pode comprar direto da editora. Ou no site da Travessa também. Se não estiver encontrando, faça lobby com o seu livreiro, pra que ele encomende mais.

O preço não é dos mais baratos, mas é porque a tiragem é pequena. Eu se fosse você corria e comprava logo o seu, antes que acabe.

Vai, corre!!!
Continue lendo...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Diários de Motocicleta

Confesso que a explicação de que a história estava sendo contada por meio de uma declaração da protagonista para a polícia me irritou um pouquinho. “Sério, Meg? Sério que você vai cair nessa bobagem de ficar explicando porque a narrativa é em primeira pessoa ao invés de começar o livro de uma vez?” Só que acontece que é de Meg Cabot que estamos falando, então, eu resolvi relevar. Não deram 10 páginas e lá estava eu, já completamente imersa na história e apaixonada pelos personagens. (Ah, sim, e no final a tal declaração faz TODO o sentido!)

Quando Cai o Raio é o primeiro volume da série que conta a história de Jessica Mastriani, a menina apaixonada por motos, velocidade e flautas (adorei a parte da flauta!) que é atingida por um raio (dã!) e começa a ter sonhos com pessoas desaparecidas que vê na caixa de leite. E não demora muito para ela atrair os olhos do pessoal do FBI e perceber que “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” e que sua nova habilidade pode ir facilmente de “dádiva” à “maldição”. (Não, ela não é o Homem-Aranha, mas o início de Quando Cai o Raio, com Jess adquirindo os poderes, realmente lembra um pouco a introdução dos filmes de super-herói.)

Lançada originalmente no início de 2001 sob a alcunha “1-800-WHERE-R-U” (uma espécie de “0800-KD-VC”), a série só chegou ao Brasil no ano passado já com o nome reformulado, tendo em vista que esta foi relançada recentemente nos EUA sob o título daquele alvejante “Vanished” (Desaparecidos). Só para constar, acho o nome da série antigo mais legal, muito embora o novo seja mais comercial e mais prático de falar.

Eu sei o que você está pensando. Se a série é antiga, a Jess consegue encontrar pessoas desaparecidas só de ver a foto delas e o FBI está na sua cola: POR QUE RAIOS OS EUA DEMORARAM 10 ANOS PARA ENCONTRAR O OSAMA????

Eu explico. Ao contrário da maioria das séries, que tem um volume lançado a cada ano, essa daqui começou num ritmo frenético de lançar um a cada 6 meses! O que significa que já devia estar tudo bem encaminhado, com alguns livros de vantagem já escritos. Além disso, os acontecimentos dos livros são todos em menos de um ano, o que não daria muita margem para o surgimento de Osama Bin Laden nos comentários dos personagens.

Só que nessa época Meg Cabot não era ninguém. Ela ainda tinha que ralar pra conseguir publicar suas coisas, DP ainda não tinha virado filme e ela não conseguia emplacar os livros entre os mais vendidos simplesmente por ter seu nome na capa. Até porque essa série não tinha o nome dela na capa mesmo. 1-800-WHERE-R-U era de outra editora e Meg tinha que assinar Jenny Carrol (relaxa, essa outra personalidade dela é do bem, rs) para não dar conflito nos contratos.

O resultado foi que a série que era para durar 8 livros foi CANCELADA por causa das vendas baixas com somente 4 deles publicados!!!!!!!!

Se essa história de uma série sobre encontrar gente desaparecida e que foi cancelada no meio te faz lembrar coisa de seriado, bom, é porque teve um seriado mesmo.

Apesar do cancelamento, 1-800-WHERE-R-U serviu de base para uma série do Lifetime que durou 3 temporadas (de 2003 a 2006) chamada Missing. Curiosamente, uma das produtoras executivas da série também produziu DP - o filme. E pra variar, diz que o seriado tinha muito pouco a ver com os livros.
* E antes que você coloque toda a culpa na mulher, ela também estava por trás da produção do filme da Irmandade das Calças Viajantes, que, ao menos eu acho, é bastante fiel ao material original.

Felizmente, em 2006, a editora da Meg que publicava DP, com ela já bombando geral, resolveu relançar (pela primeira vez, ainda com o nome antigo) a série sob a assinatura de Meg Cabot (que a essa altura já vendia feito água) e deu-lhe permissão para que esta ganhasse um final digno. Assim, foi lançado seu quinto e último livro, com direito a uma baita passagem de tempo para que a gente não ficasse se perguntando por que a Jess não encontrava logo o Osama.

Dito tudo isso, agora você já sabe que essa série é praticamente uma integrante do selo Meg Cabot Vintage, tendo em vista toda a batalha de publicação e o tamanho de seu “por trás das páginas”. Mas, mesmo que não soubesse, dava pra perceber sozinho, já que os sonhos de consumo de um personagem viciado em tecnologia (mais sobre ele depois) são nada mais, nada menos do que um Mac e um Zip Drive.

E eu tive que rir quando eu vi essas coisas porque, no início dos anos 2000, um Mac* REALMENTE era sonho de consumo de 9 entre 10 pessoas que sabiam o que era computador. Porque Mac era sinônimo de um computador LINDO DE MORRER!
* Se você associou o Macintosh a esse filme clássico do Cinema em Casa, parabéns, você foi uma criança dos anos 90.

Se fosse hoje, é certeza que o negócio ia ser um iPad. Ou uma torradeira que faz previsões do tempo.

Mas eu ri muito mais do ZipDrive, porque, se o Mac, de um jeito ou de outro, ainda existe, o ZipDrive há muito já virou um artigo de museu no mundo informático. E o mais legal de tudo: EU TIVE UM ZIPDRIVE!!!!!! Cara, é nessas horas que eu vejo como eu estou ficando velha! Aposto que você, que nasceu depois de 1995, está se perguntando agora o que ser um ZipDrive. Vou te poupar o trabalho de procurar no Google (uma coisa que também não tinha nessa época).

Esse era um tempo em que os HDs tinham só 4GB, não existia pendrive e pouca gente possuía gravador de CD. Ah, sim, a internet também era lenta pra caramba e fazia aquele barulho bem irritante na hora de conectar. Isso quando conectava! Logo, praticamente a única forma de compartilhar os dados era via disquete de 3 ½ , que é tão rápido como uma tartaruga e só cabe um pouquinho mais que 1MB.

Para acabar com esse sofrimento a Iomega (essa eu tive que pesquisar, não lembrava mais o nome da empresa) criou o ZipDrive.

O ZipDrive era um super dispositivo para ler um DISQUETÃO chamado ZipDisk, cuja a capacidade chegava a uns 250MB (coisa pra caramba naquela época). Durante muito tempo as pessoas olhavam o ZipDrive pela vitrine e babavam, imaginando como seria um mundo em que elas pudessem fazer backup de seus dados sem ficar na dependência daquele disquetinho xexelento.

Só que quase ninguém tinha essa bagaça. As memórias eram menores, e por maior que fosse a velocidade de transmissão do Zip, o negócio ainda era bem lento, e o sistema operacional era aquela PORCARIA do Windows Millenium e quase sempre travava o computador. A portabilidade também não era das melhores e se você quisesse ler o ZipDisk na casa do seu amigo (coisa bem rara de acontecer, já que eram poucas as pessoas que tinham computador mesmo), tinha que levar o ZipDrive junto e instalar o drive via CD na porta serial da impressora e aí dava problema de compatibilidade e se você quisesse imprimir um arquivo do Zip, tinha que copiar pro HD ou utilizar um dispositivo com chaveamento... Um saco!

 Saca só o kit completo do negócio!

Deus abençoe a internet banda larga, as memórias de 1GB, os HDs de 1 Tera, os gravadores de CD, as entradas USB e os pendrives. Amém!

Mas, apesar do ZipDrive (rs!), Quando Cai o Raio não é uma história datada e funciona muito bem nos dias de hoje! Isso porque o livro tem aquilo que todo livro de Meg Cabot tem: coração! E quando eu digo isso, nem estou me referindo ao mocinho misterioso e bad boy que atende pelo nome de Rob Wilkins e que lá para o meio do livro me fez lembrar uma música da Britney (não posso contar qual, a não ser que você já tenha lido o livro, rs) e faria Lorelai Gilmore ter toda a razão em alertar: “Ela não vai subir na sua motocicleta!”, porque, adivinha só, ele tem uma motocicleta mesmo!

Born to be wiiiiiillllld!

Quando eu mencionei que essa é uma história que tem coração, estava me referindo principalmente a Douglas, o irmão mais velho esquizofrênico de Jess que largou a faculdade e passa o dia no quarto lendo quadrinhos. É preciso uma boa dose de sensibilidade para escrever um personagem desses e as discussões da família por causa do problema de Douglas são de cortar o coração, especialmente pra quem já escutou algumas delas na própria família.

Mas, o resto dos personagens também não fica atrás no nível de apaixonabilidade. O diretor da escola, a telefonista Rosemary, Sam, Ruth, Michael...

Peraí, você disse Michael? Ha-ha! Disse sim, espera que tem mais!

Tem gente que reclama que Meg Cabot é às vezes é um pouco repetitiva com suas histórias. Não acho. A mulher já publicou mais de 50 livros. Esse tipo de coisa é inevitável. Além do mais, já incorporei as semelhanças entre as obras. Não é defeito, é estilo. Para mim, grande parte da graça em ler seus livros já está em estabelecer conexões intertextuais, e tentar adivinhar o que dali é vida real e o que não (afinal, quando o negócio se repete muito, é porque não deve ser tão ficção assim). E é por isso que de vez em quando eu me pego rindo nas partes do livro que não são para rir, já que me sinto compartilhando uma pequena piada interna com Dona Meg. Sendo assim, voltemos ao Michael.

E se eu disser pra você que o Michael desse livro é o personagem superinteligente fissurado em computadores? E se eu te disser que a melhor amiga da irmã mais nova dele é apaixonada pelo tal Michael? Parece familiar, certo?

Tá legal, agora você troca o Michael de família e coloca ele como irmão da protagonista, ao invés de irmão da melhor amiga da protagonista, e faz ele ter uma paixão platônica pela menina mais popular da escola e voila, estamos diante de um outro Michael: o Mastriani.
* E me desculpe você que não aguenta mais as minhas interconexões de todos os livros dela com DP. É outra coisa que também é meio inevitável. O Diário é minha série preferida, a maior série da Meg, aquela em que ela imputou mais de seu esforço, e, dá pra perceber só de virar as páginas, a mais auto-biográfica e a que ela mais se divertia ao escrever. Todo o resto da obra vai convergir para DP mesmo. Viva com isso!

(Tem outras semelhanças bobildas com outros livros de Cabot, mas essa é a mais gritante e a mais legal também.)

Mas, já que estamos falando do Diário... A Mia bem fala da Jess numa passagem no livro 8 (corre lá, pág 70). Na mesma passagem, ela chega a citar a Sam também do Garota Americana. (GENIAL, eu sei!) O que ratifica a minha teoria de que as mocinhas da Meg vivem todas no mesmo universo ficcional e me faz imaginar quão divertido seria um encontro de todas elas juntas. (A Mia e a Jess provavelmente conversariam por horas a fio sobre as semelhanças entre os seus Michaels, rs!)

Havia muito tempo que eu não me empolgava com uma série juvenil da Meg, como eu me apaixonei por essa daqui. Com personagens que fogem da caricatura, têm dramas familiares de verdade (e ainda são capazes de rir de si mesmos), um ritmo impecável, uma história com a dose certa de romance, ação, mistério, anacronismos e até nerdismos cabotianos, Desaparecidos é Meg Cabot em sua melhor forma: sem preocupar com o politicamente correto e sem dar a mínima se o seu público alvo vai sacar as referências pop dos anos 80. Mal posso esperar pelo segundo volume.
Continue lendo...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Com quem fica o cachorro?

Em outros tempos, o fim de um relacionamento era sinônimo de montar aquela caixa com os pertences do ex, trocar as chaves de casa e decidir com quem ficava o cachorro. Em tempos de internet, a “separação de bens” se estende também ao mundo virtual em que a vida compartilhada (até demais) exige um pouco mais do que apagar as fotos do Orkut Facebook e atualizar o status para “Solteiro” novamente.

Com o surgimento dos perfis conjuntos e senhas compartilhadas, no momento da partilha, além de trocar as fechaduras, agora também é preciso trocar a senha do email (entre outras contas) e decidir com quem fica o perfil. E aí tem-se de reconstruir toda uma cadeia de amigos, porque, estes, coitados, é que fazem o papel do cão sem dono nessa história toda.

No caso da Anne, ela é que ficou com o bicho, até porque não dava pro ex levar o au-au pra cadeia

Edit (23/07/2012): Depois de ter saído da cadeia, uma das declarações do ex foi justamente: "Eu não vou brigar pela custódia do cachorro. Comprei o cachorro pra Anne, e ele fica com ela, ponto final". HAHAHAHA! Me acabei de rir, na moral.

Já deu pra perceber que eu não sou muito fã do perfis conjuntos e da não-privacidade de senhas no casal, certo?

Pois é, porque eu acho que se o casal tem um problema, ele tem resolver entre si, não ficar envolvendo todas as outras pessoas com as quais eles mantêm contato porque não conseguem viver sem saber com quem e o que a outra parte do relacionamento anda conversando.

Eu sei que para alguns esse tipo de coisa é um sinal de confiança, mas, na realidade, É JUSTAMENTE O CONTRÁRIO!

E se o relacionamento precisa apelar para esse tipo de coisa, é porque alguma coisa está muito errada aí.

É muito fácil confiar no que se vê. Difícil é acreditar naquilo que não se tem evidências, quando tudo o que você possui é a palavra do outro dizendo que “não tem outra pessoa, eu só tenho olhos pra você”.

E não dá pra estar com o seu parceiro o tempo todo para evitar que aquela piriguete puxe papo com ele no trabalho, por exemplo. E não dá pra exigir que ela te conte tudo o que ela conversa com as amigas também.

Não é porque vocês estão juntos que necessariamente precisam ser um só. Sempre achei que, na verdade, deveriam ser um, mas ainda feito de dois.

Uma das coisas que mais me irritam no perfil conjunto é essa supressão de identidade dos dois em detrimento de uma nova personalidade compartilhada. Como se a partir do momento em se começa um relacionamento a dois, a individualidade de cada um desaparecesse também.

Até Sandy& Junior apareceram separados na capa do CD! Vivam com isso!

Pode não parecer, mas mesmo que vocês agora sejam Eduardo&Mônica, não quer dizer que o Eduardo não exista longe da Mônica. E que não haja os gostos e amigos do Eduardo e os desgostos e desafetos da Mônica. Até porque um perfil conjunto de Eduardo&Mônica não ia dar nada certo mesmo. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud, E o Eduardo gostava de novela, E jogava futebol-de-botão com seu avô... Como condensar isso numa única página?

Por mais que vocês não tenham nada para esconder um do outro, ainda tem uma terceira pessoa nessa história que também está tendo sua privacidade invadida e que não foi consultada se ela queria que a conversa fosse lida.

Existe uma razão para as senhas aparecerem na forma de ******. É porque elas são feitas para serem SECRETAS!!!!!

E se vocês não confiam um no outro o suficiente para “esconder” essa pequena parte da vida chamada email, Twitter, Orkut, Facebook, ou, o que quer que seja, isso é problema de vocês!!!!!

Vou contar uma história:

Tenho uma amiga que uma vez fez um desses perfis conjuntos. Ela contava tudo pro namorado, ele era ciumento à beça (sério, o cara tinha ciúme até de personagem literário), e aí eu queria falar uma coisa com ela (coisas inocentes, tipo personagens literários, mas que só diziam respeito a mim e a ela) e ficava sempre me perguntando se ele estava lendo, e o que ele ia achar daquilo. Era como se eu fosse algum tipo de procurada pelo governo que tem de ficar se preocupando se a linha está grampeada.

Eu não falei nada com ela na época, porque: 1) sei lá se ela ia contar pra ele e 2) é uma situação muito constrangedora você ficar opinando no namoro dos outros.

Agora eu pergunto: Será que é justo que por causa dessa política “Casal Sem Segredos”, todas as outras pessoas sejam obrigadas a ficar se perguntando se existe alguém na linha, se tem alguém no ar? Sério mesmo que eu tenho que me perguntar se eu estou falando com Ela ou com Ele, se estiver numa conversa via texto?

Algum tempo depois, os dois até terminaram, e fiquei imaginando a conversa deles pra ver quem ia ficar com o tal perfil, afinal, era nele que estavam os amigos (em comum ou não) dos dois. Isso porque um dos dois (ou mesmo os dois) já havia sacrificado o próprio em nome do “amor”.

Esse é do tempo em que você nem sonhava em "entrar no computador"...
...que dirá ter banda larga em casa!

No caso deles, tudo acabou até bem, eles trocaram todas as senhas (como quem troca a fechadura de casa) e voltaram a ser felizes. Mas existem outros ex não tão legais assim que se aproveitam da posse da tal senha pra transformar a vida do outro num inferno (nunca se esqueça de que ele pode trocar a senha antes de você, fazer o que quiser com a conta e aí depois você vai ter que ficar implorando pra ele devolver o seu chip).

E no meio de tanta cachorrada, quem faz o papel do cachorro são os amigos que não tem nada a ver com a história. Porque no final das contas, tudo se resume àquela velha máxima de que “o que os olhos não vêem o coração não sente”, então se você quiser mesmo ver o que o seu parceiro tanto faz na internet, pelo menos não deixe que eu saiba disso.
Continue lendo...

sábado, 3 de março de 2012

Manhê, acabei! (2)

After years of a expensive education, a car full of books, and anticipation…

O grande momento da formatura chegou. E você sabe como eu tenho uma queda por formaturas.

Como comentei aqui, terminei a faculdade no fim do ano, mas ainda faltava fazer o juramento, receber o canudo e jogar o capello pro alto. E tudo isso aconteceu nessa última semana.

Quero ver me achar

Mas, antes de compartilhar um pouquinho desses dias especiais aqui no blog, queria dizer que hoje re-visitei o meu post de Guia para novos universitários feito no quarto período, que acabei auto-censurando depois com vistas a evitar dores de cabeças.

Queria ver se tinha algum conselho que gostaria de trocar e dizer que mudei de idéia durante a outra metade do curso. Me surpreendi com a qualidade dos conselhos que dei como Se o professor não chegou em meia hora é porque ele não vem. Arrume suas trouxinhas e vá para casa e Falte a primeira semana de aula de todos os semestres, e não mudaria nenhum deles. Estou pensando até em republicar o post agora que já estou formada.

A única coisa que acrescentaria é: Aproveite a faculdade. E isso vale tanto para passar o máximo de tempo com as pessoas que você gosta, quanto para as aulas. Preste atenção, tire dúvidas, estude bastante. Cobre de seus professores um ensino de qualidade. Eu sei que enquanto a gente está lá dentro, tudo o que a gente quer é passar de qualquer jeito e sair o mais rápido possível. Mas tente aprender o máximo que você puder.

Ah, mas tem um monte de matérias que você vai achar que não vão servir pra nada no futuro!. É verdade. Tem muitas delas. Mas chega lá na frente, é certeza que o seu chefe vai te perguntar uma dessas coisas. Ou vai cair em alguma prova que você for fazer.

Outra coisa que eu queria dizer é que também passei pela insegurança de achar que não estava aprendendo nada. E isso é absolutamente normal. No meio do curso, não me sentia contadora. Pensava que grande parte do que era ensinado na sala tinha objetivos meramente acadêmicos. E que o que era ensinado ali não era o suficiente.

Foto oficial
 
Durante essas crises, um amigo meu me dizia que realmente a faculdade não vai te deixar especialista em nada. É um simples índice que vai te mostrar as diversas áreas em que você pode atuar. Ela dá a base. Mostra o caminho. Cabe a você escolher a diretriz a ser seguida.

Agora, recém-formada, e depois de ter começado trabalhar, vejo que o que ele me dizia era tudo verdade. E digo de coração para você que está passando por uma crise dessas de “meio curso”: ao final ela passa e antes mesmo de completá-lo você já se sente um profissional, só faltando o diploma. Ainda bem.

Você se arrepende de matado aula e tem vontade de matar aquele professor que só te enrolou, porque percebe que não aprendeu nada de determinado assunto muito importante. Mas você também percebe que sim, você sabe um monte de coisas! Certamente mais do que você sabia no início do curso. E até bem mais do que muitos colegas de profissão seus.

Chega a ser engraçado pensar que agora estamos formados, e podemos encher a boca para dizer que, sim, já somos contadores. E podemos discutir “de igual para igual” com outro colega de profissão. Coisa que lá no quarto período parecia distante e impossível.

Pensar que já não somos mais aqueles calouros tímidos, assustados, encurvados lá do primeiro período. Sim, ao final do curso, até a postura do formando é diferente da do calouro. Você ganha mais conhecimento, amigos, e auto-confiança e isso se reflete até no seu jeito de andar. Quase como aquela figura da evolução do homem. E sim, ao fim da faculdade, nos sentimos mais adultos do que nunca.

Na segunda-feira, dia da colação oficial em que recebemos a declaração de conclusão, e fazemos o juramento, só que sem toda a pomba e glamour da cerimônia, senti uma coisa diferente, já no momento em que pisei na Uerj. Era o Grande Dia. O dia de cortar o cordão umbilical da faculdade e se despedir oficialmente do terceiro grau.

Me veio um deja vu do dia da matrícula, em que me perdi na hora de achar a secretaria. Agora já sabia todos os atalhos da universidade. Peguei o elevador do 9º (que é mais rápido e pára menos) e desci pro oitavo. Coisa de gente que já está na faculdade há 4 anos.

(Ah, sim. Hoje, 3 de março, é exatamente o aniversário da primeira matrícula em disciplinas. Há 4 anos. Sei a data porque era véspera do meu aniversário, rs!)

E achei isso muito esquisito também. Afinal, estava a poucas horas de me tornar “ex-aluna”. Pegar o elevador e zanzar pela UERJ não é coisa de ex-aluno. O lugar já parecia não me pertencer mais. Tudo o que eu tinha para fazer já estava feito. Agora ela era das outras turmas mais novas. Dos calouros que estavam prestes a chegar.

Conversei com uma amiga durante muito tempo no hall, depois na varanda, perto da FAF. Uma funcionária confessou também estar tendo esse deja vu do dia da matrícula. Ela dizia que também se sente meio esquisita nessas horas. Como se o tempo passasse na sua frente.

Descobri uma nova sala, moderna e reformada, onde fizemos nosso juramento e recebemos a declaração. A sala levava o nome da chefe da secretaria, que correu atrás para que ficasse pronta. Ela estava toda boba da sala levar o nome dela (e ela merece muito a homenagem). Fiquei triste porque aquela sala bonitona só surgiu a poucas horas de nos despedirmos da Uerj. Mas fiquei feliz porque a faculdade está tentando melhorar.

Rimos de todos os nossos percalços da faculdade. Relembramos histórias esquecidas. E discutimos a falta que sentiríamos dali. E do que não sentiríamos falta alguma.

Adiei o momento de ir embora. Conversei durante horas sentada no “queijo”, até ser uma das últimas a deixar a faculdade. Estava acabando. Mesmo.

Dois dias depois, na quarta-feira, aconteceu a cerimônia simbólica de entrega dos diplomas.

Houve colegas que choraram durante a cerimônia. Eu não. Estava tão feliz por aquele momento que não conseguia fazer mais nada a não ser sorrir o tempo todo e aproveitá-lo o máximo possível. Tirei muitas fotos. Juntei amigos e familiares. Esse era o meu dia!!! Me esbaldei. Estava tão agitada que só consegui dormir às 4h da manhã do dia seguinte (e é claro que eu levantei às 7h, o trabalho me chamava).
 

Foi bem emocionante ver meu melhor amigo na faculdade, que fez vestibular duas vezes, ser o orador da turma. E o nosso primeiro professor, que deu nossa primeiríssima aula lá Uerj, lá na bancada dos homenageados. Aliás, o mais legal de tudo é que nós fomos a ÚLTIMA turma dele, já que logo depois ele se aposentou.

O momento catártico da noite veio quando levantamos plaquinhas escrito “NOTA ZERO” para colegas de que não gostavámos (mas não muito alto, afinal de contas, o mundo ainda dá voltas, e ninguém garante que nunca mais vou olhar na cara daquele pessoal).

Na hora em que chamavam o nome da cada formando, aparecia uma foto nossa criancinha e outra agora “grande”, adulto, enquanto tocava uma música escolhida por nós.

Achei muito esquisito tocar Time of your Life para um menino que levantava logo antes de mim. Coisa mais gay. Mas, sei lá, né...

Minha turminha do barulho

Claro que a música que tocou pra mim foi Pés Cansados de Sandoca, com aquele refrão mais do que icônico (eu falei que ia colocar na minha formatura). Quer dizer, quase não tocou. Fizeram uma besteira e recebi o canudo ao som de uma outra música tecno qualquer (por isso que tocou Time of Your Life antes e diz que a foto que apareceu pro garoto foi de uma outra menina). Minha irmã ficou revoltada e gritou: “ESSA NÃO É A MÚSICA DELA!!!!”.

E é claro ela, junto com minha família e minhas amigas fizeram uma baguncinha pra mim.

Quando eu estava voltando já é que ressoou a voz de Sandy. Ameacei voltar para pegar o canudo de novo. E fiz sinal pra todo mundo de que essa sim era minha música. Mas pelo menos a foto foi a minha mesmo.

Diz que levantaram “Passou colando” pra mim. Engraçadinhos. Mas gostei da brincadeira. Podia ser pior. Até que foi divertido.

Também tinha outras plaquinhas bem legais tipo: “Que isso, novinha?”, “Delícia, assim você me mata”, “Turista” e “Vice de novo” (essa foi especial para uma vascaína doente).

Jogar o capello pro alto ao final da cerimônia é simplesmente emocionante. E um pouco dolorido, já que ele voltou direto na minha cabeça.

Minha outra turminha do barulho

E o mais legal de tudo foi ver os colegas que achavam que não iam conseguir e que eu tinha medo de que não estivessem lá junto pra compartilhar esse momento, entrando junto comigo, zoando horrores todo mundo, transbordando alegria. Faltou gente ali ainda, mas fiquei feliz de ter parte deles ao meu lado.

A tristeza veio depois, quando eu percebi que a gente não ia ter mais desculpa para se ver. Bateu uma baita saudade de ficar conversando no hall, enquanto esperávamos a próxima aula.

E ao deixar a Uerj pra comemorar com as amigas de colégio na pizzaria mais próxima (engraçado pessoas que participaram de diferentes partes da sua vida acadêmica num mesmo lugar, rs!), lembrei dos primeiros dias de caloura e pensei:

Continue lendo...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UPP: Pop em dose dupla (2)

Conforme o prometido, a UPP: Pop em Dose Dupla volta com sua segunda parte, fazendo um apanhado da discografia dos irmãos apresentados no post anterior. A ideia é fazer uma espécie de guia, comentar um pouco o contexto dos discos, alguns versos preferidos e zoar um pouquinho também porque ninguém é de ferro. Ah, sim, como a fofura é uma marca registrada dos dois (não, não é o biscoito. Esse é do John Smith), a UPP aciona o ALERTA FOFURA!!! para comunidade já saber de antemão as canções que dão vontade de apertar a bochecha mais próxima.

Esta es mi vida
Em seu disco de estreia, JyJ abusam das baladas, deixam claro a influência no gospel e, acho eu, até reciclam parte do trabalho de quando tocavam na igreja.

Espacio Sideral: Quisiera ser un super héroe y protegerte contra el mal. Regalarte la Vía Lactea en un plato de cereal. Uma canção sobre ponto fraco do Superman, com algumas metáforas de comida. Fofa, e muito legal. Tem versão em inglês também (Outterspace), mantendo até as brincadeiras com o papá, mas em espanhol, é tãããão mais legal (sim, eu estou falando com você, Cíntia, rs!).

Llegaste tú: A primeira música composta pelos irmãos. Uma das canções que eu acredito ter sido composta originalmente num contexto cristão. Um dos maiores sucessos do disco. Também tem versão em inglês (And there was you).

Ya no quiero
: Essa é pra se empolgar e cantar alto. Joy arruma a clássica caixa de lembranças do ex e põe pra fora tudo o que estava engasgado até então. Ya no quiero ver tu foto en mi buró, Vete que ya te tengo olvidado en un cajón, Y todo este tiempo te he mentido, Pues tus besos no son lo mejor Ui, doeu.

Volveré
: Outra para gritar bem alto no refrão. Sobre sentir saudade de casa e voltar para o local de origem. Voooooolveré, consciente de donde estaré, tu eres mi lugar. Vooolveré, nada me dentendrá, contigo quiero estar. Tchu-chu-tchu-tchu.

Esta es mi vida: Para cantar quando estiver com raiva do mundo e quiser mandar o recado: “A vida é minha, você não nada a ver com isso”. Essa letra é toda boa. Síiiiiiii, esta és mi vida. Síiiiiiii, y así me moriré.

Também valem a pena:
Nada podrá, Dulce melodía, Mi sol, Cielo Azul: Romantismo puro, letras bacanas, metáforas com música e mais elementos do espaço sideral. Aposto que todas elas eram originalmente cristãs. A segunda e a terceira entraram na trilha da Bela, a feia


Para escutar, basta acessar.

Electricidad
Se no primeiro disco a dupla apresentava repertório praticamente acústico, desta vez, Jesse y Joy ligam os instrumentos na tomada para fazer um som mais elétrico. Quase todas as letras giram em torno dos temas: luz, estrelas, eletricidade, energia... Mas as baladinhas ainda têm seu lugar garantido no CD, e estão melhores ainda. Os irmãos parecem se divertir como nunca nesse álbum que podia ser a trilha sonora do final de Lost.

Electricidad: A canção que abre o disco e dá nome a ele, Electridad vai brincando com todas as palavras relacionadas ao tema: luz, brilho e universo. Gosto de chamá-la de Melô do Apagão. Em Luna, mi satélite de amor, luna, solo brilla para dos, a gente encara a parte da lua brilhar como argumento poético, mas só porque a Joy mostrou que foi pra escola e acertou que lua é satélite.

Adiós: Duele no tenerte cerca, duele no escuchar tu voz, duele respirar tu ausência pero, me duele más decirte adiós. Sofrida como um adeus, ela gruda na cabeça e tem ôoos dignos de música pop. Foi uma das músicas de trabalho do disco.

Chocolate
: ALERTA FOFURA!!! O ministério da saúde adverte, o conteúdo dessa música pode dar vontade de comer chocolate imediatamente. No entanto, o ministério também alerta que o seu nível de serotonina vai aumentar antes mesmo de ingerir o doce. Muito, muito, muito boa! Tão gostosa quanto chocolate, a canção compara o sentimento de estar apaixonado com o melhor do vocabulário culinário. Se você não colocou pra tocar nenhuma das músicas indicadas até agora, essa daqui vale uma mordidinha sem medo de ser feliz. Atenção: O clipe dá vontade de comer.


Si te vas: Essa é pra você que reclama, reclama, reclama, mas sabe que não vive sem aquela pessoa especial.  Ela conta o fim do filme, estala os dedos, roí unha, bagunça o seu cabelo, mas... “Cómo vivir sin defectos?". As guitarras elétricas e os “uuuuuhhhh”s do Jesse dão um toque final. Outra pra cantar o refrão gritando. SI TE VAS MI VIDA, QUE SERÁ, SI NO ESTÁS MI ALMA EXTRAÑARÁ, TU IMPERFECTA PERSONALIDAD, QUE ME DESESPERA, Y QUIERO MÁS Y MÁS

Nada es mejor: A música é simples. E não tem nada de muito inovador. Mas é inegavelmente divertida e com uma letra bem mais legal do que a maioria do pop das rádios. Aqui a poesia gira toda em torno das comparações de fogo e paixão (relaxa, não tem nada a ver com o clássico brega do Wando – #DescanseEmPaz!). Adoro animação do povo no final da música. Ó o refrão como é bacana: Prende fuego en mi interior, Consume lo que causa dolor, Porque nada nada nada es mejor, Que tu amor quemando en mi corazón 

Invisible: Si me pudieras conocer, Si vieras dentro de mi ser, Talvez podrías comprender, Que no soy invisible, Ojos que no ven, Un corazón que quiere ser, Pidiendo a gritos que no ves, Que no soy invisible. A letra diz tudo. Sofrida como amor platônico, essa é para todo mundo que ainda não encontrou um Michael em sua vida. Que música boaaaaa!!!!

Es Amor: Já brincou de Perfil? O que é o que é? Então tentar adivinhar a palavra secreta pelas dicas: Fluye como el agua, calienta como el sol, Mágica palabra, grande como Diós. Tá, a resposta está no título. Mas é bonitinha essa música sobre “como dizer que se está apaixonado”.

Por siempremente
: ALERTA FOFURA!!! Não tem como resistir a um refrão que começa a colocar o sufixo “mente” em todas as palavras, inclusive as que já são advérbios. Mas o melhor mesmo vem é na ponte: Cada que día contigo es un regalo sorprendente, Lunes a Domingo siempre estás presentemente, Eres justamente mi delirio, mi mejor mitad, Sabes, me conoces, me convences tiernamente, Tienes ese algo que te hace diferente, Cuando estás conmigo, Aun de mi me olvido y quiero más de ti

Quedate: Baladinha clássica do tipo “não, não me deixe mais”. Bem boa! Quedate, quiero prenderte a amar, desnudar, mi corazón, sin condición.

10 mil vidas: ALERTA FOFURA!!! Não, esta não é a musica que foi para trilha de Eclipse. Mas bem que podia ser. Sente só o refrão: Esta simples vida es corta, no me alcanzara, para amarte necesito 10 mil vidas más. Mas a música é fofa demais, o filme não merecia (apesar disso, a que entrou na trilha de verdade é bacana, mesmo assim). Minha parte preferida é: Aunque tenga 80 o 103, quiero una y otra vez, compartir momentos, dejar crecer, un eterno amanecer (putz, olha só esse último verso, já anunciando o próximo filme da franquia!)

Nuvem de letrinhas

Também valem a pena:
Nuevo Día, Una y outra vez, Sublime, Nunca Dije No: As duas primeiras trazem mais metáforas com sol, luz, energía, etc. A terceira é do tipo fofurinha e a última é Jesse y Joy com um pé no rock’n’roll.

Para escutar, basta acessar. As faixas bônus já estão linkadas para o Youtube. Mas tem tudo lá, na verdade.

¿Con quién se queda el perro?
Neste CD, a dupla entrega mais uma dezena de canções bacanas, melodiosas, com letras acima da média e nível de fofura elevado. Dessa vez, eles honram suas origens latinas e acrescentam uma pitada de música regional à mistura pop dos dois. E ficou ótimo!!!! É o meu preferido até agora.

O nome do disco surgiu de uma decepção amorosa vivida por Joy. Além de toda a dor da separação, ela ainda teve que encarar aquela pergunta que assola muitos ex-casais: “Com quem fica o cachorro?”. É por isso que agora ela só cria gatos.

Obs: Adoro o conceito da arte do disco toda feita nesses "desenhos". Na capa, o cachorro está ali atrás.

Aqui Voy: Uma música sobre ir levando a vida e seguir em frente, mesmo quando a gente não tem dinheiro, desafina ou esquece a letra da música. Extremamente divertida, é um dos carros-chefes do disco. Rolou um viralzinho com o povo (e alguns artistas da Televisa – eu falei que eles eram queridinhos de lá) cantando a primeira música de trabalho (Me Voy – mais sobre ela depois), aí eles gravaram uma versão especial (com mariachis - sim, aqueles caras bigodudos que fazem serenatas – e tudo), agradecendo a força. Bacanuda a canção.

Como no: Quem ouve sem prestar atenção, acha que é mais uma declaração de amor em forma de música. Mas na verdade é uma canção do tipo “Sai da minha frente, seu safado!”, só que bem racional. Muito boa essa. Como no, como no, como no, Para mis ojos no hay otra mujer, Como no, como no, como no, Amor yo nunca te lastimaré, Sin ti yo, sin ti yo, sin ti yo, Que facil que es decir, Jurabas que sin mi te moririas, Explicame por que sigues aqui

¿Con quién se queda el perro?: Minha música preferida e que dá nome ao disco, a canção conta a história comum a muitos casais na hora da separação. Se a partilha de bens não é nada fácil, imagina só decidir com quem fica o cachorro, uma lembrança latente (desculpe, eu não resisti) daquela relação que não deu certo? A letra é toda boa, mas meus versos preferidos são o refrão: Antes de que echemos las maletas a la calle, Y convertirnos en extraños muy cordiales, Y bajemos el telón, Si tú te vas y yo me voy, ya no hay más remedio, Si tú te vas y yo me voy, esto ya es en serio, Si tú te vas y yo me voy, ¿con quién se queda el perro?; e a ponte: Si quieres llévate el Picasso, que al cabo es una imitación, Y dime quien se queda con los restos de este amor.


¡Corre! – Se você ouvir essa música e ficar com a sensação de que ela TINHA que ser tema de alguma novela, fique tranquilo, ela já o é. A primeira baladinha sofrida do disco embala o casal de La que no podía amar. A música está bombando nos países de língua hispânica e já passou Ai se eu te pego nas paradas. O clipe é bem dramático e conta com a participação dos atores da tal novela. Minha parte preferida é quando canta Tú... El perro de siempre, Los mismos trucos, Ya... Ya me lo sé  e aí aparece uma briga de cachorros.

Gotitas de amor: ALERTA FOFURA!!! Mais do que “Rosas são vermelhas, violetas são azuis”, a dupla consegue fazer uma música inteira (e muito fofa) comparando o cultivo do sentimento amoroso ao crescimento de uma florzinha. Tengo que decirte que te amo, Quiero que florezca nuestro amor, Y crezca esa florecita de tu mano, En la tierrita de tu corazón, Y lluevan gotitas de amor Tem como não amar?

La de la mala suerte: Mais uma baladinha para coleção, é a nova música de trabalho da dupla, com clipe a caminho. Gente, esse ex-namorado dela devia ser o próprio cachorro! Juntando dois e dois, desconfio seriamente que o safado traiu a menina. Sério, acho que essa é a mais sofrida de todas.

Quiero que me quieras: Tipicamente lado B, a música tem ritmo forte, marcada por violão, metais e palminhas atrás. O mais legal da letra é como a segunda parte retoma e complementa elementos da primeira. O refrão é bem chichetudo.

Veneno: Sabe aquela história de “O teu gosto não saiu da minha boca”? Se for de uma terceira pessoa, cuspa fora, porque é veneno!!! Beso sus labios y me saben a ti, Estando con el quiero tu nombre decir, Como resistir si es tanto lo que duele, El veneno de tu amor

Me Voy: Embora seja uma das faixa de despedida do disco, também foi aquela que deu as boas vindas a ele, por ser a primeira música de trabalho do mesmo. A letra conta mais uma relação que não deu certo, compara o ex a lobo mau e manda um breve juridiquês no pré-refrão. Adoro essa música. Prova de que a música pop pode ser bem feita e grudenta ao mesmo tempo. Tem um clipe feito com fãs, e outro oficial do mesmo diretor de Chocolate (não tem nada a ver com a letra, mas é bem maneirinho).

Me quiero enamorar: Depois de descobrir traição, separar, perder o cachorro, xingar e chorar o fim da relação, finalmente Joy está pronta para outra e pensa até em se apaixonar de novo. Quiero que mi corazón intercambie su lugar con el de alguien especial, Quiero despertar, te quiero encontrar y me quiero enamorar. Mais uma pro time das canções fofurinha.

Perfecta: Se escrita há 10 anos, é certeza que tinha entrado na trilha de qualquer versão da Betty, a feia (principalmente a versão mexicana, tendo em vista afinidade dos dois com a Televisa). Adoooro essa música. Fofurinha demais. Ó o refrão como é legal: Cierra los ojos y ve tu belleza interior, No tengas miedo de ser el tesoro que esconde el sol,Y oh, oh, oh...oh, oh, oh, Perfecta te hizo Dios

Una en un milion: ALERTA FOFURA!!! Essa música é muito, muito, muito fofa!!!! Toda a letra é muito legal. Olha: Si te duermes viendo la televisión, Me acuesto a tu lado y nos cubro a los dos, Cuando te esté resfriado lo curo con, Jugo de naranja y doses de amor. No refrão tem a tradicional comparação com comida. No hay, no hay nada mejor, Eres la crema del café, és la cereza del pastel…. No, no hay, mejor sensación, eres el agua de la té, té, té, té, por ti soy una en un milion. Uma delícia de canção. E essa não mata.

Outra nuvem de letrinhas

Também valem a pena: Me llora el cielo, Tú mi poesia: A primeira é puro chororô. E a outra tem o Jesse cantando. Até que ele não faz feio, não. 

Para escutar, basta acessar. As faixas bônus já estão linkadas para o Youtube. Mas tem tudo lá, na verdade.

Extras
Esto es lo que soy: Composta especialmente para a abertura da novela Las tontas no se van al cielo, é óbvio que a música foi baita sucesso. No primeiro capítulo, toca praticamente todo o primeiro CD deles, aliás (sério, a Televisa ama muito eles!!!!). Mas a música é muito legal, e a letra é bem bacana. Adoro esse refrão que ensina os objetos da casa em espanhol.  Lo que quiero es un amor, Que sepa que no soy alfombra ni escalon, Con dignidad y conviccion

Sapo Azul: ALERTA FOFURA!!! Antes de tudo uma explicação: Em espanhol, o Príncipe Encantado, na verdade, é Azul. Se alguém souber por que, me avisa. Mas o que interessa é que essa música sobre a busca pelo Príncipe Azul é uma gracinha. Mi principe azul, no se si eres tu..., El feo, el guapo, el gordo, el flaco, nada de eso es necesrio, Tu... Mi sapo azul.

Por hoje é só. Espero que tenham gostado da intervenção musical da UPP. As músicas de hoje você levam de dever de casa para comentar depois. Até a próxima.

Nossa, nossa, assim você me mata.
Continue lendo...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

UPP: Pop em dose dupla

A UPP de hoje estreia com um pé nos EUA, o outro no México e os dois cravados no pop. Sim, no total são quatro pés mesmo. Isso porque a personalidade da coluna de hoje, na verdade são duas em uma só: a dupla de irmãos fofurinha Jesse y Joy.

Filhos de pai mexicano e mãe americana (ambos pastores), Jesse y Joy se apaixonaram pela música logo cedo, tocando na igreja (daí a influência da música gospel em sua música. Desconfio eu que o primeiro disco tenha um monte de canções originalmente cristãs).

Um dia gravaram uma demo para a Warner, e em pouco tempo estavam estourando em toda América Latina e subindo no palco do Grammy (local onde os conheci, e apaixonei à primeira vista) para ganhar o prêmio de revelação do ano. No Brasil, são mais conhecidos por emplacarem 2 músicas na trilha de Bela, a feia da Record. 

Com canções melódicas (mas nem por isso menos grudentas), uma influência do gospel, muito talento, e uma habilidade incomum de fazer música com comida, os dois tem tudo para cruzar a fronteira do seu preconceito e invadir o seu player com a língua hispânica.


Para, para, para tudo!!!!!! 
Dupla de irmãos de irmãos, um de cada gênero, 
Cantando música pop, melódica e grudenta...
Peraí, Elisa, isso aí é Sandy e Junior do México!!!!

Pois é, a comparação é inevitável. De fato, o tipo de música feito pelos mexicanos tem tudo para agradar os órfãos da dupla brasileira. E seria uma mentira deslavada dizer que as semelhanças acabam por aí. A trajetória das duas duplas tem muito em comum. Mas também tem muita coisa diferente. Em suma, eu diria que a dupla mexicana é um Sandy e Junior igualmente talentoso, mais discreto, menos bonito e com menos controvérsias na bagagem.

Pensando nisso, continuo a apresentar os personagens da UPP de hoje, ressaltando justamente o que eles têm de igual e o que têm de diferente. Sem preconceito, mas sem esquecer o bom humor. Simbora.

Assim como S&J, a parte feminina da dupla lidera os vocais, e a masculina fica responsável pela parte instrumental (o menino também toca tudo! Ele não arranha não, ele toca!!!). Diferente de S&J, em que a Sandy disse que ia aprender a tocar violão no show do Maracanã e a gente está esperando até hoje, a Joy manda bem na viola, de verdade.

Assim como S&J, é ela quem assina a maioria das letras e ele quem assina a co-produção dos discos também. E diferente de S&J, que, a partir de um momento, o Jr começou a querer cantar quase tudo, tiveram que implorar muito para o Jesse soltar a voz nesse último disco. Ele prefere ficar “à sombra” da irmã, e não vê problema nenhum nisso.

Assim como S&J, metade da dupla usa o “segundo” nome como “artístico” para esconder o primeiro vergonhoso (Em S&J, o Jr é Durval. Em JyJ, a Joy é Tirzah). E assim como S&J, eles têm sobrenome relacionado a atividades rurais (S&J são Lima, JyJ são Huerta). Diferente de S&J, o nome da parte masculina (Jesse) é que vem antes, e ele é o mais velho da dupla.

Assim como S&J, nos programas de TV, fica visível que o mais velho dos dois é a parte mais eloquente da dupla. Diferente de S&J, e é ele que se apodera dos microfones nas entrevistas, e praticamente se apropriou do twitter oficial da dupla (ele é que é chamado de @jesseyjoy), obrigando a irmã mais nova a criar um outro perfil @solamentejoy.

Assim como S&J, eles também tiveram contato com a música desde muito pequenos. Diferente de S&J, só vieram a fazer sucesso mesmo depois de burros velhos. O que faz a gente pular algumas músicas vergonha alheia (Jesse y Joy já começaram com discos autorais), os vídeos no Faustão que fazem a retrospectiva desde criança, a insistência nos boatos de separação (afinal de contas, os dois já entraram nessa sabendo o que queriam, e são muito bem resolvidos com isso), e o fascínio da mídia pela vida pessoal dos dois, que, vamos combinar, não deve ter nada de interessante (o Jesse então é casado, com filhos...). O resultado é um nível de preconceito infinitamente inferior por parte do público e até certo respeito da crítica (eu já falei que eles levaram o Grammy, né?).

Assim como S&J, eles também têm forte apelo com o público juvenil. Já fizeram ponta em filme de qualidade duvidosa (S&J no filme do Didi, eles na versão nacional de HSM – Desafio), e tiveram música na trilha local de filmes estrangeiro (Sandy & Junior em Mulan, etc, Jesse y Joy em Eclipse - sinta-se envergonhado do seu país, o artista nacional escolhido aqui no Brasil foi o Fiuk). Mas nem de longe lembram o estouro da dupla brasileira no final dos anos 90/início dos anos 2000. Diferente de S&J, eles não protagonizaram filme próprio, e nem têm milhares de produtos licenciados (não que eu saiba, pelo menos).

Assim como a S&J, eles também são os queridinhos da TV local de maior audiência no país. Todo ano emplacam música na trilha da novela (acho que eles já tem umas 5) e até gravaram a vinheta de final de ano da emissora (essa vinheta está dando de 10 nas da Globo, aliás). Diferente de S&J, eles não tiveram um seriado só deles, e nem estrelaram novela das seis com trama hippie.

E principalmente, assim como S&J, Jesse y Joy sabem entregar música pop boa, melódica, romântica (e grudenta) com letras acima da média, que contém uma boa dose de poesia e direito até a palavras inesperadas como cláusula!!!. Mas, diferente de S&J, que tinham fixação pela lua, o mar, etc, as metáforas preferidas de JyJ envolvem comida mesmo - e o resultado são CDs tão deliciosos (e fofos) que vai ser impossível você não se apaixonar por eles.

Como essa introdução ficou um pouco maior do que o esperado e como eu disse que o personagem da semana é dupla, a gente continua no próximo bloco, com uma passadinha pela discografia dos dois, no estilo Inútil.

Graças a nossa mãe, a gente pode ter dupla nacionalidade também...

Edit: Na verdade, eles nasceram nos EUA, mas foram criados no México. Globalização é isso aí.
Continue lendo...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

1, 2, 3, Inútil!

Olha que coisa mais gracinha, gente! O Inútil completando 3 aninhos de vida!

O Inútil é o meu filhote. Nasceu no dia 05/02/2009, fruto de uma relação de muita paixão com a palavra escrita e uma saudade enorme guardada no peito. Mas não pense que ele surgiu assim, depois de uma noite e nada mais. Devem ter sido uns 9 meses de gestação da ideia até a coragem de vir aqui e começar com o primeiro post.

Recentemente, ele completou 150 posts, mas não fiz postagem especial, porque prometi a mim mesma só fazer um post desses novamente quando o blog completasse 200 posts (achei melhor aumentar os espaçamentos de "programas especiais"). O que, fazendo as contas (temos uma média de um post por semana, o ano tem 52 delas), só deve acontecer no início do ano que vem. Aí a gente vê se faz aquela brincadeirinha de escolher os posts preferidos de novo e colocar o nome do povo no telão.

Ao longo desses 3 anos, escrever se tornou muito mais do que um hobby. É uma necessidade. Na verdade, sempre foi. Por isso a criação do blog, aliás. Acontece que o Inútil potencializa essa minha carência pela escrita. E eu realmente fico bem pra baixo quando não consigo escrever pra cá. Porque eu me divirto muito com o blog. É algo que me faz feliz, me completa. Como a maternidade para algumas pessoas, talvez.

(Quem tinha um bichinho Parmalat levanta a mão \o/. Eu tenho o Leopardo e a Girafa...)

Se você ficou traumatizado com a mudança de layouts de todos os grandes portais em 2011, relaxe. Aqui no Inútil, tudo continuará no mesmo lugar. As alterações que tinham pra fazer eu fiz no ano passado mesmo, alguns ajustes no sistema de comentários.

Durante um tempo, pensei realmente em adotar o Disqus, mas tenho muita resistência a ele porque dependendo da capacidade de processamento do PC ou do proxy utilizado, pode acontecer de ele demorar a carregar ou mesmo nem abrir a página de comentários. No mais, o blog é pequeno, acho que não tem necessidade de implantá-lo tão cedo.

E principalmente, a mãe do Inútil sou eu e eu é quem decido como devo criar o meu filho.

O que não quer dizer que eu não ache que ele deva se socializar.

Por isso, fiz aquela enquetezinha ali do lado para descobrir se o sistema de comentários estava dando conta do recado. Graças à denúncia da Roberta, eu descobri que não estava, e voltei para o esquema antigo de liberar os comments pra todo mundo, só que com aquelas letrinhas chatas (desculpa!) para evitar os spammers, mesmo correndo o risco de aparecer um Anônimo desaforado. Ao contrário do Felipe, que adora um barraco no blog dele, acho melhor meu filhote não se misturar com essa gentalha (os Anônimos barraqueiros, não o Felipe).


O Inútil vem cumprindo aquilo que prometeu desde lá o primeiro post há exatos 3 anos: falar de coisas sérias de um jeito descontraído, falar de coisas bobas de um jeito sério e tirar um monte de poeira da memória no meio de tudo isso.

O blog está crescendo aos poucos, conquistando seu público devagar, e sem precisar tomar hormônios, nem vender a alma pra ninguém. Se você quiser promoção pra ganhar presente no aniversário dos outros, é só dar uma passada no Guanabara porque lá está cheio!

(E a outra parte da verdade disso tudo é que eu não tenho nada pra dar, nem criatividade, nem paciência suficientes para esquentar minha cabeça com essas coisas. Parabéns a quem tem, aliás!).

Aniversário Guanabara, ninguém fica parado,
Tem novidade todo dia e promoção pra todo lado

Pois é, isso aqui é o Inútil Nostalgia, acho que as pessoas lêem paradas sim, só tem novidade uma vez por semana, e não rola nenhuma promoção. Sinto muito.

E mesmo não dando nada pra vocês, fico feliz de ver que o blog tem sua parcela de reconhecimento e já virou referência e influência para alguns blogs amigos (principalmente quando o assunto é o tamanho dos posts, rs!).

É muito legal ver que as pessoas têm paciência e disposição para ler os posts gigantescos daqui. E ver elas próprias fazendo mini-posts-gigantescos nos comentários. E depois elas mesmas aumentando a quantidade de caracteres nas próprias postagens “locais” (haha!). Porque mini-posts-gigantescos nos comentários são sinônimo de reflexão. E seu o meu humilde blog fez você tirar um tempinho para puxar uma história da lembrança e colocar um pouco a mão na consciência e elaborar sua própria opinião sobre o assunto, eu me sinto muito honrada, de verdade. Pra mim, isso significa mais sucesso do que 100 seguidores fantasmas.

Esse exercício de refletir para escrever não é exclusivo de vocês. Eu também tenho que botar a mão na consciência e pensar muito antes de postar, para que o argumento fique o menos falho possível. (Não se enganem. Quando eu escrevo, sei muito bem o ponto fraco do texto e fico só me preparando para a réplica nos comentários, caso aconteça - o que, pra falar a verdade, quase não acontece.) Mas, como dizia, ao parar para escrever, percebo que, ao final do texto, EU TAMBÉM acabo com uma ideia muito mais definida e mais ampla sobre o assunto do que no início dele. Penso em hipóteses que não havia pensado antes e às vezes até mudo de opinião sobre a "tese" que pensei em defender. E as contribuições da caixa de comentários acrescentam muito ao debate. Me fazem enxergar um outro lado, por mais que tenha me cercado ao máximo dos "contra-argumentos".

E o mais legal de tudo é ver que os leitores que acompanham o blog lembram imediatamente da mãe dele por conta de alguma idiossincrasia postada aqui e fazem questão de me avisar sobre qualquer novidade relacionada.

É aí que eu vejo como eu estou ficando uma pessoa previsível, rs! Brincadeira! É aí que eu vejo como vocês são mais que leitores: são amigos! E é aí também que eu fico ainda mais feliz de ter “dado à luz” ao Inútil há 3 anos. Porque ele me proporciona conhecer outras pessoas INCRÍVEIS como vocês. Pessoas inteligentes, engraçadas, interessadas e interessantes, e que eu não conheceria se não fosse por intermédio deste simplório meio de comunicação.

Agradeço mais uma vez o carinho de vocês. E a gente se encontra semana que vem nesse mesmo bat-horário, nesse mesmo bat-canal.

Que venham mais muitos posts por aí, e se preparem porque eu acabei de terminar a faculdade, e nessas fases de transição, eu fico mais nostálgica do que nunca.

E vamos aproveitar para escrever idéia, jóia, heróico, anti-social e abusar dos tremas porque esse é o último ano de transição da reforma ortográfica.

Abs,
Lisa
Continue lendo...