sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sobre Shakespeare e Chaves

Eu confesso. Não sou muito chegada nos clássicos. Não tenho muita paciência para aquele vocabulário rebuscado, para aquelas histórias em que nada acontece durante páginas, para ter que ficar dizendo para mim mesma que eram outros tempos e que na época as pessoas tinham outra cabeça... Às vezes eu até tento encarar uma leitura dessas, mas sempre acabo dormindo, ficando com raiva de alguma coisa no mundo, me cansando e largando o livro.

No entanto, nada disso acontece com Shakespeare. Por que, apesar de ser do período renascentista (que antecede praticamente toda essa galera que a gente estuda na escola: romantismo, realismo, parnasianismo, modernismo...), ele é mais atual do que todos eles juntos.

Will.I.am Shakespeare

Ao pegar uma peça de Shakepeare, não se tem a impressão de que são histórias datadas, ou paradas, ou inacessíveis aos reles mortais. Ao pegar uma peça de Shakepeare, a sensação que se tem é justamente a oposta. A de que elas poderiam estar (e ESTÃO!) na tela dos cinemas, da TV, no meio desse povo, e com certeza a gente vê na Globo (ou no SBT). As histórias que Shakespeare escreveu há uns 500 nos atrás continuam a se repetir e a inspirar praticamente tudo o que é dramaturgia hoje em dia. E são absolutamente populares! Tanto é que permeiam os sucessos mais inusitados (alguns deles eu tenho quase certeza que o fazem revirar-se no túmulo).

William (Shakepeare é muito difícil de escrever, foi mal) escreveu 38 peças entre comédias e tragédias, além dos inúmeros poemas. Mas, nada disso teria valido a pena, se ele não tivesse encontrado o amor nos braços da linda, simpática e talentosa Anne Hathaway.

Sacanagem, é claro que não é essa. 
Mas a foto é de uma cena de Noite de Reis*.

Tenho absoluta certeza que se fosse hoje, ele ia fazer o maior sucesso. Isso porque suas obras por mais complexas que sejam, ao mesmo tempo são muito simples. E populares! Cheias de reviravoltas e cenas marcantes, o trabalho de tio William era apresentado para as massas e sem dúvida, hoje em dia, seria um ótimo trunfo para atrair a “nova classe C”! Não à toa, dizem, Ricardo III já frequentou o horário nobre através de Flora em  Favorita e A megera domada já deu às caras umas 2 vezes no Vale a Pena Ver de Novo através de O cravo e a Rosa. E se você parar para pensar, muitos dos truques novelísticos usados à exaustão já estavam lá, nas obras bardo, há meio milênio de história, iluminando o caminho de qualquer dramaturgo até os dias de hoje! O que quer dizer que talvez o mundo não tenha mudado tanto assim nos últimos 500 anos, afinal na de contas.
* Lembra quando o Homem de Ferro ironiza o Thor, perguntando se aquilo tudo era "Shakespeare in Park"? Então era isso aí que a Anne fez. É um projeto de encenar peças do bardo em pleno Central Park, inteiramente de grátis.

Shakespeare conduz o público (ou o leitor) através da história pela mão e nos momentos cruciais o larga exatamente onde quer, deixando o espectador inquieto, mordendo as unhas, com o coração apertado.

Uma das coisas de que mais gosto é como ele sempre adiciona referências metalinguísticas ao gênero do teatro, como se ao mesmo tempo prestasse uma homenagem a seus atores e desse uma piscadela para o espectador logo à frente. Um exemplo disso é incluir (mais de uma vez) cenas em que personagens femininos fingem-se de homens, sendo que esses personagens já eram interpretados por homens mesmo! E apesar do linguajar sofisticado (pra falar a verdade, a leitura de um Shakespeare não chega a ser tão fluída, dependendo da tradução, mas também não chega a ser nenhum martírio), e do romantismo exacerbado e das grandes declarações de amor, e dos monólogos intermináveis, pode reparar só, sempre rola uma piadinha suja, estilo 2 Broke Girls!

Eu não estou participando do Desafio 6MS, mas acabou que o projeto reacendeu minha vontade de cozinhar esse post (acredite, ele já estava de molho há muito tempo) e de ler alguns outros exemplares de tio William que já estavam aqui em casa. Então, se vocês não se importam, comentarei brevemente algumas de suas obras logo abaixo daquele jeito herege do Inútil.

A Comédia dos Erros: A história é a seguinte: dois pares de gêmeos (2x Antífolo e Drômio) são separados “na maternidade”. (Atenção: Não são quadrigêmeos! São 2 gêmeos + 2 gêmeos, sacou?) Um dos pares vai para Siracusa, com o pai (Egeu). O outro vai para Éfeso. 25 anos depois, o pai é condenado à morte em Éfeso por ter violado a fronteira das duas cidades. Com todo mundo na mesma cidade, é óbvio que vão rolar muitas confusões na sua Sessão da Tarde. A Comédia dos Erros é praticamente um episódio de Chaves inteiro. É pastelão até dizer chega, com direito a muitos cascudos a la Seu Madruga na cabeça dos escravos Drômios. E o que dizer dos ciúmes das mulheres? Adriana ficou doidinha, e a irmã dela também! Não era pra menos! Com dois pares de gêmeos, os dois com os mesmos nomes, e nenhum deles possuindo alguma personalidade do mal, fica difícil diferenciar mesmo!


O Mercador de Veneza: Na cidade de Veneza, no século XVI, Bassanio pede a Antonio o empréstimo de três mil ducados para que possa cortejar Portia. Antonio é rico, mas todo seu dinheiro está comprometido em empreendimentos no exterior. Assim ele recorre ao judeu Shylock, que vinha esperando uma oportunidade para se vingar de Antonio. O agiota impõe uma condição absurda: se o empréstimo não for pago em três meses, Antonio dará um pedaço de sua própria carne a Shylock. No finalzinho é uma aula de Direito! Mas também no finalzinho tem mais aquela cena do anel uma cena que podia estar em qualquer comédia romântica, numa boa. Fiquei aqui pensando que se o Seu Barriga e o Shylock se encontram, vou te contar, seria o fim do Seu Madruga, que nunca paga o aluguel!


Hamlet é um novelão! Folhetinesco, dramático, emocionante! A peça, passada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet, tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. Rei Leão respira Hamlet. O integrante dos vingadores Thor também! (Não à toa o diretor do Thor é Kenneth Branagh - um cara conhecido por sua familiaridade com o texto shakespeariano, uma vez que já adaptou 5 de suas peças para os cinemas, mas que você deve conhecê-lo mesmo por causa do professor sósia do Neca Gilderoy Lockhart de Harry Potter ;P) O mais engraçado é que as duas frases mais famosas da peça “Ser ou não ser, eis a questão”, "Existe algo de estranho no reino da Dinamarca", “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia” são quase imperceptíveis! Gostei muito mais das reflexões acerca dos corpos que viram comida de minhoca, que adubam a terra, de onde são tirados os alimentos (nojentão!). E eu esse tempo todo achando que a Profª Deborah tinha sido original lá na 8ª série quando citou “self-service de verme” como eufemismo para morte! Que nada! Era Shakespeare puro! No fim das contas, a grande lição de Hamlet também pode ser encontrada nas palavras do maior filósofo de nossa geração: Seu Madruga.

Seu Madruga sobre Hamlet

Sonhos de uma Noite de Verão: Lisandro ama Hérmia que ama Lisandro e é amada por Demétrio, que é amado por Helena, que não é amada por ninguém. Se perdeu? Melhor desenhar.

Triângulo amoroso é coisa do passado...

Só que aí Oberon (uma fada macho, ou seja, um fado) faz um feitiço que era pra consertar essa história, mas acaba por confundir tudo de novo! E ficamos assim: Demétrio ama Helena, que ama Demétrio e é amada por Lisandro, que é amado por Hérmia. 

...agora a moda é.. desfazer o feitiço e ajeitar tudo de novo! #nãoseirimar

Imagina só como a Hérmia, acostumada a ter dois arrastando asa pra ela, ficou quando percebeu que agora a amiga fura-olho é que tinha virado o centro das atenções dos dois rapazes? Uma palhaça, né? E a melhor parte é que ela fala isso mesmo! Com essas palavras!

No meio disso tudo ainda tem um casamento, um grupo de teatro que ensaia uma peça (ruim pra caramba – mas fiquei com a maior do dó da pecinha dos caras, apesar de tudo, era de coração) para ser apresentada nesse casamento, um duende, um cara com cara de burro e uma (sa)fada que cai de amores pelo burro.

Sou fã desse filme só porque fizeram uma versão musical de Sonhos. E tiveram a heresia de mudar o final! Pra fazer tio William se revirar no túmulo, diz aí?

Obs.: Tem um infográfico direito aqui no link.

Romeu e Julieta: No baile de máscaras, Romeu se apaixona por Julieta. Isso não seria problema algum se ele não fosse um Montecchio e ela não fosse uma Capuleto. Duas famílias absolutamente inimigas! E agora? Quem poderá lhes defender? (Como Roberto Bolaños tem claramente inspiração na obra do bardo, é óbvio que não podia faltar um especial do Chapolin com Romeu e Julieta, não é?) A história de amor mais famosa do mundo é acima de tudo envolvente. Mesmo não concordando com metade das atitudes dos dois, e já sabendo o final, me peguei gritando pro livro: “NÃO BEBE O CÁLICE, SEU IDIOTA! ELA TÁ VIVA!”. Romeu e Julieta está presente em qualquer história de amor proibido e já ganhou releituras das mais diversas que vão desde Gnomos, rivalidade de times e até uma com a Hebe. Tem um filme do Baz Luhrman (aquele de Moulin Rouge) com Leo Dicaprio e Claire Daines em que todos os cenários e figurinos são contemporâneos, mas o texto é o original, com todos aqueles floreios de linguagem. O mais legal de Romeu e Julieta é que se você parar pra pensar, mal entendidos como o não envio da carta acontecem até hoje, mesmo com quase ninguém indo até os correios! Ou nunca aconteceu de você se desencontrar de alguém porque o celular estava sem créditos ou sem bateria? Rola um boato de que está sendo produzido um “Romeu e Julieta pra geração Crepúsculo”. MEDO!

Onde tem mais facadas? Shakespeare ou Pânico?

Próxima parada: MacBeth – a peça maldita!
Se bem que depois desse post eu já devo estar mesmo amaldiçoada até a 5ª geração!
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

A volta dos que não foram

Você percebe que está ficando velho quando começa a notar que assistiu às versões originais na época de sua estréia de atuais reboots ou remakes que hoje fazem reboliço na mídia. E do jeito que as coisas andam ultimamente, não é preciso ter mais do que 15 anos para ter esse tipo de sensação. É o que aconteceu com o Homem-Aranha, que volta às telas completamente renovado nessas férias, somente 10 anos após sua primeira estréia, em 2002. Também esse ano chega às telas o aguardado final da trilogia do Batman sob a batuta do diretor Chris Nolan. Trilogia essa que já nasceu readaptada e que, corre à boca miúda, pode ganhar mais uma releitura em seqüência tal qual aconteceu com o Aranha.

Na onda do ecologicamente correto, um conceito que faz muito sucesso é o da reciclagem. Reaproveitar aquilo que já não é mais útil e evitar o desperdício são as ordens em um tempo em que a população mundial atinge a marca dos 8 bilhões e o meio ambiente dá sinais de derrota na guerra contra o consumismo. Mas, enquanto a reciclagem de papel, plástico, alumínio, etc, ainda parece engatinhar, em Hollywood, a reciclagem de ideias funciona de vento em pompa.

A cada ano que passa, a proporção de seqüências, remakes, reinícios, adaptações, releituras, etc aumenta consideravelmente em detrimento do espaço oferecido a novas histórias, roteiros originais, propostas diferentes na telona. Em 2011, foram nada menos do que 27 sequências estreando (um recorde que pertencia ao ano de 2003, com 23 delas). Isso porque, principalmente, ao contrário do reaproveitamento ecológico, a reciclagem de ideias dá dinheiro e faz muito bem aos cofres dos executivos, que, em tempos de crise, não querem saber de trocar o certo pelo duvidoso. Mas será que ela traz algum benefício para o ambiente e para a sociedade num geral? Será que chegará o dia em que só teremos ideias repetidas e conversões para 3D sendo vendidas como novidade?

Eu pessoalmente não tenho nada contra seqüências, prelúdios (prequência é sua MÃE, tradutor preguiçoso!), remakes, etc. Entendo que é um modelo lucrativo para a indústria e me deixo levar pela promoção exagerada da mídia mesmo. O que me incomoda de verdade é a sensação de que elas só estão sendo feitas por causa da ganância de algum produtor picareta que não sabe a hora de parar! Quando esses desgraçados querem ressuscitar alguma franquia há muito adormecida e que vive muito bem em nossa memória afetiva desse jeito! Quando está claro que nada que seja feito com aqueles personagens vá acrescentar mais alguma coisa pra ninguém!

Por isso, sempre que vejo o anúncio de uma dessas seqüências inusitadas, penso comigo mesma:
“PRA QUÊ???? POR QUE VOCÊS TÊM QUE ESTRAGAR TUDO? POR QUÊ???? POR QUÊ? POR QUÊ????”

Afinal, se o filme é bom, para que refazer? E se é ruim, não está claro que trazê-lo de volta das tumbas é um erro? No caso das seqüências, se a série terminou tão bem, pra que exumar o corpo?

Pode ser difícil de acreditar, mas, às vezes existem motivos além dos óbvios (leia-se $$$) que fazem esse tipo de projeto andar pra frente.

1. Falta de Criatividade
Será que todas as histórias do mundo já foram contadas? Onde foram parar as boas ideias? Se o mundo muda o tempo todo, por que as histórias continuam a se repetir tanto na tela? – o que nos leva ao motivo nº 2.

2. Atualizar a franquia e apresentá-la aos mais jovens
Pois é, o mundo gira, e muda, e se transforma e, ao mesmo tempo...não muda NADA! Fora os aparatos tecnológicos, alguns motes continuam intactos e absurdamente atuais! Daí importância talvez de apresentar aquelas histórias icônicas aos mais jovens, para que elas permaneçam contemporâneas e eles tenham oportunidade de também poder chamar aquela franquia de sua. – o que nos leva ao motivo nº3.

3. Prestar uma homenagem ao original
Se o item anterior mira as atenções nas novas gerações, este aqui foca no pessoal que já tem um certo envolvimento afetivo com a saga. Afinal de contas quando uma franquia tem personagens muito queridos, é inevitável a saudade que se sente daqueles caras que você aprendeu a amar por tanto tempo. Assim, um remake, reboot, seqüência, especial de fim de ano, ou o que quer que seja, não deixa de ser uma oportunidade de promover o reencontro de grandes amigos (ou grandes cenas) com o público, nostálgico, também. 

Pois bem. Quando eu vi a notícia de que iam fazer um Pânico 4, eu pensei exatamente aquilo que eu penso sempre:
 
PRA QUÊ???? POR QUE VOCÊS TÊM QUE ESTRAGAR TUDO? POR QUÊ???? VOCÊS NÃO TINHAM PROMETIDO QUE TINHA ACABADO?

E à medida em que surgiam as imagens promocionais, os reforços no elenco, os trailers, e as críticas, eu sentia que minha língua começar a arder. Eu bem que quis assistir ao filme no ano passado, quando saiu, mas, cadê que eu consegui arrastar alguém pra ir comigo? (Você vai dizer que eu podia baixar o filme, mas tenho muita preguiça pra esse tipo de coisa) Então, a experiência de ver Pânico 4 foi adiada para TV, um ano depois. E, como eu já previa, QUEIMEI MINHA LÍNGUA, e com prazer. Roteiro genial, metalinguagem elevada à quarta potência, divertido, inteligente e muito relevante dentro do contexto em que se encontra.

Pânico surgiu em 1996, deu novo gás ao gênero do terror adolescente e virou figurinha carimbada na geral dos estádios brasileiros. O filme fez sucesso ao brincar com as tais regras dos filmes de terror e se diferencia de seus similares por apostar na metalinguagem. A paródia ao gênero é tanta que Pânico não chega nem a ser terror e sim, terrir. 

Galvão: Olha lá a alegria do torcedor! Aquele ali está fantasiado de uma espécie de fantasma...(Produção entra em contato). É o Pânico! 

(Aos desavisados, eu ainda estou falando de Pânico, a franquia original. E não daquele lixo que é Todo Mundo em Pânico! Tenho ódio profundo dessa praga dessas paródias primeiro porque elas não têm a mínima graça, e depois porque até fazer as pessoas entenderem que Pânico em si já era uma paródia – essa sim, inteligente e engraçada - é um custo!)

Como esquecer da cabeça que continua falando mesmo decapitada em Pânico 2? Ou do melhor diálogo da série, entre Courtney Cox e David Arquette*?

C. Cox: Você guardou o telefone na memória?
D. Arquette faz careta, como se tentasse lembrar o número.
C. Cox: Na memória do celular, seu idiota!
(Viu só, gente! Terrir!)

* Interessante como a série está sempre presente em momentos importantes do relacionamento dos dois. Eles se conheceram em Pânico 1, namoravam em Pânico 2, casaram na época de Pânico 3 e divorciaram em Pânico 4! Será que com um Pânico 5, eles se reconciliam?

Palma, Palma, Palma, Não priemos cânico!

Pânico não se leva a sério. E é por isso que eu gosto.

O que não quer dizer que ele não tenha consciência de seu papel na mídia ou na cultura pop. A cada filme que se passa, praticamente tudo o que é falado dos anteriores acaba por virar auto-referência, como se os roteiristas compartilhassem uma piada particular com o público.

E é exatamente desse jeito que voltamos à Woodsboro, 11 anos após o fim do terceiro filme (e teoricamente o fim da trilogia).

Logo na seqüência inicial o filme diz a que veio com o filme dentro do filme dentro do filme (quase uma Origem dos filmes de terror) e me ganhou sem fazer esforço. Se ainda havia alguma revolta em mim por conta da existência desse 4º episódio, ela foi embora já nos 10 minutos iniciais. Porque Pânico brinca com o fato de ser uma continuação inesperada e com todos esses filmes de terror sem graça que têm milhões de seqüências que em nada acrescentam (sim, Jogos Mortais, é de você que eu estou falando)!

Não bastasse isso, o roteiro ainda dá um jeito de reinventar a franquia (lembra do item nº 2?) sem esquecer de seus personagens principais de outrora, o que traz até um ar de nostalgia para o antigo fã (cumprindo com louvor a tarefa do item nº3!).

Sidney escreveu um livro de auto-ajuda (Ha!) e resolve encerrar sua turnê de divulgação na sua cidade natal, onde sobreviveu a uma série de terríveis assassinatos. E ela chega em péssima hora, pois, durante as festividades do aniversário das mortes (sim, os adolescentes da cidade comemoram isso assistindo a todos os 7 filmes – Ha! De novo! - da saga baseada nos massacres motivados pelo ódio a Sidney), o Ghostface volta a atacar novamente. Também reencontramos Gale (Cox) e Dewey (Arquette), que, enfrentando uma crise no casamento (ó, ironia!), vão ajudar a desvendar a identidade de mais um assassino, no meio de toda a garotada nova.


E ao retomar a franquia 11 anos depois, Pânico acerta justamente por incorporar tudo aquilo o que mudou durante esse tempo (desde os celulares e conexão via streaming, passando pelo elenco jovem e renovado, com pontas de praticamente toda uma galera que faz/fazia sucesso nas séries teen da TV), mas também retomar tudo aquilo que fez o público gostar da série como as piadas, a metalinguagem, os sustos, aquela groselha descarada e principalmente o elenco original (ou o que sobrou dele), ao contrário do que fazem algumas seqüências inesperadas*.
* Essa é uma das manias mais picaretas de Hollywood. Ressuscitar franquias com outros atores nos papéis principais que não tem a metade do carisma dos antigos e fazem os outros filmes com um terço da qualidade. Muitas vezes a história é exatamente a mesma, só mudam os rostos mesmo. Existem muitos exemplos desse tipo de picaretagem, mas um dos casos mais curiosos é Um Príncipe em Minha Vida. No segundo filme, o elenco já não conta com a Julie Stiles, só sobrando o tal príncipe do casal. E no terceiro, nem ele dá as caras! Ou seja, zero conexão com o público. 

Com o argumento de que o novo Ghostface está produzindo um remake, o filme se enriquece com as tradicionais regras (dessa vez das refilmagens) e ainda deixa implícita a crítica à moda de produzir remakes (principalmente do gênero do terror) surgida no hiato da série que, muitas vezes, só fazem f*** com o original. E, mesmo apresentando uma proposta assim, Pânico não deixa de prestar sua homenagem a outros filmes do gênero (aqui representada, veja só, pela nova turma que acabou de chegar à franquia!) ou de oferecer um final de cair o queixo, como sempre! Um mega de um meta-filme!

Ao fim da película, fiquei com duas certezas:

1) Mesmo preferindo ver coisas novas no cinema, se for pra fazer seqüências, remakes, reboots, releituras, ou o que quer que seja, desse jeito, quem sou pra não concordar com a ideia?; e

2) Se me perguntarem, eu não sei você, mas Pânico é de longe o meu filme de terror favorito.

A propósito, essa cena NÃO está no filme!

Aproveitando o tema, deixo no ar algumas perguntas: Qual o seu filme de terror favorito? 
1) O que você acha de cada vez mais termos cada vez menos ideias originais circulando? (E eu dei ênfase ao cinema, mas na verdade serve pra tudo: TV, literatura...)
2) Qual a seqüência/reboot/remake que faz você ter vontade de esfaquear os produtores do projeto?
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Contemporâneo

Há um pouco mais de 3 anos, eu comecei com esse blog que, entre outras coisas, tinha como missão relembrar histórias, revisitar o passado e tirar a poeira da memória. De lá pra cá, sinto que objetivo vem sendo cumprido e posso perceber minha nostalgia sendo reconhecida e refletida nos comentários dos leitores de forma bastante acolhedora e amigável. Quando alguém fala em Nostalgia, e principalmente em Inútil Nostalgia, muitas vezes a associação feita vem diretamente ao meu encontro.

Pois bem, o que eu queria dizer hoje para você é que eu sou uma farsa.

Não consigo assistir a filmes em preto e branco. Não tenho vontade de escutar os vinis antigos do meu avô. Não partilho do ideal que diz que “tudo o que é antigo é que é bom” e dificilmente acho mesmo os clássicos (inclusive os mais recentes) essa genialidade toda.

Não que haja necessariamente algo de errado com eles. Mas geralmente parece que... falta alguma coisa. O ritmo era diferente. Mais lento, mais simples, sem tantas reviravoltas ou inventividades. (E no meu mundo, as coisas acontecem rápido, muito rápido.) De alguma forma, sinto que eles não dizem respeito a mim. Não me pertencem.

Falta-me o contexto da época em que foram lançados para entender a razão de tanto frenesi. Falta-me a cabeça de outros tempos para não ficar esperando as explosões ou músicas na trilha sonora. Falta um empurrãozinho da mídia para transformar aquilo que é antigo em contemporâneo. Porque o texto mesmo (e por texto eu não me refiro só a palavras, mas a tudo que pode ser interpretado) não é nada sem o contexto que lhe rodeie.

O processo de identificação funciona na medida em que é possível enxergar o próprio reflexo em outra “superfície”. Mas como conseguir me identificar se o espelho parece já tão embaçado? Querendo ou não, somos todos produtos do nosso tempo. Assim como o tempo não deixa de ser produto de nossos hábitos.

Não sou apaixonada pelo passado, nem o acho nada glamouroso, como o Gil de Meia Noite em Paris.

Tenho algum encanto pela década de 80, talvez o berço da cultura pop como conhecemos hoje (com direito a muita coisa trash inclusive, porém, aparentemente, mais divertido, mais homogêneo e sem tantas dissidências ou rótulos), mas não sinto vontade nenhuma de viver naquele tempo. Houve uma época em que até passava pela minha cabeça essa história de “ter nascido tarde demais”, mas só de pensar que teria de viver em um tempo em quase ninguém tinha telefone, ninguém sabia o que era internet e todo mundo usava ombreiras, eu já descartava logo a ideia. Sou fruto da década de 90, habitante dos anos 2000 e tenho muito orgulho disso.

Para quem não assistiu ao filme de Woody Allen, Gil (Owen Wilson encarnando praticamente um alter-ego de Allen - repare como a cadência de sua fala é idêntica a do diretor, quando este estava ante as câmeras) é um roteirista de sucesso e aspirante a escritor apaixonado por Paris. Não essa Paris do século XXI, mas, principalmente, a Paris dos anos 20. Uma nostalgia cega, uma vez que ele nunca sequer vivenciou aquele tempo. E eis que durante a viagem à cidade-luz com sua noiva, ele pega um carro, à meia-noite, e vai parar na Paris de seus sonhos. Lá ele passa a conviver diariamente com todos seus ídolos da arte, música e literatura.

O filme é uma delícia. Engraçado e fantasioso, a película usa a cidade mais romântica do mundo como cenário para discutir a visão romântica que temos do passado (mais que perfeito). Ele ainda dá margem a muitos outros debates, mas aquele em que se aprofunda mesmo é esse sobre o tempo, a nostalgia, o fascínio que se tem pelo pretérito (na verdade imperfeito) em detrimento do presente. (Nota: A trilha sonora já nos créditos de apresentação é apaixonante)

(Lembrei-me agora da explicação das diferenças entres os três tipos de pretérito do indicativo feita por um professor do ginásio.

Para ele, o “pretérito imperfeito” era aquele que, no momento da fala, provoca a lembrança da ação acontecendo em tempo real na memória do falante. O “perfeito” evoca da memória somente o momento imediato após o fim da ação, quando esta já estava encerrada. E o “mais que perfeito” é aquele em que, no momento da fala, já não se lembra mais de nada, de tão remoto que é esse passado.

Eu não sei de onde ele tirou isso, já que nunca vi em nenhum livro de português. De um certo modo até faz algum sentido, mas, agora, ao escrever esse texto, tenho de discordar. 

Segundo a visão gramatical desse meu professor que a gente chamava escondido de Superman por causa do ar certinho e do cabelo que só faltava aquela vírgula na testa para ficar igual ao Super mesmo, o pretérito preferido do nostálgico seria o “imperfeito”, uma vez que traz de volta a lembrança viva de outros tempos dentro da memória (como bem aconteceu agora quando fui descrever o antigo mestre). Mas todo nostálgico que se preze acha que o passado era “perfeito”! Mais do que isso! Para um nostálgico como o Gil, o passado de que se lembra é “mais que perfeito”!).

Mas, como ia dizendo, eu sou muito egoísta e o passado de que gosto tem de me pertencer de alguma forma. Deve ser contemporâneo a mim, mesmo que não esteja em concordância com tempo presente. Tem que ser velho com cara de novo. Ou de alguma forma, novo com pinta de velho (tipo esse último Superman que ninguém gostou*). Caso contrário, tenho a sensação de estar me apropriando de algo que não é meu. E sempre me disseram quando criança que roubar era errado. O passado de que gosto é aquele em que consigo me ver inserida de alguma forma. Porque esse sim, eu posso chamar de meu.

Talvez essa seja a razão pela qual eu goste tanto de lembrar histórias recentes do meu próprio passado. Para manter suas lembranças vivas, contemporâneas, dentro do presente. Como forma de não deixá-las morrer, como outras morreram e eu, egoísta, não dou valor. Sei que daqui a um tempo o meu passado será assim. Embaçado e esquisito para aqueles que nos sucederem. De certa forma já o é, se você for pensar.

Ao mesmo tempo, sei, assim como o Gil do Meia Noite em Paris percebe em determinada passagem do filme (será que falei demais?), que o presente é tudo o que temos. Viver de nostalgia nada mais é do que viver em negação do presente. Esse presente que um dia será passado e, se vivido dessa forma, não terá nada para ser lembrado – o que vai de encontro a todo o princípio da nostalgia!

Logo, por mais paradoxal que seja, para que a nostalgia seja alimentada, é necessário que se viva o HOJE, AGORA, JÁ! Porque só assim é que se pode ter algo verdadeiramente seu para se lembrar.

E agora, ao final desse texto, percebo que, tudo bem, talvez eu não seja tão farsante assim.

* E eu particularmente adorei. E acho uma sacanagem ninguém dar papéis decentes para esse ator que, tá na cara (não só na cara), é muito talentoso.
** Lembrei agora de um outro professor, dessa vez do Ensino Médio, que cismou que o Marlon Brando era vivo quando esse filme saiu, só porque sua voz aparece em determinado momento. Só que a voz foi inserida digitalmente, uma vez que o Marlon Brando já tinha morrido há uns 3 anos! Isso é que é negação!
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

O poder do pop

Quando eu era pequena tocava violino. Não costumo comentar isso porque as pessoas sempre ficam com aquela cara de surpresa, querem saber como era, porque parei, etc (“Era legal, mas me estressava muito, dava muita confusão dentro de casa, chegou uma hora em que eu já não curtia mais e parei. Não, não toco mais”) e eu não sou muito de ficar dando satisfação da minha vida pros outros. Mas, resolvi compartilhar essa informação por aqui porque achei relevante para o post de hoje.

Na época, minha mãe achava aquilo o máximo. Ela se sentia por ter uma filha que tocava violino. Fazia altos planos sobre em que orquestras eu iria tocar profissionalmente até! (Uma coisa que nem passava pela minha cabeça!). Na visão dela, música clássica era sinônimo de “cultura”. Como se a cultura erudita fosse o único tipo de manifestação relevante e que realmente fizesse a diferença na vida das pessoas. Um pensamento que não poderia ser mais errado.

A cultura popular é tão ou mais importante do que aquilo que é cultuado pelos mais abastados, mais entendidos ou mais influentes. Porque, querendo ou não, é a cultura popular que acaba por reproduzir os trejeitos e desejos mais íntimos de um povo. Mais do que isso, o pop é responsável por unir pessoas e não deixar que conversas ou pedaços de vida sejam preenchidos por um vazio sem graça.

Esses dias estive conversando com uma amiga que se queixava de não haver nada em sua vida que fosse efetivamente bom, que parecia que nada mais lhe dava prazer.

Enquanto tentava animá-la a descobrir algo que ela gostasse de fazer, pensei em como estava a minha própria vida. Em como aconteciam coisas que eu também não gostava constantemente. Problemas sérios que pareciam que nunca iriam se resolver. Em como os dias, na maioria das vezes, também não tinham nada de especial. E em como, mesmo assim, eu não me sentia assim, infeliz, sem ver sentido nisso tudo, do jeito que ela se sentia.

Me lembrei de algumas vezes em que me senti triste, meu dia estava uma droga, e fiquei de saco cheio de tudo. E de como, muitas vezes, só de ler um texto num blog, uma notícia da Anne, ouvir uma música do Jamie ou conversar com os amigos sobre essas coisas sem sentido e que teoricamente não acrescentam nada para nossa vida, eu me senti melhor. De como essas paixões ensandecidas movimentam a minha vida de vez em quando. De como elas parecem movimentar a vida de tantas outras pessoas também.

Minha irmã me disse que eu sou uma pessoa naturalmente alegre. Que eu tenho dificuldade em ver o cinza, mesmo ele estando bem na minha cara. Talvez seja verdade. Mas talvez a cultura pop também tenha sua parcela de culpa nisso tudo.

Ou não foi graças ao Diário que fiz algumas das minhas melhores amigas (e vivi alguns dos melhores momentos da minha vida)? Ou graças a esses fenômenos trash da TV que fazem meus colegas do Cefet se falarem até hoje? Ou graças ao blog que conheci um bando de pessoas legais?

Tem gente que pra esquecer os problemas bebe, fuma, entra nas drogas. Eu entro no Twitter, me afogo nesse mar de informações inúteis (ou não) que é a internet, solto umas boas gargalhadas, e me sinto curada para encarar mais uma.

 Aprecie sem moderação

(Pensa aí você agora nas coisas legais que a cultura pop trouxe pra você. Naquilo que você não teria coragem ou deixaria de fazer se não fossem esses vícios saudáveis. Nas pessoas que você deixaria de conhecer caso elas não existissem! Sua vida seria bem mais chata, não é verdade?)

O que me lembrou imediatamente de Um Grande Garoto do Nick Hornby. No livro, já resenhado aqui, a depressiva mãe de Marcus, abatida por um sentimento de que nada mais valia a pena, tenta suicídio logo no início, mesmo tendo um filho adolescente para criar. Ao passo que Will, um cara que realmente não tinha nada nessa vida, não passava por coisa parecida, pois preenchia muito bem sua vida em intervalos de 1h (Assistir TV, Cortar o cabelo, Relaxar na banheira...).

Em determinada passagem, Will fica com um medo terrível de que a mãe de Marcus (o nome dela agora me escapou da memória) lhe encurrale com a grande pergunta sobre o mistério e o sentido da vida. Isso porque, bom, não tem muito sentido mesmo. O negócio é viver um dia de cada vez. Com paixão. Tentando aproveitar ao máximo. Tentando ser feliz.

O pop tem esse poder de preencher as “cabeças vazias” a fim de que elas não se tornem “oficinas do diabo”. De transformar paixões fora de propósito em amizades e tornar momentos tristes, pelo menos, um pouco mais suportáveis. O pop tem esse poder de nos deixar loucos por alguns instantes, ao mesmo tempo em que evita que fiquemos loucos de verdade. De transformar dias sem nexo em horas especiais e fazer a gente esperar por alguma coisa - nem que seja o episódio do seu seriado preferido na semana que vem, o lançamento do aguardado último livro daquela saga no próximo ano ou um show no Brasil da banda do seu coração sabe-se lá Deus quando eles vão aparecer por aqui!

Talvez esteja faltando um pouco mais de pop na vida dessa minha amiga. Alguma coisa que a faça desligar o cérebro no final do dia, junte amigos, desperte paixões e sirva como válvula de escape de prazer.

A cultura pop oferece uma oportunidade de extravasar essa vontade de viver. É um meio de fazer as pessoas felizes. Querendo ou não, ela faz parte da nossa vida.

E existe algo mais relevante do que a vida e a felicidade das pessoas? Eu acho que não.


 É disso que eu estou falando!
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sábado, 21 de abril de 2012

BubléShow, because it's awesome!

A história desse show começa no ano de 2008.

Minha irmã é muito mais BubléNerd do que eu. Eu gosto dele, acho-o simpático, divertido, canta demais, tem músicas boas, mas me incomoda muito o fato de ele se acomodar em regravar músicas dos outros. Principalmente quando ele tem tanto talento pra compor. Minha irmã não. Ela curte à beça essa vibe Sinatra do século XXI, e quase me mata toda vez que eu falo que ele devia tomar vergonha e começar a lançar CDs compostos essencialmente por ele, ou que ao menos fossem inéditas pra o público.

Em 2008, o Bublé fez o seu primeiro show aqui no Rio. Era quase fim do ano, seria realizado no Vivo Rio e...eu não fui. Não fui porque deixamos pra comprar o ingresso, tipo, uma ou duas semanas antes do show e, quando chegamos à bilheteria... ESTAVA TUDO VENDIDO! Os únicos lugares vazios eram lá na frente, e custavam 1000 reais!!!!!! A gente não ia pagar isso.


Minha irmã, num daqueles seus acessos quando ela não consegue assistir a essas coisas em que é aficcionada, ficou revoltada. Queria comprar o negócio a qualquer preço. E colocou a culpa NA GENTE por 1) os ingressos terem acabado (como se eu tivesse ido lá e comprado tudo!) e 2) por não deixar ela pagar 1000 reais num ingresso.

Na mesma época , a gente acabou indo ver o Maroon 5 (um ótimo show, por sinal, e que custou menos da metade do preço), mas, a mágoa continuou a tomar conta de seu coração até o início desse ano, quando foi anunciada uma nova passagem do canadense aqui no Rio, dessa vez no HSBC Arena. Ela fez questão de comprar o ingresso no primeiro dia de pré-venda para clientes exclusivos (nessa hora eu fiquei feliz de finalmente conseguir aproveitar alguma vantagem dessas de banco). A gente comprou num bom lugar, bem na frente mas não tanto, e só pra constar, o preço era bem menor do que em 2008.


Só que, para nossa surpresa, para um primeiro dia de venda, já tinham bastantes ingressos vendidos até!!!! Ao acompanhar as vendas pela internet depois, vimos que UM MÊS antes do show, já estava tudo LOTADO de novo!!!!! E o cara nem é tão famoso assim!!! Me perguntei quem eram essas pessoas que estavam comprando esses ingressos. Só podia ser cambista, não era possível.

No dia do show, ao chegar nas redondezas do HSBC Arena, um engarrafamento desgraçado tomava conta do trânsito confirmando que aquele povo todo que tinha esgotado os ingressos existia. Mas ainda assim a pergunta persistia: QUEM ERAM ESSAS PESSOAS????? ONDE VIVEM? O QUE COMEM? POR QUE O SÉRGIO CHAPELEN NÃO FAZ UM GLOBO REPÓRTER SOBRE ISSO?

Lá dentro da casa de shows, eu obtive a minha resposta. Obviamente, tinha gente rica que segurava copo de Coca Cola como se fosse whisky e gente velha que não tinha nada melhor pra fazer em casa e resolveu ver quem era esse tal de Michael Bublé. Mas também tinha gente jovem, bem jovem! Muitas adolescentes! Meninas de 15 anos que sabiam todas as letras! Meninas, mulheres e senhoras que o achavam supersexy e levaram cartazes divertidos e plaquinhas com LOVE de um lado (pra levantar quando ele tocasse Haven’t Met You Yet) e Na Na Na Na Na (pra levantar quando ele tocasse Hollywood). E gente de tudo quanto é lugar desse Brasil!!!!!!! Ouvi sotaques do Nordeste e uma outra garota no fim do show gritava para ele que tinha vindo do AMAZONAS só pra vê-lo!!!!! Na boa, gente, É MUITO AMOR sair do Amazonas só pra ver um show!

Olha só a propaganda de pacote de viagens totalmente FAIL que eu achei!

Tinha até gente famosa circulando por lá! Não resisti e tirei uma foto da diva Adele, que estava sentada algumas cadeiras atrás de mim.

Só fiquei chateada porque não rolou uma canjinha da Adele, mas tudo bem.

Logo, logo o show começou com a abertura épica de Cry Me a River. Aquela introdução sensacional tocava antes, com as cortinas ainda fechadas, enquanto o público só via as silhutetas gigantes de toda a banda e Bublé no meio, de costas, como se regesse todo mundo, para só depois se abrirem com o vozeirão do cara. Um troço de arrepiar. Pra completar, ao fim da música, ainda explodem fogos do teto do palco, deixando todo mundo de queixo caído.


Dali ele emenda com All of Me e inicia uma das muitas conversas com a platéia. Agradece em português: “Obrigado” e pede em inglês: “Liga a luz. Deixa eu ver o povo” para depois começar a ler os cartazes das fãs em voz alta. Um deles, bem cara-de-pau dizia: “Michael, I love your wife Lu”. Ele replica: “Ah, sua mentirosa! Você não ama ela nada! Você gosta é de mim!”, e continua a se divertir e a divertir ao público contando que sua mulher está lá perto também, que eles se casaram tem um ano, blablablá. Claro que a platéia ciumenta vaia solenemente as menções a sua esposa, e ele observa sorrindo: “Adoro como metade de vocês fica: ‘Buuuuuuu!’ e a outra metade, os homens, fica: ‘Ah, por favor, ele é tããããããão gay!’” (o que não deixa de ser irônico, se você levar em consideração que a tal esposa achou que ele fosse gay mesmo quando eles se conheceram).

Ele continua a ler os cartazes em voz alta: “Michael, you’re Everthing” e “Michael, you just haven’t met ME yet”, e faz a coisa MAIS LEGAL DE TODAS: pede para as donas dos cartazes descerem de onde estavam para entregá-los pessoalmente e tirar uma foto com ele. O público vai ao delírio, e todo mundo fica morrendo de inveja das garotas. As meninas do NE da cadeira de trás se lamentam: “Por que eu não fiz um cartaz também?”, traduzindo o sentimento de toda a platéia.

Antes de continuar, ele fala para o público se divertir bastante e diz para mandar o dedo do meio pra quem estiver do seu lado reclamando de você cantando loucamente. “Você pagou caro por esse ingresso, manda a pessoa se f*der!”, ordena o rapaz

Então se seguem Mack the Knife (uma surpresa no repertório) e Everything, que levanta da galera (música de trabalho + melodia grudenta + composição própria = público feliz).

É impressionante como o cara nasceu pra isso. Adoro o jeito como ele desliza no palco (desliza mesmo, tem até uma rampinha só pra ele descer, deslizando na sola do sapato, deve ser por isso que o sapato dele é tão grande) e rodopia no próprio eixo e gira o microfone. Ele sabe como entreter público e dá a ele tudo o que ele quer.


O que se comprovou nos momentos seguintes em que apresentou toda a parte dos metais da banda, um por um, fazendo graça com cada um deles. Um que teve neném há pouco tempo (com direito a foto do bebê no telão). Outro que, segundo ele, teve vários nenéns ao redor do mundo, porque pega geral (com direito a um telão cheio de fotos de bebês). Um outro que era exatamente o contrário, que não tinha neném nenhum, porque obviamente nunca tinha transado com mulher nenhuma. “Vocês sabem aquele cara do Crepúsculo? Então, ele é igualzinho!” Nessa hora ele se empolga e imita o cara/o Rober Pattinson: “A mulher está lá toda: ‘Me morde!’ – fazendo várias caras e bocas – e esse cara fica: “Não, eu não posso. Eu te amo demais!” – com mais caras e bocas. (Uma das melhores partes do show). Um dos caras dos metais, inclusive era brasileiro, estava muito emocionado de tocar no Brasil, e o povo aplaudiu ele à beça, o nome dele era Jacob (e depois o outro que era de Crepúsculo....).

Feita a introdução dos instrumentos de sopro, Bublé puxa I’ve Got the World an a Sring, cuja participação da banda é fundamental no início com um: “Hey Michael, come on let’s swing, seems like you’ve got the world on a string” e ao final com o coro de “He’s in love, he’s in love!”, e segue com Crazy Love, que contou com o levantamento das já citadas plaquinhas no refrão.

Depois ele continua a apresentar o resto da banda e nos oferece um dos momentos mais divertidos da noite: “Então, gente, eu queria pedir desculpas a vocês porque eu sou casado com uma argentina, então, eu falo um pouquinho de espanhol, mas eu não sei nada de português. Mas eu queria apresentar a vocês ele que toca guitarra, violão e faz alguns vocais da banda que é... daqui mesmo, do Rio, para falar algumas palavras, dizer como é que a gente se sente de tocar por aqui, na língua de vocês”.

Aí o carequinha da guitarra falou com aquele carioquês delicioso, para delírio da galera: “Fala Riooooo!!!!!!! Então, o Michael queria que eu dissesse pra vocês como é bom tocar aqui, como a gente é se sente acolhido pelas pessoas, e como tocar com ele é um prazer e tal... Mas a verdade é que é tudo mentira. Ele não gosta dos fãs, e só liga pro dinheiro. E ele só maltrata a gente... E além de tudo a gente ainda é mal pago.” Nisso, o Bublé com aquela cara de bobo, como se não soubesse de nada lá na frente dele. E o cara continuou: “Se vocês souberem o contato do pessoal do Seu Jorge, avisa aí, porque a gente tá doido pra sair dessa banda. Então é o seguinte: o Michael está aí na frente crente que eu tô falando um monte de coisa boa dele, então pra ele não ficar chateado, vocês, por favor, dêem uma salva de palmas quando eu pedir. Michael Bublé!!!!!”, ao passo que o público aplaudiu, fez barulho e riu pra caramba.


Completando as apresentações, finalmente Bublé introduziu o pianista e iniciou mais um dos seus números bobildos. “Eu e esse cara, antes do show, ficamos aqui ensaiando umas músicas de macho pra tocar pra vocês. Toca aí!”. Eles tocam um pouquinho de Don’t Stop Believing e ele continua: “Não, não, não está macho o suficiente. Deixa eu mostrar uma parada de macho pra vocês”, aí ele levanta a calça e mostra uma meia dos Muppets. “Toca outra música de macho aí”, e começa a cantar A Whole New World do Alladin. Completei em português quando dele jogou pra galera, tô nem aí. (Geralmente ele ainda completa: “Não, agora eu quero uma coisa mais macho”, e canta YMCA, mas dessa vez a gente ficou só com Aladdin).

Voltando a seriedade (mais ou menos), ele cantou Georgia on My Mind (cover do Ray Charles, aí ele ficou fazendo uns trejeitos de cego com a cabeça. Muito bobo!) e Sway, para depois emendar com um momento Michael Jackson, em que cantou Billy Jean com direito a moonwalk e chapeuzinho que foi devidamente jogado pra platéia, e Twist and Shout, dos Beatles, em que ele fez questão de dizer que queria recriar a cena do Curtindo a Vida Adoidado, com todo mundo de pé, dançando, fazendo o “Aaaaaaahhhhh! Aaaaaaahhhhh! Aaaaaaahhhhh! Aaaaaaahhhhh!” . Nessa música ainda jogaram aquelas bolas gigantes pro meio do povo. Muito legal!

Como se não bastasse isso tudo, em All I do is dream of you, o show ganhou participação do Naturally7 e ele simplesmente passou no meio do povo e foi cantar lá atrás, no fundos do HSBC Arena! Ele pediu desculpas pra quem tinha comprado o ingresso caro lá na frente (tipo eu), mas que ele tinha que fazer isso. O povo da frente teve tudo que subir nas cadeiras pra ver ele de costas. O povo de trás ficou feliz pra caramba de vê-lo de pertinho. E lá ele cantou Home (com o HSBC formando um grande coral) e Some Kind of Wonderful. Save the Last Dance for Me foi tema de sua volta ao palco principal, e aí eu não resisti, pulei da cadeira em que estava em pé, fui pra perto do corredor e por muito pouco, não consegui pegar na mão dele passando ali perto. #soudessas

Ó o povo tudo doido subindo na cadeira!

A partir daí liberou geral, e foi todo mundo pra frente do palco. Vocês não têm noção de quão perto eu consegui ficar! Fila do gargarejo total, ninguém na frente. Só o Bublé. Dava pra sentir os perdigotos saindo de sua boca. E na maior tranqüilidade. Sem empurra-empurra nem nada! Quaaaaaase que eu peguei na mão dele de novo. Foi por pouco, muito pouco.

Ali de pertinho eu acompanhei Heartache Tonight em que ele pulava e pedia para pularem no refrão. E Haven’t Met You Yet, que não teve acompanhamento das tais plaquinhas de LOVE (a essa altura do campeonato não tinha ninguém sentado mesmo), mas ganhou chuva de prata no final. Durante as canções algumas fãs jogaram camisetas pra ele autografar. Como ele estava cantando, simplesmente enxugava o suor nas camisetas e devolvia (as fãs devem ter ficado felizes do mesmo jeito). Ele saiu do palco, o povo pediu mais um e logo voltou pro Bis.

Pra finalizar, Feeling Good, Me and Mrs. Jones (supercoral de novo no refrão “Meeeeeeeeeee aaaaaaand Mrs., Mrs Jones”) e A Song For You. Nessa última, um trompetista surgiu lá no meio da arquibancada fazendo solo, enquanto as cortinas se fechavam encobrindo o resto da banda e deixando só o Bublé na frente de todos. Quase perdi o foco. Então, já sem instrumentos e começa a cantar sem microfone (tipo, olha, eu canto muito!), até meio emocionado. Ele fez com as mãos para as pessoas fazerem silêncio e me lançou um olhar superfuzilante quando ameacei cantar junto (Eu sei que era pra mim, eu vi! Hahahaha!). Ao fim da música, ele se retira para trás das cortinas e é o fim do show.


No palco, Bublé faz jus ao preço do nosso ingresso. Não foi o melhor show que eu já vi na vida, mas com certeza, valeu cada centavo pago. Ele entende que os shows são feitos para as pessoas e faz de tudo para que elas se divirtam o máximo possível, preparando uma surpresa a cada minuto. (Faltou só Hollywood no repertório, que é uma de suas músicas mais legais. Maior falta de consideração, visto que o pessoal tinha feito até plaquinha com o Na, na, na...) Mas o cara manda muito bem. Show de música, show de simpatia, show de humor. Faz sentido o pessoal correr pra comprar e lotar sempre. Uma aula pra muito ‘artista’ que se acha por aí. Quando é que ele volta, hein?

Obs. Aqui alguns dos melhores momentos do show de SP. Diz que lá teve até pedido de casamento!!!! Melhor que a encomenda.
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sexta-feira, 13 de abril de 2012

UPP: BubléNerds, because it’s sexy

O personagem da UPP de hoje molha só dedinhos do pé no pop. O alicerce de sua carreira está mesmo é nos clássicos. Talvez o maior crooner da atualidade, Michael Bublé ficou famoso por regravar Sinatra, Cole Porter, Ray Charles, Paul Anka (sim, aquele de Gilmore Girls), etc. E continua nessa linha arrumadinha de covers antigos até hoje. O que é uma pena, porque as composições próprias do moço são muito boas e sempre as melhores dos discos.


Descendente de italianos e nascido no atual lar da Luiza, o Canadá, Michael foi o segundo artista mais vendido do ano passado, só perdendo para Adele (que, tipo, vendeu que nem água e aumentou SOZINHA a média de CDs vendidos no ano em 1%), com seu álbum de Natal. Sim, Bublé bateu com facilidade o disco natalino de seu conterrâneo Justin Bieber. Acredite se puder.

Apesar disso, Michael enfrenta muita dificuldade na hora de os americanos pronunciarem seu sobrenome Bublé. Tem sempre um desavisado que acaba se atrapalhando e chamando Michael Bubbly.

Ele cresceu escutando os discos do avô, e começou como cantor de casamentos até que o produtor David Foster (um cara que ganhou SÓ 16 Grammys em sua carreira e já trabalhou com praticamente toda a galera de sucesso dos anos 90) o descobriu, porque, na boa, ele canta MUITO. Em 2003, Michael Bublé lançou bem seu bem-sucedido disco de estréia, cujo nome era muito criativo: Michael Bublé.

Mas ele veio a alcançar o topo das paradas mesmo com Home, seu maior sucesso, e que foi tema de Solfredora em América, inclusive. Mas a Globo ama muito ele, e todo CD seu tem pelo menos duas músicas nas suas trilhas de novela. Ao todo são quase 10 músicas em tramas globais.

(Talvez isso explique porque mesmo tendo tão pouca gente que saiba quem é ele por essas bandas, o moço sempre esgote os ingressos meses antes da data do shows nos Brasil. Em 2008 eu deixei pra cima da hora e não consegui comprar, mesmo com os preços superinflacionados. E agora em 2011, mesmo comprando no primeiro dia, já tinham bastantes lugares ocupados. Aqui no Rio estava tudo vendido com mais de 2 meses de antecedência. Em São Paulo, tiveram que fazer show extra!!!)

Aí você pensa que só porque o cara canta essas músicas velhas, é um moço romântico, à moda antiga e tal. Ledo engano. Apesar da aura engomadinha, Bublé, no fundo, é um palhaço, quase um comediante stand-up. E é muito bom de entrevistas. Não perde a chance de fazer uma gracinha e tem esse sorriso bobo, como se estivesse sempre apreciando alguma piada particular.

Quando esteve no Brasil, zoou horrores no palco do Faustão, tirando muito sarro daquelas dançarinas que fazem qualquer apresentação impossível de ser levada a sério (detalhe que não há UM vídeo no Youtube em que os gringos não comentem como as dançarinas são bizonhas!). Fica a dica para conferir sua participação no SNL ao lado de Jon Hamm (ah, Jon Hamm!), fazendo uma paródia de sua própria música no restaurante Ham & Bubbly. 
No mesmo dia, teve a esquete do organizador de armários. Não tem o Bublé, mas é MUITO engraçada.


Uma vez perguntaram pra ele se ele gostava das meninas nerds, e ele respondeu: “Sure, because it’s sexy”. O que fez suas fãs se auto-entitularem: Bublenerds. Afinal de contas: “it’s sexy”. 
(Fica a dica também pra entrevista clássica dele falando do ursinho mais safado que ele já recebeu de uma fã.)

Apesar disso, o currículo amoroso de Bublé não faz nenhum pouco a linha nerd. Namorou a atriz de O Diabo Veste Prada Emily Blunt por 3 anos (até que ela cansou de ser enrolada e casou com o Jim de The Office), mas tomou vergonha na cara e casou com a Mia Collucci da versão argentina de Rebelde (e foi assaltado em uma das datas do casamento – deve ter sido praga da Emily Blunt). E dessa união com a atriz argentina, nasceu foi uma parceria com a musa latina Thalia no CD de Natal.

Feita essa introdução, agora uma passada pelas músicas do rapaz. Como os CDs não têm nada muito temático, nem lá muita diferença um pro outro, separei o cursinho BubleNerds for Dummies por módulos bem curtinhos. Eu prometo que é coisa rápida.

BubleNerds for Dummies

Módulo #01: Bublé By Bublé
Home – Fazer turnê no mundo todo, conhecer lugares diferentes toda semana e...ter a sensação de que você mora dentro de um aeroporto, morrendo de saudades das pessoas que a gente realmente gosta. Quem disse que vida de cantor famoso é fácil? Feita para a ex-noiva que teve antes da Emily Blunt, tema de América, e o maior sucesso do rapaz.
Everything – Feita para Emily Blunt, é uma das músicas mais legais do Bublé. O clipe também é bem bacaninha como se fosse uma audição com personagens bizarros. Meus versos preferidos são: “And I can't believe, uh that I'm your man, And I get to kiss you baby just because I can”.
Haven’t Met You Yet – A música tem uma pegada Sara Barielles, é bem animada e uma letra digna dos românticos mais inveterados que ainda não perderam as esperanças de encontrar a alma gêmea. Muito boa mesmo. O clipe dá vontade de ser feliz com toda aquela superprodução dentro do supermercado. A mulher do clipe é a tal Mia Collucci, pra quem foi feita a música. Aparentemente, eles já se conheceram, sim, né?
Hollywood – Tem gente que vende a alma pra fazer sucesso, mas será que vale a pena mesmo?  Muito boa, e com o clipe MAIS LEGAL DE TODOS!!!! Bublé fantasiado de Justin Bieber é o melhor!!!! “So don't go higher for desire, Put it in your head, Baby Hollywood is dead you can find it in yourself.”
Lost e Hold on – O namoro acaba, mas fica a amizade. Baladinhas sofridas de fim de relacionamento para a ex-noiva de Home. Ele devia muito apostar mais em composições próprias!

Módulo #02: Buble à moda antiga
Wonderful Tonight – A música já era antiga, mas ganhou uma estrofe em português com participação de Ivan Lins (Ivan Lins tinha ganhado Grammy nessa época, né? O povo ficou logo de olho). Mas o ritmo de bossa justifica a presença do brasileiro.
You Don't Know Me e Dream a Little Dream of Me – A primeira traz como tema a timidez e o amor platônico. E a segunda a despedida na varanda. Só consigo imaginar pessoas com roupas dos anos 40 nessas músicas, mas se você deixar o preconceito de lado, percebe que são lindas, de verdade.
   
Módulo #03: Bublé safadeeeenho
I’m Your Man – A história dessa gravação é engraçada. A Emily Blunt gostava muito da música e pediu pra ele cantar. Ele achava muito brega, falou que não. Ela insistiu, pediu pra ele ouvir de novo, disse que achava a música sexy. Ele acabou dando uma chance, concordando com ela e colocou no CD. Mas, na boa, essa letra é nível Wando.
Me and Mrs Jones – Adequadamente escolhida para ser tema de um casal de amantes em Paraíso Tropical, o eu-lírico e a tal Mrs. Jones se encontram todo dia na mesma cafeteria, no mesmo horário, mesmo sabendo que é errado. A voz feminina em “Same place, Same time” quase no final é da Emily Blunt. (Acho que ele resolveu se vingar por I’m Your Man).
Call me irresponsible – A letra diz: “Me joga na parede, me chama de lagartixa.”. Brincadeira. Na verdade só fala pra chamar de irresponsável, inseguro, imprevisível, mas tudo isso porque, “a verdade inegável é que eu sou irresponsavelmente louco por você”.

Módulo #04: Bublé faz Dança de Salão
Sway e Save the Last Dance for Me – Se você colocar essas duas pra tocar, e ficar com a impressão de que já as escutou em algum lugar, é porque já ouviu mesmo. E não é no baile da 3ª idade da sua cidade. Save The Last Dance for Me tem a mesma introdução de Sway, e você conhece as duas porque esse instrumental é nada mais, nada menos do que a Dança do Siri.

Módulo #05: Bublé Covers inusitados
Can’t buy me love, Crazy Little Thing Called Love e Heartache Tonight – 3 covers de bandas de rock -  Beatles, Queen e Eagles - transformadas em big band.

Módulo #06: Bublé Clássicos
Cry me a River – Cláááááásssica total. A introdução toca direto nas reportagens do Globo Esporte quando tem uma partida assim, épica.
I’ve got the world on a string – A felicidade de um homem quando a mulher diz “sim” ao seu pedido de casamento. Adoro como a banda parece parabenizá-lo no começo: “Hey Michael come on & swing, Looks like you got the world on a string”.
Fever e Feeling Good – Big Band total. Sinta os metais. Sinta a potência da voz do cara. Só isso. No clipe da última, ele interpreta um espião tipo 007. Tem a ver.
That's Life – Adoro essa parte que brinca com lingual do P: “I've been a puppet, a pauper, a pirate, A poet, a pawn and a king”
L.O.V.E. – Acróstico com LOVE. Outro dia descobri que cantam essa música nos Batutinhas, durante o concurso de talentos! Ganhou versão em Glee outro dia, no mesmo episódio em que interpretaram Home também. Fofa. “L is for the way you look at me, O is for the only one I See, V is Very, Very Extraordinary, and E is even more than anyone that you adore can”.

Semana que vem, o relato do BubléShow, 
Because it's awesome!
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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Uma garota com conteúdo

Ela via o mundo
Ele via o mundo
Viam sob a mesma luz
Isso é tudo e era tudo que havia entre os dois em comum


Pelo sobrenome na capa, você já deve ter reparado, a autora do livro é alguém da minha família. Mais precisamente a Esther. Minha irmã. A CEO desnaturada da CEO aqui no Inútil. (Aliás, cadê aquele texto que você me prometeu aqui pro blog, hein, Esther?)

E por isso, desde já tenho de pedir desculpas à minha irmãzinha pela demora na resenha, uma vez que escrever sobre o trabalho de alguém tão próximo não é tão fácil quanto parece. Além do mais, fui acometida pelo mal do peak dos adultos nos últimos meses (o que significa que trabalhei feito um cachorro) e estava sem tempo nenhum de parar para escrever alguma coisa pro blog mesmo.

Nicole daria qualquer coisa para NUNCA sair de sua casa. Não somente por temer ser vista por pessoas inocentes – sendo ela um monstro, calamidades devem ser evitadas –, mas por preferir fechar-se em um livro a abrir a porta de seu quarto. Quando o que ela busca é nada mais do que segurança, impedir que a arranquem de seu refúgio pode ser perigoso demais; deixando-a vulnerável e, pela primeira vez, sem palavras.

N.I. daria qualquer coisa para SAIR de seu colégio. Colegas de classe e professores chatos apunhalam-no e sugam o sangue de suas artérias nutridas pelo rock. E é justamente na música que encontra sua fuga para dias melhores, preenchidos então por goladas de refrigerante e uma multidão de garotas loucas por um pedaço seu.

Assim, Nicole é forçada a aceitar as conseqüências quando finalmente alguém a nota enquanto N.I. dedilha a vida em seu teclado de computador e, em sua guitarra, compassos que o fazem mergulhar em enigmas tão estranhos quanto nicknames, encontrando respostas para perguntas que nunca se atrevera fazer.


Uma Garota com Conteúdo aposta na fórmula ultimamente em alta, mas que, na época em que foi escrito - ah, sim, pra publicá-lo foi uma luta, então você pode fazer colocar alguns anos retroativos aí pra entender o contexto de algumas coisas -, quase não se via (ou pelo menos, EU não via): o narrador compartilhado.

Nos dias de hoje, esse recurso anda sendo desperdiçado por aí, inclusive. Acho até que serve como refúgio para alguns escritores que não sabem narrar em 3ª pessoa e apelam para a alternância de pontos de vista a fim de dar voz aos pensamentos de mais de um personagem (personagens demais, às vezes também). Ele deve ser usado com cautela, de forma que agregue e não simplesmente porque o autor achou legal escrever sob uma perspectiva diferente.

Não é o caso aqui. Narrado em forma de diário (ou “registro histórico”), a alternância de narradores funciona bem para evidenciar as diferenças entre os dois e equilibrar o drama da Nicole com as bobildices do N.I – mais conhecido como - Adônis.

Sua dedicatória foi bem mal-criada, hein, Dona Esther!

Com uma escrita mais sofisticada do que o usual (o que por vezes pode atrapalhar em se tratando de uma leitura leve), Uma Garota com Conteúdo foge do estereótipo “adolescentes falando gírias”. O que não quer dizer que seus personagens não sejam tipicamente juvenis.

Nicole, como boa discípula de Lorelai que é, solta mil referências pop por página e sonha com galãs das novelas mexicanas (quem gosta delas vai encontrar um prato cheio aqui). Mas não por isso deixa de ter opiniões ferrenhas sobre assuntos sérios ou tantos problemas de auto-estima que parece ser a personificação daquela música do Cazuza.

Adônis, por sua vez, é um menino diferente dos outros de sua turma. Está em busca da garota ideal, e não suporta meninas que não tenham nada a dizer. Mas nem por isso desgosta de ter seu ego massageado quando rodeado de garotas bonitas, ou tem apreço pelos ídolos teen que a mídia tenta nos empurrar goela abaixo. Ele curte mesmo é rock pesado! Mas sua formação é clássica. O menino toca violino*.
* Pra você que acha que os dois não combinam, está na hora de rever seus conceitos.

Ele era um aspirante a poeta
Ela era a inspiração
E pra ele qualquer coisa nela despertava uma canção
Ela que sempre buscava em tudo um porquê
Com ele bastava estar, sentir e viver

Esse amontoado de características aparentemente opostas faz de Uma Garota com Conteúdo uma oração subordinada adverbial concessiva (uma metáfora que a Nicole, e principalmente a Hannah, iam adorar). Mesmo sendo diferentes da maioria, lá no fundo, nossos protagonistas ainda são iguaizinhos aos meninos e meninas que conhecemos no colégio. E mesmo sendo tão diferentes um do outro (Ela escreve fics de Harry Potter. Ele só leu 3 livros em toda a vida!), quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

Pra continuar com as metáforas, uma que agrade ao Adônis agora, Uma Garota com Conteúdo é um copo de Coca-Cola. Momentos de desligar o cérebro e apreciar a loucura total, sem nenhum compromisso com a verossimilhança. O senso de humor da Esther é aguçado (também, tinha que ser minha irmã, né?) e tira proveito de algumas piadas internas nossas e outros fatos marcantes (ou não) da mídia.

Quer dizer, você se lembra de um cantor teen – Pedro - com sobrenome de astro celeste que tentou pegar carona no sucesso do Felipe Dylon, apareceu no filme do Luciano Huck, e depois nunca mais se ouviu falar nele? Se não se lembra, bom, SORTE a SUA! Hahaha! Mas também é azar, porque é uma das minhas piadas favoritas do livro junto com aquela do rato na garagem (mais Uma Banda lá Em Casa impossível) e a referência ao Marcelo Camelo (essa foi genial!).

Mas voltando ao Pedro, para qual não foi minha surpresa quando descobri esses dias que Pedro “Lua” ainda vive!!!!!! Parecia até gente na foto, fazendo musicais dos Beatles! Ele é irmão da Roberta da versão brasileira de Rebelde da Record, e adivinha o nome da garota na vida real? LUA!!!! HAHAHAHAHAHAHA! Agora saca só o nome do resto dos irmãos: Ana Terra, Estrela, Daniel Céu e Marisol!!!!!  Na boa, melhor que a encomenda essa, Esther!

(E já que estamos falando de nomes, tenho que comentar que adoro o nome do Gusta. Gusta Cuerda. Adoro como ele soa divertido em qualquer sotaque, seja ele um carioquês, caipira ou mesmo portunhol barato. Eu misturo os dois. Meu carioquês com pseudocasteliano: Guxxxta Cuerrrrda).

Já no time das piadas internas o destaque vai para O Papa também veste Prada (e é sério! Ele veste MESMO!!) até a obsessão da irmã mais velha da Nicole, Sofia, por Anne Hathaway.

Aliás, acho que devia muito ter um spin-off da Sofia. A melhor personagem, sem dúvidas! Podia ter um volume Sofia encontra Anne Hathaway. Ou uma série de mistérios da Sofia. Ou um guia de viagens da Sofia. Ou até mesmo um livro de auto-ajuda da Sofia. Sacanagem, auto-ajuda também já é demais.

Embora a Nicole não concorde, acho que a lição que fica no final é de que a vida real, fora do seu próprio quarto e das páginas dos livros, pode ser muito mais interessante do que a ficção. Se você deixar que ela aconteça. A Sofia por exemplo, se deu benzão! rs

É claro que o livro não é perfeito e tem defeitos. Mas eu não sou nem besta de ficar comentando aqui porque: 1) isso é jogar contra o patrimônio e 2) Minha irmã ia me bater muito se eu fizesse isso e eu tenho amor à minha integridade física. Espero que ela não fique chateada com isso também... Ai! Tarde demais, ela leu!

Você pode comprar direto da editora. Ou no site da Travessa também. Se não estiver encontrando, faça lobby com o seu livreiro, pra que ele encomende mais.

O preço não é dos mais baratos, mas é porque a tiragem é pequena. Eu se fosse você corria e comprava logo o seu, antes que acabe.

Vai, corre!!!
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