segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Aquela dos (quase) 30

Eu sei que você não aguenta mais me ouvir falar de Sandy e Junior. Mas o nome do blog é Inútil Nostalgia, e, ultimamente, graças ao retorno da dupla tenho me sentido com 15 anos de novo, tanto é que tá dando MUITA vontade de escrever. Então, é isso ou nada. Aceitem.

Antes de tudo, uma pequena recapitulação. Sandy e Junior começaram a carreira ainda bem pequenininhos, mas foi na adolescência que os dois realmente estouraram como fenômenos da música pop. Eles estavam em todos os lugares e ocupavam todos os “cargos” de importância deste cenário da época. Gravaram a versão brasileira pra música do Titanic, tinham um seriado na Globo, carreira internacional, 1os artistas brasileiros a lotarem sozinhos o Maracanã.... A lista de conquistas era infinita. E é de se admirar que com tanto sucesso, eles não tenham pirado na batatinha, como tantas estrelas mirins. 

Mas, depois dos 18 anos, Sandy e Junior não queriam mais ser um fenômeno pop. Eles queriam respeito, e sentiam a necessidade de se provar que eram mais do que ídolos adolescentes. Eles queriam ser valorizados como músicos talentosos que são. Daí em Identidade, assinaram a autoria das próprias músicas e tiraram o balé dos shows. No disco seguinte, o mais disruptivo talvez, tentaram se afastar ainda mais da imagem que haviam construído, com um CD sem nome, sem a logo oficial, sem nenhuma fonte que remetesse à dupla. Sandy e Junior pareciam ter vergonha de seu passado. Os fãs sentiram o baque. Acostumados a superproduções e uma campanha sempre milimetricamente calculada, os novos caminhos pareciam sinalizar que eles não eram mais a prioridade. Sandy e Junior tinham seus próprios sonhos. E esses sonhos talvez estivessem em descompasso com os anseios de seu público.

Durante muito tempo foi difícil entender o porquê da separação. Afinal, por que acabar algo tão legal que ainda dava um bom caldo? O fã egoísta não queria que acabasse. Mas a experiência própria me mostrou que ninguém merece ser infeliz, ou viver em função daquilo que os outros esperam de você, e durante uma fase difícil, Super-Herói passou a fazer pra mim todo o sentido que sempre teve pra eles. Eu, que sou pobre, tinha vontade de jogar tudo pro alto, mas aguentei até traçar outro caminho. Eles que são RYCOS não tinham a menor necessidade de aguentar tudo isso. E ninguém aguenta trabalhar naquele ritmo frenético pra sempre. Tinha um planejamento, não só de carreira, ali em 2007, mas de vida também. E, sinceramente, eles têm todo o direito.

E aí é que só 3 décadas nas costas fazem a diferença. É claro que o peso do tempo faz as costas doerem (como bem cantou a própria Sandy), mas também traz uma leveza em relação a muitas coisas que antes eram um problema. É bom rir dos problemas e não ter mais a necessidade de se provar. É bom não sentir mais a necessidade de ser aquilo que você não é.

Outro dia saí com um grupo de novinhos, alguns meio escrotinhos, e pensei: "Como é bom ter quase 30 e poder dizer o que você pensa pra esses pirralhos que se acham". Ao mesmo tempo, em meio a essa comoção adolescente que tomou conta do país, também me peguei pensando: "Como é bom ter quase 30 e dizer sem a menor culpa que você está louca pra ir ao show de Sandy e Junior, né?".

Acho que é essa leveza que o Junior tanto fala. A de não ter vergonha de quem você é. E de rir de si mesmo. E se orgulhar do seu passado sim (a ponto de abraçar a causa e fazer o passinho do Dig Dig Joy na coletiva!). Fico feliz de ver Juninho, que sempre foi noiado com essas coisas, nesse nível de deboísmo.

Especialmente porque essa atitude faz os dois abraçarem a causa, e fazerem um show projetado especialmente para os fãs, com balé, e efeitos, e músicas que todo mundo quer escutar, tal qual os primeiros anos do século XXI.

Que venha a Nossa História!
Continue lendo...

Quando (1+1) > 2

Quando Sandy e Junior terminaram a dupla em 2007, li um texto no blog do Zeca Camargo cobrindo a emoção do último show ever da dupla em que ele colocava que ali não era só uma questão de admiração e fanatismo, mas quase um ritual de passagem em que os fãs se despediam de um ícone que marcou uma geração e representava praticamente "a trilha sonora" dos ali presentes.

Como se nos consolasse, Zeca dizia que tudo foi muito intenso até ali, mas que o tempo ia lentamente fazer a chama se apagar. E todos íamos ficar bem. Um dia iríamos lembrar com carinho da época que passou, mas estaríamos em outra, que aquela paixão toda inevitavelmente se transformar em memória apenas. Pois bem, Zeca, gostaria de dizer que nesse ponto você estava terrivelmente enganado.

(Agora fui procurar o texto da época, e na verdade não tinha nada disso, mas juro que li em algum canto ele comentando algo parecido com relação a alguma fascinação dos tempos da adolescência. Tem um que ele comenta como ficou desolado com o fim dos Smiths enquanto discorre sobre o final de Harry Potter sobre a geração. Será que minha memória está fazendo mash up das coisas? Talvez. É a idade...)

Pois, 12 anos depois do final da dupla, bastou um anúncio no início de janeiro desse ano para que esse turu turu aqui dentro voltasse a bater com toda a força. (De verdade, o coração tem dado uns pulinhos muito estranhos desde que isso tudo começou). Tenho acordado feliz, sorrio sem motivo, rio à toa, me divirto nos fóruns, canto alto e sinto que tenho 15 anos (ou seria menos?) novamente. Mesmo que sejam só 10 shows*, está sendo extremamente gratificante viver todas essas emoções, compartilhar toda essa adrenalina que só o fã hardcore é capaz de sentir.
* que depois se tornaram muito mais!

(E olha que quando eu tinha essa idade aí eu era até bem normal, depois de velha é que eu fiquei retardada!)

E se a gente tá assim, é claro que pelo resto do Brasil o negócio tá muito doido! Não é preciso ser fã para entender o tamanho da comoção. Basta ter um mínimo de memória.

Desde 2007, ídolos teen vieram e se foram, mas duvido que algum desses cause o nível de comoção causado pela volta de Sandy e Junior. Primeiro porque nenhum deles chegou perto do nível de alcance dos irmãos. Para quem não lembra, lá em 90, não existia música boa ou música ruim. Existia Sandy e Junior. Simples assim. Eles estavam em todos os lugares. Rádio, TV, cinema, revistas. Nas festas de aniversário, era só isso que tocava. Até quem não gostaaaaaava, tinha simpatia pela dupla. Você pode até não curtir, mas não pode negar os fatos. Eles são o maior fenômeno pop que esse país já viu. Fizeram parte da história de toda uma geração por quase 2 décadas, e isso é coisa pra caramba! (Aliás, extremamente feliz o nome da nova turnê). Aceitem isso.

É claro que existia todo um complexo midiático em volta dos dois. Mas quem acompanhou sabe que o talento dos dois é DE VERDADE. Tanto é que, musicalmente, também não apareceu mais nada igual. Boysband vem e vão, mas duplinha magia assim só Sandy e Junior, meus queridos. (Eu tive que ir buscar NO MÉXICO uma dupla de irmãos pop parecida, e mesmo assim não é a mesma coisa. O fator "trilha sonora da vida" conta muito nessa relação) As músicas, antes subestimadas, sobreviveram ao teste do tempo e envelheceram superbem. Ainda soam adolescentes? Talvez sim, mas também parecem extremamente bem produzidas (principalmente as da era de ouro 1999-2002) e absurdamente divertidas. Experimenta ouvir o 2001 de novo. Senhor do Céu, esse CD é um hino do início ao fim. E isso eu tô falando quase 20 anos depois!

Sandy e Junior desafiam a matemática. Com eles, 1+1 não é igual a 2. Os dois juntos são muito mais. É magia, é nostalgia, é muita emoção. Não dá pra explicar. A história de toda uma geração se confunde com a história da dupla, e a memória afetiva é um negócio poderoso demais.

Remexer no baú da história de Sandy e Junior é mexer nas memórias de toda uma geração e a produção da turnê foi extremamente feliz em perceber isso. Muitos dos fãs gostam de Sandy e Junior antes mesmo de se entenderem por gente. Tem fitas aqui em casa de uma Elisa bebezinha dançando ao som da k7 de Sábado à noite. Ver os vídeos antigos da carreira deles é lembrar de momentos importantes das nossas próprias vidas, pois, afinal de contas eles foram a trilha sonora perfeita para quem crescia ali nos anos 90 / 2000. O dia do último show no Rio (02/12/2007), por exemplo, foi o dia em que fiz prova de vestibular pra UERJ, e eu passei naquele vestibular e hoje sou uma profissional super realizada na área que escolhi. Vê-los mais novos nessas imagens é quase como um espelho que nos lembra que já fomos pedaços de gente também.

Por último, pode ser coisa de millenial, mas lidar com esse mundo de 2019 não está sendo fácil. E essa "fenda no tempo" sugerida pelos dois veio bem a calhar. A realidade tem batido com muita força, e está difícil aguentar um mundo tão sem compaixão, e sem esperança de solução no curto prazo. E dá vontade de voltar no tempo mesmo, para uma época mais simples, em que as únicas preocupações eram chegar na segunda-feira na escola e comentar o episódio do seriado que passou no dia anterior. Tem sido um verdadeiro alívio chegar em casa e acompanhar todo esse frenesi novamente e esquecer todas as outras tragédias que inundam o noticiário. O escapismo nostálgico não é só uma maneira de negar a realidade, mas tem sido a única solução para manter um mínimo de saúde mental. 

Sandy e Junior povoam o imaginário de muita gente com um significado que talvez só agora eles se deem conta: o amor. E a gente estava precisando disso. Desse amor fraternal representado no palco, desse amor puro da adolescência traduzido nas canções, desse afago no coração do fã que diz que vai retribuir um pouco desse amor e realizar todos os seus desejos... Já tem tanta coisa ruim acontecendo no mundo, sabe? A gente tava precisando de mais amor. Em doses cavalares. E eu só posso agradecer a dupla por injetar essa quantidade de amor nas nossas vidas esse ano.


E se a ideia era não só fazer uma homenagem, mas também gerar novas lembranças, o objetivo está sendo cumprido. Pois junto com todas as memórias de mais de duas décadas, agora se juntam as lembranças do tumulto que eles estão causando em 2019 com essa nova turnê. Eles estão fazendo história... de novo!
Continue lendo...

sábado, 2 de março de 2019

Desperdiçou

Primeiro de tudo, se você acha que o título do post faz menção aguardadíssimo dia 13/03, sim, você está correto. Graças a Deus e a Theo, alguma coisa tocou o coração da nossa duplinha e aguardamos ansiosamente o dia em que finalmente as coisas vão começar a dar certo de novo para o Brasil com a volta de Sandy e Junior. E eu que estava esperando alguma coisa bem menos espalhafatosa, depois da foto de Sandy ensaiando balé, agora já acho que o negócio vai ser de arrasar mesmo. Porque o que eu tô vendo é comprometimento, minha gente. E quando esses dois tão a fim, ah, meus queridos, não tem pra ninguém não.

Mas, enquanto dia 13 não chega, assisti essa romcom da Rebel Wilson que estreou na Netflix, cujo título em português com certeza está com uma letra a mais, e fiquei extremamente desapontada com como uma ideia tão boa pode ser tão mal aproveitada.

Sinopse: Uma jovem desencantada com amor misteriosamente se encontra presa dentro de uma comédia romântica.

Antes de tudo uma contextualização: durante a década de 90 / 00, as romcoms tiveram sua era de ouro com títulos que basicamente se tornaram clássicos do gênero como Uma Linda Mulher, Notting Hill e Noiva em Fuga (Julia Roberts é a rainha do gênero mesmo). Era uma época linda em que a gente ia à locadora num sábado chuvoso e sempre tinha alguma comédia açucarada dando sopa pra alegrar nossas tardes embaixo do edredon. Muitas pessoas subestimam o gênero, alegando que "são cheios de clichês" ou "muito formulaicos", mas o que o tempo nos ensinou é que fazer uma boa romcom realmente é uma arte e o sucesso dessas histórias está no nível de envolvimento emocional  do público com aqueles personagens, e não necessariamente numa fórmula pré-estabelecida. 

Tanto é que após essa era de ouro, tivemos filmes não tão legais assim como Ligeiramente Grávidos, A Verdade Nua e Crua e Par Perfeito, e com isso, Katherine Heigl praticamente enterrou o gênero. Os estúdios pararam de produzir as romcoms por motivos de Katherine Heigl  $$$$ e passaram a investir somente em filmes de super-heróis que basicamente dão uma rentabilidade muito maior. E então tivemos uma era de escassez de comédias românticas, porque, com um orçamento de US$ 30-40 MM, ninguém queria colocar dinheiro nesses filmes já que os chineses (e os outros países) não curtem romcoms no cinema (não se enganem, Crazy Rich Asians não é sobre diversidade em Hollywood, é sobre um chinês muito rico que tem um plano ambicioso de faturar muito no mercado oriental!!!).


Só que aí veio a Netflix e eles perceberam que as pessoas ainda amavam as comédias românticas, porque eram sempre os mais assistidos do catálogo (porque, afinal de contas, ainda existem sábados chuvosos e tudo o que você precisa num dia desses é de um romance com bastante acúcar para ficar debaixo do edredom) e eis que estamos vivendo um momento de retomada das comédias românticas, puxado principalmente pela Netflix que parece ter o orçamento e o público alvo perfeitos para acomodar esse tipo de projeto.

Dentro desse contexto, no dia dos namorados dos EUA o filme estreou nos EUA e uma semana depois na Netflix no resto do mundo. E eu estava muito animada porque a premissa do filme realmente era muito boa, mas, não foi dessa vez.

Como eu disse antes: fazer uma boa romcom é uma arte, e um projeto desse estilo, com os dois pés na metalinguagem, exigia um comprometimento além da fórmula ou do óbvio. O filme tinha potencial para ser, basicamente, um "Encantada das romcoms" e entrar no hall dos clássicos do gênero, mas fica perdido entre a paródia e a homenagem e não entrega nenhum dos dois direito.

(Se quiserem uma boa paródia de comédia romântica procurem Encontros e Desencontros do Amor, com a Amy Poeheler, Paul Rudd e Nova York, afinal, "a cidade é praticamente um personagem" das melhores romcoms)

Atenção para a o elenco do filme ali embaixo nas letrinhas miúdas

O roteiro problemático é a causa raiz dos problemas. É claro que ele tem boas sacadas e explora alguns dos maiores clichês do gênero, mas até nisso peca ao subestimar a inteligência do expectador e explicar todas as referências tin-tin-por-tim. Mas o problema maior é estrutural mesmo, com uma mocinha que não abraça sua nova realidade em nenhum momento e por isso não transmite verdade na mensagem empoderadora quando deveria subverter as regras do jogo. Além disso, os plots dos coadjuvantes não complementam em nada a história da protagonista, sem contar aqueles que acabam subutilizados entre uma realidade e outra.

A direção, por sua vez, também tem momentos inspirados (repare como por exemplo, no início, ele filma com a câmera na mão e iluminação propositalmente incômoda para refletir como a "vida real" não é nada como nos filmes, mas após a virada, os cenários estão sempre floridos e excessivamente iluminados*), mas na mão alguém mais apaixonado pelo gênero, o filme poderia ter feito um estrago nas referências. É claro que estão lá o Central Park, a cena do sorvete, vários figurinos de Uma Linda Mulher e um número musical fora de contexto, mas fiquei extremamente decepcionada pela ausência da cena da montagem da transformação. Especialmente porque eles tiram muito sarro disso! E depois não mostram? Por favor! Achei até falta de respeito! Além disso, existem incoerências geo-temporais que não sei até que ponto se sustentam pelo argumento da paródia, piadas que com certeza se perderam em algum momento da edição e uma trilha sonora**, que apesar de pinçar músicas-tema de outras comédias românticas, é basicamente só isso mesmo.
* Mais ou menos como Encantada troca o tamanho da tela de 4:3 para 10:9 (widescreen), quando altera entre o desenho animado 2D e o live action.
** Um exemplo de trilha paródia esperta é Amizade Colorida, por exemplo, que tira um sarro das musiquinhas chiclete ao mesmo tempo em que se apropria da fórmula na cena do flashmob. Tá vendo, gente, não precisa muito. É só ter um roteiro arrumadinho.

O negócio todo é que muitos desses elementos às vezes parecem jogados na tela de qualquer jeito apenas pelo fan service e não se encaixam dentro de um roteiro desconjuntado que acha que só o fan service é suficiente. Juntando roteiro e direção, tem um episódio de Crazy Ex Girlfriend com a mesma premissa que dá um banho nesse aqui e também tem uma cena do karaokê 1000 vezes mais divertida (fun fact: quem escreveu o episódio foi a mesma roteirista de O Diabo Veste Prada. Tá vendo: paixão é a chave!). 

Sobre as atuações, Rebel Wilson obviamente não é Amy Adams e tem suas limitações, mas só incomoda mesmo por não convencer como mocinha vulnerável. Mas também não é Amy Poheler, que além de engraçada, contribui criativamente para os projetos e certamente acrescentaria pelo menos um par de piadas acima da média. Pensando alto, a Aidy Bryant do SNL ia cair como uma luva aqui. Mas já estamos no lucro, pois não tivemos Rebel Wilson fazendo nenhuma piada de pum. O resto do elenco entrega o que é necessário e Liam Hemsworth tem bom tempo de comédia, mas com esse roteiro meio sem pé nem cabeça, fica a impressão de que poderiam fazer muito mais.

Como sempre faço, em um rápido exercício de brain storming era possível ajustar as arestas e chegar no mesmo resultado, o que claramente denota uma falta de carinho com o material. O que não quer dizer que o filme não seja divertido. É. Muito. Ri alto em vários momentos. A decepção é muito mais pelo desperdício de uma ideia tão boa resultar num filme tão meia boca. E nesse momento de ascensão reticente, a gente não pode ficar desperdiçando romcoms assim! Essa premissa nas mãos de pessoas mais experientes ou mais apaixonadas certamente resultaria num novo clássico do gênero (coisa que nenhuma das romcoms pós-era de ouro conseguiu até então***). Fazer comédia romântica é uma arte. Fazer uma comédia romântica sobre comédias românticas então, nem se fala. Mas não foi dessa vez. Ficamos aqui no aguardo do dia 13 e de uma romcom que não só tenha o final feliz, mas que aqueça nossos corações por muitos sábados chuvosos debaixo do edredom. 
*** E ninguém na música pop conseguiu depois de Sandy e Junior, no Brasil, aliás.
Continue lendo...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Não era promo, era... Cilada!

Olá, amiguinhos, tudo bom? Tem tempo que não apareço por aqui, e já não faço mais questão de pedir desculpas por isso (perdi a vergonha mesmo), mas, mesmo assim, não me desfaço do blog porque é sempre bom ter um lugar para escrever histórias que não cabem num espaço de 140 280 caracteres. Eu sei que tem gente que posta fanfic, contos, promove debates no Twitter, mas, sinceramente, a plataforma não foi feita pra isso, e fico até com preguiça de ler quando a thread é muito longa. (A cada dia que passa fica mais difícil segurar essa barra que é a internet sem os fóruns ou sem o Orkut. Pois é, já falei que eu nunca vou superar!). Mas, resmungos à parte, vamos ao que interessa.

Desde que comprei o apê (pois é, contei o início da aventura em algum ponto do passado, e não voltei pra contar o final... Foi uma novela emocionante, cheia de reviravoltas, blefes e muito estresse, uma vilã pior que bruxa má da Disney... Mas, no final, deu tudo certo, e posso dizer que é bom demais ter um cantinho pra chamar de seu). Mas enfim, desde então, venho me empenhando no Projeto Decoração, que já colocou vários quadros e nichos nas paredes (outra coisa legal de ter casa própria é poder furar as paredes o quanto você quiser!) e recentemente, principalmente, depois de ter ganhado um porta-retratos lindíssimo de aniversário do pessoal do trabalho (ah, tem isso também, agora todas as datas comemorativas eu quero coisas de casa...), estava numa fase “Fotos”.


Como geralmente esse não é o tipo de coisa com o qual eu gaste normalmente, procurei no programa de pontos do Santander se eles tinham algum pacote de revelação de fotos. E tinha! O mínimo para revelar era um total de 200 fotos, e na verdade, eu só queria umas 20. Mas, como era de graça, fiquei meses selecionando as melhores fotos dos últimos anos. Ia ser legal fazer um álbum bem bacana com elas depois, como nos velhos tempos em que a gente revelava os filmes e depois se reunia para vê-las. Foi um processo gostoso e deu uma saudade danada das pessoas, dos lugares, de momentos que foram especiais.

Depois de muito garimpar, finalmente cheguei ao número exato de 200 fotos para revelar. Entrei no site do Santander Esfera, digitei “Revelação de fotos” na busca, selecionei o produto que me daria um voucher para revelar as 200 fotos, digitei o meu CEP e... “Não entregamos neste CEP”. COMO ASSIM VOCÊS NÃO ENTREGAM NESSE CEP???? Coloquei o CEP lá de Nilópolis. A mesma coisa. Entrei em contato com a loja responsável pela revelação e contei o que havia ocorrido. A loja respondeu dizendo que entregava normalmente. Obviamente era um bug no site (mais um, na verdade, eita sitezinho horroroso!!!!).

Podia começar dando um jeito nesse site do Esfera...

Comecei a procurar na internet outras lojas que faziam revelação e os preços eram bastante acessíveis, cerca de R$ 0,20 cada uma em alguns pacotes promocionais. O que encarecia era o frete, e mesmo assim, ainda ficava bem em conta. Encontrei um site, inclusive, que dava 30 fotos grátis na primeira compra! Pensei então, em revelar só umas 50, e com o desconto de 30 fotos, só pagaria 20 fotos mais o frete. Um excelente negócio, exclamei para mim mesma!

Já estava com essa ideia na cabeça, quando pensei: “E se eu procurasse essa outra loja, que tem essa promoção, no Esfera, pra ver se eles também têm convênio com o Esfera? Porque aí eu não ia precisar pagar NADA! E o serviço deles, na verdade, parece ser muito bom!”. Entrei novamente no site do Esfera e digitei o nome da loja. Para minha surpresa, o Esfera achou a loja, e um produto para troca: “Vale Revelação - Leve 150 fotos e pague 100”!!!!! A quantidade de pontos estava razoável, e as 100 fotos equivaliam a mais ou menos a um produto de 20 reais, com a proporção geralmente atribuída a esse sistema de trocas totalmente louco... E eu ainda ia poder usar o desconto das 30 fotos grátis, o que no final das contas, só me faria pagar por 20 fotos, como havia imaginado, mas levaria as 200 fotos que eu queria inicialmente!!! (quer dizer, que eu passei a querer, depois de achar que poderia trocar todas elas por pontos, e agora que eu tinha passado tanto tempo escolhendo, eu queria revelar todas elas mesmo!).

A Becky Bloom dentro de mim logo percebeu o que estava acontecendo. Eu, na verdade, estava ECONOMIZANDO! Por isso, troquei os pontos pelo voucher da loja dos mil descontos. Surpreendentemente o Esfera não deu pau, e a compra foi feita com sucesso. YES!


Fiz o upload das 200 fotos, mas coloquei pra revelar primeiro somente 50 fotos (coloquei as 50 primeiras da ordem que ele mesmo escolheu), porque o site não aceitava duas promoções ao mesmo tempo, e o desconto das 30 fotos só era válido na primeira compra. Depois selecionei as outras 150 fotos, ajustei todas as configurações de tamanhos, coloquei até mais algumas para imprimir em tamanhos um pouco maiores, ou menores, para caber nos porta-retratos que ainda tem aqui, e, finalmente, fui fechar o carrinho. Quando fui ver o total da compra, alguma coisa estava errada! Eu estava esperando pagar pelas 150 fotos mais ou menos uns 5 reais, ele estava me cobrando mais de R$ 50!!!!!

Ué, tem alguma coisa errada! Esse site está com problema, vou falar com eles para reclamar! Não é possível! Eu coloquei o número do voucher! Era pra ele estar me dando um desconto de 100% nas 150 fotos! O que será que está acontecendo?

Voltei ao site do Esfera e li novamente o que eu tinha comprado: “Vale Revelação - Leve 150 fotos e pague 100”. NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOO!


A troca não era por um voucher que dava direito a 150 fotos. A troca era para um desconto de 50 fotos se você levasse 150!!!!!!!! Ele dizia que todos aqueles pontos eram equivalentes a um produto de 50 reais*! Só que o desconto equivalente só dava 23 reais!!!! EU GASTEI 3000 PONTOS, QUE, SEGUNDO ELE, ERAM IGUAIS A 50 REAIS, POR UM DESCONTO DE 23!!!!!!!

*(ATENÇÃO! Fique atento: o Esfera sempre dá a opção de você resgatar o produto só com pontos, ou com metade dos pontos, mais uma parcela em dinheiro. Só que, veja só, quando você escolhe a segunda opção, você ainda assim paga o valor integral do produto se comprasse em qualquer outra loja!)*

E o pior: QUALQUER OUTRA PROMOÇÃO NO PRÓPRIO SITE, OU UM OUTRO VOUCHER DO PRÓPRIO ESFERA (que eu só descobri depois) QUE DAVA 40% DE DESCONTO EM TODO SITE, DAVAM MAIS DESCONTO DO QUE ESSA CILADA EM QUE EU TINHA CAÍDO!!!!!


No final das contas, eu não estava mais economizando nada! Eu tinha perdido 3000 pontos (fora o dinheiro das primeiras 50 fotos) e estava pagando 15 reais a mais por 200 fotos que eu NEM QUERIA REVELAR DE VERDADE!!!!!!

Fui olhar se ao menos dava para cancelar a troca dos pontos. E é claro que era contra o regulamento.

Mais uma vez, me encontro na própria definição contábil de Contrato Oneroso.

Agora estou aqui desolada, me xingando de todos os nomes, e tentando pensar em uma saída para não sair tanto no prejuízo, mas já, talvez aceitando, que a melhor alternativa seja desistir dos pontos e revelar com o cupom da promoção de Dia das Mães, que vale mais a pena.

E a lição que fica hoje é o velho provérbio desse homem trabalhador:

Continue lendo...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Você, Tonya

Desde que ouvi falar desse filme pela primeira vez, me perguntei por que seu título começava com a primeira pessoa do singular do pronome pessoal do caso reto. Não seria mais fácil ser só “Tonya”, afinal? Terminada a sessão, penso que o “Eu” no título se deva à alta capacidade de identificação gerada pela personagem.
Durante vários momentos do filme, me peguei pensando: “Eu sou Tonya Harding”. O relacionamento conturbado com a mãe, o cabelo desgrenhado, a rebeldia em tentar se encaixar, a raiva do não reconhecimento porque sabe que tecnicamente é a melhor, a vontade de mudar o sistema... Em certos momentos, a tela parecia se transformar em espelho, tamanha a identificação com a protagonista.
Tonya Harding era uma patinadora de gelo que representou os EUA nas Olimpíadas de Inverno duas vezes. Foi a primeira americana a executar o Triplo Axel numa competição (diz que é um salto muito, muito difícil). Mas teve sua carreira interrompida graças a um incidente controverso (não vou dizer qual é, caso você não saiba, embora basta um Google para você descobrir) em que nunca foi lhe dada a oportunidade de contar a sua versão.
É um filme com altas doses de feminismo, sem em nenhum momento pronunciar a palavra, ou fazer campanha. Com temas que vão desde relacionamentos abusivos, padrões sociais altamente questionáveis, passando pelo tribunal antecipado da mídia (alô, você aí da internet que fica fazendo textão, sem ler as coisas, essa é pra você mesmo!), é o filme certo na hora certa.
Existe uma cena em que Tonya está com o rosto sangrando, sendo levada a força pelo marido, quando o carro é parado pela polícia. O policial VÊ que o rosto dela está sangrando, abre o porta-malas e encontra bebidas e duas escopetas, e DEIXA TUDO SEGUIR. Aconteceu numa cidadezinha dos EUA nos anos 80, mas podia ter sido aqui durante essa semana mesmo.
E nem por isso é um filme chato. Muito pelo contrário. Eu, Tonya te prende do início ao fim, e puxa suspiros e surpresas em diversos momentos.
Absolutamente bem executado, Eu, Tonya tira sarro da tragédia, com um humor auto-depreciativo, e uma montagem que intercala o acontecimento dos fatos com entrevistas dela e daqueles que fizeram parte da vida de Tonya. Sua narrativa, com múltiplos pontos de vista, nunca condena ou vitimiza qualquer dos personagens, muito embora alguns deles pareçam ter saído diretamente de um desenho animado, como o gordinho atrapalhado e a mãe que dá entrevista com um periquito no ombro (você pode achar que essas coisas mais absurdas são exagero do filme. Não são).
A edição às vezes videoclíptica, com direito a cortes rápidos e planos sequências espertos ao som dos maiores sucessos dos anos 70, 80 e 90, o roteiro que quebra a 4ª parede diversas vezes, e a câmera que acompanha Tonya toda vez que entra no rinque de patinação completam o serviço de trazer o espectador para dentro da tela.

Embora o trabalho de cabelo e maquiagem seja tenebroso, fazendo Margot Robbie parecer bem mais velha (e mais estragada) do que a personagem título (a verdade é que Margot já parece ter mais anos do que realmente tem, e o filme não fez nada para ajudar nesse ponto), a atriz faz um trabalho incrível, de entrega total. E eu que nunca dei nada por ela, fiquei de queixo caído.
Não é uma personagem fácil. Tonya era uma mulher que apanhou a vida toda (apanhou da mãe, do marido, dos juízes, da mídia, das pessoas...), e exatamente por isso nunca se fez de vítima. Era uma lutadora, que não desistia nunca. Mas também era amarga, orgulhosa, revoltada, com morais questionáveis, fruto de seu meio disfuncional, tanto para o bem, quanto para o mal. São de encher de orgulho as cenas em que Margot explode de felicidade ao executar os movimentos no rinque, como se ali tudo finalmente fizesse sentido. É de cortar o coração a cena em que o tribunal decide por bani-la do esporte que, literalmente, era sua vida. (Muito embora eu concorde que não houve injustiça ali. Uma atitude desportiva dessas, tinha que banir mesmo). E chega a ser emblemático que a última cena seja justamente ela levantando de um ringue de boxe.
Com tantos atributos, é de se espantar que o filme não tenha conseguido nenhuma indicação a melhor roteiro, ou a melhor filme. Mas, talvez, como a própria Tonya, sua biografia descolada e desbocada não se encaixe no perfil esperado pela Academia. Até quando?

PS. Depois de assistir o filme, faça o dever de casa e assista aos vídeos de Tonya nas competições no YouTube. A alegria dela é contagiante!
PS2. Essa semana estão rolando as Olimpíadas de Inverno e Mirai Nagasu acabou se se tornar a 3ª mulher a executar o Triple Axel em olimpíadas. \o/
PS3. Li alguns comentários de que o filme levantou polêmica por não levar a sério o problema da violência doméstica, e MEU DEUS, VOCÊS ASSISTIRAM O MESMO FILME QUE EU??? PORQUE A MULHER LITERALMENTE PERDEU O QUE PODERIA TER SIDO UMA CARREIRA DE SUCESSO EXATAMENTE PORQUE SOFREU ABUSO A VIDA TODA!!!!! Só porque o filme não mostra uma mulher sofrida e chorando o tempo todo, não quer dizer que não tenha sido grave. A cada diz que passa, vejo que está faltando interpretação de texto no mundo
.
Continue lendo...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Becky Bloom #8, uma fanfic oficial

Becky Bloom é uma personagem incrível. Cercada por amigos ainda mais legais. Conhecemos nossa querida viciada em compras quando ela ainda trabalhava como jornalista de economia (mesmo não sabendo nada de economia, nem aplicando qualquer coisa na sua própria vida), rimos horrores quando ela foi à NY, acompanhamos a loucura que foi seu casamento, descobrimos que ela tinha uma irmã há muito perdida (apesar de ser um dos clichês mais safados de séries, adoro o livro da irmã com todas as forças!!!), e nos acabamos quando ela ficou grávida.

Conforme o passar dos livros, ficava cada vez mais claro que Becky era muito mais do que uma compradora compulsiva. Sua habilidade em se meter em confusão, mesmo com a melhor das intenções, e criatividade para sair delas é o que move a série. Não é sobre comprar ou não comprar. Os livros da Becky valem só pelo prazer de vê-la entrando em confusão, metendo os pés pelas mãos e acertando tudo no final. E costumava dizer que só isso garantiria a longevidade eterna para a série. Costumava, porque acho que, infelizmente, chegamos a um ponto em que não dá mais. É chegada a famigerada hora de parar.

Desde Mini Becky Bloom, em que a personagem encara os percalços da crise financeira de 2008 (bela sacada de Kinsella!), Becky já não compra enlouquecidamente como outrora. E isso não fez a menor falta. Becky #6 é ótimo, e foi bacana ver a personagem amadurecendo um pouco. Seu comportamento compulsivo já estava sendo espelhado pela filha, que, apesar de fofa, estava ficando mimada que só. O livro termina com um gancho para um Becky #7 que parecia óbvio: Becky em Hollywood ia colocar Los Angeles de cabeça pra baixo! Como a gente ainda não tinha visto isso antes?

No quesito comédia Becky #7 é nota 10. Não tem do que reclamar. Muitas situações constrangedoras que fazem o leitor passar vergonha no transporte público, ou rindo enlouquecidamente, ou gritando e arregalando os olhos, sem acreditar que no que a nossa personagem favorita estava realmente aprontando. No quesito desenvolvimento do personagem, infelizmente, ficou devendo. Becky sempre teve um pé na futilidade, mas passou do limite. Foi egoísta ao extremo e por pouco não perdeu a família e os amigos por causa de uma teimosia infantil de se tornar uma celebridade. Esse tipo de comportamento da Becky há 10 anos seria OK. Com quase 40 anos na cara, e com uma filha pra criar, não muito. Ao final, felizmente ela recobra a consciência, mas uma das pontas ainda fica solta para um inesperado oitavo livro. Agora Becky e toda a sua turma entram numa missão rumo a Las Vegas. E a partir daí tudo vira uma fanfic oficial que não tinha necessidade nenhuma de um livro de 400 páginas.

Acho que Sophie Kinsella, praticamente uma engenheira de histórias pela habilidade de encaixar arcos e surpreender o leitor, teve um erro no planejamento. Os livros da Becky, sempre tão episódicos e redondinhos, nessa última trilogia de revisita terminaram com assuntos inacabados que foram se acumulando até esse último aí, que basicamente só serviu para dar fim nos dramas introduzidos nos volumes anteriores, pois a história que devia mover o episódio em si não funciona. Não por acaso esse é um dos livros mais curtos da série. Porque realmente não há muito o que se contar aqui. 

É tudo muito forçado, desde todo mundo (todo mundo mesmo!) num trailer no meio do deserto pra procurar o pai da Becky, até o motivo pelo que o cara sumiu, passando por uma crise no casamento de Suze e um abalo na amizade dessa última com Becky. É fácil perceber Kinsella tentando justificar a falta de sentido do desenrolar da trama o tempo todo. E é preciso uma dose de descrença da realidade muito maior do que o normal aqui, muito embora o que mais faz mais falta sejam justamente as cenas absolutamente irreais protagonizadas pela nossa mocinha favorita.

Era de se esperar que Becky em Las Vegas renderia algumas delas, mas, Sra. Bloom está irreconhecível. Triste e com remorso, ela sabe que passou do limite em Los Angeles, e.... choque, nem sente vontade de comprar nada!!!!! E se por um lado foi bom vê-la agindo como uma pessoa responsável de vez em quando, pelo outro, um livro de Becky Bloom em que ela não mete os pés pelas mãos não tem a menor razão de existir.

Temos então, pela primeira vez, uma mudança na dinâmica da série. Ao invés de ser um livro movido a constrangimento, este é um volume inspirado nos road movies. Apesar de ainda ser uma comédia, Becky #8 baseia-se na resolução de um mistério, com toques de emoção e muitas cenas contemplativas do deserto dos EUA. O problema é que o mistério não tem a menor graça, e, quando revelado, o leitor fica esperando o tempo todo uma reviravolta kinsellística que nunca acontece.

O final com a turma toda unida em prol da resolução de um plano infalível de Becky é bonitinho e quase justifica o livro. Mas, ao invés de um volume completo, podia ser um de 50 páginas só com essa parte que eu ia ficar feliz da vida. Afinal, é sempre bom ver Becky e seus amigos interagindo.

Mas, ao final desse livro, me pergunto se isso é o suficiente para manter o fôlego para possíveis continuações. Os personagens continuam extremamente carismáticos, mas, fica a sensação de que todas as histórias já foram contadas e continuar pode comprometer seu o desenvolvimento ou a verossimilhança da jornada. Talvez a partir daqui só as fanfics deem conta. Talvez realmente tenha chegado a hora de parar. E se a saudade for tão grande que Sophie Kinsella sinta a necessidade de voltar, talvez esse formato de fanfics oficiais curtinhas possa ser uma solução que faça todo mundo feliz. A gente pode até não ser shopaholic, mas é claro que a gente não vai deixar de comprar.
Continue lendo...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Pior do que pagar boletos

Não sei vocês, mas eu sou do tempo em que a internet era sinônimo de liberdade e gratuidade. Quando banda larga era um serviço que só a população mais abastada podia consumir, e streaming era sinônimo de ficar “armazenando buffer” eternamente, a gente demorava séculos baixando as músicas no Napster, AudioGalaxy e mais tarde nos agora ultrapassados KaZaa e eMule.

O tempo passou, e, ao contrário do que a gente imaginou lá atrás, assim como Pokemon, a internet evoluiu, e descobriu que se fosse cobrado um preço justo, as pessoas estariam dispostas a pagar sim para consumir conteúdo audiovisual online.

E aí, juntamente com a vida adulta, chegaram o Netfix, o Spotify, e, claro, um monte de boletos (o boleto nesses dois casos em específico ainda se faz presente ainda que ambas as instituições operem principalmente com pagamento via cartão de crédito, já que, no final do mês, se transforma no boleto para pagamento do cartão).

Pagar boletos é uma importante parte da vida adulta que só quem passa a incorporar essa atividade em sua rotina consegue descrever. Você abre a caixa dos correios, e, na época da correspondência online, eles são os únicos que ainda chegam por ali (além dos spams de serviços locais). Você paga o boleto. Abre a caixa de correio de novo. Mais boleto. Paga o boleto. Faz uma compra online no boleto porque tem desconto. Paga boleto. Abre a caixa de correio. Sem boleto. Os Correios estão em greve. Corre pra pagar a conta de algum jeito, porque não ter chegado não é desculpa para não pagar. Chega um momento em que enfim você se dá conta que pagou todos os boletos do mês, aí abre a caixa de correio de novo, só por desencargo, não era pra ter mais nada lá, e... já tem os boletos do próximo mês!!!!!

Você se sente derrotado e aceita que isso vai se repetir para todo o sempre.


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Pois então, quando você está conformado que a vida adulta se resumirá a pagar boletos, eis que você descobre algo muito pior do que os famigerados papéis com código de barras: as multas!

Você acompanhou aqui mesmo, no ano passado minha saga para alugar um apartamento, na qual tomei um toco na hora de assinar o contrato. Acabou que foi a melhor coisa que me aconteceu, pois consegui um outro muito melhor depois.

Só que, nem um ano depois, a desgraçada da proprietária resolveu VENDER o imóvel. Pois é, definitivamente estamos com muito azar nesse negócio de apartamento. Talvez seja um sinal divino me mandando voltar pra NiloCity, ou pra eu comprar uma casa própria logo, ainda não consegui decifrar.

Apareceu aqui na minha casa contando uma história super-triste de como o cara da imobiliária estava enrolando ela e ainda não havia me comunicado nada, e ela tinha pressa pra vender porque, coitada, torrou toda a grana que tinha num intercâmbio com a filha, e numa iniciativa de reflorestamento no sul, e agora estava enrolada num processo com o ex-marido, no qual teve que pegar um empréstimo com o cunhado para quitar a dívida do fulano. Deu vontade de responder: “Minha senhora, existem dois tipos de problemas: o meu e o seu! O que a senhora está me contando faz parte do segundo tipo”. Mas sou educada, e fui pega de surpresa.

Ela me deu a preferência de compra, e ficou com um pouco de raiva quando demorei a responder a sua proposta, que, por sinal, era um valor um pouco acima do mercado. (E ela ainda queria muito mais, alguém que colocou um pouco de juízo naquela cabeça e ela abaixou o preço). A lei me dá 30 dias, e eu usei os 30 dias, ué!

Nesse meio tempo comecei a caçar outro lugar para morar (de novo!) porque a legislação me obrigar a receber as visitas dos possíveis compradores que irão me expulsar do meu temporário lar, e eu não estava a fim de fazer sala para corretor, mexer na minha agenda, receber estranhos na minha casa, etc. Enfim, queria pular essa parte.

Acontece que encontrei um outro lugar. Entrei em contato então solicitando que pudesse desocupar o imóvel só com o depósito caução, porque, APESAR DE TUDO ISSO, quando o proprietário avisa que quer vender, e o inquilino quer sair, o inquilino ainda tem que pagar a multa contratual, que por acaso, é bem alta (o contrato tem 30 meses, estamos completando um ano agora, faça as contas). A desgraçada me mandou um email meio desaforado, recitando toda a lei do inquilinato, que já sei de cor a essa altura do campeonato, e já descobri que não me serve de nada, e que não ia abrir mão de multa nenhuma.

(Vale ressaltar também que, quando perguntei ao dono da imobiliária se eu pagaria algo caso quisesse sair, ele garantiu que não pagaria nada, pois estava com raiva da mulher, e pensou que eu fosse alugar o próximo com ele. Foi só eu dizer que ia sair e que ia alugar outro canto, a coisa toda mudou de figura. Teria me poupado um pouco de tempo se tivesse sido honesto, mas, enfim.)

Resumo da história: perdi o apartamento que tinha em vista, e enquanto ninguém comprar essa bagaça, sou obrigada a ficar nesse contrato oneroso, inclusive tendo que receber estranhos na minha casa. E quando ele finalmente for vendido, NÃO RECEBO NADA DA MULTA CONTRATUAL!!!! Joinha pra quem escreveu essa lei aí, hein! Tá de parabéns!

Como eu me sinto toda a vez que vou pagar o aluguel agora

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Mas já que estamos falando de boletos, seria injusto terminar esse post sem nem ao menos mencionar aquela que se tornou rainha desse símbolo da vida adulta: Taylor Swift.

A melhor fantasia do carnaval 2017

Há um tempo atrás Taylor Swift retirou todo o seu acervo do Spotify, por achar que os boletos que eles estavam pagando pra ela não eram suficientes e ela deveria receber muito mais do que aquela mixaria que eles chamam de direito autoral. 

Não vou entrar no mérito de Taylor ser mercenária ou não, pois, apesar de, como consumidora preferir consumir as coisas de graça, é claro que os músicos também têm os seus boletos para pagar, e, se o que eles ganharem não for justo, ou for muito inferior ao arrecadado pelos canais de distribuição, você tem uma relação muito desigual que não beneficia ninguém, na verdade.

Mas, aparentemente, Taylor está disposta a abrir mão desses boletos, pois, foi só sua rival Katy Perry anunciar o novo álbum totalmente no Spotify, cujo carro-chefe é nada-mais-nada-menos do que uma música sobre a maior rivalidade da música atual, que Tay-Tay liberou toda sua discografia na mesma plataforma digital. Difícil escolher qual das duas é a mais infantil nessa história toda. Dizem que tudo não passa de um plano maligno em que nenhuma delas se odeia e estão apenas fingindo essa patacoada para ganhar espaço na mídia.

E se isso for verdade mesmo, ainda bem que eu não dei meu suado dinheirinho para nenhuma das duas, e as músicas agora tão tudo no Spotify, porque não tô podendo pagar pra ser trouxa. Já me bastam as multas...

P.S. Depois você fica vendo esses comentários de analistas financeiros dizendo pra não comprar casa, porque, financeiramente não vale a pena... Na ponta do lápis não vale mesmo não. Mas ficar nessa insegurança de onde vai morar, de a qualquer momento o cara poder romper com o contrato, ou ser obrigado a fazer sala pra corretor... Cara, isso aí não tem preço não!
PS2. Pra você que for alugar um imóvel, então, fique atento à cláusula da multa contratual. Se possível, peça para restringi-la ao primeiro ano de aluguel, ou inclua alguma no contrato de que, se o proprietário queria vender, ele deverá pagá-la no caso de o inquilino resolver sair.
Continue lendo...