quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CEO #03: Faixas etárias

Depois de tanto tempo(...), olha eu aqui de novo!

Não! De forma alguma pense que por esse título eu sou contra qualquer barreira etária de público/consumidor; bebidas alcoólicas e certos filmes do Almodóvar, por exemplo, devem definitivamente passar longe dos olhos e gargantas de crianças. Aliás, essa definição “criança” parece de fato bastante subjetiva, mas, por enquanto, quando o digo, refiro-me a pessoas menores de dezoito anos.

Esse “por enquanto”, na verdade, acaba durando pouquíssimo nesse texto, pois ele discute quase que exatamente sobre a complexidade que é definir crianças, adultos, adolescentes e os infelizes pré-adolescentes (termo tal que soa, ao menos um pouco, pretensioso e apressado).

A parte científica sobre o desenvolvimento cerebral e comportamental dos seres humanos não é minha especialidade, então, o que será odiado, como já seria esperado, são as conseqüências que envolvem esse processo bastante chato chamado, por mais triste que o seja, envelhecer.

“Crescer” talvez fosse mais eufêmico, entretanto falamos não de etapas prazerosas (ao menos de início. Depois tudo vai melhorando), mas de cansaço, raiva e arbitrariedades.
Existe um padrão estabelecido tão fortemente sobre etapas demarcadas que devem ser inquestionavelmente seguidas ao longo da vida, entre elas, ser um adolescente que assiste, lê e ouve o que um adolescente deve assistir, ler e ouvir. O mesmo esquema persiste para jovens e adultos.

Padrão esse que é maravilhoso para representantes comerciais que pretendem atingir públicos específicos e ganhar dinheiro a partir disso enquanto que absurdo para aqueles que fogem ao dito público específico. Estes então são vítimas de uma regra sem motivos a qual força a qualquer pessoa acima ou abaixo de uma faixa etária invisível de agir da forma que lhe convém. E assim impedindo um adulto ou um adolescente de assistir a desenhos animados da Hannah-Barbera porque são considerados velhos demais.

Todavia, é importante que eu esclareça que qualquer comportamento doentio no qual se escapa não de padrões, mas de suas respectivas responsabilidades, é errado; o mesmo vale para posturas que beiram a insanidade ao vestir-se e agir como se fosse mais jovem ou mais velho para pura e simplesmente ser notado. Se existe algo que eu detesto tanto quanto as faixas etárias é o ridículo do exagero. Essa vontade tão forte de ser notado, de ser diferente, que denigre o que se é sem esforço.

Seguir através do tempo sempre dinâmico é no fundo mais importante do que se preocupar em definir-se e aprisionar-se dentro de uma faixa etária. Pois o que figura como imaturidade ou velhice, às vezes tida como pretensão, é relativo demais e incerto, já que gritar que se é adulto ou criança não faz de ninguém mais frívolo ou ponderado.

Existir. Assim, bem simples. De forma bastante natural e imperceptível aos olhos, ressalta características muito maiores quando comparadas a obedecer-se ou não aos rótulos etários e otários que tanto detesto.

O que quero dizer é: odeio essa linha reta e segmentada que divide a vida em partes separadas, isoladas umas das outras, pois, na verdade, essa linha é mais como uma elipse, como um símbolo do infinito (aquele 8 deitado) no qual cada pedacinho mínimo, seja ele gritar histérica e descontroladamente por um irmão Jonas ou por descobrir que em cada aniversário você vai sim ficando mais velho e em parte empoeirado junto com tudo o que você já disse e foi, vai formando uma parte importante de um disco rígido que se deteriora mas pode ser acessado a qualquer instante.

No fundo, não somos adultos que foram adolescentes, os quais foram crianças, e sim adultos por definição, por convenção, pois nunca deixamos de ser crianças ou adolescentes. Eles são o que somos e seremos. Eis a explicação do porquê de um pré-adolescente ser assim tão bobo: em uma linha etária que acaba por segregar, qualquer desejo para alcançar esse título frágil e infundado de adolescente não é por mim respeitado. Pois esse ideal de partes não existe, o todo de fato é mais coerente e mais bonito; ele não perde, ele apenas guarda infinitamente, como aquele 8 deitado.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Por que os vampiros têm que morrer

Não, não vou falar de porque a febre da vampiromania tem que acabar. Isso seria muito óbvio. O post vai ter uma abordagem bem prática da "existência" dos dentuços. São coisas que eu já pensava desde a primeira vez que eu vi o filme do vampiro cintilante. Na época em que eu achei a saga simpática, apesar de meio brega.

Pois é, eu ainda não me conformei com isso. Porque, além de todo o fator antropológico e polêmico, e de eles serem totalmente contra a ordem natural das coisas (lembra da tia Mariazinha - nome fictício. A minha tia era a Gorete. Acho. - ensinando o ciclo da vida? "Os seres nascem, crescem, se reproduzem e morrem"), acima de tudo, os vampiros são um problema SOCIAL. E sua existência mobilizaria todos os ministérios de um governo. Vamos a eles:

- Segurança
O problema mais óbvio. Eles matam PESSOAS! Quando não matam, abusam sexualmente das vítimas. Ou abusam sexualmente E matam. Não há dúvidas de que isso é caso de polícia. E eu ainda nem falei do problema da pedofilia. Porque homem de 100 anos com menina de menos de 18 É PEDOFILIA, SIM!!!! Por mais que ele pareça todo garotão, a mentalidade é de velho babão!

E a gente se preocupando com o Bruno... 

Põe na conta do Papa!

- Meio ambiente
Os bonzinhos matam só os cervos/ursos/bichos da floresta. Aí eu pergunto a você, e a cadeia alimentar? E o desequilíbrio ecológico?? E os animais em extinção, HEIN??? Todo mundo só fala dos males do homem e os males dos vampiros???

Por que eles não fazem como todo mundo e criam umas vaquinhas se quiserem se alimentar? Eu hein!

No meu tempo, criaturas que tomavam sangue animal apareciam no Ratinho (Ratinhoooooo!) e eram chamadas de CHUPA-CABRA, isso sim!!!!

Vontade imensa de perguntar pra Marina o que ela vai fazer contra isso porque é um problema seríssimo.
"A Amazônia é nossa! Fora vampiros!"

- Saúde
Quando os vampiros do bem não conseguem se controlar só com o sangue animal, aí eles vão lá e roubam do banco de doadores! Tanta gente precisando e essas criaturas vão lá e tiram sangue de gente moribunda! Sinto muito, mas eu não acho nada legal roubar sangue de gente que está morrendo para dar para alguém que JÁ MORREU! Não faz o menor sentido.

Gabeira em defesa da VIDA

- Educação
Ainda bem que esses vampiros que vão pra escola moram nos EUA, porque se fosse no Brasil, ah, eles iam ter que enfrentar a fila da matrícula do colégio público e aí meu filho, é dia e noite na cadeirinha de plástico. E quando batesse o sol, todo mundo ia ver eles brilharem. Ou iam virar pó, dependendo da espécie. Nada que um Sundown não desse conta.

E mesmo que enfrentassem a fila, estariam TIRANDO A VAGA de CRIANCINHAS SEMI-ANALFABETAS! Fora que, você sabe quanto o governo gasta pra manter um aluno na escola? E eles lá de brincadeira! Pelamor, né! Vai trabalhar, vagabundo!

Pelo lado positivo, ele não teriam que se preocupar se o governo liberou a verba da merenda ou não.

Mas, claro que isso é viagem. Eles são ricos. Iam estudar no São Bento, não no CIEP. 

"Nenhum vampiro vai tirar a vaga das nossas crianças"

-Trabalho
Se eles não ficarem brincando de ir pra escola pelo resto da eternidade, aí vão trabalhar, mas já está difícil de arranjar emprego pros vivos, imagina ter que gerar emprego pros mortos-vivos também...

"Eu prefiro morrer"

- Previdência
Taí uma coisa que ia eles não iriam precisar. Aliás, iam ajudar à beça. Se os vampiros permanecessem parte da população economicamente ativa, continuariam contribuindo para a Previdência pra sempre. Olha que beleza! Eles seriam a salvação do sistema previdenciário!!!!!!

Agora se um dia eles resolverem se aposentar, babou. O governo ia ter que financiar seu período de descanso até o fim da eternidade. Assim não há previdência que resista.

Todo mundo ia ter que guardar um dinheirinho na poupança
Não na Bamerindus, claro.
Essa daí, coitada, só está numa boa, porque partiu dessa para melhor.

- Fome
Outra coisa positiva, como os vampiros não precisam de comida, será o fim da crise dos alimentos! Eu só estou em dúvida se vai começar uma "crise dos humanos", porque uma vez que o número de vampiros ultrapassar o de pessoas, menos "comida" eles vão ter. Só me explica uma coisa: nessa hora é que entra o sangue sintético de True Blood, né? Os vampiros pobres vão se ferrar... Ótimo. Ou não, sei lá...

"Esse negócio de vampiro vai ser ótimo pro Fome Zero, companheira Dilma!"
  
- População
Pega só as maiores Megacidades do mundo pra você ver. O problema é que tem muita gente. E por que tem muita gente? Porque as pessoas NÃO MORREM MAIS. Sério, a expectativa de vida aumentou muito. Aí não tem transporte, saúde, saneamento, educação, emprego, o aposentado ganha pouco, aumenta o processo de favelização... Todo mundo agora vive até os 100 anos. Há um tempo atrás, a gente duvidou até que a Dercy um dia pudesse morrer!

Agora, imagina só se começam a aparecer uns bichos que não vão embora desse mundo NUNCA, de verdade? Se eles conseguirem se reproduzir então, aí vai ser o fim! Vai faltar até espaço no planeta! A gente vai ter que viver igual o povo do Japão, numas casas minúsculas, com a cama embutida embaixo da pia... Isso se conseguir viver.

"Eu bem que tentei convencer aquele %$#&@ do Edward a morder o meu pescoço, mas ele disse que só fazia isso depois de casado."
"Aí eu mandei ele pra %$#@&! Vampiro %$#&@!"

Verifique se o seu candidato tem políticas anti-vampiros porque, não importa o que que digam, eles são do mal e alguém tem que combatê-los.

Obs. Não estou fazendo campanha contra ou a favor de nenhum candidato, mas falando muito sério agora, é bom abrir os olhos, porque a eleição está chegando, e um monte de candidatos-vampiros está por aí à solta. Eles beijam criancinhas e parecem perfeitos e te dão presentinhos na época das eleições, mas só ficam lá no congresso para sugar o dinheiro dos cofres públicos diretamente para seus conversíveis de luxo. Alguns constroem até castelos de verdade com o nosso dinheiro. (Assim é fácil ficar rico, né!) E às vezes, os políticos-vampiros parecem até que são imortais porque tem séculos que estão de um jeito ou de outro nas casas de governo.


E sem brincadeira, esses vampirões da política são os da pior espécie. Porque, por conta do seu hábito sugador, é que os hospitais estão caindo aos pedaços e falta merenda nas escolas.  Mas para tirar os poderes deles não precisa de água benta, nem crucifixo. É só votar bem votado que esses trastes viram poeira. Igual a música da Ivete Sangalo que eles adoram utilizar como instrumento de lavagem cerebral campanha.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ôoooo, que terror!

Cansado de ouvir falar de vampiros?
*Balança a cabeça com aquele barulhinho*
 
Não aguenta mais aquelas histórias de menina comum se apaixona por criatura sugadora que na verdade é do bem, não é mesmo?
*Balança a cabeça com aquele barulhinho de novo*

Pois seus problemas ACABARAM! 
Chegou o sensacional e revolucionário:
Insatiable de Meg Cabot

*Abre aquele sorrisão bem bobo e faz sinal de positivo agora*
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Brincadeiras à parte, Insatiable é um sopro de frescor nessa onda vampiresca que se instaurou nos últimos anos. Na verdade, ele até tira um certo MUITO sarro da vampiromania quando mostra a personagem principal como roteirista infeliz de uma novela que acrescentará os dentucinhos à trama só para atender as necessidades do mercado. A tarefa é ainda mais ingrata quando se leva em conta que Meena não acredita em vampiros e, como eu, NÃO SUPORTA MAIS essas criaturas EM TODO LUGAR!!!

Quem acha que Insatiable é apenas a inserção de Cabot no mundo dos vampiros somente para aproveitar o hype das criaturas sobrenaturais está muito enganado. É até engraçado vê-la publicando algo do gênero, uma vez que sempre afirmou categoricamente não ser muito chegada a esses romances vampirescos porque não consegue aceitar um relacionamento em que uma das partes está louca para morder o pescoço da outra (e não da forma sexy da coisa).

Meg, ao ser pedida por leitores para escrever um romance de vampiros para chamar de seu, cansou de dar a entender que não o faria, pois achava que não havia nada para acrescentar ao tema que o seriado Buffy, a caça vampiros (seu programa preferido de todos os tempos - e ela gostava de Buffy porque nele o Angel não tinha um desejo incontrolável de tornar a Sarah Michelle Gellar o seu jantar) já não tivesse abordado. De fato, quando num almoço descontraído, sua editora sugeriu que escrevesse um livro de vampiros, Meg ironizou: "Eu preferia comer esse copo de vidro que está na mesa do que escrever um livro desses" (daí a piada interna da chefe que quer obrigar Meena a escrever sobre vampiros). A diferença é que na vida real o assunto morreu ali (Meg diz que a chefe dela é muito bacana e nunca faria isso com ninguém).

Só que aquilo ficou martelando na cabeça criativa da escritora até que, olha só como o mundo dá voltas,  ela teve um sonho (brincadeira!) Jack Bauer, o cão, apareceu na sua porta. O totó ganhou esse nome em virtude de seu comportamento ansioso quando perto de seu dono malvado com hábitos noturnos (obviamente, um vampiro). Pronto. Na matemática de Cabot, Vampiro + Cachorro Estressado = Ideia para um livro novinho. Meg sabia que aquilo ia dar trabalho, que o processo ia ser demorado e que ia ter que pesquisar muito para não cair nas armadilhas do vampirismo moderno. E aí é que o negócio ficou ainda mais desafiador.

Ele que é parceiro do Zero-Zero Au, com vocês:
Jack Bauer, o legítimo!
Au-au au!
Tradução: Drop the gun!

Anos depois, ela toda orgulhosa nos agracia com um romance de vampiros contemporâneo cujas veias pulsam sangue do tipo Meg Cabot (o famoso sangue-bão, rs) e por isso mesmo, dá vontade de sugar tudo numa mordida só. Ao invés de inventar novas regras para o jogo, Insatiable mergulha no tradicional e retoma elementos outrora esquecidos como alhos, crucifixos e água benta. Contudo, troca a Transilvânia por NY, que é muito mais cool. Isso tudo sem deixar de lado o senso de humor hilariante e recheado de cultura pop típicos da escritora.

É diferente da maioria dos títulos disponíveis no mercado, usualmente muito sisudos e que se levam a sério demais pro meu gosto (Meg gosta de dizer que inventou um novo gênero, o Gótico Feminino, com esse livro) e um pouco diferente até do que estamos acostumados a ler dela também. É como se Cabot dissesse: "Ok, agora vamos fazer o negócio direito e acabar com essa palhaçada... Só que colocando um monte de palhaçada no meio".

Narrado em 3ª pessoa e alternando os pontos de vista assim como uma novela, Insatiable é uma sequência contemporânea do clássico Drácula de Bram Stoker (o que já exorciza eventuais bizarrices tipo seres sombrios que brilham no sol). O livro conta a história de Meena Harper*, a roteirista que além de não suportar vampiros e ter de escrever sobre eles, sofre com um 'dom' que só complica sua vida. Ela consegue ver como todo mundo vai morrer e isso, obviamente, enterra todas as suas chances de desenvolver qualquer relacionamento. Paralelamente, temos o suspeito e irresistível professor universitário**, estilo Zé Mayer, Lucien Antonescu, que não pode morrer porque... bom, ele já está morto; uma série de misteriosos assassinatos; e um caça-vampiros durão, mas com um passado digno daqueles quadros lacrimejantes dos nossos programas dominicais: Alaric - atenção para o sobrenome dele - Wulf (haha, muito boa, Meg!)***.
*O nome da mocinha também é uma homenagem à Mina Harker do original, entre outras brincadeiras.
**Eu já tive o desprazer de ter aula com um desses na faculdade. O sujeito tinha uma cara muito assustadora (o meu professor-vampiro não era nada atraente, nem apreciava um bom vinho, escutando uma boa música, como o do livro), e, além de aparecer DO NADA justamente quando a gente estava falando mal dele, o maldito ainda SUGAVA todas as nossas energias ao passar um trabalho e uma prova por semana! Não tivemos dúvidas. Com todos esses atributos, estávamos lidando com um vampiro. E durante todas as aulas daquele período, tínhamos vontade de dar logo uma estaca naquela criatura das trevas para acabar de vez com todo o nosso sofrimento. Pois é, os vampiros da ficção estão enchendo o saco, agora os da vida real, ah, esses sim sabem como infernizar a nossa vida!
***Apesar do nome, o personagem é 100% humano.

Estão no livro também: Jack Bauer (o cão), uma discussão muito legal de por que os vampiros exercem todo esse fascínio nas pessoas, cenas de ação alucinantes, muita zoação para cima de todos os sanguessugas atuais e seus intérpretes (tudo sem descer do salto, claro. Afinal, não é nada principesco ficar falando mal do trabalho dos outros, mesmo que você seja um rei) e algumas ótimas sacadas como o inferninho do Dimitri (existe melhor caracterização da luxúria e universo submundo vampirescos do que uma boate? Acho que não...) .

Sou fã nº 1 de Meg Cadáver Cabot (você já deve ter percebido pela quantidade de curiosidades e afins quando este blog fala da escritora mais fofa da vida), mas não é todo livro seu que me coloca nesse estado de euforia. Insatiable me deixou assim desde a primeira frase da sinopse e agora eu estou aqui me mordendo de vontade de comentar outros muitos detalhes das suas linhas e entrelinhas com alguém. Sem dúvida, um livro que entra fácil, fácil nos Melhores da Meg (e olha que pra entrar nesse grupo, a concorrência é bem grande!), confirmando ainda mais a genialidade da escritora. Pois é, Meg, você me deixou de queixo caído. De novo!

E não bastasse o enredo ser um convite irrecusável para alguém sedento por um livro que colocasse esses coisas ruins em seu devido lugar, sem perder o bom humor, a campanha de marketing envolvida também foi SEN-SA-CIO-NAL!!!! 

Primeiro, na home do livro, para termos acesso a trechos e curiosidades do mesmo, tínhamos de responder uma perguntinha que, geralmente, alfinetava com muita classe aquela série cujo título tem sinônimo de entardecer*. E apesar de abraçar o Drácula (literariamente falando), Meg não o fez de um jeito leia-o porque é o vampiro certo e os outros só deturpam sua verdadeira fama de mau (ô papinho  mala esse!), mas deu a maior força para um dos padrinhos da vampirada, criando até um clube do livro online pra ele, porque é divertido pra caramba descobrir a origem de todos os mitos. E mesmo não tendo lido o dito cujo (foi mal, eu vi o filme esses dias e o final foi bem chato), achei essa atitude bacanérrima. Imagine quão legal seria se nossos professores usassem esse argumento, hein?
*Curiosamente e propositalmente até, penso eu, o livro foi lançado coladinho com o curto spin-off caça-níqueis e com o terceiro filme da tal série.

Depois, cara, dá só uma olhada nesses book trailers:

Primeiro, os já tradicionais com encenações de bonecas Barbie:


E o meu preferido:

Putz, essas histórias de vampiro tem um certo 'ar mexicano' mesmo. Tá explicado porque a Meena é roteirista de novela, daquelas bem melodramáticas...

Ficou com água na boca, né? Agora só atacando o livro mesmo pra saciar toda essa curiosidade. E como uma pessoa que nunca gostou de vampiros, mas devorou e adorou um livro que dá uma estacada em toda essa febre ensandecida, a única coisa que eu posso dizer é: "Valeu, Meg! Mostra pra esse povo como é que se faz!".


*Tenho certeza que se a Meg fosse brasileira ia zoar isso. Ou então esse outro político medonho aqui.
**Se liga na pág. 42, que aparece 'Brazil' de verdade. E na pág 94, há uma menção ao Rio de Janeiro. Prova de que a Meg estava com a cabeça no Brasil, ou mais uma brincadeira velada com a série dos vampiros brilhantes? Tô falando que eu preciso comentar urgentemente esse negócio...

E NÃO É SÓ APENAS ISSO!
Levando para casa esse fantástico livro, você ainda ganha inteiramente de grátis a bagagem necessária para embarcar no próximo volume da série (porque um livro só pra uma história boa dessas não tapa nem o buraco do dente, né? rs).

Obs. Boneco não incluído.
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sábado, 31 de julho de 2010

Análise combinatória, Bob’s e decisões

A análise combinatória é a parte da matemática que faz a contagem das coisas de acordo com as decisões a serem tomadas. Dizem ser a matéria mais difícil do Ensino Médio, porém fazer escolhas na vida real é muito mais complexo e nem sempre é útil saber de quantas maneiras diferentes dá pra pedir um hambúrger do Bob’s* (porque no Bob’s você tem escolha. Se você pedir sem pepino no Mc Donald’s a atendente só falta querer engolir VOCÊ vivo).
*Apesar de que o problema das empadas foi o que realmente caiu várias vezes nas minhas provas.

Por vivermos num mundo onde parece que impera filosofia do Bob’s, ficamos com a impressão de que podemos ter as coisas sempre do jeito que a gente quer. Entretanto, fora do balcão, as coisas são bem diferentes. Apesar de tudo o que dizem, não dá pra ter tudo o que se quer. E por isso, estamos o tempo todo fazendo escolhas. Dormir mais cinco minutinhos ou chegar na hora na faculdade? Ir de ônibus ou trem? Rapidez ou conforto?

Só que nem sempre as decisões são tão simples como “colocar bacon ou não”, porque cada escolha às vezes está atrelada a uma série de renúncias. E as mais difíceis são aquelas em que a gente não sabe quais as renúncias está fazendo ou qual o “prato surpresa” que virá daquele pedido.

E se der tudo errado? E se eu não gostar depois? E se eu quiser voltar atrás? Será que estarei perdendo tempo? E se do outro jeito for melhor?

Não dá pra colocar esse tipo de coisa na ponta do lápis. O máximo que dá para fazer é uma lista de prós e contras. Mesmo assim, é só uma ferramenta, não a resposta final para o problema.

Parece que quando éramos mais novos tudo era muito mais fácil. Nossos pais tomavam todas as decisões por nós e a gente não precisava se preocupar. E se depois, a gente não gostasse, pelo menos tínhamos o direito de ficar revoltados e colocar a culpa em alguém depois. Agora, quando uma grande decisão depende de nós, e somente de nós, com quem iremos reclamar depois?

E quando as opções são muitas, às vezes as escolhas também ficam mais difíceis. Seja porque todas elas parecem muito atraentes, seja porque todas têm suas vantagens e desvantagens. (Eu, por exemplo, me apavoro com aqueles “monte-seu-prato” do Spoletto.Além das milhares de possibilidades, não faço a mínima idéia do sabor dos ingredientes.) E em situações mais abstratas, é preciso ver quais delas tem mais peso, mas como pesá-las precisamente se ainda não inventaram esse tipo de balança?

Talvez fosse mais fácil se ensinassem esse tipo de coisa na escola ao invés de como calcular quantos tipos de sanduíche a gente pode pedir. Entretanto, cada um tem o seu hambúrguer preferido e nem sempre aquele que supre as necessidades de um será mesmo o melhor sanduba para outros. É por isso que existem as escolhas. E por mais dolorosas que elas possam parecer, depois de fazê-las, sendo certas ou erradas, se mostram essenciais no processo de crescimento e autoconhecimento.

E às vezes, quem sabe, escolhendo o caminho errado, talvez não se acabe no caminho certo? E às vezes, quem sabe, não se descubra que aquilo que não se quer é na verdade a melhor opção?

Não existe fórmula para esse tipo de coisa. E se tivesse, viver não ia ter a menor graça.
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domingo, 18 de julho de 2010

Balanço no Busão

Senhoras e senhores passageiros, desculpe interromper o silêncio da sua viagem. É que eu venho trazendo aqui o passatempo para alegrar o seu caminho. Estou falando do delicioso (coloque aqui alguma guloseima). Quem pega o ônibus sempre, é sagaz e já conhece o camelô e está até mexendo na bolsa agora para pegar o dinheiro. Isso porque a (guloseima) nas Lojas Americanas, Casa do Biscoito e outros estabelecimentos custa R$ X,xx. Aqui na mão do camelô, você vai levar a deliciosa (guloseima) por somente R$ Y,yy. Isso mesmo. Na mão do camelô, você leva 3 das mais sortidas (guloseimas) por apenas R$ Y,yy ...

Se você já pegou ônibus ou trem, com certeza já ouviu um desses discursos. Às vezes a gente nem quer levar nada, mas a retórica do ambulante é tão boa que nos convence e acabamos comprando o tal doce, ou outras das mais diversas quinquilharias como caneta-calendário, aquelas bolinhas que crescem na água, revistinhas de concurso público, etc.

E esses são só os mais tradicionais vendedores com seus produtos mais comuns também. 
Tem ambulante sem noção:
“Eu não sei falar, só sei latir. Halls, Halls, Halls...”;
engraçadinho:
“Compre uma empada e ganhe um Oi!” – aí a pessoa compra a empada e o cara fala: “Oooooii”;
tecnológico:
“Está no cinema e já está aqui na mão do camelô. DVD do Eclipse! Com quem você acha que a Bella vai ficar? Com o Edward ou com o Jacob? Compre aqui na minha mão e descubra. E se você estiver com medo do disco não funcionar, a gente testa aqui na hora” – sim, o cara vem equipado com um DVD Player de teste. Nem na loja você tem essa garantia!);
moderno:
O carinha vende aqueles corta-tudo de cozinha, demonstrando e com um alto-falante!;
com dor de consciência:
“Você aí que acha que o camelô está fazendo por esse preço porque é roubado, eu garanto! Não é roubado. Eu repito. Não é roubado!”
e descarado:
“Acabou de virar um caminhão ali da na Dutra e aqui na minha mão você leva pela metade do preço”

E aqueles caras que vendem o Meia Hora na época do caso do Ronaldo com travesti: “Extra! Extra! Depois da Mulher Melancia, e da Mulher Morango, Ronaldo saí com um novo tipo: A Mulher KinderOvo, aquele que vem com uma surpresa!”.

Sem dúvidas, essas coisas alegram a nossa viagem. Por isso eu acho o metrô um meio de transporte muito sem vida. Fica todo mundo em silêncio, não tem um mísero camelô vendendo bala... Andar de trem/bus é muito mais legal.

Mas, nos últimos meses, eu presenciei uma nova forma de entretenimento nos meios de transporte.

Estava lá eu, atrasada para a faculdade, e fiz sinal e peguei meu ônibus. Aí quando eu passo pela roleta, me deparo com, acho que, a maior figura que eu já dentro de um ônibus. Um carinha todo estranho com uns dreads na cabeça, o olho vermelho que só, amarradão, tocando uma espécie de banjo numa língua próxima do portunhol. Vou repetir pra você que não entendeu: UM CARA FAZENDO SHOW DE BANJO DENTRO DO ÔNIBUS! E o pior é que o maluco tocava bem! Só estava faltando a flautinha boliviana! Por isso, quando aquela música que ele performava acabou, todo mundo, acho que até eu, super aplaudiu!

Aí o maluquinho ficou todo emocionado, falando com um sotaque espanhol: “Ora, muito obrigado, muito obrigado. No esperaba tantos aplaussos... Muito obrigado! Essa musiquinha” – detalhe que ele não falou nem “musiquita”. Foi musiquinha mesmo! – “que eu acabei de tocar é una mistura de música brasileira, com indígena, com música latina....” – Aí eu me segurando para não rir, crente que já acabado, ouço – “Y ahora eu vou tocar una otra musiquinha para vocês que gostaram...Y para vocês que não gostaram também”.

Nessa hora eu quase que soltei a maior gargalhada. Eu não podia acreditar no que meus olhos e ouvidos me diziam. Era muito bizarro. Era um pocket-show, ou melhor, bus-show, de verdade! E ele ainda tinha completa noção do que estava fazendo!

A segunda música era muito parecida com a primeira, senão igual, e quando esta terminou, mais um monte de aplausos. E aí ele se despediu, e enquanto recolhia o couvert artístico (eu que estou dando esse nome), ia brincando com todos os passageiros, principalmente com as meninas (“Oh, chica. Estoy solo, quiero uma namorada... Tienes telefone?”). E aquilo só me fazia ter mais vontade de rir. E as pessoas deram dinheiro pra ele com o maior prazer! Teve um senhor que até falou pro Maluquinho-de-Dread: “Você faz aquilo que gosta e faz com amor! Continue assim! Parabéns!”

Naquele dia eu estava meio cansada, de saco cheio porque ainda ia ter que ir para a faculdade de noite e para uma aula tão inútil, mas depois do showzinho no ônibus, eu fiquei feliz. Já perdi a conta de quantas vezes já contei essa história porque, sério, foi muito marcante! Devia ter gravado aquilo com o celular pra mostrar pra vcs! E eu até ia dar um trocado pra ele, já que tinha alegrado tanto a minha noite, mas, como eu sabia que ele ia gastar com drogas, dada a vermelhidão de seus olhos, decidi não ajudar a sustentar esse vício.

E quando eu achei que não podia aparecer nada mais absurdo do que o Maluquinho-de-Dread, duas semanas depois eu peguei o mesmo ônibus e eis que me entra um PALHAÇO! Sim, um palhaço daqueles com nariz vermelho e tudo. Ai Jesus! Eu mereço! Depois daquele doido, agora me aparece um palhaço dentro do ônibus!

O palhaço era evangélico (menos mal), e fazia propaganda do seu grupo de teatro para possíveis festas infantis. O melhor da sua apresentação foi quando ele falou para a Jaqueline (ele se dirigia a todas as moças do ônibus como Jaqueline) ia colocar um telão lá no fundo e aí ia aparecer alguma coisa (não lembro mais o que era, só sei que era algo de última tecnologia, hahaha). Obviamente, não tinha telão nenhum, mas todo mundo (inclusive eu), não resistiu e olhou pra trás procurando igual a uns idiotas, hahahaha! Aí depois ele cantou uma música (sozinho, ninguém aceitou o seu convite de cantar com ele) e na hora de terminar a canção, o trocador ficou piscando a luz do ônibus para completar o grand finale. Sem brincadeira, ficou muito bom!

Teve um outro dia também que eu vi o mesmo palhaço parado na calçada se preparando para entrar em algum outro ônibus e há algumas semanas, eu presenciei um mímico entrando num outro busão passando.

Fico me perguntando o quê mais falta encontrar agora: Engolidores de Faca? Cuspidores de Fogo? (Isso já existe, mas por enquanto estão só nos sinais) Cortorcionistas? Equilibristas? Domadores de Leão? Daqui a pouco está o circo todo dentro do ônibus. E eu vou adorar se isso acontecer.
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domingo, 11 de julho de 2010

Restartando o colorido

O seu namorado termina com você. Você se debulha em lágrimas. E como não vê mais sentido em viver sem ele, pensa em se matar. Mas muda de idéia quando ouve aquela banda falar dos sentimentos que estão machucando o seu sensível coração partido. Só que depois de chorar, entrar em depressão, ameaçar cortar os pulsos e pintar o olho e o cabelo de preto, você enfim supera a separação e segue em frente. O mundo não está mais em xadrez preto e branco. É hora de recomeçar, de curtir e colocar cor na sua vida!

É mais ou menos isso o que aconteceu com os emos. Eles cansaram de serem tristes. Cansaram de fazer chapinha na franja e daquele guarda-roupa depressivo. Agora eles são felizes e só querem saber de curtição. Uhuuulll! Tal qual Mario Bros, os emos passaram de fase. E assim como o Pikachu evoluía para o Raichu, os emos também evoluíram para o tal do Happy Rock.

 O pior que é que os caras tem até nome relacionado a videogame

Mas engana-se quem pensa que todo esse pessoal apresenta alguma novidade estilística. Se os emos foram buscar inspiração no estilo sertanejo para compor e se vestir, os coloridos foram ainda mais longe. Abriram o baú dos pais, cataram as roupas que eles usavam quando foram ao primeiro Rock In Rio (naquela época ainda no Rio) e resolveram avacalhar logo de uma vez com os cabelos. Se o Fresno pode usar as calças do Zezé, eles também podem usar o corte do Chitãozinho!

Ó o cabelo como é igualzinho!

A grande ironia da coisa é que ano passado, eu fiz um post que falava pro Junior, que na época passava por uma fase de rebeldia tardia, apostar num estilo que tivesse mais a ver com o passado dele, e então ele não precisaria ter mais vergonha do seu passado e, principalmente, do cabelo que ele usava. Agora aparecem esses trastes com uns cortes obviamente inspirados no visual dos pais do Ju (sim, porque todo mundo sabe que Chitãozinho e Xororó são os pais de SandyJunior, que aliás é uma pessoa só, rs).

De certa forma, os coloridos são até um certo alívio para tanta chorumela dos emos. Pelo menos, eles são felizes, né! Não que eu goste deles nem nada, mas os caras que usam aquelas roupas em pleno 2010 não fazem a menor questão de serem levados a sério. E se um dia você se encontrar com uma dessas criaturas e mandar um “Você é ridículo!”, está arriscado a escutar um “Helloooo, disso eu sei, agora conta uma novidade, vai!”.

Tô nem aí, tô nem aí...

E a bizarrice dessas coisas dá até vontade de rir, embora letras, de tão sofríveis, façam chorar. É ainda mais engraçado ver que os adolescentes em pelo 2010 agora saem pela rua amarradões com aquele vestuário que só seria adequado numa festa brega, quando até alguns dias atrás eles mesmos tiravam o maior sarro das roupas chamativas dos anos 80. Fora a cegueira das meninas, que parecem ter algum problemas nos óculos da moda para acharem esses doidos com cabelo do Chitão bonitos.

Ah, sim! Quase esqueci dos nomes! Toda dupla sertaneja que se preze tem que ter nome artístico e os nomes dos garotos coloridos são muito bons! Fiuk, Pe Lanza, Pe Lu... Não parecem saídos de um gibi da Mônica? Eu super ia comprar um gibi que tivesse o título de “As aventuras de Pe Lu e Pe Lanza” ou “Turma do Fiuk”, de verdade. Parece ser uma revistinha legal!

Não vou chorar, nem vou me arrepender...

O que não é o poder da indústria da moda, né? Aqui em casa a gente tem uns óculos desses coloridos que os meninos do Restart usam (originalmente das antigas, claro) e só o colocávamos em alguma peça da escola, ou para tirar uma foto engraçada. Agora você anda na rua e vê todo mundo com um desses na cara. E apesar disso, eu não tenho essa coragem de sair com isso em público, mas sabe que eu acho os óclinhos até simpáticos?

A única coisa que entristece mesmo é que o Restart dos anos 80 proposto pelos coloridos fica só no visual. A descontração, a alegria e o senso de humor resgatados da década mais sem noção da cultura pop (e por isso mesmo, tão inspiradora) infelizmente ficam devendo quando você vai olhar as letras, que de tão pobres parecem pedir uma esmola de rimas diferentes dos sufixos do infinitivo. Isso quando tem alguma rima. Tristemente, eles são só a geração do miguxês com um guarda-roupa novo velho. 

Pô, até o nome da revistinha ia ser igual!
Mentira, ia ser nada. 
A nova versão ia vir com tudo ixcrito axim...

Como disse também em outro post do ano passado, o pop do Brasil anda numa decadência só. Tá difícil de aparecer alguma coisa original que se sustente pelos méritos da música e para tocar em português (ou algo parecido com a língua materna) nas nossas próprias bandas, só apelando para a avacalhação. Ao que tudo indica, parece que tomamos um Game Over no Jogo do Conteúdo e agora temos que conviver com um restart piorado daquilo que um dia foi símbolo de “nova onda”.

 De caretas os caras são bons, agora de música mesmo...
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domingo, 4 de julho de 2010

Brasil, Uruguai e Botafogo!

Um primeiro tempo espetacular. Logo no início, gol do Robinho. Passe, olha só que absurdo, do Felipe Melo! Eu e o Brasil inteiro achamos que já estava no papo. Suco de Laranja no café. Ô delícia! Ledo engano. Duas bolas na área, um gol contra, um jogador expulso (sim, ele mesmo! Felipe Melo!), um time descontrolado e, puf! O Brasil está fora da Copa. Foi doído. Muito mais que em 2006, porque o pior é que esse time era bom!

Foi doído porque a gente sabia que merecia ganhar. Foi doído porque a gente via que os jogadores estavam dando o sangue em campo. Foi doído porque o Júlio César chorando era de cortar o coração e o Lúcio, ai gente, o Lúcio tava jogando muito, &%#$!

Há quem diga que a campanha anti-drogas do Dunga foi o que arruinou a seleção brasileira, que ele devia ter levado o Ganso, o Neymar, o Ronaldinho Gaúcho, etc. Mas poderíamos muito bem ter ganhado não só da Holanda, mas Copa, sim, sem todo esse pessoal. O time do Brasil não estava devendo nada a esses outros que ficaram. Faltou equilíbrio ao Brasil, mas eu prefiro um time que perde se esforçando, do que um apático, que não está nem aí.

Vamos fazer uma retrospectiva.

Campanha pré-2006: Toda vez que tinha uma convocação, a imprensa anunciava que tal jogador não havia sido liberado por tal clube, que fulaninho de tal não ia poder jogar porque o cachorro morreu, o outro não podia vir porque a avó ficou doente.... Era um festival de desculpas esfarrapadas de um pessoal que já tinha ganhado todos os títulos coletivos e individuais possíveis e, por isso, mesmo balofos, tinham vaga garantida na seleção. Amistosos imbecis, as estrelas da seleção protagonizando milhares de comerciais, mulheres agarrando o Ronaldinho (como tem gente cega nesse mundo!)... Já é! A Copa do mundo é nossa!

2006. Estavam lá Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fofômeno, Adriano, Kaká, e diversos outros craques. O Brasil não empolgou em nenhum jogo. E toda vez que o negócio estava ruim, o técnico ficava com medo de tirar os medalhões porque “a qualquer momento eles poderiam decidir a partida”. Não decidiram. O Roberto Carlos ficou lá ajeitando a meia, o Fofômeno só fez gol para atingir a marca do Pelé, o país chorou e depois eles foram pra uma festa bem bombante comemorar.

Não era de se esperar que a gente tivesse perdido em 2006 com esse histórico. Uma seleção sem comandante, que fazia o que queria, todo dia um escândalo... Era preciso alguém que colocasse ordem na bagaça. Chamaram o Dunga.

Campanha pré-2010: Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano começaram no banco. Kaká jogou bem, ganhou a vaga. Aí o Kaká se machucou. O Brasil fez uns jogos que não saía do 0x0. A torcida chamou o Dunga de burro. (Confesso a você que nessa época eu não levava fé no time). Só que depois o Kaká voltou jogando muito e a seleção começou a ganhar tudo. Com direito a virada em cima dos EUA na final da Copa das Confederações e muita zoação em cima do Ashton Kusher! Enquanto isso, o Gaúcho não jogava nem no seu clube. Falava-se até em aposentadoria do feioso. Adriano também ameaçou parar de jogar, ganhou título ano passado, mas esse ano, bebeu, engordou, bateu na mulher e sabe-se lá o quê mais fez naquela Vila Cruzeiro. Não dá pra levar esses trastes pra Copa, vamos combinar!

Sim, saímos na mesma fase que demos adeus a Alemanha, 4 anos atrás. Sim, ganhamos os mesmo títulos que ganhamos no ciclo anterior, mas a seleção da época não merecia ganhar. Não havia esforço nem para correr na esteira! Que dirá para correr atrás de um resultado. E essa de agora jogava muito melhor, e sem todos esses craques “decisivos”. 

Vocês acham que Ronaldinho Gaúcho ia fazer alguma coisa? Não fez NADA em 2006, assim como o Messi não fez NADA em 2010! E o Neymar e o Ganso iam fazer muita coisa naquele time inexplicavelmente desconjuntado no jogo da eliminação, né? Ah, mas ele levou o Josué, não tinha opção de banco! Tá, podia ter levado alguém diferente no meio de campo, mas o Felipão também levou o Vampeta em 2002! Lembra aí: Vampeta, Edílson, Denílson! Só tava faltando o carinha do Rebolation pra completar o trio elétrico (se bem que o Denílson era mais de pagode. Sério. Ele tinha um grupo de pagode de verdade!) E a zaga, hein! Lembra que o Lúcio não era confiável? E do Roque Júnior? E do Anderson Polga? (confesso que desse eu não lembrava!). Toda vez que o outro time atacava, o coração batia mais forte do que deveria nessas situações.

Perdemos para a Holanda, mas futebol é assim mesmo! Demos azar em 2010. O trabalho foi feito do jeito certo. Se bobear, o time de agora era melhor que o de 2002. Mas nem sempre o melhor ganha, né! Estou com o Dunga, nem vem! Essa seleção merecia um resultado melhor do que obteve, mas pelo menos, vimos um time lutando em campo. E também teve a Argentina que voltou para casa cedo (de lavada), e a gente não teve que ver o Maradona pelado. O mais engraçado é que os argentinos receberam o Dieguito como se tivesse vencido a competição! Vai ver estão agradecidos por não terem de vê-lo nu também...

O que aconteceu foi que a Holanda entrou provocando e o Brasil entrou na pilha. O excesso de vontade de vencer desequilibrou a equipe inteira. É mais ou menos o que acontece quando joga Botafogo e Flamengo. O Flamengo entra fazendo teatro e o Botafogo com o melhor time, como quer ganhar jogando limpo, se ferra!  E como disse, prefiro um time que peca por execesso e tem jogador que dá cartão pro juiz, do que um que fica esperando milagre do craque da equipe. E também, de nada adianta um time bom quando se tem Mick Jagger na torcida!

Mas a Copa continua, e como sou botafoguense, e ahora soy Uruguay desde niña! Porque Loco Abreu é o Fogão na Copa! E o que foi aquele jogo, aquele pênalti no último minuto, aquela cobrança do Abreu? É a história bonita do futebol sendo escrita ali diante dos nossos olhos. Não foi dessa vez que a gente trouxe a taça pra casa (sim, porque o primeiro a ganhar 3 vezes a Copa fica com a taça pra sempre, sabia?), mas 2014 tá logo ali com um mês de férias pra todo mundo, e muitas outras emoções para viver. Porque Copa é assim, feita não só para ser vista, mas principalmente para ser vivida.
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