quinta-feira, 28 de abril de 2011

Rio

Depois de três A Era do Gelo, Carlos Saldanha cansou da friaca e resolveu voltar para o calor do Rio de Janeiro, sua terra natal. E Rio é isso mesmo. Uma declaração de amor à Cidade Maravilhosa.

Antes de mesmo de assistir, eu já tinha um carinho muito especial por Rio. Não só por se passar nessa Cidade Maravilhosa que eu vivo e amo, mas porque, graças a Rio, eu pude encontrar pessoalmente com ninguém menos do que minha atriz favorita Anne Hathaway (*-* *-* *-*), que estava por aqui promovendo o filme da ararinha azul, numa das sagas mais fantásticas da minha vida. Durante mais ou menos um mês, eu não só vivi no Rio, eu vivi PARA o Rio. E a recompensa foi tão inacreditável que, não precisa nem dizer, serei eternamente grata ao filme.

E exatamente por todo esse carinho especial antecipado, sentia até medo de não gostar do filme. Porque eu tenho muito orgulho do Saldanha, mas A Era do Gelo nunca ocupou um lugar no meu coração do mesmo jeito que Toy Story, por exemplo.

Felizmente, esse medo só durou até os 10 primeiros segundos da projeção. Rio é apaixonante desde a primeira cena. O delicado canto dos pássaros que surgia como prelúdio à história de Blu e Cia e dava início ao lindo balé de cores do samba de abertura foi o suficiente para me conquistar e pôr um sorriso em minha face.

Passarinho, que som é esse?
All the birds of the feathers
Move through the gap of the morning

E já que estamos falando de música, a trilha de Rio é contagiante, com variações do tema inicial por toda a película. Chega a lembrar um pouco até a fórmula Disney (mesmo Rio sendo da BlueSky), com direito a um número musical do vilão (todo vilão Disney que se preze tem que ter um número musical próprio!) e uma canção à la Beije a Moça da Pequena Sereia (Sha la la la la la la, Vai não vai, olha o rapaz não vai, Não vai beijar a moça), Fly Love, para unir os dois pombinhos, quer dizer, as duas araras. Isso tudo, porém, com um toque todo especial de brasilidade.
*  E já que estamos falando em Disney, alguém mais achou que a dulpa Pedro e Nico também tem um quê de Timão e Pumba? E agora que eu falei de Timão e Pumba, lembrei que Fly Love também tem tudo a ver com Nessa Noite o Amor Chegou (Neeeeessa noite o amor chegou, chegou pra fiiiicar, e tudo está em haaaaarmonia e paz; romance está no aaaar).

Wasn't really thinking, wasn't looking, wasn't searching for an answer

A trilha apresenta uma mistura perfeita de bossa, samba e hip hop, que entrou no lugar do funk carioca (acho que o Saldanha pensou que o funk poderia sensualizar demais, e deu pra perceber que, mesmo toda a história se passando em pleno Carnaval, ele tomou o maior cuidado para não associar a imagem do Rio ao turismo sexual), e dá vontade de sair sambando de dentro do cinema. Ah, sim, esqueci de falar. Em Hot Wings, eu cantei até o “laialaiá” da Anne amarradona como se tivesse letra (pois é, né, gente, eu disse que durante um mês eu VIVI o Rio, então, eu já cheguei ao cinema escolada).

Laialaialailaiáaaaa

E também por já ter ‘estudado’ Rio antes, ao assistir o filme, entendi porque o Rodrigo Santoro falava em uma entrevista que tinha estudado a língua dos pássaros e sugeria que toda a conversa fosse feita assim (eu achava que era só piada, mas ele deve ter estudado mesmo), entendi porque a Anne foi passear em Santa Tereza, entendi porque o Eduardo Paes patrocinou um carro alegórico do filme para o Salgueiro, e entendi também porque levaram o pessoal do elenco pro Alemão.

E falando em elenco, vou te contar, que elenco! Como não podia deixar de ser, fui conferir a versão legendada do filme (hello, os caras VIERAM aqui no Rio. Quando é que isso acontece com animações? NUNCA!). Rodrigo Santoro falou inglês - e passarês - muito bem (Santoro já está acostumado com dublagem, né? Ele fez o Stuart Little, e de vez em quando dubla a si mesmo nos filmes que faz lá fora. Só assim pra ele falar também), Jesse Eisenberg estava nerd até a alma como o Blu (tem uma hora que, além de ararês, ele fala latim-do também, vocês vão ver), Anne Hathaway falou duas frases em português (penou pra fazer o chiado carioca, mas falou! Fofaaaa!), e cantou o “laialaiá” mais lindo de todos em Hot Wings, Jamie Foxx e Will.I.am além de dublarem, cantam... E ainda tem George Lopez, Tracy Morgan (aquele de 30 Rock) e Bebel Gilberto e Jane Lynch (isso mesmo, a Sue Sylvester de Glee!) fazendo ponta.

Essa é só a galera que veio pra cá! 
E o melhor de tudo é lembrar de tudo o que eu aprontei nesse dia aí! Hahaha


Uma coisa legal de ver legendado é que de vez em quando você escuta umas frases soltas em português tipo “Caramba”, “Merrrmão” (“meu irmão” em carioquês bem nítido) e principalmente na cena da Sapucaí em que o carinha, que depois eu vi nos créditos que foi dublado pelo Sérgio Mendes, fica falando: “Rebooola! Reboola!” – também em carioquês bem nítido. (Só faltou o “Perdeu, Prayboy!”, hehe). Fora os nomes dos personagens que fazem até massagem nos ouvidos: Pedro, Nico, Luiz, Rafael, Fernando...

E aí, meu Rio???

Tem uma galera aí que reclamou que o filme deu a entender que o povo do Brasil só quer saber de Carnaval e futebol em detrimento do trabalho e que os macaquinhos ladrões denigrem a imagem dos cariocas. Bom, não vi nada disso. A dentista fantasiada que o povo tanto chiou só estava fantasiada porque ERA CARNAVAL MESMO. E não é nenhuma mentira dizer que no Carnaval, a cidade para! E mesmo em seu horário de folga, a mulher provou que era uma profissional muito competente e preocupada e não deixou de lembrar o Túlio para ele passar o fio dental.

Já os macacos, bom, eles são ladrões não porque são cariocas, mas porque são MACACOS!!!! Da mesma forma que o guaxinim da Pocahontas pegava as coisinhas do John Smith porque era guaxinim, e não porque convivia com os índios! E o filme está cheio de personagens legais para provar que aqui não tem só ladrão e que o povo é muito hospitaleiro e está sempre disposto a ajudar (não à toa, os cariocas são considerados o povo mais simpático do mundo). O Rafael então é a maior prova do carioca que só quer voltar pra casa em segurança depois de um dia de trabalho.

Alô, Rio de Janeiro, aquele abraço!

Só ficou meio esquisito aquela cena do segurança (que mesmo assim, eu não achei tão irreal, e nem tão agressiva) e os flamingos na Floresta da Tijuca (que são meramente figurantes). Mesmo assim, não foi nada que eu saísse do cinema me remoendo e preocupada: “Ó, meu Deus, e agora? O que vão pensar da minha cidade?”). E acho que o pessoal da sessão também saiu com a mesma impressão que eu, porque, de novo, a galera aplaudiu o filme no final (isso está ficando mais comum do que eu pensava, mas eu quando eu fui ver Cisne Negro, os únicos aplausos que eu ouvi foram os da tela...).

Mas tem que aplaudir mesmo! Olha que que coisa mais linda, mais cheia de graça...

É um filme cheio de clichês? Claro! O Rio que mostram é aquele “pra gringo ver”? Lógico!

Mas foi legal demais ver tudo isso na tela do ponto de vista de um carioca e ninguém pode dizer que o cara falou um monte de mentiras. O realismo da paisagem e a precisão geográfica são de cair o queixo (alô, carioca falando!). Adorei ver lugares por onde eu passo ou passava todo dia ou visito de vez em quando como o Aterro, a Lagoa, o Maracanã (não entendi o Brasil e Argentina em pleno Carnaval, mas tudo bem!), a Catedral de São Sebastião, o Prédio da Petrobrás, os Arcos da Lapa, a praia e o calçadão de Copacabana (quando o Blu atravessa a ciclovia, eu me senti dentro do filme. E eu juro pra você que teve uma hora que achei que era Ipanema e vi o Fasano ali atrás, hahaha!). E ainda teve bondinho de Santa Tereza, Cristo Redentor, Jardim Botânico, Floresta da Tijuca... Sério, eu estava completamente dentro da tela (ah, é, eu também fiz questão de ver o filme em 3D, apesar de ver o Rio em 3D todo dia).

 
Olha lá, isso é perto de onde eu almoço todo dia!

Isso fora as referências à nossa cultura tipo churrasco (por isso que a Anne passou fome aqui, rs!*), água de coco (repara só como o carinha corta o coco em três facadas! Muito real!), futebol (gritei “Goooool!” na cena do futebol, de verdade!), Garota de Ipanema, mamão, manga e o desfile na Sapucaí com os carros alegóricos, carnavalescos estressados e alas coreografadas...
*Vocês não noção da quantidade de piadas que a gente fez por causa dessa declaração dela! Acho que foram mais de 10. Eu ria sozinha a cada nova bobagem que inventávamos.

 (Adorei os jacarés que se moviam de skate! É o tipo de coisa que REALMENTE os caras fazem. Não precisa nem ser Paulo Barros pra pensar nisso. Aliás, aquela escola do filme corria o sério risco de ser rebaixada. Que bagunça! Se fosse a Beija-Flor, já até visualizo o Laíla descendo a bronca na galera aqui de Nilópolis). Ah, sim, o uniforme e o carro da polícia também estavam idênticos!

Interessante notar que Rio mostra as partes boas da cidade, mas não fecha os olhos para a realidade ao mostrar a favela, o menino pobre, e até os bandidos que fazem contrabando de animais. E o mais legal é que é tudo contextualizado e não passa uma imagem negativa do Rio. Foi tudo feito com uma delicadeza que só quem morou aqui tem para retratar tão bem que o Rio é sim uma cidade de contrastes (repare na linda cena do menino na favela com o Pão de Açúcar ao fundo. Não é licença poética. O Rio é assim mesmo!). E problemas toda a cidade tem, mas, no final das contas, as coisas boas do Rio se sobressaem sobre as ruins.

Quem foi que disse que só Cidade de Deus pode mostrar favela, hein?

Rio é um filme lindo e envolvente. Os personagens cativam facilmente e a história combina muito bem romance, ação (a cena do avião no final foi TENSA. Me identifiquei totalmente, por que será?) e crítica social, ao mesmo tempo em que diverte com um roteiro inspiradíssimo em que todas as piadas funcionam. É de longe o melhor filme do Saldanha, e um dos desenhos mais legais dos últimos anos. É claro que não é assim um Pixar. Mas em nenhum momento Rio tenta ser mais do que propõe, e entrega um feijão com arroz (que, aliás, não podem faltar no prato do brasileiro) muito gostoso.

Brasil, o país do futebol. 
Rio, a cidade do futvôlei.

(E já que estamos falando de Pixar, Carros 2 vai ter que ser muito bom pra tirar a minha torcida de Rio para o Oscar. Porque eu sou bairrista mesmo, e vou torcer pra minha cidade do coração. E já que estamos falando de continuações, desde já estou torcendo também para que tenha Rio 2 e a Anne voltar, haha!)

Rio é um filme para sentir orgulho de ser carioca. E se você não é, pra sentir vontade de ser um. E que me desculpem as outras cidades, mas todo mundo sabe que o xodó do povo é o Rio.

E o Rio de Janeiro continua lindo

Obs. Da série “Coisas que só eu reparo”: Na parte em que o Pedro e o Nico vão avisar ao Blu que a Jade foi seqüestrada, quase no final, e eles ficam imitando a cacatua: “Aí ele chegou e ficou falando: ‘Fica quieta, princesa! Perdeu, princesa!’”, #eurisozinha! Às vezes eu acho que eles fazem essas coisas só pra pessoas como eu ficarem reparando, ou então para eles poderem adicionar alguma coisa na lista de curiosidades do filme no IMDb.
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sábado, 23 de abril de 2011

Bolsonaro, blablablá e um pouquinho de matemática

Opa, voltei! Queria deixar uma réplica lá nos comentários mesmo pra acabar de vez com esse assunto, mas quando comecei a minha argumentação, o texto foi ficando comprido e legal demais pra ficar restrito à caixa de comentários.

Antes de tudo, gostaria de parabenizar os leitores por protagonizarem um debate civilizado e bonito pra caramba aqui na semana passada. Vocês são a prova de que existe vida inteligente na blogosfera, e que não só de trollagem vive a internet. E já que o juridiquês tomou conta e espantou a galera das exatas, enquanto escrevia, sem querer apelei para as metáforas matemáticas.

Pois bem, no post anterior, deixei um monte de perguntas e joguei pra galera mesmo, pra vocês se degladiarem lá na caixa de comentários. E olha só que engraçado, eu, que sempre achei as aulas de filosofia a maior bobagem no colégio e que falava que estudar Direito devia ser muito chato, estava aqui puxando uma discussão pautada em filosofia e legislação. Devo confessar até que fiquei com a maior vontade de cursar Direito ou de pelo menos assistir uma aula dessas assim, num estilo debate, igual àquela aula que a Rory invade enquanto visita Harvard, agora. Mas tinha que ser com objetivo igual estávamos fazendo aqui. Não gostava das aulas do colégio porque nunca se chegava a lugar nenhum.

E ao contrário do que eu também achei que ia acontecer por aqui, até que chegamos a algum lugar, sim. Pode não ser o lugar final, mas certamente já é um outro lugar mais à frente daquele cheios de pontos de interrogações do início (agora já um pouco menos de interrogações do que antes). O que corrobora ainda mais a citação do comercial do Futura muito bem lembrada pela Fê, de que “não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas”.

Pois então, a Annie veio aqui e me provou por absurdo que liberdade tem limite, sim! E por mais paradoxal que seja, esses limites não são aquilo que nos tornam menos livres, como eu pensava, mas justamente o contrário! (Depois vocês catam o comentário dela pra ver que argumentação bonita de cair o queixo).

Coexistência só existe através do pacto “Você faz o que quiser com a sua vida, que eu faço o que quiser da minha”. Só que a vida em sociedade não deixa que isso sempre ocorra, porque às vezes o que você quer vai de encontro àquilo que eu quero.

Fisicamente falando, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Aritimeticamente falando, o único subconjunto que faz parte de todos os outros é o vazio. E a menos que você tenha alguma coisa dentro, não dá pra concordar com tudo. Não dá pra ficar em cima do muro e aceitar o que os outros pensam sempre.

(Aliás, eu posso até aceitar a pessoa, mas não seus atos, como muito bem colocou a Cíntia. Até porque Jesus mandou amar - e ama - os pecadores, mas não seus pecados. O que, no fundo, é a Regra Número Um da política da coexistência e da boa vizinhança.)

Mas e agora, se eu quero A e você quer B, e os conjuntos são mutuamente exclusivos, comofaz? Aí eu acho que entra a política e o jurídico pra decidir o que é certo e o que é errado.

Então, sim, a liberdade tem limites, e sim, é claro que existe certo e errado! É claro que existe!

Posso não concordar com uma palavra que tu dizes, mas defenderei até o fim o direito de dizê-las (Voltaire)  

Será?

A gente até tenta levar essa filosofia hippie de convivência em harmonia a maior parte do tempo porque, imagina só se todo mundo resolve ficar ofendido só porque o outro pensa diferente de você, mas tem certas coisas que É CLARO que causam indignação, porque obviamente estão do lado considerado errado. São coisas que não dá pra aceitar. São intoleráveis mesmo. Quer exemplo? Pedofilia. Racismo. Violência. Assédio Sexual.

Aparece na TV defendendo alguma dessas coisas pra você ver o que acontece contigo.

O problema está em quando todos os assuntos, seguindo o raciocínio da regra da exceção da Annie, se tornam intoleráveis por causa da tolerância. Claro, todo mundo tem o direito de “falar o que quiser”, contanto que arque com as conseqüências depois, porque eu também tenho o direito de me sentir ofendida e apelar pra justiça para que você seja punido.

(E, pois é, tolerância tem limite também!)

E a-há, aqui a porca torce o rabo de novo porque esses conceitos do que é tolerável ou não MUDAM de acordo com o que a justiça determinar! Pois é, o Direito muda, porque, adivinha só, a sociedade TAMBÉM muda! E aí a gente entra num loop infinito porque o Direito muda para acompanhar a sociedade, ao mesmo tempo em que a sociedade muda para acompanhar o Direito. (Isso falando em justiça dos homens. Porque na justiça de Deus, o papo é bem outro)

O lance está realmente na parte de ser punido, porque a justiça, dependendo do caso, também está do lado da opinião pública (essa mesma que muda de acordo com o vento ou com a novela na TV). E qualquer coisinha pode ser considerada racismo, preconceito, ou a palavrinha da moda: homofobia. Ao mesmo tempo em que outras, não pertencentes ao grupinho dos intocáveis, permanecem incólumes por aí.

E então, finalmente, voltamos ao Bolsonaro. Há um projeto de lei para que se aprove (acho até que já foi aprovado) um kit de combate à homofobia nas escolas. Assunto MEGA polêmico. Só porque o cara se manifestou contra o projeto tem que ser linchado? Eu acho que não. Afinal de contas, é pra isso que serve a democracia. Existem aqueles que são a favor, existem aqueles que são contra. A gente vota e decide! Agora, ele perde a razão por causa da maneira como se manifesta. Como já foi amplamente discutido aqui na semana passada, e eu claramente me posicionei contra seus argumentos infundados.

E realmente, tudo depende do modo como você se expressar. Eu mesma vim aqui semana passada e explanei por que sou contra as cotas, sem ofender ninguém. Mas quando você está lidando com esses temas intocáveis, não é a mesma coisa que discutir se você gosta de Crepúsculo ou não. E, como eu disse, qualquer deslize que for, já é motivo para que a outra parte se sinta ofendida. E mesmo que você não diga nada ou nada de mais, mesmo assim ainda é capaz de a pessoa se sentir ofendida! É a parte chata do politicamente correto. Todo mundo SEMPRE vai se sentir ofendido com tudo. Mas, fazer o quê? Nem todo sistema é perfeito, né?

Mas, é exatamente por isso que ninguém discute o tal projeto na TV! Discutimos muitas coisas interessantes aqui a partir do caso Bolsonaro (o assunto foi fundo, foi parar na filosofia até), mas em nenhum momento você ouve falar de um debate se você é a favor ou contra o tal kit, e até que ponto o governo  tem o direito de meter o bedelho na educação dos nossos filhos. Porque qualquer argumento utilizado pode ser usado contra você.

E se a tolerância tem limite, a intolerância também tem! E do mesmo jeito que a gente discutiu com a liberdade, é justamente a falta de tolerância que permite que a tolerância exista e vice-versa, e quem define que limite é esse é a justiça e... (loop infinito de novo).

Resumindo: Lindsay Lohan estava errada. O limite existe, sim. Está na liberdade. E está na tolerância. E ele existe para que elas mesmas possam existir. Qual é o limite? Isso aí é com a justiça. Seja ela qual for.

Obs. Fui um pouco mais atrevida nesse post, e me aventurei a divagar um pouquinho até pelo Direito, que não é minha praia. Tive algumas aulinhas de Introdução ao Direito na faculdade (faço Contabilidade – uma ciência que tem um pouquinho das exatas e um pouquinho das humanas - e se você quiser trocar de faculdade mesmo, Fê, acho o curso uma boa pedida), mas não era nada excepcional e minha professora mais faltava do que ia, então... sou leiga mesmo. Se eu falei alguma coisa muito errada, a galera do Direito pode falar, que eu não vou ficar ofendida, não, ok?
Obs2. Annie e Marcus, mas é claro que em casos de guerra todo o ordenamento jurídico se altera! Até eu sei disso, rs! (Sei porque tem algo do tipo na exceção ao princípio da legalidade do Direito Tributário, e essa matéria aí eu aprendi direitinho :-))
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sábado, 16 de abril de 2011

Bolsonaro, opinião e intolerância

Se você não for um completo alienado, tenho certeza de que pelo menos ouviu falar da polêmica envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro nesse mês de abril. O deputado, no quadro “O Povo Quer Saber” do programa CQC, deu uma série de declarações que, no mínimo, careceram de um bocadinho mais de sabedoria, e acabaram resultando em acusações de racismo e homofobia.

Algumas delas por problemas de interpretação da pergunta, outras por interpretação da resposta, algumas outras porque, bom, pois é, o Bolsonaro é um idiota e fala demais.

O caso
Para começar, o deputado tem posições altamente questionáveis como a defesa da ditadura, simpatia pelo nazimo, etc, mas nem tuuuuudo o que ele falou no programa foi sem embasamento. O negócio todo é que ele passou dos limites, e não prestou atenção no que estava dizendo.

Na pergunta sobre se ele era a favor do sistema de cotas (uma questão polêmica que geralmente evoca discussões acaloradas), por exemplo, ele estava respondendo muito bem ao citar a Constituição, dizer que todos somos iguais perante à lei e que achava algo injusto um sistema que beneficia as pessoas só por causa da cor. Até aí eu estava concordando com ele até.

Sou contra as cotas também porque as acho injustas. Vi amigos meus ficarem reprovados no vestibular com notas duas vezes maior do que cotistas aprovados. Fora o problema de decidir quem é negro e quem não é, nesse país cheio de miscigenação. Outro dia passou no Fantástico o menino branco, passou no vestibular usando do sistema alegando que a AVÓ era negra. Ora, bolas, se é assim, eu sou negra também! Meu avô materno também era negro!

Só que aí ele pôs tudo a perder ao complementar que não aceitaria ser operado por um médico cotista. O deputado quis parecer racional, mas esse argumento não tem qualquer validade, uma vez que, a partir do momento em que o aluno cotista passa no vestibular, recebe A MESMA EDUCAÇÃO do cara que passou sem cotas. Foi pra isso, inclusive, que elas foram feitas. Não é porque o cara passa no vestibular com uma nota menor que signifique que ele é incapaz. Também tenho amigos na faculdade que são cotistas e são MUITO MAIS ESTUDIOSOS e tiram NOTAS MUITO MELHORES do que aqueles que entraram sem cota, e vão se formar COM HONRAS!

Dizer que não aceita ser operado por um cara que tirou uma nota inferior no vestibular (aí você pode incluir o cotista, o cara que passou em último lugar, o outro que passou na reclassificação...) é o mesmo que dizer que quem estava nas primeiras posições antes de entrar na faculdade foi um aluno melhor durante todo o curso. O que todo mundo sabe, não necessariamente é verdade. O vestibular é só um método de selecionar quem vai ENTRAR na faculdade. Se é justo ou não, aí já é outra discussão. Agora, quem vai SAIR um melhor profissional de lá não tem nada a ver com a prova feita 4, 5, 6 anos antes.

(Opinião pessoal: Sim, em parte acho o vestibular meio besta, pois é uma prova que vai testar um monte de conhecimentos que depois que passa o exame, todo mundo esquece. Mas também é extremamente eficaz porque é um sistema por mérito. A única coisa que se precisa ter é a nota. Simples assim. A prova não te olha com preconceito e ninguém precisa fazer doação pra faculdade, ter amigos na reitoria, parente político, etc. Não é um sistema perfeito, mas funciona).

Resumo: Falou demais, foi infeliz na resposta e ficou parecendo racismo.

Aí teve a outra pergunta da Preta Gil também. Logo que ele ouviu que era ela quem ia falar, deu uma risadinha. Ela perguntou “O que você faria se o seu filho se apaixonasse por uma negra?”, ou coisa parecida. E o IDIOTA respondeu algo totalmente NADA A VER! Chamou a Preta Gil de promíscua entre outras coisas GRATUITAMENTE. Ao meu ver, ele entendeu “O que você faria se o seu filho se apaixonasse por uma negra como eu?”. Quer dizer, o cara estava TÃO PREOCUPADO em esculachar com a mulher que nem esquentou em prestar atenção no que ela estava perguntando*. Resultado: ficou parecendo racismo de novo. Só que, se no caso anterior foi um exemplo de ignorância, nesse ele pagou a língua por querer desmerecer os outros. Também não acho que a Preta Gil seja santa, mas isso também não me dá o direito de sair por aí xingando ela em rede nacional. É, NO MÍNIMO, falta de educação. E, NO MÍNIMO, está merecendo todos os processos que está levando!
* Esse tipo de coisa acontece. Uma vez a Jami estava perguntando pra Fe se ela achava o Leonardo DiCaprio bonito, e a Fe ficava repetindo, e repetindo que A Praia era um filme muito ruim. Demorou um tempão até que a gente arrancasse um simples Sim ou Não dela.

E aí teve a pergunta do filho gay também. O deputado podia dizer que não ia gostar, mas que ia respeitar; que não concordaria com a opção do filho, mas que nem por isso todo homossexual é digno de repúdia... Mas não. Preferiu falar a primeira coisa que veio à mente. Dar a resposta mais estúpida possível. Porque todo mundo sabe que por mais bem educado que seja um filho, nunca é garantia de que ele vai seguir tudo o que você ensinou.


Criando polêmica

Ao contrário do nosso deputado, ao escrever esse post, estou prestando bastante atenção às palavras para que não haja problemas de interpretação ou acusações posteriores. Sei que os assuntos são complicados e que estou pisando em ovos aqui, e aí qualquer “movimento brusco” pode ser fatal, mas... vamos colocar um pouco mais de lenha na fogueira.

Acho que já ficou bem claro aqui que eu achei que as declarações do Bolsonaro não foram nada bonitas e que o cara não teve nem um pouco de sabedoria e responsabilidade com suas palavras. Mas em algumas partes da entrevista, o deputado só estava expressando a sua opinião, e em outros, como disse, foi completamente estúpido e passou dos limites. E aí é que o bicho pega. Que limites são esses?

Até que ponto o que o cara falou foi opinião? A partir de quando virou intolerância? Será que essa tendência de ficar sempre em cima do muro não está incapacitando as pessoas de formarem suas próprias opiniões? Será que não é permitido pensar diferente da maioria? Isso não é censura também? E se o problema não for pensar, mas falar?

Aí, até que ponto a gente tem que se calar pra não criar confusão? Porque é que aqueles que têm uma opinião diferente da geralmente aceita têm que ficar quietos sempre e achar bonito tudo o que os outros acham?

Esse discurso de tolerância é a maior furada, né? Porque se tudo é uma questão de opinião, por que se perde tanto tempo discutindo o que é certo e o que é errado? Se existe certo e errado, então nem tuuudo é questão de opinião, não é? Porque na realidade é assim, né, quando concordam comigo, está certo, quando não, está errado.

Que apoio à diversidade é esse em que homossexualismo é opção e virgindade é caretice? Por que “100% negro” é bacana e “100% branco” é racismo? Por que se comemora o Dia da Mulher e não tem o Dia do Homem? Aliás, por que é que todo mundo tem que ficar ofendido com tudo? Por que tudo tem que ser tão intocável? Será que essa tolerância toda não está virando intolerância a tudo também?

E a liberdade de expressão? Aliás, até que ponto a liberdade de expressão se justifica? Mas, se existe limite para a liberdade, então ela não é mais liberdade, certo?

E o que é que eu vou fazer com essa tal liberdade, se estou na solidão, pensando em você? (rs! Só pra contrariar, digo, pra descontrair um pouco).

São perguntas difíceis, que eu sinceramente não tenho a resposta. Peço ajuda aos universitários, ao pessoal que estuda/estudou Direito, à galera que teve aula de Filosofia e Sociologia, e a você, leitor não estudioso das ciências sociais como eu, para dar o seu pitaco. Só peço atenção às palavras porque, se vocês falarem alguma besteira, depois a culpa cai pra cima de mim, que administro o blog.

É bem provável que a gente também não chegue um denominador comum (como já diria o Sheldon, de The Big Bang Theory: “Os estudos das ciências sociais muitas vezes são inconclusivos”.* Mas, acho que nesse tipo de coisa, mais vale o debate do que a resposta final, não é?
*Esse episódio é ótiimo! Ele constrói um algoritmo da amizade que entra em loop infinito! Sensacional!
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sábado, 9 de abril de 2011

Juliet, Nua e Crua

Quando eu terminei de ler Alta Fidelidade, fiquei me perguntando como seria a relação do Rob Flemming com a música em tempos de MP3. A resposta para minhas divagações/dúvidas veio com o lançamento de Juliet, Nua e Crua – o livro.

Nick Hornby retoma o assunto que o tornou famoso e adiciona a internet no meio (com direito a Wikipédia, email, fóruns de discussão e MP3*), atualizando o perfil dos aficionados e retratando com exatidão o comportamento dos fãs na grande rede.
*Ao contrário do que eu – e metade do mundo – pensava, tio Nick dá a entender que, apesar de ser um apreciador do vinil, sente um imenso prazer ao ver as faixas ganharem nomes automaticamente quando coloca um CD no player do computador e mais prazer ainda em organizar e nomeá-las quando isso não acontece.

E tem fã para todos os tipos. Estão lá: o fã-nático (que faz tour por lugares importantes na carreira do ídolo), o Stevie Wonder (que não consegue enxergar que a obra talvez não seja tão perfeita assim), o xiita (que encontra o texto na internet por acaso e arruma confusão), o Sherlock (que se considera estudioso e inventa teorias conspiratórias), o Seguidor (que pede pra tirar foto e depois ainda sobe pra internet), o novato, etc. Acho que só não teve fã-#hashtag porque o livro foi escrito numa era pré-sucesso-do-Twitter.

Duncan é um fã-nático/Stevie Wonder/Xiita/Sherlock e é dono de um site especializado no roqueiro Tucker Crowe. Em tempos mais remotos, o fã de um músico semi-famoso que abandonou a carreira há 20 anos sem dar explicação seria somente mais um admirador isolado pensando que só ele no mundo conhecia o trabalho de Tucker. Mas com a Internet (ah, a Internet!), de repente, ninguém está mais sozinho e esse punhado de aficionados sem noção espalhados pelo mundo afora pode se encontrar e debater e fazer amizades e inventar teorias malucas nos fóruns de discussão!

Não precisa nem dizer que eu me identifiquei totalmente com o Duncan. Viciada em fóruns que sou, conheço algumas teorias conspiratórias – e dependendo do assunto, até crio as minhas também -, já fiz planos mirabolantes desse tipo de tour (me falta o dinheiro, mas um dia eu ainda faço a minha excursão por NY – com direito a plantão no Central Park*) e vejo o povo sedento por lançamentos de novos materiais, mesmo que seja com conteúdo de coisas velhas. Também fico angustiada, louca para comentar alguma obra com alguém, e procurando mensagens subliminares nas coisas de que gosto.
*Agora não precisa mais de plantão no Central Park, né? *-*

É claro que todo esse fanatismo começa a incomodar Annie, a esposa de Duncan, que até gosta do álbum mais famoso e reverenciado de Tucker, Juliet*, mas depois de 15 anos, o relacionamento começa a dar sinais de desgaste.
* Eu sei que os estilos não têm nada a ver, mas lembrei da Jane, que deu goodbye pro Adam e  inspirou o 1º álbum do Maroon 5, Songs About Jane. #prontofalei.

A gota d’água acontece quando uma cópia de um novo álbum com versões inacabadas das canções de Juliet, intitulado Juliet, Nua e Crua, chega à caixa de correios do casal como cortesia da gravadora* (pois é, o Duncan também tinha parceria. E está aí mais uma prova de que elas não são de Deus). Annie, só de provocação, ouve o CD primeiro. E o pior de tudo: diz que não gostou!
*Um belo golpe da gravadora, diga-se de passagem, mas que para os fãs, isso não faz a menor diferença.

Duncan, obcecado que é, acha aquilo um absurdo. Como ela pôde ouvir antes? Como ela teve a AUDÁCIA de criticar essa nova obra-prima de seu ídolo Tucker Crowe? E após escutar o álbum por uma única vez, extasiado pela sensação de possuir o privilégio de ouvir aquela raridade antes de todo mundo, escreve uma resenha apaixonada – dizendo que a nova versão chega a superar inclusive o seu álbum favorito de todos os tempos, Juliet original (que depois de Nua e Crua, virou simplesmente Um, pros íntimos) - e publica na internet para delírio e inveja do resto da comunidade Tuckermaníaca.

Annie, revoltada, também escreve a sua – bem mais racional – e coloca na grande rede. O que ela não esperava era que fosse receber uma resposta de ninguém menos do que o próprio Tucker, que assina embaixo de tudo o que ela falou! (Olha aí a Internet fazendo a diferença de novo!).

O resto eu não posso contar, porque senão a leitura fica sem graça. Mas posso adiantar que o estilo Hornibyniano está de volta com os sorrisos de canto de boca e seus personagens imperfeitos e ainda assim carismáticos (destaque para os dançarinos da boate sem noção e o psiquiatra excêntrico), aliados às reflexões sobre a vida, relacionamentos e família.

Contudo, é interessante notar que apesar da tecnologia ter papel quase que fundamental no desenvolvimento na trama, Juliet, Nua e Crua é um livro sobre personagens que ficaram presos ao passado. Todos os três protagonistas sentem-se, de certo modo, tendo desperdiçado boa parte de suas vidas. A cidade pacata onde moram Annie e Duncan parece ter parado no tempo e é o exemplo perfeito da ausência de progresso. E a protagonista, inclusive, trabalha num museu (uma ótima sacada do Tio Nick!).

Juliet, Nua e Crua tem um certo quê de comedia romântica, mas sem o final arrebatador (e eu nem senti falta disso). Porque, tal qual Alta Fidelidade, antes de tudo, ele é um livro sobre a relação das pessoas com a música, a relação das pessoas umas com as outras, e a relação das pessoas umas com as outras quando a música E a internet (a novidade de Juliet sobre seu "antecessor") estão no meio.

Certamente é uma leitura obrigatória para quem é fã, principalmente para aqueles que às vezes se esquecem que seus ídolos não são unanimidade, ao mostrar que, da mesma forma que essas criaturas obcecadas - apesar de não parecer- também têm vida (igual a todo mundo), aqueles os quais tanto admiramos também só são mais alguém tentando encontrar a sua própria estrada pra trilhar.

E em tempos de Internet, onde estamos todos navegando no mesmo barco tripulado por gente de todos os tipos e gostos, Hornby não poderia ser tão certeiro.

PS1. Olha só que legal que eu acabei de achar. Isso porque foi sem querer. Porque quando o fã obcecado quer, ele descobre muito mais...
PS2. Chega a ser engraçado ver o verbete de Juliet, Naked - o livro - na Wiki, depois de ter lido o de Juliet, Naked - o disco - no livro.
PS3. Próxima parada: Um Grande Garoto!

Edit: Comentei ali sobre a semelhança de Juliet e Jane, certo? 1 ano depois da resenha, o M5 lançou uma versão comemorativa de 10 anos do Songs About Jane, no estilo Juliet Nua e Crua. Sou profeta! Agora imagina que louco a namorada de um fã do Maroon 5 escrever uma resenha falando mal do "novo" álbum e acabar tendo um caso com o Adam Levine?
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quinta-feira, 31 de março de 2011

Annemaniacs - parte final

Quando a mulher falou: “Então eu acho que vocês vão conhecê-la”, a minha vontade foi de pular de alegria e gritar histericamente: “NÃO ACREDITOOOOOOOO!!!!”. Mas até que todo mundo conseguiu manter a compostura. O coração acelerou demaaaaaaais na hora.

Adentramos o hotel devagarinho, ainda sem acreditar que aquilo tudo estava acontecendo. A mulher perguntou nossos nomes e logo vimos uma cabecinha com um chapeuzinho sentada de costas. Era ELAAAAA!

A mulher pediu pra gente largar as coisas no sofá e apresentou a gente pra Anne: “This is Patrícia, Jabille e Elisa...” (abafa que ela errou o nome da Jami, mas nessa hora estava valendo tudo) e aí a Anne se virou olhando pra gente. Pra gente!

A Patrícia saiu falando “I love you so much” (eu não falei nada, porque ainda estava em estado de choque, tentando conter a minha vontade de sair gritando pelo recinto) e então a Anne fez a coisa mais legal de todas: “Vocês precisam de um abraço!”

E ABRAÇOU a gente!   *-*  *-*  *-*

E não foi qualquer abraço. Foi um abraço gostoso, apertado, demorado, caloroso (o corpo dela estava até meio quente!) e com direito até àquela balançadinha. Sério, foi um abraço muito bom! Gente, eu morri e fui pro céu nessa hora, sem brincadeira.

Ela, toda preocupada, explicou que tinha visto a gente lá do lado de fora, mas que não dava pra parar o carro por causa dos paparazzis, então tinha pedido pra gente entrar, e logo depois, perguntou como a gente estava. A felicidade era tão grande, que tudo que ela dizia eu ficava só rindo e concordando e observando pra ter certeza que era verdade mesmo. A minha perna tremia desesperadamente. O cérebro já não conseguia processar mais nada. Quando ela perguntou como a gente estava, tudo que eu consegui dizer foi ‘Waiting... Tired...”.

A assessora dela nos perguntou se falávamos inglês e a Patrícia respondeu que estava entendendo tudo o que ela dizia, mas não conseguia falar quando ela estava nervosa. A mulher traduziu isso pra Anne. Eu só fazia que sim, mais ou menos com a cabeça. Nem “Yeah” estava saindo direito.

Eu perguntei se ela podia assinar umas coisas, o que ela se prontificou totalmente em fazer. Aí a Anne foi lá e assinou os nossos DVDs (todo mundo levou o do Diário. Não só foi o primeiro filme que a gente viu dela, como foi o primeiro que ela fez – ou pelo menos o primeiro que saiu para o grande público. E como ela mesma disse uma vez: “O Diário da Princesa é um clássico”), com a maior atenção.

Detalhe pro coraçãozinho do autógrafo. Coraçãozinho = Muito amor.

E então a Patrícia perguntou quando ela ia embora e eu nem ouvi a resposta porque aí a Jamille se lembrou da foto do gengibre e me perguntou se a gente ia mostrar pra ela. Aí eu falei: “Claro!”.

[Pausa para explicação da Foto do Gengibre: Eu e Jamille, quando estamos vendo as fotos da Anne, gostamos de ficar comentando e teorizando e nos divertindo com cada detalhe delas. A gente gosta das fotos em que ela está arrumada e bonita também. Mas pra esse tipo de coisa, as melhores fotos são aquelas espontâneas. A do gengibre é uma delas. Aliás, é a melhor delas. Porque ela aparece numa mercearia comum e SE ESTRAGANDO DE RIR com um gengibre na mão. Pra começar, a risada da Anne é contagiante, e a gente também SE ESTRAGA de rir só de olhar pra essa foto. E por isso mesmo, SEMPRE se perguntou o que é que tinha de tão engraçado naquele dia pra ela estar rindo daquele jeito. Teve uma vez até que fizemos um ensaio fotográfico imitando a foto de tanto que a gente gosta dela. E a gente sempre disse que, se um dia encontrasse com a Anne, ia perguntar do que ela estava rindo naquela foto. Sério, é um negócio que a gente sempre quis saber. Porque qualquer jornalista do mundo pode questionar como foi apresentar o Oscar, ou como foi contracenar com a Meryl Streep ou se ela gosta de moda. Agora do que ela estava rindo na foto do gengibre, isso aí, só a gente NO MUNDO podia (e queria) perguntar.]

Pois então, a Jamille me deu o envelope com a fatídica foto e lá fui eu, cheia de vergonha e morrendo de nervosismo, fazer a pergunta que não queria calar. “I wanted to know... what’s... the reason... why... you were... laughing... so hard... in this picture” (assim pausadinho e gaguejado mesmo) Incrivelmente ela entendeu de primeira e eu nem tive que repetir! (o que seria um martírio, diga-se de passagem) Ela olhou pra foto, analisou.... (e nem fez cara de tipo: “Por que é que essa maluca quer tanto saber isso?”, ela respondeu a pergunta a sério mesmo!) e falou que se lembrava daquele dia, mas não conseguia se lembrar do que ela estava rindo, que era alguma coisa que ela tinha dito, mas que não se lembrava mesmo (e ela estava fazendo cara de que realmente estava tentando lembrar!!!).

A assessora ficou interessada em que raio de foto era aquela e aí a Anne teve que explicar que era uma foto que tinha saído e tal, mas que ela não se lembrava do que ela estava rindo no dia. Pensei: “Poxa vida, acho que vamos ficar com essa dúvida pra sempre agora”. Mas não perdi a oportunidade de pedir pra ela assinar a foto: “Could you sign...the picture?”. Aí ela foi lá e escreveu: “That’s so funny” e autografou embaixo.

:D :D :D 
Demais, né não?

Eu perguntei se ela estava gostando do Rio (consegui balbuciar em um bom inglês até nessa hora: “Are you enjoying Rio?”) e ela respondeu que estava adorando, que tinha acabado de voltar do Cristo e perguntou se a gente já tinha ido lá. Eu lá fazendo cara de boba só concordando, ainda fui capaz de responder num tom legal: “I’ve never been to Cristo”, como quem puxa papo. Aí ela falou que a gente devia ir (alô, a pessoa está há 3 dias no Rio e vem dar conselho pra mim que mora aqui a vida toda? Mas, tudo bem, Anne, se ser carioca também é um estado de espírito, você realmente já é nativa, rs!) e eu tive vontade de falar: “Pois é, eu sou uma carioca de araque”, mas não arranjei expressão de significado semelhante, de modo que voltei só a rir e concordar bestamente. A Patrícia então perguntou se ela tinha ido ao Pão de Açúcar (essa foi em inglês, hein, Pathy, eu ouvi :P) e ela respondeu alguma coisa que ninguém mais lembra, mas provavelmente foi que não tinha dado tempo. (No Pão de Açúcar eu fui, não sou tão de araque assim. Mas também não consegui falar isso na hora).

A Patrícia perguntou se a gente podia tirar umas fotos e então, nós fomos tirar as fotos. As outras câmeras já estavam posicionadas e eu fui pegar a minha (quem mandou ficar perguntando curiosidade?). A Anne perguntou se a gente não podia mandar as fotos pro email uma das outras, por causa da hora (ela apontou pro relógio), porque ela tinha que arrumar a mala. Eu disse que tudo bem, mas aí a Anne ficou preocupada de a gente não ter o email umas das outras e perguntou se nós éramos todas amigas. Todo mundo tentou responder num inglês sofrível e gaguejado (Pathy: “They were, but we met in the Premiere”, Eu: “Yep...Yep, Yep” – e apontando pras pessoas), mas que no fim eles entenderam que éramos sim todas amigas, eu e Jami já éramos amigas há mais tempo e a Pathy a gente conheceu na premiere (mas que parecia que a gente já conhecia há bem mais tempo – essa última parte entre parênteses não ia sair lá na hora nem por um decreto).

E lá fomos nós fazer pose para a foto. O Adam estava com uma máquina e a assessora com a outra. (Ah, sim, o Adam não falou uma palavra, mas estava com a maior cara de orgulhoso da namorada o tempo todo. Muito fofo! Fiquei fã de verdade. Vou torcer pra ele conseguir uns papéis melhores a partir de agora.) A assessora falou: “Cheeese!” e os dois bateram ao mesmo tempo. Aí a Anne falou: “Tira outra que eu não estava olhando pra essa câmera”. (fofíssimaaaa!) E então eles foram e tiraram mais uma.

Eu fico olhando pra essa foto e não ainda não acredito que no meio tem a Anne e do outro lado tem... EU!

Na hora de ir embora, ela abraçou todo mundo de novo (o mesmo abraço gostoso do início) e se despediu.

A gente saiu pela rua feliz da vida, pulando, gritando, ainda sem acreditar que aquilo tudo tinha acontecido. Eu não conseguia nem falar nada ainda. Ainda estava no modo “sorrindo e concordando com tudo”. A gente não se cansava de ficar repassando o ocorrido e, durante pelo menos umas 20 horas, eu não conseguia parar de sorrir (não é força de expressão, eu fiquei igual a uma boba alegre um tempão de verdade). Nada mais tirava o meu bom humor. Nada mesmo! Voltamos pra casa rindo à toa e cantando loucamente músicas que remetiam aos filmes que a Anne tinha feito. Não estávamos mais nem aí para o que o resto do mundo estava pensando. Se eles tivessem vivido o que a gente tinha vivido, também estariam assim. Em êxtase total!

Não dava pra acreditar que aquilo tudo tinha sido real. Quando tudo isso começou, tudo o que eu esperava era um tchauzinho de longe e já me dava por satisfeita. Só não digo que não imaginava algo desse tipo nem em sonho, porque, tipo, eu já sonhei sim(era a premiere do Agente 86, lá no BarraShopping, aí eu conseguia, de alguma forma conversar com ela e assinar alguma coisa). Mas pensar que ela fosse mandar chamar a gente lá fora e ter um encontro particular assim sem ninguém perturbando de verdade, e que ela ainda ia abraçar e conversar com a gente do jeito que foi? Isso aí nem passava pela minha cabeça! (Na verdade, devia passar, porque depois, no dia seguinte, eu me lembrei de uma história que ela tinha comprado pizza pra uns fãs que ficaram esperando no final de uma peça dela lá em NY, algo assim. Fala sério, mais fofa que isso não tem!)

O mais engraçado que na terça-feira que tinha tudo pra dar certo, deu errado. E na sexta, que tinha tudo pra dar errado, deu certo. Foi um negócio de Deus mesmo. Ela ter se hospedado no Fasano (que é menorzinho) e não no Palace (que tem uma porção de entradas), ter saído de manhã pro Alemão justamente na sexta-feira (o que garantiria que ela ia ter que voltar e passar pela porta do hotel), ter voltado só depois que eu cheguei, depois ter CHAMADO a gente pra entrar e tratado a gente com uma simpatia absurda. Se antes eu já gostava dela, agora então, nem se fala.

Ela aparentava estar meio cansada, afinal, havia passado o dia todo na rua, mas nem por isso deixou de tratar a gente com atenção e respeito. Pensei que em algum momento ela fosse soltar uma piadinha pra quebrar o gelo (como ela sempre faz), mas o que a gente viu foi uma pessoa muito serena, gentil, tímida e atenciosa.

Achei-a muito mais parecida com a Anne que supostamente derrubou a cadeira sem querer no teste pra fazer a Mia – supostamente, porque diz ela que essa história é lenda e que não sabe de onde é que ela surgiu. Eu sei, Anne. Vai reclamar com o Garry que colocou isso no DVD! – do que com essa Anne descontraída que aparece nas entrevistas fazendo caras e bocas ou glamourosa que usa Valentino.

É uma menina, que está levando a vida assim igual a todo mundo. E que por acaso é mundialmente famosa por causa do seu trabalho (que aliás, ela curte pra caramba). Anne está nessa não para aparecer nos jornais, mas porque realmente gosta que faz (e entende que as coisas não tão legais assim fazem parte do pacote, diferente de outras celebridades que só fazem morder o lábio em cena). Já pensou se todo mundo fizesse o seu trabalho com gosto e tratasse todo mundo com educação desse jeito?

E Anne entende o fã porque também deve ter seus ‘momentos tiete’. Depois vocês dão uma olhada no que ela falou quando encontrou com a Meryl Streep (está na minha lista das declarações bizonhas de Anne Hathaway). Mas, antes de ser artista, ela é uma atriz, e antes de ser atriz – muito talentosa, por sinal - , ela é... uma menina querendo ser feliz (ela parece uns 5 anos mais nova pessoalmente). Branquinha, traços delicados, sem maquiagem, tererê no cabelo... Até o tom de voz era diferente, uma oitava abaixo do que a gente está acostumada a ouvir.

E eu gostei de ter conhecido essa Anne de detrás das câmeras. Gostei de ver pessoalmente que ela é simples e não tem nada de estrela, sabe? Senti que ela mesma se considera uma pessoa normal, apesar de entender o papel dela como atriz de ter de dar entrevistas e passar pelo tapete vermelho e tal (e gostar disso). Se ficasse mais um pouco, dava até pra rolar uma amizade (haha). Mas isso a gente deixa pra próxima vez...
 

Lições aprendidas com a saga da Anne no Brasil
- Nunca diga nunca.
- Não desista dos seus sonhos.
- Se uma coisa tem chance de dar errado, mas tem, pelo menos, uma mínima chance de dar certo também, arrisque. O máximo que vai acontecer é... dar errado. Mas se você não tentar, nunca vai saber se o que poderia ter acontecido. Vai que a sua atriz favorita te chama pra entrar num hotel 5 estrelas, e você consegue conversar com ela, tirar foto e abraçá-la (duas vezes)?
- Definitivamente, milagres acontecem quando você acredita.

Agradecimentos

A Deus, que orquestrou todos esses momentos, guardando o melhor para o final e fazendo até o sol sair pra gente e pra Anne.
À FoxFilms, que não respondeu meus emails e organizou aquela premiere furada. Se não fossem vocês, eu não ia cometer essa loucura de sexta e nada disso teria acontecido. Valeu, Fox!
À Jamille e à Patrícia, que descobriram altas paradas, e foram ótimas companhias de espera.
À Olivia, que nos emprestou a casa na terça-feira. Sem você a gente ia dormir na rua (mentira, a gente ia voltar pra casa, mas foi bem mais prático ir pra casa dela ali pertinho).
Ao guardinha que nos mostrou o caminho do ônibus.
Ao Gabriel Simas, que não mentiu pras meninas e foi muito útil no Twitter (aliás, acho que o Twitter nunca foi tão útil como sexta-feira). Mas também, o Gabe é fã do Jamie Cullum (acho), tinha que ser gente boa, rs!
Ao Adam, que mesmo sem falar uma palavra conquistou meu coração. Quem falar que a Anne tem que ficar com Jake Gyllenahal agora vai se ver comigo, rs!
E é claro, à Anne Hathaway, que mostrou que na vida real também é uma princesa, não só pela educação, preocupação e simpatia, mas porque, naquele dia, fez 3 meninas felizes para sempre.
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terça-feira, 29 de março de 2011

Annemaniacs - parte 2

Eu sempre achei essas pessoas que fazem plantão em aeroporto e porta de hotel um bando de desocupados. Perder o seu dia em pé, com sede, fome e vontade de ir ao banheiro e no final ainda correr o risco de a pessoa que você quer ver sair pelos fundos é muita maluquice. Prometi a mim mesma que NUNCA faria isso na minha vida. “Eu sou meio pirada, mas tenho dignidade”, dizia eu.

Só que aí na quarta à noite, a Jami me liga dizendo que a Anne talvez ainda estivesse no Rio e que ia ficar até sexta ou sábado (graças a Patrícia e seus 1001 contatos, que descobriu essa história toda).

Jami: Elisa, a gente tem que ir pra porta do Fasano!
Eu: Ai, nãããão!
Jami: A gente só tem que confirmar se eles ainda estão aqui. Se estiverem, a gente vai pra lá na sexta.
Eu: Ai, meu Deus! Jamille, eu jurei pra mim mesma que NUNCA ia fazer isso. Hoje mesmo eu almocei com a Marcelle e falei que isso era coisa de gente desocupada.
Jami: Eu também acho isso tudo, Elisa. Mas é o único jeito.
Eu: Ai Jesuuuuus! O pior é que agora há pouco acabou de ligar uma mulher querendo marcar uma prova pra um estágio que eu nem lembrava mais que tinha me candidatado na sexta. O horário que ela queria não dava pra mim, acabei de enviar um email, sugerindo outro. Não sei nem o que fazer.

Pois é, eu ainda achava aquilo coisa de doido – o que demonstra que a minha sanidade ainda não estava tão abalada. Mas eu não ia me perdoar se a Jamille conseguisse uma foto com a Anne e eu não!

Dali a pouco a Jami me manda um link de uma notícia:


Jami: Eles ainda estão no Rio! Eu vou pro Fasanoooo! (seguido de um emoticon do Muppets pulando de um lado pro outro).
Elisa: Ai, meu Deus! (resmungando)

Graças a Deus, a quinta-feira amanheceu com sol (e aí a Anne pôde aproveitar a piscina \o/) e a mulher do estágio respondeu marcando o negócio para a segunda-feira seguinte. Menos mau. Já dava pra ir, pelo menos depois do almoço. Eu chegava cedo no estágio (a profa da manhã estava com dengue mesmo) e saía cedo também. À noite, verifiquei o horário dos vôos para NY (eu falei que eu sou Sherlock, mas a Patrícia é muito mais. Ainda bem, rs!). 6 da manhã, 21h e 23h e tal. Só horário ingrato. Se ela só saísse pra ir embora, o negócio não ia prestar.

Sexta-feira, 25 de março de 2011: O Grande Dia

Bom, vamos fazer diferente agora. Como eu fiquei longe a maior parte do tempo, vamos alternar os pontos de vista entre mim e a Jami que passou o dia todo lá.

Chego ao estágio cedo e vou fazendo as minhas coisas enquanto verifico o twitter do @gabesimas, o best da Anne no Brasil (não sei como essa gente faz pra conseguir essas coisas, sério!).

10h e pouca: Ele posta que vai sair com o povo na contra-mão pra ir pra favela divulgar o filme. Aviso a Jami.

[JAMI] Pretendia chegar la perto de meio dia, mas acabou que consegui chegar umas meia hora antes e assim que cheguei liguei pra patrícia e ela ainda nem tinha almoçado!

Entrei em desespero pensando no que eu ia ficar fazendo la sozinha sem um lugar pra sentar! Ai fui falar com o segurança. “Moço, bom dia!! Eu sou fã da Anne Hathaway e eu gostaria de saber se ela esta ai ou se saiu, se vai voltar ou coisa assim... Eu só quero ver, tirar foto.. essas coisas, não vou bagunçar nada”. Ele disse que ela tinha saído a meia hora (pra ir para o Alemao!) mas que eu poderia voltar la mais tarde* e perguntar na recepção (como se alguém na recepção fosse me responder!!). Frustrada eu atravessei a rua e fui sentar no banco no calçadão da praia (de costas pra praia, pq se a Anne aparecesse eu não veria hauhuauhaa e eu estava bem de frente para o Fasano, na direção em que ela apareceu na piscina com o binoculo, ainda pensei ‘se ele estiver blefando e ela estiver ai na piscina, daqui eu vejo’ huauha! ), liguei para Elisa e ela me confirmou que a Anne de fato estava no Alemão, então me dei ao luxo de ir almoçar!!

[Pausa para observação: O segurança não achou mesmo que ela ia ficar esperando lá o dia todo. E quando elas me contaram da parte da recepção e que eles nunca que iam informar se ela já estava lá dentro, eu dei a ideia de fazer igual ao Hugh Grant em Notting Hill e começar a perguntar por personagens de desenho animado. É impressionante como as nossas mentes trabalham em sintonia, porque elas disseram que lembraram da mesma coisa! Hahaha!]

[JAMI]  Quando estava quase chegando, a uns 3 ou 4 minutos do Fasano, Patrícia me liga desesperada dizendo que estava la no hotel e que tinha visto o motorista da Anne! Esse povo fica me desesperando!! Sai correndo pela rua pra no final ela dizer ‘é, não era ela não!’ alivio tão grande nessa hora!!

Ficamos la horas e mais horas conversando, jogamos adedonha com os filmes que ela fez! Descobri que a Patrícia tinha feito o mesmo que eu ao sair de casa: Passado Lâncome Maginific (perfume do qual a Anne fazia propaganda) em homenagem a Anne!

[Pausa para observação: Tô te dizendo que tava rolando um transmimento de pensação (ou Bluetooth sem celular, como a gente dizia no Cefet) impressionante!]

[JAMI]  Todos os carros pretos e mais chiques que paravam no Fasano a gente já ficava ligada! Mas só saia senhoras ou caras de terno! Observamos o casal que passou por nós 3 vezes!! Coisas que começamos a notar quando se passa muito tempo no mesmo lugar sem fazer nada! Também concluímos que a garagem que a Anne entraria (só tinha uma), era garagem de carga e descarga do hotel, e não uma garagem para hospedes, já que la, o hotel tem motoristas que levam e buscam os hospedes, então o único carro que entrasse ali, seria o da Anne ( ela estava fazendo isso para não ter que sair e ser fotografada, dessa forma ela já saia dentro do hotel, por isso não tem foto dela na frente do hotel).

Depois do MEU almoço normal, volto pro twitter e por volta de 13h30, o tal do G. Simas posta: “Do Cristo Redentor direto pro aeroporto. Tem um carro de paparazzi seguindo a gente. Vai vendo a decepção dele qdo ver que so tem eu dentro.”

E agora? Ele é que ia embora sozinho? Ia todo mundo direto pro aeroporto? E eu que ainda estou aqui! Eu já tinha que estar lá!

Mando um SMS pra Jami: Acho que eles vão embora.

Ela responde: Como você sabe?

Meus créditos acabam. (Eu sabia que isso ia acontecer.)

[JAMI]  Um tempo depois a Elisa manda uma mensagem “eles estão indo embora” ai pronto, bateu o desespero! “Eliiisa, embora pra onde??? Pro hotel ou pro aeroporto???faz MUITA diferença!” Elisa por sua vez não sabia! Ficamos eu e Patrícia desesperadas e ela queria porque queria pegar um taxi ate o aeroporto(!). Foi difícil convence-la de que NÃO tínhamos DINHEIRO huahuauha!

A comunicação foi impecável ahuauhua, Elisa logo ligou [elas que ligaram porque meu crédito tinha acabado] falando que o Gabesimas, amigo brasileiro da Anne e que estava postando tudo no Twitter, disse que ele ia para o aeroporto para despistar os paparazi! Eu achei meio suspeito, pq se ele queria despistar, como ele posta isso justo no twitter?? Mas enfiim! Logo depois ele chegou no hotel e eu ainda estava no celular com a Elisa, quando a Patrícia foi perguntar a ele.

Patrícia: Você é o gabesimas?
Ele: Sim sou eu!
Patrícia: Eu queria muito ver a Anne, você sabe se ela vai voltar?
Ele: Olha, eu estou indo para o aeroporto para despistar os paparazi, mas ela vai voltar.

Ele logo saiu batido no carro! E eu não me convenci muito, pq ainda tava achando que ele estava blefando, mas depois parei pra pensar: Cara, a Anne esta desde cedo na rua, num calor, aquela coisinha branquinha deve estar cansada, sem banho! Ela não pode pegar um avião e só chegar em casa amanha e ficar um dia sem banho, ela deve voltar pra cá, tomar banho e pegar as coisas dela! Talvez o gabesimas não esteja blefando, vamos ficar aqui!

[Pausa para observação: Esse raciocínio do banho foi demais! É óbvio que ela tinha que tomar banho antes de sair! Eu hein! A Anne é uma pessoa limpa!]

Conforme ia chegando a hora de ir, eu já não tinha mais concentração pra fazer nada. Até que 14h30 eu saio do estágio. Ufa! Será que eu chego a tempo?

15h15 – Desembarco em Ipanema. Quando eu vejo aquele céu, aquele mar, e aquele sol, penso: “É, Gil, o Rio de Janeiro continua lindo mesmo!” E logo encontro com as meninas.

A gente fica conversando um monte de besteira, elas contam de como tinha sido o dia até ali, do segurança que tinha implicado com a Patrícia e dito pra ela desistir porque a gente não ia conseguir vê-la (safado!), da Elena que foi lá no dia anterior e tentou invadir a piscina, mas descobriu que tinha que ter chave, de que a Anne ainda ia demorar um pouco porque com certeza tinha ido comer a feijoada tradicional da sexta-feira lá no Alemão mesmo* e depois tinha ido pro Cristo, etc, etc, etc.
* Depois de uns dias é que lembrar que a menina é vegetariana e não ia comer feijoada, mas enfim.

Uma hora depois, já com sede, fome e as costas moídas, a gente começa a pensar num plano B, em que horas a gente ia desistir, se ia desistir, se voltava no dia seguinte... E se ela só voltasse 22h? Porque na terça a gente estava cheia de esperança, mas na sexta a gente já sabia que o normal seria a gente não conseguir ver nada. Foi mais ou menos nessa hora que entrou um carro preto, preto, preto pela garagem de carga e descarga.

[JAMI]  Ate que chegou uma mulher la de dentro e ficou em frente a entrada da garagem e pediu pra umas meninas que estava passando, para não atravessarem naquela hora, ali eu entendi tudo: A Anne estava chegando! Cutuquei as meninas e ficamos la olhando (estávamos bem do lado da garagem) quando um carro MUITO preto passou e não vimos NADA! Quando digo nada, é nada mesmo!!! Bateu uma decepção de “estou aqui a horas e nem sombra dela eu vi??” mas a gente já sabia que corria esse risco quando resolveu ir pra la!

E agora? O que fazer? Ir pra casa? Ir na recepção e perguntar se a Srta. Pocahontas estava hospedada? Invadir o hotel e depois ser presa? Mas eu sou muito nova! Não posso ficar assistindo o sol nascendo quadrado. Ainda mais esse sol lindo do Rio de Janeiro! Ninguém tinha a cara de pau necessária pra aprontar mais nada. A Anne estava lá dentro, a gente não pagar esse mico.

A gente estava discutindo o que ia fazer e olhando lá pelo vidro do hotel pra ver se conseguia enxergar alguém lá dentro, quando eu vejo o Adam (o namorado da Anne) saindo, vindo em nossa direção. Pensei: “Mas o que ele está fazendo aqui? Pensei que eles fossem tomar banho antes de ir embora!” Cutuco as meninas. “Esse é o Adam! Olha o Adam!”

Ele veio acompanhado de uma mulher que se dirigiu a nós e perguntou: “Vocês vieram ver quem?”, aí a gente: “A Anne Hathaway!”. E então, nosso mundo parou quando escutamos a frase que eu nunca mais vou esquecer: “Então eu acho que vocês vão conhecê-la”.
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domingo, 27 de março de 2011

Annemaniacs - parte 1

Você que já acompanha este blog há algum tempo deve saber que a blogueira em questão é meio completamente viciada, apaixonada, fissurada pela atriz americana Anne Hathaway, que não por acaso interpretou a Mia na versão cinematográfica nada fiel de O Diário da Princesa (outra paixão da blogueira) – Anne chegou até a fazer a voz dos 3 primeiros audiobooks em inglês – e que por acaso apresentou a cerimônia do Oscar desse ano.

E se você não for meio completamente alienado, também deve saber que a mesma passou a última semana no Rio divulgando a animação de mesmo nome na qual ela dubla uma arara azul em extinção nativa da Cidade Maravilhosa.

A essa altura do campeonato, você, leitor esperto, já juntou dois e dois e percebeu que a mente da blogueira entrou em parafuso quando calculou que duas das coisas que ela mais gosta na vida (A Anne e o Rio) iriam se juntar. Ela sabia que essa era uma oportunidade única na vida e também sabia que quando isso acontecesse, ela estaria lá para ver. Mas nunca imaginou que a combinação Anne + Rio seria tão boa.

Bom, acho que a partir de agora, é melhor eu começar do começo.

Pois é, a Anne é “a garota que faz a Mia”. E foi por isso mesmo que desde 2004 (época em que viciei a Jami no Diário e em que chegou a banda larga aqui em casa), um pouquinho antes do lançamento de DP2, a gente começou a acompanhar a sua carreira. Mas não demorou muito pra gente se “aprofundar mais no assunto” e perceber que a própria Anne por si só já era um personagem interessante, o qual valia a pena ler e assistir, porque a menina, além de talentosa, é dona de uma simpatia incrível, de um senso de humor certeiro e tem um sorriso tão gostoso que dá vontade de ser feliz.

Ler as entrevistas, assistir aos programas, ver os filmes, apreciar as fotos sempre nos fazia cair na risada. Anne Hathaway nos divertia (e diverte). E é por isso a gente gosta tanto dela.

Em alguns meses, inconscientemente (ou conscientemente, sei lá) eu e Jamille já estávamos “craques” em Anne. A gente já tinha teorias conspiratórias e tudo. Mas, acontece que a gente nunca foi muito legal das ideias. Porque se tem gente que não suporta que zoem aquilo que de gosta, nós mesmas sempre demos um jeito de brincar até com as noticias que não tinham graça.

E de lá pra cá, a gente vem colecionando um monte de histórias e de piadas internas envolvendo a nossa atriz favorita. Os aniversários, as traduções, as buscas na internet, a história do Hospital da Posse, os planos de plantão no Central Park, as legendas para as fotos, o Adriana Awards, o fake do Raffa, a teoria do casaco arrematado por ele com o troco que ele ia dar pro manobrista, a 1ª vez que a Anne apareceu no JN (na parte policial do jornal, por conta de seu ex-namorado ladrão), as teorias, a história de perguntar “Você não é a garota que faz a Mia?” só pra irritá-la (definitivamente a gente não é normal. Mas é claro que a gente não ia fazer isso), a imitação da foto do gengibre, etc, etc, etc.

Eu não lembro muito bem da data que foi divulgado que a Anne ia dublar o Rio. Só sei que achei a notícia legal, que me passou pela cabeça que eles poderiam fazer alguma coisa por aqui e que achei engraçado o Rodrigo Santoro estar escalado no elenco também (Jesse Einsenberg nem foi mencionado na época) porque meses antes tinha inventado uma teoria de que a Anne tinha que ficar com ele, pra poder ficar vindo pra cá sempre (hehe). (Já a minha irmã discordou. Ela acha que o Rodrigo Santoro tinha que ficar é com ela, porque ele fez o Xerxes em 300, e ela se chama Esther, e a Esther da Bíblia casou com ele, então...)

Mas enfim, Anne vindo ao Brasil era algo absolutamente platônico. A gente preferia focar no plano do Central Park (que também era igualmente platônico e a maior zoação da nossa parte, aliás).

Só que aí chegou fevereiro de 2011 e saiu a notícia de que o elenco iria divulgar o filme Rio no Rio no mês seguinte. Quando a Jamille viu, a primeira coisa que ela fez foi me ligar (como sempre). Eu nem estava muito animada, afinal de contas, sabe-se lá onde ia ser a premiere e se fosse na Barra a gente estava ferrada tanto pelo tumulto causado, tanto pela dificuldade de voltar pra casa. A gente precisava se preparar. A gente não sabia se ia dar pra ir. Se isso fosse há uns 5, 6 anos, estaríamos menos despreocupadas. Agora, a responsabilidade chamava um pouco mais alto.

Mesmo assim, só de pensar que ao invés de gastar R$ 2400 na passagem para NY, a gente poderia ver a Anne por apenas R$ 2,40 (mil vezes mais barato), com um bilhete único carioquinha*, era algo que deixava a gente meio atônita.
*A Esther diz que o que os governantes deviam fazer mesmo era um bilhete único com integração aérea também. Você pegava o ônibus, e depois era só passar o cartão lá no aeroporto pra embarcar de novo, rs! Imagina só Rio-NY por apenas 2,40! Hahaha!

Tentei mandar email pra Fox pra descobrir quando e onde ia ser o negócio, mas me ignoraram completamente. O “quando” até que foi logo divulgado (eles iam chegar dia 20 de março, a premiere ia ser dia 22), agora o “onde” a gente ficou sabendo a 5 dias do evento. Cinépolis Lagoon, 20h, lá na Gávea. Lugar tranqüilo, horário ingrato e perfeito pra não ter confusão nenhuma. Além do mais, a minha faculdade ainda estava se acostumando a voltar às aulas, a Jamille não tinha nenhum trabalho pra entregar e a gente conseguiu de se “hospedar” na casa de uma amiga da Jami lá por perto. Estava tudo no esquema.

O pessoal da comunidade do Orkut estava animado. Tinha gente querendo até ir pra porta do Copacabana Palace no domingo (acabou que eles nem ficaram no Palace). Eu e Jamille concordamos que não iríamos de jeito nenhum fazer uma coisa dessas. “É muito mico, é muito arriscado, eu jurei que nunca na minha vida faria isso! Isso é coisa de gente doida e desocupada” – dizíamos nós. E eu tinha um aniversário de 1 ano pra ir e a gente ia vê-los na terça-feira, de qualquer forma. Não havia motivos para estresse.

Na segunda-feira, eu acordei meio de mau-humor, chateada com umas coisas, fui pra faculdade sem a menor vontade. Mas quando eu cheguei ao estágio e vi a foto da Anne desembarcando no Ego com aquele sorriso... ah, aí eu sorri também. Fiquei feliz de verdade. Sério, essa mulher tem um sorriso que ilumina os lugares! E foi aí que eu me dei conta de que a Anne estava ali do lado. E que no outro dia eu ia vê-la passar de pertinho. Senti um orgulho danado de ser carioca. Não porque o Rio iria conhecer a Anne, mas porque a Anne ia conhecer o Rio (desculpaê, você que não é do Rio, mas a nossa cidade é mara demais!). Aí eu me animei de verdade. 22 de março de 2011 ia ser O dia.

Jamille: Olha, o carinha está segurando uma plaquinha com o nome dela!
Eu: A gente tinha que ter ido lá com uma dessas e trazido ela pra casa. Hahaha!

A terça-feira chegou e a Jami me ligou dizendo que o negócio ia encher porque tinha uma menina lá na comunidade dizendo que iria chegar 16:40. Eu falei pra ela se acalmar, que não ia ter praticamente ninguém lá. Tudo estava correndo conforme o plano. Consegui sair do estágio na hora planejada, pegamos o metrô e fomos rindo sozinhas bocózonas o caminho inteiro. Teve até um guardinha que ajudou a gente a pegar o ônibus até a Gávea. A única coisa ruim era a chuva, que estava castigando. Ficamos tristes pelo pessoal do elenco que tinha vindo ao Rio e só pegado as famosas águas de março literalmente fechando o verão. A Anne então, branca do jeito que é, mais do que ninguém, merecia pegar uma cor. A minha preocupação era eles cancelarem o negócio por causa da chuva. A Jami já achou que ela podia emprestar o guarda-chuva dela pra Anne (hahahaha!), em troca de um lugar lá no cinema. “Não quero dinheiro, eu só quero entraaaaar”

Quando a gente solta do bus, vemos o Cinépolis com todas aquelas luzes, e adereços do filme e quase damos uns saltinhos de felicidade. Mas a gente devia saber que aquela chuva era um mau sinal (eu tenho pra mim que ao invés de passar uma arara azul por ali, o que tinha passado era um urubu, isso sim. O que faz total sentido, já que a sede do Flamengo ficava ali perto), porque foi só atravessar a rua pra descobrir que o evento era só pra VIPs. Só entrava com convite. Um absurdo! Mas que raio de premiere é essa em que não tem aquela gradezinha feliz em que a galera fica lá?

Mas, já que a gente tinha vindo de longe mesmo, né! (Aí a gente cantou “Você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aquiii” – em homenagem ao Toni Garrido que tinha acabado de passar.) Não custava nada esperar o carro entrar, sabe-se lá o que podia acontecer!

E foi ali que a gente conheceu a Patrícia (que revelou ser “a garota das 16:40”), a amiga dela (que, coitada, nem queria ver ninguém famoso, só queria assistir o filme, hehe) e a Elena (que se revelou ser um fake lá da comunidade). Tinha mais gente lá também, mas não muita. No máximo 20. A maior parte pra ver o Jesse Einsenberg (aquele que fez o filme do Facebook), aliás. E, gente, eu já disse que metade da graça dessas coisas são as pessoas. Estava muito engraçado.

Lembra que eu falei que a maioria dos fãs são adolescentes desocupados? Esquece. Só tinha gente na faculdade ali (ainda vale, né!). Mas a parte de eles saberem se divertir e não se levarem a sério é verdade mesmo. Estava hilário!

- Melhores momentos
* Plaquinhas pro Jesse: “Let us in, pleeeease!”
* Plaquinha pra Anne: A-N-N-E, pra quando ela passar ela ver.

* A ideia de fazer uma plaquinha pro Adam, o namorado da Anne que ninguém conhece: A-D-A-M. Ele ia ficar emocionado e COM CERTEZA ia mandar parar o carro pra atender os fãs dele – que não devem existir em lugar nenhum do mundo.
* Todo mundo se lamentando por não estar fazendo jornalismo na faculdade
* Diálogo Patrícia/Amiga dela

Patrícia: Eu falei pra você arrumar um estágio! A culpa é toda sua da gente não ter convite.
Amiga: Mas por que a culpa é minha? Eu faço Administração!
Patrícia: Porque você ia administrar o evento, oras!
(Todos riem)
* Quando chegou um ônibus cheio de repórter gringo e tinha uma jornalista japonesa sem nenhuma noção de moda. Uma bermuda cintura alta coral curtinha, camiseta e um blazer branco de comprimento maior que a bermuda.
* A ideia de tirar uma foto do convite, vetorizar no Photoshop e imprimir um pra cada um de um outro garoto.
* A galera analisando a geografia local para descobrir por qual a entrada que eles iam passar.
* A gente dizendo que ia ligar pra Anne e aí ELA iam mandar a gente entrar.
* A gente viajando dizendo que ela ia vir lá de dentro, abrindo passagem, tipo “Deixa eu falar com os meu fãs, seu seguranças malvados” (hahahahaha), mais ou menos igual naquela cena do DP2 em que toca Breakaway depois.
* Várias ideias mirabolantes para entrar no hotel, inclusive ir vestido de roupa de praia e sair entrando e levar uma mala vazia fingindo que é hóspede.

* A ideia de ter levado uma cópia pirata de Rio pra eles autografarem, como sinal de vingança por não ter deixado a gente entrar. E a ideia de boicotar o filme também.
* A Jami preocupada que ia rasgar o trabalho que ela tinha que entregar no dia seguinte.
* Jamille e Pathy descobrindo que não eram as únicas que tinham comprado o perfume que a Anne fazia propaganda. (Mas elas disseram que compraram porque era bom também. Se a Anne fizesse propaganda do óleo de amêndoas Paixão, elas não iam comprar. Esse último comentário do Paixão fui eu que fiz, rs!)
* Diálogo:

Menina: Oi, vocês são fãs de quem?
A gente: Da Anne.
Menina: Ah, eu vim pra ver o Jesse.
Não-sei-quem: Ah, o grupo do Jesse é ali do outro lado, ó!
Menina: Ah, tá. (com cara de desolada)
Não-sei-quem: Mas se você quiser ficar aqui, pode ficar também!
* Um ciclista que estava passando e ficou um tempão parado só pra ver o que estava acontecendo.
* Ney Latorraca fazendo cooper e sem entender nada do que estava acontecendo.


Conforme o tempo ia passando, a coluna ia indo pro brejo e o cansaço se aproximava. As pessoas nos ônibus tudo olhando pra galera lá fora (ô vergonha!). Um carinha da produção veio conversar com a gente super gente boa falando que estava preocupado com a nossa segurança, porque os carros vinham que vinham e passavam por cima mesmo, que talvez eles abrissem o vidro e tal. O povo estava colaborando. Aí começaram a chegar mais carros, mais carros, e os caras avisaram pro pessoal chegar pra trás porque dali a pouco iria passar o carro do Sério Cabral e que eles não ligavam de atropelar, não sei o quê...

Passaram uns carros muuuuito pretos e todo mundo xingando: “Esse Sérgio Cabral é um safado! Ele não quer se reeleger, não!”. Dali a pouco uma gritaria: “ELES TÃO LÁ DENTRO!”. Todo mundo virou macaco e subiu na grade. Eu fui perguntar pro carinha gente boa e ele falou que eles ainda iam chegar. Alguém com uma câmera semi-pro diz que conseguiu captar eles lá de dentro. Outro alguém diz que tinha visto a foto.

Se ampliar dá pra ver

É isso aí. A Anne passou bem na nossa cara e a gente não viu nem a sombra dentro do carro. Ela ia embora no dia seguinte. O sonho acabou. Tão perto, tão longe. A gente ainda tentou ver alguma coisa lá de longe, mas nem deu (por que eu não levei meus binóculos?). O único que abriu o vidro foi o Carlinhos Brown, crente que a gente estava lá por ele, mandou beijinho e tudo. A Patrícia ainda queria ir pro hotel no mesmo dia, mas a amiga não deixou. Eu também já estava morta e conformada.

É isso aí, a gente sabia do risco. Só não precisava terem mentido assim na cara dura. Se bem que era o trabalho dele, e podiam ter colocado a gente pra dentro, não tinha quase ninguém... Sei lá. De qualquer forma, foi legal. Me diverti com a galera. E na melhor das hipóteses, pelo menos já tinha parado de chover.

Acontece que o sonho até tinha acabado, o que a gente não sabia é que o que estava por vir era muito melhor que pão doce.
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