domingo, 24 de fevereiro de 2013

10 coisas que a Wiki não sabe sobre Anne Hathaway


Se você mora no planeta Terra, com certeza sabe que hoje é noite de Oscar!

E pra comemorar a vitória da Anne (sim, já estou cantando vitória antes da hora e pra você que acha que eu só falo isso porque a menina levou praticamente todas as premiações anteriores, ah, você está muito errado, porque eu já sabia que ela ia levar Oscar pra casa desde O Diário da Princesa, tá, ok, nem tanto, mas desde que saiu aquele trailer de I Dreamed a Dream, com certeza), faço hoje uma lista cuja ideia partiu de minha companheira para assuntos Annísticos, Jami, que estará vidrada na TV, aguardando o anúncio da categoria de Melhor Atriz Coadjuvante como se fosse um gol do Brasil na final da Copa, exatamente como eu.

Porque dia desses Jamille me veio com uma dessas fotos-mensagem do Facebook que dizia “Ser fã não é saber toda a Wikipédia do seu ídolo”. Pois é. Também acho.

A frase não poderia estar mais correta. Ser fã é muito mais que isso. É saber de histórias, intrigas, curiosidades que até a Wikipedia desconhece. E o fã sabe dessas coisas simplesmente porque acompanha o trabalho do cara há muito tempo (nesse caso em específico, são mais de 10 anos!), e então coleciona um monte dessas histórias inúteis que o ídolo acaba compartilhando em alguma revista ou programa de TV.

E como Anne Hathaway é dessas garotas que são o sonho de qualquer entrevistador, uma vez que não importa a situação, sempre conta uma história nova, engraçada, curiosa na qual se meteu, (isso quando não inventa algo ainda mais maluco tipo o rap dos paparazzi), acompanhar esse tipo de carreira torna tudo ainda mais divertido e fica impossível não guardar na memória alguns desses causos épicos que Wikipédia nenhuma é capaz de suportar.

Esse ano foi impressionante como mesmo encarando uma maratona de entrevistas pra esse Os Miseráveis ainda foi capaz de entregar mais histórias bizarras em praticamente todas elas.

Então, vamos a lista:

10 coisas que a Wikipédia não sabe sobre Anne Hathaway

1. Não pode tomar sol
Se Anne Hathaway fosse sua colega de classe, com certeza vocês já a teriam apelidado de Branca de Neve Parmalat. Uma das coisas que mais me surpreendeu em nosso encontro há quase 2 anos foi a brancura de sua pele, e olha que eu já estava prepara psicologicamente porque sabia que a menina é muito branca, tipo, leite mesmo, quase fantasma. Tinha uma cena no Diabo Veste Prada em que mostra o dedo mindinho dela perto do lençol alvo, e lembro que sacaneava dizendo que não dá pra saber o que é pé o que é lençol ali. E a gente ficava se perguntando, porque não tomar um solzinho? Sério! Fica com uma aparência tão mais saudável, assim bronzeadinha...

Até que um dia a gente leu uma entrevista em que tudo se iluminou: ela não pode tomar sol (igual a Pocahontas!!!!) porque têm histórico de câncer de pele na famíla e aí tem que usar filtro solar fator máximo e aí chegava em casa e o namorado reclamava que tinha cheiro de xarope.

PS. Lembro que essa era uma entrevista muito boa aliás, em que dentre outras coisas ela imitava o sotaque italiano do agora ex-namorado e ex-presidiário Raffaello. Nossa, como eu ri naquele dia, enfim. Próximo.)

PS2. Ah tem uma outra entrevista muito, muito boa, no George Lopez na época de Rio, em que ele mede a cor da pele dela com aqueles mostruários de pintar parede. Hilário! (Disso eu não lembrava, fui ver agora pra conferir outra coisa e achei)

2. Torceu para a Itália na Copa de 2006
Falando no tal ex, não lembro se foi na mesma entrevista, mas a história é que, como todo mundo sabe, a Itália foi pra final da Copa de 2006 e levou a taça pra casa. Eu e Jami na época até torcemos pela Itália (não só porque aquele time de 2006 era muito interessante...) e ficamos nos perguntando se Anne Hathaway também estaria lá assistindo à final da Copa como qualquer fã futebolístico, torcendo pela seleção do então amado, e aí veio a tal entrevista e eu tive que rir porque aí ela contava que não só torceu pela Itália, como estava lá no dia, e foi pra rua, comemorar no meio do povo a vitória do time. A parte engraçada é imaginá-la lá no meio do galera, pintada de azul, gritando “Azzurra!”.

Eu sei que isso não faz a menor diferença pra você – e por isso também que não está na Wikipedia - , mas pra mim, na época foi muito interessante de descobrir.

3. Seu primeiro beijo foi assistindo Pocahontas
Não queria colocar essa parte porque faz eu parecer uma dessas fangirls que coleciona revistas, o que é uma total mentira (se bem que pra quem já foi pra porta de hotel, colecionar é o de menos, mas, ei, valeu muito a pena!!!). Mas o lance é que eu só lembro muito bem dessas histórias porque sempre tem alguma coisa legal pra se comentar. E dessa aí eu lembro porque, tipo, não é possível: TODO MUNDO TEM UMA HISTÓRIA CURIOSA PRA CONTAR SOBRE POCAHONTAS, tipo a Fe, que ficava no sofá remando na parte do Depois da Curva o Que é que Vem. Bem-vinda ao clube, Anne!

3. Chamou o marido pra sair
Essa ela contou foi esses dias no David Letterman (as entrevistas do David Letterman são sempre ótimas!), ela tinha acabado de casar, aí ele perguntou como é que começou o relacionamento. Pessoas normais contariam coisas sem graça, mas Anne Hathaway não é uma pessoa normal e fez o assunto render bastante. Diz ela que tinha uns ingressos de O Casamento de Rachel sobrando pra uma premiere que ia ter em Los Angeles, aí pensou: “por que não chamar aquele cara bonitinho que ela conheceu outro dia?”


Até aí nada demais, mas aí você começa a imaginar o diálogo:
- Oi, Adam, aqui é a Anne, tudo bom?
- Oi Anne, como é que vai?
- Tudo bom. Escuta, eu tava com uns ingressos sobrando, você quer ir ao cinema comigo?
- Ah, que legal! Quero sim. Qual o filme?
- O meu!
E é, isso aí vale um lugar na lista.

4. Cantava num grupo a capella na faculdade
Ela cursou Literatura e não chegou a se formar, mas a Wiki sabe. O grupo chamava Measure 4 Measure, e elas eram bem boas. Tenho ela no meu player e como quem procura com um mínimo de esforço, acha, deixo o link aqui pra quem quiser ouvir.

5. Caiu da caideira quando foi fazer o teste para O Diário da Princesa 
Atenção, esse item é uma POLÊMICA!

Diz ela que não caiu, que isso é calúnia, mentira, intriga da oposição. E ainda se pergunta até hoje de onde é que essa história surgiu. Eu sei muito bem de onde essa história surgiu. Vai reclamar com o Garry, Anne! Ele que espalhou aos quatro ventos que você tinha caído nos extras do DVD. E como eu gosto muito dessa história, quero acreditar que o Garry disse a verdade.
(Tem mais histórias dessas dos extras do DVD, mas isso eu conto outro dia quando fizer um post sobre o filme que eu já estou devendo tem uns 2 anos)

6. Seu irmão chama Michael
O marido dele chama Josh. Compartilhe um sorriso se você entendeu a ironia entre a vida e da arte.

7. Teve um passado negro a la Lilo
Item auto-explicativo. Durante os tempos de faculdade, se envolveu com as pessoas erradas, e segundo a própria Anne, fazia coisas que não deviam nada à Lilo. A sorte dela é que ela saiu logo dessa vida. Ainda bem.

8. Passou no teste para Jane Austen graças a sua cachorra
Coloquei esse só porque a Esmeralda é incrivelmente fotogênica, não sei como não recebeu propostas de alguma marca canina ainda.

A história é a seguinte: na véspera do teste, a cachorra ficou doente, passou mal, vomitou a noite toda. Anne chegou no outro dia acabada, sem dormir pra fazer o teste. Mas acabou que isso ajudou porque aí ela foi pior/melhor e passou.

9. Usa óculos
Eu pensei que esse dia, os óculos eram só de onda, mas ao que parece ela é míope mesmo. (Igual a Jami!!!) Nesse dia ela tinha esquecido a lente em outro lugar, aí colocou os óculos e MEU DEUS, SÓ SE FALOU EM OUTRA COISA. Não, sério, os óculos foram o assunto da semana.

10. Alimentou fãs cansados e famintos
Quando se trata de caridade, Anne não mede esforços para fazer desse um mundo mais feliz. Aí ela tava fazendo uma peça no Central Park, acho que era Noite de Reis, e tinha uns fãs esperando pra tirar foto, pegar autógrafo essas coisas (detesto esse tipo de gente, rs!). Só que aí já estava tarde, aí ela foi e trouxe uma pizza pra todo mundo. Como não amar?

Se tivesse um Oscar de Atriz Mais Simpática, Anne já tinha levado faz tempo. Mas dá gosto de ver como as conquistas estão sendo incontestáveis, mesmo eu já sabendo há muito tempo que a garota era boa de verdade.

E não tem quem não diga que ela não merece porque Anne passou fome, chorou copiosamente, perdeu os cabelos e cantou enquanto fazia tudo isso.

Pois é, esse ano ela apelou

Dá vontade de dar um beijo, um abraço, um cobertor, um banho e um prato de sopa pra ela nesse filme. E se isso não trouxer o Oscar pra ela hoje, sinceramente, eu não sei mais o que vai trazer. 

No comercial do E! (simplesmente o melhor canal da TV), o narrador a define como “A atriz mais versátil da sua geração". Fiquei pensando e é... Ela pode até não ser a melhor atriz. Mas a mais versátil, acho que é um título justo, afinal a menina já esteve em dramas, comédias, romances, filmes infantis, desenhos, suspenses, musicais, filmes de ação... Segundo a própria, uma carreira meio esquizofrênica, se você parar para analisar.

E por já estar tão confiante na vitória, tomei a liberdade de escrever seu discurso. Imaginem a cena.

And the Oscars goes to...

Anne Hathaway!!!

Anne sobe no palco, pega a estatueta e diz:
“UAU! Eu pensei que nunca mais fossem me deixar subir nesse palco de novo... (pausa para risadas). Eu queria agradecer ao James Franco por não apresentar o Oscar comigo há dois anos. Obrigada, Jimmy! Depois daquela experiência, interpretar uma personagem tão abandonada como a Fantine ficou muito mais fácil.”

Okay, é claro que ela não vai falar nada assim. Ela é muito educada pra isso (apesar do James Franco merecer muito). Por isso é claro que ela vai agradecer aos seus fãs que dão todo o apoio do mundo, falando o nome de todos eles. Brincadeira.

[EDIT3:] A-ha! E não é que ela agradeceu aos fãs mesmo depois?

Mas quando ela levantar pra receber o prêmio, fiquem felizes por mim.

Beijão, vou lá ver o Red Carpet.

[EDIT1:]
11. Não tinha espelho em casa
Eu nem queria colocar a história porque morro de vergonha por ela até hoje, mas depois do vestido de ontem que coroou essa temporada de prêmios amaldiçoada no quesito moda para Anne (só esse ano ela já apareceu sem calcinha, quebrou um zíper, rasgou uma manga e ontem apareceu com os faróis acesos! Ninguém mandou usar Prada, essa marca do Diabo! Antes fosse um vestido do seu best Valentino*, mas enfim), me sinto na obrigação de contar que há 10 anos, Anne já apareceu muito pior.

[EDIT2]: (EI, ESPERA! TUDO FAZ SENTIDO AGORA!!!)

E essa foto aí, coitada, aparece está lá na primeira página do Google Imagens desde que saiu. Mas a história da foto é boa porque se até eu me choco quando vejo, imagina qualquer desavisado que procura o nome da garota no Google e acha que Anne ainda faz parte da turma da Lindsay. Mas o negócio todo é que foi sem querer. De verdade. Porque ela não tinha espelho em casa. Quer dizer, mais ou menos.

Nesse dia, Anne se olhou no espelho do armário (ou quase isso), saiu de casa feliz da vida, achando que estava abafando, que não estava mostrando nada. Só que aí chegou no tapete vermelho, que, em matéria de flashes, só perde para o piscinão de Ramos, e aí as luzes das câmeras acenderam tudo (não só os faróis).

Aí Anne passou no tapete achando que estava arrasando, chegou no outro dia, tava lá a foto dela no jornal com tudo à mostra. Aí ela ficou revoltada porque os paparazzi ficaram lá tirando foto e ninguém deve a dignidade de vir avisar que ela estava com mais do que os faróis acesos. Só que, pensa comigo, Anne, quem é que ia adivinhar que você não tinha espelho em casa? Até eu achei que tinha sido de propósito, os caras que trabalham com isso todos os dias não vão achar? A moral da história é que Anne aprendeu e comprou um grande espelho com lâmpadas em volta para o seu laváblo. Então, nada mais justifica esse vestido esquisito que você usou ontem.

Mas o que importa é que ela ganhou, né, gente?
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CEO #06: Máquinas de interpretação


Faz alguns meses que tenho essa ideia em mente e simplesmente não a expunha em termos visíveis. O Papa renunciou, o Renan Calheiros retomou o poder, e essa coluna, para minha vergonha, passou 2012 em branco. Porém talvez a distância ajude a fazer textos melhores esse ano, mesmo que 2013 não tenha começado lá muito bem : como é de conhecimento geral, não teremos tantos feriados como gostaríamos, então é melhor aproveitarmos os instantes de ócio que nos restam.

Entre eles estava um desses momentos nos quais não nos sentimos compelidos a fazer algo, mas acabamos fazendo para apenas ocupar seguimentos vazios na grade da programação televisiva. Não chega a ser um pecado desperdiçar esses quinze minutos entre um programa e um filme assistindo a qualquer coisa que esteja no ar, embora não queiramos de fato vê-la -- o próprio Nick Hornby já valorizou esses pequenos tapa-buracos que usamos para continuarmos aparentemente felizes. O GNT, ao menos para mim, alguém que não se interessa por moda (exceto pelas linhas do Diabo veste Prada e Coco antes de Chanel) , tampouco se digna a discutir certos assuntos ditos femininos (cabelo, maquiagem, etc.) não é o canal mais assistido.

#Primeiro ato

Mas lá estava eu, escutando atrizes e atores seguidamente dissertarem sobre a importância de sua profissão. O que inegável caso não proclamassem frases pretensiosas nas quais o público, fosse ele um internauta ou telespectador, era considerado menos capaz de entender a real qualidade de um filme, uma boa história. Alegavam tão frivolamente que você, mero mortal que não se apresenta em palcos para sobreviver, é completamente inapto quando se trata de sentir “corretamente”.

De repente toda a humanidade fora desse círculo de artistas, cientistas ou médicos, deveria dignar-se a acatar sua palavra como censor do que era na verdade a real maneira de emocionar, de tocar outras pessoas.

A partir deste ponto a reflexão me fez perceber como seus conceitos, expostos em uma ridícula veemência, eram completamente corrompidos e errados.  Não é aquele que sobe no palco quem determina o que é sensibilizante. Não é quem diz que estipula padrões de risadas ou soluços. Quem de fato é o censor, o responsável por decidir um bom ator é quem paga o seu ingresso e deixa-se ser levado pelo que ele, o objeto, cuja função, por mais nobre que seja, é entreter os demais.

Sem espectador não há espetáculo.

O espetáculo, a melhor história, é completa apenas quando o ouvinte sai da sala e guarda, ri e chora do que lhe foi contado.  Para isso é preciso que o veículo, o ator, exista, como meio, não como início e fim, desse plano precioso que é atrever-se a emocionar outra pessoa.

#Segundo ato

Esgotavam-me as gotas de compreensão e tolerância quando irracionalmente, porque somente um ser irracional se põe em um papel tão patético, declararam que qualquer forma de cinema que não envolva pessoas de carne e osso claramente em frente a uma câmera é descartável e menos valiosa. Obviamente aqueles que os questionavam mencionaram a beleza de uma animação dos estúdios Pixar, o que foi rapidamente resultado de uma sandice seguida de vômitos de asneiras sem fim. Jogaram Wall-E no lixo e estouraram todos os balões em Up, ignorando por completo o trabalho duro daqueles que certamente foram responsáveis por criar figuras não-humanas para revelar a humanidade das lágrimas que brotam dos olhos daqueles que os contemplam.

A animação segundo sua vã filosofia quadrada não abrigaria a habilidade de tocar as pessoas por não apresentar elementos de fato humanos.  Esta é facilmente confundida como artificial, passando nada mais do que um engano, já que, sendo este contexto entre história e espectador o mais importante para que a arte se realize, o veículo não necessariamente deve envolver pessoas no sentido mais estrito, quase grudando seus rostos à câmera.

Sua preocupação com a transformação da arte em algo sintético e não natural acaba por converter-se em uma resolução simples ao perceber que existem sim pessoas por trás desses pixels tão cheios de vida. E perdoem-me se muitas vezes os prefiro à maquiagem falsa que esconde um ator medíocre, que se joga ao público tão cheio de si que se esquece de que só não passa de um tolo que mente, cego pela ilusão de meia dúzia de fotógrafos que lhe dizem “fantástico!”. 

Quando o seu propósito se extingue, ele nada mais é do que um caça-níqueis, uma máquina de interpretação movida a aplausos.  Facilmente consertada com uma salva de vaias.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O post de aniversário que não foi


Olá, amigos! Quanto tempo! 

Prometi um terceiro post da série “O que eu faço da vida” e como muitas das promessas que ando fazendo nos últimos tempos, não cumpri. Isso porque, ironicamente, o que eu faço da vida anda consumindo muito do tempo. Principalmente nessa época do ano. Lembra que eu comentei que a maioria das empresas tem que publicar seus balanços de 31 de Dezembro? Então... Isso implica que, ao contrário da realidade de muita gente, nosso ano não começa só depois do carnaval. Enquanto muitos aproveitam o verão para tirar férias, viajar, curtir a praia no fim de semana, essa época pra gente é o período onde a gente mais trabalha, e tirar férias é praticamente proibido. Os dias ficam mais longos e a vida fica mais curta, sem tempo para fazer um monte de coisas, tipo terminar uma série de posts pro blog (sei que minha palavra anda com tanto crédito quanto político em época de campanha, mas vou terminar a série mesmo, já está tudo mais ou menos encaminhado) ou fazer uma postagem especial de aniversário deste mesmo humilde cantinho.

Porque quando eu falei “Quanto tempo!” lá no início, não me referi somente ao tempo em que o blog andou meio parado, sem atualização, nesse último mês. Mas também a todo o tempo em que o Inútil Nostalgia está em atividade.

Na última terça-feira, dia 05, o blog comemorou 4 anos no ar!

4 anos! Segundo o IBBE (Instituto Brasileiro de Blogosfera e Estatística), mais 90% dos blogs não chegam a completar nem 6 meses. E cá estamos nós contrariando todas as pesquisas, fazendo nossa parte para uma internet mais feliz, mais educada, mais inteligente, desafiando os paradigmas de todas as dicas bloguísticas, fazendo posts com muito mais que 5 parágrafos, sem vender a alma para sorteios trabalhosos.

(Às vezes eu tenho inveja da Ju, que consegue fazer posts curtinhos, aleatórios, sempre de coração. Mas não consigo. Sou verborrágica. Post pra mim tem que ter no mínimo 2 páginas, senão não tem graça)

Infelizmente, pelos motivos já explicitados, não deu pra fazer uma comemoração digna para ele. Não que eu não quisesse. Pra falar a verdade, pensei em várias coisas legais, só faltou tempo mesmo pra terminar o planejamento e colocá-lo em execução.

Mas, ainda esse ano, o Inútil, mais cedo ou mais tarde, atingirá a marca de 200 posts! Então, vamos combinar de adiar a festa até lá, ok? Tava pensando até em fazer uma promoção, assim com brindes, porque esse ano cheguei à conclusão de que a maioria do leitores do Inútil já acessam a página há quase três anos (senão desde o início), e que vocês merecem um prêmio por me aturarem por tanto tempo e por ainda aparecerem por aqui, mesmo quando eu desapareço. Mas não vou prometer nada, porque não tenho cumprido nenhuma delas nos últimos tempos.

Mas hoje, só pra não perder o hábito, queria fazer um balanço (e de balanço eu entendo!) da trajetória do Inútil desde o início até aqui, mas principalmente do último ano, já que não rolou nenhum post de retrospectiva no final de 2012.

2012 foi um ano ruim. Pra mim. E consequentemente pro blog. Fiquei amarga na maior parte dele. Se você for esperto o suficiente, vai perceber uma certa névoa rondando os textos, ao invés das habituais gracinhas espalhadas no meio deles. Foi o ano em que eu menos postei na história do blog. Foi o ano em que teve mais textos mais curtos. Foi o ano em que o blog ficou menos colorido e eu coloquei menos figuras para ilustrar os textos. Mas também talvez tenha sido o ano em que eu mais me abri, desabafei, falei de mim (mesmo que às vezes tenha feito o possível para não entrar em detalhes demais). E foi bom também.

Talvez seja o Inútil chegando à maioridade... Talvez. Só talvez. Não sei.

Em 2012 não teve NENHUM post da Coisas que a Esther Odeia, mesmo eu insistindo pra ela escrever quase sempre e já tendo vários temas pra desenvolver. (Pra você ver como eu estou com moral!) O que não quer dizer que a coluna tenha acabado. Acho que só falta um incentivo pra ela voltar, porque por mais que eu diga que as pessoas gostam dos seus textos, ela não acredita. Então, acho que não seria nada mau da parte de vocês fazer uma campanha #VoltaEsther no Twitter, vídeos com declarações de amor no Youtube, cartas quilométricas, um flashmob no meio do shopping... Assim, são só ideias...

Mas em compensação, em 2012, eu fundei a UPP, uma coluna de música aqui no Inútil que tem como objetivo traçar um perfil de uns artistas (quase sempre desconhecidos do público brasileiro), comentar algumas músicas por um outro viés menos óbvio, mais bobildo e quem sabe angariar mais meia dúzia de fãs para os caras e fazer novos amigos que chegam por aqui através do Google. E eu sei que às vezes os posts podem parecer um pouco cansativos, mas a ideia é servir de guia mesmo, com curiosidades, etc. (E só pra constar, aqueles meninos, personagens da 1ª UPP paparam nada menos do que 4 Grammys Latinos ano passado. Os recordistas da noite (Falei que os garotos eram bons!). Só perderam Disco do Ano pro Juanes, outro papa-Grammys.  Mas, aguardem, se tudo der certo, ele será o próximo protagonista da UPP.

Em 2012 eu falei que não ia mudar o layout do blog. Mas, novamente não cumpri minha promessa, e mudei. Não muito. Mas mudei.

Em 2012 eu tive um monte de ideias para novos posts. Algumas delas ficaram pelo caminho, outras ainda estão no forno, esperando a massa crescer até ficar no ponto certo, e acho que a maioria delas acabou vindo para o ar já. Mas uma coisa legal de 2012 foi que eu consegui escrever um monte de coisas que já estava nessa fila de espera, aguardando o momento perfeito para serem servidas, praticamente desde o início do blog. Muitas delas acabaram ganhando um recheio a mais aqui, uma aparada ali e uma maquiagem diferente acolá, e talvez até não tenham sido o texto que eu imaginei no princípio de tudo. Mas o importante é que eu finalmente pude tirá-las do papel, onde estavam por tanto tempo. E no final das contas, acho até que valeu a espera, e que eles não ficariam tão legais se já tivessem sido escritos quando a ideia inicial nasceu.

E acho também que essa tenha sido a principal mudança no blog desde o seu início até aqui. Sim, o Inútil ainda tem muita Nostalgia. Mas sinto que agora blogueira por trás do Inútil fala um pouco menos do passado do que antes e está mais preocupada com o futuro também. Se outrora as questões sobre o tempo norteavam as ideias e preenchiam os posts, talvez por a maioria delas já ter sido abordada de um jeito ou de outro durante esses 4 anos também, sinto que agora a maioria dos textos passam por outros assuntos, que eu nem imaginava abordar quando comecei isso aqui. 

Porque assim como o layout do Inútil, e a Sandy em Segredo, eu mudei. A blogueira que vos escreve já não é mais tão menina e acho que está finalmente está entrando na fase de aceitação desse negócio de ser adulto.

E isso é bom também.

Talvez seja um sinal de que Inútil está chegando à maioridade... Talvez. Só talvez. 
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que eu faço da vida #02: Odiados por muitos, temidos por todos.

Quando se fala em auditoria, muitos tipos podem vir à cabeça, alguns deles não necessariamente ligados à contabilidade, por exemplo:

- Auditoria fiscal: Trabalha para o governo, verificando se a empresa (ou a pessoa física) está recolhendo os impostos corretamente e fazendo autuações se necessárias (Esse geralmente são ricos, mesmo, pra quem quiser saber. Mas por incrível que pareça, não necessariamente são contadores)
- Auditoria de Sistemas / Segurança da Informação: Avalia se os sistemas utilizados na empresa são confiáveis, se o ambiente de TI não está sujeito a invasões, etc.
- Auditoria interna: Verifica se os controles internos da própria empresa estão funcionando, propõe melhorias nos processos, atenta para a existência de fraudes.
-Auditoria externa/independente/contábil: É isso aí o que eu faço. 

Então, como a gente viu no post anterior, a empresa é dessas que precisam publicar o balanço no jornal. Aí beleza, nele ela diz que deu lucro de, por exemplo, R$ 500 milhões no ano. Como é que você, que está lendo o jornal, vai saber que esse número é verdadeiro? Como é que um banco quando vai analisar a situação de uma empresa para conceder um empréstimo sabe se aqueles números não estão maquiados?

É aí que o meu trabalho entra. A gente, auditoria independente, é contratada pelas empresas para verificar se aquilo que elas registraram na contabilidade condiz pelo menos razoavelmente com a realidade da empresa. 

Razoavelmente porque não podemos garantir que aqueles números estão 100% corretos (imagina só ter que testar TODAS contas do balanço e sugerir ajustes de 10 reais num patrimônio de 10 milhões? Por favor! 10 reais você tira do seu bolso e resolve o problema!), mas nosso método de trabalho garante 95% de segurança sobre aqueles números, que é um percentual bem relevante.

E aí a gente executa uma série de testes que incluem recálculos, verificação de documentos e da existência física dos bens, envio de cartas de confirmação de saldos por terceiros – sim, cartas físicas, nossa empresa sustenta os Correios -, indagação, etc, para que nosso sócio responsável pelo cliente (a empresa) possa emitir sua opinião sobre aquelas demonstrações contábeis, que virá junto com aquelas letrinhas miúdas cheias de números lá no jornal.


Ah, mas se eles pagam vocês, vocês são obrigados a dizer que está tudo certo!

Não é bem assim. Nós somos pagos para passar credibilidade às demonstrações financeiras. É isso o que a gente vende: credibilidade, não opiniões positivas. Inclusive, nossos funcionários têm de assinar um termo de independência, dizendo que não possuem interesses pessoais nas empresas auditadas e se possuem investimentos em alguma companhia. 

E se estiver tudo errado mesmo, fazer o quê, infelizmente temos de dizer que “está tudo errado”! Ou que parte do balanço está errado, ou que não deu pra testar por algum motivo...

Mas por que os clientes odeiam vocês?

Porque eles acham que somos da fiscalização, que estamos lá para mostrar os erros de todo mundo e causar demissões em massa. 

Algumas pessoas acham isso mesmo (talvez por confundirem com outro tipo de auditoria). Mas é mentira.

O que não quer dizer que as pessoas não tenham motivos para nos odiar de verdade. Elas têm.


Porque a gente pede um monte de documentação, e explicação e atrapalha muitas vezes o trabalho da pessoa, que já está totalmente atarefada. Às vezes eu penso que se estivesse do outro lado, também ficaria com raiva, mas, paciência, se ele não me ajudar, a empresa dele também vai se prejudicar, porque eu não vou ter como testar e não vou ter como dizer que todos os testes deram OK. E aí não tem relatório do sócio dizendo “Pode confiar!” (não com essas palavras, óbvio) no jornalzinho. (Já passei da fase de ficar com pena do cliente, porque quem fica trabalhando até tarde, nos fins de semana e feriado depois sou eu, enquanto ele está curtindo um soninho na cama ou um solzinho na praia).

No fim das contas, o trabalho na verdade é de parceria. Se todo mundo se ajudar, no final todo mundo sai ganhando.

Auditor não fica feliz quando encontra erro. Na verdade a nossa maior alegria é quando encontramos tudo certinho, não precisamos sugerir ajuste nenhum. Porque quando a contabilidade está errada ou muito mais duvidosa, é nossa obrigação entender o que está acontecendo (muitas vezes nem tem nada de errado, mas para entender se não tem mesmo, é preciso sentar com os caras para esclarecer as coisas) e levantar qual seria o registro certo, o que dá muito mais dor de cabeça e dobra nossa quantidade de trabalho.

Só confiamos em Deus

Muitas vezes a gente encontra cliente que está explicando alguma coisa pra gente, e então, pra corroborar o que ele está falando, pedimos alguma documentação extra (não sei se expliquei no outro post, mas só pode estar registrado na contabilidade aquilo que está documentado de alguma forma), e o cliente vira pra gente e fala: 

-Mas eu estou falando que é assim! Você não acredita em mim?
Ao passo que temos que responder:
- Assim, não é nada pessoal, mas eu sou paga para NÃO acreditar em você. Somos treinados para desconfiar de tudo e todos. Pessoalmente, até acho que você está falando a verdade, mas, profissionalmente, não posso ficar sem o documento, senão me colocam na rua.

E já que estamos falando tanto em registro e documento, também vale acrescentar que tudo o que A GENTE faz também tem que estar documentado (“Se não está documentado, não está feito!”) em nossos “Papéis de Trabalho” – que não necessariamente são de papel hoje em dia. Como já expliquei, Excel existe e eu o adoro de paixão.


O trabalho de vocês é descobrir fraudes?

Não. O escopo principal do nosso trabalho é verificar se a contabilidade da empresa está razoavelmente certa.

Mas devemos estar atentos para esse tipo de coisa, e é possível descobrir operações mal intencionadas em alguns casos, porque pega muito mal pra auditoria emitir um parecer “limpo” de uma empresa que depois é acusada de fraude. As pessoas logo se perguntam: “Mas cadê a auditoria que não viu isso?”.

Acontece que nem sempre dá pra pegar a fraude. Seja porque aquela operação em específico não estava na nossa amostragem ou dentro do escopo de seleção relevante, seja porque o cliente age de má fé com a própria auditoria.

Mas tem coisas que se estiverem dentro da nossa amostra de testes determinada pela metodologia, são muito fáceis de ver, tipo emissão de nota para serviço que não existiu, despesas pessoais de diretores pagas pela empresa, caixa dois...

Já houve casos de empresas de auditoria que FALIRAM porque seus clientes foram descobertos em fraudes e eles não desconfiaram de nada. Mais tarde descobriram que a auditoria nem tinha culpa, mas aí já era tarde demais. Também por isso não podemos acreditar em qualquer história que o cliente conta pra gente.

Agora a pergunta mais difícil de todas:

Onde você trabalha?

Então, isso depende. Porque eu quase nunca fico no escritório da minha empresa, porque já que meu trabalho é entender, perguntar, verificar a contabilidade do cliente, nada mais justo do que fazer tudo isso lá da casa dele mesmo. Só que a gente não fica o ano inteiro auditando um cliente só, porque cada um tem um prazo diferente. 

Então, divide-se o tempo e as pessoas entre eles. De modo que eu não tenho casa, nada é certo, e hoje eu posso estar aqui perto, na outra semana no outro lado do Brasil. É claro que existe uma programação mais ou menos definida e não necessariamente a vida será essa loucura de viagens e ligações inesperadas o tempo todo. Eu, por exemplo, só faço clientes no Centro do Rio, nunca tive que viajar e trabalho mais ou menos com as mesmas equipes. Mas essa instabilidade existe e é uma das coisas que eu menos gosto na profissão.

Porque além de tornar uma pergunta como “Onde você trabalha?” extremamente complexa (olha só quantas linhas eu já gastei tentando explicar!), dificulta muito a sua capacidade de planejamento, transformando a marcação de idas ao cinema ou consultas médicas em atividades não tão simples assim. 

Sem contar que uma coisa é você trabalhar e lidar com as mesmas pessoas todos os dias. Outra é ter que se provar constantemente para pessoas que não te conhecem ou ter que aprender a lidar com a personalidade de cada uma delas (seja da equipe, seja do cliente) quase que sempre. E ao mesmo tempo que existe gente muito legal, também existe gente muito babaca. Só que nesse último caso, pelo menos a falta de rotina ajuda, porque não necessariamente você vai ter que olhar na cara dela durante todos os dias do ano. (Só para deixar claro, até que tenho muita sorte porque adoro as pessoas com quem trabalho. A gente ri o dia inteiro, fala besteira, faz musiquinha...)

No próximo post eu termino a série com algumas observações e histórias engraçadas e outras curiosidades da profissão (tanto da contabilidade, quanto da auditoria).
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O que eu faço da vida #01: Os mitos


2012 foi meu primeiro ano sem estudar (assim certinho de segunda a sexta, pra pegar um diploma no final). E eu não senti a mínima falta.

Mesmo antes disso, já tem um tempinho que "trabalho" pra mim deixou de ser sinônimo de ir pra casa do colega brincar depois de terminar a tarefa especial para casa da professora. Dizem que você deve escolher um trabalho que ame e assim você nunca terá que trabalhar. O que é a maior mentira, porque AMO meu trabalho (graças a Deus!), mas ele ainda é trabalho, com toda a gratificação de fazê-lo e todo o estresse em épocas de pique (ah, sim, ao contrário da infância, pique por lá não é muito divertido).

E como nos últimos tempos tenho me deparado muito com a simples pergunta, porém com resposta complexa, que diz: “O que você faz lá no seu trabalho?”.

Pra quem ainda não sabe, apesar do meu passado informático, sou formada em contabilidade e trabalho com auditoria. E se já é difícil explicar o que faz um contador, mais difícil ainda é tentar situar alguém de fora no que consiste o meu trabalho de auditoria. Então, achei legal perder um tempinho para dar uma ideia do que eu faço da vida.

Vamos começar com a primeira pergunta, então:

O que é a contabilidade?
Segundo a Wikipédia: Contabilidade é a ciência que tem como objeto de estudo o patrimônio das entidades, seus fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo, registrando os fatos e atos de natureza econômico-financeira que o afetam e estudando suas consequências na dinâmica financeira.

Agora for dummies: Contabilidade é a ciência que se preocupa com o registro das operações de uma empresa. Ela tem como objetivo, através dos lançamentos feitos em partidas dobradas, transparecer a situação patrimonial da entidade da melhor forma possível. Ao final do exercício, as “grandes empresas”, grosseiramente falando, devem divulgar as demonstrações financeiras (no popular, “o balanço”) para os interessados a fim de que estes possam tomar as melhores decisões possíveis.

O que faz o contador?

Ao contrário do que o Felipe achou uma vez, o contador não fica contando coisas. Mas o Felipe não é parâmetro pra ninguém, né, gente!

Mas antes, vamos quebrar alguns mitos disseminados pela mídia ou pelo senso comum sobre meus colegas de profissão.

#01: Contadores são frustrados

Nos filmes, o contador é sempre o mané, o otário, o tímido, o frustrado que sonhava em ser importante mas acabou fazendo contabilidade por terem lhe negado um papel principal na peça da escola. 

Não acredite nisso. A maioria dos contadores que eu conheço vive muito feliz na sua profissão. E o que eu mais escuto nessas minhas andanças por aí é gente se lamentando porque devia ter feito contabilidade ao invés de administração, economia, engenharia, enfermagem, etc.

Porque, ao contrário dessas outras profissões que têm escopos muito vagos, a contabilidade é certeira, prática, e só o contabilista pode assinar o balanço. 

Nos primeiros episódios de Glee, o Mr. Schue ficava na dúvida se continuava como professor ou teria de fazer o imenso esforço de trabalhar com contabilidade, como se qualquer um fosse qualificado para o serviço. (E até hoje eu não sei se ele era formado em contabilidade mesmo, porque, naquele episódio do Ricky Martin, eles deixam bem claro que o mentor do Glee Club também não tinha nenhuma formação acadêmica para dar aula, então vai entender o que se passa na cabeça do Ryan Murphy).

#02: Contadores vivem rodeados de papel

É muito comum o contador ser associado à figura do cidadão arcaico e infeliz que vive rodeado de papéis, fica com uma calculadora daquelas que sai uma fitinha e usa uma viseira na testa. 


Não vou dizer pra você que ainda não exista gente trabalhando desse jeito. Mas posso te garantir que essas pessoas já têm mais de 50 anos de idade. Quer dizer, não sei se vocês sabem, mas existe uma coisa chamada “Computador”, que revolucionou o armazenamento das informações. É bem verdade que ainda tem muita coisa em papel (até porque só pode ser registrado aquilo que está documentado), mas o modo de trabalhar está totalmente informatizado. Não tem mais aquela de ficar escrevendo à mão nos livros. É tudo feito nos sistemas. Às vezes até integrados com os utilizados para o gerenciamento da empresa.

#03: Contadores sabem tudo de matemática e fazem todos os cálculos de conta de cabeça

Outro mito muito comum que assusta quem não faz ideia do que seja contabilidade é a lenda de o curso tem muita matemática e que seus alunos resolvem todos os cálculos de cabeça.

Pra falar a verdade, contabilidade envolve basicamente as quatro operações (no máximo uma potência e uma raiz). Você vai ver um pouquinho de cálculo (que não vai lhe servir para nada), estatística (que pelo menos serve pra fazer prova de concurso) e matemática financeira. De resto são matérias específicas do curso que utilizam sim muita matemática. Mas é tudo muito concreto e nada que um aluno que aprendeu bem a matéria do ensino fundamental não consiga tirar de letra.

Agora sobre a calculadora com a fitinha, ela realmente existiu, porque contador não é bom de conta de cabeça. Mas também já ficou pra trás porque, hello, existe Excel, gente!

Um detalhe: Mexo com planilha Excel o dia inteiro. E descobri que nasci pra isso. Copia os dados pra cá, transpõe tabela pra lá, separa as colunas, sumariza do outro lado, seleciona os maiores, aplica um monte de fórmulas, usa formatação condicional, muito PROCV, tabela dinâmica... Recebo arquivos de tudo quanto é formato, e tenho que dar um jeito pra transformar tudo em uma planilha agradável de manipular. Estou sempre tentando descobrir uma maneira de otimizar o processo, porque ninguém merece trabalho manual! O dia que eu aprender a fazer macro ninguém me segura!

 #04: Contadores são ricos
Então, não é porque contadores são profissionais que lidam com finanças que eles necessariamente são ricos. Mas não vou mentir pra vocês. Existem contadores ricos, sim. Mas geralmente são os caras que já ocupam um cargo de diretoria, gerência, chefia dentro do departamento, que realmente assina o balanço e tal. E enquanto você tem o chefe ganhando uma quantia, hmmm, interessante, também tem o estagiário ou assistente ganhando muito, muito menos. Tem bem mais a ver com a posição do seu cargo do que com área em que atua. Mesmo assim, isso varia MUITO de onde você vai trabalhar. E dependendo de onde você trabalhe pode ser que continue ganhando mal a vida toda (mesmo ocupando um cargo interessante).

As áreas da contabilidade

A Contabilidade permite que o graduado atue em diversas áreas da profissão como:
  •  Contabilidade gerencial - Menos preocupada com o registro e sim com a relação entre os custos dos produtos e serviços ofertados.
  • Contabilidade Tributária/Fiscal – Relacionada ao estudo e ao cálculo dos tributos devidos.
  • Contabilidade Pública – Área que estuda o registro das operações das entidades públicas.
  • Perícia Contábil – Contratada para emitir parecer acerca do patrimônio da empresa quando dentro de um processo de litígio.
  • Auditoria – Depois eu falo.

Passado e futuro

Contador não é vidente. E isso é uma das coisas que eu mais gosto na profissão. A contabilidade é ao mesmo tempo um meio (para as tomadas de decisão) e um fim (que mostra o que resultou de tudo o que aconteceu na empresa, desde seu nascimento). Não vou dizer que seja uma ciência totalmente exata, porque nos últimos tempos, com a aprovação das normas internacionais, ela adquiriu um teor subjetivo maior. Porém, na maioria dos casos, existe sim uma resposta correta pra tudo e a gente não fica muito na base do “Depende”. E outra: uma hora ou outra, mesmo sem querer, você vai estudar nem que seja um pouquinho de contabilidade na sua vida.

Alguns podem alegar que o contador só se importa em registrar o passado, sendo sua função meramente ilustrativa para fins de cumprir a obrigatoriedade com o fisco e em alguns casos de empresas pequenas, familiares, isso pode até ser verdade. 

O contador dificilmente terá uma visão gerencial, de tomada de decisão, preocupado se as vendas vão aumentar, se vão diminuir, de as despesas devem ser cortadas ou não. Ainda mais em microempresas. Mas o seu trabalho deve servir de base para que aqueles que vão tomar as decisões possam ter uma visão clara de que as vendas aumentaram, diminuíram, se as despesas estão muito altas, se a empresa está dando lucro ou prejuízo, e então possam traçar sua estratégia.

E se a contabilidade estiver uma bagunça ou estiver refletindo uma situação preocupante (por exemplo, muitas dívidas e poucas garantias de pagamento), e a empresa quiser pegar um empréstimo, participar de uma licitação, vender a companhia ou até abrir o capital, eu duvido muito que ela consiga.

Nas empresas maiores, como elas têm a necessidade de divulgar periodicamente suas demonstrações financeiras, o setor da contabilidade é um pouco mais respeitado. Afinal, todo mundo vai ver um retrato da situação patrimonial da empresa saindo no jornal! E pra sair no jornal tem que estar bem bonito na foto, afinal todo mundo vai ver, e aqueles poucos doidos investidores, fornecedores, clientes que leem aquelas letras miúdas tem que ter uma visão muito clara de como a empresa está.

E é aí que entra a auditoria! Mas isso é melhor eu explicar na semana que vem! 

No final de tudo, nosso trabalho acaba resultando numa DF tipo assim:
E quando tem que sair no jornal mesmo, dá vontade de falar: “Manhê, fui eu que fiz!”

PS Se tiver alguma pergunta, a caixa de comentários está aberta às dúvidas. :)
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domingo, 30 de dezembro de 2012

Identidades e Amigos Secretos


Alguns de vocês já estão acostumados a minha habitual paranóia na internet. Não acho que me prive de muita coisa, caso contrário não teria um blog em que ocasionalmente posto fotos pessoais e praticamente sempre deixo escapar muito do que eu penso mas não teria coragem para falar na vida real. Contudo, ao mesmo tempo em que desfruto de certa liberdade na internet, morro de medo de ser “desmascarada”.

Sou do tempo em que internet era sinônimo de anonimato. Em que a gente podia ser quem a gente quisesse, sem mostrar a cara, sem esbarrar em pessoas que não temos a menor intenção de encontrar nos momentos de lazer na vida real. É claro que com o advento das redes sociais isso tudo mudou e ao invés de a internet ser o lugar onde as pessoas se escondiam para se mostrar, agora ela é o lugar onde elas se mostram para se esconder (se é que faz algum sentido). E isso bagunçou tudo. 

Porque com a Lei dos Seis Graus de Separação, bastam alguns cliques para ter acesso a todo um arsenal de informações sobre gente que você conhece ou pode vir a conhecer.

Pois então. Tenho blog, conta no Twitter, Orkut e recentemente abri um perfil no Facebook, mas faço o possível para uma coisa não interferir na outra e dificulto a vida de quem queira traçar as conexões entre elas e estabelecer mais contatos do que o nível de privilégios de sua conta permite. Tremo na espinha toda vez que alguém de um determinado nicho invade o habitat do outro (principalmente no blog), cheia de medo do que elas vão pensar.

Sei que devia deixar esse tipo de paranóia de lado, porque na maioria das vezes o resultado dessa interferência é bem legal, e ao contrário do que eu sempre imagino, elas não vêm falar comigo cheios de pedras na mão, mas com um punhado de palavras elogiosas que inflam bastante o ego.

Mas faço isso porque eu sou boa nesse negócio de detetive virtual e quando tenho tempo para fazer esse tipo de coisa, descubro outras bem nonsense. Para você ter uma ideia, na época do colégio, quando não tínhamos mais nada para fazer, digitávamos o nome de professores no Google só pra ver o que aparecia. E traçávamos um bom perfil dos caras, mesmo com pouca coisa disponível. 

Então, para você que se pergunta por que eu não coloco widgets do Twitter no blog ou link do blog no perfil do Twitter, ou uma foto de rosto nas redes sociais, a razão da minha paranóia já começa por eu não confiar em mim mesma. Que dirá confiar em qualquer um que apareça pelo meu caminho e decida procurar meu nome por aí para ver o que acha.

Não quero ficar dando satisfações da minha vida real e virtual para quem não merece. Não quero que elas tenham acesso a partes da minha vida que não lhes dizem respeito. E não quero que algumas pessoas que apenas fizeram participação como coadjuvantes dela em algum momento continuem tendo acesso a minha pessoa (ou à determinada parte da minha pessoa), depois já terem saído dela completamente.

(Você que lê esse blog e nunca dá as caras nos comentários, e por acaso me conhece de verdade, não se sinta acanhado ou expulso desse humilde espaço cibernético. Pode continuar vindo, tenho maturidade suficiente para postar somente aquilo com o que eu posso lidar no futuro. Se quiser, pode até dar um “ Oi” nos comments ali embaixo. E você que lê esse blog e gostaria que mais pessoas o conhecessem, tudo bem, também. Não me importo com a divulgação. Até gosto. Já passei DESSE nível de paranóia, sei que não tenho controle sobre a internet, apenas faço a minha parte para ter essa falsa ilusão de que tenho algum poder sobre ela.)

Recentemente encontrei com uma pessoa assim, que ficava procurando o nome dos outros nos sites, rastreando a vida virtual de qualquer um que conhecia e agradeci muito a Deus por ainda não ter colocado a foto no perfil do Facebook, por usar um pseudo-pseudônimo no blog, e por não ter página de apresentação sobre a blogueira. Acho até que a pessoa chegou muito perto de me descobrir, mas acho que a falta de integração entre as contas não permitiu que ela fizesse o trabalho completo.

Mas o problema maior não é se mostrar para pessoas que você não conhece. É se mostrar para pessoas que acham que te conhece. Pessoas que você fez um esforço hercúleo para esconder aquela parte de si que sabe que será alvo das infinitas brincadeiras sem graça. Ou pessoas que você fez questão de não mostrar outros lados mais sombrios, mais alegres, diferentes de você mesmo, por pura preguiça de ficar se explicando demais.

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Certo dia, em pleno feriado ensolarado, eu estava no escritório trabalhando por causa do prazo apertado de um projeto. Nas baias ao lado, estava uma outra equipe também trabalhando pelos mesmos motivos. O tal dia era o dia da estréia de Amanhecer – Parte 2 e uma menina da outra equipe caiu na desgraça de contar que era fã da saga. Pronto. Foi o suficiente para virar motivo de chacota entre todos os colegas durante toda a tarde. O gerente metia o malho na série, e a menina ainda tentava defender Edward, Bella e Cia, inutilmente, claro, já que não existe argumento no mundo capaz de fazer qualquer um com um mínimo de consciência mudar de opinião.

É claro que no dia eu não me agüentei e ri demais das zoações do pessoal com Crepúsculo (porque eu não me agüento e tenho que rir com essas trollagens de Crepúsculo, pelo simples motivo de a série já ter nascido zoada pela própria autora que não teve a capacidade de parar um segundo e pensar: “Peraí, o meu vampiro BRILHA, isso não tem nada a ver!” ou “Será que não vai ficar esquisito esse negócio do imprinting do Jacob num bebê?”), mas secretamente tentei mandar mensagens telepáticas para ver se melhorava a situação dela: “Mas, menina, você não tem noção, não? Ficar falando esse tipo de coisa pros seus colegas de trabalho? Para de tentar defender! Ria de você mesma, vai ficar menos constrangedor!”.

Pra piorar, a menina ainda contou que gostava de Harry Potter e tinha ido a uma premiere fantasiada uma vez. Ok, as mensagens telepáticas não funcionaram e ela cavou a própria tumba agora, enfim.

Mas enquanto ria e morria de vergonha por ela, lá no fundo, a verdade é que eu invejei a tal garota. Achei-a muito corajosa, de fato. Porque é preciso uma boa dose de coragem para admitir em alto e bom som, num ambiente completamente hostil: “Gosto de Crepúsculo mesmo. E daí?”. Por um momento quis ser completamente honesta como ela e não ter medo de me esconder debaixo de uma “identidade secreta”. Porque eu não gosto de Crepúsculo, mas é claro que também tenho um monte de esqueletos no armário que acho (e às vezes sei) que não seriam muito bem vistos por pessoas do mundo adulto e por isso os escondo.

Mas desisti porque ser corajoso e honesto dá muito trabalho (mais trabalho do que dificultar a conexão entre os perfis das redes sociais), e perto de gente que não te entende traz mais dor de cabeça do que alívio.

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Num outro dia, estávamos conversando eu e a Ju no Twitter sobre o que comprar de amigo oculto para um amigo contador. Como sou contadora, dei várias ideias e me diverti num site com camisetas personalizadas que acabei descobrindo. O tempo passou e por causa de um outro amigo oculto (esse só com pessoas da blogosfera), acabei adicionando a Ju também no Facebook. Num belo dia, eis que estava passando as atualizações do Facebook e apareceu uma foto de um cdt (colega de trabalho) nas fotos da Ju!!!!! E depois que eu fui falar com ela, ela me disse que o tal cdt era o contador que ela tinha tirado no Amigo Oculto!!!!!!!!

:O
:O
:O

Eita, mundo pequeno!!!!!

(Se você parar pra pensar, até que não seria tão pequeno, já que, eu e a Ju moramos relativamente perto, mas mesmo assim, né!)

É claro que naquele momento, todo o meu plano de separação das IDs na internet estava prestes a ruir já que a Teoria dos 6 Graus de Separação tinha precisado de apenas 1 Grau para se cumprir e o cdt obviamente iria me adicionar no Feisse (agora eu já tinha foto!), abrindo as portas para os “Adicionar” de todos os outros CDTs, então pedi encarecidamente pra Ju não contar do blog, por causa da história das Identidades Secretas e da minha paranóia sempre alerta, ao passo que ela, professora, entendeu completamente a minha preocupação (Obrigada, Ju!).

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E eis que depois daquele casamento de que comentei outro dia, a galera lembrou como era bom estar todo mundo junto novamente e num dia desses travamos uma conversa que foi até a madrugada.

Como sempre acontece quando a gente resolve conversar, tenho uma sensação boa, de pertencimento mútuo que é muito difícil de acontecer. Entre piadas absurdas e babados fortíssimos, em certo momento do papo, chegamos à conclusão de como é bom se esquecer que crescemos de vez em quando. E como era bom como isso acontecia quando estávamos juntos.

Gosto de estar com eles porque eu não preciso lembrar que cresci. Gosto de estar com eles porque não recebo olhares tortos cheios de julgamentos sobre tudo. Gosto de não ser a novata, a responsável, a quietinha. Gosto de ser um pouco maluca de vez em quando e como eles me entendem sem precisar dizer uma palavra. Gosto de como não preciso pensar muito antes de falar, nem escolher ou esconder qual identidade mostrar, com medo das interpretações erradas e das piadinhas de mau gosto que durarão para sempre.

Nesse dia outra coisa legal aconteceu e a gente quase marcou uma viagem junto. Em outra situação, não vou mentir pra você, a tal viagem também me daria um frio na espinha, porque esse tipo de coisa com gente que você não tem intimidade suficiente só poderia acabar em roubada. Mas naquele contexto, estranhamente, eu achei que seria uma boa ideia. O motivo do passeio era ainda mais nobre. E eu percebi o quanto eu tinha sorte de ter encontrado amigos tão leais.

E eu percebi que também que gosto deles porque com eles eu tenho vontade de ser uma pessoa melhor. Gosto deles porque com eles eu sou uma pessoa melhor. Gosto deles porque com eles eu posso ser quem eu quiser. Porque eu posso ser simplesmente eu.

PS A propósito, eu gosto de vocês, leitores do blog por todos esses motivos que eu listei agora também.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Treinamento para o Fim do Mundo

Queridos leitores do Inútil Nostalgia, começo escrevendo esse post exatamente às 20:00 do dia 21/12/2012, mais conhecido como o Dia do Fim do Mundo.

Pelo menos o Fim do Mundo dessa década. Em 1999 também tinha uma dessas e estamos aqui até hoje.

Eu sei que o blog anda meio parado nesse último mês e a verdade é que não tenho nenhuma razão boa o bastante para que isso tenha acontecido. É claro que existem motivos para tal ocorrido (ou não ocorrido, no caso), mas, por ora, posso garantir que desistir do Inútil nem sequer passa pela minha cabeça e que esse hiato mais demorado do que o normal talvez esteja relacionado com o próprio fato de dezembro ter começado. Queria ter escrito um texto sobre isso também. Prometo que escreverei. Não sei porque estou me alongando tanto me explicando, já que parece que quase ninguém passa por aqui mesmo, mas enfim. (Sim, estou fazendo chantagem por comentários se você ainda não se ligou)

Mas a questão é que são oito da noite e o mundo não acabou. E a questão é que já são 21/12 e faz quase um mês que o blog não recebe uma nova postagem. E a questão é que até meia-noite ainda é dia 21/12/12 e só me restam umas poucas horas para aproveitar essa desculpa para atualizar isso aqui.

A ideia inicial era fazer uma Playlista para o Fim do Mundo (e ela ainda será executada), mas antes queria contar que ontem, dia 20/12, teve treinamento de incêndio no prédio em que estou trabalhando essa semana e que, depois que descobri que também teve o tal treinamento no mesmo prédio em que um amigo meu trabalha, na mesma hora, ficou muito claro que na verdade era tudo um treinamento para caso o mundo realmente acabasse no dia de hoje.

Ah, sim, teve esse treinamento ontem e eu morri.

Veja bem, obviamente, não estou escrevendo esse texto do além (estilo Brás Cubas). E se vocês estão lendo esse texto, o mundo não acabou (ainda) e estamos todos vivos (acho).

Mas o negócio é que se realmente estivesse ocorrendo um incêndio no prédio (ou o mundo estivesse acabando), eu teria morrido sem ter a chance de tentar me salvar (se bem que se fosse o fim do mundo não ia ter muita saída mesmo, mas enfim).

Ok, vamos começar do começo agora.

E pra começar eu queria dizer que nunca participei de um treinamento de incêndio.

Por isso, quando o cliente veio lá na nossa salinha pra dizer que ia ter um negócio desses no prédio e que aí a sirene ia tocar e que todo mundo ia fazer filinha para descer as escadas (mesmo sendo 11 andares) eu achei que ia ser muito legal.

Estava realmente animada para o “evento” também porque sempre que falam em treinamento de incêndio em lembro de Um Tira no Jardim de Infância e da cena em que o Arnold Swasjcbnjkbjgkjkbhjs consegue salvar as criancinhas do seqüestrador porque tinha ensinado a não entrar em pânico em treinamentos de incêndios antes.

Já estava contando os minutos para quando a sirene tocasse e eu fingir pânico ou fingir para as pessoas não entrarem em pânico, e me sentir como uma criancinha de Um Tira no Jardim de Infância.

Só que deu 16h e a sirene não tocou. Deu 16h05, 16h10, 16h15 e nada. A gente olhou para fora da nossa salinha e achou muito estranho porque não tinha quase ninguém dos funcionários nas estações de trabalho. Mas por outro lado, nem era tão anormal assim, visto que pelo que eu percebi essa semana eles passam a maior parte do tempo comendo na copa ou conversando no banheiro mesmo. E de qualquer forma, a sirene ia tocar.

Dali a pouco entra uma mulher na sala zoando a gente: “Caramba, a Joana* [minha chefe] é carrasca, não deixou os meninos nem descerem pro treinamento de incêndio!”.
*nome fictício

A gente ficou com cara de tacho e perguntou: “Mas as pessoas já estão descendo?”, ao passo que a mulher respondeu: “O pessoal já está até voltando!”.

Nós: Mas como assim? Disseram pra gente que a sirene ia tocar! E a gente não ouviu!

Mulher: Ah, mas é que ela toca baixo na empresa do lado porque é uma empresa maior, blablablá

Que mané importa se a outra empresa é maior? As pessoas de lá valem mais do que as daqui?

Nós: Mas se tivesse pegando fogo de verdade ninguém vem aqui avisar pra salvar a gente? Iam deixar a gente morrer queimado? A gente só ia ficar sabendo quando a fumaça acionasse o sprinkler do teto?

Mulher: É!

Ela saiu da sala meio que ignorando tudo o que a gente tinha dito sobre a segurança do prédio e continuou a sacanear minha chefe de carrasca para todos os seus colegas de trabalho durante toda a tarde.

Tentamos alertá-los sobre o perigo da sirene não ter tocado inutilmente o resto do dia de ontem e de hoje. O prédio, por mais treinamentos que faça, não está preparado para o dia que ocorrer um incêndio de verdade. Eu sei porque nesse de mentira, eu morri queimada.

(Hoje chegamos à conclusão também de que o dia em que morrermos queimados, ninguém nem vai lá buscar nossos corpos, porque às vezes o pessoal da portaria deixa a gente entrar SEM CRACHÁ NENHUM, pela portinha do deficiente físico, então vai ser como se nunca tivéssimos entrado!)

Então, é isso. Pra quem tava enferrujada, até que deu pra tirar as teias de aranha disso aqui um pouquinho. Fiquem com a minha Playlist do Fim do Mundo. Acho de verdade que tinham que fazer um especial de fim de ano do mundo com gravação em DVD de todas essas músicas.

Lado A
Natasha (Capital Inicial)- Imagino muito a galera se acabando hoje no show do Capital aos versos de “O mundo vai acabar, ela só quer dançaaaar”.
Dançando (Agridoce) – “O mundo acaba hoje e eu estarei dançando...” – Alguém duvida que o eu-lírico dessa música é a própria Ana Paula que virou Natasha?
Um Minuto para o Fim do Mundo (CPM 22) – “Um minuto para o fim do mundo, toda a sua vida em sessenta segundos, uma volta no ponteiro do relógio pra dizer”. Porque tocava direto na Rádio Cidade, antes dela acabar (e voltar agora). Porque me lembra que 2006 foi um ano muito legal. De acordo com a observação da minha irmã, o 2º verso do refrão não acrescenta em nada, mas eu acho que discordo. Acho que e ainda ensinam quantos segundos tem num minuto inteiro.

Lado B 
It's the End of The World as We Know it (REM) – Narrando o fim do mundo. E nenhum pouco deprimido com isso.
Closing Time (Somesonic) – Porque a letra lembra Fim do Mundo e tem aquela cena bacana do flashmob de Amizade Colorida.
4 Minutes (Madonna ft. Justin Timberlake) – Porque Madonna nos lembra que por mais que o tempo passe, ela ainda consegue fazer como poucos uma música dançante legal dessas em 4 minutos.
O último dia (Paulinho Moska) – “Meu amor/O que você faria se só te restasse um dia?/Se o mundo fosse acabar/Me diz o que você faria?”
E pra encerrar...
E o mundo não se acabou – Aí a pessoa fez tudo o que o Paulinho Moska falou que ia fazer mesmo. Só que o mundo não acabou e aí, né...

Agora se liga. A música foi originalmente gravada pela Carmen Miranda. Pra você ver como esse papo de fim do mundo é antigo.

Não vou desejar Feliz Natal porque amanhã só vão ter sobrado as baratas mesmo pretendo fazer um outro post até lá, pra compensar o tempo perdido.
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