terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A História sem Fim

Era uma vez uma menina que não gostava de livros de fantasia. Mas essa mesma menina era apaixonada por metalinguagem. Certo dia, ela assistiu um filme chamado Coração de Tinta e adorou aquela história de ver os personagens invadindo o mundo real e o escritor abobalhado encontrando suas criaturas.

Mas ela também achou muita inverosimilhança todo aquele estardalhaço atrás de um exemplar de livro lançado em 2003, quando o Brandan Fraser podia muito bem tê-lo encontrado digitalizado na Internet. Além do mais, a história parecia um pouco A História Sem Fim, o qual ela havia visto o filme há muito tempo e só se lembrava vagamente que tinha um dragão da sorte (mais conhecido como um cachorrão voador muito simpático), e que o terceiro filme da franquia tinha o menino de Free Willy com o cabelo arrepiado – ela adorava o garoto de Free Willy, e Free Willy também, obviamente. Mas essa é uma outra história e terá que ser contada em outra ocasião.

Trocando em miúdos, a menina não se lembrava da História Sem Fim, mas lembrava que tinha marcado a sua infância e que uma profª do colégio uma vez havia comentado que esse livro era uma aula de literatura. Naquele dia, a menina encontrou-o no Estante Virtual por apenas 16 pratas, não pensou duas vezes e o comprou.

Muitas vezes tem-se a impressão de que quem manda nas histórias são os autores. Não é. Quem realmente tem o poder sobre elas é o leitor. É ele quem escolhe largar o livro ou levá-lo até o final. É ele quem o imagina do jeito que quiser. E, principalmente, é ele quem o interpreta da maneira que lhe convir e dá o veredicto final se a tal história é boa ou ruim.

Em A História Sem Fim, o leitor (também conhecido como VOCÊ) é representado por um BBB: Bastian Baltasar Bux*. Bastian é um menino gordinho e imaginativo que sofre com o bullying no colégio. Certo dia, Bastian rouba um livro de capa de cobre com duas cobras em forma de círculo, cujo título é A História sem Fim - Pois é, A História sem Fim é livro que VOCÊ está lendo, que contém Bastian, que também o está lendo. Ficou confuso? É isso mesmo. Calma que a gente chega lá. – e como qualquer leitor viciado não consegue largá-lo.
* Atenção para o trocadilho, Bux, Books (livros), sacou?

E assim VOCÊ vai acompanhando as emoções que o livro causou em Bastian (em vermelho) e a história propriamente dita que Bastian está lendo (em verde) até mais ou menos metade do livro.

Em verde: O reino de Fantasia (Calor... Céu azul, verde mar! Vem comigo nesse dia lindo! – Hehe, Brincadeirinha) está sob ameaça. Uma vez que o mundo dos homens passa a não mais praticar a arte de inventar histórias, a cada dia que passa, o reino é tomado pelo Nada. E quem pode salvá-lo é ninguém menos que VOCÊ – o leitor – no caso Bastian – o BBB – que tem de adentrá-lo e impedir que ele o Nada invada toda Fantasia.

E tanto em vermelho quanto em verde, o destaque mesmo é a metalinguagem. É metáfora atrás de metáfora. E cada uma delas desperta um sorriso de canto de boca no leitor esperto. Há as brincadeiras mais simples como a tristeza de Bastian (em vermelho) quando os personagens ficavam tristes (em verde), as discussões que Bastian tinha com o próprio livro, a fome que ele enfrentava porque não conseguia largá-lo... E outras mais ocultas como quando leitor e personagem veem-se através de um espelho. Afinal, quando ocorre a identificação entre os dois não é como se VOCÊ se enxergasse dentro da história?

Apesar de a menina estar gostando do fator metalinguagem do livro, ela não conseguia avançar muito com a leitura (aquelas descrições dos livros de fantasia e a alternância de cores não estavam facilitando). Os dias para ela estavam difíceis e a menina sabia que, se continuasse com o livro, iria descontar seu desgosto nele. Logo chegou um outro livro mais divertido e menos reflexivo e ela largou A História Sem Fim por um tempo.

Acontece que o mundo não iria permitir que a menina desistisse da História Sem Fim assim tão fácil e começou a mandar indiretas para que ela retomasse a leitura. A última frase do livro divertido era justamente uma citação da História Sem Fim. Num outro dia, ela entrou no Twitter, e havia uma recomendação para que se assistisse A História Sem Fim. Ela decidiu obedecer o destino e voltar para o livro.

Como dito anteriormente, até que Bastian entre de vez na História Sem Fim, passam-se quase 200 páginas! E quando Atreiú, o personagem responsável por encontrar o Salvador de Fantasia, volta de mãos abanando encontrar com a Imperatriz Criança e esta diz que ele já o encontrou, e fica com o sentimento de “Mas que palhaçada é essa?”, posso dizer que a sensação foi mútua. A explicação para tal é de que “o leitor precisava de uma história cheia de aventuras para conduzi-lo até ali” e é aceitável. Mas se a Imperatriz Criança dependesse de mim, com essa estratégia aí, o reino de Fantasia teria o mesmo destino do Programa Fantasia do SBT – o limbo.

E mesmo com todas as pistas do que Bastian devia fazer e que era ele mesmo quem devia fazê-lo, o garoto ainda demorou mais um capítulo para tomar vergonha e dar um jeito naquela história. Mas isso aí, eu tenho que dar o braço a torcer, foi legal à beça de se ver. Porque foi justamente nessa parte em que fomos apresentadas ao Velho Sábio que escreve A História Sem Fim (a parte em vermelho e a em verde) e aí o negócio ficou tipo A Origem – a história dentro da história dentro da história... Num looping infinito que faria qualquer programador perder o emprego (ainda bem que era A História Sem Fim, e não Matrix).


E ali onde eu achei que a história ia começar a ficar boa, foi onde ela ficou menos interessante. Narrativamente, ela se tornou mais fácil de acompanhar, embora não tenha sido tão empolgante assim. E metaforicamente, o livro perdeu muito do seu brilho (ou continuou com ele, mas de um jeito diferente e mais sombrio, sem despertar mais o riso de canto de boca do início).

Sim, ainda há a parte em que o leitor, ao entrar na história, pode ser tudo o que quiser e imaginar tudo o que quiser e esquece do mundo real. Mas também fiquei com a impressão de que a metade final da História Sem Fim era mais uma caminhada errante, como muitos livros de fantasia (e eu não gosto dessas coisas de caminhadas errantes).

Aqui ainda pode-se até interpretar esse caminho sem rumo como uma metáfora para mostrar que o leitor não sabe o que fazer quando adquire tanto poder, mas também fica a sensação de que foi muita luta e muita caminhada quando tudo poderia ter sido resolvido umas 100 páginas antes. Faltou clímax e a lição final de que o amor é a chave de tudo, com direito a laguinho mágico passou do limite do piegas (foi mal, depois de Lost eu fiquei traumatizada).

Não é um livro sobre os personagens. É um livro sobre o poder de transformação da leitura, e o destaque, realmente é a metalinguagem. Mas, bom, metalinguagem por metalinguagem, prefiro Mais Estranho que a Ficção. E não é que eu não tenha gostado da leitura. Foi uma experiência interessante. Eu diria até mais, foi uma experiência MUITO interessante. Mas essa é uma outra história e terá de ser contada em outra ocasião...

Epílogo

Uma das coisas que a menina mais gostou na História sem Fim foi que, ironicamente, ela tem fim. Apesar de existirem 3 filmes (mais sobre isso depois), a História sem Fim, de 1979, é um livro só. E se ele fosse mais atual, ela tem CERTEZA de que ia ser uma série, porque ao final do livro não faltaram pontas soltas. E isso NÃO é um defeito. Foi de propósito. Quer dizer, o nome do negócio A História Sem Fim, não é? Ela só está comentando que dava pra virar série MOLE!

Sobre os filmes, não se baseiem nos mesmos, pois apenas o primeiro respeita o livro. E mesmo assim, só uma parte. De resto é tudo invenção hollywoodiana. (Hollywood não é boba e não ia deixar uma história promissora dessas ficar em um filme só. O chato foi descobrir que aquele filme com o menino de Free Willy não tem nada a ver...). Mas a menina acabou de saber que o Leonardo Di Caprio está pensando em fazer um remake nos próximos anos (ele gostou mesmo desse negócio da história dentro da história dentro da história, hein!). Vamos ver no dá.
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Carta ao ET Bilu

Caro ET Bilu,

Há muito tempo que eu queria falar sobre esse assunto, mas sinto que só agora encontrei a pessoa, digo, o ser certo para debatê-lo.

A história é a seguinte, Bilu: mesmo antes da sua aparição, eu venho me empenhando em “buscar conhecimento”, mas acontece que essa tarefa não é tão simples quanto parece.

Eu sei que agora temos a Internet e que o surgimento do olho-que-tudo-vê do Google facilitou muito na hora de procurar o que se quer (como reza a lenda, se o Google não achou o que você queria, é porque aquilo ainda não existe. E é por isso que eu acredito em você, Bilu. Você está no Google, pode procurar), mas em algumas situações toda essa tecnologia, ao invés de ajudar, atrapalha. Porque o que o Google tem, Bilu, não é conhecimento. É informação. E nem sempre de fontes confiáveis.

E não me leve a mal, eu ADORO o Google, mas de vez em quando fico meio chateada com o bordão do Christian Pior - um humorista de um programa chamado Pânico na TV! - que diz “Não sabe? Joga no Google”. Parece que o “não saber” virou sinônimo de preguiça de procurar. Dizer “Não sei” nos dias de hoje é algo que chega a ser constrangedor, entende? Quer dizer, todo mundo diz que “Ninguém é obrigado a saber tudo”, mas ao mesmo tempo em que afirmam isso, reclamam como se a sua ignorância para determinado assunto fosse quase um crime. Sabe aquela frase de Sócrates que diz que “Quanto mais sei, mais sei que nada sei”? Acho que tem a ver com isso.

Mas deixemos o Sócrates e o Google um pouco de lado - porque, como eu disse, o Google não acha conhecimento e sim informação – e falemos daqueles realmente responsáveis por facilitar o acesso ao conhecimento: as instituições de ensino.

Para começar aqui no Brasil, a educação nunca é prioridade dos governos: o orçamento desse ano prevê uma redução de R$ 500 milhões para a educação, ao passo que os gastos com salário de parlamentares acabaram de subir mais de 50%, e há pouco tempo havia uma lei aqui no Rio de Janeiro que proibia os professores da rede pública de reprovar os alunos. No ensino particular (e eu posso falar tanto da rede pública quanto da particular, porque já estudei nas duas), a coisa é um pouco melhor, mas também falta compromisso por parte dos educadores para com o futuro do nosso país.

Quer dizer, existe muito professor ruim por aí, Bilu. Professores que não aparecem para dar aula, professores que só querem saber de reprovar o máximo de alunos possível, professores que passam a aula inteira contando piadas ao invés de ensinar alguma coisa e até professores que lecionam uma disciplina sem sabê-la e nem têm o cuidado de preparar as aulas antes. Nesse último caso, eu não sei nem quem é pior: se é o professor que aceita um cargo desses ou o coordenador do curso que o coloca em sala de aula.

Não sei como é lá no seu planeta, Bilu, mas posso garantir a você que esse tipo de comportamento não é o correto, porque por algum acaso, também já tive o prazer de assistir aulas com bons professores e o rendimento das turmas era absurdamente superior quando estimulados por esses verdadeiros heróis.

E sabe como eu me sinto quando tenho aula com esse tipo de charlatão enrolador? Me sinto enganada e perdendo meu tempo! Porque eu acordo cedo e pego condução cheia por um motivo, Bilu, eu quero aprender. E fico morrendo de raiva quando todo esse esforço se mostra em vão. Não sou autodidata, e tenho lá minhas ressalvas para com a educação à distância, por isso faço o curso presencial. Mas no final de um curso com montes desses professores, o que se percebe é que foi tudo uma grande mentira e que para APRENDER de verdade, vai ser necessário pagar OUTRO cursinho por fora. E sinceramente, isso é muito desanimador!

Também é engraçado notar como ultimamente há uma corrente de educadores que defendem o que eu gosto de chamar de “terceirização da educação”.Veja bem, não sou pedagoga, e nem tenho pretensão de ser, mas sou aluna e vou falar como tal. Parece que quanto mais o tempo passa, e mais os currículos são atualizados, menos conhecimento eles se comprometem em transmitir.

A alegação para tal segue mais ou menos o seguinte raciocínio: “Hoje em dia a informação está em todo lugar. Temos de tornar o conhecimento útil para a vida do aluno. O professor deve ser apenas um facilitador na busca pelo conhecimento e promover o debate, o pensamento próprio, não pode ser apenas um transmissor do conteúdo, porque se for para isso, o aluno vai lá - adivinha onde – no Google”.

Quer dizer, a tendência é ensinar cada vez menos, porque cada vez mais o conhecimento adquirido recebe o rótulo de “inútil” pela meninada ou ele poderia ser facilmente encontrado na Internet. Mas como definir o que é importante? Como definir o que não é? Tudo bem que uma pessoa que quer ser artista plástica não queira estudar Equilíbrio Químico, e que um futuro químico não queira estudar Machado de Assis, mas como saber do que se gosta e do que não se gosta se não se experimentou antes?

Não seria melhor que as instituições ensinassem pelo menos um pouquinho de tudo, mesmo que o estudante decida esquecer aquilo tudo? Quer dizer, não seria melhor que elas ensinassem de uma vez ao invés de terceirizar a passagem de conhecimento e aí o aluno não teria de apelar para o Google (afinal, nem tudo o que se tem na Internet é assim tão confiável), ou buscar OUTRO curso para suprir a deficiência do primeiro? Aliás, até que ponto esse “pouquinho de tudo” vai? Porque o conhecimento é infinito, mas o tempo é escasso...

E já que estamos falando em escassez de tempo, é ainda mais engraçado ver que esses mesmos caras que defendem “menos conteúdo, mais debate” são aqueles que criam um monte de matérias “anexas”. Sabe aquelas matérias em que “todo mundo passa”, mas que só fazem o aluno perder mais tempo no colégio e fazer mais provas e mais trabalhos? Pois é, Bilu, como se não houvesse disciplinas suficientes na grade curricular, circulam no congresso alguns projetos de lei para que sejam incorporadas milhões de novas matérias no currículo escolar, inclusive um que defende o ensino de “Amor ao próximo”. Amor ao próximo, Bilu! Isso lá é matéria que se coloque no quadro negro?

Eu sinceramente odiava (e ainda odeio) essas matérias. Não só porque não tinham objetivo nenhum, mas porque elas poderiam muito bem ser abordadas dentro de alguma outra disciplina, sem a necessidade de mais tempo na escola e mais provas. Agora, me responde uma coisa, Bilu, como ter tempo para realmente estudar e ensinar Português e Matemática se o aluno está preso na própria escola ouvindo “Como o amor ao próximo é importante”? Depois reclamam que os estudantes não sabem ler e nem fazer conta! O professor de português e matemática às vezes já não é bom, e o aluno não consegue recuperar a matéria em casa porque está “aprendendo” a amar ao próximo... Assim fica difícil, você não acha, Bilu?

Bem, desculpe a revolta, mas é que esse assunto realmente me tira do sério. E o pior é ver que às vezes as pessoas estudam, estudam, estudam e na hora do ‘vamo ver’, o QI (Quem Indica), ou fatores totalmente alheios (como o corte do seu cabelo ou o lugar onde você mora) é que mandam mesmo...

Quer dizer, sabe aquela história de que falar uma língua estrangeira é fundamental pro mercado de trabalho atual? Bom, não é tãããão fundamental assim. Passou no Jornal Hoje outro dia – é um jornal da Globo que passa na hora do almoço esse, Bilu. A Globo, infelizmente, não acredita em você – que o domínio de uma língua estrangeira é só o 15º (ou algo próximo disso) quesito que avaliam num candidato a vaga de emprego. 15º, Bilu! Antes disso, tinham 14 OUTRAS qualidades consideradas mais importantes! Espero que essa pesquisa esteja errada – o que não seria lá uma novidade porque o Jornal Hoje coloca no ar um monte de pesquisas duvidosas todos os dias. Mas também o que esperar de uma emissora que não acredita em você?.

De qualquer forma, prefiro continuar seguindo o seu conselho e buscando bastante conhecimento. Porque também como dizia um outro filósofo grego (Aristóteles, dessa vez), “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”, e eu espero colhê-los muito em breve.

Desde já agradeço sua atenção,
Elisa

PS. Se não for pedir muito, será que num próximo pronunciamento, você não poderia tentar abrir os olhos da população e deixar essas raízes da educação um pouco menos amargas?
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e começa outra vez...

Bom, Simone, em 2010 eu fiz uma porção de coisas. Foi um ano bem movimentado. Não sei dizer se foi bom ou ruim. Foi... diferente. Foi um ano de primeiras vezes, de mudanças, de jogar fora um monte de coisa velha, de ficar cansada e de aprender um monte de coisas novas. E como toda as mudanças, elas são sofridas, mas também trazem o crescimento que não teríamos caso elas não acontecessem.

Chega de papo furado, é hora de encarar a câmera de segurança do Cefet (piada interna - pois é, apesar de todas as mudanças eu ainda continuo bem nostálgica) e apresentar a Retrospectiva 2010.

Em 2010 eu...

•    Arranjei um estágio
•    Renovei o estágio
•    Arranjei outro estágio
•    Fiquei em 10º lugar num concurso tendo estudado só 4 dias (infelizmente só eram 3 vagas e também não ia rolar de tomar posse porque ainda faltava 1 ano e meio pra acabar a faculdade. Agora falta só um).
•    Fiz aula à noite da faculdade pra fugir da doida de Moda
•    Tive aula com um professor totalmente caquético que corrigia as provas do jeito que ele bem entendia e calculava as médias da mesma maneira (isso já no outro período)
•    Tive que implorar ponto pra esse professor caquético pra não ir pra prova final, mesmo que esse ponto fosse meu de direito porque ele tinha me roubado antes.
•    Consegui manter o blog atualizado, mesmo com o tempo livre bastante reduzido.
•    Conheci pessoas legais por causa do blog e recebi meus primeiros selinhos
•    “Fiz” um amigo virar blogueiro.
•     Esse amigo “me fez” criar um Twitter, meio contra a minha vontade (junto com mais outros dois amigos de Cefet twitteiros que tem até fake. Pronto, Felipe, rs!).
•    Aprendi a gostar do Twitter
•    Re-econtrei um amigo que eu já não via havia, deixa eu fazer as contas, 7 anos!!!!! (Pronto, Douglas! rs)
•    Instalei tv a Cabo na minha casa
•    Assisti aos Jogos da Copa na praia de Copa (quando mostrou aquela multidão lá em Brasil e Coréia do Norte, e em Brasil e Portugal – eu tava lá no meio! Ôooooo!)
•    Quase não assisti a Brasil e Costa do Marfim porque uma estofaria pegou fogo aqui perto de casa e a Light cortou a luz das redondezas.
•    Comemorei os gols atrasados por causa do delay da TV a cabo. (Os vizinhos gritavam quando o Robinho ainda estava entrando na área, a gente já sabia que era gol).
•    Tive que ir trabalhar depois de ver o Brasil perder da Holanda.
•    Torci pro Uruguai no melhor jogo da Copa (2º tempo da prorrogação. Soarez tira a bola com a mão no último minuto. Pênalti para Gana. Gana PERDE o pênalti e a disputa vai para... os pênaltis. Loco Abreu de cavadinhaaaa!)
•    Fui ao Engenhão ver Botafogo x Palmeiras (0x0)
•    Ganhei um celular novo (o antigo já estava pedindo arrego)
•    Ganhei uma cama nova (a antiga também já estava pedindo arrego)
•    Ganhei uma cômoda nova (idem)
•    Acompanhei a última temporada de Lost “ao vivo” pela 1ª vez.
•    Me decepcionei com o final de Lost
•    Presenciei um acidente de carro diante dos meus olhos, enquanto esperava para atraverssar a rua
•    Chorei com os desenhos da Pixar
•    Terminei o curso de Espanhol
•    Experimentei a sensação de pagar as coisas com cartão
•    Votei e encontrei meus companheiros de mesa em 2008 (não fui chamada esse ano)
•    Tive que votar de novo no 2º turno
•    Sofri com as piadinhas da Eliza Samúdio
•    Fiquei ilhada no Rio de Janeiro e achei que não ia chegar em casa nunca mais (esse NÃO foi o dia da enchente histórica)
•    Voltei pra casa na boa no dia da enchente histórica. Só fui ficar sabendo da enchente no dia seguinte, quase chegando na faculdade. Aí eu tive que voltar de metrô cheio sentido Pavuna às 10 da manhã, brincando de Tetris Humano (o metrô nesse sentido nunca fica desse jeito) – foi recorde de passageiros do metrô. Eu estava lá!
•    Aprendi a pegar um monte de ônibus diferentes
•    Aprendi a andar no Centro do Rio
•    Aprendi a falar ao telefone com gente que eu nem conheço...

E a lista poderia continuar com muitas outras coisas insignificantes (ou não), mas eu vou parar por aqui.

O ano novo já está batendo na porta e eu não faço a mínima do que ele me reserva. Só sei que em 2011 tem Bienal do Livro (e pra manter a tradição é claro que eu vou) e Rock In Rio no Rio (e pra manter a tradição é claro que eu não vou) e no final do ano, se Deus quiser, estarei formada (pois é, passou rapidinho. Parece que foi ontem que tinha medo de trote e me fazia malabarismo de matérias do Cefet e da Uerj...). Ah, sim, e tem a Anne apresentando o Oscar também (de suma importância isso, como eu pude me esquecer?).

De resto, vamos ver. Não faço promessas de ano novo porque sei que não cumpro, mas se tem uma coisa que eu vou fazer apesar dos meus maiores medos é continuar escrevendo pra cá pro Inútil porque é algo que me faz bem à beça. E espero que faça bem pra quem o visita também.

Porque aí quando a Simone vier perguntar no final do ano que vem o que foi que eu fiz, eu vou poder responder que fiz a diferença na vida de alguém, mesmo que semanalmente e por alguns minutos enquanto a pessoa lia o post.

Feliz 2011 pra você!
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domingo, 19 de dezembro de 2010

Desabafo

Acho que já falei aqui que de não ter controle das coisas. Não gosto de ter que me adaptar a uma nova situação. Não gosto de não saber onde estou pisando e de não saber como agir.

Não gosto de ser a garota nova, nem de ficar fazendo média o tempo todo até descobrir qual é a da pessoa de verdade. Por isso também não gosto quando me tratam como melhor amiga 5 minutos depois de terem me conhecido, esperando o mesmo tratamento íntimo. Acho estranho e medonho.

Não gosto de não poder falar besteira com medo de ser mal interpretada. Não gosto de ser mal interpretada, aliás, e por isso não saio contando tudo da minha vida para qualquer um que apareça. Também por não gostar que me julguem errado, não gosto de julgar os outros. E por isso demoro um século até admitir que talvez aquela pessoa realmente não preste.

Não gosto da sensação de saber que alguém não presta porque não gosto de fingir que está tudo bem quando não está. Não gosto de não saber se eu estou certa sobre essa sensação ou se é tudo paranóia minha. Na maioria das vezes, prefiro ser amiga dos meninos do que das meninas. Eles são menos complicados.

Não gosto que falem de mim pelas costas. E também não gosto de falar mal dos outros pelas costas. Acho feio, mesquinho e covarde. Não gosto de fofoca, nem de ficar por fora das piadinhas internas dos outros, aliás. Não gosto gente que fica mandando indiretas, nem de gente que não sabe guardar a sua opinião pra si porque ela pode magoar alguém.

Não gosto que se metam na minha vida quando não pedi opinião. Não gosto de gente mentirosa. Não gosto de gente que fala mais do que escuta. Nem de gente que não tem senso de humor e não entende (ou finge que não entende) e pra tudo tem que arranjar um motivo para discutir. Não gosto de ficar doente.

Não gosto quando não gostam de mim, mesmo sabendo que é impossível agradar a todos. Não gosto de me sentir deslocada e sozinha.

Não gosto de ter de convencer as pessoas de quem eu sou em alguns minutos (como se isso fosse possível) e não gosto de ter de falar o que as pessoas querem ouvir se aquilo não é a verdade também. Não gosto quando elas fazem isso o tempo todo, aliás. Acho uma babaquice como esse tipo de comportamento é considerado imprescindível em determinadas situações.

Não gosto de ser culpada por algo que não fiz e nem de injustiças em geral. E detesto ficar no meio de um conflito com o qual eu não tenho nada a ver.

Não gosto que pensem que sei tudo, mas realmente às vezes me incomoda o fato de não o saber. Não gosto de não saber a resposta certa. Prefiro ser perguntada do que perguntar. Não me importo em estar errada, mas não suporto errar (se é que isso faz algum sentido).

Não gosto de depender dos outros para qualquer coisa e nem de ficar devendo favores. Detesto que me olhem com ar de desdém e quando não confiam em mim. E também não gosto de saber que não posso confiar em alguém.

Não gosto de gente que se acha melhor que os outros por qualquer motivo. Nem de gente que se aproveita para pisar nos outros porque aí ela pode se sentir melhor.

Não gosto da sensação de não gostar. Remói por dentro, dá trabalho e me faz mal. Preferia ser indiferente a tudo isso e não sofrer, mas nem sempre isso é possível ou demora demais pra acontecer.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tão Ontem

Capítulo Zero – Parece que foi ontem

Minha história com esse livro foi de amor à primeira vista. Porque um livro com um nome desses e com essa capa super bacana* para uma nostálgica como eu não tinha como causar outro sentimento.
*Até o autor ficou orgulhoso do trabalho do Fábio Lyra - o designer. Tem razão, seu Scott. A capa do Brasil dá de 10 na americana.

Comprei-o na Bienal de 2007 e logo ele se tornou um dos meus livros preferidos. O engraçado é que da primeira vez que eu li, não entendi o final.  E isso nem fez muita diferença, porque continuei a gostar MUITO dele mesmo assim. (Pra você ver como o negócio é bom.). Aí a minha irmã leu e também não entendeu. Procurava alguém na Internet pra discutir o livro, alguma resenha interessante que contasse alguma coisa e NADA! Um absurdo um livro bom desses não ter a publicidade merecida.

A partir daí, passei a emprestá-lo para todo mundo por duas razões:
1) Era um livro unissex, inteligente, e que merecia que outras pessoas tomassem conhecimento dele, e
2) Pra ver se alguém entendia o final e me explicava o que tinha acontecido.

E é por isso também que ele já está meio desgastadinho, coitado.  É um dos meus livros mais rodados.

Capítulo Um – Tão Bom

A essa altura você deve estar se perguntando: “Mas que raios esse livro tem de Tão Especial? Por que você insiste tanto em dizer que ele é Tão Bom? Por que essa leitura é Tão Obrigatória?”. Bom, vamos deixar de papo fiado e falar um pouquinho do livro, então, né!

Hunter (do inglês, Caçador) é um Caçador de Tendências (Ha, valeu Scott!). Seu trabalho é observar as pessoas na rua e descobrir aquilo que tem potencial de se tornar a próxima moda. Num belo dia, ele conhece Jen, uma menina que amarrou os tênis de um jeito totalmente novo. Uma Inovadora, obviamente. A dupla é chamada para uma reunião misteriosa com Mandy, chefe de Hunter. Mas o encontro não acontece e tudo que descobrem é o celular de Mandy em um prédio abandonado. A partir daí, os dois vão enfrentar muitas confusões numa aventura imprevisível que dá um passeio pela cultura pop como a conhecemos.

Tão Ontem parece ser mais um livro juvenil, mas é muito mais que isso. É uma prova de que existe vida inteligente na adolescência e a equação perfeita entre diversão e informação. Pra começar, o livro é uma verdadeira aula de marketing. Todo aluno da disciplina devia ler, porque se aprende um monte* sobre coisas como a Pirâmide de Consumo, Pesquisas de Opinião, Regras de Negócios – e de um jeito absolutamente divertido.
* De verdade, durante as aulinhas de Marketing da faculdade eu lembrava de Tão Ontem direto.

Pra mostrar como eu aprendi direitinho, uma amostra grátis pra você experimentar:
Apesar disso, não se pode culpar o cliente por seguir a regra número um do consumismo: nunca dê aos consumidores o que eles realmente querem. Reduza o sonho a pedaços e espalhe-os como cinzas. Distribua promessas vazias. Embale as aspirações dos consumidores e lhes venda, assegurando-se de que elas acabem se desfazendo no ar.

Bacana, né?

Ironicamente, Scott Westerfeld não seguiu a regra número um do consumismo, e ao longo da narativa  encontramos de um pouco de tudo. O autor nos dá de uma só vez tudo aquilo que se pode esperar de uma excelente e envolvente história (aí a gente fica mal-acostumado...). Romance, mistério, ação, diálogos afiados, senso de humor, personagens legais e inusitados, uma boa reflexão sobre o mercado consumidor, e um bocado de conhecimentos gerais que vão de Fenícios a Franceses, de Pikachu a Pneumonia. Sabe aquilo que eu falei que ele ficou devendo em Feios? Tá tudo aqui...

Capítulo Dois – Missão Impossível

Mas voltando à minha história com Tão Ontem. Depois de anos, eu tomei vergonha na cara e resolvi relê-lo (porque quando eu emprestava o livro, ou ninguém entendia também, ou eu é que não lembrava mais da história e ficava sem base pra debater). E aí eu entendi TUDO! A emoção foi tanta que na época até enviei um email ao Felipe explicando tudo, porque:
1)    Ele também se perguntava o que tinha acontecido e
2)    Assim eu teria a explicação registrada para verificar a qualquer hora e poder discutir com alguém depois.

E a segunda leitura foi ainda mais legal que a primeira porque, além de eu ter entendido o final, pesquei algumas “piadas internas” (o toque do celular da Mandy e nomes de marcas sempre citadas como se fosse o "Leilão de Notas Musicais" daquele programa com o Silvio Santos em que os artistas testam seus conhecimentos de música popular, por exemplo) que só são possíveis de serem captadas depois de algum conhecimento de mundo.

É por isso que eu gosto de revisitar meus livros, filmes, músicas preferidos. Depois de grande, com outra cabeça, a gente percebe um monte de coisas que não tinha reparado antes. E é ainda mais legal quando a gente enxerga a mesma história com outros olhos.

Enfim, só para você não ficar com medo, Tão Ontem não é essa complicação toda. Ele explica tudo, só que tem de ter muita atenção no final (anota aí: VER CAPÍTULO 31!!!). E se você não entender, acredite em mim, a jornada é o que importa.
*Qualquer coisa, me passa um email que aí eu te encaminho a explicação, rs.

Capítulo Qualquer Coisa Muito Tempo Depois

Durante muito tempo fiquei imaginando como era o jeito Inovador de amarrar o cadarço da Jen. Aí um dia eu bem vi no metrô um menino com um cadarço amarrado de um jeito inovador. Fiquei com uma vontade imensa de pedir pra tirar uma foto do tênis da pessoa, mas me segurei. Pensei em disfarçar e tirar assim mesmo, mas achei que ia ficar muito na cara. As pessoas iam achar no mínimo que eu era doida.

E depois eu até CONHECI um Inovador que amarra o cadarço como se fosse um sol nascente (era assim o da Jen, né?). Quase fiz "O Gesto" quando vi.

Tão Ontem também teve seus direitos comprados para virar filme, mas desde 2006 não se tem notícias de a quantas anda a produção. Deve subir no telhado. Uma pena porque esse livro é daqueles que não precisa fazer nada. É só filmar.

O título do Tão Ontem em Francês ficou em inglês: Code Cool... A capa também ficou legal, mas a do Brasil ainda é mais cool.

Sério, gente, essa arte do livro não é apaixonante? 
Dá a maior vontade de brincar de dolls.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Passaporte para palavras

É engraçado perceber como a cultura de cada povo se reflete na língua e no seu jeito de falar. E não precisa nem ir muito longe. Aqui mesmo, no nosso próprio país, vemos o baiano, que fala como se o tempo não existisse; o carioca, que se acha o ixperrrrto; o gaúcho, que mais parece estar cantando o tempo todo; e sem esquecer do mineiro, que de tão matuto come o final das palavras tudin’.

Atravessando as fronteiras, a gente vê a língua portuguesa com todas as suas regras, conjugações, acentos, concordâncias e um monte de nerdismos lingüísticos que na oralidade todo mundo ignora, mas nem por isso a língua fica menos gostosa e poética aos ouvidos. Não por acaso, dá até pra entender um bocado de coisa dita por nossos vizinhos hispanohablantes, afinal, o berço das duas línguas se deu dentro da mesma península – há quem diga até que o espanhol é o português mal falado.

Ali do lado da tal península encontramos os franceses, que se acham ‘tre chic’ e falam fazendo biquinho e os russos e alemães, que parecem sempre com raiva – talvez por culpa do frio - e qualquer palavra banal nos faz ter vontade de responder: “É a sua mãe, tá legal?”. Já os italianos, na verdade, falam é com as mãos, e, se amarrados, creio eu que sentiriam muita dificuldade de se expressar. (Imagino como deve ser difícil extrair qualquer informação de um mafioso italiano algemado. Vai ver é por isso que o Berlusconi está solto até hoje...).

E finalmente, a língua inglesa, que em qualquer lugar do mundo se destaca pela praticidade. É quase como comida congelada. As palavras curtinhas, quase sempre monossílabas (e eles ainda tem a coragem de abreviá-las!), a ausência da concordância de gêneros, praticamente nenhuma desinência verbal e, acima de tudo, a facilidade que se tem em transformar qualquer substantivo em verbo sem nenhum tipo de esforço ou modificação.

E se num passado não muito distante as pessoas e as palavras transitavam pelo mundo com muita dificuldade, hoje em dia, a interação entre as pessoas passou a um nível mundial e quantidade de informação, além de infinita, está a apenas um clique.

Ao contrário das pessoas, as palavras não precisam de passaporte, e nesse contexto, mais uma vez a tradução/adaptação se faz importante tanto por sua presença, quanto pela sua ausência, uma vez que parece que entramos numa Torre de Babel contemporânea. Engraçado notar que aquilo que serviria para unificar (a tal globalização) acaba por segregar e confundir as pessoas.

Exemplo:
Em Contabilidade de Custos, temos 2 tipos de custeio: por ordem e por processo. O custeio por processo é feito de acordo com os processos pelos quais passa o produto e por ordem de acordo com os pedidos. Ora, se o custeio por processo é feito levando em conta, obviamente, os processos, por que diabos o custeio por ordem tem a ver com os pedidos e não com a ordem na linha de produção? Depois de muito tempo, percebi que o caso do custeio por ordem é igualmente óbvio, só que TALVEZ seja derivado de uma tradução preguiçosa, porque ORDER em inglês, nesse contexto significaria PEDIDO.

Em ambientes acadêmicos, esse tipo de coisa dificulta o entendimento e o aprendizado das coisas. E numa empresa em que o jargão corporativo (muita vezes também preguiçoso e até idiota) domina também é comum ver expressões como schedular, asap* (as soon as possible), entre outras, que podem causar um problema até maior de comunicação entre os empregados. Tudo porque a pessoa não quis escrever “agendar” e “o mais rápido possível”.
*Microsoft é mestre nessas abreviações. Uma vez vi uma palestra dela em que o cara dizia que lá eles abreviavam até o nome das pessoas, colocando a primeira letra do primeiro nome junto com o último sobrenome. Nesse dia eu e meus colegas ficamos pensando que alguém que se chamasse Alberto Rocha (A Rocha) ia sofrer por lá...

E mesmo fora dos lugares “obrigatórios”, é comum a prática por parte da população dita mais esclarecida desse tipo de adaptação besta e desnecessária ou mesmo a total importação de termos estrangeiros principalmente por culpa da Internet. Aí você põe aí na lista expressões como guilty pleasure, shame on me, cool, plot, flop, losers, ever, a.k.a., que não só têm substitutos totalmente aceitáveis em nossa língua materna (prazer com culpa, ai que vergonha, descolado, enredo, fracasso, manés/otários, de todos os tempos, ou) como às vezes são utilizados sem nem saber direito o que significam, ou sem se preocupar se o seu interlocutor sabe o que significa.

Isso quando não aparecem uns neologismos horrendos tipo beliviando, começam a utilizar uma palavra com sentido de outra - como no caso do order/pedido/ordem (que não está só nos livros e realmente faz parte de todas as relações comerciais) ou no caso do realizar usado com sentido de perceber (realize) -, abusam do gerundismo por causa do future continuous, e aí vai.
Obs.: Um das maiores culpados pelos estrangeirismos são os termos ligados à informática, geralmente órfãos de palavras que os definam, uma vez que quase sempre tratam de alguma novidade no mundo. Mas deletar, setar e restartar são palavras gringas que com alguma maquiagem ainda enganam de nacionais. Agora upar, printar, reloadear, deployar, downloadar, atachar (etc) são MUITO feios, pelo amor de Deus!

Pois é, eu sei que isso é fruto da dominação cultural-econômico-midiática estadunidense e que por vezes a língua inglesa é muito mais prática que a nossa (lembra que eu falei lá em cima que inglês é igual comida congelada?) e que às vezes as pessoas em seu dia-a-dia têm dificuldade de encontrar uma expressão similar assim de supetão durante uma conversa sobre aquele artigo maravilhoso que elas leram no New York Times (ou em qualquer outro veículo de comunicação), e até que a fonética de algumas delas pode alterar sua intensidade, mas, sinceramente, eu não estou nem aí.

Eu sou muito chata com essas coisas. Não vou dizer que não as use, mas as evito ao máximo. Acho essa história de “ah, mas eu penso em inglês” uma desculpa muito esfarrapada de gente prepotente e digna de Luciana Gimenez. E eu não sei você, mas eu acho que ser associado à Luciana Gimenez não é exatamente uma coisa tão in assim. Acho muito mais elegante buscar uma palavra no nosso próprio idioma, que cá pra nós tem vocábulos muito mais bonitos (fala aí, “vocábulo” é muito lindo, né não?), principalmente se a intenção for essa de “ficar por cima da carne seca”.

Então, fica a dica: toda vez que você estiver escrevendo e pensar num termo in ingrish, tente trocar para um nacional. Busque na memória, no dicionário ou no Google uma outra expressão com significado semelhante. E se ela, por acaso, for uma expressão antiga, caipira, fora de uso, ou um regionalismo, melhor ainda. O texto corre o risco de além de ficar mais bonito, ficar mais engraçado também. E se a intenção for parecer mais descontraído, a gente tem um monte de sufixos para adicionar nas palavras ditas sérias. Não precisa importar uma e colocar o nosso sufixo mesmo assim... Sei lá, fica muito artificial, sabe?

Mas o pior de tudo é que eu entendo que isso não é de hoje e que não temos para onde fugir. Se não fossem os estrangeirismos, não seríamos o país do futebol e sim do ludopédio. Um dia a língua considerada chique era o francês (aliás, chique deve vir francês também, né?) e dela pegamos emprestado os buquês, o abajur e o sutiã. E o que seria do português (do Brasil, pelo menos) sem a influência tupi do abacaxi (rimou!)? Aliás, até que ponto o português é português? Até que ponto ele não é latim, grego, galelo, sei lá? Até que ponto as palavras que a gente está acostumado a usar não são importadas de outros lugares? Até que ponto elas não são oriundas de alguma tradução miserável infeliz? Aliás, até ponto isso importa mesmo?

Essas são algumas das coisas que eu também fico me perguntando às vezes. Porque as palavras não precisam de passaporte. E apesar de todo esse texto, não sei dizer se isso é bom ou ruim. Acho que é bom, desde que elas se adequem a nós e não nós a elas. Pra variar é uma questão de costume. Só que tem coisas que eu não consigo me acostumar.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FMF3 e as 3 regras dos romances adolescentes

Fazendo Meu Filme 3 é o terceiro (dããã!) e penúltimo volume da quadrilogia – trilogia é para os fracos! - que conta a saga da mineirinha fissurada em cinema Fani Belluz e a paixão por seu melhor amigo Leo.

Quem gosta de livros/seriados adolescentes sabe, mesmo que inconscientemente, que existem alguns temas/regrinhas que devem ser considerados(as) à medida em que os personagens se aproximam da passagem para a vida adulta. Fazem parte do roteiro:

Regra nº1 - A Palavra com S (Sequiço!)
Estão lá as dúvidas, o desejo, as inseguranças, a espera, a dificuldade em lidar com o assunto e um pouquinho da aula de Educação Sexual também, porque tem gente que não tem mãe em casa e aí o livro tem que “ensinar” essas coisas.
Se FMF3 fosse realmente um filme, a classificação etária seria de uns 12 a 14 anos por Insinuação de Sexo. Mas se bobeasse, ganhava até uma censura livre, porque o assunto é tratado com a sutileza esperada de um livro juvenil.
Eu particularmente não gosto muito da Regra nº 1, porque quase sempre o assunto vem à tona de forma gratuita e dificilmente acrescenta algo à trama, sendo abordado na maioria das vezes apenas para cumprir tabela e fazer o papel dos pais ausentes  – Não é o caso de FMF3 - Mas continuemos.

Regra nº 2: Vestibular/Faculdade
Na terra do Tio Sam o problema é em qual universidade serão aceitos e se o amor do colegial sobreviverá à distância das faculdades, cada uma em um canto do país. Por aqui a crise mesmo é com a escolha do curso. Sempre o filho quer ser artista e o pai quer que seja administrador/advogado/farmacêutico... Nunca vi um conflito em que fosse o contrário. Quando o Seu Francisco mandava filho comer ovo cru, você não via o Zezé reclamando: "Não, pai! Eu não quero ser cantor! Eu quero ser ENGENHEIRO! Quero me matar de estudar física e matemática! Quero aprender limite, derivada e integral!!!!". Nunca é assim.

E nessas horas, me desculpa, eu meio que fico do lado dos pais. Porque muitas vezes as pessoas que seguem esse tipo de carreira NEM estudam e são as que se dão melhor na vida (simplesmente porque tem um rostinho bonito...). Na minha opinião, não é errado ter sonhos, mas não custa nada ter um plano B. Porque tudo bem que o filho tenha talento, mas nem sempre isso coloca o leite na mesa. De verdade. Por exemplo, a própria Paula escreve porque gosta. Porque se ela dependesse do que ganha com FMF, não pagava nem a viagem aqui pro Rio. Por isso a gente lançou a campanha: 
NÃO PEÇA LIVROS DE GRAÇA! COMPRE! 
AJUDE A PAULA A PAGAR A PASSAGEM PELO MENOS ATÉ A RODOVIÁRIA. 
Ela podia estar matando, ela podia estar roubando...

Regra nº 3 – O conflito
AVISO: Olha, eu pensei muito se devia escrever sobre a regra nº 3, com medo de dar algum Spoiler, mas o que eu vou falar não é nada do que aquela cartomante descarada já não tenha adiantado em plena metade do livro. Se você quiser, pode pular essa parte, mas eu acho que não tem nada demais.
A Regra nº3 diz que “Se você quer um final que seja relevante, deve criar um conflito de difícil resolução”. E por “difícil resolução”, leia-se: Tem de ser sofrido, tem de ser doído e tem de ser... complicado. De preferência deve ser uma situação em que quanto mais se pergunta “E se...?”, na tentativa de arranjar um culpado para tudo, mais se percebe que ambos na realidade são vítimas e o grande responsável não é um “quem” e sim um “quando”. O tempo é que na verdade acaba sendo o maior vilão no final das contas, por ter criado uma armadilha da qual não havia escapatória. E por mais dolorido que seja admitir, fez seu trabalho da melhor forma. E exatamente por isso, só o próprio tempo é que pode curar as feridas que ele fez questão de abrir.

Fazendo meu Filme 3 consegue numa tacada só arrebanhar os dramas de um vestibulando tanto à falta de tempo, quanto à escolha de curso e supreendentemente até quanto ao lugar onde estudar – coisa que não se vê muito aqui na nossa terrinha (Regra nº2). Mistura tudo com a Regra nº1 e, no final, ainda amarra toda a série com a Regra nº3 (e olha que isso não é um trabalho NADA fácil!).

E assim como em qualquer comédia romântica (ou “filmes de amorzinho”, como a Fani gosta de chamar), seguir a receita de bolo não é nenhum defeito. O que difere as boas histórias das ruins não é aquilo que acontece em si, mas o jeito de contá-las e a maneira como as coisas serão conduzidas até o final. Por mais esperado que seja o roteiro, as boas histórias são aquelas que nos "enganam" na medida certa, conseguindo assim nos surpreender e atender nossas expectativas ao mesmo tempo.

Felizmente, FMF3 faz parte do time das histórias boas. Em algumas horas você pode até ter a sensação de que "já viu esse filme”, mas em nenhum momento se sente desapontado com isso, porque mesmo assim parece um filme diferente, honesto, com suas próprias reviravoltas e sem a intenção de copiar as ideias alheias.

Os personagens continuam mineiros como sempre (e comendo todos os pronomes reflexivos) e a Internet continua a se fazer presente em seu cotidiano, assim como faz parte do nosso – adorei o blog da Fani, e me senti dentro da história com ele – e o melhor de tudo, trazendo conseqüências narrativas para o enredo. Estão de volta também os CDs, os filmes e inclusive aquelas coisas que me fazem pensar “Ai, Deus, só a Paula mesmo!”*. Agora o resto de "como" a história se desenrola, isso você vai ter que ler pra descobrir.

Extras:
Como todo DVD tem que ter comentários bônus, então lá vai:
- Pela madrugada que a Fani teve coragem de ver A incrível Jornada. Pior mesmo só pegasse pra ver aquele filme que passa na Sessão da Tarde do Cachorro Radiotivo (o cachorro, abandonado pela família, sofre um acidente nuclear e depois volta para se VINGAR!!!). Dica de filmes de cachorro legais: Bethoven (clássico!) e Perdido pra Cachorro (parece bobinho, mas tem umas boas tiradas, tipo a do Coiote que ajuda a ultrapassar a fronteira dos EUA).
- Falando em cachorro, Fani ganhando cachorro me lembra Chispita/Luz Clarita (seu remake), fato! Pensei que ela fosse ter que esconder o totó igual na novela...

- Aliás, achei muita injustiça ela levar o cachorro e deixa a tartaruga. Senti falta da Josefina no livro. Prontofalei.
- Adorei a parte que o Christian fala do Garry Marshall*. Adoro o jeito como o Garry dirige. Ele consegue transformar aquilo que podia ser vulgar em algo... doce! E adoro também como ele sempre coloca os próprios amigos/familiares nos filmes (nepotismo, haha!!!! Eu e minhas amigas apelidamos esse pessoal de “Amigos do Garry”, rs!), como ele faz um monte de piadinhas internas nos filmes, como ele fica fazendo festa nos sets de filmagem, como TODOS os atores gostam de ficar imitando ele (não à toa chamaram ele pra dublar O Galinho de Chicken Little)... Fala sério, ele tem a maior cara de vô legal! Assistir aos filmes do Garry é sempre um negócio engraçado. Primeiro porque a gente fica reconhecendo os Amigos do Garry, e depois porque dá pra ficar brincando de "Onde está Wally?", porque, anota aí, filme do Garry sempre tem Freiras, Beisebol e Malabares. Ah, e Hector Elizondo também. Pode procurar, de verdade. SEMPRE tem! Ele já falou que coloca de propósito! (Esse pessoal que fica lendo IMDb e assiste os filmes comentados não tem mais o que fazer mesmo... Hahaha!)
- Sr. e Sra. Smith é um filme maldito. Fato! Primeiro separou a Jen do Brad, e no FMF3, bom, aí você tem que ler.
- Ai, o Leo é tããão legal! Mandou flores pra Fani no Dia do Aniversário... Fani, ingrata, ficou reclamando, dizendo que ficou com vergonha. Da próxima vez o Leo devia mandar um carro de tele-mensagem pra ela ver o que é mico!
- O que foi a revista Rostos? Ri à beça. Christian amigo do Brad Pitt, encontrando com a Anne Hathaway.*.. Adooooro essas coisas!

- O livro não fala, mas o Leo queria vir pro Rio de verdade é porque o sonho de infância dele era trabalhar no Meia Hora, o jornal com as manchetes mais legais do país. Sério, trabalhar no Meia Hora deve ser diversão total! Vai nessa, Leo! (Brincadeira isso, viu gente! Só umas piadinhas pra descontrair).

E, mais uma vez, só pra não perder o hábito, um FAQzinho básico:
- Não, continuo não sendo a Elisa da página de agradecimentos.
- Sim, é óbvio que vai ter um FMF4.
- Sim, ele vai ser o último da série.
- Não, eu não tenho nem idéia do que a Paula preparou pro volume final, mas fica um aviso pra você que já leu o 3, e pra você que não leu também: Quando tiver uma parte que parece enrolação, mas na verdade é preparação, e um conflito dolorido assim, pode ter certeza de que o final está de arrebentar, porque quanto maior a dor, maior a redenção. Que venha o FMF4!
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