Em 2002, chegava às lojas o aclamado álbum de estréia dos californianos do Maroon 5, Songs about Jane. A tal Jane era uma ex-namorada que disse "goodbye” pro Adam e inspirou todas as 12 canções do CD, o qual levou a banda ao estrelato com hits como This Love, She Will Be Loved, Sunday Morning e Harder to Breathe.
O curioso dessa história toda é que, embora Jane (como é chamado pelos fãs) seja sucesso absoluto de público e crítica, o CD demorou para estourar. This Love só arrebentou mesmo em 2004, dois anos depois do lançamento do álbum! No Brasil, o hit chegou ao topo das paradas com a ajuda da trilha de Senhora do Destino e lá ficou por muito tempo. Antes disso, a banda até já tinha dado uma passada por aqui, mas, na época, nem eu e nem ninguém sabia quem eram aqueles magrelos bonitinhos liderados por um vocalista de voz fina.
Em 2012, Jane volta às lojas em uma edição especial de seu 10º aniversário (com direito a versões demo de todas as 12 Canções sobre Jane - gamei na demo de Sunday Morning que tem um solo de sax de enlouquecer! -, outras músicas que já haviam sido lançadas com o Jane original em outros países, e, se não me engano, uma inédita) quase ao mesmo tempo em que a banda lança seu mais novo trabalho, Overexposed.
O curioso dessa história toda é que, embora Jane (como é chamado pelos fãs) seja sucesso absoluto de público e crítica, o CD demorou para estourar. This Love só arrebentou mesmo em 2004, dois anos depois do lançamento do álbum! No Brasil, o hit chegou ao topo das paradas com a ajuda da trilha de Senhora do Destino e lá ficou por muito tempo. Antes disso, a banda até já tinha dado uma passada por aqui, mas, na época, nem eu e nem ninguém sabia quem eram aqueles magrelos bonitinhos liderados por um vocalista de voz fina.
Em 2012, Jane volta às lojas em uma edição especial de seu 10º aniversário (com direito a versões demo de todas as 12 Canções sobre Jane - gamei na demo de Sunday Morning que tem um solo de sax de enlouquecer! -, outras músicas que já haviam sido lançadas com o Jane original em outros países, e, se não me engano, uma inédita) quase ao mesmo tempo em que a banda lança seu mais novo trabalho, Overexposed.
10 anos depois Songs About Jane não envelheceu nada e suas canções ainda soam ótimas! Mesmo os sucessos mais grudentos não parecem anacrônicos depois de tanto tempo! É um dos álbuns mais importantes da década passada e me arrisco a dizer que se torne um clássico do pop-rock! Coisa que com certeza não vai acontecer com esse novo CD.
De Jane para cá, a banda azeitou o som com o também ótimo It Won’t Be Soon Before Long e aguou um bocadinho com Hands All Over (ainda mantendo seu padrão M5 qualidade). Mas o sucesso experimentado com This Love nunca mais foi o mesmo. Isso até o Adam entrar no The Voice, aparecer na TV toda semana, fazer uma parceria com Christina Aguilera (também jurada do programa), e lançar a dançante Moves Like Jagger. O Maroon 5 estava sob todos os holofotes novamente. (E o Adam adorou!)
Na fome de conseguir alimentar o novo público atingido com Moves Like Jagger, o M5 abriu mão do sabor, da qualidade e da consistência que havia conquistado há 10 anos e tacou água no feijão.
Manhê, bota água no feijão que vem mais gente pra almoçar!
E o mais irônico disso tudo é que por incrível que pareça, a nova fase da banda vem calcada em uma boa dose de nostalgia. A chicletuda canção que os trouxe de volta ao topo faz homenagem ao maior pé frio de todas as Copas e dinossauro do rock, Mick Jagger, e a grudenta Payphone (que sem o rapzinho maldito fica bem melhor) seria apenas uma canção comum na época do lançamento de Jane, mas, agora, 10 anos depois, num mundo onde todos têm celular, se você está no telefone público, tentando voltar pra casa, e gastou todo troco naquela ligação, é porque tem alguma coisa muito errada e provavelmente você está preso*!!!!!!
* Daí vem o conceito do clipe com todas aquelas explosões gratuitas que lembram Wake Up Call. E ao escrever isso, percebo como eles perderam uma ótima oportunidade de ter feito o clipe com o Adam telefonando da cadeia mesmo, depois de ter matado o amante da mulher, como se fosse uma continuação do hit do IWBSBL!
Achei uma paródia bem legal da música em que o iPhone mais atrapalha do que ajuda.
Repare no status do sinal do telefone no topo da tela. (Aposto que o celular era da TIM...) Sensacional!
Repare no status do sinal do telefone no topo da tela. (Aposto que o celular era da TIM...) Sensacional!
Ao escutar Overexposed pela primeira vez me surpreendi positivamente. Mas só porque, depois de ouvir as prévias de 30 segundos e sabendo do processo de criação mais safado de todos, eu esperava algo bem pior. Por trás de todos os efeitos eletrônicos, o disco ainda tem um pouco do Maroon 5 de IWBSBL e HAO, em Daylight, LuckyStrike e The Man Who Never Lied, e alguma coisa de SAJ em One More Night e Beautiful Goodbye. Com exceção de Tickets (que é intragável), o CD é até agradável aos ouvidos.
As melhores músicas parecem versões pioradas de canções que não eram as melhores de outros álbuns ou só eram lançadas como faixas-bônus. E é preciso uma boa dose de paciência com a segunda metade do álbum. Mas ainda assim não era algo tão ruim quanto eu esperava.
* Aliás, é nas faixas-bônus que se escondeu uma despretensiosa jam session de Kiss, a melhor música do CD, e olha que ela é um cover! Também estão lá Wipe Your Eyes (a introdução é meio esquisita, mas a música é bem boa!), uma versão versão reciclada - eles sempre foram uma banda "verde" - de Wasted Years (ainda estou decidindo se gosto dela) e Moves Like Jagger (adoro a música, mas lançar DE NOVO???? Sério, vocês deviam ter vergonha, sabiam?).
E aí eu ouvi uma segunda vez. E percebi que o problema não era nem a sonoridade, que parece estar sempre de olho em alguma pista de dança falida. Mesmo com aquela batida de balada que irrita um pouco, fazendo algum esforço, na maior parte das músicas ainda dá pra reconhecer o velho Maroon 5 de algumas outras canções antigas. O negócio é que as letras que são SOFRÍVEIS!
O Maroon 5 subestimou a inteligência de seu público, tal como diversos programas que investem na "nova classe C"! E na ânsia de ficar na boca do povo, eles falharam justamente por não conseguir fazer músicas que grudem na cabeça e não dão vontade de escutar de novo. Com exceção de Payphone, todo o resto do disco tem cara de lado B de um CD qualquer. Talvez ele faça muito sucesso porque o resto da mídia parece gostar desse novo M5 e vai tocá-los à exaustão nem que seja por jabá até que o resto do povo simplesmente sofra lavagem cerebral e ache que essas músicas são boas.
Overexposed na Supervia
Se antes até as canções mais bobas do grupo eram regadas à ironia e sensualidade, agora tudo parece arrogante, estúpido e pré-fabricado, como aquele nerd que tenta parecer descolado, se finge de burro para chegar na menina mais bonita da festa e passa uma cantada de mal-gosto.
VOLTA JESSEEEEE!
Não me sentia tão ultrajada assim desde Sandy e Junior (cada um tem o seu guilty pleasure, o meu é SeJ, me julguem), com aquele CD dos bonequinhos, às vésperas do anúncio da separação. Eu ainda via ali a dupla de outros tempos, mas ao mesmo tempo também não via (ou ouvia). Por melhores que fossem as canções (e analisando friamente, elas realmente não são ruins!), esse era um CD triste em que tudo parecia premeditado demais, sempre com alguma mensagem subliminar de que algo estava por vir por trás dos versos (e estava mesmo!), e que implorava pelo reconhecimento da crítica e de sei-lá-quem-mais, ao invés de simplesmente tocar sua música e se divertir com isso.
A diferença é que ao contrário da ex-dupla, que na época buscava mostrar amadurecimento, independência e até uma sonoridade menos comercial, os californianos fizeram o caminho inverso. Começaram com som maduro e depois de ficarem independentes (Overexposed é o primeiro disco com o selo próprio 222 Records) é que apelaram para o pop farofa. Apelaram porque gostaram de ficar “superexpostos”. E nem precisava porque eles são bons!
*E a gente sempre soube que eles sempre eram vendidos, mas mantinham um mínimo de dignidade!
** Eu ainda tenho uma teoria de que a banda está com os dias contados e que Beautiful Goodbye tem mensagem subliminar de profecia para seu fim. Mas duvido que se o disco mantiver a banda na crista da onda isso aconteça. O triste é ter que torcer para que ele não atenda às expectativas, porque parece que só assim eles vão entender estão indo na direção errada.
Mesmo depois de 10 anos, Jane é tão especial porque tem músicas que marcaram a vida das pessoas. Dá vontade de ouvir de novo para lembrar de uma época ou de uma versão alternativa e menos acabada de você mesmo.
Ironicamente, Overexposed será lembrado porque tem músicas esquecíveis. E não dará vontade de ouvir de novo porque ele implicará numa lembrança amarga de uma banda que não sabia que ser você mesmo é o suficiente.
















