segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Expresso Jabuti


Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Você já me viu falando por aqui pelo blog das peripécias de se usar transporte público. Meu meio de transporte favorito é o trem porque não tem engarrafamento, é mais rápido e tem umas coisas absurdas que nos divertem.

Mas essa semana a SuperVia me deixou na mão 4 vezes!

Terça: Não passou o trem de 8:15, com saída de Mesquita, e por isso mais vazio.
Quarta: O trem estacionado na linha 8H às 19h não deu sua partida.
Quinta: De manhã, um outro trem quebra, deixou passageiros no meio do caminho. O meu, que vinha atrás, ficou parado durante meia hora em São Francisco Xavier. Isso porque um passageiro comentava com o outro como o serviço tinha melhorado! A gente não pode elogiar!
Sexta: Novo período de longa espera em São Francisco Xavier no período da manhã. 

Aí, na sexta, eu saí uma hora mais cedo do trabalho - todos dizem :O – e chegando na Central, já quase 18h, escuto anunciar no alto-falante a partida de um novo trem Expresso para Japeri que só realizaria a primeira parada em Ricardo de Albuquerque saindo da plataforma 10-I (O trem é novo no sentido de horário e itinerário só. Nada garante que tenham de ser novos “carros” mesmo) que começou ainda nessa semana, no máximo semana passada e quando eu escutei a notícia e olhei para plataforma 8, que é a oficial do Japera, com sua versão particular e diária de Jogos Vorazes por “um lugar ao trem”, pensei: “Já é! É nesse trem novo aí que eu vou!”.

Porque, fazendo as contas, se parando nas estações normais, no trem Direto, eu faço o trajeto em mais ou menos 50 minutos, nesse novo trem Expresso, parando somente a partir de Ricardo de Albuquerque, eu ia chegar em casa em, tipo, uma meia-hora! Olha só que delícia! Eu já tinha saído cedo do trabalho e ia chegar em casa MAIS CEDO AINDA!

Era só felicidade. Já estava fazendo a dancinha da vitória. Até que enfim alguma bola dentro da Supervia nessa semana!

Eu moro em Nilópolis, olha quantas estações eu pulei!

Eram 17h45, eu fui e entrei no trem. Estava semi-vazio (tem gente que pode dizer que estava semi-cheio, mas quem anda de trem no horário de pico aprende a ser otimista na marra), ou seja, dava para se mover com bastante facilidade. E sem contar que: eu estaria em casa em MEIA HORA! Em pleno horário de pico, quando os empata-portas fazem tudo ficar mais lento! Era um sonho virando realidade.

A civilidade tomava conta do vagão. As pessoas, em sua maioria fazendo sua primeira viagem no tal trem Expresso, conversavam e comemoravam a vitória da rapidez na volta pra casa. Tudo bem que o trem estava cheio (agora estava cheio mesmo, mas nada de anormal, nem de gente para fora da porta), mas isso não importava. Sabe por quê? Por que todo mundo ia chegar em casa cedo. A gente ia em pé, mas ia ser tão rapidinho que nem ia sentir. Quando a gente visse, já estava na hora de descer.

Só uma coisa afligia os passageiros: o trem Expresso não fazia utilizava a linha comum do ramal Japeri, que passa por Engenho de Dentro, Cascadura e Madureira, e sim a linha auxiliar, do ramal Belford Roxo, que simplesmente por lugares tipo Jacarezinho. Só a região onde fica a Cracolândia e em que os cracudos de vez em quando jogam pedras no trem e de vez em quando também rolam uns tiroteios assim. Coisa light.

Tinha gente dentro do trem colocando o terror, amedrontando as outras pessoas: “Os cracudos jogam pedras no trem!”, “Eu sei que as pedras não passam, mas será que a bala consegue atravessar a parede do vagão?” e “Imagina só se o trem quebra justamente nessa estação!”.

Se eu nunca estivesse estado lá, eu diria que é um pouco de exagero das pessoas. Mas acontece que, certa vez, há alguns anos, eu já estive por essas bandas - tem até relato aqui no blog, vale a pena conferir - e bom, como dizer, saí de lá com a o sentimento de “NÃO QUERO VOLTAR AQUI NUNCA MAIS”.

Então, lembra daquela música do Jorge Ben em que ele canta: "Jacarezinho! Avião!"? O "avião" aí são os aviõezinhos do tráfico. E o disco voador é a polícia.

Realmente o perigo por ali não é algo fictício. Mas é ruim que eu ia descer desse trem que ia me deixar em casa na metade do tempo! Quer dizer, eu nunca mais vou pegar ele mesmo, porque para pegá-lo às 18h seria necessário sair 17h do trabalho, e quando eu saio cedo, eu saio às 18h! E hoje eu ia chegar em casa antes das 19h e ponto final. Não queria nem saber.

E aí, 18h, o maquinista anunciou: “Senhoras e Senhores, esse é o trem Expresso que tem como destino a estação terminal Japeri. A próxima parada é na estação Ricardo de Albuquerque. A SuperVia agradece a preferência, tenham todos uma boa viagem!”

O trem começou a andar vagarosamente, como é de seu costume assim que ele sai da Central. E passou por São Cristóvão e não parou (Yes! Porque agora a partir das 15h, ele pára em São Cristóvão também. Affão pra vocês, SuperVia!). E entrou numa linha diferente da normal (aquela do ramal B. Roxo) e continuou andando. E começou a chegar perto de um lugar esquisito e continuou andando. Só que muito lento.

Segundo uma passageira mais experiente em trem Expressso, ele passa mais devagar lá pelo Jacarezinho para não atropelar os cracudos, porque se matar alguém dá muito problema (óbvio!).

E lentamente passamos pela Cracolândia, onde pessoas se drogavam no meio da linha do trem mesmo. Não dava para ver muito bem porque estava escuro, ainda bem, mas estava escuro porque simplesmente também não tinha iluminação direito. E QUE LUGAR MAIS FEIOOOOOOO!!!!!! Mesmo estando escuro, dava para ver que era o tipo de lugar que não tinha a menor condição de desenvolvimento. E não tinha nenhuma perspectiva de melhora.

A estação e a linha de trem ficavam espremidas entre casas e pessoas (não só os drogados), que também andavam no meio dos trilhos. E eu bem sei disso, porque, me lembro de ter atravessado essa linha, simplesmente porque não tem uma passarela para o outro lado!!!!!! E os moradores dividiam aquele espaço com os cracudos, numa cena em que se misturavam pobreza, pena e medo. Mas a pena e o medo eram apenas nossos. Porque a população que ali estava parecia indiferente à rotina do local.

O pessoal do Japeri, acostumado a ver monumentos como o Engenhão em seu caminho tradicional, parecia turista observando a miséria alheia. E de repente o povo do Japera se sentiu privilegiado por morar longe, mas morar com dignidade. E tirou a maior onda: “E depois o pessoal fala que o Japeri é o pior ramal, que só anda gente pobre, feia e fedorenta, hein!”

(O que é uma mentira! Tem muita gente de roupa social que desce de trem para o Centro da cidade porque é o meio de transporte mais rápido, mas mora aqui na Baixada porque prefere viver com paz, do que morar nesses buracos em que as balas atravessam as janelas de casa. Aliás, se você não tiver mais nada para fazer e resolver realmente passear de trem, tire um dia para ir à Paracambi, que ainda é depois de Japeri - em caso de dúvidas, voltar ao mapa do início do post. Gente, Paracambi é uma cidadezinha linda de morrer! E só tem casarão com piscina.)

Graças a Deus não fomos atingidos por nenhuma pedra, nem estava rolando nenhum tiroteio lá por perto. E então passamos por Del Castilho, Mercadão de Madureira e Rocha Miranda sem parar por lá também. Só que o trem ainda estava MUITO LENTO!!!!! Ele não parava. Mas também não corria!!!!

Já haviam se passado 40 minutos e a gente ainda estava em Deodoro!!!!! No trem normal, semi-direto, com 40 minutos a gente já até passado de Ricardo! Esse trem Expresso era mais devagar do que o outro.

Todo mundo no vagão ficou revoltado. Se é para ser assim é melhor encarar os Jogos Vorazes lá na plataforma 8! Pelo menos lá a briga é só na Central. Depois o caminho é mais seguro, a gente não fica com medo de o trem parar no meio da favela. Uma moça falou: “Valeu a experiência, mas semana que vem eu não venho mais nesse, não”. Uma outra, a experiente, disse: “Da outra vez que eu tinha vindo, o percurso foi rápido, mas hoje deve ter sido mais devagar por causa da chuva”, ao passo que uma outra retrucou em tom de brincadeira: “Ah, para de mentira! Quanto é que a SuperVia está pagando para a senhora defendê-la, hein?”

Quando chegou Ricardo, a galera fez: “Uhuuullll”. E às 19:00 eu desci em Nilópolis. Ou seja, não fez a menor diferença eu pegar esse trem.

Notas para o novo serviço REVOLUCIONÁRIO da SuperVia:
Eu sei que outro dia eu falei que achava uma bobagem esse negócio de ficar dando notas, mas hoje vou abrir uma exceção à regra e dar notas para esse novo serviço REVOLUCIONÁRIO da SuperVia. (Antes que você comece a chiar, vai ver que as notas dadas também são a maior bobagem.)

Emoção: 8
Cada nova estação era sempre uma surpresa. Nunca se sabia onde a gente estava. Novas Paisagens para observar. Um caminho totalmente novo. Sem contar a estação Jacarezinho.
Comércio: 0
Não passou nenhum vendedor. Interprete como quiser.
Conforto: 7
O trem tinha ar condicionado, o que também garante as janelas blindadas contra as pedras. Mas não tinha bagageiro. Muita gente precisou contar com a bom vontade dos outros pra colocar as mochilas perto da janela de maneira improvisada.
Socialização: 9
Os passageiros estavam animados, batendo papo, conversando sobre várias coisas. Todo mundo querendo saber detalhes do novo trajeto, muito bem-humorados e criativos. Alguns ofereceram para colocar a bolsa perto da janela. Sem empurra-empurra e sem funk no celular.
Medo: 10
Cracudos no trilho. Possibilidade de pedras atiradas/balas perdidas. Estação Jacarezinho praticamente no breu. E o medo do trem ficar parado ali pra sempre?
Agilidade: 0
O trem anda mais devagar que uma lesma.

Conclusão: Não vale a pena. #NãoRecomendo 2 estrelinhas só.

Como bem apelidou uma mulher dentro do vagão, esse é o novo trem Expresso. O Expresso Jabuti.

(Pensando agora, o trem podia ter um outro nome também: Trem Bala. Bala Perdida.)

"A SuperVia leva você com rapidez e segurança."
Sei....



PS1. Esqueci de contar ainda que nessa semana eu peguei um ônibus com Zé Pequeno. Quando ele entrou falou assim: “Senhoras e Senhores, desculpe incomodar o silêncio da sua viagem, eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas tô aqui pedindo a sua ajuda”. Brincadeira, ele só entrou e sentou no seu lugar.
PS2. Antes de entrar no Expresso Jabuti, ainda peguei um metrô, no horário de pico, com o candidato a vereador Rocco. Você, como a minha irmã, obviamente não sabe que é o cara, mas é que sempre tem um boneco gigante na Central fazendo propaganda do cara. Minha irmã não achou nada demais no cara pegar o metrô lotado às 17h. Ela disse que ficaria surpresa mesmo se o boneco tivesse entrado também.
PS3. Hoje, segunda-feira, mais um trem quebrou no meio do caminho pela manhã e o Japera operou "com atrasos". Vocês tão de sacanagem, né?

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Happy Go Lucky |:)

Happy-Go-Lucky: Uma pessoa incrivelmente otimista, pra ela não tem tempo ruim. Despreocupado, alegre, numa boa, feliz da vida.

Além de ser nome de um filme nomeado ao Oscar em 2009 (e eu nem sei se foi justo ou não porque não assisti. Pra falar a verdade já até tentei, mas os 15 minutos que vi estavam mais para Happy Go Zzzz, e aí eu larguei), Happy Go Lucky também dá nome de uma canção de um ex-falecido grupo pop do mágico período do final dos anos 90/início dos anos 2000 chamado Steps. Eu tenho certeza quase absoluta que você nunca ouviu falar deles, mas, sabendo que a canção foi tirada da trilha de um filme de grande sucesso na década passada, fica fácil adivinhar de que buraco eu tirei essa pérola da música pop (é tão óbvio que não vou nem oferecer uma bala Juquinha pra quem completar o desafio).
* Ex-falecido porque acabei de descobrir que eles se reuniram novamente no ano passado. E como o Wikipedia é uma dádiva da internet, com um passar de olhos, descobri também que o tal grupo também cantava essa outra canção que você com certeza conhece, porém na voz de uma figurinha fácil do ClipeMania

É claro que o arranjo e a produção são altamente datados e causam uma mistura de nostalgia com vergonha (porém, observando o atual mercado musical, eu me arrisco a dizer que está quase contemporânea, uma vez que parecem ressurgir elementos como boys band e músicas pop por pop, sem falar de alguns nomes que parecem ser conservados no formol ou renascem das cinzas depois de anos), mas, a verdade é que, apesar disso tudo, a música, assim como o filme e o resto da trilha sonora, é Pura Sabedoria e vem traduzindo um pouco do meu sentimento nos últimos tempos.

Com certeza você já passou por uma situação parecida em as pessoas perguntam:
- E aí, como vão as coisas? 
E após um 1 segundo e meio de avaliação, você responde:
-Ah, sim, tudo bem! 
Quando na verdade as coisas não vão bem, nada vem, e o mundo parece estar desmoronando.

Problemas, problemas, problemas. E eles se multiplicam. E eles se acumulam. E eles ficam cada vez mais pesados.

Porém, ainda mais pesados que eles é o orgulho. Orgulho esse que não suporta a ideia de receber um olhar condescendente principalmente quando nem verdadeiro ele é. A vergonha de chorar na frente de quem não deve, de não deixar que os outros vejam que às vezes nem tudo está perfeito e que se é mais frágil do que aparenta ser.

E a preguiça de contar a história desde o início. Porque tem coisas não dizem respeito a mais ninguém. E explicar o problema todo só significa tomar o tempo e a paciência do interlocutor que, coitado, só perguntou por educação e também tem suas próprias chateações e não tem a mínima obrigação de aguentar mais as dos outros nas costas. Responder: “Está tudo bem!”, quando está tudo mal é poupá-lo de ficar sem graça, e de não saber o que dizer, até porque o problema é meu e ele não poderá fazer nada para ajudar.

Tem gente que adora um dramalhão. Adora se fazer de vítima. Prefere ficar meia hora enchendo os ouvidos dos outros ao invés de tomar uma atitude. Quer terceirizar aquilo que só ela pode resolver. Como se mais ninguém no mundo tivesse problemas também!!!! Gente que reclama de tudo e repetidas vezes. Gente que depois da 3ª ou 4ª ladainha fica bem claro que inventa os problemas ou coloca a culpa deles sobre os outros e não consegue assumir a responsabilidade sobre os seus atos. Gente que acha que o mundo tem que se adaptar a elas e não o contrário. Gente que não consegue enxergar que a solução é simples e está bem na frente do espelho.

Não suporto esse tipo de gente. Sabe por quê? Por que eu também tenho os meus problemas! E eles também são complicados! Muito complicados! E não fico alugando ninguém, nem me fazendo de coitada!

(Antes que você me chame de insensível, eu sou bastante capaz de sentir compaixão pelas outras pessoas. Desde que elas não sintam pena de si mesmas e estejam dispostas a buscar a felicidade. E principalmente por aquelas que assim como eu, fazem o máximo de esforço para não transparecer que alguma coisa está errada. Porque embora eu não goste de despejar as minhas lamúrias nos outros, sei que às vezes é bom saber que existe um ombro amigo com o qual se pode contar)

Visto meu disfarce sorridente para me proteger dos olhares de pena, mas também para proteger as pessoas de quem gosto. Porque às vezes não dá para jogar o telefone fora e se esconder do mundo e nem eu estou me suportando de tanta amargura. E porque acho o CÚMULO gente que desconta a raiva de problemas particulares nas outras pessoas que não tem nada a ver.

"A máscara não é para você. É para proteger as pessoas que você ama."

Por isso eu coloco um sorriso na cara e respondo na maior cara dura: "Tudo certo", e as pessoas ficam despreocupadas com a minha pseudo-despreocupação. Melhor esconder a dor debaixo do travesseiro no fim do dia.

Vestir o disfarce do "happy go lucky" é mais do que enganar aos outros. Mais do que esconder a dor, o sorriso forçado engana a nós mesmos e distrai um pouco. Faz bem, caso contrário, logo se está acreditando que nada daquilo tem solução e que não existem outras coisas boas acontecendo. 

E quando nem o sorriso amarelo está dando conta, o melhor a se fazer é inventar truques para enganar a dor e perseguir o lema de Timão e Pumba (aliás, O Rei Leão é outro desses filmes cheios de lição de sabedoria). Não demora muito para um sorriso de verdade tomar o lugar daquele outro forçado numa feição cheia de preocupação. E é fácil desse jeito porque se você para pensar um sorriso não passa de uma carranca de cabeça para baixo |:)

Hakuna Matata é Happy Go Lucky em suali :D
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Independência ou...onde é que D. Pedro estava com a cabeça?


Atingir a maioridade é um marco na vida de todo adolescente sedento por Independência. Completar 18 anos (ou 21, não sei exatamente qual a diferença das duas maioridades, quem souber, por favor, não seja egoísta e compartilhe o seu conhecimento com este humilde blog) é daquelas datas aguardadas e comemoradas, já que te tornam livre do domínio dos pais e mudam completamente a sua vida. Só que não.

Há exatos 190 anos, o Brasil também entrava para o rol dos países de “de maior”. O grito do Ipiranga declarou a independência do domínio de nossos colonos portugueses e anunciava que agora o Brasil já era gente grande e mandava no seu próprio nariz. Só que a gente também aprende na escola que o negócio não foi beeeeem...assim. Um brado retumbante e puft! Agora éramos independentes! A tal Independência do Brasil foi sendo construída aos poucos. Vinda da Família Real, liberdade no comércio, diminuição de impostos, condição de Reino Unido a Portugal e Algarves... O Brasil já estava ficando “mocinho”, cheio de marra, com toda a pinta de gente grande. E quando Papai Portugal quis trancar o filhote dentro de casa de novo, aí o moleque já estava todo prosa e não ia agüentar muito tempo dentro do quarto.

A mesma coisa acontece quando a gente faz 18 anos (ou 21. Como disse, não faço a mínima ideia da diferença das duas idades). A data do aniversário pode ser o marco histórico em que a gente faz aquelas piadinhas de que se pode beber, dirigir e ser preso. Mas o nosso processo de independência também acontece do mesmo jeito que o da nossa “mãe gentil”. É aos poucos. Diluído. A gente vai fazendo as coisas sozinho e quando vê já passou.

Primeiro vai comprar o pão na padaria da esquina. Depois pegar o ônibus para ir pro colégio. Dali a pouco começa a perambular por outros cantos da cidade e não sente tanto medo de andar na rua quando o sol já se foi. Então começa a contestar a máxima de que os seus pais sabem o que é melhor para você. Passa a escolher as próprias amizades, não contar tudo o que acontece na sua vida para eles e a filtrar seus conselhos porque têm coisas que, por favor(!), eles simplesmente não entendem (!!!!!!). 

E mesmo assim, quando vem o aniversário de 18 anos, a gente não se sente adulto coisa nenhuma. Ainda moramos com nossos pais e pedimos dinheiro para comprar as coisas que a gente quer e precisamos deles para nos trazer de volta pra casa tarde enquanto não sai a carteira de motorista. (Vendo por um certo ângulo, talvez a carteira de motorista sim seja um documento que autentique alguma coisa próxima da maioridade, mas enfim, divago...)

Segundo a propaganda, ter seu próprio blog é ter Independência. Tá bom, né!

Isso também como o próprio Brasil, que podia ter se declarado Independente, mas por muito tempo teve de pedir dinheiro emprestado para outros países para pagar a merenda, a passagem e os ingressos do cinema no fim de semana. O primeiro débito da famosa dívida externa veio logo assim em o país declarou-se “de maior”, quando o Brasil tomou 3,7 milhões de libras para pagar as contas da época em que ainda era colônia.

Confesso a você que realmente nunca tive problemas com relação a esse negócio de “maioridade”. Sempre tive tudo o que quis e nunca tive esses problemas quanto a horário porque não sou de sair à noite mesmo. Nunca fiz questão de entrar nas matinês das boates. Nem no horário de gente grande também. A responsabilidade da escola sempre esteve presente, mas sem a necessidade de cobrança sem parar porque sempre fiz a minha parte e não dei motivos para preocupação. A relação que a gente tem aqui é em casa é de muita confiança. Meus pais sabem que não vou fazer nada de errado e pronto. Não tem estresse. É até meio sem graça quando eu vou conversar sobre esse assunto com as outras pessoas porque perto delas parece que eu não tenho nada interessante para contar. O que não quer dizer que não tivesse meus próprios contra-tempos com a dependência oficial ou não-oficial porque não liguei para dizer onde estava ou avisei para onde ia sair ou quando ia voltar. Ou que não discutisse por causa de minhas convicções sobre o que eu achava que era melhor para mim.

Lembro de a idade de 14 anos (a mesma de Pedrinho quando virou imperador) ter sido especialmente simbólica, mais até do que a de 18. A gente brigava horrores por causa dessas coisas (por causa de qualquer coisa, pra falar a verdade), e eu comecei a tomar as rédeas da minha própria vida. Também foi a época em que eu de fato comecei a me preocupar com o meu futuro de um jeito mais sério e comecei a tomar as minhas próprias (grandes) decisões. Ironicamente, também foi a época em que, mesmo andando na linha, me senti muito mais livre e me diverti como nunca!!!!

Mas aí o tempo vai passando e esse tipo de coisa vai ficando para trás porque a gente vai assumindo responsabilidades cada vez maiores (porque, como já diria Tio Ben, elas logo aparecem quando ganhamos grandes poderes) para conquistar verdadeiramente a tal independência e começar a traçar própria vida e, quando vê, tem diploma, trabalho, problemas no trabalho, conta no banco, um monte de contas para pagar e operadores de telemarketing te caçando e oferecendo serviços que você não quer.

E aí a gente percebe que ser independente dá muito mais trabalho do que parecia! E quando a gente vê, mesmo assim, não somos independentes coisa nenhuma! Estamos dependentes dos nossos empregos, que nos consideram como plenamente adultos, e sugam nosso tempo, nossa saúde, juventude e noites de sono por causa de um salário no final do mês. E descobre também que realmente a gente não faz a mínima ideia do que é melhor para nós! E na primeira crise de insegurança, veja só, corre pros braços daqueles que um dia a gente tanto desprezou.

Onde é que D. Pedro estava com a cabeça quando veio com esse papo de Independência ou Morte? De que adianta ter Independência se não tem dinheiro, casa, comida e roupa lavada? Como assim “ou Morte”, se na primeira crise, a primeira coisa que Seu Pedro fez foi fugir para o colo do próprio pai também? Ele não teve pena do filho dele, não? Largar o moleque aqui pra governar um país inteiro com 14 anos depois do período de regência? Sério, Pedrinho estava na época de colocar tachinha na cadeira do professor, brincar de queimado, jogar bola de gude, sei lá!

D. Pedro II era tipo Riquinho só que mandava num país inteiro
E não tinha Mc Donald’s em casa.

Para quê essa gente insiste tanto em diminuir a maioridade nesse país? Será que só porque Pedrinho assumiu a responsabilidade de comandar um país inteiro faz sentido declarar a independência de jovens, obviamente dependentes, cada vez mais cedo? Será que realmente vai fazer alguma diferença?

É claro que ser independente tem suas vantagens. Mas, sinceramente, é tanta preocupação que às vezes que dá a maior vontade de ser colônia de novo.


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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tarde no Centro

Dia 26 de Agosto de 2012

Tem gente que não gosta do Centro da cidade (no meu caso, o Centro do Rio). Acha que é muita bagunça, muita gente aglomerada, uma correria geral. Eu não. Gosto do Centro exatamente por causa disso tudo aí.

Ele é muito democrático, e tem gente de tudo quanto é jeito. Gente rica, gente pobre, gente alta, baixa, gorda, magra, preta, branca... Todo mundo se encontra no Centro. É uma área essencialmente comercial que não “pertence a ninguém”, mas que durante o dia é compartilhada por todos, sem frescuragem.

O Centro está sempre fervilhando, com gente andando de um lado para o outro e eu gosto disso. Gosto de poder resolver tudo o que eu quiser andando apenas alguns quarteirões. De encontrar praticamente tudo (TUDO mesmo!) que eu quiser e a um preço mais barato. Gosto dos vendedores fazendo graça na Uruguaiana. Dos protestos da Cinelândia. Da diversidade da Carioca. Da largura da Presidente Vargas. Gosto de ter a sensação de estar no meio de onde tudo acontece, no centro de tudo. No Centro.

Ao contrário de muita gente, e, como praticamente todo carioca, eu adoro sol. Confesso que tem anos que não vou à praia, mas sou dessas que se deixa influenciar pelo humor do astro-rei. Quando o dia está nublado, assim também fica o meu espírito. Mas se estiver ensolarado, por mais raiva que eu queira ter do resto do mundo, não consigo e um tipo de alegria sem sentido invade o meu coração. Por isso, do mesmo jeito que não consigo me imaginar morando numa cidadezinha do interior, acho que não seria feliz vivendo em um lugar em que não fizesse sol o ano todo. Além de ficar resfriada com muita facilidade, o psicológico também não iria se adaptar a grandes quantidades de frio e chuva durante muito tempo.

Antes que você me chame de maluca, existem estudos que dizem que os países em que faz mais frio lideram os índices de suicídio. (Só por curiosidade, eles também lideram os quadros de educação, e acredite, isso também está relacionado com a ausência de sol do lado de fora. Aliás, essa foi a ideia principal para o desenvolvimento de Hora do Recreio – O Filme, a versão longa-metragem, mas ainda em animação, desse desenho bacanudo que marcou a minha infância. Aliás, fica a dica, o filme é MUITO LEGAL!)

Gosto especialmente do Centro e do Sol quando eles se combinam à tarde, no horário das 15h-16h. É nesse horário que o Sol já dá uma trégua e começa a se encaminhar para seu leito à oeste (ou seria a leste?). As próprias pessoas dão uma pausa para o café ou começam a contar o tempo para as 18h.

E depois de ontem, posso dizer que gosto especialmente do Centro e do Sol quando eles se combinam à tarde, no horário das 15h-16h de um sábado.

A tarde estava linda. O sol brilhando. Eu ia ter que ficar esperando até às 16h pela próxima aula do cursinho e achei um desperdício ficar trancafiada numa sala estudando, ou tendo que aturar gente me neurotizando sobre o quanto eu devo estudar mais. Na maioria dos dias, quando esse tempo da tarde fica livre, eu até fico lá estudando mesmo. Mas não ontem. Havia trabalhado demais no último mês. Não sabia mais o que era um fim de semana livre há um tempo razoável...

Por isso resolvi curtir o dia. Tirar a tarde para mim. Não fazer absolutamente nada pro mundo. Como há muito tempo eu não fazia.

Tomei um picolé depois do almoço e bati perna a tarde inteira. A cidade não estava morta, vazia. O movimento até que era razoável. São Paulo pode ser a cidade que nunca dorme. Mas o Rio faz questão de relaxar. E foi isso que eu vi. Ao invés dos funcionários de roupa social, estavam lá turistas tirando foto, gente exótica, esquisita, de chinelo, que ao contrário do resto das outras pessoas, parece só visitar o Centro no fim de semana por conta de alguma atividade especial. (Experimente observar o metrô no fim de semana. Nem parece a mesma cidade. Difícil encontrar alguém normal por ali). Um Rio relaxado, sem correria. As pessoas sem pressa. A cidade meio preguiçosa. Andando sim, mas a passos de formiga e quase sem vontade.

O próprio sol também estava meio preguiçoso. Brilhava sim. Lindamente. Como uma bela tarde de sábado no Rio deve ser. Mas até ele parecia sem vontade de queimar nossa pele. Só estava lá. Quase que curtindo o fim de semana, tanto quanto nós. E os prédios, sempre altos, como todo centro urbano, faziam sombra para que eu passeasse sem derramar uma gota de suor. Maravilhas da cidade grande.

E aí eu turistei a Biblioteca Nacional e, entre outras coisas, descobri que a Capricho nos seus primórdios era para maiores de 18 (ó ironia), e vi todos os Mc Donald’s com bolas na entrada porque era o McDia Feliz (fiquei até emocionada quando vi que na Uruguaiana estavam rolando umas “atrações” e promoções esquisitas que há muito eu não via) e entrei em todas as lojas de departamento, experimentei um monte de roupas e não levei nada, mas descobri que as sapatilhas da Moleca são os calçados mais cristãos desse mundo (essas eu ainda vou comprar).

Precisava de um tempo assim em que as horas não tivessem pressa para passar, e ninguém para me dizer o que fazer, e o resto do mundo parecesse desacelerar tanto quanto eu.

Quando deu a hora, eventualmente, eu voltei pro curso, cheia de sede. Como boa carioca que sou, acho que para a tarde ficar melhor, só podia ter rolado uma água de coco bem gelada.


Minha irmã já tinha me indicado o vídeo, mas só agora pude conferir. A música é muito boa e acho que combina com o post. [Se você gostou da música mesmo, tem ela inteira aquiOlha, se passa um comercial de cervejas desses aqui no Brasil, eu começo até a beber... ]
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Take a sad song and make it better

Tem histórias que são tão boas que se melhorar, estragam. Tem outras que são tão ruins que nada consegue salvá-las. Enquanto lia Lonely Hearts Club, a sensação que tive não foi nem uma, nem outra.

Depois de ter encarado um livro extremamente melodramático e incrivelmente pretensioso, resolvi que precisava de uma leitura bem light para elevar o espírito e, após ler inúmeras recomendações desse que fazia alusão aos Beatles (muitas delas o comparavam a minha ídola-mor Meg Cabot), comprei-o numa promoção da internet.

Mas, para qual não foi a minha surpresa quando abri o pacote da Siciliano (na verdade o pacote era da Saraiva, apesar de eu ter comprado na Siciliano. E tudo bem que elas são do mesmo grupo, mas, pelo visto, o princípio da entidade por lá é zero! Medo da contabilidade desses caras!) e verifiquei que Lonely Hearts Club possui em sua capa uma citação-propaganda de ninguém menos do que Stephenie Meyer, a autora do livro que eu mais odiei na vida!!!! Aquilo não podia ser bom sinal, pensei eu. No entanto, comecei a leitura de peito aberto, certa de que o nome da mulher que cometeu Crepúsculo na capa era apenas uma estratégia de marketing barata e que ela nada tinha a ver com esse livro (mais tarde fui descobrir nos agradecimentos que ela é amiga pessoal da autora mesmo, o que certamente deve tê-la ajudado no processo de publicação).

Elizabeth Eulberg ainda tem que comer muito feijão com arroz pra ser Meg Cabot. Mas, felizmente, também precisa se empaturrar de jiló com quiabo para ser Stephenie Meyer. Ele pode não ter me feito rir como um autêntico cabotiano, mas nem de longe fiquei com vontade de jogar o livro na parede como a criadora dos vampiros brilhantes conseguiu. Para falar a verdade, o livro não me irritou nem um pouco, e eu me diverti bastante. A pena é que foi pelos motivos errados, rs!

Lonely Hearts Club sem dúvidas tem o apelo adolescente de Cabot - com todo o universo high school de líderes de torcida, atletas e olhares afetados no refeitório – assim como a mensagem de amizade, auto-estima e feminismo. Mas, infelizmente, o livro também comete os mesmos pecados de Meyer ao apresentar descrições fracas, personagens vazios e não possuir um conflito verdadeiramente empolgante. Este último, aliás, é um dos aspectos mais decepcionantes da história, que tinha um enorme potencial, mas que fica prejudicada por uma série de escolhas por caminhos de fácil resolução. A falta de inventividade da autora e o desperdício de tramas e piadas prontas chegam a ser antiecológicos e incompatíveis com a filosofia sustentável em voga.

Para começo de conversa, a Beatlemania foi muito pouco aproveitada. As referências aos garotos de Liverpool se limitam a trechos de canções no início de cada grupo de capítulos (quando poderiam facilmente iniciar todos eles) e pequenos momentos em que as músicas são jogadas em cena de maneira pouco orgânica (quando poderia ser criada uma história que traçasse um bom paralelo com a carreira do grupo que, dizem os fãs, se desmantelou por culpa da vida amorosa de um de seus integrantes), só pra dar um exemplo.

Os roqueiros se divertem

Por outro lado, a própria escolha por homenagear logo os Beatles, dentre todas as outras bandas, já dificulta a criação de alguma dinâmica interessante. Os Beatles, ao contrário dos Stones, eram os certinhos do rock, todo mundo gostava (e gosta) deles, as mina pirava quando via os garotos. E até hoje são meio unanimidade. Não tem nem graça, nem motivo pra implicar com eles. E por mais clássicas que sejam suas canções, em certos momentos, eles parecem deslocados ali, no meio de adolescentes dos anos 2000 que agora gritam é por Justin Bieber e afins.

Fica difícil até de saber se o livro faria mais sucesso entre meninas de até 15 anos, já que Beatles não é algo que geralmente freqüente o player desse público. Isso não quer dizer que elas sejam descerebradas, nem nada. É só que com 12 anos a gente tende a preferir outro tipo de música que não discos lançados há mais tempo do que a nossa idade, nosso conhecimento de mundo ainda é muito restrito e dependendo do grau de alienação da pessoa, pode ser que ela nunca tenha ouvido falar em Beatles.

Mesmo assim, a autora podia brincar com isso, fazendo a garota ser a única pessoa do mundo que odeia os Beatles por ter nome de uma música deles. E até a escolha da alcunha da protagonista foi equivocada, já que Penny Lane não é nem de longe tão conhecida (e tão legal) quanto Hey Jude. Nem ao menos uma das irmãs dela se chama Judy também, aliás! Sério, gente, até o Doug tem uma irmã chamada Judy por causa dos Fab Four!

Aos desavisados, Jude era homem
E esta aí mais um motivo para a menina odiar o próprio nome e incluir uma ou duas linhas sobre a história dos Beatles!

Só para pra concluir o festival de piadas prontas jogadas no lixo, também acho que dava pra desenvolver melhor os personagens dos pais, que podiam ser muito mais excêntricos. A campainha tocando Love Me Do, a família que tira várias fotos na Abbey Road e a parte em que eles completam um dos diálogos com Yesterday foram ótimas sacadas, mas dava pra fazer mais! 

O consultório de dentista do cara podia ser todo decorado com Beatles, ou dar de brinde para a irmãzinha do Ryan um Yellow Submarine (aliás, completamente dispensável a cena da irmã do Ryan se machucando!). A autora podia ter transformado esses diálogos-que-viram-música em piada recorrente e acrescentado alguma cena de choro de Penny Lane (que mais do que nunca devia se chamar Judy!!!!!) seguida de um consolo e conselhos de sabedoria tirados dos Beatles dados pelos progenitores sem noção (essa cena, claro, seria ao som dos versos “Hey Jude”)... E eu nem me esforcei muito pra pensar nisso!

Aliás, Doug tinha uma banda chamada The Beets e seu hit, Killer Tofu!

Ao invés de aproveitar o trunfo que tinha nas mãos, ela preferiu focar em dramas bobos e infantis que não duravam nem 30 páginas. A ideia de um clube anti-garotos parece muito mais legal e coerente em Os Batutinhas (no caso era um clube anti-garotas, mas enfim), que de quebra tem um time de crianças fofas, o cabelo do Alfafa-que-em-algumas-dublagens-é-Espeto, a cena do festival de talentos e o final super emocionante com aquela corrida. Mas o pior de tudo é que ela logo é desmanchada, acabando com qualquer chance de conflito. Alguns “mimimis” acontecem, mas se resolvem fácil demais, e o maior obstáculo da história é de uma incoerência sem tamanho. O diretor da escola se incomodar com um clube de meninas a ponto de chamar os pais e suspender uma aluna? SÉRIO???? Em que ano nós estamos, 1950?

Ah, sim, claro, esqueci de mencionar que o colégio em que se passa todo o “drama” é o McKinley. O mesmo de Glee. (E aí cabia ainda mais uma piada da professora das líderes de torcida, essa sim, tentar acabar com o Hearts Club!)

Não é Beatles, mas o negócio é que eu adoro essa música! E a letra encaixa direitinho com a história do livro.
(Eu também prefiro a versão da Kelly Clarkson, aliás! Sério, gente! Essa música dá muita vontade de ser feliz!)

Lonely Hearts Club é “stand alone” e, ainda bem, não tem continuações em vista. Mas apesar disso tudo, ainda acho que dava um bom seriado. Ou um filme estilo Sessão da Tarde. E é claro que já compraram os direitos para produzi-lo. Não sei a quantas anda o projeto, mas os Beatles são cheios de frescura com direitos autorais de suas músicas, então, pode ser que o negócio fique caro demais e não saia do papel. Vamos acompanhar.

Só pra terminar, a tradução é estilo Ana Banana, com homens que respondem “obrigada” e personagens que parecem falar português. Se é pra abrasileirar, podia ter traduzido logo o nome da garota pra Ana Júlia de uma vez (aliás, essa ia ser uma versão brasileira dessa história seria ótima ideia!).

A impressão que fica é que Lonely Heart Club não é ruim. Mas podia ser muito melhor. Fazer o quê, se quem estava por trás de tudo era Stephenie Meyer? Com uma mentora dessas, era melhor não ter ajuda de ninguém.

Mas qualquer dia desses eu vou dar um jeito nessa história com o Bloco do Eu Sozinho. Me aguardem.

Também não é Beatles, mas pelo menos a música é deles agora.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UPP: Maroon bombom

O Maroon 5 é um dos poucos artistas que freqüentam o meu player que, se alguém perguntar “O que você está ouvindo?”, eu não preciso ficar explicando quem é ou as pessoas não acham o meu gosto musical duvidoso. Ao contrário, eu ainda pareço muito descolada!


Com músicas para cantar de olho fechado, músicas para cantar mexendo os ombrinhos e principalmente músicas para cantar junto o dia todo, obviamente, os rapazes dispensam apresentações, mas ainda assim acho que vale um UPP com alguns fatos curiosos.

Em 1995, Adam, Jesse, Mick e Ryan, ainda cheios de espinhas, formaram a Kara’s Flower. (E sim, eram só 4 integrantes!). Os moleques gravaram um CD, apareceram um episódio de Dawson’s Creek e tudo (eu queria colocar o link, mas tiraram o vídeo do YouTube, enfim) mas... as vendas fracassaram e o Kara’s Flower se despedaçou e resolveu ir pra faculdade.


Pelas paredes dos corredores do alojamento, Adam e Jesse começaram a ouvir um som diferente, com um pouco mais de swingue (no sentido de gingado, não daquele negócio de troca de casais) e o Adam disse “Eu quero fazer isso! Eu quero ser Stevie Wonder (com exceção da parte da cegueira)!”. O Jesse começou a tocar teclado, os outros dois caras voltaram, a gravadora apresentou a eles James Valentine, o quinto elemento que ficaria responsável pelas guitarras, deixando o Adam livre para sensualizar bastante com o microfone (interprete como quiser, mas, por favor, deixe “microfone” no sentido literal), e pum, agora eles eram o Maroon 5.

Apesar de geralmente fazerem mistério para explicar o porquê do nome da banda, algumas vezes eles dão mole e deixam escapar que na verdade o nome é uma homenagem à diva brasileira Alcione, a Marrom. 

Simplesmente Marrom

Brincadeira, claro que não é isso. Mas eu tenho pra mim que deve ser alguma coisa relacionada com a cor mesmo.

O novo nome viria para ratificar também o surgimento de uma nova banda, já que agora eles não eram mais os adolescentes espinhentos e revoltados do Kara’s Flower, mas sim um grupo que fazia uma mistura do som branco do pop-rock com o negro do soul, funk e R&B. O resultado dessa aquarela é Maroon, essa cor-de-burro-quando-foge aí da capa do SAJ.

Marron bombom, Marron bombom! Nossa cor marron!

Songs About Jane
A Jane do título é a mina que deu “goodbye” pro Adam em praticamente todas as faixas do álbum. Em algumas delas, ainda é possível encontrar momentos de felicidade do ex-casal, mas, ao todo, 6 das 12 músicas contém “goodbye” na letra. 

Apesar de seu lançamento em 2002, o álbum só veio a estourar mesmo 2 anos depois, com Harder to Breathe e o sucesso absoluto de This Love, que lhes renderia o Grammy de Melhor Revelação em 2005.

Songs About Jane é a combinação perfeita de um monte de coisas que resulta num pop grudento sem deixar de ser autêntico, diferente e original. Quando ouvi This Love pela primeira vez, ainda sem saber que era o Maroon 5 ou Adam Levine* (pra falar a verdade eu nem acho o Adam essa Coca Cola toda), pensei: “Que delícia de música! Diferente! Boa demais!”.
* Mas acho o máximo como eles têm fãs femininas que gritam e choram quando perante o Adam, como também possuem fãs homens que gostam dos caras por causa do som e nem ligam para histeria.

Em um cenário musical dominado por um sem fim de hip hop, This Love era mais do que uma boa música. Era a esperança de que o pop-rock ainda vivia! (Daí também o grande desapontamento de muitos com a parceria “rapzada” em Payphone)

E o resto do álbum não fica atrás com canções que estão na boca do povo até hoje, porque tanto suas letras quanto melodias conseguem cativar, seduzir e traduzir os sentimentos de seus ouvintes de um jeito que vence as barreiras do tempo.

Harder to Breathe, uma das últimas a serem compostas, nasceu da raiva do grupo para com a gravadora, a qual pressionava para que fizessem mais músicas (daí se explicam os versos furiosos de “You'll understand what I mean when I say/There's no way we're gonna give up”), e é a primeira do CD, seguida pelo megahit This Love, com seu refrão chiclete e a guitarra deliciosa de James Valentine.

(O clipe de This Love, aliás, na época foi censurado. Coisa que iria se repetir ao longo de toda a trajetória da banda, com canções e clipes com teor sexual e Adam, claro, seminu, sempre pegando geral. Geralmente são censurados porque eles são “muito bad boys” e não conseguem fazer as coisas com classificação livre.)

Shiver e Tangled são mornas e Secret demora a começar, embora conquiste no pré-refrão. She Will Be Loved é clássica balada pra cantar agarradinho e não pode faltar no repertório de qualquer show. Já Must Get Out tem a historinha mais completa do CD, com refrão bem grudento e é uma das melhores do disco. Uma pena ter sido mal-aproveitada na divulgação.

Os primeiros versos de Sunday Morning sugerem uma manhã de domingo chuvosa, mas a canção em si é tão ensolarada que dá vontade de ser feliz e pegar a estrada no domingo só pra encontrar com ela. Casamento perfeito entre letra e melodia, é a minha preferida do disco.


The Sun é lado B de respeito com versos emblemáticos como “And sometimes it's a sad song” e “Hate to love and love to hate her/Like a broken record player/Back and forth and here and gone/And on and on and on and on”(minha parte preferida), sem contar o próprio refrão “And mama I've been cryin'/Cause things ain't how they used to be/She said the battle is almost won/And we're only several miles from the sun”, que servem como trilha sonora perfeita para embalar uma tarde deprê.

Through With you e Not Coming Home têm introduções parecidas, guitarras potentes e a mesma revolta de quem tomou um pé na bunda, mas agora quer mostrar que está por cima. A última inclusive tira onda em versos como “And does it make you mad/To find that I have grown/I'll bet it hurts so bad/To see the strength that I have shown”.

O álbum se despede como quem não quisesse se dizer adeus com Sweetest Goodbye, que prolonga o solo de guitarra e parece brincar com o romantismo exacerbado em “Outstretched arms open hearts/And if it never ends then when do we start?” (minha parte preferida).

Diferente, mas com algo que faz parecer que já se conhecia há muito tempo, Songs About Jane tem a sensualidade à flor da pele e chororô na medida certa com canções que se completam e se auto-referenciam o tempo todo* (o fim de This Love traz versos de She Will Be Loved em fade out, Sweetest GoodBye evoca o avião tomado pela ex em This Love). Ouvindo o disco atentamente é possível montar um story board com toda a história daquele relacionamento que não deu certo. 
* O clipe de Sunday Morning começa com This Love num karaokê, aliás.

A Jane pode até ter dado adeus ao Adam, mas felizmente, graças a ela, o Maroon 5 deu Olá para o mundo.

Quem ri por último ri melhor

Curiosidade Inútil
Aí outro dia eu estava lendo uma resenha sobre o Songs About Jane Edição de Aniversário de 10 anos e descobri que os backing vocals de Tangled, Secret e Not Coming Home contam com a participação de Rashida Jones muito antes de sonhar entrar pro elenco de Parks and Recreation (se você não assiste Parks – eu também não vejo, relaxa -, ela é a diretora da TV que dá uma chance aos Muppets no último filme dos fantoches). Anos depois, a cantriz ainda voltaria a dar o ar de sua graça nos bastidores do Maroon 5, em Kiwi do disco subseqüente dos garotos.

Faixas bônus
Rapando o tacho, e espalhadas pela internet, ainda tem uma meia dúzia de músicas sobre a tal Jane que não entraram no disco (Deus, o Adam realmente demorou muito pra superar isso!). Take What You Want tenta entender o que aconteceu com os dois (“Is it me? Is it you? Is it something I forgot to do?” - Eu tenho pra mim que o Adam esquecia a toalha molhada em cima da cama.) e Rag Doll, que dá o papo reto e expulsa a menina de casa sem dó quando ela tenta voltar (“I think you should just go away cause/There's no necessity for you to stay (...)A heart made for a lot of sorrow/No you can't come back tomorrow/Shut my windows, lock my doors'/Cause my heart won't be your rag doll anymore”). No mais tem Woman, que entrou pra trilha do Homem Aranha 2, Wasted Years na versão verdadeira e ao vivo, a fofolky Good at Being Gone e mais um sem fim de músicas não lançadas que você encontra na internet se começar a procurar mesmo.


Aí eles rodaram o mundo, ganharam Grammy, o Adam fez um monte de tatuagens, o Ryan não agüentou o ritmo e pediu pra sair porque estava ficando doente, o Matt o substituiu e 5 anos (!!!!) depois de SAJ, em 2007, lançaram seu segundo álbum It Won’t Be Soon Before Long (o nome provavelmente fazendo alusão ao tempo em que ficaram sem gravar).

It Won’t Be Soon Before Long
Em seu segundo álbum, a banda traz letras ainda mais explícitas e um som mais uniforme e coeso do que no disco de estreia. Algumas músicas trazem a sensualidade para pista de dança de um jeito vintage com a ajuda de sintetizadores e em alguns momentos a banda faz homenagem a The Police, e emula o melhor do pop de Prince e Michael Jackson.

If I Never See Your Face Again abre o disco com Adam, supersexy, assumindo de vez o lado cafajeste. Mais tarde a faixa ganharia a “colaboração” da testuda Rihanna, que também apareceu no videoclipe, para ver se ajudava os meninos nas paradas (o arranjo da versão da Rihanna é horroroso! Deus me livre!). 

Na mesma linha da cafajestagem, o disco continua com Makes me Wonder, que foi o primeiro single e possui mensagem para George Bush por trás dos versos “Give me something to believe in/Causa I don’t believe in you anymore”. A música garantiu o 3º Grammy dos garotos e levou-os à posição #1 da Billboard pela primeira vez. Na época, foi a canção com o maior salto da história da parada.

Completando a trinca inicial, Little of your Time é dançante e cool, com vibe Outkast e merecia mais destaque na divulgação do disco.

Wake Up Call é literalmente um caso de amor bandido. A canção traz o relato de um cara que pega o Ricardão em flagrante e não pensa duas vezes antes de acabar com a vida do sujeito. É a música com a letra mais legal da banda até hoje com versos que alternam entre a frustração (Don't you care about me anymore?/Don't care about me?/I don't think so!), a raiva (And it's not my fault/Cause you both deserve) e a ironia (I'm so sorry darling/Did I do the wrong thing?/Oh, what was I thinking?/Is his heart still beating?) sem demonstrar nenhum arrependimento (Six foot tall/Came without a warning/So I had to shoot him dead!/He won't come around here anymore/Come around here?/ I don't feel so bad).

Won’t Go Home Without You é a baladinha dor-de-cotovelo mais chiclete do disco e homenageia acordes de Every Breath You Take do The Police.

A boa Nothing Lasts Forever é resultado da reciclagem de um refrão tirado de uma parceria de Adam com Kanye West, e Goodnight Goodnight tem melodia gostosa com letra que também fica na cabeça sem fazer esforço.

Not Falling Apart e Better That We Break completam o time das músicas lentas do lado B, enquanto Can’t Stop ataca de rock revoltadinho com letra digna de “homi safado”. Já Kiwi tem som potente e coeso, com solos encorpados de guitarra, e de longe a letra mais sexual de todas.

Back at you Door fecha o disco com chave de ouro com a banda em sua melhor forma e é uma das melhores do disco. Alguns fãs conspiram que a música é uma continuação de She Will Be Loved justamente pelo verso “Every time I wind up back at your door” lembrar o “I drove for miles and miles/And wound up at your door” do hit de Songs About Jane. Difícil dizer se gosto mais da melodia deliciosa ou da letra que atravessa a alma em versos como “Why do you do this to me?/You penetrate right through me” e “You're my reason for living/And there's no way I'm giving up, oh”. Se Adam queria ser Stevie Wonder, na minha opinião, é nessa faixa em que ele chega mais próximo disso.

A gente não corta o cabelo, mas usa terno de veludo

Faixas Bônus
Não satisfeitos em fazer um CD bacanudo e descolado desses, os garotos ainda soltaram faixas-bônus de presente pelas diferentes versões que o álbum ganhou pelo mundo. Ao todo são 7 músicas pra completar o seu CD “made in home” de 80 minutos (atire a primeira pedra quem nunca completou o resto do CD com outras músicas nada a ver, só pra não desperdiçar os minutos ainda disponíveis para gravação).

Infatuation consegue ser ainda mais cativante que Back at your Door. Infatuation é dessas músicas que nascem perfeitas e que “se melhorar, estraga”. Difícil dizer o que é melhor na canção. Seu gingado inerente, o jeito como os instrumentos soam complementares, o falsete do Adam, o teclado do Jesse, ou a sofisticação da guitarra do James. Letra e música se unem de forma quase mágica numa combinação que é impossível não se apaixonar de tanto amor que é essa canção. E é claro que quem ama quer ficar junto o tempo todo e dá vontade de colocar no repeat do seu player ad-sem-causar-nauseaum. 

Figure It Out, Until You're Over Me e Miss You Love You também mostram o lado cafa de Adam e têm toda a pinta de faixas bônus. Já Losing My Mind, Story e The Way I Was trazem consigo a aflição de um coração partido, com letras bacanas, e poderiam facilmente integrar o time das canções titulares do disco. Essa última então tem versos mais do que inspirados como “But I have no concept of consequence/And I'm a master of self defence/Days get longer/Life gets shorter”, que atacam de aliteração e antítese na mesma estrofe, mostrando que eles não brincam em serviço e sabem fazer mais do que o feijão com o arroz quando querem.


Aí eles rodaram o mundo mais uma vez, vieram no Brasil, eu fui ver, apareceram em CSI (e você aí achando que o Justin Bieber estava na vanguarda!), o Adam fez mais tatuagens, o Mick cortou o cabelo, eles chamaram o produtor do AD/CD e lançaram Hands All Over.

Hands All Over
Hands All Over é o disco mais burocrático do grupo, com canções que em muito lembram antigos sucessos da banda. Mas nem por isso deixa de ser um bom álbum.

Misery é prima-pobre de This Love (tão pobre que em seu refrão entoa: “Eu estou na miséria”, rs!) e traz a historinha do ex-namorado chato que não larga do pé. Já Never Gonna Leave This Bed é parente Won’t Go Home Without You, com Adam pagando de romântico no meio da noite (seu clipe, aliás, é "inspirado na casa de vidro do BBB"). Hands All Over dá nome ao álbum e entoa a já esperada cafajestagem disfarçada de dor-de-corno de Adam Levine em versos como “Love is a game, you say/Play me and put me away” acompanhados das guitarras afiadas que lembram Songs About Jane.

How ocupa o lugar da balada melosa de dor de cotovelo que já foi de Goodnight, Goodnight e Runaway o da música lenta do lado B que tem bom refrão mas não força suficiente para encarar as rádios.

Talvez elas não tenham o mesmo frescor que suas antecessoras, mas inegavelmente é o Marron 5 fazendo seu pop de alto nível, até no piloto automático.

Give a Little More é boa, mas nunca devia ter sido escolhida como single. Embora exale a sensualidade típica do Maroon 5, a música também tem um tom “soturno” que não combina com o pop alegre e dominante das FMs e infelizmente lhe falta um refrão que dê vontade de ouvir de novo.

O resto do disco é mais despretensioso e traz boas surpresas mesmo sem inovar de fato.

Stutter tem alto teor adolescente com Adam gaguejando quando perto do amor platônico e nasceu para ser cantada ao vivo, com direito ao recurso da auto-completagem pelo público na hora do “Stutter”. A música é ótima, com bom refrão, permanece na cabeça desde o seu início (I really, I really, I really need to know) e essa, sim, podia ser mais aproveitada nas rádios.

Don’t Know Nothing e Get Back in My Life também são divertidas e coesas com a marca mezzo-dançante-mezzo-karaokê da banda e backing vocals que fazem “uuuh” na hora certa.

Já I Can’t Lie e Just a Feeling são Maroon 5 em sua melhor forma, abusando do pop-com-R&B. A primeira tem letra e melodia deliciosas que lá no fundo carregam influências de Sunday Morning a Jackson 5. Já a segunda é a melhor do disco disparada com letra bonita, boa produção e uma interpretação inspirada de Levine que deixa a música na cabeça o dia todo.

Na mesma linha de tentar aproveitar o sucesso dos outros como fizeram com a Ri-Ri, Out of Goodbyes traz o Lady Antebelum a tira-colo com seu capipop, e mantém a tradição de encerrar o disco com alguma música com “goodbye” no nome. A canção é meio meh, e tem mais Lady Antebellum do que Maroon 5, mas pelo menos não foi outra parceria com a Rihanna.

Faixa-bônus
Hands All Over só traz de presente mais 2 novas canções em sua versão Deluxe. No Curtain Call, que com um pouco mais de guitarra poderia soar como qualquer banda de garagem genérica, e Last Chance, que é bem bacaninha. Mas legal mesmo foi encontrar uma versão de If I Ain't Got You da Alicia Keys (lembranças da original tocando nos meus tempos de estagiária) e Crazy Little Thing Called Love (embora eu ainda prefira o cover do Bublé).

Aí eles lançaram o Tea Will Be Loved, o Adam entrou no The Voice, lançaram Moves Like Jagger, o Jesse pediu “um tempo” e o resultado você já sabe.

O pior é que é sério.


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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Overexposed (ou Songs About Nothing)

Em 2002, chegava às lojas o aclamado álbum de estréia dos californianos do Maroon 5, Songs about Jane. A tal Jane era uma ex-namorada que disse "goodbye” pro Adam e inspirou todas as 12 canções do CD, o qual levou a banda ao estrelato com hits como This Love, She Will Be Loved, Sunday Morning e Harder to Breathe.

O curioso dessa história toda é que, embora Jane (como é chamado pelos fãs) seja sucesso absoluto de público e crítica, o CD demorou para estourar. This Love só arrebentou mesmo em 2004, dois anos depois do lançamento do álbum! No Brasil, o hit chegou ao topo das paradas com a ajuda da trilha de Senhora do Destino e lá ficou por muito tempo. Antes disso, a banda até já tinha dado uma passada por aqui, mas, na época, nem eu e nem ninguém sabia quem eram aqueles magrelos bonitinhos liderados por um vocalista de voz fina.

Em 2012, Jane volta às lojas em uma edição especial de seu 10º aniversário (com direito a versões demo de todas as 12 Canções sobre Jane - gamei na demo de Sunday Morning que tem um solo de sax de enlouquecer! -, outras músicas que já haviam sido lançadas com o Jane original em outros países, e, se não me engano, uma inédita) quase ao mesmo tempo em que a banda lança seu mais novo trabalho, Overexposed.


10 anos depois Songs About Jane não envelheceu nada e suas canções ainda soam ótimas! Mesmo os sucessos mais grudentos não parecem anacrônicos depois de tanto tempo! É um dos álbuns mais importantes da década passada e me arrisco a dizer que se torne um clássico do pop-rock! Coisa que com certeza não vai acontecer com esse novo CD.

De Jane para cá, a banda azeitou o som com o também ótimo It Won’t Be Soon Before Long e aguou um bocadinho com Hands All Over (ainda mantendo seu padrão M5 qualidade). Mas o sucesso experimentado com This Love nunca mais foi o mesmo. Isso até o Adam entrar no The Voice, aparecer na TV toda semana, fazer uma parceria com Christina Aguilera (também jurada do programa), e lançar a dançante Moves Like Jagger. O Maroon 5 estava sob todos os holofotes novamente. (E o Adam adorou!)

Na fome de conseguir alimentar o novo público atingido com Moves Like Jagger, o M5 abriu mão do sabor, da qualidade e da consistência que havia conquistado há 10 anos e tacou água no feijão.

Manhê, bota água no feijão que vem mais gente pra almoçar!

E o mais irônico disso tudo é que por incrível que pareça, a nova fase da banda vem calcada em uma boa dose de nostalgia. A chicletuda canção que os trouxe de volta ao topo faz homenagem ao maior pé frio de todas as Copas e dinossauro do rock, Mick Jagger, e a grudenta Payphone (que sem o rapzinho maldito fica bem melhor) seria apenas uma canção comum na época do lançamento de Jane, mas, agora, 10 anos depois, num mundo onde todos têm celular, se você está no telefone público, tentando voltar pra casa, e gastou todo troco naquela ligação, é porque tem alguma coisa muito errada e provavelmente você está preso*!!!!!!
* Daí vem o conceito do clipe com todas aquelas explosões gratuitas que lembram Wake Up Call. E ao escrever isso, percebo como eles perderam uma ótima oportunidade de ter feito o clipe com o Adam telefonando da cadeia mesmo, depois de ter matado o amante da mulher, como se fosse uma continuação do hit do IWBSBL!

Achei uma paródia bem legal da música em que o iPhone mais atrapalha do que ajuda. 
Repare no status do sinal do telefone no topo da tela. (Aposto que o celular era da TIM...) Sensacional!

Ao escutar Overexposed pela primeira vez me surpreendi positivamente. Mas só porque, depois de ouvir as prévias de 30 segundos e sabendo do processo de criação mais safado de todos, eu esperava algo bem pior. Por trás de todos os efeitos eletrônicos, o disco ainda tem um pouco do Maroon 5 de IWBSBL e HAO, em Daylight, LuckyStrike e The Man Who Never Lied, e alguma coisa de SAJ em One More Night e Beautiful Goodbye. Com exceção de Tickets (que é intragável), o CD é até agradável aos ouvidos.

As melhores músicas parecem versões pioradas de canções que não eram as melhores de outros álbuns ou só eram lançadas como faixas-bônus. E é preciso uma boa dose de paciência com a segunda metade do álbum. Mas ainda assim não era algo tão ruim quanto eu esperava.
* Aliás, é nas faixas-bônus que se escondeu uma despretensiosa jam session de Kiss, a melhor música do CD, e olha que ela é um cover! Também estão lá Wipe Your Eyes (a introdução é meio esquisita, mas a música é bem boa!), uma versão versão reciclada - eles sempre foram uma banda "verde" - de Wasted Years (ainda estou decidindo se gosto dela) e Moves Like Jagger (adoro a música, mas lançar DE NOVO???? Sério, vocês deviam ter vergonha, sabiam?).

E aí eu ouvi uma segunda vez. E percebi que o problema não era nem a sonoridade, que parece estar sempre de olho em alguma pista de dança falida. Mesmo com aquela batida de balada que irrita um pouco, fazendo algum esforço, na maior parte das músicas ainda dá pra reconhecer o velho Maroon 5 de algumas outras canções antigas. O negócio é que as letras que são SOFRÍVEIS!

Elas são sem alma, sem história e sem sentido. Chega a dar vergonha de cantar. Os refrões não têm força e as melodias não grudam no ouvido como deveriam, mesmo com versos vazios e repletos de repetição, como se fosse um gravador quebrado (Saudades de quando o gravador quebrado deles era aquele de The Sun). Em alguns momentos as músicas parecem saídas de um CD da Selena Gómez. Tickets tem até LALALALA no meio!!!!!!! Os “ooooohs” do Adam, que antes davam charme às canções, agora funcionam como tapa-buraco para falta de criatividade e de esmero na hora de produzir letras decentes. A impressão que dá é a de que fizeram o disco "nas coxas". O sentimento das canções parece ter ido para o ralo assim como a identidade e dignidade da banda.

O Maroon 5 subestimou a inteligência de seu público, tal como diversos programas que investem na "nova classe C"! E na ânsia de ficar na boca do povo, eles falharam justamente por não conseguir fazer músicas que grudem na cabeça e não dão vontade de escutar de novo. Com exceção de Payphone, todo o resto do disco tem cara de lado B de um CD qualquer. Talvez ele faça muito sucesso porque o resto da mídia parece gostar desse novo M5 e vai tocá-los à exaustão nem que seja por jabá até que o resto do povo simplesmente sofra lavagem cerebral e ache que essas músicas são boas.

Overexposed na Supervia

Antes de partir para a 3ª audição, coloquei pra escutar algumas músicas antigas como Infatuation, Back at your Door (essas dizem alguns, é uma continuação de She Will Be Loved), The Sun e Must Get Out e aí eu fiquei ainda mais decepcionada! Fiquei foi com raiva, na verdade!

Se antes até as canções mais bobas do grupo eram regadas à ironia e sensualidade, agora tudo parece arrogante, estúpido e pré-fabricado, como aquele nerd que tenta parecer descolado, se finge de burro para chegar na menina mais bonita da festa e passa uma cantada de mal-gosto.

VOLTA JESSEEEEE!

Não me sentia tão ultrajada assim desde Sandy e Junior (cada um tem o seu guilty pleasure, o meu é SeJ, me julguem), com aquele CD dos bonequinhos, às vésperas do anúncio da separação. Eu ainda via ali a dupla de outros tempos, mas ao mesmo tempo também não via (ou ouvia). Por melhores que fossem as canções (e analisando friamente, elas realmente não são ruins!), esse era um CD triste em que tudo parecia premeditado demais, sempre com alguma mensagem subliminar de que algo estava por vir por trás dos versos (e estava mesmo!), e que implorava pelo reconhecimento da crítica e de sei-lá-quem-mais, ao invés de simplesmente tocar sua música e se divertir com isso.

A diferença é que ao contrário da ex-dupla, que na época buscava mostrar amadurecimento, independência e até uma sonoridade menos comercial, os californianos fizeram o caminho inverso. Começaram com som maduro e depois de ficarem independentes (Overexposed é o primeiro disco com o selo próprio 222 Records) é que apelaram para o pop farofa. Apelaram porque gostaram de ficar “superexpostos”. E nem precisava porque eles são bons!
*E a gente sempre soube que eles sempre eram vendidos, mas mantinham um mínimo de dignidade!
** Eu ainda tenho uma teoria de que a banda está com os dias contados e que Beautiful Goodbye tem mensagem subliminar de profecia para seu fim. Mas duvido que se o disco mantiver a banda na crista da onda isso aconteça. O triste é ter que torcer para que ele não atenda às expectativas, porque parece que só assim eles vão entender estão indo na direção errada.


Mesmo depois de 10 anos, Jane é tão especial porque tem músicas que marcaram a vida das pessoas. Dá vontade de ouvir de novo para lembrar de uma época ou de uma versão alternativa e menos acabada de você mesmo.

Ironicamente, Overexposed será lembrado porque tem músicas esquecíveis. E não dará vontade de ouvir de novo porque ele implicará numa lembrança amarga de uma banda que não sabia que ser você mesmo é o suficiente.
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