sábado, 24 de maio de 2014

Um meme pra tirar a poeira e exercitar os dedos

Vida corrida, cabeça preocupada, muitas mudanças acontecendo e falta de tempo pro blog. Já passei da fase de pedir desculpas, a rotina agora é outra, vocês vão ter que se acostumar com isso. Não que eu ache que alguém se importe a esse ponto. Até porque acho que na verdade está todo mundo assim, né? Foi-se o tempo em que os blogs amigos tinham postagens regulares e criativas e novas.

Mas, enfim, eu nem sou de entrar nessa de memes não, mas a Fernanda, do Erro de Continuidade, postou esse e me indicou, e a vontade de postar é muita e criatividade pra escrever alguma coisa que não seja tão sombria é pouca (pra falar a verdade imaginei um post falando da notícia do lançamento do próximo DP porque foi de longe o assunto que mais alegrou no último mês e eu voltei a ser adolescente de novo, e já tenho meus receios e minhas conspirações e expectativas e apostas pro livro que só sai ano que vem. Mas, percebi que o que eu queria mesmo era a volta de um fórum bem bacana estilo 2005 pra compartilhar essas coisas. De verdade, acho que a gente devia fazer um movimento revolucionário e voltar pro Orkut. Porque pra isso, o Orkut era a MELHOR coisa)... Então, vamos de meme mesmo pra tirar a poeira do blog e exercitar os dedos na arte de postar. 

A brincadeira é responder 15 perguntas sobre livros, de acordo com a classificação. Algumas perguntas foram muito fáceis. Outras dificílimas de responder. Tentei ao máximo não repetir os autores.

1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda gente)
Posso começar com um empate técnico? 


Porque na verdade são dois. Sempre que alguém me pede dica de leitura, ou eu penso em dar livro de presente, ou estamos conversando sobre livros bons, eu tenho que falar de Um Dia

Porque Um Dia foi um livro que mexeu muito comigo. Porque fala de tempo. Porque a gente torce pelo casal. E porque no fundo, no fundo, Um Dia também é a história de você e eu. E não tem como não se identificar.

Só que daí a pessoa diz que já leu Um Dia ou faz careta e diz que não gosta de romance (mesmo eu tendo alertado que Um Dia é um pouco mais profundo do que esses romances água com açúcar), e aí eu tenho que apelar pra consciência política e divulgar Fábrica de Diplomas, que, como comentei na época, é um Tropa de Elite da educação superior brasileira. Leitura obrigatória. Só isso.

2) Maldito plágio (o livro que gostaríamos de ter escrito)
Insaciável. Porque uma história de vampiros que tira sarro das histórias de vampiros é um negócio que eu queria muito ter feito se eu tivesse talento. E daí que eu fiquei louca quando soube que Tia Meg querida do meu coração ia fazer um desses. O livro é maneiríssimo. E seu tivesse escrito, ainda ia criar uma trama com vampiros na política e empresários do ramo do axé music. Sabe de nada, inocente!

3) Não vale a pena abater árvores por causa disso
Crepúsculo. Não vou nem gastar meus dedos me justificando de novo. Leiam aqui.

4) Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)
Se eu tivesse lido Escola de Espiãs com 10 anos a menos, ia gostar 10 vezes mais. Porque o livro é bonitinho. É legalzinho. Os personagens são fofinhos. E não tem nada de errado com ele, de verdade. Mas o negócio é que depois de 10 anos lendo acompanhando histórias adolescentes, você já sabe exatamente onde as coisas vão dar. Li só o primeiro e não tive taaaanta vontade de continuar porque 1) tive um misto de deja vu com visão do futuro em que previ tudo o que poderia ocorrer com a série; e 2) a autora ia demorar tipo uns 7 anos ainda pra terminar, e se, com 20 anos eu já estava me sentido meio velha pro livro, imagina só com quase 30.
 
5) Eu tentei... (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)
Orgulho e Preconceito. Desculpem a heresia, mas toda vez que eu pegava esse livro, me dava um sono danado. E eu não consegui acompanhar a quantidade de personagens que tinha. Não sabia mais quem era homem, quem era mulher, se tinha algum travesti... Admiro muito a Jane Austen e tal, mas não nasci pra ler os livros dela. Obrigada.

6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro com final surpreendente)
Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é livro é muito artístico. Muito poético. Muito inspirador. Mas não passa de um livro muito pretensioso. E se no final você já não ficasse extremamente decepcionado pelas escolhas sem lógica e pela falta de evolução dos personagens, ainda tem aquelas fotos das pessoinhas caindo do prédio, com aquelas últimas palavras bregas... Hã?

7) Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)
DP10 - Princesa para Sempre. Eu sempre li os livros do Diário com uma voracidade incrível. Mas quando chegou no último, foi um negócio fora do normal. Até para os meus padrões de leitura com DP. Comprei em inglês mesmo (porque eu não ia agüentar 6 meses até a tradução) e chegou no meu aniversário, e eu fui lendo com pena de acabar no início. (Galera, são 10 livros de pura adoração. É a série da minha VIDA!!!) Mas chegou uma hora que não dava pra largar mais. Eu tentei dormir, mas não consegui pregar os olhos antes de saber o que ia acontecer nas outras páginas. Aí eu falei que ia ler só até a 250. Depois só até a 300. E daí que não dava pra adiar e eu tive ir até o final de uma vez. Li até as 4 da manhã. E o pior é que depois que acabou, eu ainda não quis largar o livro!!!!! Era muita emoção. Não consegui dormir. Fiquei voltando nas melhores partes. Relendo, e relendo, e relendo. Foi tenso. Foi bom. Estou na contagem regressiva pro próximo.
 
8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)
Ai gente, não sei. Se fosse TV era tão mais fácil. Sookie e Luke, de Gilmore Girls. Aaaaah, já sei. A mãe do jardineiro de Samantha Sweet - A executiva do lar. Lembro de sentir o cheiro do frango assado que ela ensinou a Samantha a fazer. Comida de mãe não tem igual, né?

9) Fast forward (um livro que poderia ter menos páginas que não se perdia nada)
Feios. Porque são páginas demais com a menina perdida no deserto. E depois ficou chato de novo quando chegou na parte do acampamento. E foram partes demais explicando todo o universo distópico. Sei que o Senhor dos anéis também podia ter menos páginas, mesmo não tendo lido. 

10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)
A visita cruel do tempo. Porque tem "tempo" no título. Só isso já torna o livro interessantíssimo. E parece ser elegante, inteligente, profundo. Não li, tenho vontade, estou esperando o momento ideal pra encarar uma leitura densa dessas.

11) O que vale é o interior (um livro bom com a capa feia)
Um Grande Garoto. Mas vale pra qualquer um do Nick Hornby pra falar a verdade. Os livros do cara são bons, mas a Rocco não ajuda com essas capas. Só Juliet salva.

12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)
Adepta das comédias que sou, geralmente estou sempre com um livro que me faça rir. Mas acho que ninguém me faz rir mais do que Becky Bloom. Porque a Becky é surreal. As outras personagens da Sophie Kinsella às vezes são meio doidinhas, mas a Becky tem uma forma própria de raciocínio e o dom de se envolver em enrascadas. Me escagalhava no trem, lendo suas trapalhadas. Ela é MUITO hilária. Difícil até escolher o momento mais absurdo (porque é claro que com o passar da série, as confusões ficam cada vez maiores), mas, do primeiro volume, a parte que ela acha que vai ganhar na loteria e as cartinhas pra Finlândia ficaram pra sempre na minha memória.

13) Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)
A Cidade do Sol. Confesso que, há algum tempo, entrei numa fase bem lacrimosa da minha vida. Mas esse livro é apelação total. Eu já estava chorando na página 30, pra você ver. E é só desgraça em cima de desgraça. Chega uma hora que você já está tão acostumado e revoltado com tanta falta de otimismo que nem tem mais forças pra chorar. É muito sofrimento, cruz credo. Podia ter umas páginas a menos também.
 
14) Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)
Não empresto pra ninguém eu DP10, nem meu DP3, nem O Garoto da Casa ao Lado, nem Garota Americana por motivos de... estão autografados pela DIVA Meg Cabot. Simplesmente. Dou até um livro novo. Mas não empresto esses não.

15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)
Macbeth – A peça maldita. Comprei numa promoção há umas 2 bienais. Tá lá na estante, esperando o momento certo. Porque, sabe como é, tem a maldição e tal. Não dá pra ler em qualquer hora. E ultimamente eu ando achando que já estou zicada demais.

Legal esse meme. Deu saudade do Inútil de outros tempos, né? Em que a blogueira era mais presente, mais alegre, menos ranzinza e preocupada...

Fiquei com vontade de escrever uma resenha agora. Será que eu consigo fazer uma do Katherines do John Green? Será que eu ainda sei fazer? Será que eu ainda levo jeito? Aguardemos.
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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Onde vivem os monstros

Existem histórias de monstros que vivem no armário. Existem histórias de monstros que moram debaixo da cama. Ou atrás da porta. Ou dentro da caixa de brinquedos.

Não importa o lugar, os monstros sempre se escondem naquele cantinho escuro, apertado e bagunçado do quarto.

E nenhuma dessas histórias é tão assustadora quanto a sensação de descobrir que o verdadeiro monstro vive dentro de você.

Eu achei que fosse uma pessoa calma, tranqüila, serena. E que só saía desse estado de paz quando forças “ocultas” vinham me perturbar. Não sou nada disso.

Descobri que sou babaca, vingativa e egoísta. Que falo mais do que devo. E que tenho uma língua ferina e afiada. E que não sei manuseá-la direito. Daí quando quero (e quando não quero também) minhas palavras cortam como navalha. E na pele de quem não devia.

Descobri que afasto as pessoas como mecanismo de auto-defesa. E depois sofro pra mudar essa impressão. Porque infelizmente tem gente que confunde ser legal com ser otário. E otária é uma coisa que eu não sou.

Descobri que sou mais do tipo “bateu-levou” do imaginava. E que a revanche pode demorar, não falha. E quando vem, é com 10 vezes mais força. Também uso do humor, ácido, como forma de vingança. E passo do limite. Por isso ele não é nada engraçado. 

Descobri que não sou só idiota com as pessoas que merecem (porque tem gente que merece, sim!). E que muitas vezes machuco gente que só quer o meu bem. Na verdade, tendo a machucar mais justamente as pessoas que gosto de verdade, do fundo do coração.

Descobri que existe um monstro furioso dentro de mim. E que ele não se manifesta só quando está com fome. Mas também quando se sente sufocado, injustiçado, ansioso e amedrontado.

A minha sorte é que essas mesmas pessoas que não merecem são corajosas e não têm um monstro feroz dentro delas também. E elas não têm medo usar todas as armas pra colocar ele no seu devido lugar e o combatem com doses de carinho que eu não estou acostumada (e não mereço) receber. E isso é capaz de derrubar qualquer monstro.

Descobri que no cantinho mais escuro, apertado e bagunçado da minha alma existe um monstro mais aterrorizante do que o bicho-papão. E a sua força me assustou. Mas, por mais que não dê para acabar com ele de vez, existe um jeito de controlá-lo ou escondê-lo. Porque é dentro dos armários, atrás das portas, debaixo das camas que os monstros devem ficar.

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

O lado ruim de ser ótimo

Eu sempre fui a aluna nota 10. Não que meu boletim fosse nota máxima do início ao fim (ok, no primário isso era bem próximo da verdade), mas sempre fui uma boa aluna. Dá pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que fui pra recuperação ou prova final.

Não sei dizer se era a melhor aluna. Talvez fosse a mais “completa”. Gostava tanto das humanas, quanto das exatas. Tinha o mesmo prazer em fazer uma redação, quanto de resolver uma lista de matemática. E contrariando a imagem criada por todos os filmes, ia bem até na Ed. Física (era do time de handebol do colégio e nunca era escolhida por último pelos capitães dos times).

Também contra todas as expectativas, nunca liguei muito pra essa história de notas e alto desempenho. Nunca quis ser “a melhor”. Só queria dar o meu melhor. E curtir ao máximo meu período escolar. Os resultados seriam consequência.

Fiz questão de manter a humildade e os pés no chão pra não virar aquela pessoa chata que se acha e não tem amigos. Aliás, minha maior vitória talvez tenha sido o grupo de amigos mais legal que eu poderia ter. Porque a escola, os boletins, as notas... passam. E a vida lá fora não tem nada a ver com esse experimento pelo qual passamos toda a nossa vida até os 18 anos.

Acontece que eu ando descobrindo que, bom, talvez a vida aqui fora não seja tão diferente assim do colégio. E que esse negócio de ser uma aluna nota 10 talvez não tenha sido a melhor estratégia. Porque a vida não te prepara para certas coisas que já deveriam estar no sangue e aí:

1) Você tem vergonha de pedir ajuda
Você está acostumado a ser a pessoa a quem as pessoas perguntam as coisas. A pessoa que resolve os problemas. Aquele que tem as respostas na ponta da língua. E às vezes você se sente na obrigação de saber tudo. E se sente frustrado por não saber todas as respostas. E tem vergonha de ser aquele que pergunta. E às vezes também não sabe a quem perguntar, já que quem geralmente tem as respostas é você.

2) Você não sabe lidar com o fracasso
Você está acostumado ao sucesso o tempo todo. E quando falha se sente a pior pessoa do mundo. E tem dificuldade de seguir em frente e fica com aquilo martelando na cabeça durante um bom tempo, racionalizando, tentando entender onde você errou, até chegar à conclusão que não é o fim do mundo e que errar não te faz pior, só te faz humano.

3) Você trabalha mais que os outros
Talvez essa seja a principal diferença para os tempos de colégio. Afinal, realizar um bom trabalho durante o ano te garantia mais fins de semanas livres, saídas mais cedo durante os dias de recuperação e férias garantidas em pleno mês de novembro. Mas, ao contrário dos tempos áureos da escola, quando você é bom no que faz, a única coisa que você ganha é... “Mais Trabalho!”. Você faz o seu e refaz o dos outros que fazem errado. Você ganha mais responsabilidade e mais preocupação. E começa a pensar que ser “medíocre” seria um negócio muito mais vantajoso, mas é orgulhoso demais para fazer as coisas de qualquer jeito e acaba “carregando o mundo nas costas” assim mesmo.

4) Você tem que lidar com altas expectativas o tempo todo
As pessoas criam expectativas muito grandes em cima de você. E te dão mais trabalho do que dariam para os outros, confiando na sua capacidade de resolver problemas. E todo mundo acha que você tem que ser o melhor sempre. E você se pega pensando que não pode errar (vide números 1 e 2) e que tem que agradar a toda essa gente e se esquece que você pode ser bom, mas ainda assim é gente, e que quem manda na sua vida, no final das contas é você.

5) Você vive o eterno dilema do herói
Como já diria o tio Ben: “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. E logo você sente a pressão das expectativas, do peso do possível fracasso, da dependência das outras pessoas e do mundo que colocou nas costas (o peso sobre os ombros não é psicológico, é físico, eu já senti). E aí começa a se perguntar: “E quem é que vai ‘me’ salvar?”. E se eu não for nada disso? E se eu for, mas não quiser ser? Alguém me perguntou alguma vez a minha opinião?

Outro dia li um texto, com gráficos e desenhos no paint (indicado pela Karol, Valeu, Karol!), sobre as pessoas da geração Y se sentem especiais quando na verdade não são. E precisam parar com isso.

Acho que meu problema é um pouco o contrário. Aceitar esse fardo do destino, ao mesmo tempo em que tento encontrar o meu lugar no mundo e um jeito de sobreviver. 

Nunca me senti especial, de forma alguma. E também rejeitei muitas vezes o título de líder, pois nunca achei que levasse jeito pra coisa. Mas estou começando a aceitar o fato de que talvez seja mesmo diferente, de alguma maneira (porque eu já me formei e continuo sendo uma das melhores no que eu faço – não sou eu que estou dizendo, é o que venho escutando nos últimos meses de várias pessoas, gente inclusive que nem tem tanto contato comigo assim -, mesmo ainda achando que na maioria das vezes não faça nada de mais). 

E como já dizia o Mr. Schue: “Às vezes ser especial é um saco”.
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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sociedade dos Poetas Mortos

O meu problema é que eu assisti filmes demais. Li livros demais. Ouvi música pop demais.

E tento encontrar resposta e sentido para as situações da vida real nas palavras da ficção. E encontro. Porque faço conexões na velocidade da luz e sempre tem uma frase, um verso, um parágrafo que se aplique.

O meu problema é que eu tenho facilidade de aprender. E tenho uma boa memória. E ao invés de esquecer as mensagens do final, levo tudo muito a sério aquelas histórias de “Seja você mesmo” e “Fazer a coisa certa” e “Você pode ser tudo o que quiser”.

O meu problema é que eu acho que posso mudar o mundo. Sozinha. E fico acreditando que eu posso ser a exceção à regra que protagoniza o filme. E fico querendo desafiar as coisas erradas da humanidade.

Alguns acham que é imaturidade, infantilidade, rebeldia. Mas acho que o meu problema é que eu sou...romântica. Uma romântica inveterada, eu diria.

Daquelas que acredita no amor. Nas pessoas. Nas idéias. Num mundo, senão idealizado, pelo menos ideal. Que detesta injustiça. Que acha não é porque as coisas são assim que elas têm que continuar assim. E que acredita que “o sonho que se sonha junto é realidade”.

Já tentaram me convencer a aceitar o mundo do jeito que é, e que nada vai dar certo no final. E eu quase perdi a fé na vida por me sentir impotente diante da grandeza da covardia do sistema.

E eu logo desisti de desistir. Por que, se a gente deixar de acreditar, qual a graça que tem? De que adianta viver sem esperança? Pra que aceitar a inércia do incorreto quando a gente pode de fato fazer alguma coisa?

E por mais que eu saiba que a vida real não é nada como nos filmes e que eu nunca vou ter a coragem pra dizer tudo o que falam as letras das músicas, sigo acreditando que lá no fundo a gente devia se inspirar mais na poesia como diretriz para alcançar o final feliz.

O meu problema é que eu acredito no final feliz. Sempre.

Mas acho que isso não seja um problema de verdade.

Na verdade ele é a solução.
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segunda-feira, 3 de março de 2014

105 dias

Olá, amigos do Inútil. Ao contrário do que muitos de vocês possam imaginar, eu não morri. Fiquei 105 dias sem postar. Mais de 3 meses. Um recorde de ausência. Um caso de total negligência. As coisas estavam tão quentes que esqueci TOTALMENTE do aniversário de 5 anos do blog (sério, só lembrei agora. Aceito os parabéns atrasado, obrigada). Passaram Natal, Ano Novo, todo o mês de janeiro e fevereiro, e só agora, às vésperas do meu aniversário de 24 anos (é amanhã!), consegui postar.

Não vou dizer que não tive tempo pra postar. Provavelmente tive. Mas certamente não tive cabeça. Porque se eu tivesse que descrever os últimos 3 meses em uma palavra, essa palavra seria: Intenso. E o pouco tempo que tive pra mim, eu decidi que preferia viver mais do que relatar. 

Ainda estou me acostumando com esse negócio de não ter tempo pra nada. E acho que vocês também vão ter que se acostumar com as postagens cada vez mais escassas. Ser adulto às vezes é um saco.

Mas, estou cheia de novidades pra contar. E acho digno dedicar esse post pra tirar a barriga da miséria e atualizar um pouco sobre o que aconteceu nos últimos três meses.

1º Viajei. Pra Madrid. E pra Paris.
Dentre os mil eventos do fim do ano (juro pra vocês que quase fiquei maluca com tanta coisa pra fazer), fui passar o fim de ano com minha irmã que está na Espanha. Aí a gente aproveitou que estava lá em Madrid e deu uma passada em Paris (muito chique, eu sei!). 

Sim, foi muito legal. Curti horrores. Um pequeno resumo (bem resumido mesmo!), pra vocês terem ideia de como a viagem foi boa. Almocei no restaurante com vista pro campo do Real Madrid. Vi Guernica. Vi a Monalisa. O Arco do Triunfo. Andei na Champs Elysee. Subi a Torre Eiffel (à pé!). Desci nas Catacumbas de Paris. Andei de barco no Sena. Tirei foto com as pirâmides do Louvre. Enfrentei um frio de 5 graus! Usei luva, capuz e casaco! Tomei banho de banheira de espuma. Enfim, turistei. Recomendo a todos.

O importante é que sempre teremos Paris

Qualquer dia desses eu faço um diário de viagem mais detalhado, contando as curiosidades de cada cidade. Pode ser daqui a uma semana. Pode ser daqui a 6 meses. Não vou garantir nada. Mas se vocês pedirem com jeitinho, pode ser que seja mais rápido.

2º Trabalhei. Pra caramba.
Não deu nem tempo de respirar da viagem, mergulhei de cabeça no peak mais estressante de todos. Foram praticamente 2 meses sem saber o que é um sábado de descanso, saindo tarde, com uma lista de coisas a fazer que só fazia crescer. Acho que é pior não é nem o trabalho em si, mas a pressão de ter gente em cima te cobrando e ainda ter que tomar conta das pessoas de baixo, que, pra completar, não têm metade da dedicação ou da competência que você tinha quando tinha o cargo deles. Tenho certeza que trabalhei muito mais por causa disso. Somado a isso tudo, um monte de vozes na sua cabeça, cada uma falando uma coisa, e o seu coração dizendo outra, querendo jogar tudo pro alto, há muito tempo. 

3º Chorei. Pra caramba.
O resultado foi que eu fiquei de saco cheio. Fiquei a um tantinho assim de apertar o botão do F. Estava ficando insuportavelmente amarga. E percebi que se eu continuasse do jeito que estava, as coisas não iam ficar nada boas. Na virada do ano, decidi baixar a guarda, porque senão, o negócio simplesmente não ia funcionar. E por mais que eu dissesse isso pra mim mesma, falhei miseravelmente na parte de execução do plano. Num belo dia de sábado (de trabalho, pra variar), fui chamada pra uma conversa séria que pareceu até aquelas intervenções de pessoas que usam drogas e precisam ser internadas. E aí eu desabei. Porque eu estava sendo extremamente idiota e mesmo assim recebi uma dose inesperada de preocupação e carinho, que acho que não merecia e nem estou acostumada a receber. Mas foi bom colocar as coisas pra fora. E ver que tem gente que se importa tanto assim com você. E deu fôlego pra aguentar o mês de fevereiro, pelo menos. No final de tudo eu sobrevivi. E descobri que o segredo todo está em voltar às origens e deixar rolar. Não pensar, não planejar, não se preocupar a longo prazo. Porque se eu começar a pensar demais, as conclusões óbvias não são animadoras. Então, é melhor viver um dia de cada vez.

4º Encontrei com amigos.
É impressionante como quanto menos tempo livre você tem, mais você dá valor a ele. Teve um feriado em janeiro em que fiz questão de não ficar em casa. Eu simplesmente tinha que ver o sol. Liguei pras amigas e fomos pra Quinta da Boa Vista. Fizemos pique-nique, andamos naquela bicicleta esquisita, entramos até no museu (pra falar a verdade, a gente queria mesmo era usar o banheiro - uma coisa que eu aprendi durante a viagem foi que ir a museus é ótimo porque você sempre tem onde ir ao banheiro - , porque o da Quinta estava um horror, e depois que a gente descobriu que a entrada era de graça, não viu motivos pra não entrar!)... O dia foi tão bom que não tive nem vontade de postar nada na internet. No final ficou a sensação de que devíamos fazer isso mais vezes. Na próxima a gente vai no pedalinho. 


5º Fiz baliza.
Agora que recuperei meus fins de semana, tenho outro tipo de dever de casa. Treinar pro exame do DETRAN. Terminei as aulas práticas no fim do ano, e fiquei aguardando as meninas da auto-escola marcarem a prova. Não marcaram. Ainda bem, porque eu estava com a cabeça cheia e nem ia poder me preocupar com ela no último mês. Mas também fiquei super-enferrujada e tive que pedir ajuda ao papai pra me ensinar a dirigir. No início as aulas estavam bem estilo seriado em que o pai fica desesperado, gritando, enquanto o filho faz um monte de barbeiragens. Tinha certeza de que seria reprovada. Agora já estou bem melhor. Acho até que, com um pouco mais de treino, dá pra passar na prova.

Embora praticamente todas as músicas tenham adquirido significado especial pra mim nos últimos tempos, hoje vamos ficar com o Jamie cantando Save Your Soul na Sacré-Cœur, porque eu passei por lá durante a viagem e acho que venho passando por essa letra quase que completamente.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Não é perfeito, mas quem se importa?

Há muito, muito tempo atrás, eu quis escrever um post sobre grupos a capella e como sou fascinada por esse tipo de coisa. A harmonia de vozes, os barulhos com a boca, a mágica que eles fazem ao tornarem músicas ruim em boas, e as boas em absolutamente irresistíveis... Logo quando Glee começou, achei um vídeo de um desses grupos cantando umas músicas do Jamie (o que eu mais gosto nesse vídeo são os gritinhos animados para os meninos que fazem o “a capella” do jeito mais tradicional, usam as roupas mais tradicionais e nem são tão bonitos assim), e um vídeo leva a outro, e o Youtube é um buraco negro e eu acabei descobrindo que lá nos EUA, eles levam esse tipo de coisa super a sério com direito a competição e tudo (como em Glee mesmo, só que na faculdade). 

O post não saiu por N motivos, mas cá estou falando exatamente o que eu queria falar há anos atrás porque assisti A Escolha Perfeita (que trata exatamente desse campeonato de “a capellas”) na TV e fiquei com a boca, os dedos e todo o resto do corpo coçando pra comentar. Fora a vontade louca de cantar, obviamente.

Tem um pedaço de DP2 (o livro) em que a Mia fala que seu filme favorito de todos os tempos era Dirty Dancing porque nele tem dança e filmes com dança são geralmente melhores que os outros porque a dança faz tudo ficar bom. Eu sou assim com música. Acho inclusive que se nessa vida tivesse mais música, muitas coisas iam ser melhores. Essa semana entrou no metrô um grupo de músicos chamado Mambembe composto por um cavaquinho, um violino e um pandeiro tocando clássicos do samba e da MPB. Uma delícia! Imagina só como as viagens não seriam melhores com 5 minutos de música boa desse nível?

A Escolha Perfeita (uma péssima tradução, diga-se de passagem, já que “Pitch Perfect” tem todo um trocadilho com afinação e o mote do filme não tem nada a ver com “escolha”. O título de PORTUGAL é melhor: Um ritmo perfeito) é repleto de clichês adolescentes, apesar de passado na faculdade (não fosse Glee, talvez se passasse numa escola mesmo), e tem um monte de coisas que não funcionam. O negócio é que as músicas a capella são muito boas e aliadas a performances espetacularmente coreografadas (uma fórmula que não tem como dar errado!) compensam todos os defeitos.

Uma coisa engraçada que notei é que praticamente todo mundo associou A Escolha Perfeita a Glee, por motivos óbvios, e até o filme tira sarro disso em alguns momentos, mas se você parar para pensar, A Escolha Perfeita, na verdade, tem muito mais a ver com... Mudança de Hábito! Quer dizer, um coral tradicional que tem que se reinventar e quebra todos os paradigmas com a chegada de uma novata que inicialmente tem suas ideias rechaçadas pelo grupo... Tem até a personagem gordinha que rouba todas as cenas! Se você já assistiu a continuação do filme com a Whoopi vai ver como é a cena final é muito, muito, muito parecida com a película do ano passado. 

Queria deixar aqui registrado o quanto adoro a tradução do título de Mudança de Hábito. 
Simplesmente genial!

E se o repertório super-atual às vezes traz músicas bobas e nem tão boas assim, o a capella faz a mágica de tornar até Party in the USA presença indispensável no player!!!! Agora você imagina só se as músicas fossem boas de verdade!!!

Além disso, com O Clube dos Cinco e Don’t You Forget About Me, o filme faz um mea culpa com a geração anterior, como quem diz: “Olha, fizemos o dever de casa, não somos um filme só pra vender músicas no iTunes, também temos coração e queremos emocionar as pessoas de verdade”.
* Li uma entrevista da Anna Kendrick (s2), em que ela comentava que na verdade, O Clube dos Cinco nem estava no roteiro original, e sim Digam o Que Quiserem. Como eu só vi o primeiro, também acho O Clube dos Cinco a melhor escolha.

(A título de comparação, homenagem por homenagem, acho que John Hughes ficaria mais orgulhoso com A Mentira do que com A Escolha Perfeita. E na minha humilde opinião, o filme podia ter alcançado esse patamar de AWESOMENESS de Easy A, caso estivesse na mão de um diretor mais inventivo e descolado, tipo o Will Gluck)


Outra coisa digna de nota é Anne Kendrick, que definitivamente está em busca do título de Queridinha da América. MEU DEUS DO CÉU! Como ela é boa!!!! A simpatia, o carisma, o sorriso, talento, a voz (que voz deliciosa!), a carinha de menina daquelas que você podia ser a melhor amiga... O que é a musiquinha do copo, por favor???? Por que ela não canta mais???? Pleaaase!!!!

Há exatos dois anos, quando assisti A Mentira, me apaixonei pela carismática Emma Stone. Simpática, esperta, bonita, boa atriz... Fiquei pensando cá com meus botões que, pra ela ficar no nível da Anne, só faltava cantar. Anna Kendrick canta. Uma pena a garota ter perdido tempo na “Saga” Crepúsculo (dava até dó dela, lá de coadjuvante da se graça Kristen Stewart) com tanto talento.


E falando em Crepúsculo, acho que vale o comentário de que, Beca, pós-adolescente deslocada, rebelde, que não se enturma, não gosta de nada, nem de ninguém, lembra muito uma certa Bella Swan. Mas o final de Beca é exatamente o caminho que eu imaginei que Crepúsculo tomaria quando tive contato com a história pela primeira vez. E aí eu fico pensando o que Anna Kendrick não teria faria com a personagem... E depois dou graças a Deus por ela não ter sido a protagonista da saga dos vampiros brilhantes porque aí ela não queimou o filme dela com essa bomba que, sinceramente, não tinha salvação.

Ainda sobre isso, queria comentar sobre a cena do juramento em que associei as palavras Bellas (o nome do coral), “lobos”, a história de amor proibido e Anna Kendrick, que já esteve em Crepúsculo. Não tive outra saída senão soltar uma gargalhada, né? É isso aí, sou meio retardada mesmo.

Beca ataca de DJ

Ok, voltando às personagens, é bem difícil você realmente se “importar” com eles no início. Às vezes por culpa do roteiro, que não explica direito o porquê de suas atitudes ou o faz de um jeito meio bobo (quer dizer, por favor, tudo bem que a Beca é alternativa e talz, mas não gostar de filmes? Como assim? E o negócio de ela querer ser DJ? Affe! Se ao menos ela fizesse uns mash ups legais tipo esse... Mas aquele Bate-Tuntz dela, qualquer ex-BBB faz!), às vezes pela má escalação dos atores. 

Quer dizer, não dá pra levar a sério o romance dela com o carinha porque, além de o início ser meio mal explicado, o mocinho é muito sem graça, fora que ele é a cara do Christian do RBD!!!!!

- Menino, parece que eu te conheço de algum lugar!
- Eu cantava num grupo mexicano há alguns anos.

No entanto, além de todos os elogios do mundo para a linda da Anna Kendrick, outra surpresa foi ver Elizabeth Banks, que também é produtora do filme, arrebentando na comédia, num papel que, veja só, era pra ser da Kristen Wiig! Eu particularmente nem gosto da Elizabeth Banks. Acho-a uma atriz limitada e muito sem carisma, mas acontece que ela interpreta o tipo megera cômica muito bem (talvez por ela ser uma megera na vida real também). A narradora que tece comentários cheios de sacanagem (não necessariamente no melhor sentido da palavra) na verdade lembra muito a Avery de 30 Rock. (E se alguns dos diálogos non-sense te lembraram da série da Tina Fey é porque o filme foi escrito por Kay Cannon, umas das principais roteiristas do seriado.)

Rebel Wilson (talvez o Tracy Jordan do filme, com praticamente todas as falas improvisadas) e alguns outros personagens soam forçados no início, mas conforme a fita se desenrola, a gente aprende a gostar deles. 

E no final, tudo, tudo, tudo aquilo que estava meio esquisito, faz sentido. Os mash ups, a história da Beca ser DJ, a união das garotas, o punho cerrado do Judd Nelson... É redentor! É arrebatador!


Uma performance de arregalar os olhos e abrir bem os ouvidos! Além das mixagens espertas, atenção para as coreografias emulando vários clipes de sucesso como Smooth Criminal de Michael Jackson (na metade da fita, o Rei do Pop ainda contribui com Don’t Blame it on the Boogie, naquela apresentação do grupo eliminado, com direito a moonwalk, sim, obrigada!), Single Ladies (tem muitos movimentos de Single Ladies, aliás, me pergunto aqui, se a canção não estava incluída originalmente no medley final) entre outros...

A Escolha Perfeita não acerta todas as notas e desafina em alguns momentos, mas tem números musicais incríveis e material de sobra para povoar a internet com ótimas gifs nos próximos anos (fora os vídeos!). E no final, ah, os finais são sempre a melhor parte.. Ao contrário do que seu título possa sugerir, ele está longe da perfeição, mas, sinceramente... quem se importa?

Por favor, alguém me ajuda a descobrir de onde veio essa parte da dança? Tenho certeza que é de algum clipe, mas não consigo lembrar qual. Sério, não canso de assistir. Se você descobrir outros clipe escondido, vem aqui me contar, please! Preciso ver o filme com comentários, fato!
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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Paixão adolescente

Nas últimas semanas não se falou em outra coisa senão a separação de Grazi e Cauã, uma espécie de Brad e Angelina brasileiros até então, tirando o fato de que a Angelina é que roubou o Brad e a Grazi teve o Cauã roubado (se bem que Dona Grazi está é pagando os pecados por pegar homem comprometido na época do BBB).

Mas a notícia que realmente mexeu comigo foi o divórcio de Tom Welling. Tom Wellling era minha paixão adolescente. Aquele por quem eu passava minhas manhãs de domingo ba-ban-do. O homem pelo qual eu aturava Celso Portiolli e os intermináveis comerciais do SBT (isso é que amor!). Uma vez descobri que umas professoras do ginásio também eram fãs de tamanha beleza (como não ser?) e coloquei até Tom na capa de um trabalho (sério!). Num tempo em que podia passar tardes e tardes na internet fazendo nada, gastava meu tempo procurando fotos de Tom Welling e admirando toda sua formosura. Um ótimo jeito de gastar o tempo, se você quer saber. Uma vez achei uma que, só podia ser mentira, tinha até Tom nu pulando num laguinho de Smallville (e eu nem estava procurando nada disso). Minha amiga Fernanda ficou horrorizada com a tal foto, me sacaneia até hoje, me chama de tarada, etc.

(Ai Deus, lembrei do Power Point que a Fe fez – Fernanda também sabia muito bem gastar o seu tempo – Big Brother Tom Welling ou Big Tom Welling Brasil, não lembro direito. A ideia era ótima! Trancar Tom Welling numa casa, deixá-lo sem camisa. Só. Precisa de mais alguma coisa? Cadê o E! pra investir nisso?????)

Pra falar a verdade, tem muito mais histórias envolvendo Tom Welling na minha adolescência, mas vou poupar vocês de todas elas, porque acho que não vem ao caso agora.

Pois então, nesse mês, a mulher de Tom Welling assinou o divórcio. E sempre odiei a mulher do Tom Welling pelo simples motivo dela ser casada com ele, que, como todo mundo sabe, devia ser patrimônio público. Acho sinceramente que o governo deveria lançar um programa social Bolsa Tom Welling que garantisse que todas tivessem um Tom Welling em sua vida.

Essa era uma das minhas preferidas

Mas, devo dizer que tem muito tempo que não fazia como antigamente e ia caçar coisas da vida de Tom. Primeiro porque tenho mais o que fazer. Depois porque parei de ver Smallville na metade (é, teve uma hora, que nem Tom Welling fazia valer aqueles episódios da sexta temporada pra lá, porque, tipo, basicamente, só sobrou ele pra contar a história, já que  Jonathan morreu, a Lana saiu, o Lex saiu, o Lionel morreu, e até a Chole foi embora! Na boa, mesmo à distância, quando eu vi que a Chloe – a Chloe!!! – tinha saído, nem fiz questão de voltar pra temporada de despedida!) e o próprio Tom também nem tinha nada interessante que pudesse ser procurado. Com o fim de Smallville, e com as tentativas frustradas de produzir outros seriados (pra quem não sabe: Hell Cats era uma legítima Tom Welling Productions), associadas ao talento dramático dele (que vamos combinar, era quase nenhum), parecia que o moço tinha sumido do mapa, então também nem tinha nada pra encontrar, mesmo que eu procurasse.

Devo dizer até que meu coração foi preenchido por outros galãs, com mais conteúdo e talento, e com igual nível de shirtless (Alô, Ryan Goslyn! Alô, Hugh Jackman!), além de outros Supermans (Por que foram mudar aquele outro moço Brandon Routh? Adorava ele! Por quê? Por quê?). Obviamente nada com a mesma intensidade que a paixão adolescente despertada por Tom Welling do alto dos meus 14 anos. Mas, ao contrário do que um dia eu pudesse imaginar, ouvir a essa altura da vida que ele estava se separando despertou um sentimento de: “Mas só agora, Tom? Se fosse há 10 anos, eu ficaria muito mais feliz com a notícia!”.

Não é nem (só) a beleza, é o borogodó!

Mesmo assim, entrei na página dele do IMDB pra ver como ele estava, se estava lidando bem com a separação, se tinha mais algo a acrescentar a notícia, se tinha uma declaração de amor pra mim (brincadeira!), se estava fazendo algum filme, etc. Não descobri nada da separação e também não tinha nenhuma declaração pra mim, mas vi que ele realmente estava estreando um filme. Um bom filme, aliás. Não era A Névoa (esse daí eu não consegui assistir, mesmo tendo o Tom de protagonista, quer dizer, o vilão é uma NÉVOA!)! Um filme sobre a morte do JF Kennedy, com Zac Efron (ai, Zac!), Paul Giamatti, Billy Bob Thorton e grande elenco, com cheiro de Oscar. Tudo bem, Tom Welling não aparece no trailer. E parece que quase não vai aparecer no filme também. Mas já é um começo pra quem está parado desde Smallville. E pelo menos já dá pra acompanhar umas fotinhas dele!

E aí eu fui ver as fotos, e realmente tinha umas da première do filme num festival importante aí. E lá estava Tom Welling, de terno, no tapete vermelho, sozinho e... grisalho! Com umas ruguinhas do lado dos olhos, com a barba por fazer, bem tiozão... Achei esquisito demais. Tipo, era o Tom Welling! Meu ídolo teen! Pra mim ele ainda era o Clark, com aquela carinha de bebê!

Daí ele me aparece todo maduro, sério, com cabelo branco... Não estava preparada. Achei até que ele estava magro, meio acabadinho (deve ser culpa do divórcio), ao passo que minha amiga Jami (que tinha me mandado a notícia) rebateu:  “Quem dera ter um acabadinho assim aqui em casa!”.

Para os fãs de Greys, li alguém falando que ele era a mistura perfeita entre o McDreamy e o McSteamy. Que ele seria o McBrother. Descrição exata! Taí, Tom Welling em Greys ia cair muito bem. Já to até imaginando ele de jaleco...

Fui passando para ver todas as fotos e aí encontrei uma dele sorrindo. Aí eu lembrei que o que eu mais gostava no Tom, não eram os olhos azuis, os braços, o peitoral, enfim. O que eu mais gostava era o sorriso de Tom Welling com aqueles dentinhos de criança. Ele ainda era o MEU Tom. E aí voltou tudo. Entrei no fansite pra recuperar o tempo perdido e ver TODAS AS FOTOS que eu ainda não tinha visto, ler as entrevistas, acompanhar as News...


E daí que ele estava grisalhinho, gente? Pra 36 anos, até que ele está superbem (com trocadilho, por favor!)! E tá bom que esse cabelo não está nos melhores dias, mas a gente dá um jeito, não tem problema! 

Na verdade, acho que o que o envelheceu foi essa roupa (vocês notaram o tamanho do sapato? Tem misericórdia!). Olha como de camiseta fica bem melhor:


Quer dizer, se é pra fazer a linha largadão, que faça direito, Tom! Da mesma forma que, se você vai ao Festival de Cannes, vestindo um smoking, faça o favor de se barbear, pentear o cabelo e tal... Não é porque agora que você separou que vai deixar de se cuidar. Muito pelo contrário! Agora você tem que ficar ainda mais bonito... PRA NÓS!!!! E vamos, combinar, que você nem precisa fazer muita força, né?

Mas, enfim, bom, não sei se exatamente por causa do Tom, ou se por uma combinação cósmica entre Tom + Dia das Crianças + uns tweets da @DayseD falando de Sandy e Jr + Horário de Verão + ENEM + Outras-coisas-que-não-lembro-agora, o negócio é que junto com Tom Welling, veio à tona um monte de outras paixões adolescentes que me deixaram numa nostalgia tremenda. 

Coloquei pra ouvir aqueles CDs que faziam a minha cabeça há 10 anos e cantei TODAS AS MÚSICAS a plenos pulmões, tive vontade de reler meus livros favoritos – que inevitavelmente também são mais ou menos da mesma época (pelo menos a maioria deles), os filmes que assistia sem parar, quis voltar a ir pro colégio e fazer prova e assinar camisas no último dia de aula só pra ter o prazer de entrar de férias em pleno novembro! Fiquei com saudade do Orkut, relembrei histórias incríveis, revivi um pouco dos tempos de MSN no FaceChat numa conversa com 4 pessoas, entrei no Facebook de gente que não via há tempos só pra ver como eles estavam agora...

E de repente me senti feliz como há muito tempo! Feliz como criança mesmo! Daquelas bem bobonas que começam a rir de tudo e bem forte!

E daí que enquanto entoava essa música, que ficou na minha cabeça por tipo umas 2 semanas, mesmo já tendo sido gravada há uns 15 anos, percebi que eu ainda sabia a letra todinha, sem precisar de cola, mesmo fazendo uns 7 que eu não colocava o CD pra escutar. E o mesmo se aplica a todas as outras músicas da mesma época. 

Ao passo que, se eu fosse pegar qualquer uma que ouço com muito mais freqüência hoje, só consigo acompanhar no máximo o refrão. E mesmo que eu saiba a letra toda, não é a mesma coisa. No primeiro caso, a voz vem lá de dentro e sai com todo o vigor. O sentimento atrelado àquelas letras bobas de, sei lá, 10, 15 anos atrás, é muito maior. 


As músicas que sabemos de cor, os livros que não cansamos de reler, os filmes que recitamos as falas junto com os atores, os amigos que não queremos esquecer, as melhores histórias que não nunca ficam repetitivas... Por mais que apareçam outros amores, outras paixões, outras pessoas, até melhores, mais inteligentes, mais interessantes, até mais parecidas com nosso eu atual, são as paixões adolescentes que mexem com a gente de um jeito que não dá pra explicar. 

E sabemos tudo isso de cor, porque elas não ficaram guardadas somente na memória, mas dentro do coração. 

E Turu Turu é dessas que saem lá de dentro do “core” direto para ponta da língua, mesmo com uma letra grande e cheia das artimanhas...

PS.  Gente, PARA TUDO, achei um instagram do Tom Welling. Será que é ele mesmo? Vou seguir!
PS2. Ai, Deus! Lembrei de quando entrei no Orkut, só pra ficar amiga do Tom Welling (sério). Na época, eu acreditei que era ele de verdade. Depois eu vi que tinha muitos, e eram todos falsos. Droga!
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