segunda-feira, 7 de julho de 2014

Querer e poder

Existe um ditado muito famoso que diz que “Querer é poder”. A frase reforça que a possibilidade de alcançar nossos objetivos só depende de nossa vontade e que a determinação abre todas as portas. E ela é muito bonita.

Só não dá pra dizer que sua recíproca é verdadeira. Porque nem sempre “Poder é querer”.

Durante toda a minha vida, e especialmente nos últimos tempos, tenho escutado uma palavrinha forte e cheia de significado: “potencial.”. Chega a ser engraçado o quanto de vezes que ela tem se repetido ultimamente.

E mesmo quando não aparece claramente (“Você tem potencial”), existem variantes que querem dizer praticamente a mesma coisa. “Você leva jeito”. “Você ainda vai longe”. “Você vai ser grande”.

E isso não seria problema nenhum se o fator “Poder” embutido na palavra “Potencial”, estivesse tão distante da vontade embutida na palavra “Querer”.

Sabe quando, por mais que o mundo te diga uma coisa, você sente e sabe lá no fundo que ele não tem ideia do que está falando? Sabe quando você não se imagina desse jeito que o tal “potencial” te projeta?

Só porque você é bom em algo, não significa necessariamente que você goste. Ou pelo menos que ame a ponto de não largar nunca mais. Ou que deva trilhar o caminho que todo mundo espera.

Talvez você só seja dedicado. Ou tenha facilidade de aprender. Não necessariamente que leve jeito ou que sirva para tal atividade.

Já desperdicei meu “potencial” algumas vezes. Porque no fim do dia por mais que me dissessem que eu “podia”, eu não “queria”. E se não tem motivação, vontade para continuar, não pode, não dá.

Sei que quando fiz essas escolhas, talvez tenha decepcionado algumas pessoas que esperavam muito mais, ou que esperavam outra coisa, muito maior.

Não sou uma pessoa de muitas ambições. Acho até que, com todo esse meu “potencial” eu deveria ser. Mas eu só quero ser feliz. E, na minha opinião, essa é a maior ambição que se pode ter.

Mas posso garantir que, todas as vezes que “desperdicei” meu potencial, faturei alto na felicidade. E não me arrependi nenhum segundo.

Porque descobri outras coisas que me fazem muito mais feliz. E por isso mesmo acho que não houve desperdício nenhum.
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

A fórmula do amor - Pt 2

Pt 2

O início do meio

No episódio anterior, entendemos um pouco como John Green é cria da internet, porque demorou tanto para aterrissar (ou seria alçar voo?) no Brasil, e como é difícil encontrar livros com personagens que gostem de matemática, que dirá um em que a matemática seja assunto principal.

E quando eu procurei Katherine pela primeira vez, essa era a minha expectativa quanto ao livro. Uma história que se desenvolvesse em função (ha!) da matemática. Acontece que eu estava muito enganada. O Teorema Katherine é sim, sobre um garoto que quer descobrir a fórmula do amor. Mas, acima de tudo, é uma história sobre contar histórias.

Porque, como comentei no post anterior, escritores escrevem sobre o que conhecem. E é impossível dissociar Colin da própria personalidade de John Green, que pode até ser escritor, mas é um apaixonado pelo conhecimento, acima de tudo. Daí as curiosidades ao longo de todo o livro, as frequentes notas de rodapé e a subtrama que quando chega no final é de arrepiar. 

Embora Colin seja um gênio querendo criar um teorema matemático, sua real paixão são as palavras. O menino faz anagramas com a mesma frequência que os movimentos de sua respiração (três vivas para a tia Renata, que traduziu esse livro dificílimo) e fala 10 idiomas fluentemente.

Mas é na personagem de Lindsey que John Green entrega sem nem disfarçar sobre o que realmente importa e dá uma verdadeira aula de narrativas. A menina do interior ensina a Colin o be-a-bá da contação de histórias e fala com todas as letras todos os elementos que uma boa deve ter. Além disso, a própria estrutura do livro, com flashbacks fora de ordem dos namoros com as outras Katherines* reforça a teoria de que a matemática é só uma pequena parte disso e que a alma do livro está é nas palavras.
* A busca de Colin pelo que deu errado em seus namoros anteriores faz de Teorema Katherine uma espécie de Alta Fidelidade para adolescentes, e com matemática, ao invés de música. 

E é uma satisfação enorme quando no final, as duas tramas (a dos números e a das letras) acabam por se completar, e Colin entende o sentido das duas e a solução de seus problemas (com trocadilho, por favor).

O fim do meio

Antes de Katherine, se eu tivesse que usar uma palavra para descrever John Green, essa palavra seria... cool. E atribuía seu sucesso muito mais à base internética que tinha conseguido montar. E isso explica sim o imenso fascínio que ele tem junto ao público adolescente.

Mas é a sua sensibilidade latente que faz com que seus livros também sejam tão bem aceitos junto ao pessoal que já passou dessa faixa etária há algum (ou há muito) tempo. Uma vez vi um vídeo do próprio dizendo que não escrevia “PARA adolescentes inteligentes”, mas “SOBRE adolescentes inteligentes”. Talvez aí esteja o seu segredo também.

John Green foge dos arquétipos tão comuns do universo high school e enxerga as pessoas por trás dos óculos ou dos pom-pons das líderes de torcida, tornando a identificação universal. Ele entende como poucos as angústias da idade, e as desenvolve sem melindres, ou nenhum tipo de condescendência, como bem fazia um certo John que fez muito sucesso na década de 80. Um tal de John Hughes.


E já que falamos de filmes, Teorema Katherine daria um ótimo longa-metragem (acho que já compraram os direitos do livro, até). A história tem uma estrutura que lembra os road movies, com os dois amigos saindo de casa em busca do desconhecido, e voltando com uma inesperada experiência de auto-conhecimento depois da estadia na pequena cidade do interior.

Seus personagens são adoráveis e cada um enfrenta seus próprios dilemas ao longo do livro. O senso de humor de Hassan é incrível e o gordinho é exatamente aquele melhor amigo que todo mundo precisa (que está lá nos momentos mais difíceis, mas não deixa de falar as verdades quando necessário). Lindsey, por sua vez, sofre com o dilema de não querer ser mais do que pode, além de querer ser aquilo que não é. E o Colin, por mais irritante que fosse por muitas vezes, era extremamente parecido...comigo. Não a parte de ser prodígio, mas praticamente todo o resto. A cobrança excessiva, a fome de conhecimento, o medo de errar, a dificuldade em se comunicar, a capacidade de fazer mil associações por minuto...

Mas, se tem uma angústia que aproxima os três protagonistas é a dificuldade em descobrir não a si mesmo, como também o seu lugar no mundo. Preocupação essa que talvez seja a maior na cabeça de 10 entre 10 adolescentes. E que volta e meia ainda rodeia nossa mente, mesmo depois de passados os anos terminados em "teen".

O fim

Ao longo do livro, em meio a fragmentos dos antigos namoros de Colin, Lindsey mostra ao menino prodígio a fórmula para contar uma boa história. Início, Meio, Fim, Romance, Aventura, Suspense e uma Lição no Final.

E vou te dizer: QUE FINAL!

John Green junta todas as subtramas que vinha construindo até ali e nosso gênio ordena presente, passado e futuro num final catártico que coloca as entrevistas com os moradores de Gutshot, os flashbacks do próprio livro e suas próprias memória e jornada em perspectiva. Arrebentou, apenas.

Como Lindsey bem ensinou, para aqueles que estão sentindo a pressão das altas expectativas, o livro deixa uma lição legal sobre ser você mesmo e não se preocupar tanto porque O FUTURO É IMPREVISÍVEL e a sua história é você quem faz.

Parafraseando outra personagem que gosta de matemática: 
O limite não existe.

Como eu disse, esse não é um livro sobre matemática. É sobre contar histórias. E Katherines é uma das boas. Dessas que nenhuma fórmula consegue descrever.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014

A fórmula do amor - Pt 1

Pt 1 – O início

Muito antes de ficar hiper-super-ultra-mega-blaster-famoso por A Culpa é das Estrelas, eu já era fã do John Green. Não, nunca tinha nem lido nada dele, pecado esse que só fui reparar recentemente com Katherine. Mas apaixonei-me por sua persona praticamente à primeira vista. Acho que o ano era 2008 (ou seria 2009?), as pessoas ainda usavam MSN, o Orkut ainda bombava, o Twitter não existia, e nossas vidas ainda não tinham sido dominadas pelo smartphone. Foi nessa época que eu descobri John Green, totalmente por acaso.

Num tempo em que podia me dar ao luxo de fuçar a internet até enjoar, um dia eu estava no teenreads olhando a lista dos livros recomendados e Katherines me chamou atenção pela capa cheia de símbolos matemáticos e sua sinopse que prometia:

Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

Quer dizer, um livro sobre um garoto que quer encontrar a tão famosa fórmula do amor do Leoni tinha que ser legal. E mesmo se não fosse, pelo menos seria uma experiência diferente nesse mar de histórias sobre escritores. Porque se escritores escrevem sobre o que conhecem, nada mais justo que eles criem personagens jornalistas, romancistas, roteiristas, etc. Só que geralmente escritores são escritores justamente porque odeiam os números. Daí é muito, muito, muito difícil você encontrar um personagem que goste de matemática.

Vamos + Fazer = Amor + a 2 
A verdadeira fórmula do amor também conhecida como Relação de Euler.
Quem lembra da aula dessa aula do Welerson?

Mas, enfim, voltando ao meu primeiro encontro com John Green. Daí, como eu estava com tempo livre, entrei no blog do John Green e descobri que ele era um cara muito, muito, muito legal! Tipo, ele tinha um movimento chamado Nerdfighters que mobilizava os adolescentes a serem pessoas mais legais, e um vlog junto com o irmão no qual postava vídeos bacanérrimos comentando sobre tudo (com opiniões muito inteligentes, ainda por cima), e indicava bandas de Wizard Rock, e pedia as namoradas dos fãs em casamento, e não penteava o cabelo e fazia músicas tipo I’m not Edward Cullen no auge da era crepusculete (na verdade quem fez a música foi o irmão dele, mas tudo bem. Aliás, as músicas do Hank são muuuuuuiito boas!)... Enfim, não tinha como não amar.

(Depois teve várias outras coisas legais que eles fizeram também tipo o canal pra ensinar História, e assinar todas as cópias vendidas no pré-venda de...acho que era Paper Towns, o livro, e incentivar ajudar as pessoas que mais precisam, etc)

Outra fórmula do amor

John Green ganha a vida com os livros, mas suas principais conquistas estão na vanguarda da internet. Seja fazendo vídeos, lançando tendências, interagindo com o público, discutindo ideias e... a parte mais legal: fazendo do mundo um lugar melhor.

Sabe aquele professor que é super amigo da turma e faz coisas diferentes toda aula e todo mundo quer assistir a aula dele? Acho que é mais ou menos esse o sentimento entre John Green e seu público.


Acontece que, mesmo o cara fazendo um sucesso estrondoso lá fora, demorou muito para as editoras brasileiras acordarem e trazerem suas obras para cá. (Meu palpite é que A Culpa é da Saga Crepúsculo, como tudo de ruim que aconteceu no mercado literário na época. Ah, sim. Isso e as famigeradas parcerias). Só no final de 2010 é que a Martins Fontes foi lançar Looking for Alaska sob o título de Quem é você, Alasca?, cheia de medo de não dar certo.

Embora tenha sido o livro mais premiado do escritor, talvez realmente não tenha sido a melhor opção para apresentá-lo ao público brasileiro (tanto é que a temática sombria – e digo “sombria”, como característica de alma, e não aludindo ao gênero do terror – não me atraiu também), e então só em 2013 uma editoria tupiniquim voltou a acreditar no autor e a Intrínseca lançou A Culpa é das Estrelas (ACEDE, pros íntimos), com toda a pompa e circunstância que John Green merece.

E aí a internet EXPLODIU! A nerdfighteria fez a sua parte e promoveu John Green até ele ficar umas 10 semanas em primeiro lugar nos mais vendidos, desbancando 50 tons de Cinza e recuperando a fé na humanidade.


Só que A Culpa é das Estrelas também não era o livro que eu queria ler do John Green. Meu coração pertencia à Katherine (que por sinal, é o nome da esposa do Hank, irmão do John). E agora que o autor estava dominando a lista dos bestsellers, foi questão de tempo até eu encontrá-la nas nossas prateleiras para fazer reparação histórica na minha linha do tempo literária. E se você já leu Katherine, sabe que o que eu acabei de falar tem tudo a ver com livro.
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sábado, 24 de maio de 2014

Um meme pra tirar a poeira e exercitar os dedos

Vida corrida, cabeça preocupada, muitas mudanças acontecendo e falta de tempo pro blog. Já passei da fase de pedir desculpas, a rotina agora é outra, vocês vão ter que se acostumar com isso. Não que eu ache que alguém se importe a esse ponto. Até porque acho que na verdade está todo mundo assim, né? Foi-se o tempo em que os blogs amigos tinham postagens regulares e criativas e novas.

Mas, enfim, eu nem sou de entrar nessa de memes não, mas a Fernanda, do Erro de Continuidade, postou esse e me indicou, e a vontade de postar é muita e criatividade pra escrever alguma coisa que não seja tão sombria é pouca (pra falar a verdade imaginei um post falando da notícia do lançamento do próximo DP porque foi de longe o assunto que mais alegrou no último mês e eu voltei a ser adolescente de novo, e já tenho meus receios e minhas conspirações e expectativas e apostas pro livro que só sai ano que vem. Mas, percebi que o que eu queria mesmo era a volta de um fórum bem bacana estilo 2005 pra compartilhar essas coisas. De verdade, acho que a gente devia fazer um movimento revolucionário e voltar pro Orkut. Porque pra isso, o Orkut era a MELHOR coisa)... Então, vamos de meme mesmo pra tirar a poeira do blog e exercitar os dedos na arte de postar. 

A brincadeira é responder 15 perguntas sobre livros, de acordo com a classificação. Algumas perguntas foram muito fáceis. Outras dificílimas de responder. Tentei ao máximo não repetir os autores.

1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda gente)
Posso começar com um empate técnico? 


Porque na verdade são dois. Sempre que alguém me pede dica de leitura, ou eu penso em dar livro de presente, ou estamos conversando sobre livros bons, eu tenho que falar de Um Dia

Porque Um Dia foi um livro que mexeu muito comigo. Porque fala de tempo. Porque a gente torce pelo casal. E porque no fundo, no fundo, Um Dia também é a história de você e eu. E não tem como não se identificar.

Só que daí a pessoa diz que já leu Um Dia ou faz careta e diz que não gosta de romance (mesmo eu tendo alertado que Um Dia é um pouco mais profundo do que esses romances água com açúcar), e aí eu tenho que apelar pra consciência política e divulgar Fábrica de Diplomas, que, como comentei na época, é um Tropa de Elite da educação superior brasileira. Leitura obrigatória. Só isso.

2) Maldito plágio (o livro que gostaríamos de ter escrito)
Insaciável. Porque uma história de vampiros que tira sarro das histórias de vampiros é um negócio que eu queria muito ter feito se eu tivesse talento. E daí que eu fiquei louca quando soube que Tia Meg querida do meu coração ia fazer um desses. O livro é maneiríssimo. E seu tivesse escrito, ainda ia criar uma trama com vampiros na política e empresários do ramo do axé music. Sabe de nada, inocente!

3) Não vale a pena abater árvores por causa disso
Crepúsculo. Não vou nem gastar meus dedos me justificando de novo. Leiam aqui.

4) Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)
Se eu tivesse lido Escola de Espiãs com 10 anos a menos, ia gostar 10 vezes mais. Porque o livro é bonitinho. É legalzinho. Os personagens são fofinhos. E não tem nada de errado com ele, de verdade. Mas o negócio é que depois de 10 anos lendo acompanhando histórias adolescentes, você já sabe exatamente onde as coisas vão dar. Li só o primeiro e não tive taaaanta vontade de continuar porque 1) tive um misto de deja vu com visão do futuro em que previ tudo o que poderia ocorrer com a série; e 2) a autora ia demorar tipo uns 7 anos ainda pra terminar, e se, com 20 anos eu já estava me sentido meio velha pro livro, imagina só com quase 30.
 
5) Eu tentei... (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)
Orgulho e Preconceito. Desculpem a heresia, mas toda vez que eu pegava esse livro, me dava um sono danado. E eu não consegui acompanhar a quantidade de personagens que tinha. Não sabia mais quem era homem, quem era mulher, se tinha algum travesti... Admiro muito a Jane Austen e tal, mas não nasci pra ler os livros dela. Obrigada.

6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro com final surpreendente)
Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é livro é muito artístico. Muito poético. Muito inspirador. Mas não passa de um livro muito pretensioso. E se no final você já não ficasse extremamente decepcionado pelas escolhas sem lógica e pela falta de evolução dos personagens, ainda tem aquelas fotos das pessoinhas caindo do prédio, com aquelas últimas palavras bregas... Hã?

7) Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)
DP10 - Princesa para Sempre. Eu sempre li os livros do Diário com uma voracidade incrível. Mas quando chegou no último, foi um negócio fora do normal. Até para os meus padrões de leitura com DP. Comprei em inglês mesmo (porque eu não ia agüentar 6 meses até a tradução) e chegou no meu aniversário, e eu fui lendo com pena de acabar no início. (Galera, são 10 livros de pura adoração. É a série da minha VIDA!!!) Mas chegou uma hora que não dava pra largar mais. Eu tentei dormir, mas não consegui pregar os olhos antes de saber o que ia acontecer nas outras páginas. Aí eu falei que ia ler só até a 250. Depois só até a 300. E daí que não dava pra adiar e eu tive ir até o final de uma vez. Li até as 4 da manhã. E o pior é que depois que acabou, eu ainda não quis largar o livro!!!!! Era muita emoção. Não consegui dormir. Fiquei voltando nas melhores partes. Relendo, e relendo, e relendo. Foi tenso. Foi bom. Estou na contagem regressiva pro próximo.
 
8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)
Ai gente, não sei. Se fosse TV era tão mais fácil. Sookie e Luke, de Gilmore Girls. Aaaaah, já sei. A mãe do jardineiro de Samantha Sweet - A executiva do lar. Lembro de sentir o cheiro do frango assado que ela ensinou a Samantha a fazer. Comida de mãe não tem igual, né?

9) Fast forward (um livro que poderia ter menos páginas que não se perdia nada)
Feios. Porque são páginas demais com a menina perdida no deserto. E depois ficou chato de novo quando chegou na parte do acampamento. E foram partes demais explicando todo o universo distópico. Sei que o Senhor dos anéis também podia ter menos páginas, mesmo não tendo lido. 

10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)
A visita cruel do tempo. Porque tem "tempo" no título. Só isso já torna o livro interessantíssimo. E parece ser elegante, inteligente, profundo. Não li, tenho vontade, estou esperando o momento ideal pra encarar uma leitura densa dessas.

11) O que vale é o interior (um livro bom com a capa feia)
Um Grande Garoto. Mas vale pra qualquer um do Nick Hornby pra falar a verdade. Os livros do cara são bons, mas a Rocco não ajuda com essas capas. Só Juliet salva.

12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)
Adepta das comédias que sou, geralmente estou sempre com um livro que me faça rir. Mas acho que ninguém me faz rir mais do que Becky Bloom. Porque a Becky é surreal. As outras personagens da Sophie Kinsella às vezes são meio doidinhas, mas a Becky tem uma forma própria de raciocínio e o dom de se envolver em enrascadas. Me escagalhava no trem, lendo suas trapalhadas. Ela é MUITO hilária. Difícil até escolher o momento mais absurdo (porque é claro que com o passar da série, as confusões ficam cada vez maiores), mas, do primeiro volume, a parte que ela acha que vai ganhar na loteria e as cartinhas pra Finlândia ficaram pra sempre na minha memória.

13) Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)
A Cidade do Sol. Confesso que, há algum tempo, entrei numa fase bem lacrimosa da minha vida. Mas esse livro é apelação total. Eu já estava chorando na página 30, pra você ver. E é só desgraça em cima de desgraça. Chega uma hora que você já está tão acostumado e revoltado com tanta falta de otimismo que nem tem mais forças pra chorar. É muito sofrimento, cruz credo. Podia ter umas páginas a menos também.
 
14) Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)
Não empresto pra ninguém eu DP10, nem meu DP3, nem O Garoto da Casa ao Lado, nem Garota Americana por motivos de... estão autografados pela DIVA Meg Cabot. Simplesmente. Dou até um livro novo. Mas não empresto esses não.

15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)
Macbeth – A peça maldita. Comprei numa promoção há umas 2 bienais. Tá lá na estante, esperando o momento certo. Porque, sabe como é, tem a maldição e tal. Não dá pra ler em qualquer hora. E ultimamente eu ando achando que já estou zicada demais.

Legal esse meme. Deu saudade do Inútil de outros tempos, né? Em que a blogueira era mais presente, mais alegre, menos ranzinza e preocupada...

Fiquei com vontade de escrever uma resenha agora. Será que eu consigo fazer uma do Katherines do John Green? Será que eu ainda sei fazer? Será que eu ainda levo jeito? Aguardemos.
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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Onde vivem os monstros

Existem histórias de monstros que vivem no armário. Existem histórias de monstros que moram debaixo da cama. Ou atrás da porta. Ou dentro da caixa de brinquedos.

Não importa o lugar, os monstros sempre se escondem naquele cantinho escuro, apertado e bagunçado do quarto.

E nenhuma dessas histórias é tão assustadora quanto a sensação de descobrir que o verdadeiro monstro vive dentro de você.

Eu achei que fosse uma pessoa calma, tranqüila, serena. E que só saía desse estado de paz quando forças “ocultas” vinham me perturbar. Não sou nada disso.

Descobri que sou babaca, vingativa e egoísta. Que falo mais do que devo. E que tenho uma língua ferina e afiada. E que não sei manuseá-la direito. Daí quando quero (e quando não quero também) minhas palavras cortam como navalha. E na pele de quem não devia.

Descobri que afasto as pessoas como mecanismo de auto-defesa. E depois sofro pra mudar essa impressão. Porque infelizmente tem gente que confunde ser legal com ser otário. E otária é uma coisa que eu não sou.

Descobri que sou mais do tipo “bateu-levou” do imaginava. E que a revanche pode demorar, não falha. E quando vem, é com 10 vezes mais força. Também uso do humor, ácido, como forma de vingança. E passo do limite. Por isso ele não é nada engraçado. 

Descobri que não sou só idiota com as pessoas que merecem (porque tem gente que merece, sim!). E que muitas vezes machuco gente que só quer o meu bem. Na verdade, tendo a machucar mais justamente as pessoas que gosto de verdade, do fundo do coração.

Descobri que existe um monstro furioso dentro de mim. E que ele não se manifesta só quando está com fome. Mas também quando se sente sufocado, injustiçado, ansioso e amedrontado.

A minha sorte é que essas mesmas pessoas que não merecem são corajosas e não têm um monstro feroz dentro delas também. E elas não têm medo usar todas as armas pra colocar ele no seu devido lugar e o combatem com doses de carinho que eu não estou acostumada (e não mereço) receber. E isso é capaz de derrubar qualquer monstro.

Descobri que no cantinho mais escuro, apertado e bagunçado da minha alma existe um monstro mais aterrorizante do que o bicho-papão. E a sua força me assustou. Mas, por mais que não dê para acabar com ele de vez, existe um jeito de controlá-lo ou escondê-lo. Porque é dentro dos armários, atrás das portas, debaixo das camas que os monstros devem ficar.

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

O lado ruim de ser ótimo

Eu sempre fui a aluna nota 10. Não que meu boletim fosse nota máxima do início ao fim (ok, no primário isso era bem próximo da verdade), mas sempre fui uma boa aluna. Dá pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que fui pra recuperação ou prova final.

Não sei dizer se era a melhor aluna. Talvez fosse a mais “completa”. Gostava tanto das humanas, quanto das exatas. Tinha o mesmo prazer em fazer uma redação, quanto de resolver uma lista de matemática. E contrariando a imagem criada por todos os filmes, ia bem até na Ed. Física (era do time de handebol do colégio e nunca era escolhida por último pelos capitães dos times).

Também contra todas as expectativas, nunca liguei muito pra essa história de notas e alto desempenho. Nunca quis ser “a melhor”. Só queria dar o meu melhor. E curtir ao máximo meu período escolar. Os resultados seriam consequência.

Fiz questão de manter a humildade e os pés no chão pra não virar aquela pessoa chata que se acha e não tem amigos. Aliás, minha maior vitória talvez tenha sido o grupo de amigos mais legal que eu poderia ter. Porque a escola, os boletins, as notas... passam. E a vida lá fora não tem nada a ver com esse experimento pelo qual passamos toda a nossa vida até os 18 anos.

Acontece que eu ando descobrindo que, bom, talvez a vida aqui fora não seja tão diferente assim do colégio. E que esse negócio de ser uma aluna nota 10 talvez não tenha sido a melhor estratégia. Porque a vida não te prepara para certas coisas que já deveriam estar no sangue e aí:

1) Você tem vergonha de pedir ajuda
Você está acostumado a ser a pessoa a quem as pessoas perguntam as coisas. A pessoa que resolve os problemas. Aquele que tem as respostas na ponta da língua. E às vezes você se sente na obrigação de saber tudo. E se sente frustrado por não saber todas as respostas. E tem vergonha de ser aquele que pergunta. E às vezes também não sabe a quem perguntar, já que quem geralmente tem as respostas é você.

2) Você não sabe lidar com o fracasso
Você está acostumado ao sucesso o tempo todo. E quando falha se sente a pior pessoa do mundo. E tem dificuldade de seguir em frente e fica com aquilo martelando na cabeça durante um bom tempo, racionalizando, tentando entender onde você errou, até chegar à conclusão que não é o fim do mundo e que errar não te faz pior, só te faz humano.

3) Você trabalha mais que os outros
Talvez essa seja a principal diferença para os tempos de colégio. Afinal, realizar um bom trabalho durante o ano te garantia mais fins de semanas livres, saídas mais cedo durante os dias de recuperação e férias garantidas em pleno mês de novembro. Mas, ao contrário dos tempos áureos da escola, quando você é bom no que faz, a única coisa que você ganha é... “Mais Trabalho!”. Você faz o seu e refaz o dos outros que fazem errado. Você ganha mais responsabilidade e mais preocupação. E começa a pensar que ser “medíocre” seria um negócio muito mais vantajoso, mas é orgulhoso demais para fazer as coisas de qualquer jeito e acaba “carregando o mundo nas costas” assim mesmo.

4) Você tem que lidar com altas expectativas o tempo todo
As pessoas criam expectativas muito grandes em cima de você. E te dão mais trabalho do que dariam para os outros, confiando na sua capacidade de resolver problemas. E todo mundo acha que você tem que ser o melhor sempre. E você se pega pensando que não pode errar (vide números 1 e 2) e que tem que agradar a toda essa gente e se esquece que você pode ser bom, mas ainda assim é gente, e que quem manda na sua vida, no final das contas é você.

5) Você vive o eterno dilema do herói
Como já diria o tio Ben: “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. E logo você sente a pressão das expectativas, do peso do possível fracasso, da dependência das outras pessoas e do mundo que colocou nas costas (o peso sobre os ombros não é psicológico, é físico, eu já senti). E aí começa a se perguntar: “E quem é que vai ‘me’ salvar?”. E se eu não for nada disso? E se eu for, mas não quiser ser? Alguém me perguntou alguma vez a minha opinião?

Outro dia li um texto, com gráficos e desenhos no paint (indicado pela Karol, Valeu, Karol!), sobre as pessoas da geração Y se sentem especiais quando na verdade não são. E precisam parar com isso.

Acho que meu problema é um pouco o contrário. Aceitar esse fardo do destino, ao mesmo tempo em que tento encontrar o meu lugar no mundo e um jeito de sobreviver. 

Nunca me senti especial, de forma alguma. E também rejeitei muitas vezes o título de líder, pois nunca achei que levasse jeito pra coisa. Mas estou começando a aceitar o fato de que talvez seja mesmo diferente, de alguma maneira (porque eu já me formei e continuo sendo uma das melhores no que eu faço – não sou eu que estou dizendo, é o que venho escutando nos últimos meses de várias pessoas, gente inclusive que nem tem tanto contato comigo assim -, mesmo ainda achando que na maioria das vezes não faça nada de mais). 

E como já dizia o Mr. Schue: “Às vezes ser especial é um saco”.
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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sociedade dos Poetas Mortos

O meu problema é que eu assisti filmes demais. Li livros demais. Ouvi música pop demais.

E tento encontrar resposta e sentido para as situações da vida real nas palavras da ficção. E encontro. Porque faço conexões na velocidade da luz e sempre tem uma frase, um verso, um parágrafo que se aplique.

O meu problema é que eu tenho facilidade de aprender. E tenho uma boa memória. E ao invés de esquecer as mensagens do final, levo tudo muito a sério aquelas histórias de “Seja você mesmo” e “Fazer a coisa certa” e “Você pode ser tudo o que quiser”.

O meu problema é que eu acho que posso mudar o mundo. Sozinha. E fico acreditando que eu posso ser a exceção à regra que protagoniza o filme. E fico querendo desafiar as coisas erradas da humanidade.

Alguns acham que é imaturidade, infantilidade, rebeldia. Mas acho que o meu problema é que eu sou...romântica. Uma romântica inveterada, eu diria.

Daquelas que acredita no amor. Nas pessoas. Nas idéias. Num mundo, senão idealizado, pelo menos ideal. Que detesta injustiça. Que acha não é porque as coisas são assim que elas têm que continuar assim. E que acredita que “o sonho que se sonha junto é realidade”.

Já tentaram me convencer a aceitar o mundo do jeito que é, e que nada vai dar certo no final. E eu quase perdi a fé na vida por me sentir impotente diante da grandeza da covardia do sistema.

E eu logo desisti de desistir. Por que, se a gente deixar de acreditar, qual a graça que tem? De que adianta viver sem esperança? Pra que aceitar a inércia do incorreto quando a gente pode de fato fazer alguma coisa?

E por mais que eu saiba que a vida real não é nada como nos filmes e que eu nunca vou ter a coragem pra dizer tudo o que falam as letras das músicas, sigo acreditando que lá no fundo a gente devia se inspirar mais na poesia como diretriz para alcançar o final feliz.

O meu problema é que eu acredito no final feliz. Sempre.

Mas acho que isso não seja um problema de verdade.

Na verdade ele é a solução.
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