Às vezes é muito difícil explicar o tipo de música de que eu gosto. As pessoas tendem a achar que eu sou roqueira. Ou que só escuto música erudita.
Na verdade, não tenho paciência para gente que pinta o olho e se veste de preto para dizer que é “rebelde”. Também não simpatizo com os músicos das bandas de rock, que, ou pregam a rebeldia sem causa e fazem coisas estúpidas no palco como forma de auto-afirmação (mesmo que indiretamente façam parte da mesma engrenagem da indústria fonográfica que o Justin Bieber), ou são rebeldes de pelúcia, pregando a paz e amor, apesar de toda a pose de bad boy. Ademais, acima de tudo, não suporto todos aqueles gritos guturais em cima de qualquer acorde sujo de guitarra.
Da mesma forma, não tenho paciência para aqueles álbuns com músicas lentas de dar sono, nem com o público, em sua maioria, apático nos shows, que só sabe cantar uma das canções.
E eu sei que é difícil de acreditar, mas eu gosto de música pop. Tenho certa predileção por canções que grudam no ouvido, ficam na cabeça o dia todo e fazem todo mundo cantar junto (e alto). Gosto do pop justamente por ser tão despretensioso, aberto e assumidamente “vendável”.
Não me importa se é comercial, porque tenho a consciência de que o comércio é que move o mercado. E, mais do que isso, me enxergo dentro desse contexto como consumidora. O pop comercial, aliás, é aquele que financia os projetos não tão comerciais assim. Faz parte do jogo. Essa é uma das razões, inclusive para o Pop do Brasil andar tão pobre de coisas novas e de qualidade. Porque a indústria fonográfica quebrou e não tem mais dinheiro pra aplicar na divulgação de gente legal também, direcionando todo o orçamento para os Restarts da vida. Mas acho que isso é assunto para um outro dia...
No entanto, não gosto de qualquer pop. Também não tenho lá muita simpatia para esse pop pré-fabricado, vazio e sem talento das rádios. Me cansa quando alguns desses fantoches insistem em nos convencer que não são de plástico (que assumam logo que só querem a fama e o nosso dinheiro!!!), ou quando querem conquistar seu espaço com um marketing que “choca” a sociedade.
Gosto de pop melódico, swingado, com alma, letras bacanas e se possível com uma pitada de poesia (sim, dá pra fazer).
Muito me irritam também os artistas que acham que só porque fazem música – ou arte – não precisam cumprir suas obrigações como qualquer outra pessoa e só querem lançar um disco novo a cada década, com só 5 músicas, do jeito que bem entenderem... E tudo bem que a inspiração é importante e tudo, mas acontece que aquilo lá é o TRABALHO dele!!! Fico bem do lado da gravadora quando esta começa a ameaçar com chicote se os músicos não entrarem em estúdio ou reclama do conteúdo do disco, porque, né, eles estão ganhando pra isso. Escritores também dependem da inspiração e dão o seu jeito pra cumprirem seus prazos. Na verdade, em qualquer profissão a gente tem que dar o nosso jeito e leva bronca do patrão. Por que com eles seria diferente?
[Edit: Acho que vale a indicação de um post do Zeca Camargo sobre a música pop perfeita e como isso requer muito mais transpiração do que inspiração. O texto é tão bacana que eu fiquei com vontade de ter escrito. Acho que no fundo é porque é o texto que eu tentei fazer aqui, mas não tinha o nível de conhecimento sobre o assunto que ele tem. Porque, se você não sabe, Seu Zeca, mais do que o apresentador do Fantástico, é um poço sem fundo de cultura pop. E já que estamos falando dele, queria deixar registrado que entendo quando vocês se cansam dos textos demasiadamente longos deste blog. Eu também me sinto assim no blog do Zeca. ;)]
Também muito me irritam os artistas autistas que acham que fazem música para eles mesmos. Não cantam as músicas que o povo espera, agem como se a platéia não existisse, lançam discos meia boca... Até parece que não somos nós, o público, que garantimos o leitinho das crianças deles. Eles têm mais é que nos paparicar muito! E ainda tem de fazer isso com verdade e paixão, porque, caso contrário, não adianta muita coisa.
Aliás, se tem uma coisa que eu detesto é aquele papinho de: "Nesse disco a gente mostrou realmente quem a gente é, agora sim estamos fazendo música com a nossa cara". Primeiro porque dá a entender que antes eles estavam "nos enganando" e fazendo algo de que não gostavam, quando diziam adorar aquilo tudo (no mínimo anti-ético isso) e depois porque esse discurso costuma se repetir disco após disco, tirando toda a credibilidade da declaração.
E é aí que mora o perigo porque nem sempre o que os músicos querem é o que a gente quer. Até porque o “a gente” é dividido em um monte de facções. Cada um tem um gosto e uma mentalidade diferente. Tem a galera que prefere qualidade ao invés de quantidade. Tem a galera que prefere as superproduções. Tem a galera que acha tudo o que o cara faz lindo e maravilhoso...
Como consumidora, eu quero o “pacote completo”. Quero CDs que sejam legais por inteiro e não apenas 3 músicas boas. Quero clipes bacanas, shows bem feitos e artistas que gostam do que fazem. E nem acho que seja muito exigente, mas se querer um trabalho de qualidade é ser exigente, bom, então eu sou mesmo.
Mas fazer aquilo que se gosta e ainda por cima agradar ao público é algo difícil de se conseguir.
Por causa disso eu fico extasiada quando encontro um artista que tem suas metas alinhadas com as minhas expectativas. Quando vejo que tudo o que ele quer é tocar, se divertir e que as pessoas se divirtam com o seu trabalho, eu já fico feliz. Simples assim. E quando eu consigo me incluir nesse grupo de “as pessoas”, eu já fico mais feliz ainda. E se o trabalho tiver um toque de originalidade e sofisticação, aí eu fico é fã. Porque é praticamente uma combinação cósmica achar música pop grudenta de qualidade e feita com paixão ainda por cima.
É difícil, mas não é impossível. Por isso, da próxima vez que você vir um post começando com UPP, fique tranqüilo, não é a polícia que apareceu por aqui para pacificar o blog, é só uma postagem de Um Pé no Pop. Uma coluna que tem como missão vez ou outra tirar alguns artistas legais das ondas obscuras do meu player e compartilhar com você, leitor, o sentimento de que existe música pop (ou com um pé no pop) muito boa por aí, embora muitas vezes não encontre espaço sob os holofotes do mercado brasileiro.
Na verdade, não tenho paciência para gente que pinta o olho e se veste de preto para dizer que é “rebelde”. Também não simpatizo com os músicos das bandas de rock, que, ou pregam a rebeldia sem causa e fazem coisas estúpidas no palco como forma de auto-afirmação (mesmo que indiretamente façam parte da mesma engrenagem da indústria fonográfica que o Justin Bieber), ou são rebeldes de pelúcia, pregando a paz e amor, apesar de toda a pose de bad boy. Ademais, acima de tudo, não suporto todos aqueles gritos guturais em cima de qualquer acorde sujo de guitarra.
Da mesma forma, não tenho paciência para aqueles álbuns com músicas lentas de dar sono, nem com o público, em sua maioria, apático nos shows, que só sabe cantar uma das canções.
E eu sei que é difícil de acreditar, mas eu gosto de música pop. Tenho certa predileção por canções que grudam no ouvido, ficam na cabeça o dia todo e fazem todo mundo cantar junto (e alto). Gosto do pop justamente por ser tão despretensioso, aberto e assumidamente “vendável”.
I don't know why you say goodbye, I say hello, hello hello
Não me importa se é comercial, porque tenho a consciência de que o comércio é que move o mercado. E, mais do que isso, me enxergo dentro desse contexto como consumidora. O pop comercial, aliás, é aquele que financia os projetos não tão comerciais assim. Faz parte do jogo. Essa é uma das razões, inclusive para o Pop do Brasil andar tão pobre de coisas novas e de qualidade. Porque a indústria fonográfica quebrou e não tem mais dinheiro pra aplicar na divulgação de gente legal também, direcionando todo o orçamento para os Restarts da vida. Mas acho que isso é assunto para um outro dia...
No entanto, não gosto de qualquer pop. Também não tenho lá muita simpatia para esse pop pré-fabricado, vazio e sem talento das rádios. Me cansa quando alguns desses fantoches insistem em nos convencer que não são de plástico (que assumam logo que só querem a fama e o nosso dinheiro!!!), ou quando querem conquistar seu espaço com um marketing que “choca” a sociedade.
All we hear is Radio Ga Ga, Radio Goo Goo, Radio Ga Ga
Gosto de pop melódico, swingado, com alma, letras bacanas e se possível com uma pitada de poesia (sim, dá pra fazer).
Muito me irritam também os artistas que acham que só porque fazem música – ou arte – não precisam cumprir suas obrigações como qualquer outra pessoa e só querem lançar um disco novo a cada década, com só 5 músicas, do jeito que bem entenderem... E tudo bem que a inspiração é importante e tudo, mas acontece que aquilo lá é o TRABALHO dele!!! Fico bem do lado da gravadora quando esta começa a ameaçar com chicote se os músicos não entrarem em estúdio ou reclama do conteúdo do disco, porque, né, eles estão ganhando pra isso. Escritores também dependem da inspiração e dão o seu jeito pra cumprirem seus prazos. Na verdade, em qualquer profissão a gente tem que dar o nosso jeito e leva bronca do patrão. Por que com eles seria diferente?
[Edit: Acho que vale a indicação de um post do Zeca Camargo sobre a música pop perfeita e como isso requer muito mais transpiração do que inspiração. O texto é tão bacana que eu fiquei com vontade de ter escrito. Acho que no fundo é porque é o texto que eu tentei fazer aqui, mas não tinha o nível de conhecimento sobre o assunto que ele tem. Porque, se você não sabe, Seu Zeca, mais do que o apresentador do Fantástico, é um poço sem fundo de cultura pop. E já que estamos falando dele, queria deixar registrado que entendo quando vocês se cansam dos textos demasiadamente longos deste blog. Eu também me sinto assim no blog do Zeca. ;)]
Também muito me irritam os artistas autistas que acham que fazem música para eles mesmos. Não cantam as músicas que o povo espera, agem como se a platéia não existisse, lançam discos meia boca... Até parece que não somos nós, o público, que garantimos o leitinho das crianças deles. Eles têm mais é que nos paparicar muito! E ainda tem de fazer isso com verdade e paixão, porque, caso contrário, não adianta muita coisa.Aliás, se tem uma coisa que eu detesto é aquele papinho de: "Nesse disco a gente mostrou realmente quem a gente é, agora sim estamos fazendo música com a nossa cara". Primeiro porque dá a entender que antes eles estavam "nos enganando" e fazendo algo de que não gostavam, quando diziam adorar aquilo tudo (no mínimo anti-ético isso) e depois porque esse discurso costuma se repetir disco após disco, tirando toda a credibilidade da declaração.
E é aí que mora o perigo porque nem sempre o que os músicos querem é o que a gente quer. Até porque o “a gente” é dividido em um monte de facções. Cada um tem um gosto e uma mentalidade diferente. Tem a galera que prefere qualidade ao invés de quantidade. Tem a galera que prefere as superproduções. Tem a galera que acha tudo o que o cara faz lindo e maravilhoso...
Como consumidora, eu quero o “pacote completo”. Quero CDs que sejam legais por inteiro e não apenas 3 músicas boas. Quero clipes bacanas, shows bem feitos e artistas que gostam do que fazem. E nem acho que seja muito exigente, mas se querer um trabalho de qualidade é ser exigente, bom, então eu sou mesmo.
Mas fazer aquilo que se gosta e ainda por cima agradar ao público é algo difícil de se conseguir.
Por causa disso eu fico extasiada quando encontro um artista que tem suas metas alinhadas com as minhas expectativas. Quando vejo que tudo o que ele quer é tocar, se divertir e que as pessoas se divirtam com o seu trabalho, eu já fico feliz. Simples assim. E quando eu consigo me incluir nesse grupo de “as pessoas”, eu já fico mais feliz ainda. E se o trabalho tiver um toque de originalidade e sofisticação, aí eu fico é fã. Porque é praticamente uma combinação cósmica achar música pop grudenta de qualidade e feita com paixão ainda por cima.
É, Michael, você faz falta, viu!
É difícil, mas não é impossível. Por isso, da próxima vez que você vir um post começando com UPP, fique tranqüilo, não é a polícia que apareceu por aqui para pacificar o blog, é só uma postagem de Um Pé no Pop. Uma coluna que tem como missão vez ou outra tirar alguns artistas legais das ondas obscuras do meu player e compartilhar com você, leitor, o sentimento de que existe música pop (ou com um pé no pop) muito boa por aí, embora muitas vezes não encontre espaço sob os holofotes do mercado brasileiro.




















